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DIGIMON ADVENTURE TRI: News, discussões, e etc.

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Re: DIGIMON ADVENTURE TRI: News, discussões, e etc.

Mensagem por Takuya em Sab Nov 18, 2017 9:37 pm

Eu sou suspeito pra falar, se todos os filmes fossem sobre o cotidiano dos escolhidos, sem batalha alguma, eu ia gostar do mesmo jeito. Depois de tanto tempo é como rever aqueles amigos de infância que você não vê a anos, e querer saber de tudo que aconteceu com eles nesse tempo. O único filme que eu achei arrastado foi o penúltimo, até postei aqui na época, mas de resto eu tô achando bem satisfatório.
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Re: DIGIMON ADVENTURE TRI: News, discussões, e etc.

Mensagem por Rayana em Sab Nov 18, 2017 10:38 pm

Justamente. Não acho que sejam filmes feitos para quem não é muito apegado à franquia. Aliás, o facto de tri ser exibido apenas em alguns cinemas especiais, escolhidos a dedo, é um indicador de que esta é uma produção para um público específico. Não é para o público geral, ou para qualquer um por aí assistir. São para esses aí, "demasiado suspeitos para falar".

Toda aquela simbologia da "criança escolhida" e "daqueles dias de verão" são metáforas muito específicas para representar a doce infância perdida para o mundo adulto e das obrigações sociais/profissionais, mas que só fãs de digimon entendem. Aquele público fã que hoje é adulto e que sente exactamente o mesmo tipo de saudade que os personagens sentem pelo passado. É aquele sentimento de angústia pelos "velhos tempos" que conhecemos tão bem.

Enfim, o próprio tema de tri gira em torno da questão de "como continuar sendo criança [escolhida] mesmo sendo um adulto". É uma questão universal, abordada em vários animes de várias formas diferentes, só que em tri ela tem um tratamento muito peculiar e é abordada com uma linguagem e recursos visuais muito próprios, dirigido para um público-alvo também ele muito próprio, e que portanto não será tão facilmente entendido por quem não acompanhou o barco desde o princípio.

Há muitas coisas que só um fã acérrimo mesmo muito familiarizado com a franquia entende. Não apenas fãs de Adventure, mas fãs de digimon num geral. O fã que só assistiu Adventure e 02 vai ficar muito confuso, não fazendo a mais puta ideia de quem é "Yggdrasil". Lógico, daí só pode sair frustração, porque não terá as respostas que todos os outros fãs que assistiram Savers ou Digimon X-Evolution, ou que leram mangás como Next ou XW acham tão óbvias e intuitivas rs. Então sim, Tri foi concebido mesmo para aqueles fãs hardcore de longa data.
(E quem não está afim da proposta de tri e prefere algo completamente novo e mais amigável do público geral, sempre tem Appmon para assistir. Foi uma excelente jogada da franquia!)

Mas meu, engana-se quem pensa que tri é só isto. Quando o realizador comentou naquela entrevista, há uns 2 anos, que estava a condensar o conteúdo de 12 filmes em apenas 6... eu imaginei que fosse só uma forma de expressão, mas vendo em retrospectiva,...... meu. ele tem toda a razão. Digimon Adventure Tri vai mais além e faz o que digimon faz de melhor: apresenta novos personagens e novas aventuras, novos dramas e novos monstros (internos e externos) a vencer e superar.

Além de uma sessão de nostalgia, tri é também a História da Meiko.

O que acho engraçado é que ao princípio eu não gostava nada da Meiko. Só aos poucos fui percebendo que essa jogada contra ela era intencional, e que ela não é tão "fofa e kawai" assim. lol Em "Confissão" ela deixou cair a máscara e foi aí que comecei a perceber que ela foi criada mesmo para nos colocar contra ela. A Meiko parece ter sido mesmo apresentada no começo para ser suspeita, como a fonte aparente de todos os problemas.

Só que, como sempre, digimon ensina uma bela lição de maturidade, nomeadamente no quesito que não julgar as pessoas pelas primeiras impressões, ao mostrar que essas mesmas pessoas podem ter uma história mais complexa para contar, que explica as suas acções e escolhas que, superficialmente, pareciam censuráveis e dignas de culpa.

Agora que sabemos mais a respeito, a Meiko e a Meicomon no final poderão mesmo ser a chave e a explicação de como o Taichi se tornará diplomata. A Meicoomon revelou-se um grande mal no começo, mas eu acho que ela é também o "interruptor" que permitirá que digimons e humanos finalmente vivam juntos no futuro. Tal como um veneno, que pode matar ou curar, dependendo do que uso que lhe damos, a Meicoomon pode destruir o mundo.... ou regenerá-lo. É isso que estou impacientemente à espera de ver no próximo filme: o começo do "novo futuro" (que será aquele que vemos no epílogo de 02).

Para mim o único problema de tri é que, dá para perceber, há muitas partes que são corridas e apenas levemente insinuadas -  são partes que dariam muitos mais episódios  (novamente, vem à mente o problema do "conteúdo de 12 filmes colocado em apenas 6"...) e quase faço luto pelas cenas que nunca iremos assistir, sobre a vida dos escolhidos em Odaiba depois do reboot, naquela fase em que ainda estão sem saber como reagir à morte precoce da infância deles.... (até eles decidirem cuspir na cara do assunto e ir ver os digimons, anyway)

Mas, em resumo: dá para ressoar com o público mais velho e dá para apimentar as coisas porque temos personagens novos. Com a cereja em cima do bolo de aproveitarem coisas que estavam apenas vagamente insinuadas em 02, como o Oceano Negro, ou a primeira geração de escolhidos mencionada pelo Gennai em Adventure.
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Re: DIGIMON ADVENTURE TRI: News, discussões, e etc.

Mensagem por Mr. Pines em Sab Nov 18, 2017 11:56 pm

Rayana escreveu:Justamente. Não acho que sejam filmes feitos para quem não é muito apegado à franquia. Aliás, o facto de tri ser exibido apenas em alguns cinemas especiais, escolhidos a dedo, é um indicador de que esta é uma produção para um público específico. Não é para o público geral, ou para qualquer um por aí assistir. São para esses aí, "demasiado suspeitos para falar".

Toda aquela simbologia da "criança escolhida" e "daqueles dias de verão" são metáforas muito específicas para representar a doce infância perdida para o mundo adulto e das obrigações sociais/profissionais, mas que só fãs de digimon entendem. Aquele público fã que hoje é adulto e que sente exactamente o mesmo tipo de saudade que os personagens sentem pelo passado. É aquele sentimento de angústia pelos "velhos tempos" que conhecemos tão bem.

Enfim, o próprio tema de tri gira em torno da questão de "como continuar sendo criança [escolhida] mesmo sendo um adulto". É uma questão universal, abordada em vários animes de várias formas diferentes, só que em tri ela tem um tratamento muito peculiar e é abordada com uma linguagem e recursos visuais muito próprios, dirigido para um público-alvo também ele muito próprio, e que portanto não será tão facilmente entendido por quem não acompanhou o barco desde o princípio.

Há muitas coisas que só um fã acérrimo mesmo muito familiarizado com a franquia entende. Não apenas fãs de Adventure, mas fãs de digimon num geral. O fã que só assistiu Adventure e 02 vai ficar muito confuso, não fazendo a mais puta ideia de quem é "Yggdrasil". Lógico, daí só pode sair frustração, porque não terá as respostas que todos os outros fãs que assistiram Savers ou Digimon X-Evolution, ou que leram mangás como Next ou XW acham tão óbvias e intuitivas rs. Então sim, Tri foi concebido mesmo para aqueles fãs hardcore de longa data.
(E quem não está afim da proposta de tri e prefere algo completamente novo e mais amigável do público geral, sempre tem Appmon para assistir. Foi uma excelente jogada da franquia!)

Mas meu, engana-se quem pensa que tri é só isto. Quando o realizador comentou naquela entrevista, há uns 2 anos, que estava a condensar o conteúdo de 12 filmes em apenas 6... eu imaginei que fosse só uma forma de expressão, mas vendo em retrospectiva,...... meu. ele tem toda a razão. Digimon Adventure Tri vai mais além e faz o que digimon faz de melhor: apresenta novos personagens e novas aventuras, novos dramas e novos monstros (internos e externos) a vencer e superar.

Além de uma sessão de nostalgia, tri é também a História da Meiko.

O que acho engraçado é que ao princípio eu não gostava nada da Meiko. Só aos poucos fui percebendo que essa jogada contra ela era intencional, e que ela não é tão "fofa e kawai" assim. lol Em "Confissão" ela deixou cair a máscara e foi aí que comecei a perceber que ela foi criada mesmo para nos colocar contra ela. A Meiko parece ter sido mesmo apresentada no começo para ser suspeita, como a fonte aparente de todos os problemas.

Só que, como sempre, digimon ensina uma bela lição de maturidade, nomeadamente no quesito que não julgar as pessoas pelas primeiras impressões, ao mostrar que essas mesmas pessoas podem ter uma história mais complexa para contar, que explica as suas acções e escolhas que, superficialmente, pareciam censuráveis e dignas de culpa.

Agora que sabemos mais a respeito, a Meiko e a Meicomon no final poderão mesmo ser a chave e a explicação de como o Taichi se tornará diplomata. A Meicoomon revelou-se um grande mal no começo, mas eu acho que ela é também o "interruptor" que permitirá que digimons e humanos finalmente vivam juntos no futuro. Tal como um veneno, que pode matar ou curar, dependendo do que uso que lhe damos, a Meicoomon pode destruir o mundo.... ou regenerá-lo. É isso que estou impacientemente à espera de ver no próximo filme: o começo do "novo futuro" (que será aquele que vemos no epílogo de 02).

Para mim o único problema de tri é que, dá para perceber, há muitas partes que são corridas e apenas levemente insinuadas -  são partes que dariam muitos mais episódios  (novamente, vem à mente o problema do "conteúdo de 12 filmes colocado em apenas 6"...) e quase faço luto pelas cenas que nunca iremos assistir, sobre a vida dos escolhidos em Odaiba depois do reboot, naquela fase em que ainda estão sem saber como reagir à morte precoce da infância deles.... (até eles decidirem cuspir na cara do assunto e ir ver os digimons, anyway)

Mas, em resumo: dá para ressoar com o público mais velho e dá para apimentar as coisas porque temos personagens novos. Com a cereja em cima do bolo de aproveitarem coisas que estavam apenas vagamente insinuadas em 02, como o Oceano Negro, ou a primeira geração de escolhidos mencionada pelo Gennai em Adventure.


Como alguém que, apesar de não ter nascido nos anos 90, viu todas as temporadas, reviu parte delas, e já conseguiu jogar quase todos os jogos (a exceção sendo os mais atuais por falta de dinheiro para os consoles), dá pra concordar com muito do que disse. O meu problema com Tri é justamente esse de as coisas passarem muito corridas, dá uma sensação de que falta algo, falta explicar algum ponto, e que essa correria toda acaba por deixar os furos. Por isso digo que Tri vence pelo fanservice, porque é para os fãs gostarem, mas essa correria toda ainda me deixa muito frustrado. Eu gostaria que fizessem de uma vez uma temporada inteira, assim as coisas poderiam ser explicadas nos detalhes.

Agora, para que fosse a animação preferida de Digimon... Acho que não consigo largar Tamers e os filmes de Adventure.
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Re: DIGIMON ADVENTURE TRI: News, discussões, e etc.

Mensagem por KaiserLeomon em Dom Nov 19, 2017 5:30 am

Excelente analise Rayana realmente não tinha percebido isso mas agora que você mencionou e passados 5 filmes em que pude refletir mais calmamente sobre isso vejo que você tem toda razão . Enfim vejamos como devera ser o ultimo filme de Digimon Tri .
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Re: DIGIMON ADVENTURE TRI: News, discussões, e etc.

Mensagem por Marcy em Dom Nov 19, 2017 7:15 am

Rayana escreveu:Olá, só passando aqui para dizer que Digimon Adventure tri está a ser a minha "temporada" (na falta de termo melhor...) favorita de Digimon e que é de longe a continuação de sonho que um fã de Adventure como eu poderia esperar. Haters gonna hate.
Para mim também. Tri tem aquele cuidado na simbologia que Adventure teve, tem toda a questão da genética, da numerologia, da mitologia. Rever o Mar Negro e aquela primeira teoria de Adventure de que a escolha dos Digiescolhidos era cíclica, isso mostra que Tri não é qualquer coisa. Mas infelizmente temos uma horda de "fãs" que ficam apenas nas suposições rasas, geralmente uma galera que não pegou Adventure lá em 2000 e que só releva conteúdo de fanpages bostas do Shitbook. Digimon é muito mais do que monstrinhos com poderzinhos.

Tem muita coisa em aberto ainda, Tri ainda não foi totalmente dissecado. Não posso tacar pedras no fato da Meucumon ser a figura principal da história e pelo pessoal de 02 ter sido esquecido, a história é muito mais complexa. Quando o último OVA for lançado com certeza ainda haverá análises e artigos verificando cada detalhe despercebido.
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Re: DIGIMON ADVENTURE TRI: News, discussões, e etc.

Mensagem por Takuya em Dom Nov 19, 2017 12:44 pm

Eu concordo que seria melhor se fosse uma temporada completa e não apenas uma série de filmes. Mas levando em conta que uma continuação de Adventure 15 anos depois da última temporada era só sonho e coisa de fanfic até pouco tempo atrás, não dá pra reclamar muito.

Como assim quem nasceu em 2000 já tem idade pra postar em fóruns???
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Re: DIGIMON ADVENTURE TRI: News, discussões, e etc.

Mensagem por KaiserLeomon em Dom Nov 19, 2017 1:09 pm

Concordo tivemos animes longas metragens de Digimon Tri sendo exibidos desde 20 de Novembro de 2015 em grandes cinemas e tivemos ainda Digimon Universe então penso que tivemos praticamente 3 anos assistindo Digimon nas telas.
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Re: DIGIMON ADVENTURE TRI: News, discussões, e etc.

Mensagem por Mr. Pines em Dom Nov 19, 2017 3:05 pm

Takuya escreveu:Eu concordo que seria melhor se fosse uma temporada completa e não apenas uma série de filmes. Mas levando em conta que uma continuação de Adventure 15 anos depois da última temporada era só sonho e coisa de fanfic até pouco tempo atrás, não dá pra reclamar muito.

Como assim quem nasceu em 2000 já tem idade pra postar em fóruns???

Ah, sei lá... Passou meio rápido e eu estou tão perdido quanto você.

Só acontece que vejo Digimon desde os cinco anos e não consigo largar nem ferrando, nem debaixo de Hunters. Obviamente a geração de 90 entende bem isso.
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Re: DIGIMON ADVENTURE TRI: News, discussões, e etc.

Mensagem por Rayana em Dom Nov 19, 2017 7:20 pm

Mas nem é só a questão geracional. Outra questão ainda que influencia muito a experiência de assistir tri.... tem que ver com a questão cultural.

Num mundo globalizado como o nosso, pode ser muito fácil perder noção disto, mas tri é apesar de tudo um produto feito a pensar no público otaku japonês.

Então, além da afeição pela franquia, além da questão geracional, temos ainda outro factor, que tem que ver com a própria comunicação e linguagem cinematográfica dos japoneses. Quando o público-alvo de um filme é o infantil, esta questão tende a diluir-se, porque geralmente procuram ser mais diretos, mas quando o público alvo é o adulto, não temos narrativas tão óbvias, com lições de moral vomitadas, e quase nunca temos conclusões absolutas sobre quem está certo ou errado.

No Japão impera a ambiguidade, tanto na linguagem como no próprio estilo de comunicação, que como é lógico afecta o entretenimento e a arte consumida pelas pessoas lá. Nada é preto no branco; eles valorizam muito a escala de cinzentos intermédia.

Então, o que para um Japonês é suficiente, para um ocidental parece ser sempre apenas uma meia-verdade, um furo de roteiro, ou algo que não está claro o suficiente e que precisava de ser soletrado com todas as letras para ficar mais óbvio. rs

Este tipo de problema de interpretação é algo, aliás, que já é possível de verificar em 02 quando o acusam de incompleto ou com "furos". Diz-se que faltou desenvolver tópico X ou Y, quando de facto eles não consideram omissões de informação sempre tão graves assim. (O que não quer dizer que os fãs japoneses não tenham críticas a apresentar a respeito. Seria idiota aplicar isto em termos absolutos, como é lógico. Apenas entendam que a ambiguidade, lá, é algo aceitável e até preferível).

Mas voltando a tri: vejam o filme 2, por exemplo. Um ocidental entende o filme pelo contexto e vai deduzindo as coisas a partir da atitude dos personagens, mas para entender aquilo é importante compreender dois conceitos tipicos a sociedade lá: Honne vs Tatemae.

 Honne significa "sentimentos verdadeiros". Tatemae significa "esconder esses verdadeiros sentimentos". Basicamente, o segredo para trabalhar lá e viver uma vida de respeito no Japão passa por aprender esses conceitos e vive-los no dia a dia, em tudo o que fazemos. Tatemae lá é "ser adulto". Honne é mais associado à inocência das crianças que, como são "puras", dizem exactamente o que pensam.

Todo o filme é uma visão crítica a essa dicotomia do "Honne vs Tatemae", que define a sociedade lá. No segundo filme de tri, o Jou representa o Tatemae,  ou seja, "esconder os verdadeiros sentimentos". "Ser adulto" e ter um papel na sociedade ou  comunidade. O Jou sente essa pressão social de "tornar-se crescido", quando na verdade ele quer continuar a ser criança.... e portanto quando ele pensa que está na hora de deixar de ser criança (escolhida), ele sofre muito com isso. (o ponto de viragem costuma ser os exames que permitem dar entrrada na universidade)

Já a Mimi representa o Honne , ou seja, os "verdadeiros sentimentos". O lado mais infantil e inocente/puro das pessoas. É por isso que ela é considerada egoísta pelas colegas da escola. As pessoas julgam-na demasiado criança e infantil para prestar atenção às necessidades dos outroscolegas, e ela é criticada por isso. Basicamente, estão a dizer que está na hora de ela crescer.

Há ainda um paralelismo entre o Jou e a Maki nesse filme, dando a entender que a Maki viveu um drama parecido, onde ela foi obrigada a deixar de ser criança (escolhida) muito cedo. Toda a conversa dela com o Daigo é cheio de pistas neste sentido - super importante mais a frente quando descobrimos a verdade sobre ela.

Há ainda outras questões relacionadas com a cultura japonesa (por exemplo, a arte da comunicação indirecta, que permeia todas as aborgagens aos escolhidos de 02 até agora - que são muitas e estão lá para toda a gente ver - mas o pessoal quando não sabe analisar filmes japoneses perde totalmente noção delas e não entende que é do próprio estilo da comunicação deles, insinuar algo, para provocar o apetite das pessoas, mas sem nunca mostrar de facto. rs ).

Mas eu já estou a divagar demais...

Claro, o storyboard não é nenhuma obra-prima ao nivel dos filmes do Hosoda Mamoru (que, aliás, foi a razão porque eu comecei a gostar verdadeiramente de digimon em primeiro lugar) - mas eu também nunca tive expectativas que qualquer um lhe pudesse chegar aos calcanhares. O Hosoda é dos melhores realizadores japoneses de animação que por aí andam actualmente. Só digo, apesar de imperfeito, tri vai tendo o seu próprio charme e que me cativou. :D
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Re: DIGIMON ADVENTURE TRI: News, discussões, e etc.

Mensagem por Mr. Pines em Dom Nov 19, 2017 9:12 pm

Rayana escreveu:Mas nem é só a questão geracional. Outra questão ainda que influencia muito a experiência de assistir tri.... tem que ver com a questão cultural.

Num mundo globalizado como o nosso, pode ser muito fácil perder noção disto, mas tri é apesar de tudo um produto feito a pensar no público otaku japonês.

Então, além da afeição pela franquia, além da questão geracional, temos ainda outro factor, que tem que ver com a própria comunicação e linguagem cinematográfica dos japoneses. Quando o público-alvo de um filme é o infantil, esta questão tende a diluir-se, porque geralmente procuram ser mais diretos, mas quando o público alvo é o adulto, não temos narrativas tão óbvias, com lições de moral vomitadas, e quase nunca temos conclusões absolutas sobre quem está certo ou errado.

No Japão impera a ambiguidade, tanto na linguagem como no próprio estilo de comunicação, que como é lógico afecta o entretenimento e a arte consumida pelas pessoas lá. Nada é preto no branco; eles valorizam muito a escala de cinzentos intermédia.

Então, o que para um Japonês é suficiente, para um ocidental parece ser sempre apenas uma meia-verdade, um furo de roteiro, ou algo que não está claro o suficiente e que precisava de ser soletrado com todas as letras para ficar mais óbvio. rs

Este tipo de problema de interpretação é algo, aliás, que já é possível de verificar em 02 quando o acusam de incompleto ou com "furos". Diz-se que faltou desenvolver tópico X ou Y, quando de facto eles não consideram omissões de informação sempre tão graves assim. (O que não quer dizer que os fãs japoneses não tenham críticas a apresentar a respeito. Seria idiota aplicar isto em termos absolutos, como é lógico. Apenas entendam que a ambiguidade, lá, é algo aceitável e até preferível).

Mas voltando a tri: vejam o filme 2, por exemplo. Um ocidental entende o filme pelo contexto e vai deduzindo as coisas a partir da atitude dos personagens, mas para entender aquilo é importante compreender dois conceitos tipicos a sociedade lá: Honne vs Tatemae.

 Honne significa "sentimentos verdadeiros". Tatemae significa "esconder esses verdadeiros sentimentos". Basicamente, o segredo para trabalhar lá e viver uma vida de respeito no Japão passa por aprender esses conceitos e vive-los no dia a dia, em tudo o que fazemos. Tatemae lá é "ser adulto". Honne é mais associado à inocência das crianças que, como são "puras", dizem exactamente o que pensam.

Todo o filme é uma visão crítica a essa dicotomia do "Honne vs Tatemae", que define a sociedade lá. No segundo filme de tri, o Jou representa o Tatemae,  ou seja, "esconder os verdadeiros sentimentos". "Ser adulto" e ter um papel na sociedade ou  comunidade. O Jou sente essa pressão social de "tornar-se crescido", quando na verdade ele quer continuar a ser criança.... e portanto quando ele pensa que está na hora de deixar de ser criança (escolhida), ele sofre muito com isso. (o ponto de viragem costuma ser os exames que permitem dar entrrada na universidade)

Já a Mimi representa o Honne , ou seja, os "verdadeiros sentimentos". O lado mais infantil e inocente/puro das pessoas. É por isso que ela é considerada egoísta pelas colegas da escola. As pessoas julgam-na demasiado criança e infantil para prestar atenção às necessidades dos outroscolegas, e ela é criticada por isso. Basicamente, estão a dizer que está na hora de ela crescer.

Há ainda um paralelismo entre o Jou e a Maki nesse filme, dando a entender que a Maki viveu um drama parecido, onde ela foi obrigada a deixar de ser criança (escolhida) muito cedo. Toda a conversa dela com o Daigo é cheio de pistas neste sentido - super importante mais a frente quando descobrimos a verdade sobre ela.

Há ainda outras questões relacionadas com a cultura japonesa (por exemplo, a arte da comunicação indirecta, que permeia todas as aborgagens aos escolhidos de 02 até agora - que são muitas e estão lá para toda a gente ver - mas o pessoal quando não sabe analisar filmes japoneses perde totalmente noção delas e não entende que é do próprio estilo da comunicação deles, insinuar algo, para provocar o apetite das pessoas, mas sem nunca mostrar de facto. rs ).

Mas eu já estou a divagar demais...

Claro, o storyboard não é nenhuma obra-prima ao nivel dos filmes do Hosoda Mamoru (que, aliás, foi a razão porque eu comecei a gostar verdadeiramente de digimon em primeiro lugar) - mas eu também nunca tive expectativas que qualquer um lhe pudesse chegar aos calcanhares. O Hosoda é dos melhores realizadores japoneses de animação  que por aí andam actualmente. Só digo, apesar de imperfeito, tri vai tendo o seu próprio charme e que me cativou. :D

É, tenho alguma familiaridade com esse tipo de narrativa. Ultimamente (nos últimos três anos), tenho me interessado bastante não só por mangás seinen (direcionados ao público adulto japonês), mas também a literatura. É claro que o que li da literatura japonesa é algo muito pequeno, sendo que o que mais apareceu nas minhas listas de leitura até o momento foi Murakami. Kafka à Beira Mar é um puta livro, Caçando Carneiros também, mas, ao menos para mim, é em Norwegian Wood que isto que você fala fica mais claro. Quando o Murakami decide descrever o amor, o bom e o ruim de uma forma mais seca e menos direta, a nós ocidentais fica um gosto amargo. Inicialmente, a maioria de nós irá torcer o nariz, muitos irão abandonar (ainda mais quando se trata de um latino americano, que não são vistos como passionais demais atoa). 

E se fosse para colocar isso em uma animação, eu logo diria sobre 5 Centimeters Per Second, que me deu a mesma sensação de quando li Norwegian Wood pela primeira vez.

Abandonando esses nomes por um momento, a sua análise me fez refletir sobre o quão mal eu posso realmente estar julgando Tri. Eu realmente gostaria que o Mamoru estivesse trabalhando com a série, acho o visual das animações dele e o modo como toca nos assuntos que aborda é fantástico. Ele não estar novamente em Digimon, onde ele fez uma de suas primeiras obras-primas, é, infelizmente, algo que tenho que aceitar.

Mas tem me ficado um desses gostos amargos depois de ver o quarto filme de Tri, e isso continuou com o quinto filme. Bem pode ser algo causado pela distância entre um filme e outro. Aconteceu tanta coisa no mundo desde que o primeiro filme foi lançado. Todo o tempo de hiato pode ter me feito esquecer de algo e esse ponto ser o que me deixa tão frustrado com Tri.

O que fazer sobre isso? Talvez repetir a fórmula que eu tinha para as outras temporadas: assistir de novo.
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Re: DIGIMON ADVENTURE TRI: News, discussões, e etc.

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