Pesadelo e Sonho

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

Pesadelo e Sonho

Mensagem por Convidado em Sex Ago 26, 2011 12:56 am

UM AVISO ENORME ANTES DE POSTAR ISSO:
Antigamente eu até fazia Nisuke. Atualmente não faço. Primeiro pelo simples fato de que algumas pessoas confundem a OC com a sua criadora. Não, a Nina é UMA personagem que tem ESSE nome, enquanto a criadora dela tem isto como um pseudo, um apelido. Meu nome real não é Nina. Segundo: A Geijutsushi tinha sido adaptada de um projeto original meu para a rpg-fic do Master/Masato. A Geijutsushi de Digimon ganhou desenvolvimento, história, personalidade, qualidades, defeitos aprimorados com o passar dos projetos em que fui participando e/ou criando. Logo ela tornou-se distinta da matriz. Uma das principais característica primitiva era ela ser uma versão humana da "Nat-chan" de Natsu e no Tobira, logo ela teria alguma relação amorosa com o Daisuke depois de um certo tempo. Essa idéia está a cada dia mais descartada, apenas os desenho/escrevo juntos com o pensamento de Nisuke (ou DaiNina) = AMIZADE, não AMOR

Esta fanfic foi criada baseada em um pesadelo que tive. Ela se encontrava na The Book of Wish na antiga DD, e ela ganhou um final feliz após ter lido o final feliz que a Carol tinha feito e me enviado por MSN. Eu volto a alegar que não vejo mais Nisuke/DaiNina como um par romântico devido muitos conflitos e más interpretações, e agora passo a decidir que serão apenas amigos. Meu OTP é Daiyako, Miyasuke, Daiken, Kensuke, Kaisuke, Taisuke, Daichi e Wallsuke.

Ok.
Agora podem ler.

Personagens: Daisuke, Nina, Hikari, Ken, Taichi
Base: após DA02: Hinode
Tema: ....... drama. inspirado numa coisa que... sonhei...
Classificação: K
Nº de capítulos: 2

Alguns fatos só vão ficar esclarecidos na Hinode. Desculpem DX





Pesadelo.
O inverso dos sonho. O sentimento de dor, tristeza, agonia...
O medo que te prende e impede de dizer o que sente.
A sensação de derrota, de fraqueza que lhe abala, rouba esperanças.



Era uma noite tranquila. Tranquila para aqueles que não tinham problemas, claro. O que não se pode dizer de algumas pessoas.
Não. Aquela noite estava sendo boa até. Aliás, o dia tinha sido bom.

Conversaram, brincaram, até tiraram da paciência alguns do grupo... Era algo tão normal e simples...
Estava feliz. Feliz e sorridente. No fundo sentia que aquele com quem andava, conversava e compartilhava seus trabalhos era, de fato, alguém muito especial.

Pois seu coração dizia: "Você o ama. O ama tanto que deveria tentar ir além dessa amizade."

Mas ela não tinha coragem de dizer isso a ele. Não, a timidez era um dos fatores. O outro fator...

"Ah, Hikari-chan!"
"Uh? Olá, Daisuke-kun!"

... Era justo a garota que ele conhecia a mais tempo que ela. E também, ele a amava. E até ficava mais bobo do que era, quando esta moça estava por perto.
Enquanto a outra...

"Olá, Nina-san!"
"Oi... Hikari-san...!"

Só acenava. Sorria. Não demonstrava estar incomodada. Mas no fundo sim, algo apertava seu peito, a deixava meio zonza.
Seu sentimento batia e mandava dizer logo, antes que fosse tarde.

Mas de tanto demorar... Esse dia tinha chegado.
E como uma avalanche... Principalmente pelo fato deles terem uma relação atual mais próxima.
Antigamente chamavam-se apenas por "Motomiya" e "Geijutsushi". Mas com o passar daqueles tempos... começaram a se chamar apenas pelos seus nomes. A corrente da amizade tinha sido feita, e ela quase os considerava "irmãos de alma".

Foi naquela noite... Naquela bela noite...

- Niiiiiiiiiiiiiina! Você não vai acreditar no que aconteceu! - dizia ele, todo feliz e na porta da casa da garota.
- Hm? O que foi? Conseguiu alguma coisa que tanto queria? - sua curiosidade desperta.
- A Hikari-chan... Ela... - ficou meio tímido ao falar aquilo, porém logo voltou a falar - Ela aceitou meu pedido de namoro!
- A-ah?! - olhava-o com os olhos arregalados, sentindo em seu peito uma dorzinha.
- Nem estou acreditando nisso... A quanto tempo batalhei para conquistá-la! - continuava, alegre.
- B-bem... - a amiga começou a gaguejar - Q-que bom... Fico... fico feliz por ti...
- Ah, soube que a Mimi está na cidade para comemorar o aniversário dela? Ela... Ela pediu para convidar todo o grupo.
- S-sei... Ela me encontrou na rua esses dias e me deu um convite... M-mas eu não tenho como ir...
- Taichi-senpai disse que iria dar carona... Não lembra?
- Ah... É, é... Eu... Eu andei ocupada com os estudos... S-Sabe como é... Se não tiro notas boas, meus pais ficarão decepcionados... - começava a mentir.


Claro... Claro que isso tinha sido numa noite anterior. Naquela noite... Ela sentia algo doer. E doía. De alguma forma sentia algo por ele, mas depois de ver a felicidade estampada em seu rosto, pensou em esquecer.

Estava ela, esperando pelo carro do Yagami, ao lado de Ken. De alguma forma ele também iria pegar carona, claro. Mas estava diferente do antigo Ichijouji. Desde muito tempo, ele começou a se vestir mais alegre, com menos cinza.
Os dois conversavam enquanto esperavam pelo carro.

E quando este chegou... O moreno abriu a porta e, como um legítimo cavalheiro, deixou que garota de cabelos morenos acastanhados entrasse primeiro. Ela olhou para os que estavam dentro do veículo, um carro preto moderno e muito bonito, e viu justo aquele que ela gostava... Junto da garota que ele gostava.

Cumprimentou a todos, agradeceu pela carona ao irmão de Hikari. Ken entrou depois e fechou a porta. O veículo começou a andar.

Seu coração batia forte. Sentava-se no meio. Daisuke na janela da esquerda, ao lado dele e de mãos estrelaçadas estava Hikari. Na janela da direita estava Ken, que ficava em silêncio a curtir alguma música que tocava no CD-player do carro.

Sentia-se incomodada. Sentia um mal-estar. Principalmente quando no seu campo de visão ficava visível as mãos deles entrelaçadas. Seus pensamentos ferviam. E aquele aperto também incomodava.

Ken percebe o que se passa, menos os outros. Daisuke já tinha caído no sono e Hikari estava distraída olhando-o. Taichi mantinha os olhos fixos na estrada e Yamato servia como um co-piloto, auxiliando na atenção do motorista.

- Nina... Está tudo bem? - perguntou o Ichijouji, preocupando-se com ela.
- E-eu... Eu estou bem. - fitou o escolhido da Bondade e mentiu.

Aquilo continuava a ser um tormento. Não... Ela mal podia acreditar que não tinha mais chance alguma. E nem aproveitou as inúmeras oportunidades para confessar seu amor por ele.

"Não acredito nisso... Eu cheguei tarde. Não consigo... acreditar..."

Passou alguns minutos. O carro continuou a andar pelas ruas. O casal ali ao lado logo voltou a rir e a conversar sobre coisas que a garota nem ouvia. Não ouvia nada. Só sentia vontade de chorar. Vontade de sair dali e chorar às escondidas.

Nem era preciso. Pois o carro parou depois de alguns instantes.
Taichi olhou para trás, enquanto Yamato abria a porta e saía do carro.

- Pessoal, chegamos. - notificou o escolhido da Coragem, com aquele tradicional sorriso dele.
- Até que enfim... - babulciou a morena de uma forma que quase ninguém ali a ouvisse.

Todos saíram do carro. Ao sair, ela espiou por cima do capô o outro lado do veículo. E eles saíam, se mãos dadas. E a menina ficava sozinha. Não tão sozinha, pois o Ichijouji e o Yagami ainda estavam por lá. Yamato tinha ido já, pois pelo que Geijutsushi tinha entendido enquanto estava fora de órbita, que Sora já estava com Mimi e Miyako. E ela o viu falando com a portadora do brasão do Amor pelo celular.

Taichi chaveou a porta do carro, ligou o alarme e olhou para os dois que ainda estavam ali. Ken ainda sentia que algo estava errado, e isso era bem notável.

- Ei Nina, algum problema? - perguntou o rapaz da gigantesca cabeleira.
- Uh? - olhou-o, meio confusa - Nenhum... - mentiu outra vez.
- Então... - Ken começou a falar - Deveríamos entrar? Os outros devem estar nos esperando...
- A-Ah sim... V-vamos...

Claro. Era um salão gigantesco. E era uma festa digna de uma garota que iria completar seus quinze anos.
A única diferença era... quase todos tinham um par. E os que não tinham, dançavam com qualquer um que sobrasse...

Menos ela. A Geijutsushi estava mais travada que um computador antiquado. E sempre que pipocava o Daisuke e a Hikari por perto, sentia-se ruim. Muito ruim.

E só sussurrava para si mesma: - Ele está feliz... E eu não quero estragar a felicidade dele. E-ele gosta tanto dela... E Eu... Eu tenho que me conformar com isso...

Pensou em conversar com Ken, mas a Miyako estava sempre colada nele... Taichi conversava com Koushiro... E Iori estava a conversar com Takeru.
Os demais estavam com seus pares. Ela queria agora poder fugir dali também. Não estava curtindo a festa da Tachikawa... Apesar delas se darem bem...

Afastou-se de lá e sentou numa mesa. Ficou sozinha. Sozinha e quase a chorar. Não queria, pois se alguém a visse chorando só cortaria aquele clima de alegria e a diversão dos convidados. Especialmente se, por acaso, o Motomiya passasse por ali JUSTO NO MOMENTO EM QUE CHORASSE.

Ela preferiu se afastar do grupo. Mas aquela mesa já estava ocupada, certo? E nela havia até uma bolsa famíliar. E em cima da mesa uma agenda.
Seria errado espiar aquilo, certo? Certo. Mas ela não se conteve. Abriu aquilo e deu de cara com o calendário. Marcava algo... Marcava duas datas. Identificou logo quem tinha escrito aquilo... O que a fez se sentir muito mal ainda. Nem olhou direito o que estava escrito, muito menos o mês marcado. Nem os números.

Mas tinha a sensação de que era...
Um encontro

Fechou mais do que depressa a agenda e não a tocou mais. Saiu imediatamente daquela mesa e foi-se sentar justo em outra, onde estava vazia e bem longe dali. Agora não conteve, algumas lágrimas começaram a correr pelo rosto. Por sorte, não usava maquiagem por não gostar muito daquilo, então suas lágrimas passariam despercebidamente.

Permaneceu naqueles pensamentos a noite toda, durante a festa toda. Alguns perguntavam se ela estava se sentindo bem... E sua resposta era a mesma: "Estou... não se preocupem".
E evitava cruzar o caminho de Daisuke ou de Hikari. Tentava evitá-los. E isso começava até a ser percebido por eles.

A festa acabou, todos voltaram para o carro. De alguma maneira, a garota pediu que Ken a deixasse ir na janela. Daisuke e Hikari torceram o nariz, perguntando-se mentalmente o que teriam feito de errado para que ela pedisse aquilo.
O moreno então cedeu a vontade dela, entrando primeiro e sentando-se no meio, deixando que Nina entrasse por último e fechasse a porta.

Voltaram normalmente. Mas diferente de última vez, deixaram Ken em casa. Agora no banco de trás só estava aqueles dois, que ela nem olhava-os, e a menina.
O clima estava tenso. Pois não se ouvia nada. Nem música, nem diálogo, nem nada. O Motomiya e a irmã de Taichi só a observavam, confusos. Daisuke por sua vez até ficou sério, encarando-a como se a jovem estivesse a esconder algo deles.

E escondia. Mas não queria estragar nada. Mesmo assim, as coisas ficaram tão quietas e fora do comum. Por um lado, rompeu aquela algazarra e felicidade deles.
Até mesmo o motorista sentia emanar um desânimo e um desconforto da terceira passageira. Não era piração sua, já que não tinha bebido álcool algum para que pudesse dirigir.

assim que chegaram, todos foram para seus prédios. Até mesmo no elevador a amiga ignorava-o. O goggle boy pensou em perguntar o que tinha acontecido para ela estar naquele estado, o que ele teria feito de errado para que não o olhasse no rosto...

Mas o elevador tinha chegado no andar. Geijutsushi saiu às pressas também. E quanto ao jovem, Dai saiu lentamente, e a viu entrar correndo em sua casa.
Ao lado da residência dos Motomiya. Ou seja, ao lado do apartamento dele.

Não sabia se deveria bater na porta dela e perguntar o que tinha acontecido... Ou se faria isso logo pela manhã, na sala de aula.
Até tiraria a história a limpo, se não fosse a Jun aparecer pela porta e o puxar para dentro.

Passou quase a noite em claro, mas graças a sua mãe, gentil como só ela, que lhe preparou um chá assim que a viu chorando, pode dormir e sonhar normalmente.

Ali ao lado, ele dormiu, porém continuava preocupado e confuso com o que tinha acontecido. Se eram amigos, qual o problema de dizer o que tinha feito de errado?!
Decidiu que falaria com ela logo pela manhã, enquanto iam para a aula.

---

O dia raiou pelos céus de Odaíba, dando um toque calmo e agradável ao céu azul.

Diferente do que acostumava a acontecer, a sua amiga não o esperou para irem juntos. Esperaria mais tempo, só que arriscaria chegar atrasado.
E a Geijutsushi havia saído depois. Dormiu demais, estava ainda com a auto-estima baixa. Foi por outro caminho para a aula, querendo não se encontrar com o garoto dos goggles de forma alguma.

Assim que chegou no hall, viu os outros escolhidos do time 02. E claro... Claro que ele estava ali. Mas a desenhista fugiu antes que seus olhos a encontrassem.
Sentou-se num canto, e esperava. Ouvia-se risos e as brincadeiras dos demais alunos, inclusive deles.

Eis que começa uma correria do quinteto. Um dos elevadores chegou e alguns alunos entraram. Ao olhar, por curiosidade, viu que Hikari, Takeru e Ken haviam conseguido e riam. Aquela era a diversão deles. Enquanto Miyako e Daisuke pareciam "reclamar".

Quando o segundo chegou, Nina levantou-se e correu para lá, esperando que conseguisse escapar daquilo e não dar as caras com ele.
Infelizmente, isso não daria certo.

Pois o próprio pegou o elevador enquanto a Inoue parecia ter ido pegar alguma coisa que tinha esquecido por ali.

Estava só eles... E outros alunos.
Mas do grupo... Dos doze escolhidos... Só estava ele.

Não disse nada. Apenas o fitou. Andava de uma forma mais arrumada. Mas mesmo que estivesse arrumadinho, era o mesmo.
Percebeu que ela o olhava, e voltou-se a vizinha, que automaticamente virou o rosto para o lado. Ainda sentia-se ruim com aquilo.

Perguntaria naquele instante se não fosse pelos demais alunos do pavilhão. Aquilo era pessoal, e se quisesse saber o que estava acontecendo teria de esperar um momento a sós (coisa que seria muitíssimo difícil de se conseguir...)

Ia parando nos andares, e o elevador esvaziando. Um pouco de impaciência o fez apertar mais uma vez o botão do andar em que queria logo chegar. Reclamava da demora, encostou quase no painel e uns segundinhos na porta depois.

- Motomiya, não fique apertando os botões dessa maneira! - falou seriamente.
- E também não se encoste no painel, muito menos na porta!

Os outros três garotos, dois rapazes e uma moça, olharam-nos. Dai afastou-se dali e tentou novamente fazer a pergunta.
Mas de novo... Interrompido pelo elevador. Que chegou no andar.

Eles desceram e ela seguiu sozinha. O Motomiya continua sem compreender nada. Só queria entender o que estava se passando ali, justo com uma pessoa que, por mais calada que fosse, era engraçada e extrovertida.

Seguiu sozinho para a sala, entrando e sentando-se próximo de Hikari. Longe deles estava ela, e meio que envolta de alguns outros colegas, incluindo Carol.

Antes mesmo de proferir algo, ouviu a escolhida da Luz dirigir-se a ele:

- Ela chegou alguns minutos... E parece ter começado a chorar... Sinto que ela está meio, incomodada com alguma coisa... Aconteceu algo entre vocês?
- Eu não sei... ela me ignorou até agora... - respondeu, voltando-se a Yagami.


E aquele clima pesado perdurou até o final da aula. Quando... De alguma forma... passou-lhe pela cabeça uma estranha hipótese.
Os alunos da turma já tinham ido. Todos passaram por ele. Menos ela.

Voltou para o andar, e procurou por ela. Até encontrá-la no corredor. Olhando para o céu, ainda deprimida e com um ar de derrotada.
Aproximou-se dela. Não aguentava mais aquelas atitudes. Não suportava mais ver uma garota tão bela e delicada sem sorrir.

- Nina... Aconteceu alguma coisa?

Virou-se para a direita. Seus olhos encontraram os dele. Uma pequena mensagem foi enviada.
A mensagem... A óbiva resposta. Nada estava bem. Ela sentia-se incomodada com alguma coisa.

- Me responda, por favor.

Ela não conseguiria mais resistir. Suas emoções mexiam consigo. Não aguentou.
E confessou:

- Desculpe, Motomiya... Não estou bem mesmo... Me sinto estranha. E não dá mais pra esconder isso...
- O que houve? Por que está me evitando? Fiz alguma coisa que te magoou? - continuava a interrogá-la, preocupado.
- Não estou bem... E é por causa de uma... Um coisa no meu peito que dói.

Ele preferiu não perguntar. Preferiu deixá-la prosseguir.

- É algo que escondo a muito tempo... Tive medo de... uma... rejeição.
- Rejeição? - começava a ficar mais confuso ainda.
- D-Daisuke... Eu... Eu...

Não dava mais, a dor em seus sentimentos a forçava a querer dizer aquilo. Mas não queria, não podia estragar o momento mais feliz dele.
Mas não dava mais:

- Daisuke, eu gosto de você! E-eu te amo!

Tapou sua boca e saiu correndo pelo corredor, chorando. Enquanto o garoto... Este mal podia acreditar nisso. Estar com a Yagami era algo que ele queria muito. Só que... Não esperava descobrir assim, tão subitamente, que alguém o amava.

Não tinha como.

No chão encontrou uma folha do caderno dela. Tinha uma frase escrita. Algo que ela parece ter copiado. Estava em outra língua.
Porém, com o convívio ao lado dela, dos momentos de zueiras e etc... Aprendeu um pouco. Foi o bastante pra conseguir entender algo, e pedir que a amiga dela, Carol, pudesse ler.

"A gente aguenta como da, sorri falso enquanto pode, e finge que está bem enquanto consegue."



[Step 2]


Última edição por Nina Geijutsushi em Sex Ago 26, 2011 1:25 am, editado 3 vez(es)

Convidado
Convidado


Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Pesadelo e Sonho

Mensagem por Convidado em Sex Ago 26, 2011 1:10 am



Sonho.
O inverso do Pesadelo. A sensação agradável, o gosto doce...
Oportunidades novas acontecem.
Novas chances nascem.



Os dias passaram.
Passaram de uma forma tão rápida. Nem parecia que ontem era ontem. Que hoje era hoje.

A vida parecia ter mudado de uma hora pra outra. Uma frase que mudou todo o percurso de duas pessoas.
Duas que, antes andavam juntas, conversando e brincando como grandes amigos...

Agora uma evitava a outra. E a outra sabia agora os motivos. Sabia que tinha sido por causa de outra pessoa.
Por um lado, ele pensava como resolver aquilo. Mas era difícil demais. Difícil.

Se ela tivesse dito antes... Talvez até pensasse se deveria ou não ter se declarado à irmã de seu melhor amigo.
Mas não, tudo tinha de vir de forma avassaladora. De forma nua e crua.


"O que se deve fazer nessas horas? O que deve se dizer a uma pessoa que escondia um sentimento tão profundo?
O que fazer para corrigir um erro cometido?"


...

A chuva veio. No final da aula. Um leve véu de água que cobria Odaíba. Na saída, via os colegas como sempre. Via Miyako, Ken, Takeru, sua namorada e até a Carol.
Menos ela.

Isso ainda o incomodava. A forma em que ela desaparecera naquele dia... A resposta que obtia dos pais dela quando tentava falar com a garota...
Teria algo acontecido? Ela estava a evitá-lo ainda? Agora por outra razão? Agora pela sensação de ter estragado todo o namoro do goggle boy?

- Daisuke... Algum problema?

Acordou de seus pensamentos quando lhe encostaram a mão no ombro. Ao virar para trás, como se levasse um susto, viu Hikari.
Sua reação não foi compreendida. Afinal, ele a olhava como se nunca a tivesse visto antes.

- E-eu... Eu só estava um pouco distraído... N-nem te vi. Desculpe... - tentou desviar os pensamentos. Tentava não se preocupar.
- Você anda tão... desanimado ultimamente...
- Ela sumiu... - confessou, com uma voz bem desanimada - Não a vejo na sala, não consigo falar com ela pelo celular, nem sei quando está em casa. E isso acontece todos os dias!
- Mas... O que aconteceu entre vocês dois? Até agora não me diseste...
- Não sei ao certo... Mas... Parece que tem a ver conosco. Não... tem a ver com nosso namoro.

A Yagami surpreendeu-se. Não fazia idéia de que as atitudes da menina de cabelos acastanhados fossem causados pelo namoro com o Motomiya.
Só sabia que não tinham muita aproximação, muita afinidade. Afinal, tratavam-se de forma formal... Diferente da relação entre a jovem e o seu namorado.

- Nosso namoro?! - repetiu, com o tom de quem não compreendeu bem.
- Ela... Ela só não disse nada antes para não nos magoar... A Geijutsushi... Ela... Ela gosta de mim.
- M-mas... como que... Como que ela não disse isso antes?! - seus olhos arregalaram, realmente não sabia daquilo.
- Temia que eu a... rejeitasse... Foi pelo que eu pude entender.

Depois dessa resposta, os dois perceberam justo as atitudes da moça quando estavam os três em um mesmo local. Ela parecia se reprimir mais quando via o garoto a agir de uma forma mais boba ainda perto da escolhida da Luz. Aquela entonação sem ânimo e um pouco nervosa que ela fazia ao dialogar com a outra... O jeito que ela os olhava de forma tão desperançosa...

De fato. Ela guardava aqueles sentimentos, temia que levasse um fora de Daisuke. Ainda mais quando competia com uma pessoa que ele já conhecia faz tempos.

- Só que... Não sei o que faço agora... Estou confuso... - desabafou.
- ... Você também sente algo por ela, não é?
- ... M-mas... Eu sempre te amei! Como...
- Não ficarei brava, nem magoada. Daisuke, ouça seu coração.
- H-Hikari...
- Eu sinto, você está se preocupando muito com ela. Também sente algo pela Nina-san.
- ... V-você sente isso?!
- Sim. E foi um erro nosso em termos começado este namoro. Não teria aceito se soubesse que ela iria sofrer desse jeito.

Ele queria dizer algo, mas ela tapou sua boca com o indicador direito, fixou em seus olhos. E pronunciou:

- Não perca tempo. Siga o seu coração. Corra atrás dela. - sorriu, como se terminar aquele namoro tão curto não a incomodasse, nem a decepcionasse.

De certa forma, isso também não o magoou. Nem o desanimou... Alguma coisa batia forte ali. Seria então verdade que seu coração sentia algo pela outra moça?
Sorriu para ela, a beijou na testa, como forma de agradecimento.

- Arigatou Hikari-chan.

E saiu de lá.
Mesmo chovendo fraco. Saiu correndo pelo pátio e saindo pelas ruas. A chuva nem parecia encostar em si, e até tinha deixado seus livros, cadernos lá no hall. Provavelmente a Yagami o levaria depois... pedindo ao seu irmão, já que podia acabar interrompendo algum futuro clima.

---

Ela, por sua vez, andava com o guarda-chuva pela esquina. Tinha saído assim que soou o sinal. Não queria de maneira alguma cruzar o seu caminho.

Queria ela agora estar com a amiga. Mas ela tinha ido visitar Koushiro. Também queria falar com Ken, mas quando falou com ele pelo telefone, ouviu a voz da Miyako e decidiu não ir.

Suspirava, chorava... Desejava que nada daquilo tivesse acontecido. Desejava que nunca tivesse escondido aquilo dele.
Por vezes, achava que o certo era nunca tê-lo conhecido. Só que... Era impossível, já que tudo que tinha acontecido provava por A mais B que o destino queria que eles se conhecessem.

As ruas pareciam tão quietas. Tão frias... Devia ser pelo clima tristonho e melancólico que se fazia. Uma bela jovem a lamentar pela falta de coragem. Pela falta de amizade (já que nem sequer tinha dito ao rapaz que seu namoro a feria).

Agora... Não tinha mais coragem de olhar na cara dele. Não tinha coragem nem mesmo de passar perto dele.
Estava numa melancolia... Tão depressiva...

A única coisa que se ouvia era o mp3 do celular a tocar. A tocar músicas que ela gostava. Seja bandas de onde ela morou antes, seja de bandas japonesas.
Só que... De alguma forma... Ela começou a cantarolar algo que tinha aprendido. Não sabia onde, quando... Mas sabia aquela música.

- "Muimi ni hashagu zawameki no naka
Kaki waketeku"
- "Ushiromuki ja 'dame' sa gamushara nara ii
Sonna sekai ni"


Pausou o mp3. Parou e olhou para o asfalto da calçada. Aquela melodia... Sempre se lembrava quando estava naquele estado.
Voltou a caminhar, e sem qualquer instrumental, continuou:

- "Shinjiteru nanika wo motometeru no wa
Hazukashiku wa nai
Saa ima sagashi ni ikunda"


Quando ia cantar o refrão, ouviu passos. E alguém a chamá-la. Parou novamente, com os olhos arregalados, petrificada.
Não conseguia se mover, não conseguia se virar para trás e ver quem era.

Somente... Somente pensou que estaria enlouquecendo. Somente uma ilusão. Somente...


- Nina! Espera!
- Niiiiiiiiii-chan!!



Mas a voz... A voz não era nem um pouco surreal. Não era sonho. Era realidade.
Virou-se imediatamente para onde vinha a voz. Um pouco molhado o indivíduo estava.

Mas... Algo estava diferente nele. Seria o fato de estar com aquele palitó do uniforme aberto? Ou o simples fato dele estar com o cabelo molhado, deixando-o com um aspecto de ser mais cumprido?

Não... era algo diferente. E só estava a ser transmitido pelo seu olhar. Mas ela mal o olhava diretamente.

- O que... Você está fazendo... Aqui? - disse ela, um pouco espantada.
- Eu queria falar com você. - respondeu.
- Eu... Eu não quero. - voltou a andar.
- Espera! Por favor! Eu estive falando com a Hikari algumas horas antes...
- Deixaste tua namorada lá por minha causa. Isso não se faz.
- ... Ela... Ela terminou comigo.

Parou pela terceira vez, agora lançou um olhar de quem não acreditava no que acabava de ouvir.

- Ela terminou com você?! Espera... Não foi por minha causa, não é?
- Sim e não...
- Sim e não?! Como assim?!
- Sim, pois eu contei a ela do que tinha acontecido naquele dia em que conversamos por poucos segundos no corredor, depois da aula. Não, já que... Eu percebi que... E ela percebeu que... Nós não daríamos muito bem juntos. Porque eu...

Aproximou-se dela. A Geijutsushi continuava a ouví-lo. Não iria interromper sua justificativa.
Foi debaixo do guarda-chuva lilás que se entreolharam nos olhos, profundamente.

E ele terminou aquela incabada frase:

- Eu sinto algo por você.
- Eu... Eu te amo.

Foi o basta pra que ela ficasse chocada com aquelas três palavras. largou o guarda-chuva e este caiu no chão. Por sorte não ventava, ou ele voaria e desapareceria pelo horizonte.

A chuva começava a enfraquecer. Pingo por pingo foi parando... Até que o sol voltasse a brilhar nos céus. Uma mudança repentina no clima, inclusive no da cena.

Subitamente, não esperava que aquele sentimento fosse correspondido. Não tão rápido. Não tão cedo.
Talvez no futuro. Num futuro não muito distante... Talvez uns seis meses, ou dois anos.

O que fazer agora? Ele estava ali, como ela tanto queria. Não estava a sonhar, era pura realidade. Podia tocar em suas mãos, podia abraçá-lo. Podia até, num ato bem suicida, beijá-lo na boca. Coisa que nem isso ele tinha conseguido com a Yagami.

Não sabia como agir. Havia travado naquele momento. No momento em que poderia aproveitar a chance e correr atrás do prejuízo.
"E se ele fizesse aquilo só para não magoar-me?", pensou.

Mas não tinha como. essa hipótese era descartada, já que pegou em suas mãos. Olhou no fundo de seus olhos e sorriu. Um sorriso sincero, verdadeiro.
Sim, o goggle boy havia se apaixonado por ela antes. Mesmo assim, ele já sabia qual o motivo de sempre querer a Hikari por perto. Mas, como os tempos passaram... havia esquecido. Tinha uma razão própria para isso. E o seu verdadeiro amor... Este não tinha sido descoberto até o dado momento.

Mas sim, agora foi. E olhava justo para a moça quem seu coração correspondia. Quem os seus sentimentos eram correspondidos.
Justo... A sua amiga e parceira de zueiras e confusões.

- Você... Me ama...? - Não acreditava ainda. Não, ainda pensava em uma ilusão de sua mente.
- Sim. Eu te amo. Sempre te amei... Só não tive tempo para perceber isso. - confirmou que aquilo era pura realidade.
- Como você pode ter sempre me amado se... Nos conhecemos faz um ano e dois meses?! E a Hikari... Tu a conheces muito mais tempo.
- Isso não importa. Tem algo... a mais. Amor não tem idade, cor, etnia, nem nada.
- E-Eu sei... S-Só fico espantada com... Com essa... revelação.

Soltou-se dele, virou-se de costas. Ainda não conseguia crer. Achava aquilo errado. Principalmente depois dele ter ficado feliz por ter finalmente conquistado a garota de seus sonhos.

- Ainda não... Não acreditas? - perguntou o Motomiya.
- Por que... Veio a até aqui se declarar a mim, depois de eu ter agido daquela forma? - rebateu com outra pergunta.
- Por que... Não disse antes que gostava de mim? - idem ao jovem.
- Por causa dela. Da Yagami. - respondeu desta vez - Você sempre gostou dela. Como que eu poderia competir com ela?!
- Competir? Acha certo ter escondido isso? - apesar da pergunta ter parecido uma bronca, ele falava com um tom calmo.

Ficou em silêncio. Mas logo o quebrou:

- Não. Não devia. E depois do erro que cometi, não te mereço! Não fui verdadeira contigo! Não fui uma boa amiga. Nem sequer consegui dizer quando tive minha chance de confessar meu amor.

Acidentalmente Ni esbarra no botão 'play' do celular quando abaixa as mãos, abaixando-se para pegar o guarda-chuva e fechá-lo. No aleatório, tocou uma música que... Era uma de suas favoritas. Marcantes e favoritas.



"Take a look inside your heart
What once seemed fair today
Tomorrow it may not
Just a walk or a journey
Don't stop reaching high
Don't let the time pass you by"

[...]

Ao se levantar, acidentalmente o plugin dos fones se desconecta do aparelho, deixando que a música saia pelos auto-falantes e seja ouvida pelo outro indivíduo ali parado.

[...]
"Feeling like the road
Is winding you on every turn
But there are lessons to learn
Take a look inside your heart
What once seemed impossible
Today is not"


Olharam-se. Aquele trecho da música quando tocou os chamou a atenção. Sentiam um calor emanando seus peitos. Algo descomunal. Uma sensação diferente...

"So many ways that you can try to forget
So many ways you'll find you wake up to regret"


Um outro, antes do refrão... Veio a fazer sentido. E uma força os movimentou até um ao outro novamente.
Essa força?

"Someday, one day we'll say live life I know
Hold on hold tight
Don't let go don't lose sight

Someday, one day we'll say live life I know
Hold on hold tight
Don't let go"


Estavam mais do que próximos agora. Não compreendiam o que os movia, não decifraram aquele calor que vinha de seus corações.
Porém... Um trecho que realmente correspondia ao que ele tentava dizer, mas não tinha palavras certas... E não teve tempo, já que a menina sempre que o via (ou o ouvia) sumia... Sobre aquelas atitudes dela, sobre ela não ter dito nada antes...

"I can't imagine, I can't imagine
Making it on your own
You've got inside, you've got it inside of you...
So let it out...!"


Suas mãos atraíram-se como imãs... E as entrelaçaram. E onde estava aquele medo de antes? Dissipou naquele instante.
E aquela sensação de que não tinha mais como rever aquele sorriso brilhante? Evaporou num segundo.

"Someday, one day we'll say live life I know
Hold on hold tight
Don't let go don't lose sight"


Talvez... Eles quisessem continuar. Queriam ir mais além daquilo... Mais longe do que já haviam conquistado? É. Talvez fosse o momento perfeito para que acontecesse algo que dois corações apaixonados fariam.
Mas assim... no meio da calçada? Onde poderia pipocar alguém ali? Não precisava temer. Não mais.

"Someday, one day we'll say live life I know
Hold on hold tight
Don't let go just live life"


E aconteceu aquilo que... Confirmou tudo. Não era sonho, era a mais pura, verdadeira e deliciosa realidade.
Talvez desse sim para voltar atrás. E deu para fazer isso.

Afinal........ Ele estava acostumado já com isso.
E acreditava sempre na existência de uma nova oportunidade. Uma nova chance.




Lyrics: Ashita & Live Life

Convidado
Convidado


Voltar ao Topo Ir em baixo

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum