Digimon é coisa do diabo?

Página 6 de 6 Anterior  1, 2, 3, 4, 5, 6

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

Re: Digimon é coisa do diabo?

Mensagem por KaiserLeomon em Ter Jun 13, 2017 6:09 am

Ai eu não saberia dizer não estou familiarizado com o que exatamente seria niilismo .
avatar
KaiserLeomon
Adult (Seijukuki)
Adult (Seijukuki)

Comportamento : 50%
Masculino Mensagens : 919
Data de inscrição : 18/01/2015
Idade : 46
Localização : Meu lar
Mensagem Pessoal : "Eu acredito... "

http://sansomon.deviantart.com/

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Digimon é coisa do diabo?

Mensagem por Mr. Pines em Qua Jun 14, 2017 10:36 pm

O termo niilismo vem da palavra nihil, do latim, nada. É uma visão cética acerca da realidade, que anula valores e convicções. Isso põe a vida como algo sem sentido, vazio. Podem argumentar o quão horrível é essa visão, mas ela é bastante positiva já que permite a liberdade de um indivíduo e a busca de um pensamento próprio ao derrubar valores tradicionais e demonstrar a ausência lógica presente nos fundamentos.

Nietzsche ao conceber sua obra, se coloca como o niilista clássico - o primeiro niilista de fato. Ele nega a filosofia socrática e a moral advinda disso, bem como os valores cristãos. A existência de um valor fixo criado por um ser superior é um elemento negativo ao homem, pois o faz se enganar, mentir.
No seu niilismo ativo, o indivíduo destruiria toda a moral anterior, tudo cairia ao vazio, restando apenas o esperar a morte ou o causar a morte. Para Nietzsche, porém, não seria esse o verdadeiro fim do niilismo, pois o homem deveria aprender que é o criador de seus próprios valores.
Em resumo, e pelo meu entendimento pequeno de sua obra (só li um de seus livros), o fim último do niilismo seria o abandono de uma busca por sentido para que criássemos nosso próprio sentido para a vida.
avatar
Mr. Pines
Child (Seichouki)
Child (Seichouki)

Comportamento : 100%
Masculino Mensagens : 334
Data de inscrição : 10/09/2016
Idade : 17
Localização : No chão.
Mensagem Pessoal : PUNCH ME IN THE FACE

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Digimon é coisa do diabo?

Mensagem por KaiserLeomon em Qui Jun 15, 2017 7:10 am

Niilismo

Substantivo Masculino

Significados:

1.Redução ao nada; aniquilamento; não existência.

2.Ponto de vista que considera que as crenças e os valores tradicionais são infundados e que não há qualquer sentido ou utilidade na existência.


Isso também teria um nome segundo a psicanalize " Eros " e " Tânatos " .

Amor e ódio, criatividade e agressividade, vida e morte, são forças que habitam o ser humano e estão presentes no cotidiano, tanto nos conflitos mais banais quanto nos mais mórbidos ou sublimes da humanidade. Tais pares de opostos estão misturados, amalgamados em tudo que o ser humano faz, pensa e sente. Por exemplo, onde há amor deve haver ódio, toda sexualidade necessita de um grau de agressividade, em proporções variadas. Essas polaridades são os cernes dos conflitos psíquicos. Em psicanálise, elas podem ser nomeadas pelos conceitos de pulsão de vida (Eros) e pulsão de morte (Tânatos).

A mitologia apresenta uma bela metáfora para compreendermos a amálgama entre as pulsões. No mito grego, Eros (cupido na mitogia romana) é o deus do amor e Tânatos, deus da morte. Eros, o mais belo dos deuses, possui arco e flecha com os quais costuma enlaçar de amor homens, mulheres e deuses. Segundo consta na mitologia, certo dia Eros adormeceu numa caverna, embriagado por Hipno (deus do sono, irmão de Tânatos). Ao sonhar e relaxar suas flechas se espalharam pela caverna, misturando-se às flechas da morte. Ao acordar, Eros sabia quantas flechas possuía. Recolheu-as, e sem querer levou algumas que pertenciam a Tânatos. (Esopo, Grécia Antiga in Meltzer, 1984). Sendo assim, Eros passou a portar flechas de amor e morte (Tanatos).

Na psicanálise o conceito de pulsão não é nada simples, visto que é uma abstração teórica necessária, que busca romper com a dicotomia mente e corpo. A pulsão seria um conceito limítrofe entre o somático e o psíquico. Algo que impele o organismo a agir em determinada direção. Diferentemente do instinto animal, a pulsão possui uma plasticidade em relação ao seu objeto. Além de um objeto (Objekt), a pulsão se caracterizaria por possui uma pressão (Drang),  uma meta (Ziel) e uma fonte (Quelle) (Freud, 1915), sendo uma representação psíquica complexa. Posteriormente Freud (1920) irá ampliar tal compreensão, passando a definir a pulsão como algo anterior a representação psíquica das estimulações somáticas, que visa o rebaixamento completo das tensões e por isso, algo que conduziria o organismo ao estado anterior à vida, ao inorgânico.

Ao longo de sua obra Freud constrói dois dualismos pulsionais. O primeiro, introduzido e desenvolvido a partir de 1910, refere-se aos pares: pulsões do eu (autoconservação, que tem a fome e a sede como protótipos) e as pulsões construtivas (não apenas as de meta criativa, mas as inibidas, derivadas e sublimadas).  Esse primeiro dualismo foi resumido por Freud (1920, 1930) pela fórmula Eros e Ananke(necessidade). O amor e a criatividade seriam o motor da existência humana e da humanidade.

A partir de 1920 Freud constrói um novo dualismo pulsional. As pulsões do eu (autoconservação) e sexuais passam a integrar o mesmo grupo pulsional, sendo representadas por Eros – a Pulsão de vida. Eros teria a função de amalgamar partículas fragmentadas da substância viva e criar unidades cada vez mais complexas, buscando preservar o organismo vivo e a espécie.

Freud (1923) escreve que cada grupo de pulsões corresponderia a um processo fisiológico específico. A pulsão de vida teria processos de construção e a pulsão de morte, de demolição, sendo que em toda matéria viva esses dois processos estariam atuantes. Em outras palavras, a pulsão de vida teria um funcionamento conjuntivo, agregando as substâncias vivas e criando unidades cada vez maiores, ela seria ligação. Já a pulsão de morte teria um funcionamento disjuntivo, desfazendo o que foi construído, desligando. (Freud, 1925). Nesse sentido, Garcia-Roza (1995) irá afirmar que tal dualismo não se refere à natureza da pulsão, mas a um dualismo de modos de pulsão: “se a pulsão se faz presente no aparato anímico promovendo uniões, conjunções, ela é tida como de “vida”; se ela se presentifica no aparato anímico disjuntivamente, “fazendo furo”, então é tida como de morte” (Garcia-Roza,1995, p.162).

Eros promove a ligação entre o sujeito com os elementos necessários a sua preservação. Também liga esse sujeito a suas vivências. Ligação entre seu passado e seu  futuro.  Ele possibilita a criação de sentidos. Cria, enfim, os laços entre os sujeitos e desses com o mundo. No entanto, a pulsão de vida não atua de forma isolada. Por isso a existência no ser humano de uma ambivalência em tudo que ele pensa, faz e sente. Amalgamada a Eros a pulsão de morte age de forma silenciosa. É o que Freud (1930) define como o mal-estar intrínseco a cultura: a destrutividade do ser humano, voltada para si mesmo ou para os outros -  esse algo que existe e que foge a norma e a criação de sentidos.  Como escreve Dostoiévski(1971), tememos o fato de que secretamente sabemos da existência de um demônio oculto, que habita todo homem.

A vida é o conflito, se mostra, faz barulho. Já a morte é taciturna, quase invisível. Quando Freud (1920) constrói a hipótese da pulsão de morte ele amplia conceito de pulsão, que passa a ser compreendido como um impulso inerente à vida, algo anterior à criatividade, anterior a representação psíquica, algo que não é visível, nem dizível.

A pulsão de morte está para além do princípio de criar, além do aparelho psíquico e só se mostra quando amalgada a pulsão de vida. Tânatos entendido como pulsão de destruição é pura dispersão, potência dispersa. Por isso Freud (1920) irá afirmar que ela é uma pulsão por excelência. A pulsão de vida seria algo já capturado pelo psíquico, cujo objetivo também seria conduzir o organismo a morte, mas a própria morte – preservando a vida para que ela morra ao seu próprio modo. (Freud, 1920)

Trabalhando para Eros, a pulsão de morte pode ser intensamente criativa. Como escreve Garcia-Roza (1995) a partir do desarranjo causado pela pulsão de morte é que se pode ir em busca do diferente, do novo. A nossa agressividade pode e deve ser utilizada em prol da vida. Nossos desligamentos podem nos fazer crescer. É preciso que conheçamos esse “demônio oculto” e que o coloquemos para trabalhar a nosso favor.

Em poucas palavras se você considera que a morte é o sentido da vida porque acredita que a vida não teria um proposito então você segue Tânatos . Agora se você acredita que a vida em si e tudo que a constitui tanto para o mais doçe quanto para o mais amargo já é um proposito então você busca Eros . Tânatos significa desejar abandonar a vida porque você não a suporta e nem a dor que vem incluida com a vida . Eros é não somente suportar essa dor como entender que ela faz parte da essência de todo ser vivente e é nossa irmã durante a jornada de nossas vidas . Tânatos é você não se apegar nem aprender nada com a jornada Eros é entender que o que importa não é tanto o que se conquistou ou o que se perdeu durante a jornada mas a jornada em si . Tânatos é buscar a morte porque você não aceita o modo como sua vida é e deseja termina-la Eros é você viver cada dia um após o outro e quando a hora de sua morte chegar você entender que é assim porque é desse modo que as coisas são com a vida . Você nasce , você cresce , você vive e aprende com a vida , você tem bons e maus momentos , você amadurece e fica mais sabio com o que a vida lhe ensina , você ama e se casa , tem filhos , netos , bisnetos , você vê seus parentes mais velhos partirem desta vida e chora por eles porque você os amou porem depois enxuga as lagrimas e segue sua vida e no final quando seu momento derradeiro se aproxima você o aceita porque você viveu enfim . Tânatos é desejar o fim porque você não se apega a vida nem suporta o modo como sua vida é , Eros é entender que tudo na vida tem um tempo e um lugar e desejar a morte não porque " a morte é o sentido da vida " mas porque esse é o modo como as coisas são . Toda vida tem seu tempo para ser vivida e se encerrar então Eros é saber que quando o tempo de sua vida chegou deixa-la porque se viveu de forma plena tanto para o bem quanto para o mau .
avatar
KaiserLeomon
Adult (Seijukuki)
Adult (Seijukuki)

Comportamento : 50%
Masculino Mensagens : 919
Data de inscrição : 18/01/2015
Idade : 46
Localização : Meu lar
Mensagem Pessoal : "Eu acredito... "

http://sansomon.deviantart.com/

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Digimon é coisa do diabo?

Mensagem por Mr. Pines em Qui Jun 15, 2017 3:45 pm

Pulando a enorme citação e indo direto ao ponto: Freud e Nietzsche viveram num ambiente cultural extremamente parecido, é fato. Contudo o que se vê no pensamento de Freud é influenciado pela figura de Schopenhauer e determinados estudos dizem que mesmo as semelhanças com Nietzsche vieram da visão schopenhaueriana, já que o próprio niilista fora influenciado por este filósofo.

O ponto central da concordância entre os pensamentos destes dois, para mim, é o método de análise da sociedade e a colocação da moral cristã como causadora de problemas (Nietzsche argumentou como ela seria prejudicial ao homem ao prendê-lo em valores pré-estabelecidos e fazer com que o indivíduo enganasse para se enquadrar em tais conceitos, já Freud diz que o cristianismo é o maior causador das psicoses).

É necessário ter em mente ao analisar as obras de ambos autores que Nietzsche é filósofo e filólogo - então tem sua base científica, mas quanto ao estudo de literatura e linguagem, vindo o resto como um modo de pensamento (pois filosofia é o estudo de questões fundamentais e gerais da natureza, existência, moral, verdade, etc) que poderia ser usado mesmo dentro da ciência, um criticismo, principalmente contra os atomismos que sempre surgiam a dizer que algo era último e indivisível (note que em sua obra ele elogia a figura de Copérnico por, com sua teoria sobre o Sistema Solar, dar fim a mais um atomismo, aquele da aparência de que a o Sol se movia em torno da Terra).

Já Freud, como médico e neurologista, considerou a si próprio como cientista. Foi ele afinal o criador da psicanálise, que muitos hoje pensam ser psicologia, mas é algo independente da mesma -- seu verdadeiro significado é especificamente um método de psicoterapia oriunda das ideias de Freud. A psicanálise muitas vezes fora sustentada por estudos manipulados e tem pouco respaldo científico. A Wikipedia coloca como "sendo na melhor das hipóteses apenas uma prática médica."

Por fim, não vejo muito o que comparar entre o niilismo e a ideia de Eros e Tânatos, visto que em momento algum o niilismo diz que o sentido da vida é a morte. O niilismo desconsidera que exista algum sentido e a citação da morte é justamente e apenas por essa ser algo pelo qual todo ser vivo passa (na ciência, a morte é a vitória da entropia sobre o ser -- os compostos orgânicos decaem com certa facilidade, entram em desordem), é inevitável: então a vida, sendo vazia, sem sentido, é apenas o tempo que se espera até a morte, a não ser que essa seja causada.

A ideia de que a vida é sofrimento é de Schopenhauer (acho que podemos ver bem a influência dele no conceito de Eros e Tânatos), filósofo pessimista que teria se baseado em ideias anteriores concebidas por Kant (e apesar de eu ter tudo contra Kant, me atraio bastante pela filosofia de Schopenhauer). Sua filosofia é baseada na vontade como entidade onipresente na vida do homem, a necessidade de sobreviver através do desejo sexual (e olha o Freud aqui novamente). Não darei continuidade a ele, pois não tinha o objetivo de defender sua filosofia, nem nada do tipo, no momento.

Obs: Não tenho tanta certeza do que falo. Como disse antes, meus conhecimentos sobre Nietzsche ainda são um pouco limitados. O mesmo digo sobre Freud, do qual também li apenas um livro. Schopenhauer só conheço por artigos da internet.
avatar
Mr. Pines
Child (Seichouki)
Child (Seichouki)

Comportamento : 100%
Masculino Mensagens : 334
Data de inscrição : 10/09/2016
Idade : 17
Localização : No chão.
Mensagem Pessoal : PUNCH ME IN THE FACE

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Digimon é coisa do diabo?

Mensagem por KaiserLeomon em Qui Jun 15, 2017 7:12 pm

Pois estamos empatados Kyu . Eu também não vejo uso nenhum para o Niilismo para definir o que esta sendo discutido nesse topico . Eu gostaria de lembrar você que o objetivo aqui é discutir se Digimon possuiria ou não algum significado oculto ligado a satanismo e outras religiões e cultos obscuros não se Digimon teria por acaso algum tipo de relação com a ideia de Nietzsche sobre o conceito do Niilismo de que considera que as crenças e os valores tradicionais são infundados e que não há qualquer sentido ou utilidade na existência coisa que somente você sei lá porque imaginou. Digimon nunca teve em nenhuma das suas séries a pretenção de fazer a afirmação de que a vida segue um padrão Niilista . Isso foi você quem disse mas só que esta longe anos luz de se aproximar do pensamento de alguma serie de Digimon . Em nenhuma das temporadas em nenhum momento por nenhum personagem se chegou a se pensar em nada vagamente parecido com o pensamento Niilista de que " não existiria qualquer sentido ou utilidade na existência " nem que " as crenças e valores tradicionais dos personagens seriam infundados " . Em nenhuma serie os personagens chegaram por um minuto que fosse a acreditar que não havia sentido ou utilidade para a existência " ou " que suas crenças eram inuteis " . Digimon é sobretudo uma historia que fala de " acreditar " , de " crer " de " ter fé num amanhã melhor tanto para os personagens humanos quanto para os Digimon " em nenhum momento nem do pior e mais impiedoso vilão eles ouviram a perola da babaquisse pós moderna de que " suas crenças e valores são infundados ! Não existe qualquer sentido ou proposito maior na sua existencia , na de seus Digimon , no mundo humano ou no Digital World !" igual o pensamento Niilista define . Nenhuma serie de Digimon chegou nem perto de ter o Niilismo como tema . Digimon tem isso sim citações a religiões iniciaticas e do caminho igual a Maçonaria , a cabala dos Anjos , a Demônios ( e também Deuses ) de diferentes mitologias , ao Xintoismo , Budismo , Taoismo e religiões vedicas a Camelot e os Cavaleiros da Tavola Redonda ( Royal Knights ) , aos  Mitos de Cthulhu entre outras inumeraveis citações . Mas até ai Digimon sempre falou em " acreditar " , " crer " , " ter fé " nunca que " não adianta ter fé em nada porque não existiria qualquer sentido ou proposito na existência " igual o Niilismo afirma . Nunca uma serie de Digimon disse que acreditar era inutil muito pelo contrario todas sem excessão tem no cerne de suas historias que " acreditar faz sim toda diferença " e que mesmo uma humilde criança munida com nada mais que " esforço e um companheiro Digimon " pode fazer sim toda diferença para o bem mesmo contra o mais demôniaco dos vilões . Digimon tem lá algumas polemicas quando se fala nos Demon Lords os Digimon inspirados nos 7 Grandes Demônios da Cristandade que por sua vez representam os 7 Pecados Mortais do ser humano que muitas vezes leva a interpretações erroneas dos neo pentecostais mas " Niilismo " ? Isso Digimon nunca teve . Então me desculpe por dizer Kyu mas sua comparação de Digimon com conceitos Niilistas é tão ou mais ingenua que a citação que eu fiz aos conceitos de Eros e Tânatos .
avatar
KaiserLeomon
Adult (Seijukuki)
Adult (Seijukuki)

Comportamento : 50%
Masculino Mensagens : 919
Data de inscrição : 18/01/2015
Idade : 46
Localização : Meu lar
Mensagem Pessoal : "Eu acredito... "

http://sansomon.deviantart.com/

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Digimon é coisa do diabo?

Mensagem por Mr. Pines em Qui Jun 15, 2017 10:01 pm

Não acho que tenha compreendido muito bem a razão de termos dito que o niilismo nietzschiano se encaixa na DISCUSSÃO. Em nenhum momento eu disse que a série utiliza o niilismo em algum ponto -- isso seria uma discussão totalmente diferente -- mas sim que as pessoas que dizem que Digimon ou qualquer outro anime é do diabo o fazem por conta desses valores tradicionais. É algo enraizado na cultura ocidental, trazido por conceitos socráticos e moral judaico-cristã.

Um conjunto de regras sociais impostas a nós por determinadas instituições. Valores rígidos baseados em nada além de uma crença. E não estou falando na positividade de quem diz que estará aqui amanhã fazendo melhor ou coisa do tipo, pois isso é uma escolha individual, um valor próprio, não um valor fixo. Digo da crença num ser divino e superior que sabe de tudo, que criou tudo, que tem um plano para tudo e que lhe salvará caso você seja bastante obediente quanto ao conjunto de regras dele.

Se cada grupo religioso/cultural/étnico tem um conjunto diferente de valores, então moral é algo relativo. O conjunto de valores x diz que devemos fazer isso, o conjunto de valores y diz que devemos fazer aquilo. Caso você siga x, os seguidores de y dirão que você será punido (para y você é pecador, imoral, um seguidor da figura antagônica de sua crença ou qualquer outra coisa que aqui se enquadre). O inverso também será real. Mas se esses valores foram baseados em conceitos pré-estabelecidos, em algo que não pode ser provado, em algo vazio, por que é que deveríamos seguir x ou y? A ideia do Niilismo de Nietzsche é derrubar esses valores. Se esses valores não mais existem, pode-se dizer que a vida não tem um sentido fixo e cada indivíduo deverá dar o sentido que escolher ao invés de buscar em coisas superiores.

"Anime é do diabo" é um preconceito da doutrina judaico-cristã, pois para eles Diabo é a figura antagônica e de acordo com o modo de pensar deles, com a crença deles, os animes são errados, são imorais, fazem apologias a coisas ruins. Se sou livre desses valores, não irei dizer que Digimon é do Diabo, pois para mim Diabo é uma figura mitológica criada por um povo e tenho conhecimento também de que muitas entidades chamadas como demônios na doutrina judaico-cristã foram deuses, heróis, gênios, criados por outras culturas. Enfim, é apenas aquilo que as evidências apontam.

E erra em chamar o niilismo como pós-moderno. Eu entendo que também não é grande conhecedor dessa área da filosofia, pois o próprio afirmou isso num post anterior, mas o período em que esses estudiosos publicaram suas ideias coincidiu com o modernismo (e no caso de Schopenhauer que não é niilista, imagino que realismo, já que Machado de Assis mesmo fora influenciado pelo filósofo). O pós-modernismo se refere a um conjunto de ideias que surgiram após o fim da Segunda Guerra e queda do Muro de Berlim na forma de arte, estudos sociológicos, etc. Tem forte base no Marxismo que foi, de certa forma, muito alterado numa concepção da Escola de Frankfurt. Tanto Nietzsche quanto Freud fizeram críticas ao socialismo e comunismo, principalmente o primeiro, na minha concepção. Isso ficou visível nos livros que li.

Tópicos como, o niilismo está ou não incluído na série ou se isso é uma pérola ou babaquice são discussões bastantes diferentes. Apenas posso sugerir que tente incluir algum livro desses filósofos na lista de leitura para que possa abrir a mente para ou ao menos para tentar entender o que é isso.
avatar
Mr. Pines
Child (Seichouki)
Child (Seichouki)

Comportamento : 100%
Masculino Mensagens : 334
Data de inscrição : 10/09/2016
Idade : 17
Localização : No chão.
Mensagem Pessoal : PUNCH ME IN THE FACE

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Digimon é coisa do diabo?

Mensagem por KaiserLeomon em Sex Jun 16, 2017 7:13 am

Exatamente ... " na Discussão " . Você do nada teve a ideia de que Niilismo servia como exemplo para definir aquilo que estava sendo discutido aqui como contraponto aos " conceitos socráticos " e " a moral judaico-cristã " de pensamento sendo que nem de longe os conceitos niilistas de não existência e os exemplos que acabou de colocar acima estavam na mente das pessoas que estavam aqui discutindo isso , eu duvido que por um momento que fosse aqueles que estavam comentando este topico tenham parado para pensar em Nietzsche , Sócrates ou o que o valha , foi você que concluiu sozinho isso e foi aplicando as ideias dogmaticas do seu idolo do pensamento que pelo que eu vi das descrições das ideias que ele teve em vida mais parece com um dos primeiros pensadores neoroticos com o saco cheio da vida da historia humana cuja "grande descoberta e contribuição para a humanidade" na realidade resume-se  pura e simplesmente a determinar que a existência na verdade é " uma droga " e não possui nenhum sentido ou significado pratico para de fato ser vivida forma de pensamento que realmente não vejo nada de absolutamente  tão " brilhante " ou " iluminada " nem vejo o que de útil teria para tornar os seres humanos pessoas melhores e mais civilizadas e que é sim um pensamento totalmente destrutivo para uma pessoa tomar. Honestamente Kyu ? Eu não estou afim de discutir eu não estou mais na idade de ficar brigando verbalmente e trocando farpas com um intelectual  que acha que por ter lido um monte de livros esta numa posição superiora de conhecimento . O saber antes de estar gravado em livros e ser passado para sua inteligência deve primeiro estar gravado nos corações e mentes das pessoas em nosso discernimento , guiando-nos para termos atitudes melhores e maior sabedoria em nossos atos e gestos de vida . Se o saber só serviu para conduzi-lo a um único tipo de pensamento que é tomado a via de regra como única forma de sabedoria que se pratica e se utiliza em tudo então lamento dizer mas o saber é inutil porque restringiu sua mentalidade a um único tipo de visão , um único tipo de pensamento , um único conjunto de ideias , uma única direção para olhar , um único caminho para seguir , uma única coisa em que acreditar , um único geito para pensar e tal . Posso nem de longe ter sua bagagem intelectual nem ter lido seus preciosos tomos do saber antigo escritos pelos seus preciosos pensadores anciões da raça humana mas sei que niilismo e outros " ismos " não se aplica ao que esta sendo discutido aqui isso foi você quem em dado momento da discussão postulou e tomou como verdade . E sobre a " perola da babaquisse pós moderna " tem toda razão . Nietzsche não é um " pensador pós moderno " essa frase na verdade é uma citação minha que eu comumente costumo usar para definir uma idéia imbecil ou resumindo foi ironia minha ou vai me dizer que você não sabe distinguir sarcasmo quando o escuta ? Resumindo Kyu eu só sei que estou cansado e não estou com paciência nem saco para ficar discutindo insistentemente com você então por obsequio vamos encerrar esta discussão que eu não vejo nenhum proveito nem nada de produtivo que ela possa acrescentar . Este tópico não merece ser estragado só por causa de uma estupida batalha de egos e porque duas das pessoas que a comentam chegaram num impasse de ideias e nenhum quer ceder . Se for responder o faça discutindo novas ideias não tentando impor sua filosofia favorita nem citando nenhum livro de nenhum pensador antigo para defender seus argumentos ok ?
avatar
KaiserLeomon
Adult (Seijukuki)
Adult (Seijukuki)

Comportamento : 50%
Masculino Mensagens : 919
Data de inscrição : 18/01/2015
Idade : 46
Localização : Meu lar
Mensagem Pessoal : "Eu acredito... "

http://sansomon.deviantart.com/

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Digimon é coisa do diabo?

Mensagem por Mr. Pines em Dom Jun 18, 2017 3:44 pm

Desculpe, Kaiser, mas não é intenção de ofender ou vontade de impor. Infelizmente vejo que o próprio fez isso ao dizer como eu deveria responder (essa de não utilizar filosofias como respaldo, o que seria um grande erro, pois esses estudos nos ajudam a construir e validar nosso próprio pensamento).

Me seguro para não fazer correções e nada do tipo, porém digo que tentei lhe explicar o niilismo -- você mesmo afirmou não ter conhecimentos acerca deste num post anterior -- e não acho que entende o objetivo dessa filosofia ou a razão de ela se enquadrar nessa discussão (e não me importa que ninguém tenha pensado sobre isso antes, pois o avanço sempre veio com alguém que pensou ao menos um detalhe diferente de outras, além do mais não sou o único a associar isso ao tópico).

Só faço a sugestão de que leia esses livros para que pense melhor acerca disso e entenda como funcionam esses pensamentos. Sugiro-lhe primeiramente o "Além do Bem e do Mal" de Nietzsche como introdução ao niilismo; O Mal Estar na Civilização de Freud (mesmo que concordando com o romancista russo, Narbokov, ache que a psicanalise de Freud seja charlatanismo, temos pensamentos aproveitáveis nos livros), não sendo esse um livro niilista; O Existencialismo É Um Humanismo de Sartre, se tratando de uma obra existencialista, não niilista; O Estrangeiro de Camus, autor que escreveu sobre o niilismo-existencialista; Ser e Tempo de Heidegger, que apesar de ser considerado existencialista, teve muitas ideias acerca do niilismo e foi muito influenciado por Nietzsche. Sugiro também ler ou assistir Clube da Luta, um dos achados contemporâneos; o anime Fooly Cooly (que apesar de ser comédia, tem muitas informações escondidas, algo que a Gainax gosta de fazer); Tengen Toppa Gurren-Lagann, pois sempre me faz pensar acerca de como podemos estar errados sobre o que consideramos mal, o quanto as regras podem ser um mecanismo para nos cegar e sobre a Vontade de Potência de Nietzsche (e acho difícil que os autores da Gainax não tenham pensado nesse tipo de filosofia ao criar o anime) -- talvez esse em especial lhe faça ver isso com outros olhos. (É, eu não acredito que vá realmente dar algum valor às minhas sugestões. )

Concordo com um único ponto de seu último post: tanto o niilismo quanto as filosofias influenciadas por ele, como absurdismo e existencialismo, são ideias destrutivas.
avatar
Mr. Pines
Child (Seichouki)
Child (Seichouki)

Comportamento : 100%
Masculino Mensagens : 334
Data de inscrição : 10/09/2016
Idade : 17
Localização : No chão.
Mensagem Pessoal : PUNCH ME IN THE FACE

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Digimon é coisa do diabo?

Mensagem por KaiserLeomon em Seg Jun 19, 2017 3:51 pm

Kyu ... sem mais a acrescentar nem a comentar esta bem ? E assim como eu não me atrevo a lhe dar sugestões daquilo que deve ou não ler e dos filmes que deveria ou não assistir porque considero deveras deselegante porque respeito você e sua opinião ainda que não concorde do mesmo modo espero que respeite a mim e minha opinião ainda que também não concorde ...
avatar
KaiserLeomon
Adult (Seijukuki)
Adult (Seijukuki)

Comportamento : 50%
Masculino Mensagens : 919
Data de inscrição : 18/01/2015
Idade : 46
Localização : Meu lar
Mensagem Pessoal : "Eu acredito... "

http://sansomon.deviantart.com/

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Digimon é coisa do diabo?

Mensagem por Conteúdo patrocinado


Conteúdo patrocinado


Voltar ao Topo Ir em baixo

Página 6 de 6 Anterior  1, 2, 3, 4, 5, 6

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum