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Digimon Synthesis

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Re: Digimon Synthesis

Mensagem por KaiserLeomon em Sex Nov 17, 2017 10:02 am

Tudo bem Pines . Fico feliz em saber que você passou na UEL eu desejo sinceramente que consiga atingir todas as suas metas . E estou adorando a sua fanfic é realmente um excelente trabalho como eu não leio igual alguem publicar num fórum de Digimon faz tempo .
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Re: Digimon Synthesis

Mensagem por Mr. Pines em Seg Nov 20, 2017 11:54 am

Capítulo 19: A Paz que Antecede a Tormenta.



Mas ela matou aqueles dois Digimon na nossa frente. Ela os matou sem se incomodar em fazê-lo. O pensamento perturbava Mako e a garota não se preocupou em expor isso a todos que estavam por perto. E Daniel se lembrou do que disse a Yasyamon, disse que não matavam. Mas eles tinham culpa. Ele olhava para o espelho e via a máscara dos DeathMeramon, furiosos DeathMeramon gritando palavras de ódio e batendo as correntes. Apontavam para ele, dali do espelho. Você tem culpa, eles diziam. Sem você, nós estaríamos vivos.
Mas a que preço? Twilimon era seu inimigo, de fato, mas por qual motivo pensaria que a vida dos DeathMeramon que gozavam de seu sofrimento valia mais? Não. Não poderia dizer o quanto vale uma vida, não cabia a ele julgar o valor de qualquer coisa do tipo, de qualquer coisa tão complexa quanto uma vida. Mas algo o impeliu a fazer com que Dorumon lutasse, a fazer com que o parceiro tivesse parte naquilo tudo.
Quando afundou na banheira, não sentiu apenas toda a sujeira se soltando de seu corpo, a areia que o fazia se sentir áspero, nem mesmo as feridas causadas pelas correntes, a dor e ardência de pancada, queimadura e escoriação. Quando afundou na banheira, sentiu a pressão das palavras de Mako, da voz de Yasyamon, dos DeathMeramon, dos pais, dele mesmo. E então vieram os olhos lilases da menina.
Emergiu respirando fundo.
Quando saiu do banheiro, já na camiseta cinza e a calça moletom verde-oliva, a menina francesa estava na porta. Ouvira Daiki falar sobre ela, mas Amélie não disse uma palavra durante a viagem de Trailmon até a cidade das maçãs. E por lembrar o nome de Appletown, um cheiro adocicado invadia o corredor. Os olhos multicoloridos dela acompanharam a luz morna das lanternas, fixaram-se na direção de que vinha o cheiro agradável.
– Estão servindo tortas. – Disse.
Daiki percebeu que a menina já estava. Os cabelos ainda estavam molhados pelo banho e o perfume da menina era quase tão adocicado quanto o aroma das tortas.
– Então por que não vai comer? – Depois botou a mão na boca. Temia ser grosso. Esse tipo de coisa só acontecia naturalmente.
– Não sei. – Os pés descalços giraram no chão. – A Mako parece ser uma menina legal.
– Não vai dizer que isso é ciúmes pelo Daiki? – O menino balançou a cabeça em negação. Não em negação a ela pela possibilidade de se sentir atraída por Daiki, mas em negação ao pensamento que manteve sobre Daiki nos últimos anos. – Eu pensei que ninguém se interessava por ele, e então a Masha, uma menina russa... Agora...
Ela caiu na gargalhada.
– Você parece ter muito mais ciúmes...
– Não, não é...
– Não é isso também. – Conteve-se com as mãos nos lábios. – Então o Daiki já deu uns... – Começou a imitar o barulho de um beijo ao empurrar a palma contra os lábios em bico.
Daniel deu um passo para trás.
– O que? – Franziu a sobrancelha. – Mais ou menos... Foi só...
– Mas foi. – Se encostou na parede e foi escorregando. – De qualquer forma, só estava querendo ficar sozinha.
– Não conseguiu.
– Mas eu também queria... – O chão. Mira o chão. – Esquece. Vou tentar me juntar aos outros.
Na cozinha Mako girava um pacote de doces entre os dedos. Apesar de ter vontade de abri-lo imediatamente, de comer cada um dos pedacinhos, algo a segurava. Não entendia como algo assim poderia acontecer, ser. Finn era palpável, ele existia, ele estava vivo, mas no instante seguinte ele se desmanchava.
Queria perguntar a Noriko sobre isso. Puxou o aparelho que a mulher lhe deu antes de partirem, mas parecia não haver sinal. O objeto piscava junto de algumas distorções, mas não apresentava nada. Talvez ainda mais defeituoso que seu celular.
– Talvez, ainda não esteja ligado. – Daiko a olhou de cima. Mako se assustou ou ver o menino ali atrás, o queixo bem acima de sua cabeça.
– C-como?
– Não sei. – Coçou o nariz. – Pode ser... um tipo de rede? Se essa rede está desligada, ele não funciona.
– É... – Analisava os desenhos naturais da madeira, todas aquelas formas irregulares, por vezes espiraladas. – Pode ser.
Daiki se sentou ao lado dela. Depois de uma troca de olhares, ela finalmente abriu o pacote de doces. Empurrou na direção dele.
– Quer? – Ele balançou a cabeça.
– Obrigado. – Pegou, botou na boca. Uma explosão de caramelo e chocolate.
– É bom?
– É muito bom.
– Ah, então... – O pacote caiu da mão, da boca aberta do pacote, rolaram alguns doces. – Oh... – Os dedos se arrastaram, jogou-os na boca. O açúcar a fez se arrepiar. – É mesmo bom. Nunca vi nada assim...
– No mundo todo?
– Caiu a ficha. – Encostou o rosto na mesa, debruçada. – Isso é um outro mundo.
Viu a bochecha de Mako se comprimindo. Os olhos escuros e muito grandes viajando para algum lugar desconhecido. Seu coração palpitava.
– O que foi? – Apertou os lábios. – Tá tudo bem?
– Sim. Só estou um pouco cansada.
A mão se levantou hesitante, os dedos trêmulos.
– Posso? – Se aproximava do cabelo castanho da menina.
Ela o encarou. Os olhos se abriram. As bochechas se pintaram de rosa antes de ela desviar o olhar novamente.
– Pode.
Os dedos afundaram nos fios e começaram a acaricia-la. Ela só ficou ali, quieta, sem dizer nada, os olhos ainda viajavam para longe. Daiki concluiu que não precisava que ela dissesse nada, só queria que aquele momento se estendesse.
Enquanto isso, Dorumon apontava o rosto num corredor escuro. A face iluminada de Lunamon crescia entre as orelhas pontudas do dragão. Encarava a parede do outro lado. Estavam explorando o local, explorando cada pormenor. Assim decidiram passar o tempo: numa exploração. Não poderiam sair dali, seria perigoso. Talvez mais para aqueles que os escondiam que para eles mesmos.
– Esse lugar é enorme. – Disse Dorumon.
– Isso tudo está abaixo da terra?
– Acho que não. – Tentou se lembrar dos terrenos da cidade. – A cidade tem vários níveis diferentes. Mas tenho certeza que do outro lado do hotel era uma parede inacessível.
– Então já esteve aqui? – Aconchegou o queixo na cabeça macia de Dorumon.
– Não. Não aqui no hotel. – Os olhos amarelados se levantaram para encarar a companheira de exploração. – Estive nessa cidade.
– Me diz, Dorumon... – A voz da princesa foi se arrastando. – Em que lugar da Ellada você nasceu.
– Eu...? – Começou a pensar no que dizer. Atravessaram o corredor. – Eu não sei bem.
– Teria alguma chance de...
E nesse momento alguma coisa se moveu no outro corredor que se ligava a este. Os pelos de Dorumon se eriçaram e a princesa rolou para trás num susto. As lanternas então se acenderam numa luz morna. Primeiro viram as figuras gordas e fofas com pães com gergelim nas cabeças como se fossem boinas italianas, no meio deles estava um grande lagarto amarelo.
– Burgermon! – Disse Dorumon.
– SlashAgumon! – Lunamon se recuperava da queda e batia o vestido.
– Que fazem aqui? – Perguntou o maior dos Burgermon.
– Só estávamos... explorando. – A princesa gesticulou.
– SlashAgumon disse que era o cheiro de Lunamon. – O réptil balançou a cabeça.
– E como é o cheiro de Lunamon? – A coelha o encarou de baixo.
Ele olhou confuso. Lunamon se segurou por um momento, depois deu um risinho.
– SlashAgumon não sabe como explicar o cheiro. – O Digimon balançava a cabeça.
 
 
 
 
 
Cada centímetro de seu corpo estava submetido àquela dor. Foi arrastando, esticando os braços, o quanto pode. Tentou se colocar em pé e escorregou na superfície lisa. As máquinas operavam chiando, os pistões revelavam aberturas ao soltar o vapor num assobio, as engrenagens e as cordas ringiam. Veio um cheiro forte. Viu seu reflexo verde se distorcer no vidro fino de um béquer, dos tubos de ensaio, do balão de destilação.
A boca larga se abriu. Gemeu. Fez força. Se colocou em pé. A flor no topo da cabeça vibrava e vibrava. Foi deixando toda a seiva ferver, e aos poucos, tudo o que havia em seu corpo, passou a arder como fogo e o líquido saía por seus poros se transformando numa camada espessa e âmbar. O corpo foi crescendo daquela forma, uma iluminação trouxe o traje colante e futurista, o cabelo prateado cresceu para trás de uma flor que logo foi coberta por um capacete.
Ignifatumon urrou.
Steelmon encarou da cadeira, o corpo magro girando, os olhos balançando por dentro das lentes, a boca se abrindo junto do queixo metálico. A cadeira oscilou até ficarem completamente de frente. Os pés tocaram no chão sob um som de metal se chocando e veio andando com as peças cor de ferrugem dos braços aparecendo por debaixo das mangas do jaleco. Aquele jaleco se arrastando.
– D-doutor. – Apoiou o braço na parede para se equilibrar. – A Lazulitemon, eu estive tão perto de...
A perna dele se ergueu num chute. Acertou-lhe o ombro. Pensou por um momento que poderia responder ao golpe, mas uma força, como se o corpo sofresse o efeito de um imã forte, foi puxado para a parede de trás. Saiu arrastando os pés e derrubando inúmeros aparelhos. Os cacos de vidro começavam a flutuar.
O braço direito de Steelmon se levantou. Os cacos caíram quando ele exibiu a arma acoplada ao corpo. Puxou uma corda e os anéis começaram a girar. No lado debaixo do braço, onde havia uma peça transparente, foi possível ver as engrenagens e o líquido azul luminoso que fluía pelos tubos. A ponta do canhão também girou e assim se acendeu como se feita de neon.
– Onde está a síntese 015?
– Mas... A Lazulitemon.
– Lazulitemon são importantes para o reino, dizem. São raras, dizem. Os poderes delas podem ser empregados de tantas formas, incluindo para encontrar as ruínas de Zonian. – Alcançou Ignifatumon. A mão esquerda apertava o queixo da mulher flor. – Mas só há uma síntese 015.
– Ele apresentou resistência. – Os braços se esforçavam para a impulsionar para longe da parede. – Ele se juntou aos humanos. Não poderíamos aceitar uma impureza como essa dentro da Ellada.
– Não poderíamos, não é? – Uma gargalhada brotou na garganta do cientista. A boca se abriu ao máximo, a cabeça foi ao alto. – Poderíamos aturar apenas a aberração que você se tornou ao se fundir à uma Lazulitemon, sabendo que as fusões são estritamente proibidas.
– Eu precisava de força para vencê-los.
– Para vencer a síntese 015?
– Para eliminar o que já não nos serve.
– E você decide aquilo que não serve? – Deu o tapa. – Você não tem ideia do que está acontecendo. Não tem ideia das medidas desesperadas que tomamos. Você não tem ideia que entre Lazulitemon e a síntese 015, Lazulitemon é substituível. Entre você e a síntese 015...
O gás se espalhou. A labareda engoliu a parede. Ignifatumon irrompeu acertando a face de Steelmon. Ele rodopiou por toda a sala e caiu. Ela foi caminhando com dificuldade, mas ele se ergueu. O canhão disparou, passou de raspão pelo ombro da guerreira. Parou ofegante, o corpo todo tremendo.
– Você é substituível.
Nesse momento, um menino humano entrou. O rosto de Ignifatumon se contorceu ao vê-lo ao lado de um Patamon. Um Digimon nobre, junto de um humano. Aquilo a remeteu a Lunamon. Cuspiu.
– Que tipo de sujeira é essa?
– Essa é a verdadeira ZSC. – O menino riu. – Aqueles que trabalham na sombra para manter a paz e proteger a Ellada. Aqueles que tocam onde os Cinco Dedos do Rei Guerreiro, os Cinco Generais da Ellada, não conseguiriam tocar.
Patamon se iluminou.
“Patamon evolui para... Lynmon.”
Uma criaturinha quase humana saltou dentro de largas roupas em estilo oriental chinês. As orelhas enormes que se escondiam no cabelo castanho balançaram. O som de guizos ecoou e a audição de Ignifatumon se tornou confusa. Sentia-se imersa em água. Uma espada muito maior que aquele Digimon de aparência infantil dançou.
Um corte atravessou o corpo da mulher planta. Uma ventania estourou. O teto se abriu e ela foi lançada para o alto. Não estavam na Cidadela, como pensou antes. Não sabia ao certo que lugar era aquele. Fez esforço para cair em direção ao penhasco, onde nunca a encontrariam. Desapareceu.
Lynmon pisava sobre a beirada da parede quebrada, tentava visualizar Ignifatumon. Viu apenas os cubos e partículas luminosas. Fechou os olhos.
– Está feito, não é mesmo? – O menino apertou o Digivice. Uma luz começou a brotar da ponta. Como se um construto sólido, começou a descer como uma corda. O menino balançou a estrutura brilhante. Estralou como um chicote ao bater contra o chão, se esticou e grudou no corpo diminutos de Lynmon. Apertou e puxou-o até que o seu corpo estourou e um Patamon caiu ao chão do laboratório.
O tamer foi devagar recolher o parceiro.
– Agora sumam da minha frente.
 
 
 
 
 
E as tortas estavam prontas.
As duas maçãs gigantes atravessaram o salão com suas pernas e braços robustos e nada naturais. Mako ficou encarando quando os corpos vermelhos chegaram com aquela cabeça mole e verde saindo do topo das maçãs. Tinham olhos e expressões exageradas como as minhocas de desenhos animados antigos.
“Applemon. Digimon planta do tipo data. Nível adulto.”
Foram pousando bandeja por bandeja, torta por torta. Depois vieram os Burgermon que ajudaram a cortar. Não quiseram se sentar à mesa. Saíram para sabe-se lá onde. A menina levantou o rosto. Tinha adormecido por um momento. Percebeu que não era a única, Daiki desabara com o braço em torno da garota.
Se lembrou da forma como o menino pediu para... O rosto se pintou de vermelho. Foi afastando o braço dele e pulou da cadeira no exato momento em que Daniel surgia por um arco. Se encararam, ele ergueu a sobrancelha e contorceu a boca.
– Mas que...?
Mako começou a rir. Logo aquilo se transformou numa gargalhada contagiante. Estavam ali os dois morrendo de rir enquanto Daiki mal pensava em acordar, mesmo com todo aquele cheiro doce e quente das tortas de maçã.
Dorumon e SlashAgumon vieram o mais rápido que puderam quando sentiram o cheiro se fortalecer com o abrir dos fornos. Amélie apenas se encostava no arco de entrada para a ampla cozinha, por vezes observando as costas de Daniel, por vezes buscando pelo rosto de Mako, enfim também mirando Daiki.
Suspirou e se virou para sair.
– Ei. Onde você pensa que vai? – Daniel franziu as sobrancelhas.
– Ah, cara... – A francesa tornou à cozinha. Viu as sobrancelhas de Daniel quase se encontrando.
Mako esticou o pescoço.
– Amélie... – Sussurrou apertando o comunicador de Noriko. – Será que...
Liam falava sobre uma Capitã Amélie. Só pensou a menina que seria uma pessoa mais velha. Temeu que a francesa decidisse desaparecer também. Apenas se desmanchar numa poeira brilhante e desaparecer como se nunca estivesse entre eles.
 
 
 
 
Jeannemon empurrou as portas duplas. Andou calmamente entre os pilares e bancos, estes voltados ao altar, que cercavam os tapetes. O santuário era como uma cruz, tendo quatro entradas. No centro, a construção de base redonda que sustentava a abóboda, era onde estava o altar.
Viu os SlashAngemon se virando nas pilastras. No topo do altar, estava Princedomon. Ao perceber a presença da Digimon, ele foi descendo devagar com um sorriso aparecendo por debaixo do elmo. Abriu os braços e, antes que ela pudesse impedir, a envolveu. As armaduras, em atrito, rangeram.
– Como vai, querida?
– Bem, General Princedomon. – Desvencilhou-se daquele abraço com um gosto amargo na boca. – Que faz aqui?
– Como? – A boca se esticou numa lateral. – Você vem ao santuário e pergunta a mim o motivo de estar aqui?
Os olhos dela vão se erguendo até encarar o elmo de Princedomon e, assim, encarar a si mesma, no lustro do metal prateado.
– Eu deveria poupá-lo das perguntas difíceis.
A boca do anjo se retraiu. Forçou um sorriso amarelo.
– Sempre... afiada. Afiada como sua espada, imagino. – Levantou o rosto. – Mas estou pedindo a graça dos Arcanjos.
– Os Arcanjos nunca tiveram nada conosco ou com esse mundo. – A armadura tilintou. Passou pelo corpo imóvel de Princedomon na direção do altar. – E são eles um sinal de que...
– De que estou me rebelando contra o Deus Guerreiro da Ellada? – O jogo de luz, quando Princedomou oscilou o rosto, fez com que sua face tomasse um aspecto horripilante. – Mas que besteira.
– Está colocando palavras em minha boca.
– Pois bem. Acredita que os SlashAngemon designados para a sua proteção ainda não se apresentaram no Quartel? – Gesticulavam com as mãos. Sua voz era tão calma quanto as mãos, tão macia quanto a pele de Jeannemon, porém carregavam uma zombaria no fundo. – Eu terei mesmo de contatar ao rei se continuarmos tendo faltas de SlashAngemon. – Coçou o queixo. – De qualquer forma, saberia informar o paradeiro deles?
A mão dela hesitou em encontrar o altar. O peito parecia mais apertado agora que o seu núcleo batia como se fosse estourar e espalhar os seus dados por todos os cantos do Mundo Digital. Abafou um soluço.
– Se eu sei sobre...? Não. Não sei.
– Então... – Foi se achegando. – Saberia dizer onde foi que se viram pela última vez?
– Pela última vez? – Sentiu a mão de Princedomon no ombro. Se arrepiou. – Oh... Sim. – Tirou a mão indesejada. – Nos separamos assim que adentramos a Cidadela, na estação de Trailmon.
– Entendo. Perguntarei aos Trailmon se tem conhecimento de algum evento estranho envolvendo os SlashAngemon.
– Tenha uma boa noite, Capitão Princedomon.
Se virou de repente para uma das saídas do santuário.
– Tenha uma boa noite, Jeannemon.
As portas duplas se abriram de novo. As luzes das lanternas da cidade entraram e deram uma cor dourada que perdurou relutando enquanto as portas se fechavam. Quando ouviu o estalo que indicava que as portas haviam finalmente se encontrado, Princedomon retornou ao altar. Virou as folhas do livro que havia no centro.
Olhou para cima, para a figura dos Arcanjos. Um sorriso se abriu. Os arcanjos nunca foram capazes, disse sua consciência. Manteve aquilo em mente.
– Mas nós seremos.
 
 
 
 
 
 
Amélie e Daiki foram os primeiros a se despedirem da mesa. Lunamon, é claro, decidiu que iria junto do parceiro. Já Dorumon e SlashAgumon, adormeceram por ali mesmo. Mako ficava esfregando os dedos por cima da mesa. Martelava na cabeça uma forma de começar uma conversa com Daniel.
O menino também parecia querer falar algo. Suspirava e mexia no último dos pedaços de torta que pegara para ele, muito em dúvida se realmente comeria. Os dois se entreolharam. Tornaram a visualizarem as paredes vazias. O olhar dos dois foi se encontrar de novo, um pouquinho de lado.
– Eu queria saber... – Hesitou.
– Pode falar. – Deu uma mordida na fatia de torta.
Sua mão procurou a do menino. Apertou.
– O que você está fazendo?
– Nós somos amigos, certo? – O fitou nos olhos, muito profundamente. Foi se aproximando, o rosto aceso. O menino abriu a boca resmungando sem saber o que dizer. – Não é?
– Acho que sim.
– Que bom. – Os olhos castanhos foram rolando para baixo. – Eu fiquei com medo... Daquele Twilimon.
– Ele não foi um problema. – Abandonou a torta. Coçava a nuca enquanto se voltava para Mako. – Não exatamente.
Ela inspira, solta todo o ar e levanta o rosto novamente.
– Hein? – Daniel se depara com a expressão de Mako, um misto indescritível de preocupação e determinação.
– Desculpe, mas não acho que não tenha sido um problema.
– Olha. As coisas foram bem diferentes do que eu esperava. – O rosto oscilou para o lado lentamente. Encarou Dorumon que deitava o rosto quase oculto sob a cauda enrolada. – Ele não foi o problema. Mas havia um grupo enorme de... DeathMeramon... Era como uma gangue ou... Já assistiu MadMax?
Mako deu um risinho.
– Qual deles?
– Ah. Não sei. Qualquer versão.
– Na verdade assisti aos dois.
– Bem... Nós fomos cercados por eles e... Quando eu vi a Tamer dele naquele estado... Eu mandei que o Dorumon atacasse... O líder dos DeathMeramon morreu por nossa culpa.
Os olhos dela ficaram úmidos num segundo. Pendeu em direção a Daniel e o apertou num abraço. Enterrou o rosto no ombro dele pedindo desculpas sem parar.
– Eu não sei porquê... você está pedindo desculpas.
– Você sabe. Sim, você sabe. – Os soluços começaram a ecoar pela cozinha. – Eu não queria... te fazer se sentir... culpado...
Daiki, que caiu de cima da cama quando Lunamon teve um sonho bastante vívido, se levantou e percebeu que estava com sede. Foi vagueando pelos corredores descalço. O chão era bastante frio, mas ele já estava acostumado. Assim também era em casa. Ao passar pelo arco da cozinha, um sentimento ruim de apossou de seu peito.
Olhou dali, de longe, Mako com o rosto encostado no ombro de Daniel. Suas sobrancelhas se ergueram e ele saiu da luz antes que fosse visto. Correu de volta para o quarto e fechou a porta. Talvez não houvesse chance de acontecer nada do que ele queria. A menina estivera o tempo todo tão preocupada com a situação de Daniel, que isso deveria ter sido óbvio desde a viagem de Trailmon.
Não. Desde a primeira vez que se reuniram os três. Como não conseguira perceber. Ela não era o tipo de pessoa que se entrega aos costumes e a disciplina. Ela era um espírito quente, livre, forte, que enfrentara o Mundo Digital e os guerreiros do lixo, que batera de frente com Aruraumon para defender o parceiro, que mesmo debilitada se levantara contra DarkTyrannomon, sempre com uma coragem e amor que ele nunca poderia entender.
Era bastante claro que Mako tinha muito mais em comum com Daniel.
Mako afastou a cabeça. Secou o rosto com os antebraços e tentou desamassar a camiseta do pijama. Daniel não tinha jeito de a olhar depois de toda aquela descarga sentimental. Desviava o rosto.
– Mas, ei. Você gosta dela? – Empurrou o nariz dele com o indicativo.
– Se eu gosto... dela? – Levantou uma sobrancelha. – O que? Como assim?
– Sabe, a Tamer do Twilimon. – Um sorriso insinuador tomou forma. – Sabe. Você lutou para defender essa menina, não é?
– Como eu poderia gostar dela? Quero dizer... ela... ela... eu nem conheço e...
A gargalhada foi alta. Mako quase caiu para trás ao ver o quão encabulado Daniel ficara.
– Ela deve ser bem bonita pra você ficar assim. – Suspirou depois do riso. Tirou uma lágrima que se escapava durante a crise de risadas com as costas da mão.
– Ei! Eu disse que...!
– Já sabe o nome dela?
– Eu não estou gostando do caminho dessa conversa!
– Você... saaaabe?
– Não!
 
 
 
 
 
 
Misaki ergueu o rosto. O travesseiro sob sua cabeça estava quente e molhado. Num acesso, jogou-o para fora da cama. Depois deslizou as pernas e tocou os pés no chão. Foi andando, ainda um pouco tonta pelo sono e se encostou na janela. Tinha a sensação de que alguém falava sobre ela.
Besteira.
Se voltou para a porta do quarto. Saiu e olhou para todos os lados para ter certeza de que não vinha ninguém. A regra dizia, não saia durante o dia. Saia apenas quando os Digimon do palácio repousam. Não queremos que uma humana seja vista por aqui. Não queremos colocar a Cidadela em pânico. Eles não estão preparados para entender a nossa missão.
O frio que a seguiu pelo corredor, era o frio que emanava de Twilimon. No início, aquilo fora complicado, horripilante até. Agora, contudo, era acolhedor. Sentia que aquele frio também fazia parte dela. Quando alcançou as portas da cozinha, foi tateando para não bater a cabeça contra as enormes panelas dependuradas.
Uma luz desenhou a ampla cozinha quando ela abriu uma das geladeiras. Foi olhando as prateleiras, escalando pelas grades para ver o que havia. Encontrou um pedaço de bolo embalado, provavelmente feito para um banquete do rei Ruramon com seus Cinco Generais.
Pegou o prato com o bolo, pulou para trás e, depois de colocar o objeto sobre o balcão e se sentar num banco, começou a rasgar o plástico que o embalava. Havia um chip de computador bastante grande enfiado dentro do recheio do bolo. Se impressionou que aquilo tivesse um gosto bom. Era melhor ainda por ser crocante.
Enquanto comia, viu Twilimon emergir de frente para ela.
– Estava vigiando a Jeannemon de novo?
Ele permaneceu calado.
– Não sabia que Digimon também podiam se apaixonar.
– Isso certamente não acontece. – Se inclinou sobre o balcão. – Naturalmente não temos gênero e nem a necessidade de nos reproduzir.
– Mas é bem o que parece... – Mastigou mais um pedaço.
– Jeannemon se tornou um dever.
– Um dever?
– Sim. – Aquele estranho som de respiração, como se Misaki encarasse o próprio Darth Vader, atravessou a máscara. – Os boatos dizem que ela teria ajudado um inimigo do rei a fugir.
– O mesmo que derrubou os portões do Leste?
– Sim. – A cabeça foi oscilando, como se tivesse escutado algo se aproximando. Outro suspiro, ainda mais gelado que o outro. – Desconfiam que ela tenha matado os dois SlashAngemon designados para vigiá-la.
– Por que ela faria isso?
– Eu não sei. Nenhum de nós...
Mas não terminou de falar. Apontou para a porta da cozinha e desapareceu nas sombras. As lanternas se acenderam e Patamon entrou voando e parou sobre a mesa. Misaki se assustou com a chegada dele. Logo atrás vinha o garoto de cabelos cinzentos em seu blusão cor de grafite.
Se entreolharam.
– Misaki! – O sorriso se alargou no rosto dele. Os olhos fechados com leveza.
Misaki suspirou. Abandonou o bolo e desceu do banco. Passou direto pelo menino e atravessou a porta para o corredor.
Ele se virou, um jogo assustador de sombras sobre o sorriso e os olhos cerrados.
– Eu te adoro tanto, não entendo pra que me tratar assim. – Balançou a cabeça.
– Cringe. – Sibilou.
– O que disse?
– Que você é cringe. – Continuou andando na direção do quarto. – Nem pense em chegar perto de mim.
– Oh... Como você pode? Eu que sempre sou tão adorável. – Gesticulou com as mãos. – Como pode preferir ao nosso inimigo, do que a mim? Seu parceiro.

– Dá o fora.
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Re: Digimon Synthesis

Mensagem por Mr. Pines em Seg Nov 20, 2017 12:01 pm

KaiserLeomon escreveu:Tudo bem Pines . Fico feliz em saber que você passou na UEL eu desejo sinceramente que consiga atingir todas as suas metas . E estou adorando a sua fanfic é realmente um excelente trabalho como eu não leio igual alguem publicar num fórum de Digimon faz tempo .

Bem, eu passei na primeira fase. A segunda fase são mais três provas pra mim, já que esse curso inclui a prova de habilidades específicas. A coisa é tentar melhorar a posição agora, já que essa prova da UEL deve ter sido realmente a mais difícil. Acertei bem menos que nas provas anteriores que baixei para fazer em casa.

De qualquer forma, tá ai o capítulo 19.
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Re: Digimon Synthesis

Mensagem por Lawliet em Ter Nov 21, 2017 1:43 am

Mr. Pines escreveu:
(Rei Ayanami + Lain + Nia = Katou????)

A Katou realmente parece muito com a Lain, mas acho que de personalidade não tem nada a ver com a Rei ou a Lain, não posso dizer o mesmo sobre a Nia pois não assisti Tengen Toppa.

Enfim... Demorei mais finalmente vou comentar. Tive que reler a fic inteira pq me esqueci de muita coisa xD

Eu estou gostando de como a estória está evoluindo, as vezes eu vejo um erro ou outro mas é totalmente passável, digo, na minha fic eu vejo um erro de vez em quando e fico editando o capítulo DIAS depois de eu ter postado. Ou mudo uma fala, ou uma linha. Algo assim, imagino que o mesmo deva acontecer com você. De críticas eu só tenho uma, pois tem algo que realmente tem me incomodado: O espaçamento.

É muito ruim (pelo menos pra mim) ler um capítulo onde quase tudo tá muito colado. Principalmente os diálogos, me pego lendo a mesma coisa várias vezes pq não tem muito espaço entre os diálogos e as narrações. Pode tacar o enter sem medo da próxima, amigo.

De resto, espero pelo próximo capítulo. Estou ansioso, quero mais!
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Re: Digimon Synthesis

Mensagem por Mr. Pines em Ter Nov 21, 2017 9:05 am

Lawliet escreveu:
Mr. Pines escreveu:
(Rei Ayanami + Lain + Nia = Katou????)

A Katou realmente parece muito com a Lain, mas acho que de personalidade não tem nada a ver com a Rei ou a Lain, não posso dizer o mesmo sobre a Nia pois não assisti Tengen Toppa.

Enfim... Demorei mais finalmente vou comentar. Tive que reler a fic inteira pq me esqueci de muita coisa xD

Eu estou gostando de como a estória está evoluindo, as vezes eu vejo um erro ou outro mas é totalmente passável, digo, na minha fic eu vejo um erro de vez em quando e fico editando o capítulo DIAS depois de eu ter postado. Ou mudo uma fala, ou uma linha. Algo assim, imagino que o mesmo deva acontecer com você. De críticas eu só tenho uma, pois tem algo que realmente tem me incomodado: O espaçamento.

É muito ruim (pelo menos pra mim) ler um capítulo onde quase tudo tá muito colado. Principalmente os diálogos, me pego lendo a mesma coisa várias vezes pq não tem muito espaço entre os diálogos e as narrações. Pode tacar o enter sem medo da próxima, amigo.

De resto, espero pelo próximo capítulo. Estou ansioso, quero mais!

O espaçamento se perde entre meu arquivo Word e o post. Antes eu perdia tempo metendo o enter, mas seguindo que nenhum livro costuma apresentar espaçamento entre os parágrafos, eu decidi que pararia de me preocupar com isso. Ao menos onde no Word existe uma linha de separação entre uma parte e outra, ao passar para o editor do forum, fica um espaçamento bastante considerável. E esse é mais um motivo para mim deixar como está: diferenciar o que acontece de forma contínua dos cortes de cena. 

Mas, se estiver incomodando muito, vou buscar uma nova forma de fazer a separação.

Eu tive mesmo alguns problemas, como, por exemplo, a Morpheus. O nome que eu estava escrevendo era Orpheus por conta da grafia e fonética muito parecidas. Apesar de eu já ter corrigido nos capítulos seguintes, os capítulos anteriores ainda estão sem editar. Eu já fiz algumas edições por conta de alguns furos que encontrei. Já os erros de digitação e gramática podem me escapar com frequência. Seria bom se eu ainda tivesse um beta para me ajudar com essas coisas. Um que entendesse mais de gramática do que eu, preferencialmente.

E eu peço que tente ler não só os capítulos, mas meus comentários. Muitas vezes tenho explicado alguns trechos que em narrativa podem ter ficado mais confusos. Isso pode ajudar a entender melhor o que está acontecendo.

E eu acho que a Katou durante a fase de depressão, lembra bastante a Rei. Quando com o D-Reaper então, é a mesma coisa de ver as aparições da Rei e da Lain. Além do mais, o escritor de Tamers é quem cuidou dos cenários de Lain. É perceptível que os traços de Tamers ficaram muito parecidos com os de Lain. Por fim, a Nia tem uma personalidade que me lembra bastante a Katou (na condição de tentar cobrir os traumas, não numa crise depressiva, embora a Nia tenha seus momentos no segundo arco de Gurren).
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Re: Digimon Synthesis

Mensagem por Mr. Pines em Qua Nov 22, 2017 1:34 pm

Capítulo 20: As Aventuras de Sachi.

Pediram a Sachi que seguisse a rota sob qualquer circunstância. No outro momento, todos eram jogados para fora. O medo invadiu a menina quando viu o cavaleiro negro balançando aquelas espadas vermelhas e brilhantes. Daiki foi o primeiro a sair para fora da rota, depois foi Mako. A viu rodopiar tentando agarrar SlashAgumon, ferido pelo mascarado.

Havia apenas Daniel, e Sachi tentou ir na direção do menino, mas antes que pudesse, o vulto negro passou muito próximo de seu corpo. O ar se tornava frio na presença dele e uma voz baixa começava a sussurrar em sua cabeça. E ainda assim, ainda que fosse tão assustador, havia uma pessoa agarrada a ele, pouco ocultada pela capa.

Era uma menina também. Os olhos das duas se encontraram. Sachi vibrou ao fitar diretamente aqueles olhos estranhamente púrpuros.

No outro segundo estava sozinha. Daniel desaparecia, a evolução de Dorumon toda embolada numa luta corpo a corpo com o mascarado.

Sachi cerrou os olhos quando a placa de computador se aproximou, mas, no momento em que uma descarga passou pelo seu corpo a fazendo se arrepiar e sentir cócegas, abriu, e já não havia placa. Passara por ela. A rota a levava em direção a um globo. Caiu por entre a lua e os dois sóis que pareciam se distorcer a todo momento. Um buraco se abriu no caminho, cheio de escrituras luminosas que ela jamais poderia entender. Ao passar por ele, atravessou as nuvens de um planeta, viu ao longe uma cidade e imaginou que estava sendo levada para lá.

Nesse momento, porém, um grupo enorme de estranhos dragões sem as pernas traseiras passaram por ela. Tinham, no lugar dos braços, garras mecânicas. Capacetes de metal cobriam as cabeças. Um outro, muito semelhante a uma serpente, passou ondulando o corpo. Os olhos, no escuro de um elmo de osso, a encontraram. Entre os chifres deste, havia um menino. Teve certeza.

Ele apertava na mão um aparelho parecido com o de Mako. Um Digivice, um Digivice de verdade. Era um tamer. Se animou, mas antes que pudesse acenar para o menino, uma rajada cortante de vento invadiu a rota e a jogou para algum lugar. Para qualquer lugar. Um lugar desconhecido em que se perderia.

Desabou sobre a copa das árvores de um vale. Deslizou para uma folha resistente e comprida, muito estranha, talvez algum tipo de coqueiro que havia naquele mundo. Depois caiu em um cogumelo gigante e colorido e noutro e noutro, até deslizar pelos menores e acabar deitada no chão. A barriga aparecendo, os óculos ao lado do rosto, o cabelo emaranhado e já quase completamente solto do rabo de cavalo. Ficou olhando para os borrões verdes, vermelhos, azuis, multicoloridos. Folhas, cogumelos, cristais, céu, cogumelo. Cogumelo vivo.

Sim. Vivo. Um cogumelo com olhinhos bem pretos aparecendo por debaixo do píleo roxo. Sachi imediatamente puxou os óculos e ajeitou no rosto. Um sorrisinho surgia no cogumelo. Não era bom sinal, certamente não. A menina se levanta e sai correndo no meio dos cogumelos, alguns deles brilhando em azul, como se cobertos por neon.

Vai se desviando de qualquer um, com medo de uma risada macabra e infantil, como aquelas dos filmes de terror, surgir de algum daqueles cogumelos. Como saberia quais deles eram fungos e quais deles eram Digimon de verdade. Enquanto avançava pelo vale, ouvia os estalos. Olhou para trás e viu o cogumelo correr sobre botas roxas, sempre jogando cogumelos menores que explodiam assim que se chocavam com algum objeto sólido.

Segurou a armação dos óculos para que não caísse e acelerou o passo. Se meteu no meio de um amontoado de árvores e foi saltando pelas pedras, até se escorregar e ir deslizando por uma enorme pedra lisa. Caiu com os pés num pequeno córrego e a água se espirrou por cima do tênis. Lá em cima, os estalos continuavam, mas sabia que não havia mais como ele a alcançar.

Continuou com mais calma. Os músculos da perna pareciam estar em brasa, o peito doía como nunca e os pulmões pareciam estar prestes a estourar acabando com as suas costas. Talvez por isso, pausasse a cada minuto para se encostar numa árvore. Numa dessas, percebeu que o tronco seco tinha olhos muito azuis. Ele abriu a boca para resmungar, mas Sachi já havia desaparecido no meio de tantas árvores.
Tanto tempo fugindo, nem tivera tempo de se perguntar que horas eram. Sabia que os celulares não funcionariam ali dentro, mas não esperava que o mesmo acontecesse com um relógio de pulso. Os ponteiros dele se moviam de forma descontrolada. A menina se encostou numa parede de pedra e foi escorregando, olhando para o céu escuro.

Ela estava com frio, fome e havia se machucado tanto enquanto fugia. Disse que queria se tornar mais forte que a Mako, mas duvidava que a Mako estivesse chorando naquele momento, como ela começou a fazer quando se deu conta de que estava sozinha, sem a mãe, o pai ou qualquer outra pessoa que a auxiliasse a viver.

Chorando ali, abafando a voz nos braços e joelhos, dormiu com o rosto todo úmido. Quando acordou, era observada bem de perto por três Digimon. Os pés patinaram na tentativa de se levantar, mas um deles, um filhote de cachorro, acenou com as luvas para que ela ficasse calma. Ele andava sobre dois pés, igual a uma pessoa, e tinha pelos azuis, um focinho branco tão bonito, uma faixa vermelha e luvas de boxe com tanto estilo.

Os olhos de Sachi brilharam e ela pulou sobre o Digimon. Com tanto medo quanto ela teria numa situação contrária, ele reagiu. Acertou logo um gancho contra o queixo dela. A garota despencou para trás e ele abriu a boca surpreso e arrependido.

– Gaomon, pega leve. – Dizia outro.

A menina se levantou com a mão no queixo, os óculos dependurados no nariz. Olhou para o grupinho. O segundo era um estranho animal vermelho de longas orelhas, todo rajado de azul. Quando viu a menina pendendo em cima deles, os pelos se eriçaram e a cauda se separou em nove e cada uma delas se parecia com uma pena. Começaram a faiscar.

– Mas você disse... – Gaomon levantava a mão para sinalizar para o parceiro, mas ele já tinha soltado uma descarga elétrica. Sachi caiu de novo, dessa vez desacordada.
 




 
 
Abriu os olhos. Tudo era um borrão. Maldito astigmatismo. Tateou em busca dos óculos e para sua surpresa, os encontrou bastante limpos. Se sentou e olhou em torno. Parecia estar numa espécie de quarto, numa cama feita ali no chão. Não viu mais ninguém por perto.

Se levantou e foi abrindo a porta de correr bem devagar. Apontou o rosto para o corredor. Silêncio absoluto. Foi pé por pé até sentir um cheiro de sopa que fez seu estômago roncar.  Isso a denunciou.
Um animal parecido com um filhote de anta veio flutuando, a cabeça coberta por uma placa de metal com gravuras. Os olhos grandes dele pareceram se alegrar ao ver que ela estava de pé.

– Oi. Eu sou Tapirmon.

Sachi não sabia se deveria ou não responder. Começou a analisar o Digimon. Os pequenos marfins do lado de sua boca, as pernas traseiras inexistentes que deram lugar a uma nuvem de fumaça, as orelhas cheias de pontas.

– Está tudo bem? – Esticou o rosto. – Que tipo de Digimon é você?

– O-oi. Sim. Bem. – Balançou a cabeça. – Que tipo de Digimon? Na verdade, eu não sou um Digimon.
Rostos assustados surgiram por todos os lados do corredor. A maior parte deles, para a menina, não seriam difíceis de se confundir com apenas amontoados de pedra. Os Digimon de olhos amarelos se aproximavam hesitantes. Sachi começou a se encolher, mas logo Gaomon estava ao seu lado junto do Digimon vermelho de antes.

– Gaomon, Elecmon. –  Disse Tapirmon. –  Que bom que voltaram.

Gaomon balançou a cabeça.

– Encontraram algum disco?

– Não. – Elecmon parecia bastante desanimado.

Gaomon olhou para os Digimon pedra que os cercavam.

– Gotsumon. – Disse. – A humana não fez nada de errado.

– Mas é humana! – Gritou um deles.

– E o que tem?

– Imagina se os Generais soubessem que há uma humana aqui.

– Seria pior se soubessem sobre o Terriermon.

Sachi percebeu que havia escutado aquele nome antes. Foi buscando em sua mente. Se encontrou na noite em que DarkTyrannomon atacou a cidade. Quando ajudou Mako e SlashAgumon a se esconderem, ficou sentada na porta do banheiro enquanto a amiga tomava um banho. Quando ela saiu, começaram a conversar sobre as coisas que haviam acontecido, sobre Daniel e Daiki também estarem envolvidos com os Digimon.

Mako falou sobre um Terriermon. Era o Digimon que eles procuravam, afinal. Mako também disse sobre a evolução dourada dele para afastar Medusamon. E agora era ela, dentre tantos, a encontra-lo.

– O Terriermon está aqui?

Todos convergiram os olhos em cima da menina.

– Você conhece o Terriermon? –  Perguntou Tapirmon.

Levou a mão aos lábios. Acenou negativamente com a cabeça.

– Não. Mas a minha amiga, a Mako, conhece. Ela veio pra esse mundo pra salvar o Terriermon da Medusamon e do rei.

– Outra humana? –  Gaomon franziu o cenho.

– A última vez que houveram tantos humanos aqui, não acabou nada bem. – Mais um Gotsumon. Este gritou do fim do corredor.

– A proteção de Taomon não será suficiente se o MetalGorimon decidir nos atacar. – Disse outro, muito mais próximo.

– Isso é loucura! Quem é que poderia enfrentar Medusamon? Ela é um Digimon mega. O poder de um mega é insuperável!

– E que tipo de louco tentaria lutar com o Deus Guerreiro?

Tapirmon se virou para os Gotsumon. Um cheiro, como um misto de maracujá e ervas com um fundo bastante adocicado, começou a se espalhar numa neblina lilás. Os olhos dos Gotsumon foram amolecendo até que, deixaram de resmungar qualquer coisa. Pararam com os corpos de pedra completamente relaxados.

– BanchoLeomon é esse louco. – Sachi viu em Gaomon um olhar muito confiante. – Espero que sua amiga tenha a sorte de encontrar BanchoLeomon. Se unirem forças, talvez o rei finalmente seja detido.
Elecmon, porém, parecia bastante apreensivo com a ideia.

– Mas se podemos viver sem lutar, isso não é pela proteção da Ellada.
Gaomon suspirou.

– Proteção a que custo?
 
 
 
 
 
Cobriram Sachi com uma longa manta escura. A cidade toda se reuniu numa praça e a menina se impressionou: a maior parte das casas se pareciam com cogumelos, o restante lembrava muito uma casa tradicional japonesa. O Digimon que chamavam de Taomon, tinha um rosto amarelo e animalesco com orelhas e focinho de raposa. Era tão alto que a menina se amedrontava em sua presença, mas as roupas, iguais a um sacerdote do taoísmo, a fizeram ficar um pouco mais confortável.

A rua principal que ia na direção de um templo sob a formação rochosa, se abriu. Taomon ficou de frente aguardando. Uma armadura tilintava, um corpo tão sinuoso e uma trança dourada tão longa serpenteando por detrás da tiara. Aqueles anjos, completamente estranhos para Sachi, acompanhavam a mulher. Suas asas mais pareciam espadas e, na verdade, mesmo os seus braços eram lâminas. O corpo inteiro era coberto por armaduras prateadas.

– Que linda. – Esticava a cabeça acima do ombro de um Gotsumon na tentativa de ver melhor.

– Você, cuidado aí. – Tapirmon flutuou ao seu lado e começou a sussurrar.

No mesmo momento, Gaomon pressionou o ombro de Sachi para baixo e ela se abaixou. Se ocultou atrás de um Gotsumon enquanto os anjos olhavam em volta. A mulher na armadura reluzente parou e, um dos joelhos no chão, uma das mãos apoiada no outro, a espada em linha reta com o chão, abaixou a cabeça em respeito e cumprimento a Taomon.

Taomon, respondendo ao gesto, inclinou o corpo levemente depois de juntar as mãos. A guerreira se levantou com graça e sua espada se desmanchou no ar. Estendeu as mãos e um terceiro Digimon veio carregando uma almofada onde se encontrava um vaso branco todo ornamentado com desenhos azuis e ouro. Era uma mulher também, muito alta e esguia, uma roupa colante que lembrava a de uma bailarina, o rosto rosado e os cabelos cor de cereja despencando sobre os olhos. A primeira levantou a tampa daquele frasco e um cheiro de incenso se espalhou.

Taomon gesticulou e outros anjos vieram detrás dela em suas longas vestes brancas. Pegaram a almofada e levaram o frasco para trás.

– A que devo essa visita, Jeannemon?

– Venho apenas prestar honras no South Florest Temple.

Os músicos da cidade, todos com a aparência de sapos, sapos muito magros, se juntaram com os instrumentos de sopro que se enrolavam em seus pescoços. Pegaram outros instrumentos e embalaram numa música suave e agradável enquanto Taomon direcionava Jeannemon ao templo.

Os anjos, aqueles cheios de lâminas, fizeram menção de avançar junto de Jeannemon, mas foram segurados pelos anjos de túnica branca que residiam naquela cidade. Taomon balançou a mão e com isso queria dizer que Jeannemon deveria ir sozinha.

– Vem comigo. – Disse Gaomon.

A menina saiu arrastada por ele e Tapirmon. Atravessaram toda a multidão até chegarem nas árvores e cogumelos gigantes que cercavam a cidade. Continuaram até uma pequena ponte de pedra que atravessava um desfiladeiro (mais baixo que aquele que cobria o templo) até um dos andares superiores do templo.

Se juntaram num parapeito de pedra talhada e olharam lá para baixo. Os ídolos que cercavam o caminho do altar eram quase tribais. A menina se lembrou da vez em que conseguiu jogar com Daniel. Os ídolos desse templo lembravam muito aqueles do templo de adoração, os que representavam os monstros rochosos enfrentados pelo protagonista no jogo.

Seu corpo todo se arrepiou e seu coração pareceu ter um espasmo ao pensar naquele momento com o menino. Já faziam tantos anos... Na época não entendiam o sentimento daquele protagonista que atravessou o mundo em direção a uma terra proibida para salvar a amada. Hoje a menina se pergunta se não é esse tipo de sentimento que tem por Daniel.

A entrada de Taomon quebrou o seu transe. Seguiu os dois Digimon indo na direção do altar. Percebeu a enorme máquina que se deitava sobre a parede, o corpo cheio de rachaduras, os olhos buscando pelos recém-chegados. Ele oscilava, enquanto faíscas saíam de seu corpo chiado, entre a cor dourada e a cor verde.

– Terriermon? – A palavra apenas vasou da boca da menina. Gaomon tentou tapá-la com as mãos enquanto puxava a menina, toda inclinada, para trás.

Jeannemon levantou os olhos. Havia escutado. A fumaça do corpo de Tapirmon começou a cobrir todo o andar para ocultá-los. A guerreira, porém, não fez nada em relação a eles. Apenas se voltou ao Digimon caído. Foi andando devagar e se ajoelhou diante dele, pôs sua mão na cabeça do pobre guerreiro máquina injuriado.

– Taomon. –  Disse Jeannemon. –  Desculpe por demorar tanto para retornar. Estou enfrentando grande problemas na Ellada. –  Soluçou. –  Espero que os medicamentos que trouxe sejam eficientes em trata-lo.

–  Não deveria fazer isso... por mim... –  O Digimon caído tentou se mover. Gemeu de dor.

–  Talvez eu faça por mim. – Se levantou. Olhou para cima. –  Só mais uma coisa, Taomon. Peça para que levem a humana para longe. Não o Gaomon, ele será designado para o rastreamento. Os SlashAngemon receberam de algum dos vigilantes da Ellada a informação de que haveria uma humana nessa região. É sorte que ela não esteja sozinha.

– Serão os seus guardas?

– Não. Uma equipe está a caminho da cidade. – Balançou a cabeça. – Como havia um Gaomon na cidade, decidiram vir para cá escalá-lo para o rastreamento. É bem possível que Steelmon já tenha preparado um disco para retirar os limitadores da fase adulta.

Gaomon puxou a menina. Correram o caminho inverso e o cão se separou dela e Tapirmon ao atingiram a multidão. Tapirmon chamou dois dos Gotsumon e então seguiram para a floresta. Sachi mal pôde reagir, se enfiaram fundo na mata, para longe da cidade.
 
 
 
 
 
Gotsumon acendeu uma fogueira. Tapirmon observava a chama muito pensativo. A menina se espreguiçou e jogou a manta para trás. Ficou encostada no tronco de árvore.

– Talvez você seja o meu parceiro Digimon... – Sibilou a menina.

– O que? – Tapirmon a fita com estranheza.

– Não é nada.

Os dois sóis se escondiam por detrás das montanhas e das árvores. No vale, escureceu rápido. Mais uma noite estava chegando. Sachi não duvidava que Mako estaria bem ao lado de SlashAgumon, então se prendeu a pensar na situação de Daniel.

Os olhos brilhantes da outra menina. Era como se a continuasse encarando ainda agora. Foi capaz mesmo de sentir o frio que emanava pela máscara do Digimon que os atacou em sua entrada no Mundo Digital.

– Sabe, dentro da Ellada...

Sachi levantou o rosto.

– ...todos nós nascemos com nossas funções determinadas. Se eu nasci para cultivar alimentos, farei isso minha vida toda, como uma Palmon. – O rosto de Tapirmon se abaixou iluminado pelo fogo. – Ou eu posso ser um construtor, como os Gotsumon. Talvez, com alguma sorte, eu nasça na nobreza e ainda assim terei minha vida decidida. O Gaomon é um rastreador. Ele gostaria de ser um lutador e por isso está sempre treinando e carregando suas luvas.

– E você?

– Eu cuido dos Digimon cansados e tristes. – Apontou para a própria cabeça. – É um trabalho legal, mas... Eu fico imaginando como seria se eu pudesse ir ao lugar que quisesse e fazer o que quisesse naquele momento, entende?

Sachi balançou a cabeça.

– Dizem que vocês humanos podem fazer isso, é verdade?

Sachi não sabia o que responder. Embora as pessoas tivessem alguma liberdade em seu país, nem sempre era assim. E mesmo em seu país, haviam problemas. Como menina e como criança, sempre foram os pais a decidir as coisas por ela e eram também eles que a pressionavam para tirar notas cada vez maiores para conseguir um bom colégio para o secundário que logo chegaria e depois uma boa universidade. Mas não sabia bem o que queria fazer, só sabia que a mãe a enxergava como médica.
Ela nunca foi tão boa quanto o Daiki. Não sabia como o menino suportava aquilo tudo.

Abriu um sorriso.

– Sim. E quando a Mako derrotar o rei, vocês também farão o que quiserem. O Gaomon vai poder se tornar um lutador e você ir onde quiser e quando quiser.

O semblante de Tapirmon mudou, como se a menina o tivesse animado. Naquele momento ela pensou que, talvez, ele fosse realmente o parceiro dela. Estendeu a mão para ele.

– Quer ser o meu parceiro?

Mas um corpo saltou sobre a fogueira. Os Gotsumon caíram para trás assustados e Tapirmon puxou a menina para que fugisse. Gaomon estava junto dos anjos, um olhar bastante triste. As luvas não estavam em suas mãos. Mãos feridas e calejadas de tanto treinar.

– Gaomon... – A menina saiu arrastada. O cachorro abaixou a cabeça enquanto três daqueles anjos partiram na direção de Sachi.

– Sachi, rápido. Eles são SlashAngemon. Eles são muito fortes.

Tapirmon empurrou a menina. Uma neblina começou a se espalhar pelo local para confundir os anjos, mas como se pudessem ver através daquilo, um dos SlashAngemon girou o braço e cortou o corpo de Tapirmon.

Sachi, vendo a cena, escorregou. Girou o corpo e tentou se levantar e correr na direção de Tapirmon, mas o corpo do pobre Digimon já se desmanchava. Gritou. Gaomon gritou também. O cachorro pulou de encontro a Tapirmon. Os dois brilharam e uma força fez com que os SlashAngemon se afastassem.

Um homem lobo azul saiu de dentro da luz, o peitoral forte a mostra e uma capa cinzenta balançando. As bordas e as mangas da roupa pareciam se transformar em fumaça e neblina. Apertou a espada e esticou o rosto, coberto por uma faixa vermelha. Avançou contra os anjos balançando a lâmina.
O som de metal em atrito, as faíscas. Aquilo se repetiu numa sequência de ofensivas do homem fera contra os anjos que o cercavam. Ao perceberem que a habilidade dele com a arma era grande, os três se afastaram. Ele, sabendo que não poderia vencer todos os três sozinho, se virou, embainhou a espada nas costas e pegou Sachi com as mãos grandes de guerreiro.

Saltou a alto o suficiente para ir acima das árvores e continuou o caminho de galho em galho, de pedra em pedra. Encontrou uma cachoeira e desceu pelas pedras lisas. Procurou por algum lugar onde pudesse esconder a menina e achou uma gruta. A empurrou com as palmas da mão.

– Vá. – Disse. – Nós nos veremos de novo!

Tornou a saltar.

– Espera!

Parou próximo da queda da água.

– Como eu devo te chamar agora?

– Eu sou... – A sua voz não era uma. A sua voz eram duas vozes entrelaçadas. Escutou Gaomon e escutou Tapirmon. – DormioGaomon.

A silhueta dos anjos cruzou os céus acima da cachoeira. A menina se encolheu na entrada da gruta e DormioGaomon continuou o seu caminho. Agora segurava uma pedra envolto na manda que deram a Sachi para enganar aos anjos.
 
 
 
 
 
Sachi esfregou os olhos. Os sóis ainda não haviam nascido e provavelmente demorariam muito para fazê-lo. Ouviu o barulho de um trem passando nas proximidades, o motivo de ter acordado tão de repente e assustada. DormioGaomon não estava por perto.

Soube que teria de continuar. Foi caminhando, os pés afundando na água fria. Havia um caminho para além dos vales. Conseguiu avistar uma trilha ao pé de uma montanha. Tentou ir naquela direção quando escutou um rugido ao longe. Se apavorou e apertou o passo, porém, caiu. Torceu o pé. Urrou de dor.
Ao tentar mover o pé, percebeu a razão: havia o enfiado por debaixo de duas pedras. Não conseguia se soltar. Alguma coisa se movimentava na floresta. Mas o seu pé doía tanto. E as árvores e arbustos começaram a balançar. Não importava o que fizesse, o pé continuava preso.

Não queria estar sozinha. Queria que Daniel estivesse com ela. Se ele estivesse, a daria forças para continuar. A ajudaria a se soltar. Teria impedido que os SlashAngemon fizessem qualquer mal ao Tapirmon. A salvaria, com toda a certeza.

A criatura finalmente chegou.

– Jeannemon...?

Jeannemon baixou os olhos sobre ela. Num segundo, a espada estava materializada nas mãos da Digimon. Sachi estremeceu. A mulher rodopiou a espada e mandou um golpe com a lâmina na sua direção.

O ar frio se movimentou em espiral contra o rosto dela, quase levando os óculos. Tudo parou, silencioso, imóvel. Abriu os olhos.

Jeannemon a encarava de perto. As pedras que prendiam o seu pé estavam em pedaços e, sob o toque de Jeannemon, a dor nos tornozelos desapareceu. A Digimon se levantou e se virou. Depois, pressionando os pés, dobrando os joelhos, impulsionou-se. Sua força era tamanha que com facilidade atravessou a montanha ao leste.

Sachi, mais calma, se levantou. Nenhum sinal dos SlashAngemon. Sem entender Jeannemon, continuou seu caminho até subir a montanha. Descansou um pouco antes de chegar ao planalto e encontrar uma estação de trem no meio do nada.

Um trem parou. Com certeza não um trem normal, pois este tinha olhos e boca. Quando a menina entrou, escutou mais alguém e se escondeu atrás dos bancos.

– Você pode ir, Twilimon. – Uma voz feminina. – Chego a Cidadela em pouco mais de uma hora. Eu vou ficar bem.

Era aquela respiração nada natural, aquela atmosfera fria que fazia gelar a própria alma. Se inclinou e viu o mascarado imergindo na sombra de uma menina. Os olhos púrpuros encontraram com os de Sachi assim que o monstro já havia desaparecido por completo. O rosto, antes suave apesar das escoriações e olheiras, se distorceu.

Sachi se levantou e a encarou de frente.

– Você... – Cerrou os dentes. – O que você fez com o Daniel?

A outra apenas gemeu sem saber como lidar com Sachi. Foi se afastando, os braços retesados e o peito muito magro se expandindo e se contraindo muito rápido devido a uma respiração nervosa. A menina era alta para a idade que aparentava ter e estava tão magra que Sachi a imaginou voando caso desse um sopro.

Manteve na cabeça que era mais forte que a outra. Foi avançando.

– Não... chegue... perto... de... – Sachi a estava quase tocando. – MIM!

As duas deram um encontrão. Sachi caiu sobre o carpete que cobria o vagão, enquanto a outra menina batia as costas contra a porta que ficava entre um vagão e outro. As duas abafaram gemidos de dor. Com a vantagem de ainda estar em pé, a menina se jogou sobre Sachi e fechou as mãos no pescoço dela que ficou se debatendo.

– O que você fez... com ele?

E chutou-a na barriga. Se impressionou com a facilidade que teve para jogar para longe um corpo tão leve. A viu cair sentada.

– Não é óbvio? – Forçou um sorriso.

Sachi apertou muito os punhos antes de se levantar e pender contra a menina magricela. Deu-lhe logo um soco na bochecha antes de receber um tapa forte no rosto. Não sentiu nada no momento, apenas ouviu o estalo. Depois, uma ardência a distraiu o suficiente para que a menina cruzasse as pernas em torno de seu pescoço.

– O que você está... fazendo... sua... – Sachi começou a sentir a falta de ar. Todo o seu corpo parecia ir relaxando, formigando. – ...maluca...!

Deu uma sequência de socos contra as pernas da garota. Percebeu os espasmos de dor que ela recebia e então, vendo um rasgo que havia na calça, encontrou uma ferida. Apertou a mão naquela região e a menina a soltou e se afastou num urro de dor.

Pararam as duas, arfando.

– Eu vou... acabar com você! – Sachi passou a mão pelo pescoço muito dolorido. A voz quase não saía.

– Nunca... mais... toque em mim! – Fechou a mão na parte superior de um banco. Arrastou o corpo naquela direção e, usando o objeto como um apoio, conseguiu se levantar. Mas não conseguiria chegar até Sachi apenas com as próprias pernas.

Um silêncio quase absoluto, entrecortado apenas pelos solavancos do trem, pelo som continuo das rodas metálicas girando pelos trilhos e pelos apitos que indicavam a proximidade de uma cidade.

– Se fosse você... – Tossiu. – ...desceria agora.

– Você não me diz o que fazer!

– A outra parada é a Cidadela. Você estaria morta antes de sair desse Trailmon.

Sachi estremeceu. Se lembrou dos SlashAngemon que a perseguiram na floresta.

– Isso ainda não acabou. – Atravessou o vagão até as portas laterais. Um ringido insuportavelmente agudo indicava que o trem estava parando. – Se você machucou o meu amigo... eu vou... eu vou...

A porta se abriu. Sachi não conseguiu completar o que dizia, apenas desceu.

– Ele... – A menina esticou a mão. Correu até a porta. – Espera! Qual é o nome dele?

Mas Sachi já estava distante na escuridão da estação. As portas do Trailmon se fecharam em seguida. O Trailmon atravessava a cidade pelo meio. A menina ali dentro olhava para o outdoor animado que havia em cima da estação. Uma maçã aparecia e recebia uma mordida. Aquilo se repetia, estava em loop.
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Re: Digimon Synthesis

Mensagem por Mr. Pines em Qua Nov 22, 2017 1:36 pm

Nota: os acontecimentos do capítulo 20 antecedem os eventos dos capítulos 17, 18 e 19.
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Re: Digimon Synthesis

Mensagem por Lawliet em Qui Nov 23, 2017 3:03 pm

Achei deveras interessante o capítulo, Pines. Principalmente por ser uma prequel dos capítulos 17 à 19. Gostei de ver a personalidade da Sachi mais desenvolvida, apesar de eu não ser o maior fã dessa personagem jfkldsfjds'

A sua descrição está ficando bem melhor e mais agradável. Fiquei feliz por vc ter feito o espaçamento necessário, ajudou muito na leitura, pois ficou mais fluída.

Não tenho muito o que comentar. Espero ansiosamente pelo capítulo 21 ou pelo verdadeiro capítulo 20! Hehe.

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Re: Digimon Synthesis

Mensagem por Mr. Pines em Qui Nov 23, 2017 4:28 pm

Lawliet escreveu:Achei deveras interessante o capítulo, Pines. Principalmente por ser uma prequel dos capítulos 17 à 19. Gostei de ver a personalidade da Sachi mais desenvolvida, apesar de eu não ser o maior fã dessa personagem jfkldsfjds'

A sua descrição está ficando bem melhor e mais agradável. Fiquei feliz por vc ter feito o espaçamento necessário, ajudou muito na leitura, pois ficou mais fluída.

Não tenho muito o que comentar. Espero ansiosamente pelo capítulo 21 ou pelo verdadeiro capítulo 20! Hehe.



Caaaaaaraaaa...
Ele não gosta da Sachi.

Acho que não me preparei psicologicamente para o momento em que alguém diria isso da menina-que-na-maior-parte-do-tempo-é-alívio-cômico logo agora que ela decidiu fazer algo mais além de ser alívio cômico.

Isso me dá uma curiosidade. Que personagens exatamente você tem gostado no decorrer da fanfic até o momento? 

De qualquer forma, a Sachi, quando não está fazendo ninguém rir, é quem separa as brigas e dá os sermões. Foi uma grande quebra mostrá-la tão agressiva nesse último capítulo. Eu tento demonstrar que as pessoas são complexas e contraditórias. Se ela é apenas o tipo brincalhona que está sempre fazendo rir e impedindo os outros de saírem no braço, ao mesmo tempo, os sentimentos dela por Daniel e o medo de perder o amigo, a fizeram partir para cima de Misaki sem pensar duas vezes.

A Misaki tem mais destreza e, apesar de estar ferida por causa da perseguição dos DeathMeramon e estar cada vez mais magra, conseguiu conter a outra sem precisar chamar pelo Twilimon. Porém ela não poderia manter aquela briga por mais tempo.


Nota: Cuidado ao falar da Sana e da Misaki. Tenho uma queda pelas duas oisahfiosafoiajs
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Re: Digimon Synthesis

Mensagem por Mr. Pines em Sab Nov 25, 2017 4:34 pm




Capítulo 21: Grademon: a Vontade de Ruramon Despeja-se Sobre a Terra!


BanchoLeomon chegou bem pela manhã. Nenhuma das crianças estava acordada ainda. Mas a princesa já havia se desvencilhado dos cobertores e Dorumon acordara assustado com a barulheira que faziam nos andares debaixo. Ao descerem, encontraram um grupo de Digimon de todos os níveis, tipos e tamanhos. Arrastavam mesas, marcavam mapas, penduravam informações em murais e sempre retornavam ao homem leão para discutir uma dúvida.

– Dorumon. – BanchoLeomon puxou a aba do chapéu, depois cruzou os braços. O sobretudo, apenas colocado sobre os ombros, balançou com os movimentos abruptos.

 – BanchoLeomon!

A princesa escalou as costas de Dorumon se agarrando aos pelos. Ele fez uma careta ao sentir as puxadas. Logo ela estava no topo da cabeça dele, o rosto entre as orelhas pontudas, de frente para BanchoLeomon.

Um rosto surgiu por detrás de BanchoLeomon. Olhos grandes e completamente negros, um botão de flor preto sobre a cabeça. Se inclinou, o decote de uma camisa de um uniforme sailor que fora cortado, deixando nua a barriga. A saia preta, toda cheia de rasgos e sustentada na cintura por vários cinturões, tinha uma textura de couro, assim como a bota e as luvas.

– Lunamon! – Gritou ela.

– Eu te conheço? – Lunamon estreitou os olhos.

– Bem. Eu sou BanchoLillymon. – Levou o dedo até os lábios, esfregou por um momento. – Na época eu ainda era uma Lalamon. 

– Lalamon! – O rosto da princesa se acendeu. – Que bom que você não se transformou numa daquelas Servantmon.

– Eles tinham outros planos para mim. – Abriu um sorriso torto, como se estivesse nervosa. – Me acusaram de ser parte de algum grupo de terroristas contra a Ellada. Eu fui levada para a ZSC onde tentaram me arrancar informações. Acontece que a base que usaram ficava além da Turk Woods, bem próxima do Reino dos Mortos. GranDracmon os atacou e eu consegui fugir.

– E como você ficou... Assim?

– Você diz, assim? – A fada foi apontando para as roupas pretas. – Eu me juntei a um grupo nas ruas da Ellada para sobreviver. Depois eu fui para o deserto e lutamos num torneio no Coliseu.
Dorumon torceu o nariz. 

– O Coliseu dos DeathMeramon?

– Sim. – Ela riu. – São malucos, mas eles sabem o que é música e briga de verdade. – Desceu as mãos sobre os ombros e peito de Leomon. Começaria a massagear, mas ele, num movimento leve, afastou as mãos da fada. – Foi lá que conheci o BanchoLeomon. Eu fui derrotada por ele na final do torneio e então aceitei ser treinada por ele.

O homem fera solta um longo suspiro.

– Na verdade, você seguiu o nosso grupo por dias pedindo que eu a treinasse.

– Não é assim que eu me lembro das coisas.

– Mas parece ter passado tão pouco tempo desde que atacaram o palácio. – Os olhos da princesa foram se abaixando. – Você é um nível mega, não é? Como conseguiu fazer isso tão rápido?

– Na verdade é bastante tempo. – Foi com o indicativo da mão direita puxando os dedos da outra mão, como se estivesse contando. – E eu só soube sobre você depois que foi para o Mundo Real. Eu tive bastante medo do que poderia acontecer.

– Yare yare! – BanchoLeomon abanou com a mão. – Mais tarde teremos uma longa conversa, Dorumon e Lunamon. A chegada dos humanos fez com que mudássemos todo o nosso planejamento.

– Eles por acaso são um problema? – Dorumon chegou mais perto.

– Não. – Abaixou a aba. – Eles são a nossa chance contra os generais. Não importa o que a Ellada espalhou, eu sei que não existe nada mais poderoso que o elo entre um tamer e seu Digimon.
Amélie, que havia acordado antes das outras crianças, observava por detrás de uma porta dupla. Apertou a mão entre os seios e suspirou.
 
 
 
 
 
 

Sana se inclinou sobre os painéis. Nunca havia visto nada igual. Não de perto ao menos. Quando esteve ali pela última vez, era apenas uma criança. Mal tivera tempo de começar o seu treinamento. As coisas já iam bastante mal. Quando as nações se uniram para derrubar a Morpheus, ela perdeu tudo. Era a única família que tinha.

Os dedos se moviam no ar como se digitassem, a mão estava coçando. A coceira era a sua vontade de começar a fuçar naqueles painéis. Noriko entrou nesse momento. As portas automáticas de metal fizeram um barulho e a mulher entrou num traje todo preto, como se fosse de algum tipo de força especial pronta para fazer um assalto arriscadíssimo durante a noite.

– O que acha, Sana?

A coreana se virou. Seguiu cada curva do corpo da outra. Os olhos brilharam, o rosto esquentou, o corpo todo formigou.

– O que eu acho? – Voltou-se aos painéis imediatamente, o pescoço encolhido e uma expressão de extrema vergonha no rosto. Começou a puxar a gola da camiseta como se precisasse de ar. – Depende. O que você vai fazer com isso?

– Ah. Por hoje, apenas procurar por aquelas crianças. O Liam disse que a armadura de kevlar ficará pronta logo. – A moça ouviu os passos. Logo as mãos de Noriko pousavam sobre seu ombro. – Precisamos estar prontos para o conflito.

– O conflitoooooooo? – Os ombros retesavam.

– Sana, você está bem?

– Eu nunca disse que queria algo como... você sabe...

– O que?

– Não é nada. Nadanadanadanadanada! – Bateu o rosto contra o teclado. – Só fiquei acordada a noite toda, sabe? A noite toda. Estava assistindo um anime.

– Ah. Faz tempo que não vejo um anime.

– Então você vê a-animes, Nori-chan? – Vibrou.

A porta de metal se abriu novamente. Um rapaz gordinho de pele dourada e cabelo curtinho veio na frente. Tinha uma camiseta verde oliva e um bermudão jeans. Atrás dele vinha uma outra moça, muito provavelmente da idade de Sana. Era muito morena, o cabelo bastante liso. Vestia um macacão sobre uma camiseta branca e All-Stars azul.

– Oh... Nasrin. – A menina acenou quando ouviu a voz de Noriko. – Hunk.

Os dois pararam lado a lado.

– Os velhos estão te chamando. – Nasrin deu um risinho. – Você e a Sana. Querem saber como andam as buscas pelo paradeiro da Capitã Amélie.

– Talvez eu devesse me conectar Nerv Nexus. – Noriko cerrou os punhos. – Eu poderia encontra-la se fizesse isso.

– Você não pode! – Sana agarrou o braço da mulher. – É perigoso usar o Nerv Nexus agora. Se algo der errado, você não poderá ajudar a Mako, o Daniel e o Daiki. Eles precisam da sua ajuda agora que estão na rede. Nós estamos quase restabelecendo a conexão.

Balançou a cabeça de acordo.

– Ei, Sana. Quer ir com a gente num café depois que falar com os velhos? – Nasrin sorriu para a coreana.

– Eu não sei. Eu tenho que...

– Você pode ir. Só procuraremos pelas crianças durante a noite.

– Mas é que...

– Vai ser divertido. – Nasrin chegou mais perto. – Afinal, sua casa fica em Akihabara, não é? Eu gostaria de conhecer.
 
 
 
 
 
 
Haviam muitos seguranças caídos pelo corredor. Isso fez com que o homem de meia idade estremecesse ao sair do corredor. Os seguranças que vieram com ele levantaram suas armas. Avançaram devagar em direção à sua sala.

Quando chegaram na porta, haviam mais dois desacordados. Atrás da mesa havia uma cadeira de couro. Ela estava virada para as janelas, como se, seja quem estivesse ali, observasse a cidade se aproveitando daquela vista, daquela posição e altura. E ele riu. Foi um riso calmo e demorado.
Os seguranças apertaram a arma e o homem deu um passo à frente.

– Se levante devagar, erga as mãos, se vire e se identifique.

Mais um riso.

– Faça o que eu digo ou darei ordem para que atirem.

O riso só se fez aumentar. Logo era uma gargalhada alta e exagerada.

Os gatilhos estralaram, os canos se acenderam e os projéteis saíram em série na direção da cadeira. O objeto rodopiou e alguém saltou e deslizou sobre a mesa. Papéis, pastas, canetas, monitores, teclado, tudo para o chão. O primeiro segurança perdeu a arma no primeiro golpe, sendo imobilizado de frente para o outro e o homem que protegia, os braços nas costas.

O outro hesitava em atirar, mas o homem gritou com ele, o fazendo levantar a sua arma.

– Sabe, amigo. Cortisol.

Um disparo, dois disparos. Os tiros acertaram na parede atrás e na janela. O vidro estilhaçou. O segurança largou a arma.

Logo após isso, estavam os dois desacordados no chão. O loiro guardava uma pistola de formato estranho, o homem foi se afastando, derrubando o abajur e amassando as plantas que faziam a decoração do local. Os olhos muito perturbados e trêmulos.

– L-Liam!

– É velo, prazer em rever você também. – Estava prestes a encurralar o outro numa parede quando este encontrou o teclado e quebrou contra a cabeça de Liam. O loiro deu um grito de dor e balançou. Parou inclinado e ficou esfregando a cabeça. Limpou a testa, onde o sangue escorria e meteu um empurrão no peito do homem. – Isso dói, seu estúpido! Quer que eu te bote pra dormir que nem fiz com os outros?

– O que você quer aqui? 

– Eu queria saber o que faz aqui, Satoshi. – Pegou uma das pastas que encontrou no chão. – Sabe, existe alguma coisa muito errada com essa divisão do governo. E então eu percebo de repente que um dos analistas da Morpheus está metido com a segurança nacional. Não parece tudo uma puta conspiração?

– Olha, eu só estou trabalhando, ok? – Ergueu as mãos. – Eu brincava com você quando você era criança. Eu cuidava de você. Não lembra?

– Ah, me poupe Satoshi. Você sabe que está inventando e que nunca chegou perto das crianças da Morpheus. – Abriu o envelope. – AISA, a deusa do destino, hum? Uma força capaz de determinar o rumo da vida das pessoas, não é? 

– Achei que concordasse com isso! Os Digimon destruíram tantas vidas. Eles levaram o seu irmão, eles levaram as outras crianças e a Capitã Amélie foi a única a retornar. Mas mesmo assim, mesmo ela, não conseguiu se recuperar do que ela viu.

Liam suspira.

– É. Mas existe uma outra versão dessa história, até onde eu saiba. – Depositou o envelope sobre a mesa. Pegou Satoshi pelo colarinho e o ergueu contra a parede. – Mas ainda faltam muitos detalhes. Uma pessoa como eu, pessoas como aquelas da Morpheus que nunca estiveram metidas com o AISA, podem ver essa falta de informação como furos de roteiro, sabia? Então eu gostaria que você me ajudasse a esclarecer tudo isso.

– Olha, Liam, eu te ajudaria, eu juro! – O rosto se retorceu encolhido contra a superfície da parede. – Mas eu não sei de nada. Você deveria procurar o Starr.

Liam solta os dedos da camisa de Satoshi que despenca no chão, sentado. Quando o loiro se vira, ele vai se arrastando em direção a mesa. Estava perto de pegar o envelope quando é atingido por um soco e caí de novo.

– Nossa, eu já ia me esquecendo. – Pegou o envelope. – E eu espero que você saiba o que fazer com o AISA. Nós temos uma garota genial que pode expor tudo o que você tem baixado pela internet. Pode não ser um crime tão grande, mas o que aconteceria se você tivesse a reputação manchada, não é mesmo?
 
 
 
 
 
 
Sana colocou a chave. Girou e escutou o ferrolho se movendo. Nasrin já ia entrando quando Lopmon saltou no ombro de Sana e ficou olhando para o céu com espanto. A moça, como se visse pelos olhos do Digimon, também ficou ali, imóvel. Franziu a sobrancelha.

– O que foi? Estão bem?

– Ligue para a Noriko. Diga que ela vai ter que procurar as crianças sem mim.

– Por quê?

– Porque nós duas vamos ter que cuidar de um imprevisto. – Vasculhou o bolso do short e puxou um Digivice todo azul, as bordas que circulavam o visor eram rosas. – Lopmon! Hagurumon! Agora!

O Digimon engrenagem saiu da escuridão do apartamento, seu corpo se desmanchando num raio de luz assim como o do coelho marrom. Os dois raios foram em direção ao céu serpenteando e se cruzando em espiral até se unirem. Sana se agarrou no parapeito e subiu. Nasrin a tentou segurar num momento de pânico, mas a garota já havia saltado.

Da luz surgiu uma máquina, um robô enorme com cor de ferrugem. Um compartimento se abriu em cima e, voando por debaixo do andar do apartamento, conseguiu fazer com que Sana caísse ali dentro. A capsula se fechou e uma voz ecoou por algum alto-falante.

– Rápido, Nasrin! Fale com a Noriko, pegue o Hawkmon e venha atrás de mim. Não sei se nós três poderemos parar o que está vindo sozinhos.

O mecha saiu acelerado, deixando apenas um rastro de luz enquanto subia para atravessar os céus. Lá dentro, Sana esbravejou.

– Que palhaçada é essa? Que cor é essa? Mudem isso!

Uma luz atravessou a lataria da máquina que ficou em tons escuros de azul metálico, com exceção dos contornos que haviam nas proteções, que ficaram rosa.

– Ai! Sempre quis fazer isso! Eu sou a própria D.Va agora! – Apertou as mãos nos controles. – Vamos. Isso deve ser exatamente como jogar videogame!

“Não se preocupe. Nós estamos aqui para te dar apoio.” 

Quando alcançaram uma boa altitude, o círculo no céu foi visível. Mais uma vez aparecia sobre Shinjuku, muito próximo do prédio governamental. Uma horda de Digimon começou a cair e voar dali.

– Isso vai ser show!

A máquina rodopiou se desviando de dois imensos pássaros negros, depois, se virando, permitiu que Sana mirasse neles e disparasse com as duas metralhadoras que estavam nos braços. Os viu cair enquanto a voz dos seus parceiros Digimon a avisava sobre outro inimigo chegando por detrás. Dessa vez era mais como uma serpente, uma enorme serpente com asas. Percebeu que deveria ser algum tipo de dragão.

A boca dele se abriu agarrando o tronco do mecha ao que Sana fez com que os braços convergissem contra a cabeça do Digimon protegida por um capacete de osso. Apertou os controles e começou a disparar contra o corpo dele, que foi obrigado a soltar. Despencou.

Quando Nasrin saltou das costas do Digimon águia, Aquilamon, Sana já havia feito um estrago imensurável contra as forças de ataque da Ellada. O corpo dos seus Digimon, ali fundido, ainda estava em perfeito estado e em condições de passar todo o final de tarde e noite batalhando.
 
– Ei. Acha que damos conta? Parecem ser muitos!

– Eu não sei você, mas eu estou detonando com eles! – A voz de Sana veio alta pelos aparelhos do mecha. – Mas sabe, pode ser um pouco injusto. Quando eu faço essa fusão entre o Lopmon e o Hagurumon, nós adquirimos o poder de um Digimon perfeito.

Nasrin puxou o Digivice, um holograma surgiu mostrando a visão de Aquilamon. A águia se movimentava como se estivesse costurando entre os Digimon que vinham do portal, sempre atirando lasers para derrubar os inimigos.

– Bem, você pode ter inimigos a altura em breve.

Três SlashAngemon desceram como uma lança e se dividiram em direções diferentes. Uma armadura dourada caiu de pé sobre um prédio e, desembainhando duas espadas, fez a capa azul esvoaçar.

– Que tipo de Digimon é este? Tenho certeza de que não conheço nenhum Digimon assim. – Aquilamon retornou o mais rápido que pôde.

“Eu, o Cavaleiro Santo, Grademon, venho em nome de nosso rei, em nome de nosso deus, em nome de Ruramon, tomar a Terra. Qualquer força de resistência será obliterada, qualquer um de nossa espécie que se juntar aos humanos será dissolvido. Essa é a ordem maior, o verdadeiro destino, a decisão do Deus Guerreiro da Ellada!”

– Que bastardo arrogante. – Sana redirecionou o mecha. A propulsão se intensificou o jogando como uma bala na direção de Grademon. Um dos SlashAngemon entrou em seu caminho a forçando a se desviar. A lâmina dos braços do anjo foi se arrastando pelo metal azul. – Disparem os mísseis! Tomahawk!

Dois compartimentos se abriram nas costas do robô. Os mísseis começaram a ser disparados, atingindo não apenas aquele SlashAngemon, como os outros dois e muitos outros Digimon que haviam saído pelo portal. Com o caminho aberto, Sana pôde continuar avançando. Jogou o corpo pesado e metálico contra Grademon e ele, cruzando as espadas, o tentou segurar. Os corpos se arrastaram por sobre o prédio faiscando.

– QUE DIABOS VOCÊ PENSA QUE EU SOU! – Tirou a mão de um dos controles analógicos e tocou a palma num círculo brilhante que havia no centro do painel. – Lopmon! Hagurumon! Força total!

– Isso parece uma brincadeira para vocês? – As espadas se dividiram num corte. Começou a girá-las e bater repetidas vezes contra a armadura de combate. – A resistência é inútil. O poder de Ruramon é supremo!

– É isso que você diz para assustar aqueles que vivem no seu mundo? Para que eles abaixem a cabeça e vivam debaixo dos pés desse Ruramon? Ham! – Girou a palma da mão no círculo. – Bunny Spiral Sword!
As metralhadoras nos punhos da máquina brilharam e deram lugar a duas lâminas brilhantes. O robô começou a rodopiar enquanto tentava avançar contra a defesa de Grademon.

– Vocês jamais...!

– Jamais o que? – Apertou ainda mais a mão contra o círculo. Cada músculo de seu corpo vibrava em contração, as veias saltavam no rosto, a boca se abria e gritava. Seu grito era como um rugido.
As espadas finalmente atingiram a armadura de Grademon. O corte profundo fez como que uma rachadura começasse a se espalhar a partir de seu peito. Entre cada estralo, o Digimon tinha um espasmo. Foi forçado a saltar para trás e repensar a sua estratégia de ataque.


– Meus dados? – Uma poeira luminosa vazava no centro da rachadura, onde as lâminas entraram. – Essa armadura, forjada pelo maior dos metalúrgicos de toda a Ellada, encantada pelo poder do Anjo Protetor, Princedomon. Como pode uma humana e um traidor fazerem isso?

A armadura tilintou. Apertou as mãos em torno das espadas.

– Eu, Grademon, não permitirei mais nenhuma heresia!

– Esse seu papo religioso de cavaleiro cruzado é tão século onze. – Aliviada, abriu um sorriso de canto. – Sabe, essa coisa já me deu nos nervos.

– Nenhum traidor pode ser tão forte...

– É mesmo? – Gargalhou antes de apertar os controles de novo. – Pede pra nerfar!
E se jogou contra Grademon disparando mísseis e com as espadas ao lado do corpo do mecha.

– A vontade de Ruramon deve perseverar!

Grademon saltou, seu corpo se chocou contra os mísseis e ressurgiu entre fogo, fumaça e poeira. As espadas rodopiaram, seu pé atingiu o corpo do mecha. Seja feita a vontade do salvador de nosso mundo, seja feita a vontade última do rei. Essa era a sua força. O robô foi lançado para trás antes que tivesse chance de utilizar do poder das espadas.

– Continuem firme! Ainda podemos vencer!

– O que é isso? – Nasrin estava nas costas de Aquilamon. A águia sobrevoava a batalha. – Esse brilho... São asas?

Os pedaços de concreto arrancados do prédio começaram a flutuar, os dados espalhados daqueles derrotados por Sana convergiram na direção de Grandemon e o brilho intenso de sua armadura formava uma estranha silhueta, como se houvessem doze asas distribuídas pelas suas costas.

– AAAAAAAAAAAAHHHHH!

Com o corpo inclinado, moveu as espadas como se fossem ponteiros de um relógio.

– Lopmon! Hagurumon! 

O corpo da máquina foi como um raio. Do impacto entre ele e Grademon veio uma onda de choque que estilhaçou qualquer janela nas proximidades e fez tremer a estrutura dos prédios. Mesmo as nuvens foram afastadas com aquilo. Aquilamon teve de lutar para se recuperar e não deixar que a parceira caísse de suas costas.

– Pelo meu irmão, pelo meu povo, pelo meu mundo!

Estavam presos numa disputa de forças com as espadas até Grademon desequilibrar o confronto com um chute. Suas espadas pareceram cortar a luz das lâminas. Sana urrou tentando transmitir qualquer força que tivesse aos parceiros, mas parou num espasmo de dor quando a espada atravessou o ombro da máquina. A moça segurava o ombro direito enquanto tentava recuperar os controles.

Grademon retirou a espada e a levantou. Toda aquela aura que o envolvia se convergiu na espada de sua mão direita. Ele desceu o braço com um movimento de corte. A espada atravessou o mecha transversalmente até o meio do corpo. Sana se espremia ali dentro, quase atingida pela espada. Mesmo que o golpe não a tivesse encontrado, ela sentia uma dor imensurável surgindo em seu pescoço e indo até a barriga. Os músculos começaram a se contrair numa tremedeira e as veias pareciam se estufar ainda mais.

– Lopmon... Hagurumon...! – Colocou a mão sobre o olho. – Não! Não não não não não! Não!

– Aquilamon! Temos que fazer alguma coisa!

– O poder de Grademon. Nunca vi nada assim. Seriam os generais tão fortes quanto ele?

[Fim da OST]

Um outro Digimon surgiu cortando o céu crepuscular de Tokyo. Ele era como a união entre dragão e cavalo, com um chifre lustrado e vermelho na testa e bigodes que se comportavam como um relâmpago. Seu próprio corpo vinha relampejando com Masha em pé nas suas costas. A menina apontou o dedo indicador para cima.

– Vocês! Fujam! A partir de agora é comigo! – E pulou com o Digivice em mãos. Apontou o aparelho para si mesma. Logo um pilar de luz desceu do céu e cobriu ela e Chirinmon.

“Matrix Evolution!”

Aquilamon se apressou, mas Nasrin puxou suas penas e apontou para Sana. O corpo do mecha finalmente se dividiu. A moça coreana caía do prédio abraçando os dois parceiros com tudo o que lhe restava, mesmo que a dor fosse insuportável ao ponto de fazer com que desejasse a morte.

– Rápido, Aquilamon!

A águia conseguiu por pouco alcança-los. Nasrin segurou o corpo de Sana enquanto desciam.
Ouviu-se um trovão. Um trovão muito alto num dia onde as nuvens eram facilmente contadas com os dedos de uma só mão. O homem cavalo em armadura rubra cortou o firmamento trotando em suas seis pernas. Grademon o tentou atingir, mas não pôde atravessar o escudo.

– Cesse esse ataque imediatamente, Grademon! Não me force a clamar pelos outros doze.

– Não me venha com suas mentiras, Sleipmon! – Tentou mais uma vez e outra vez e ainda uma última vez. Nenhum resvalo de sua espada, nenhuma aplicação de força sua tinha efeito. Este era o poder esmagador de um nível mega. O poder que Ruramon restringiu a poucos dos seus. Um poder além de todos os limites.
 
 
 
 
 
 
Este era o maior dos palácios da Ellada. As muralhas que o cercavam era a última camada da fortificação da Cidadela, a Cidade Armada, a Cidade Fortificada. Entre os pilares que se seguiam numa elipse cercando o centro do jardim, estava Sleipmon. O Sleipmon do passado. Um Sleipmon que ainda não tinha ideia de que não era completo, de que precisava de Masha junto dele.

Ao seu lado estava outro cavaleiro. O primeiro e absoluto rei da Ellada com sua armadura prateada, as ombreiras rubras, uma capa vermelha como rubi. Este era MedievalDukemon. Era ele o unificador que lutara contra os monstros do Abyss e estabelecera as fronteiras da Dark Area. Seu poder imensurável foi capaz de por medo mesmo em GranDracmon, o supremo vampiro.

MedievalDukemon era, para muitos, o mais poderoso Digimon já visto. Certa vez os Arcanjos, hoje desaparecidos, pediram sua ajuda. Mesmo eles sabiam que precisavam da força daquele rei para vencer certos inimigos.

E Sleipmon, Sleipmon não era deste mundo. Sleipmon viajara de uma dimensão perdida, designado como o protetor daquele mundo. Ele era também o auxiliador de MedievalDukemon.

– Por isso peço sua opinião, meu amigo. A ZSC, afinal, é criação dos humanos. Eles nunca nos trouxeram problemas antes, mas desde que os primeiros humanos partiram, a ZSC começou a mudar. Agora que os novos humanos chegaram... Eu não sei se posso deixar que se arrisquem lidando com a ZSC. Steelmon é um Digimon extremamente perigoso. Mesmo as máquinas Zonianas temem o que pode vir.

– Se ele é o membro que corrompe o sistema, talvez devamos separá-lo do grupo.

– Mas...

O som era de líquido borbulhante. Líquido borbulhante em movimento.

Dois olhos se acendiam dentro do tubo.

– O que exatamente estamos enfrentando?

MedievalDukemon bateu os punhos contra a mesa. Um grupo de cavaleiros o cercava. As portas eram guardadas pelos SlashAngemon. Sleipmon levantou o rosto e o encarou.

– Talvez exista esperança. A luz da evolução, o elo entre humano e Digimon.

O círculo de cavaleiros se dissipa. Sleipmon encara Ruramon que está posicionado acima dele. Os generais, numa posição abaixo daquela que ocupa seu rei, cercam-no. Ruramon bate uma lança contra o chão.

– Os humanos estão mortos.

– Mas existia uma. Eles a chamavam de Capitã Amélie.

– Sleipmon, os humanos são a causa de nosso problema. Não a solução. 

O som de borbulhas retorna. Mãos batem contra o vidro do tubo.

– Qualquer um que tiver contato com eles, será considerado traidor e será julgado diante dos Cinco Generais da Ellada, punido pelos olhos de Medusamon.
 
 
 
 
 
 
Grademon pende para trás. Os cristais de gelo começam a apontar em seus pés. Crescem até que todo o seu corpo esteja coberto. E então despenca do prédio. Os helicópteros já cercavam o local, as forças policiais já haviam evacuado as ruas, embora enfrentassem dificuldade para evacuarem os prédios.
Quando o corpo congelado de Grademon atingiu a avenida, uma cratera se formou, as pedras foram se levantando, a água foi esguichando e o gás escapava. O seu corpo se quebrou e estourou numa quantidade incontável de partículas brilhantes.

– A Ellada passou de todos os limites com suas ações!

Sleipmon pulou e, como se tivesse total controle sobre a força peso ou a massa de seu corpo, pisou seus cascos com leveza. Num brilho o seu corpo diminuiu em dois, embora, por Kudamon estar sempre no pescoço da menina, parecesse ser apenas um. Ela arfou e limpou o suor da testa. Avistou Nasrin do outro lado embaixo do corpo enorme de Aquilamon.

“Em posição. Suspeitos na mira, esperando ordem de fogo.”

A russa olhou para cima.

– Péssimo. Querem alvejar os seus defensores?

Uma tropa de chão avançava com fusíveis. Dos chifres de Aquilamon veio um laser que abriu uma fenda no concreto em torno deles impedindo que o conjunto de soldados armados avançasse.

– Era um ótimo momento para aquele Mameo aparecer.

E assim que disse isso, os helicópteros começaram a falhar e foram forçados a se desviarem para um pouso emergencial. Parecia haver também um erro na comunicação dos soltados terrestres, o que fez com que também se retirassem de volta para os veículos militares que os trouxeram.

– Aquilamon! – Nasrin chamou a atenção do Digimon. – Você consegue levar todos nós?

– Caraaaaa... Onde é que ele está? – Masha colocou a palma da mão acima dos olhos e ficou procurando por alguém. – Você viu alguma coisa?

– Não. – Kudamon esticou o corpo tentando achar também.

– Por enquanto fica o nosso agradecimento.

– Ei! – Nasrin gritou de cima de Aquilamon. – Vocês dois.

– Desculpe. Temos outro destino agora. – Acenou.

– Você é Masha? Masha Barinov?

– Wow. Eles conhecem você. – Kudamon se desenrolou e subiu na cabeça da menina. – Acho que deveria ir e ver o que querem.

– Isso com certeza é coisa sua, não é? Eu não sei como faz isso, mas com certeza já sabia que eles estavam nos procurando.

– Vamos! Nós somos a Morpheus.

– A Morpheus?

– O que é Morpheus? – Olhou para cima, o Digimon se escorregando em sua testa.

– Isso fica pra mais tarde. O importante é que eles voltaram.
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Re: Digimon Synthesis

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