Digimon Synthesis

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Re: Digimon Synthesis

Mensagem por Ferdinand em Sex Nov 10, 2017 12:51 pm

Meu deus to adorando essa fanfic, não pare.
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Re: Digimon Synthesis

Mensagem por LANGLEY002 em Sex Nov 10, 2017 1:32 pm

Ferdinand escreveu:Meu deus to adorando essa fanfic, não pare.

Lol. Sério? É que é difícil saber se está ficando num nível considerável. Para mim que estou escrevendo nunca parece fluída o suficiente e sempre fico me perguntando se não estou deixando muitos furos.
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Re: Digimon Synthesis

Mensagem por LANGLEY002 em Sex Nov 10, 2017 3:21 pm

AAAAAHHH, pois bem. Morpheus é a correção. Eu havia confundido Morpheus (que é o deus grego dos sonhos) e Orpheus (que na verdade é um músico e poeta, provavelmente filho de Apolo). Os nome são mesmo muito parecidos. A Morpheus, como eu já disse antes, não é uma organização do governo Japonês e ela foi dissolvida anos atrás. Até o momento conhecemos os membros Noriko, Sana e Liam, mas haviam muitos outros e de muitas nacionalidades.
Aquilo que vemos emergindo os agentes para observar que tipo de ameaça vinha em direção a terra eram de uma divisão do governo especializada em lidar com os Digimon. O AISA é um projeto desenvolvido pelos seus cientistas para apagar os Digimon que estão na Terra, fechar o caminho entre a rede e o plano físico e, num futuro, apagar a própria rede -- tomando por rede o Mundo Digital, é claro, nada de apagar a internet em si.
Mesmo com a tecnologia deles, porém, não foi possível prever que DarkTyrannomon não vinha sozinho.
E o Terriermon evoluiu justamente para o Rapidmon (gold), só não gosto de ficar deixando esse nome de variação entre aspas então apenas descrevi que era um corpo dourado, mas como estava distante de Mako, ela não pôde observar claramente a sua forma.
A luta foi realmente recheada de referências a Tamers e ao filme de Adventure em que Greymon luta com Parrotmon. Por um momento eu até pensei em utilizar o próprio Parrotmon, mas sendo ele um nível acima do Sgarfirdramon, mudei de ideia. Achei que seria um pouco forçado o Sgarfirdramon vencê-lo sozinho. O Rapidmon poderia ajudar, é fato, mas como eu planejava colocar um pouquinho da Medusamon nesse capítulo e já dar um motivo para que todos desejem ir ao Mundo Digital, achei que seria inconsistente.
Assim, Rapidmon usa as suas forças para atrair Medusamon para o Mundo Digital e Mako só tem de lutar com DarkTyrannomon. É claro que não era planejado que Medusa entrasse em batalha, mas Terriermon não sabia dos planos da Ellada e ainda havia a possibilidade de ela retalhar ao perceber que haviam tamers resistindo ao ataque de DarkTyrannomon.

Mas para a aparência de Medusamon (nessa forma, pois ela tem uma evolução especial), eu imaginei algo mais Fate, isso por achar que a representação de Fate da Medusa me lembra bastante Digimon como a Sakuyamon e tenho alguns motivos para querer algo que tenha pontos em comum com Sakuyamon.


Afinal, os mitos citam a Medusa como um ícone de beleza.
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Re: Digimon Synthesis

Mensagem por LANGLEY002 em Sex Nov 10, 2017 4:02 pm

KaiserLeomon escreveu:Tudo bem Pines eu compreendi essa parte não ligo de você ter trocado Morpheus por Orpheus é um erro até compreensivel visto que foneticamente os nomes são quase iguais . Eu adorei as referências que você colocou a Digimon O Filme e ao episódio em que Mihiramon luta contra os Digimon dos Tamers e acaba por ser vencido pelo Digimon de Takato .O momento em que Mako " quebra os grilhões da dor " foi epico . Nem tinha percebido que era um Rapidmon ( Gold ) a forma de Terriermon . Como ele conseguiu evoluir para essa forma ?  Pergunta : a Sachi vai ser um tipo de Jeri Katou da sua fanfic ? Enfim ficou muito legal o capitulo . Estou gostando muito de acompanhar sua fanfic continue assim sempre .


Não planejo nenhum tipo de tragédia para a Sachi. Como existem mais personagens a caminho, você pode começar a se perguntar se algum deles vai passar por algo assim.
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Re: Digimon Synthesis

Mensagem por LANGLEY002 em Sex Nov 10, 2017 6:33 pm

KaiserLeomon escreveu:Uma sugestão no caso de Terriermon . Você poderia chamar sua evolução Ultimate / Perfect de " GoldRapidmon " pois se existe " BlackWarGreymon " não vejo problemas em se referir a Terriermon como " GoldRapidmon " na sua forma Ultimate / Perfect . Honestamente Pines ? Eu não desejo o que aconteceu para Katou para ninguém . Ela foi a grande sacaneada pelos roteiristas de Digimon Tamers . Ela de uma menina alegre que poderia ter se tornado uma das personagens principais da historia num estalar de dedos teve sua vida arruinada . Tudo bem que no final ela até superou ... Mas que foi uma tremenda sacanagem o que fizeram com ela foi sim . Eu honestamente espero que se por acaso tiver um personagem que sofra uma tragedia igual a ela que tenha um final muito mais feliz e digno que o de Katou . Mas enfim tudo bem .

O ponto é, as coisas acontecem. Leomon não foi o primeiro trauma de Kato e sorrir para todos e se esforçar tanto para ser gentil e alegre era a carapaça da personagem, a sua defesa. Leomon foi o golpe que rompeu com isso e abriu a fraqueza dela, tornando-a um alvo fácil para o D-Reaper. Não posso julgar o final dela como indigno. Em Tamers, nem tudo acabou bem. Todos foram forçados a se separar de seus parceiros, mas todos eles superaram os problemas causados pelo D-Reaper e a própria Kato superou os próprios problemas. Sem dúvidas isso poderia ainda a perturbar de alguma forma, mas é o que dizem "shit happens, but you're doing well". 

E ela é uma das personagens principais da história. Tamer ou não, a importância dela na trama está no mesmo patamar da importância dos três tamers protagonistas. 

De qualquer forma, Kato e Impmon realmente entram fácil para a lista de personagens mais desgraçados de Digimon.

(Rei Ayanami + Lain + Nia = Katou????)
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Re: Digimon Synthesis

Mensagem por LANGLEY002 em Sex Nov 10, 2017 10:18 pm

Capítulo 12: O pesadelo.


Uma mulher alta, vestida em trajes tradicionais japoneses, caminhou pelo piso de madeira. Bateu levemente contra a porta de correr, mas não houve resposta. Uma de suas filhas passava pelo corredor e viu a mãe.
– O Daiki ainda não acordou. – Disse a mãe.
– Eu acho que ele não está. – A menina levantava a perna para arrumar o tênis esportivo. – Estou saindo.
– Espere. Por que acha que ele não está?
– Ele tinha dito no jantar, não? – A menina parou no fim do corredor. – Uma amiga dele está doente. Ele deve ter saído cedo.
– Mas o Daiki sempre honra os avós. – A mulher levou a mão à boca. – Ele não acendeu o incenso.
– Ele podia estar com pressa. – Olhou para cima. – Ele parece se preocupar bastante com ela.
– Sabe o nome dela?
– Hamasaki Mako, eu acho.
– Hamasaki... Mako? – A filha desapareceu no extremo do corredor. Ela continuou ali pensando. – Será a filha daquela Hamasaki? O mundo não é terrivelmente pequeno? – Suspirou. – Não, não deve ser. Hamasaki só pode ser o sobrenome do pai.
 
 
 
 
Os dois meninos estavam esparramados nos bancos duros do hall daquele hospital. Mais que preocupados, estavam com sono. Os olhos tão moles que quase escorriam pela face, as olheiras tão grandes que pareciam mais bolsas roxas dependuradas nos rostos jovens. Daniel resmungou, jogou o tronco para frente e apoiou a cabeça com uma das mãos.
– Não dá pra ficar aqui. Isso tá me matando.
– Mas e se ela voltar pra cá?
– Dorumon pode encontrar a Mako. Ele conhece o cheiro dela. Eu não aguento esse tédio. – Se colocou em pé. As pernas e o estômago ardiam, indicativo de que tinha de se jogar numa cama macia e dormir até a noite cair.
– Você é confuso. – Disse Lunamon. Poucas pessoas estavam por perto para procurar pela voz feminina.
– E a Mako é... – O moreno apertou os punhos.
– Irresponsável? – A princesa levantou o rosto, ainda no colo de Daiki. – É verdade. Não deveria lutar naquela situação.
– Como ela pode ter sumido assim? – Seus olhos apontaram para a rua. Uma van preta estava estacionada. Homens em macacões cinzentos saíam para a rua movimentando os seus aparatos. Nas costas era possível ler “Secretaria da Defesa” e “Governo do Japão”.
– Daiki, talvez o Daniel esteja certo.
Mas quando o japonês balançou a cabeça afirmativamente, começando a concordar, duas meninas apontaram na entrada. Ele soltou um bocejo muito antes de conseguir se levantar. Os dois apertaram os olhos, que se tornaram muito sensíveis à luz por culpa da noite sem dormir. Mako e Sachi.
Sachi mexeu nos óculos, depois, inclinando-se na direção de Mako, arrumou o cabelo da menina que estava um pouco desalinhado. A empurrou com as mãos. Ela caminhou lentamente na direção dos meninos e Sachi seguiu logo atrás, mudando de direção ao ver Lunamon no sofá.
– Meu deus! Você é tão fofa! – Começou a apertar Lunamon que apenas gemia tentando reagir e escapar dos braços da garota.
– Sachi? – Daniel franziu as sobrancelhas.
– Ela sabe. – Falou Mako. – Ela viu o DarkTyrannomon. Todos viram.
Tinha razão. A TV noticiava a queda de um viaduto de Shinjuku a poucos quilômetros do hospital. Os moradores disseram ter visto duas criaturas gigantes brigando. Novamente inúmeras teorias eram transmitidas, inclusive a de que tudo não passava de uma jogada de Marketing para um novo filme japonês envolvendo kaijus.
– Não tem como conseguirem esconder dessa vez. – Disse Daniel.
Mako balançou a cabeça em afirmação. Lembrou-se do homem que a confrontara num estacionamento. Já faziam mais de duas semanas. Ainda não conseguiram resgatar Lazulitemon. A menina não queria ser quem conta sobre o sumiço de Terriermon também. Era um fardo muito pesado para ela contar algo tão desagradável a eles.
– Nós não conseguimos te salvar. – O moreno continuava a apertar os punhos. Mako não entendeu o motivo de ele fazer isso. Daiki apenas baixou os olhos.
– Pessoal, vocês não precisaram... – Tentou os animar, abriu um sorriso no rosto. – Eu e o Agu... Nós superamos isso. Eu me sinto... melhor. Muito melhor!
– Mas... – O alto ergueu o rosto. – Nós não fomos capazes...
– Do que estão falando.
– Twilimon. – Prosseguiu Daniel. – Esse Digimon estava em Trailmon. Ele brincou com a gente. Nem mesmo Masha conseguiu derrota-lo. E... – Teve um flashback, o momento em que suas mãos alcançam um rosto, o instante em que joga o capuz para trás e o cabelo escuro esvoaça. Um rosto. – Havia um outro, mas ele não era um Digimon. Ela era uma pessoa.
– Ela? – Lunamon escorregou pelos braços de Sachi. – Você não nos disse que...
– Porque eu não tenho certeza.
– De qualquer forma... – Daiki levantou o dedo indicativo, como se quisesse chamar a atenção do grupo. – Onde está o SlashAgumon.
– Eu o escondi em casa. – Sachi se espremeu entre os dois meninos para atravessar para o meio do círculo. – Ninguém vai descobrir ele, não precisam nem se preocupar.
Naquele momento a mãe da menina adentrava o quarto com as roupas dobradas. Ao se aproximar do guarda-roupas, percebeu que a porta tremia. Levantou uma sobrancelha, levou a mão lentamente e, antes que pudesse abrir, algo vestido numa pilha de roupas caí sobre ela. Começa a gritar.
– Você tem certeza? – Desconfiou Daniel.
– Sim! Melhor lugar possível! – A garota fechou os olhos numa expressão de convencimento. Até mesmo tirou os óculos em pose para melhor expressão de seu pensamento.
– Então... – Daiki enrubesceu. – Mako, você vai ficar no hospital ou... – Suas mãos tremiam. – Quero dizer... Se quiser... Bem, eu... Sabe...
Daniel deu um longo suspiro. Sachi o acompanhou nisso.
– Eu poderia ir com você para casa e...
– Meu avô pode ficar preocupado se souber que estava fora do hospital, mas.
– Nós... digo, eu e a Lunamon ajudamos a convencer ele de que recebeu alta e... – Gesticulava com as mãos. – E aí nós a levamos porque você... porque você...
– Não aguentava mais o tédio desse lugar. – O moreno manteve uma expressão de enfado ao levantar uma mão sugerindo.
– Se assim for, o Daniel vai ter que me levar. – Apontou Sachi. – Não quero ir sozinha.
– Todo mundo sabe que você mora pertinho daqui, Sachi.
– Não é verdade. São mais de quatro quarteirões se contei bem.
– Olha, nem pensar. Eu vou logo para casa. Estou morto de sono.
– Mas...!
O menino se afastava esticando os braços. Sachi deu alguns passos na direção dele, esticou um dos braços como se tentasse pegar algo no ar.
– Hey, Daiki, até mais. Tchau Mako... e... Sachi.
Enfiou a mão nos bolsos e continuou o caminho.
– Ele... Não acredito que ele... – Sachi bateu os pés no chão. – E ele quase não me deu um tchau. – Pulou estalando os sapatos no piso. – E foi tipo, o pior tchau!
Mako abafou um risinho ao colocar a mão na boca. Envolveu o ombro da amiga com uma das mãos.
– Tudo bem, vou precisar de mais do que um Daiki para convencer o meu avô.
– Mas eu vou ter mesmo que segurar uma v... – Interrompeu o que iria dizer.
– Segurar o que? – Gritou Daiki confuso.
– Não é nada.
Os dois olhavam com estranheza para ela.
– Ora, esses dois!
 
 
 
 
Um homem velho batia massa de pão. Mais dois empregados, muito jovens, o ajudavam. Estavam ali por um emprego de meio-período. Quando terminou, pediu que os dois continuassem o trabalho. Limpou as mãos e adentrou a casa por uma porta que havia no fundo da padaria, subiu as escadas e parou por um momento no quarto da filha, mesmo quarto em que sua neta, Mako, dormira durante aquele mês.
Fechou uma das mãos. Se perguntava o que poderia fazer em relação às duas. Queria que a esposa ainda estivesse viva para o ajudar naquilo. Não havia nada mais difícil para ele do que ver os problemas da filha e o quanto isso atingia a neta sem que pudesse fazer nada para mudar as coisas. E agora a menina estava doente. Se arrependeu do castigo que a deu.
Se entristecia em pensar que Mako parecia esconder algo dele, mas não a podia culpar. Não conseguia imaginar o quão difícil deveria ser para ela estar naquela situação. Qualquer comportamento que ele pudesse julgar como ruim era facilmente explicado pelo modo brusco com que a menina fora tirada do lar em Seattle para voltar ao Japão. Ter de se adaptar a um novo país, uma nova escola onde não conhecia ninguém.
 
 
 
 
Liam olhou para a tela do celular, o aplicativo de troca de mensagens aberto. O nome de Noriko aparecia no topo, junto de uma miniatura redonda de uma foto onde a professora aparecia olhando para o lado, a boca semiaberta. Não conseguia entender como ela podia ser tão bonita. Desde adolescente vivera entre pessoas de tantos lugares diferentes, mas ainda assim pensava que não havia alguém que pudesse a superar.
Talvez os seus sentimentos por ela fossem o que o impedisse de ver o quanto outras pessoas poderiam ser ainda mais belas. Tentava reprimir aquilo, mas só lhe fazia doer o peito. Usava os mais variados truques para convencer a si próprio de que não poderia continuar a amando, mas isso fazia doer ainda mais. Ele nunca fora a primeira escolha dela. A primeira escolha fora o irmão. A primeira escolha fora Finn, não Liam. Ainda assim a amava. Por quê?
Checou o endereço e o número do apartamento nas mensagens. Olhou em volta, viu a quantidade de pessoas entrando e saindo das lojas de tecnologia lá embaixo. Tomou forças e bateu na porta. Ninguém o atendeu. Bateu de novo. Escutou os passos apressados. Noriko abriu a porta, tinha os olhos muito cansados.
Logo atrás dela veio Sana, ainda se esforçava para vestir um short. Ele não pode controlar o impulso de a olhar dos pés à cabeça, se concentrando muito nas pernas pálidas e nuas que apareciam quase por completo naquela roupa. Noriko resmungou, bateu-lhe no peito.
– Idiota. – Disse baixinho. – É melhor parar de olhar pra ela desse jeito. Eu não vou aceitar que alguém como você toque na Sana.
– Ela é a Sana? – Se lembrou da menininha franzina dos tempos da Morpheus. Ela havia crescido muito, observou, talvez não tanto quanto a Noriko em altura, mas havia algum lugar em que crescera muito mais que Noriko. Os olhos se semicerraram ao olhar para o busto da outra.
– Eu já disse!
– Mas quantos anos ela tem?
– Eu? – Sana inclinou o pescoço por detrás de Noriko. – Tenho dezessete. – Deu um pulinho, levantou o dedo indicativo, sua expressão demonstrava a mais pura confiança mesmo com aquelas olheiras das noites mal dormidas. – Você deve se perguntar: e por que uma menina tão jovem vive sozinha em seu próprio apartamento com toda a liberdade de ir e vir sem a ditadura horrível de um pai, uma mãe ou um mentor qualquer? E a resposta é, essa menina tão jovem é extremamente responsável pelos próprios atos e ama a liberdade e o direito de ir e vir, não sobrando alternativa para os ditadores das regras familiares e patriarcais e os totalitários de todas as nações, escravos dos imperialistas americanos, senão a libertar com uma emancipação!
– Esquisita. – Sibilou ele.
– Que?
 
 
 
 
Mako parou na frente da casa do avô. Respirou fundo antes de abrir a porta. Atrás dela, Daiki se decepcionava consigo mesmo. A caminhada toda pensara em como poderia chamar a menina e falar sobre os seus sentimentos, mas em momento algum conseguiu. A todo instante Lunamon o cutucava e sussurrava sobre isso, pois tinha sido uma promessa no dia em que lutaram contra Ignifatumon. Já Sachi, o ficava beliscando e soprando algumas palavras, mas ele não entendeu nada.
Ficou olhando para o corpo da garota se movendo para dentro de casa, totalmente sem reação, até que Sachi o empurrou. Entraram logo atrás. Largaram os sapatos ali e subiram as escadas usando apenas as meias. O homem velho escutou o barulho e veio apressado pelo corredor que terminava na cozinha. Ficou paralisado ao ver a neta ali.
– Desculpe... É que... Eles me deram alta e...
– Nós a ajudamos a fugir do hospital... – Disse Sachi. – Estava muito chato lá. Ela foi na minha casa jogar videogame, tomar um banho quente e comer comida de verdade!
– Você fugiu do hospital?
A menina fechou os olhos com força.
– Senhor...?
– Hamasaki.
– Senhor Hamasaki, por favor, não fique bravo com a Mako. – Daiki fechou os olhos, inclinou o corpo em sinal de respeito e gritou o seu pedido. – Ela não fez nada de errado. Ela não teria saído se nós não tivéssemos insistido.
Mas o velho já se aproximava da menina, impetuosidade se manifestando nos passos. Ela abriu os olhos, um tremor percorreu o corpo, os olhos se arregalaram. Só não era esperado que ele a abraçasse. Aquele cheiro de um perfume amadeirado misturado à manteiga e à farinha que usava para fazer os pães.
– Vovô? – O avô começou a chorar. Os outros dois deram alguns passos para trás. – Por que você está chorando? – Mako fechou os braços nas costas dele. – Eu estou bem, não está vendo? Não está...vendo? – Em algum momento, nem mesmo ela conseguiu se conter. – Me desculpa por tudo... Eu sei que não sou uma boa menina...
 
 
 
 
– O que é a evolução? – Sussurrou Daniel. Olhava para as árvores do parque. Dorumon deitava como um cão, ali no chão. Levantou as orelhas na direção do parceiro.
– Por que está perguntando isso?
– Não sei. – Deu uma longa aspiração. Quando soltou o ar dos pulmões, continuou: – Estive tão confuso esses dias. Eu me pergunto sobre a natureza de tudo, mas então eu não encontro nenhuma resposta, eu só encontro mais perguntas.
– Isso tem a ver com a nossa última luta?
– Também, mas... Aruraumon, me lembro de quando a confrontamos antes de conhecermos a Mako. Tudo que ela desejava era ficar mais forte para proteger a Ellada. E então ela evoluiu, mas isso não a fez se sentir melhor. Ela apenas queria buscar mais e mais... – Apertou o tecido grosso da calça. – Ela forçou Lazulitemon por querer ficar mais forte, por querer evoluir mais. Quero dizer, é assim a vida dos Digimon.
– Nascemos para lutar e evoluir. – A voz de Dorumon parecia triste ao dizer isto.
– E será assim a vida dos humanos também?
Se levantou.
– Por quê?
– Talvez seja porque só sabemos viver assim.
Entendeu que o amigo estava certo. Só sabiam viver daquele jeito, só sabiam viver buscando o inalcançável. Seria isso a evolução? Então o sentimento que o acometia de tentar encontrar a pessoa encapuzada poderia ser também o sentimento de buscar a evolução de alguma forma?
Não compreendeu por qual razão se encontrava pensando naquele momento em que empurrara o capuz. A cena se repetia sem parar em sua cabeça. Não era medo, não. Não era um temor, embora se assemelhasse muito. Estava tão confuso com tudo aquilo.
– Então sempre que eu buscar por algo, estarei buscando a evolução.
– Acho que sim... – Sibilou o Digimon. – Mas nem toda evolução é boa, não é mesmo?
Também tinha aquela incerteza. O que poderia acontecer se, ao lutar junto de Dorumon, conseguisse evoluir mais, como fizera Masha, a menina russa, junto de Kudamon? No fundo, algo lhe assustava na aparência de Dorugrowlmon, então será que o amigo se perderia de alguma forma, teria uma evolução que o transformasse em algo completamente diferente daquilo que era agora, afastando tudo que os fez se aproximar um do outro?
Não gostava de pensar em nada daquilo, não gostava de pensar no sentido da evolução, nos resultados da evolução e nem mesmo na pessoa de capuz. Queria apenas dormir e esquecer de tudo.
–  Eu vou para casa.
–  Tudo bem. –  O Digimon balançou a cabeça.
–  Quer que eu vá com você até a escola?
–  Não precisa. –  Abaixou as orelhas. –  Eu vou sozinho. Não precisa se preocupar, ninguém vai me ver.
–  Uhmm... Certo.
Daniel percorreu a trilha em direção à saída do parque. Ao chegar na rua, olhou para cima. Mesmo ali de Shibuya era possível ver o prédio do governo, o lugar onde as nuvens se concentraram, o lugar onde Mako lutou e venceu um inimigo enorme e destrutivo. Há algum tempo pensara que a menina fosse frágil demais. Estava errado, ele era o único frágil demais.
 
 
 
 
– Hey, Daiki! – A menina de óculos tinha irritação na voz. – Por que você não falou? Por que você não falou?
– O que eu não falei?
– Você sabe muito bem, Daikiiiii! – Empurrou o ombro do menino.
– E por que você queria que o Daniel a levasse pra casa?
A menina parou de andar. Baixou a cabeça. O garoto deu alguns passos antes de se voltar para ela. Lunamon se agitou em sua mochila.
– Qual é o problema daquele... – Bateu o pé. – Depois ele vem dizer que ninguém gosta dele! É isso que ele vem dizer!
– O que?
– Ah, você me diz uma coisa dessas! – Levantou o rosto, se inclinou na direção do garoto, deu um soquinho no peito dele com a parte de baixo da mão. – Agora vem falando como se não soubesse?
– Você...?
– Sim... Eu acho.. Eu não sei, tá bem? – O menino a fitou nos olhos. – É só que, mesmo que ele seja daquele jeito, ele sempre escuta a gente como ninguém, não é? É o amigo que todos precisam e não sabem.
Daiki sentiu uma pontada. Era culpa? Não soube dizer. Franziu as sobrancelhas, a boca se abriu um pouco. Ficaram parados ali, os dois, aquelas expressões que ninguém sabia definir o que eram.
– Esquece. – Retomou o passo, passou pelo garoto. – Não precisa vir comigo.
– Se você está indo para o parque... Bem, eu moro em Shibuya.
– Você tem que ir.
– Por quê?
– Você passou a noite inteira fora. Que tipo de aluno e filho exemplar é você?
A mesma pontada. Ficou ali, paralisado, enquanto Sachi se afastava.
– Exemplar... – Parando para pensar, realmente obedecia a todas as convenções. Fez tudo para que os pais se sentissem orgulhosos dele e mesmo quando tinha um pensamento contrário ao dos amigos, nunca se manifestou, nunca defendeu o seu ponto. Era por isso que Daniel o odiava, era por isso que Daniel o culpava. Ele assistiu a tudo e não fez nada.
– Daiki... – Chamou Lunamon.
– Sim? – Esfregou os olhos, sorriu para a princesa por cima dos ombros.
– Não é nada. Deixa pra lá. – Ela balançou a cabeça.
 
 
 
 
Quando Daniel chegou em casa, ainda eram onze horas. Foi para o quarto e se deitou de bruços, o rosto afundou no travesseiro, os pensamentos não cessavam de forma alguma. Quando sua visão se apagou, sonhou com Mako e SlashAgumon vencendo Twilimon, mas depois a menina se desmanchou e a pessoa encapuzada apareceu e a máscara de Twilimon saltou de dentro dela, um riso frio o fez congelar a espinha. Olhou para as mãos e estavam atadas, imóveis.
O Digimon desapareceu e havia um espelho, no espelho ele não via o próprio rosto. Ele não sabia o que via, mas não era o próprio rosto. Então Dorumon gritava, mas ele não entendia o que Dorumon gritava. Tantas vozes familiares passaram por ele, incluindo Daiki e Sachi. No fim ele era apenas um menino chorando e umedecia as pernas de Noriko, ela acariciava a sua cabeça.
Acordou assustado. Ouviu o pai gritando algo.
– Esse menino fica o dia inteiro dentro dessa casa e não faz nada.
Queria voltar a dormir, mas não conseguiria. Se levantou e checou o horário no celular, foi até a cozinha e preparou o prato com o que encontrou. Quando voltava pelo corredor, a mãe surgiu, atônita, era baixa e morena, como ele, o cabelo liso escorria sobre os ombros.
– O que você está fazendo?
– Vou jantar no quarto.
– Jantar no quarto? – Ela o balançou para que a olhasse no rosto. – O seu pai está...
– Eu sei. Ele está desanimado comigo, não é mesmo? Está desanimado com o péssimo filho que tem!
Se virou rápido, correu para o quarto e bateu a porta. Pousou a comida sobre a mesa do computador. Ligou o aparelho, pensou se iria jogar. Desistiu. Abriu o navegador da internet e acessou um site, a interface toda roxa e branca. Se chamava Twitch. Pink LopLop estava ao vivo naquele momento.
A menina apareceu no canto superior do vídeo assim que conseguiu carregar a transmissão. Ela tinha pintado listras rosa nas maçãs do rosto para se parecer com D.Va, personagem de Overwatch. Por um breve momento pensou ter visto um Digimon muito semelhante ao Terriermon no quarto da moça, mas se convenceu de que estava errado. Provavelmente era apenas algum brinquedo de pelúcia baseado em um coelho.
Se perguntou onde é que Terriermon estava. Não o via desde ontem. Quando terminou de comer, se deitou. O vídeo ainda estava aberto e ele o assistia dali da cama. Via os movimentos da garota dentro do jogo e a o seu rosto, ouvia sua voz, sempre muito expressiva, sempre esbravejando ou brincando sobre as jogadas dela e dos outros.
Sentiu um vento fresco entrar. A cortina se balançou. Nem havia percebido que a janela estava aberta. Se levantou para fechar, mas se deparou com olhos púrpura o observando através de um capuz. Seu coração se acelerou, não soube como reagir à invasão.
– Como você me encontrou? –  Ela se estremeceu quando as suas mãos se ergueram. Não compreendia, ele é quem deveria estar com medo. –  Por que está aqui?
Estava imóvel na frente dele. Respirou fundo, começou a se aproximar, mas ela se afastou. A voz de Pink ecoava pelo quarto, os sons dos tiros dentro do jogo contribuíam para o agitar. “Vai explodir!” gritava um dos personagens. A explosão se seguia. A pessoa encapuzada quase pulou para trás ao escutar.
– Não chegue perto de mim... – Disse. Não tentou disfarçar a voz. – Não toque em mim... – Levantou as mãos. – Não fique em cima de mim também... Eu não gosto. Não gosto. – Levou as mãos a cabeça. – Eu não gosto!
Saltou na direção dela, forçou a mão contra onde pensava estar a boca. Olhou para a porta, ninguém havia escutado. Se aliviou, a soltou. Agora via nitidamente os olhos. Pareciam escuros da outra vez, mas eram púrpuras.
– Eu disse pra... não chegar... perto de mim... – Deu um, dois, três passos. – Quem você pensa que é?
– Ei, dá um tempo... – Franziu o cenho. Fitou os olhos grandes e de cor incomum. – O que há com você.
– Comigo? Eu... não sei.
– Você está bem?
– Eu não tinha ninguém para... procurar. Eu não deveria estar aqui...
– Ei, certo. Não se preocupa. Nada contra você descobrir o meu endereço e invadir o meu quarto. – Balançava as mãos lentamente tentando acalmá-la. – Não é grande coisa... – Levantou as sobrancelhas, balançou o rosto. – Mesmo. – Foi chegando mais perto. – Se você não tem ninguém ou... se quer conversar... sei que estamos dispostos a fazer isso sem violência, não é? – Ergueu os ombros enquanto questionava.
– Onde eu estou? – Parecia acordar de um transe. – Você! – Fechou os punhos. – Você!
– O que? – Teve de se desviar rápido quando ela pegou algo no criado e jogou nele. Tinha pouquíssimo espaço no quarto, mas fez o que pode para se aproximar. Segurou o braço da pessoa encapuzada.
– Twilimon! Twilimon!
Seu coração acelerou ainda mais. Sentiu como se uma pedra de gelo fosse posta dentro de suas roupas e escorregasse de uma extremidade até a outra extremidade das costas. Não demorou muito para que um vulto vermelho brotasse da sombra no teto e girasse no ar, caindo abaixado, todo espremido. Encarou a máscara tremendo. O cavaleiro enrolou a menina em sua capa e afundou. Onde ele estava ficou apenas o ar frio, como se a própria morte tivesse respirado o ar de seu quarto.
Caiu de joelhos, apertou o peito com as mãos. Arfou. Tudo em torno dele parecia se distorcer, a imagem do criado, da cama, da cadeira e da mesa. Ao virar o rosto, viu que o vídeo de Pink LopLop também se distorcia, a voz dela também se distorcia. Toda a realidade se distorcia. Se levantou, foi trôpego até a cama, afundou o rosto no travesseiro.
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Re: Digimon Synthesis

Mensagem por LANGLEY002 em Sab Nov 11, 2017 2:04 am

Capítulo 13: As Crianças de Tokyo.


Mako acordou num sobressalto com o despertador. Já faziam alguns dias desde que SlashAgumon batalhara contra DarkTyrannomon. As escolas de Shinjuku já haviam voltado a funcionar normalmente há algum tempo, mas logo viriam as férias de verão. O calor não mentia.
Enquanto tirava as roupas para o banho, a menina pensava em como as coisas estiveram calmas nos últimos dias. Daiki a estava tratando como sempre, atencioso e calmo, Sachi estava alegre e brincalhona, apenas Daniel era distante. Talvez o menino sempre tenha sido assim, só não teve antes um tempo para recuperar o fôlego e observar com mais atenção.
Seja como for, não deve ter trocado mais que duas palavras com ele na semana toda, mas no grupo criado por Sachi no aplicativo de mensagens, ele avisou que tinha algo importante para falar. Se reuniriam com a professora Noriko depois da escola. Como ponto de encontro decidiram o clube de cinema.
Ela afundava metade do rosto na água morna da banheira. Assoprou, as bolhas de ar subiram e expandiram a espuma do sabão. O que viria a seguir?
 
 
 
 
Daniel rabiscava aleatoriamente durante a aula de história. Mako olhou por cima, conseguiu ver algumas figuras históricas aparecendo num traço todo exagerado, como se sua ideia fosse realmente a de torna-las cômicas. Na mente dele, não havia nada daquilo, só o fazia porque não sabia ficar sem fazer. O último sinal tocou.
Ela ficou esperando no corredor até a multidão de alunos se dissipar. Ficaram apenas Mako, Daniel, Daiki, Sachi e... Uma outra menina os observava. Saíra de outra sala. Tinha a mesma idade deles. Ela deu um sorriso e acenou. Daiki pensou em levantar a mão, mas não o fez, Sachi só balançou a cabeça, Daniel foi o único que realmente acenou de volta, embora parecesse totalmente alheio.
Mako ficou pensando se deveria ou não, mas, quando se decidiu, a menina já havia se virado. Caminhava em direção as escadas para descer até o térreo. A mão da garota ficou ali, levantada atoa, sem balançar nem nada. Puxou a mão de volta e sentiu-se arrepiar ao imaginar que todos poderiam estar olhando para ela.
Os quatro seguiram em silêncio para a sala do clube de cinema. Sachi ficava se espremendo entre cada um deles e dando pulinhos. Ela queria mesmo quebrar o gelo, mas não sabia se era um bom momento. Quando chegara, professora Noriko já esperava. Conversava com Dorumon. SlashAgumon também estava lá e comia enquanto Lunamon descansava em suas costas.
– Ah, então era você... – Olhou para Daiki.
– Eu? – O menino olhou para trás pensando que a professora pudesse estar falando com outro.
– Ah. – Ela coçou a cabeça e fechou os olhos, deu um sorriso sem jeito e retomou. – Só pensei que havia mais um menino. Não imaginava que poderia ser você.
– Mas professora, você não deve ter visto, eles três sempre guardando segredos! – Gritou Sachi. – Eles não queriam me contar.
– A Sachi viu o SlashAgumon lutar contra o DarkTyrannomon. – Disse o dragão amarelo.
– É, ela nos viu. – Mako se sentou.
– É normal que eles não quisessem contar. – Fitou Sachi. – Deve ter percebido pelo estrago que o DarkTyrannomon fez o quanto isso tudo pode ser perigoso.
– Sim, mas... – Sachi abaixou os olhos. – Eu queria fazer parte também. Eu não queria ser deixada de lado.
Mako nunca pensou que a menina se sentisse deixada de lado por alguém e não gostava de a fazer se sentir daquele jeito. A entristecia saber que manter os Digimon em segredo tinham parte naquele sentimento. Ela não podia ter contado a amiga. Era impossível fazer isso.
– Mas eu vou me tornar uma... Uma... – Olhou para cima. – Qual é o nome disso?
– Bem... Nós não sabemos também. – Mako deu de ombros.
– Dentro da Morpheus nós chamávamos de tamers aqueles que tinham um vínculo com os Digimon concretizado através de um Digivice. Sei que um termo que signifique domador pode parecer estranho, mas sempre pensei que isso era basicamente porque os Digimon que não viviam ao lado de humanos estavam sempre lutando compulsivamente para obter dados.
– Então vou me tornar uma tamer e vou ser ainda mais forte que a Mako!
– Eu não sei se sou forte como você pensa.
– É claro que você é. – Lunamon escorregava pela cauda de SlashAgumon, ele a jogava de volta num impulso e ela repetia o movimento.
– Se nós formos uma equipe, a Mako é o elo mais forte. – Daiki balançou a cabeça.
– De qualquer forma, será que isso ainda é válido? – Todos se viraram para Daniel. O menino estava quieto há tanto tempo que o único a lembrar que ele estava presente era Dorumon que o observava desde que chegaram. – Digo, os Digimon parecem estar muito organizados.
– De fato. – Noriko se levantou, ficou atrás de Daniel e botou as mãos nos ombros dele. – E então, por que nos reunimos aqui?
– Isso não é comigo.
Dorumon se levantou. SlashAgumon e Lunamon pararam de brincar.
– Primeiramente, eu consegui localizar a Ignifatumon. Ela está em alguma parte do Mundo Digital, o que facilita as coisas para nós que seríamos obrigados a voltar ao nosso mundo. – As orelhas balançavam. Não tirava os olhos de Daniel. – E minha mensagem foi finalmente respondida. O nosso ponto de coleta é na cabana abandonada nos fundos da escola. Eu, Lunamon e SlashAgumon partiremos no próximo domingo às dez da manhã.
– No domingo? – Mako apertou o pano da saia entre os dedos. – Está tão perto.
– SlashAgumon queria mais tempo para ficar com Mako.
– Eu também queria mais tempo para estar com o Daiki.
– E o que vai ser depois? – O moreno ergueu a voz.
– Como assim? – Mako o encarou nos olhos.
– Será que não pensam em... como farão para evoluir?
– Os Digimon tem a capacidade de evoluir naturalmente. – Respondeu Dorumon. Depois balançou a cabeça muito arrependido de ter dito.
– E acha mesmo que os inimigos que você fez irão esperar você juntar dados e evoluir para virem até você? – O menino bateu as mãos sobre a mesa.
– Daniel... – Daiki tentou tocá-lo, mas o menino logo afastou as mãos do japonês que, desajeitado sobre as pernas compridas, quase caiu.
– O que é? – Gritou para o outro garoto.
– Nós também estamos tristes com isso. – Mako abaixou a cabeça. – Não precisa falar assim com a gente.
– Se estão todos tristes com isso, por que não fazem nada? – Virou a mesa. A menina se afastou rápido, pulando da cadeira. A mesa estralou no chão ao cair.
– Como você pode dizer isso? – A menina não conseguia entender o que a levou àquilo. O que a levou a apontar o dedo daquela forma para Daniel, o braço tão firme, a postura tão agressiva. – Nós só temos o nosso próprio jeito de responder a isso.
– Vocês não entenderam nada. – Se inclinou sobre Mako, a menina estremeceu por um instante, mas Sachi interveio se colocando na frente da menina. – Eu não vou ficar aqui parado. Eu já me decidi.
– Daniel, por favor. Não só você, os três. Não, os quatro. – Suspirou. Apontou Daniel com o indicador, balançou a cabeça e o dedo oscilou para Mako e Daiki também, enfim se lembrou de Sachi, onde seu dedo parou. – Vocês fizeram tudo o que podiam. Vocês defenderam seus amigos e essa cidade. Se não fosse a Mako, por exemplo, estaríamos numa crise ainda maior. – Baixou os olhos, depois os levantou de novo. Ergueu o queixo. – Mas agora é hora de deixar isso como os Digimon e os adultos.
– E o que os adultos podem fazer? – Era a primeira vez que Daniel levantava a voz para falar com a professora. Ela sentiu uma pontada no peito. Não queria que as coisas fossem assim, não queria agir como o Liam, ainda mais porque ela também duvidava que os adultos seriam capazes de fazer alguma coisa em relação a tudo aquilo que ocorria, incluindo a declaração de guerra da Ellada. –
– Ele está certo. – Sibilou Daiki.
– Sim. Ele está. – Mako também levantou o queixo. – Os nossos parceiros precisam da nossa força para lutarem contra a Ellada.
– E o Mundo Real precisa da nossa força para resistir a Ellada. – Continuou a princesa. – Agora somos interdependentes.
– Nós vamos para o Mundo Digital. Nós vamos para o Mundo Digital juntos de nossos amigos Digimon. – A voz de Mako saiu forte, ela se parecia com aquela Noriko que surgia para dar rumo as coisas, para comandar os alunos. – Nós vamos lutar ao lado deles!
– Nem ferrando que vou ficar aqui enquanto vocês lutam. – Daniel olhava para Dorumon.
– Eu também vou. – Daiki cerrou os punhos. – Nós vamos vencer a Ellada juntos.
 
Quando saíram da sala e Noriko se despediu, Mako se lembrou de Terriermon. Teria de dizer agora, antes que não tivesse mais chance. Ela parou enquanto os outros caminhavam e Sachi foi a primeira a notar, mas logo a menina chamou e todos eles se viraram.
– Pessoal...
– Mako? – Daniel franziu as sobrancelhas. Talvez aquele fosse mesmo um costume dele, pensou a menina. Segurou um riso.
– Sim? – Daiki já a encarava também.
– O Terriermon...
– Quem?
– O que tem ele? – Disse Dorumon. – Ele está um pouco sumido, mas logo ele aparece.
– Sim. Ele tem dessas. – Completou Daniel. – Logo ele está de volta.
– DarkTyrannomon não foi o único que desceu do céu de Shinjuku naquele dia. – A menina se lembrou do momento em que levantou o Digivice e viu o nome do Digimon que Terriermon confrontara ao evoluir. – Havia um outro Digimon. O Digimon que trouxe a declaração de guerra da Ellada. Medusamon.
– Você só pode estar de brincadeira... – O rosto rosado de Lunamon empalideceu.
– De todos, logo ela... – Os dentes de Dorumon ringiram. – A mais temida dos Cinco Generais da Ellada. A queridinha do rei.
– Ela é o único Digimon de nível mega dentro da cidade além do capitão da muralha, Wargreymon. Ou ao menos era quando eu ainda vivia nos palácios. – Lunamon levou a mão ao queixo. – Mas já faz uns dois anos. As coisas certamente mudaram muito entre eu ser retirada dos palácios e buscar refúgio no Mundo Real.
– Mas o que aconteceu com o Terriermon? – A boca de Daiki se abriu. – Não vai me dizer que ele...
– Eu não sei... Eu não sei...
– O Terriermon evoluiu e levou a Medusamon para o outro lado. – SlashAgumon tomou a dianteira de Mako.
– É! Ele atingiu a forma perfeita e atacou a Medusamon.
– Isso é mais um motivo para irmos. O Terriermon é nosso amigo. – Apontou Daniel. – Se não fosse por ele, as coisas teriam piorado muito com Ignifatumon.
 
 
 
 
 
O menino não sabia exatamente como faria para se despedir dos pais, sabia apenas que tinha de bolar uma forma. No sábado de manhã bateu no quarto da irmã, ela se trocava para sair com alguma amiga. A abraçou e ela não entendeu.
Nunca havia confrontado os pais, então decidiu que escreveria sobre tudo. Fez uma carta onde contava sobre Lunamon, o tempo que ela passara ali, a mensagem de Dorumon para ela que era uma princesa, a chegada de Mako e SlashAgumon e as batalhas perigosas em que estiveram para defender os amigos e a cidade.
Pediu a irmã que entregasse a carta, mas, para ela, ele decidiu contar. Para que a menina acreditasse nele, trouxera Lunamon até o quarto.
– O que você está dizendo, Daiki? – A menina o olhava assustado.
– Tudo o que ele diz, é verdade. – Olhou assustada para a voz infantil e feminina, viu a Digimon coelha arrastando as barras de um vestido pelo chão. Mesmo com o impulso inicial de gritar, se comoveu com a aparência fofa dela. – E agora nós todos estamos indo ao Mundo Digital. Nós iremos salvar a Terra o derrubar a Ellada.
– Mas se essa Ellada é tão poderosa... Se essa Medusamon é tão forte... E aquele Twillimon... – Os olhos da menina começaram a se umedecer. – Você não pode ir, Daiki. O meu irmãozão não pode ir.
– Desculpe, Tamiko. – Abraçou a irmã. – Eu tenho mesmo que ir.
– Eu sei que eu fui muito má com você... Eu sei que sempre reclamei com a mamãe e o papai por gostarem mais de você, mas eu nunca quis que você fosse embora. Você tem que ficar, nii-san...
 
 
 
 
– É, parece que sou mesmo um péssimo filho.
Daniel não tinha ideia de como poderia dizer aos pais. Decidiu fazer o que sempre fizera com tudo em sua vida: guardar para si. Cada problema pelo qual passou, passou sozinho. Por que é que agora teria de ser diferente? Os pais nunca lhe deram ouvidos mesmo. Abriu a mochila, começou a dobrar as roupas e guardar, deixando um espaço para colocar alguma coisa para que ele e Dorumon comessem antes de encontrarem comida no Mundo Digital.
Quando terminou, respirou fundo. Sempre pensara em fugir de casa, a ideia não parecia ser só libertadora, como romântica. Fazer aquilo que vira algumas vezes retratado nos seus livros e mangás era uma ideia que o deixava bastante excitado. Era assim que encararia a sua viagem ao Mundo Digital. Estava fugindo de casa. Quem foge de casa não conta aos pais.
Escreveu apenas um bilhete muito curto para os pais. Sabia que aquilo seria completamente distorcido quando lido, mas mesmo que enchesse de detalhes não conseguiria fazer com que entendessem. Naquela noite iria para a cama cedo, acordaria com tempo de sobra para preencher a bolsa com comida, mas faria isso indo nas lojas de Shibuya, não queria dar nenhum sinal aos pais.
 
 
 
 
– Vovô. – Mako chamou o avô enquanto ele via TV.
– Diga, Mako. – O avô olhou para ela, ainda sentado.
– O que estão dizendo sobre os monstros na TV?
– Disseram muitas coisas sobre eles. – Se inclinou para pegar a xícara de chá. – Por quê?
– Você não acredita que eles existam? – Se sentou ao lado dele, juntou as mãos e apertou os dedos.
– Não tenho certeza. – Bebeu um gole do chá. – Algum problema, Mako.
– Desculpe por esconder isso de você... – Levantou o rosto. SlashAgumon apontava no corredor. – Um deles é meu amigo. Quando eu saí do hospital, na verdade eu fiquei a madrugada toda fora. Nós lutamos juntos para vencer um invasor. Ele queria destruir essa cidade, ele queria machucar as pessoas. – Os olhos dela estavam trêmulos.
– Do que você está... – Antes que terminasse, avistou o réptil. Seu corpo todo foi acometido por um choque. – É... é ele?
– Sim. – Balançou a cabeça. Os olhos cerrados. – O monstro que as pessoas viram naquele dia era a sua evolução. Acontece quando eu e ele unimos nossas forças através do meu Digivice.
O velho levantou devagar, se aproximou de SlashAgumon que o encarava com um olhar inocente, os olhos verdes seguindo cada movimento do avô de Mako.
– Qual é o seu nome?
– Eu sou SlashAgumon.
– Tem mais uma coisa. – Se pôs de pé. – O SlashAgumon e eu, nós vamos para o mundo de onde aquele monstro veio.
– O que?
– SlashAgumon vai proteger a Mako. Vai proteger a Mako com a própria vida.
– Eu sei que isso pode ser difícil, mas preciso que confie em mim e que não diga nada para a mamãe ainda. – Os olhos desceram ao chão.
– Então era isso o tempo todo...
– Eu tenho de deixar claro, você não pode me impedir de ir. Eu já decidi. Eu não posso... deixar... você ou a mamãe... me impedirem.
As lágrimas rolaram. A menina percorreu a sala e atravessou o corredor esfregando os olhos, SlashAgumon queria a seguir. Acenou para o avô da menina e foi atrás. Fecharam a porta do quarto. O velho não sabia o que fazer. Eram informações demais para que ele processasse sozinho. Ficou pensando novamente na esposa, como gostaria que ela estivesse ali.
Mako, ainda chorarando, começou a arrumar as mochilas, aquela que Daniel havia pego no parque antes de se conhecerem e uma outra em que colocaria apenas comida. SlashAgumon dissera que a ajudaria a carregar. Quando terminara, ela apagou as luzes e se enrolou nos lençóis. Cansada como estava pegou logo no sono. Nem mesmo viu quando o avô adentrou o quarto e acariciou a sua cabeça. Não a queria deixar ir. Não queria. Ela tinha de ficar ali, onde estava segura.
 
 
 
 




Se aproximava das dez horas da manhã quando Sachi chegou à escola. Foi a primeira. Se dirigiu logo para os fundos com um pão na boca e uma caixinha de leite na outra mão. A mochila da garota era enorme e muito cheia, do tipo que ninguém entendia como a menina faria para carregar. O próximo a chegar foi Daniel, acabara de terminar de comprar tudo o que julgava necessário. Dorumon o aguardava deitado na beira da cabana.
– Ei, Dani-chan! – Sachi acenou.
– Oi... Sachi... – O menino desviou o rosto, mas retribuiu o aceno. – O que você tá fazendo aqui?
– Eu já não disse que não quero ficar de fora da gangue de vocês? – A menina levantou os óculos sorrindo e piscou ao que o menino fez uma cara de enfado. – Eu vou ser uma tamer igual a vocês... Você vai ver.
– Isso não é uma brincadeira, Sachi?
– Dorumon, acha que estou pensando que é uma brincadeira. – O Digimon fora tirado de seu transe quando a garota chamou seu nome. – O seu tamer realmente pensa assim! Como ele pode?
– Hey! Hey! – Daiki chegou correndo com Lunamon nas costas. – Está quase na hora, não é? – Puxou o celular para verificar.
– Wow... Todos aqui... –  A princesa apareceu sobre o ombro do japonês. Só falta a Mako e o Agu.
– Não. Não falta ninguém! – Mako derrapou os pés sobre o gramado. SlashAgumon fez o mesmo, mas tombou caindo de queixo. Ela deu um gritinho de susto antes de o ajudar a se levantar. – Ei, tudo bem?
– SlashAgumon está bem, não foi nada.
– É, estamos prontos! – Sachi levantou o braço, o punho fechado. – Vamos com tudo para o Mundo Digital!
– Ei, Daiki, o que é isso? – Daniel apontava para as roupas de Daiki.
– O que tem?
– Sério... Espero que tenha outro tipo de roupa. Essas suas calças de líder religioso e essa sua camisa vão te segurar muito.
Mako e Sachi começaram a rir.
– Líder... religioso? – Franziu o cenho. – Isso não vai ser nenhum problema. É você quem usa calças apertadas...
– As minhas calças não são...
As meninas continuaram rindo.
– Vocês duas, o que foi? – Gritaram os dois em uníssono.
– No fundo os meninos são todos iguais. – Lançou um olhar insinuativo sob os óculos, Aiko respondeu com o mesmo olhar.
– Tem toda a razão.
– Olha lá! – SlashAgumon apontou para um círculo de luz que surgia, os padrões aparecendo no ar.
Estavam prestes a entrar quando escutaram uma voz.
– Vocês vão mesmo sem se despedir de mim?
– Professora Noriko! – Gritaram todos.
– Por favor, retornem. – Puxou algo no bolso. – Isso é para vocês. – Jogou um aparelho no ar. – Temo que celulares não irão funcionar.
Mako conseguiu agarrar o objeto.
– Mas isso... ele foi feito para isso.
O nome “Morpheus” estava gravado em grandes letras prateadas do lado de trás do aparelho.
– Obrigada. – A menina parou de frente para Noriko, um sorriso de agradecimento no rosto.
– Ei, menina, vamos. – Noriko fechou os olhos. – Já está na hora. Boa sorte.
Mako balançou a cabeça afirmativamente, se juntou aos outros. Todos acenaram antes de entrarem no círculo de luz. Quando entraram, todas as coisas começaram a se distorcer e perder a forma, jamais poderiam esquecer de uma viagem tão turbulenta quanto aquela.
– Então é isso. As novas crianças. – Liam tocou no ombro de Noriko. – Espero que esteja certa sobre isso.
– Eles darão conta. Eu sei que darão. – A mulher apertou as mãos. – Agora vamos. Temos muito trabalho para fazer.
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