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Digimon Adventure: 30 Memórias Perdidas

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Digimon Adventure: 30 Memórias Perdidas

Mensagem por Rayana em Qui Set 01, 2011 9:06 am

Ok people, para quem nunca ouviu falar das "30 memórias perdidas", vai uma info: isto é uma compilação de one-shots sobre Digimon Adventure 01 e 02; quase todas centradas no Taichi, Sora e Yamato ou personagens no geral que eu curto. Algumas one-shots fazem relação umas com as outras, mas nem sempre. Por isso, podem ler sem problemas.

Digimon Adventure: 30 Memórias Perdidas



INDEX de One-Shots

    1ª memória: Cartas Perdidas I [Rank +9, Yamato, Zero Two]
    2ª memória: Frio como Gelo [Rank +9, Taichi e Yamato, depois de Zero Two]
    3ª memória: O Primeiro Silêncio [Rank +9, Taichi, Sora e Yamato, depois de Zero Two]
    4ª memória: França! [Rank +9, Taichi, Sora e Yamato, depois de Zero Two]
    5ª memória: Tenebra * [Rank +14, Taichi e Yamato, depois de Zero Two]
    6ª memória: Invasão [Rank +9, Daisuke e Ken, depois de Zero Two]
    7ª memória: Lux * [Rank +14, Taichi e Yamato, depois de Zero Two]
    8ª memória: Doce irmã [Rank +9, Taichi e Hikari, depois de Zero Two]
    9ª memória: Perseguição [Rank +9, Taichi x Sora, depois de Zero Two]
    10ª memória: Regressão [Rank +9, Taichi, depois de Zero Two]
    11ª memória: Luta interior [Rank +9, Taichi e Hikari, depois de Zero Two]
    12ª memória: Ad Lux Tenebrae * [Rank +14, Taichi x Sora x Yamato, depois de Zero Two]
    13ª memória: Dia de chuva [Rank +9, Taichi, Sora e Yamato, depois de Zero Two]
    14ª memória: Matemática [Rank +9, Taichi e Yamato, depois de Zero Two]
    15ª memória: Continuidade... [Rank +9, Jun Motomiya, depois de Zero Two]
    16ª memória: Ab initio * [Rank +9, Taichi, Agumon, Hikari e Takeru, depois de Zero Two]
    17ª memória: Destino [Rank +9, Gennai, Kentarumon, Piemon, antes de Adventure]
    18ª memória: Laços [Rank +9, Taichi, Agumon, Tailmon e Yamato, início de Zero Two]
    19ª memória: Um pedido estranho... [Rank +9, Taichi, Yamato, depois de Zero Two]
    20ª memória:


* = estas oneshots passam-se no mesmo universo




1ª Memória

Cartas Perdidas I ~ Memórias do Futuro


"O mundo é pequeno… talvez por isso ninguém pense muito nele. Quando eu era mais novo, também não pensava muito nas reviravoltas que o globo pode dar quando não prestamos muita atenção e, sem querer, lhe damos um encontrão...

Foi exactamente o que aconteceu há seis anos. Nessa altura vivíamos em Hikarigaoka. Era eu um miúdo de oito anos que sorria como um idiota e que nunca largava a mão da mãe. Frequentemente testava-lhe a paciência para me comprar doces. Quando ela se recusava, eu resmungava e fazia birra… Mas, de vez em quando, era bem recompensado: quando partilhava os meus doces e brinquedos com o meu irmão mais novo, a mãe apreciava sempre o gesto. E nessas alturas ela dava-me o melhor presente de todos... o sorriso dela. Eu costumava adorar o sorriso da minha mãe. Era eu um rapaz mimado… como o meu irmão.

Assim foi Ishida Yamato.

Mas foi naquele dia, no Verão de Hikarigaoka, que as coisas começaram a mudar. Foi no dia que se seguiu ao ataque terrorista… o pai ficou muito estranho. A mãe começou a chorar e também ficou estranha. Não me lembro da razão – acho que nunca soube – mas os dois começaram a discutir e a situação piorou de dia para dia. Lembro-me do meu pai gritar "Tu sempre o amaste!". Nessa altura fiquei com medo. Muito medo. A minha mãe parecia estar a gostar de outra pessoa e a nossa família começava a ficar separada. Várias vezes fingi-me de surdo; era sempre eu quem tentava acalmar o choro do Takeru, quando o pai e a mãe gritavam na cozinha. E eu comecei a ter raiva pela minha mãe. Por culpa dela, tudo estava a correr mal. Foi culpa dela, por se ter apaixonado por outra pessoa.

A separação não foi novidade. Deu-se em apenas alguns meses… e foi nessa altura que tive de tomar a decisão mais difícil da minha vida. Eu, Yamato, de oito anos, tive de escolher com quem eu iria viver: com o meu pai, ou com a minha mãe. Foi duro… porque jurei a mim mesmo que nunca mais iria chorar. Já tinha chorado o suficiente quando descobri que ficaríamos separados e que não haveria volta atrás. Nessa altura, por isso, pensei no que seria melhor para o Takeru. Ele era o único inocente no meio de toda a história. De algum modo, eu sentia-me envolvido e culpado, porque cabia a mim a decisão final dos nossos futuros. O meu pai achou que eu tinha esse direito, mas… para mim, foi como se a minha decisão fosse a derradeira confirmação da separação da nossa família. E essa marca de culpa acompanhar-me-ia para o resto da vida. Odiei ter de tomar essa decisão… mas, ao mesmo tempo, não fui capaz de dizer isso aos meus pais. Engoli o nó que sentia na garganta... e, naquela noite, o meu pai já tinha feito as malas. Não tive coragem de dizer "adeus" quando olhei para trás e contemplei os olhos cheios de lágrimas da minha mãe… e o meu irmão olhava-me com ar confuso. Quando me voltei para seguir o meu pai, de mão dada, lembro-me de ouvir perguntar "Mamã… onde vai o Yama? E o papá?". Essa foi a única vez que vi o meu pai chorar. Mas ele não parou. Nunca entendi porquê; se ele tinha assim tanta vontade de voltar para trás... Mas ele não voltou. A minha última esperança morreu… e fiquei, literalmente, de relações cortadas com ela.

…foi a Digital World… os meus amigos… foram eles que me devolveram a esperança... a esperança de viver uma vida com futuro alegre. Foi graças à Digital World que recuperei a alegria de existir. E foi graças a ele, Taichi, que voltei a deixar o meu coração falar mais alto, abrindo, mais uma vez, espaço para criar laços com as pessoas. Eu era uma concha fechada, com medo de se expor à violência do mundo. Criei uma redoma de gelo... Mas ele… Ele quebrou o gelo que mais ninguém quebrara. Graças a ele… posso agora olhar o mundo com outros olhos. Realmente, agora percebo: para revolver um problema, não nos podemos deixar consumir por ele e deixar que nos afecte e contamine a alma. Para resolver esse problema é preciso, antes de mais, encará-lo de frente. Voltei a chorar… e o meu parceiro chorou comigo naquela caverna. Gabumon.

Foi o primeiro passo para me libertar das correntes da dor. Essas correntes deixaram feridas profundas… mas as cicatrizes não doem. São apenas marcas de chagas que já não existem. Um passado que já passou. O Presente… esse é mais importante agora.

O mais estranho, admito, é que a minha mãe nunca se casou novamente… e pergunto-me, afinal, qual terá sido o verdadeiro motivo da separação. O Takeru contou-me… (ele conta-me agora muitas coisas) a nossa mãe teve vários pretendentes, e ela nunca se interessou por nenhum deles. Sorri e diz sempre que nenhum homem será capaz de substituir o lugar do nosso pai. Amor, realmente, é uma coisa estranha…

Felizmente, agora tenho alguém… alguém capaz de me dar esse estranho sentimento. Alguém capaz de me explicar como funciona o verdadeiro Amor. É verdade que o Presente pode revelar futuros extraordinários, se olharmos para eles. É verdade que o Amor é possível... e que nem todos os casais estão condenados ao divórcio... à separação...

Sora… obrigado. Obrigado por me salvares das trevas… e obrigado por me devolveres o sorriso de infância. Obrigado por me devolveres o Céu… Agora já não sou larva nem casulo. Agora, sou uma borboleta adulta. E, fora da caverna, iluminado pelo Sol... encherei os meus pulmões de esperança e abrirei as minhas asas cheias de novas cores. Em direcção a ti voarei… voarei… voarei em direcção ao céu… voarei… em direcção ao futuro."


Ishida Yamato

25 de Dezembro de 2003






Última edição por Rayana Wolfer em Ter Maio 01, 2012 9:46 am, editado 17 vez(es)
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Re: Digimon Adventure: 30 Memórias Perdidas

Mensagem por Takuya em Qui Set 01, 2011 9:29 am

Gostei muito, principalmente por ser uma série de one-shots (ando com preguiça de ler fics longas ultimamente :(). Li a 1ª memória e gostei muito. Sempre imaginei como teria sido pro Yamato passar por toda essa situação do divórcio dos pais e da desagregação da família com tão pouca idade, principalmente levando em conta que isso influenciou muito o comportamente dele em Adventure. A escrita em primeira pessoa também ajuda muito a transmitir essa sensação de intimidade, de reflexão. Muito bem-escrita e gostosa de ler. Parabéns! Aguardando as próximas memórias!
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Re: Digimon Adventure: 30 Memórias Perdidas

Mensagem por dmem4e em Qui Set 01, 2011 6:32 pm

OMG NAO ACREDITO NO QUE VEJO *.*
esta foi a primeira one-shot que eu li na vida e descobri-a por acidente enquanto pesquisava fanarts... (e tb foi a primeira vez que li "Rayana Wolfer", foi qnd te encontrei ray, tadinha de ti auhauahuahuhauha)

chega de lembranças... auhauhauah
eu fui conquistada apenas com esta primeira one-shot das 30 memorias perdidas SIM pk e sobre o meu yama... ta extremamente bem escrita, como se tivessemos dentro da cabeça dele *.* (mesmo tendo o final a falar na sora u.u'') nao deixa de ser awesomamente lindo e ate um pouco triste T.T
well done ray!! continua a postar! (tou mortinha pra voltar a ler a 12ª (apesar de ter ali as fotocopias LOL) e pra ler essas novas!)
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Re: Digimon Adventure: 30 Memórias Perdidas

Mensagem por Rayana em Sex Set 02, 2011 12:33 pm

LOL! Thank you malta!

@TakeruTK Acho que o Yamato é dos personagens mais fáceis de inserir em fanfics, porque ele é introspectivo. Dá para escrever à vontade o que se passa na cabeça dele, sem medo que perder o fio à meada. Em parte, inspiro-me também nos CD dramas, onde o Yamato é muito melhor explorado. =D

@dmem4e Foi a primeira? o.0 Pera, acho que já tinhas sido isso; eu até estranho, porque escrevo mais vezes com o Taichi, tiveste uma pontaria do caraças!! xD

Obrigada aos dois!



2ª Memória

Frio como Gelo

A tempestade de neve aumentou com intensidade, à medida que o vento soprava e o frio aumentava. Mas caminhavam há tanto tempo… há tantas horas… que tinham perdido completamente a noção do perigo. Taichi sentia-se sonolento, exausto, e sabia que as coisas não davam sinais de melhorar. Sentia um sufoco no peito que se esforçava por abafar. Todos estavam profundamente abalados pelos acontecimentos dessa manhã… e ninguém parecia ter forças para tocar sequer no assunto. Emocionalmente, sentiam na alma a derrota... Queriam desesperadamente salvar os parceiros… mas na Digital World... não tinham forças suficientes para fazê-lo sozinhos... se não chegassem lá mortos…

A neve fustigava-lhes os rostos sofridos. Na mente de Taichi, o mesmo mantra repetia-se como um bordão: não podiam parar... não podiam parar… mesmo que tivesse que fazer um esforço tremendo para não dar ouvidos à sua emoção interior, que queria fazer explodir o nó que sentia na garganta... não podiam parar… A imagem de Agumon, ferido, derrotado e capturado pela Aliança… naquele momento... parecia um pesadelo surreal...

Só sabia que tinha de por um pé a frente do outro... e o seu coração tinha de ser mais frio do que aquela neve… Se ele fosse abaixo... todos os amigos cairiam com ele...

- ...M-minna... [1] - a voz de Mimi balbuciou algures atrás dele. Mesmo em silêncio e a tremer de frio, ela tinha estado a chorar durante todo o caminho. A tristeza impedira-a de falar durante todo aquele tempo… contudo, parecia que já estava no limite. Ela soluçou e parou no meio da neve, como uma criança desesperada - P-podemos parar?

A voz fraca dela materializou o desgaste que todos sentiam. Taichi olhou para trás, hesitante... e viu cada membro do grupo parar para olhar para trás, para Mimi... e todos partilhavam a mesma simpatia por ela. Sora balbuciou no mesmo tom de voz baixo e exausto:

- Já andamos há horas...

Fez-se um silêncio profundo. Todos estavam quietos e cabisbaixos... provavelmente há espera que alguém dissesse alguma coisa...

- Vamos parar... - disse Yamato por fim.

Uma falsa sensação de alívio pareceu percorrê-los... talvez a única fonte de calor naquele frio intenso que parecia espetar-lhes a carne com agulhas. Mas Taichi olhou para Yamato... e disse numa voz gelada.

- Ainda não.

Má hora. Automaticamente foi alvo do olhar consternado de todos... e Taichi estacou, piscando os olhos. Viu que todos olharam para ele com ar acusador... e um sentimento desconfortável de mágoa invadiu-o.

Talvez... talvez as suspeitas que tivera antes não fossem tão infundadas. Aquela era, provavelmente, a paga pelas asneiras que ele cometera... e embora ninguém o dissesse textualmente, ele sabia: aqueles olhares tinham perdido o seu calor.

Ninguém disse palavra... mas Taichi soube que ninguém o ouviu. Mimi, Joe, Yamato e os outros dispersaram-se para improvisar um acampamento numa gruta, que Koushiro encontrara. Taichi mordeu o lábio inferior e engoliu alguma dor para si. Queria acreditar que podia suportar aquilo e que a falta de apoio dos amigos não podia afectá-lo... Mas agora que começavam a colocá-lo de lado nas decisões do grupo... não tinha tanta certeza. Talvez fosse a pressão de tudo o que lhes acontecera...

Se eles alguma vez iam perdoá-lo... não sabia. Yamato e Sora estavam cada vez mais distantes... O ambiente pesado parecia ter convencido até Hikari, sua irmã, a seguir o exemplo do grupo, remetendo-se a um silêncio incómodo. Joe hesitava e olhava para os amigos antes de aprovar qualquer ideia que saísse da sua boca. O único que parecia estar ainda do seu lado era Koushiro, mas até ele estava distante naquele momento... Yamato chamou-o quando teve finalmente oportunidade para lhe falar a sós... e Taichi pensou que tinha de acabar com aquilo. Quando os amigos se sentaram à volta da lareira, dentro da gruta, não se juntou a eles... Naquela noite... Todos partilhavam taças improvisadas de sopa e tentavam alimentar os estômagos à força de uma conversa mais ou menos animada... sem nunca tomar no assunto dessa manhã. Talvez estivessem demasiado cansados para isso... ou talvez quisessem esquecer o assunto, até à manhã seguinte...

Ninguém sabia.

Taichi esqueceu-se que tinha fome e que os músculos das pernas protestavam-lhe de cansaço... esqueceu-se que estava cheio de frio e que tinha medo que aquela vitória da Aliança conduzisse os amigos à morte… Afastou-se, de cabeça mergulhada na reflexão, e soube que dali para a frente… a única solução passaria por resolver o problema que ele mesmo criara. Não soube quanto tempo vagueou pela noite de floresta e neve... mas o pressentimento de que ninguém daria pela sua ausência, durante tantas horas... confirmou-se. A tempestade já tinha acalmado. A Lua ia alta quando voltou e quando encontrou todo o grupo a dormir na caverna, aquecida por uma chama pálida, de um fogo quase extinto... Não sabia se alguém se tinha dado ao incómodo de procurar por si...

Naquele instante, limpava as lágrimas teimosas com uma mão fria. Não viu que Hikari soluçava durante o sono...

A noite soprou... a réstia de chama que porfiava vacilou... e apagou-se...



Glossário japonês:
[1] Minna - significa "pessoal", "malta", "o grupo".



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Re: Digimon Adventure: 30 Memórias Perdidas

Mensagem por Takuya em Sex Set 02, 2011 12:53 pm

Nossa, essa última one-shot foi intensa! Confesso que ainda acho estranho ver como os personagens agiriam numa situação de derrota assim, tão devastadora, mas que é uma ótima situação pra explorar melhor a personalidade dos escolhidos, isto é! Ficou muito boa! Cheguei a sentir pena do Taichi a um certo ponto, ainda mais vendo que ele aceita essa atitude por parte de seus companheiros como merecida de sua parte. Ser líder nem sempre é fácil... Ótima fic, parabéns!
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Re: Digimon Adventure: 30 Memórias Perdidas

Mensagem por Rayana em Sab Set 03, 2011 12:05 am

@TakeruTK Obrigada por comentares, mais uma vez! Lol, eu adoro o Taichi, mas paradoxalmente gosto de colocá-lo nas situações mais tensas. #shot Acho que o engraçado é que o pessoal, ao ler, questione "mas o que diabo ele fez de tão grave para provocar estas reacções?".

Às vezes, penso que "insinuar" tem mais impacto do que mostrar. x) Um bocado como erotismo emocional.
Desculpem publicar a 3ª tão rápido, mas tenho uma nova one-shot e quero publicá-la. Lol! Por isso estou a acelerar a postagem das one-shots mais antigas.



3ª Memória

O Primeiro Silêncio

A festa de aniversário continuava sem incidentes maiores, mas Taichi não aguentava a maldita dor de cabeça que latejava insistentemente, como se quisesse levá-lo à loucura. A maldita música estava demasiado alta. Toda a gente ria e conversava como se fossem as pessoas mais felizes do mundo. Aquilo punha-o doente… não podia aguentar muito mais tempo. Ficar ali e pôr-se a sorrir só para não parecer demasiado deslocado da festa... Fazer de conta que estava a divertir-se quando a sua vontade era gritar e ficar sozinho para desabafar à vontade…

As únicas pessoas que pareciam dar-se conta de que se passava alguma coisa de estranho com ele eram os amigos, que infelizmente não paravam de interromper a conversa para perguntar "Tai, estás a sentir-te bem?" ou "O que se passa, Tai?" ou "Tai, tens certeza de que não tens nada hoje?".

Taichi começou a ficar saturado que lhe perguntarem sempre a mesma coisa. Aturou durante meia hora os risos de Daisuke, que tentava impressionar Hikari a todo o custo com as histórias mais bizarras. Tai teria pelo menos rido de um pequeno comentário de Takeru no final, não fosse pelo o facto de, quando levantou a cabeça, ser confrontado com aquele olhar curioso que Yamato dirigia na sua direcção. Nesse instante desviou o olhar para o copo e engoliu o resto da bebida – não sabia o que estava a beber e não se preocupou em descobrir. Não queria saber...

Quando ficou calado por mais meia hora, veio então mais um comentário:

- Tai, vá lá, o que é que…?

- Pela última vez, já disse que estou óptimo! – explodiu e vociferou, voltando-se para trás furioso.

Arrependeu-se imediatamente ter levantado a voz, porque Mimi olhou para ele francamente ofendida. Várias pessoas em volta, incluindo os seus amigos, olharam para ele espantados. Caiu um silêncio desagradável isolado da festa, que ele não soube imediatamente como solucionar.

Piscou os olhos na direcção de Mimi e sentiu-se ruborizado. De todas as pessoas, tinha logo de gritar com a mais sensível do grupo? Pouca sorte a sua… ela parecia humilhada até às lágrimas.

- D-desculpa Mimi-chan, eu não queria… - balbuciou numa voz aspirada, subitamente desesperado. Abriu a boca para tentar dizer qualquer coisa mais, mas reparou que os amigos ainda o olhavam com má cara e desistiu.

Sora entreolhou-se significativamente com Yamato, antes de se aproximar de Taichi e insinuar a todas as pessoas que continuassem a festa tranquilos. Uma vez desviadas as atenções, pousou-lhe uma mão quente no ombro e Taichi quase teve um lapso quando a descobriu, de repente, a poucos centímetros de si… Ela observava-o demoradamente, olhos nos olhos… Um olhar profundo… Perto. Muito perto. O coração dele acelerou num ímpeto de ansiedade. Ofegou. Ela estava perto demais…

- Tai, o que se passa contigo hoje? – a voz dela fê-lo dar um salto para a realidade, como se o arrancasse de um sonho. Piscou os olhos, e viu-a simplesmente como a Sora, uma amiga de infância, à sua frente. Ela olhava-o preocupada, e havia muita gente à volta deles, a conversar e a rir.

Sentiu-se em pânico. Estava completamente estonteado. Recuou um passo, sem pensar, e desviou imediatamente o olhar do dela. Não…! Não podia deixar que…

- Taichi? – ela insistiu e Taichi viu a mão dela vir na sua direcção. Mais uma vez, recuou como se ela tivesse alguma doença infecciosa, e Sora ficou perplexa com esta reacção.

- Eu… eu estou bem, a sério… - ele gaguejou e tentou afastar-se um pouco mais, apesar de não conseguir quebrar o contacto visual com ela, afastou-se talvez até demasiado depressa. Afinal, tudo o que ele queria era sair dali e voltar para casa o mais rápido possível. Sora estava perto demais…

Mimi interveio zangada:

- Tai, o que quer que te esteja a incomodar está a afectar-nos também a nós – a voz dela era mais dura e severa; parecia que não ia perdoar tão cedo o grito que ele lhe dera – Se não queres dizer-nos o que se passa, por que é que não tentas espairecer e divertir-te connosco?

Taichi hesitou, porque sabia que ia arrepender-se mais tarde se abrisse a boca para falar. Mas não lhe passava pela cabeça ter de explicar as coisas aos amigos que ainda o observavam espantados. Naquele momento ele só queria voltar para casa e ir dormir. Engoliu e respondeu, numa voz meio atrapalhada.

- Desculpem… Estou só cansado, e as finais do campeonato são amanhã, por isso… - pousou o copo na mesa e não se dignou a terminar a frase – Eu vou andando… Digam à Hikari que ela pode dormir a casa da Miyako…

- Pensei que tinhas dito que estavas bem.

Ele ignorou o comentário de Yamato. Fez menção de se ir embora.

- Tai, espera. – Sora impediu-o de dar um passo, pôs-se na frente dele e levantou-lhe ligeiramente o queixo com o toque gentil de uma mão morna; retomou o contacto visual dele – Taichi. Foi alguma coisa que fizemos, ou que te dissemos hoje de manhã?

Por longos segundos, Taichi contemplou os olhos ansiosos que o fitavam e percebeu a sinceridade da preocupação que ela tinha consigo. Mas era uma ansiedade que só piorava a situação dele… Não mais que isso. Vê-la tão perto de si e não poder contar absolutamente nada fê-lo sentir-se ainda mais desesperado. Desviou o olhar pela quinta vez nessa noite e afastou a mão dela suavemente, pedindo desculpas…

- Não… não – olhou de relance para Yamato, que o observava com ar desconfiado, e desviou o olhar num acesso de pânico – Depois falamos…

- Tai… - Sora não desistia; era quase irritante – Queres que eu vá conti…?

- Eu vou sozinho – disse muito depressa – Obrigado… – acrescentou ao ver o ar desiludido dela e n nesse momento achou que não devia deixá-la sem reconfortá-la primeiro. Acrescentou ainda, com um nó na garganta – Depois eu telefono…

Sora, embora não satisfeita, pareceu aceitar estas palavras. Joe não pôde evitar franzir o sobrolho antes de observar como Taichi se desculpava pela milésima vez e se afastava sem dar mais explicações. Teve uma vaga suspeita, mas…

- O que é que ele tem? – balbuciou Takeru algures atrás. Hikari, por algum tipo de razão, mordeu o lábio inferior, mas não respondeu.

Ela ficou pensativa e reparou como Sora ficou de o olhar preso nas costas do seu irmão, até perdê-lo de vista. Yamato tinha um olhar distante – e minutos depois começou a falar com Sora. Ambos trocaram impressões em voz baixinha e, por uma ou duas vezes, Yamato deitou um olhar rápido na direcção da porta por onde o amigo desaparecera. Havia demasiada gente a bloquear o campo de visão, mas... Hikari sabia o que ele tinha na cabeça. Ele não sorria...



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Re: Digimon Adventure: 30 Memórias Perdidas

Mensagem por Rayana em Sab Set 03, 2011 11:22 am

Segue a 4ª memória! Estou há séculos para publicar online a continuação desta, que se passa em França quando o avião chega, mas ainda não o fiz. A ver se é desta. xD



4ª Memória

França!

Chovia há uma semana, dia após dia. Ultimamente não dava nenhum programa interessante na televisão. Taichi estava farto do Computador, farto da Internet… enfim, estava farto de estar fechado em casa. Na verdade, estava aborrecido porque a sua esperança de passar quinze dias com Agumon foi completamente arruinada por um e-mail de Gennai, sete dias atrás:

"Caros escolhidos,

Uma onda instável na Digital World tem-me mantido muito ocupado. Desde o incidente com Armageddemon que os ataques têm sido frequentes. Como sabem, os governos estão ansiosos por contacto.

Por favor, não usem os portais sob nenhum pretexto. Não se preocupem. Está tudo bem.

Gennai"


- Como assim? – perguntou Daisuke quase desesperado – Temos usado os D-3's sem nenhum problema e tenho agora de deixar de visitar o V-mon só por causa do Governo?

Koushiro suspirou com um olhar aborrecido. Aquela reacção fora exactamente como ele previra… e por essa razão, arrependeu-se fortemente de não ter ensaiado uma resposta.

- Foram as instruções do Gennai. Ele nunca nos dá avisos sem um bom motivo – relembrou.

E assim foi, com muita relutância, que o grupo decidiu ficar no mundo real durante aqueles quinze dias de férias.

Eis por que aquele Inverno começava a ser verdadeiramente maçador. Os pais de Taichi estavam em Quioto, aparentemente, detidos no funeral de um familiar. Taichi e a sua irmã tinham decidido ficar em casa. Claro, isso significava que tinham de se virar sozinhos com as refeições. Durante o dia, o mau tempo impedia que o grupo pudesse reunir-se à vontade. Miyako sugerira mais de uma vez que fossem visitar juntos um parque de diversões, quando um nevão decidiu adiar-lhes os planos.

Não eram memórias agradáveis, mas Taichi não podia deixar de pensar nos velhos tempos que viajara pela Digital World ao lado de Agumon, longe dos dias rotineiros como aquele, em que ficava sentado no sofá de manhã até à noite à procura de um filme interessante para ver. Mas não era poupado aos canais com programas absolutamente inúteis. Quando chegou ao último canal e viu o noticiário (falavam de um vendedor de Ramen, que trabalhava naquele ramo desde a era Tokugawa) simplesmente desistiu. Atirou o comando para cima da mesa e respirou fundo. Parecia que não havia salvação que o pudesse salvar daquele inferno.

Levantou-se do sofá com ar amuado e foi à cozinha procurar alguma coisa que se comesse. No frigorífico encontrou um prato com restos do almoço: uma pizza de quatro queijos. Decidiu devorá-la, arrastando os pés preguiçosamente na direcção do sofá, e ponderando que, se continuasse naquele ritmo, ia engordar um bom par de quilos até ao fim do Natal. Não que isso o incomodasse muito, porque tinha ainda os bons e saudáveis treinos de futebol; mas a ideia de passar duas semanas de férias a enfardar comida não lhe parecia apetitosa.

Pouco depois, tocou o telefone no corredor. Rapidamente levantou-se e limpou as mãos às calças, para ir atender a chamada. No corredor, puxou o auscultador com um pedaço de piza na boca e mal olhou para o número do visor quando respondeu:

- Alô, casa dos Yagami…

- Hikari! Graças a Deus ainda estás em casa! Não te esqueças de avisar o teu irmão para… - a voz eufórica calou-se de repente, e hesitou ao ouvir-lhe a voz – Espera… Taichi, és tu?

Taichi piscou os olhos; mordeu o pedaço de pizza que tinha na mão.

- Separamo-nos por uma semana e já não reconheces a voz do teu filho?

- Taichi! O que fazes aí em casa?

Achou a pergunta tão idiota, que mal soube o que dizer.

- Mãe, eu ainda moro aqui...

- Não fales de boca cheia – retaliou a voz da senhora – O que quero dizer é: o que fazes aí em casa sozinho?

Outra pergunta estranha. Se ela estava à espera de encontrar a casa vazia, tinha telefonado para quê? Taichi olhou quase perplexo para o telefone:

- A Hikari saiu e não avisou para onde ia. Mas podes telefonar daqui a pouco se quiseres falar com ela…

- Taichi, querido! O Yamato e os teus amigos estão à tua espera! A tua irmã está com eles! - ela parecia divertida.

Taichi levantou a cabeça, surpreendido.

- Taichi, faz as malas e vai-te embora! A Hikari já deve ter feito o mesmo! Hoje à noite vocês vão apanhar o primeiro avião para França!

- Mas eu… - calou-se e sentiu os olhos dilatarem quando o seu cérebro descodificou aquelas palavras – O QUÊ?

- Adeus! – ela despediu-se rapidamente, reprimindo uma gargalhada – A tua irmã explica-te o resto! Ah, não te esqueças de desligar o gás, ok? Bye!

…e desligou.

Durante pelo menos vinte segundos, Taichi ficou petrificado no meio do corredor, com o telefone nas mãos. Sentiu o queixo cair-lhe ao ouvir o eco da voz da mãe na sua memória: FRANÇA?




O grupo explodiu em gargalhadas quando ele acabou de falar. Estavam todos sentados em fila no interior de um avião que dirigia-se naquele momento para França. O entusiasmo era palpável no ar. A voz de Daisuke não se calava algures atrás deles, e ele não parava de exibir todas as palavras em francês que conhecia para Hikari as ouvir (que basicamente consistiam em "Bonjour" e "Ça va bien?").

Taichi revirou os olhos e concentrou-se no empadão de carne que tinha em cima dos joelhos. A hospedeira acabara de o servir e trouxera-lhe um tabuleiro recheado de pequenos pratos, com os menus que escolhera. Os talheres vinham embrulhados em invólucros de plástico e no guardanapo estava escrito em japonês "道中ご無事に", com o furigana "どうちゅうごぶじに" (tenha uma boa viajem).

- Vocês também ficariam em choque se recebessem um telefonema daqueles – continuou a falar para os amigos, algo aborrecido com a reacção deles à sua história. E pelo canto do olho, capturou a imagem da sua irmã a sorrir-lhe com ar inocente – Hikari, já me contaram que a ideia foi tua – apontou o garfo na direcção da irmã, simulando um ataque ameaçador – Por que é que não me avisaste esta manhã?

Hikari riu com satisfação, afastando-se do garfo. Para se defender, segurou-lhe a mão, enquanto levava a colher à boca com a outra. Engoliu um pedaço de pudim.

- Eu queria fazer uma surpresa. A mãe já sabia do convite faz tempo. Não foi culpa minha se ela gostou da ideia – ela piscou um olho a Takeru, que piscou os olhos, embaraçado.

Todos comiam as suas refeições nos seus lugares. No banco da frente, espreitou a cabeça de Koushiro com um ar calmo e satisfeito.
- Mas nunca pensei que pudéssemos ir todos juntos. A Mimi explicou-me que o convite original era destinado só a vocês dois – acenou na direcção de Yamato e Takeru, que anuíram.

- O avô diz que ouviu falar muito dos escolhidos. Quando lhe falei que estávamos aborrecidos em Odaiba fez um escândalo, e disse-me imediatamente para convidar todo o grupo para visitá-lo – explicou Takeru, e por alguma razão trocou um olhar com Yamato; ambos pareciam embaraçados com a atitude excêntrica do avô.

- Vá lá, ele só quis fazer uma boa acção, não foi? – Miyako dirigiu um olhar provocador a Ken, que estava sentado ao lado dela. Ela sorriu com algum rubor no rosto – Paris é a cidade do Amor! Gostava de jantar com o Ken num daqueles restaurantes "trés chique" à luz das velas! – agarrou-se ao braço de Ken com ar sedutor, para grande vergonha do pobre Ichijouji, que se pôr vermelho como um tomate. Daisuke desatou a rir, mas ao ser fulminado pelo olhar de Miyako, calou-se imediatamente e desviou o olhar.

Taichi tivera a oportunidade de conhecer pessoalmente o avô de Yamato e Takeru. O nome dele era Michell, um homem louro com olhos azuis e barba muito bem arranjada. Tinha o perfil máximo de um cavalheiro francês. Era corpulento e tinha um temperamento talvez demasiado extrovertido e alegre para um velho. Mas o senhor tinha (era o mínimo que se podia dizer) "veia de campeão". No Natal de há dois anos ficara profundamente escandalizado e ofendido quando alguns Digimons tinham decidido usar o palácio de Versalhes para uma festa natalícia. Foi o primeiro a precipitar-se o mais rápido possível para expulsá-los do edifício, provando ser um herói nato, um cavalheiro europeu e um defensor da sua pátria.

Bom… para ser sincero, Taichi achava que o velho tinha um parafuso a menos. Mas naquele momento estava-lhe eternamente grato, por o ter salvo da paisagem enfadonha de Odaiba.

Yamato mostrou um sorriso mordaz nos lábios, chamando a atenção geral do grupo. Sem palavras, olhou na direcção de Daisuke. Ele tagarelava agora com uma hospedeira de aspecto jovem, e esta respondia-se gentilmente, esforçando-se por explicar que estava com pressa, mas sem se mostrar indelicada.

Foi quando uma voz zangada guinchou:

- Daisuke! Pára de falar como uma catatua! – exclamou Motomiya Jun. Ela trajava uma roupa bizarra, cheia de confetti, pulseiras de todas as cores do arco-íris e pompons cheios de brilhantes – Tens de me envergonhar todo o santo lugar onde vamos juntos?

Daisuke ripostou, profundamente ofendido.

- A culpa foi tua se decidiste vir junto! Afinal, quem é que te convidou?

Yamato ficou vermelho como um pimentão e desviou o olhar sem motivo aparente. Taichi, que estava mesmo ao lado dele, lançou-lhe um olhar suspeito. O resto do grupo estava demasiado ocupado com a discussão dos Motomiya para reparar neles.

- O que é que te deu para trazê-la? – murmurou.

Yamato resmungou com ar carrancudo.

- Não tive alternativa. Ela ouviu-me falar com o irmão e ficou doida quando descobriu.

- A Sora sabe? – Taichi falou sem pensar e arrependeu-se fortemente de ter tocado no assunto, porque o amigo deitou-lhe um olhar assassino. Optou por ficar calado. Algures a seu lado, ouviu Takeru perguntar.

- A propósito… quem lhe pagou o bilhete?

Yamato respondeu a contra gosto.

- O avô – murmurou – Ele insistiu em levarmos quantas miúdas quiséssemos, lembras-te?

Taichi ouviu isto e respirou fundo, olhando pela janela do avião. "Veia francesa" pensou ele. "Agora sei de onde ele tem tanto sucesso com as mulheres". Dirigiu um olhar intenso a Yamato através do reflexo no vidro da janela. Ficou a olhá-lo fixamente durante alguns minutos.

Tinha jurado a si mesmo nunca mais pensar naquele assunto… mas a cada dia que passava, tornava-se cada vez mais difícil. Era inevitável, agora que praticamente todos do grupo estavam no auge da idade e começavam a levantar de uma certa "onda de romance". Até Joe Kido conseguira encontrar um par. Aparentemente, apaixonara-se por uma garota de óculos, que era estudante de enfermagem em Tóquio. A moça era muito tímida – mas era o par perfeito para o escolhido da Sinceridade. Ah, e como é que eles se tinham conhecido mesmo? Sim… foi há dois anos. Joe roubou-lhe a bicicleta durante o incidente de Armageddemon. Foi graças a essa bicicleta que Odaiba foi salva de um Digimon tresloucado e sedento de vingança.

Foi nessa altura… que a relação de amizade entre Taichi e Yamato começou a vacilar para um clima de certa instabilidade.

O motivo?

Nem ele sabia ao certo. É verdade que Sora parecia mais feliz do que nunca, e agia como se mal reparasse nas querelas silenciosas que havia entre ambos. Mas ela suspeitava que alguma coisa de errado havia entre eles…

Oficialmente, Sora era namorada de Yamato, sim… mas Taichi não sabia explicar. Se isso era verdade, por que motivo Sora era tão próxima consigo? O comportamento dela era, talvez, demasiado leviano para seu gosto. Quando o grupo se reunia para ir ao cinema ou comer, tinha o hábito de se agarrar ao braço dele; não ao de Yamato. Quando queria um favor, era consigo que ela falava; não com Yamato. Quando tinha alguma preocupação, era consigo que ela desabafava… não com Yamato…

Claro que estes pormenores não escapavam à atenção observadora e calada de Yamato Ishida. Sinceramente… não podia censurá-lo. Lá no íntimo, sentia-se merecedor daqueles olhares zangados e daqueles comentários cheios de sarcasmo de que algumas vezes era vítima. Esperara que, depois de Sora se declarar ao amigo, a relação entre eles mudasse radicalmente, afastando para longe aquela imagem dos "amigos de infância" que tinham alimentado durante anos. Mas tudo continuava igual, senão mesmo mais intenso. Sabia que, apesar de não se passar nada entre ambos, Yamato suspeitava que aquele grau de intimidade tinha outras interpretações, muito além de pura amizade.

Sinceramente, Taichi não sabia mais o que fazer. Ele, que conhecia Sora há anos, nunca tivera coragem para falar com ela, não é? Parecia bizarro. Enfim, o Escolhido da Coragem podia dar-se ao luxo de ceder ao medo de vez em quando… ou não?

Respirou fundo e fechou os olhos com alguma frustração. Se a situação piorasse, tinha de ter uma conversa bem séria com Sora… mesmo que receasse pela reacção de Yamato. Não estava completamente confiante na melhor atitude a tomar. Conhecia-a demasiado bem e sabia que a relação deles podia piorar, caso Taichi tocasse no assunto da forma errada. Sora era o tipo de pessoa que não gostava de que duvidassem da sua palavra. A ideia de Yamato ter ciúmes dele podia trazer-lhes uns maus momentos.

O avião sobrevoava naquele momento a fronteira da Coreia do Sul. Deviam ser umas duas horas da manhã no Japão. Mas as horas perdiam sentido quando se voava num avião através de vários países. Era o mesmo que recuar no tempo. Portanto, todos mais tarde ou mais cedo deixavam-se adormecer, ou simplesmente mantinham-se acordados a ler ou ouvir música. O único que continuava sem sossegar ou ler fosse o que fosse, era… Joe.

- Algum de vocês tem sacos para vómito?

Sora e os amigos a seu lado olharam para ele com nervosismo (Koushiro afastou-se dele dois centímetros).

- Acho que tenho comprimidos para enjôo – ofereceu ela com um sorriso nervoso.

Mas não teve resposta. Quando mostrou os comprimidos na mão, Joe levantou-se muito depressa. No momento seguinte, todos o viram correr a toda a velocidade pelo corredor na direcção do WC. Fechou a porta atrás de si com estrondo, provocando os olhares espantados de todos os passageiros do avião.

A cabeça de Daisuke espreitou no corredor, e assobiou.

- …ele estava tão aflito?

- Daisuke… Ele foi vomitar – murmurou Ken corado.

- Ah…





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Re: Digimon Adventure: 30 Memórias Perdidas

Mensagem por Rayana em Ter Set 06, 2011 2:17 pm

Finalmente, a 5ª memória! Esta é a primeira One-shot de uma sequência de três, que se passam no mesmo universo. Acontece depois de Digimon Adventure 02, numa suposta 3ª aventura, com um novo grupo de inimigos que se chama de "Aliança" (este nome pipocou quando eu comecei a ler sobre a Segunda Guerra Mundial. Pareceu-me um nome interessante para um grupo de vilões).



5ª Memória

Tenebra

O Gryphomon alado soltou um guincho estridente e inchou a penugem do peito, retomando o fôlego. Abriu as asas e cobriu todo o comprimento do enorme templo com elas, sacudindo-as para levantar vôo. A criatura que o montava pôs-se-lhe de pé no dorso: Anubitamon equilibrou-se na sua montada e ergueu uma mão para o céu, gritando o nome imponente do ataque que todos temiam. Aconteceu um flash de luz que trovejou e sobressaltou todo o grupo de jovens, que cessaram a batalha para olhar para a mesma direcção quase em simultâneo.

Taichi quase sentiu o chão fugir-lhe debaixo dos pés, e viu uma enorme bola de energia condensada que crescia gradualmente no poderoso bastão de Anubitamon. O digimon das trevas encarava Yamato com um ar colérico.

Antes que ele próprio reagisse, os gritos apavorados dos amigos foram emudecidos por uma onda de vácuo criada pela onda de energia compacta. Taichi tentou gritar com toda a sua força para que Yamato fugisse… mas nenhum som saiu por causa do ar propulsionado pela implosão. Com o terror da impotência no peito, Taichi não pensou. Cedendo ao desespero, fechou os olhos diante da violência da imagem que se despedaçava diante si e atirou-se numa investida suicida, ao encontro do caos e do perigo…

A confusão de luzes ofuscantes cegou o cenário… calou o silêncio… e apagou aquela noite, esquecida pelo tempo…

O efeito foi o de uma pequena bomba atómica: tudo à volta começou a cair e a ruir silenciosamente, a uma velocidade e poder alarmantes. Quando o som pareceu voltar, rebentou uma explosão horrível que gritou na noite. Outros gritos ouviram-se e durante muito tempo, vários edifícios desabaram e caíram em volta, como castelos de areia… tudo à volta era projectado num raio de dezenas de metros, esmagando paredes, esculturas e colunas de pedra...

Devagar, arrastando-se por longos minutos, a destruição aquietava-se… tudo ficava vazio e o silêncio, esse, era cada vez mais gritante… sepulcral…

Depois de uma eternidade, uma voz exausta e rouca ressoou, quase definhada…

- …Ya… Yamato?

Era a voz de Metal Garurumon. Yamato tinha fechado os olhos com força, e tinha ficado caído no chão, completamente imóvel…

Ao abrir os olhos, houve três efeitos diferentes: primeiro, viu que Metal Garurumon o tinha protegido com o seu próprio corpo… segundo, retraiu-se de dor ao descobrir que o ataque tinha sortido algum efeito em si… E terceiro: desgraçadamente, lembrou-se que tinha caído um peso em cima de si, durante a explosão. Alguma coisa tinha-se precipitado sobre ele no momento do ataque. Percebeu, agora… que era um corpo. Viu que outra pessoa o protegera além do seu Digimon. Ao piscar os olhos, assustado... e muito lentamente… Yamato teve a visão clara de quem era...

O choque quase o paralisou de medo. Ali, num mar de fumo e destruição, reconheceu o rosto de Taichi em cima do seu peito. Com os olhos fechados e completamente inanimado, o corpo dele permanecia em cima do seu, com uma mancha brilhante de sangue na face direita…

- T-Tai…?

Silêncio. Não teve resposta…

O efeito disto foi semelhante ao de um ácido corrosivo no estômago. Yamato sentiu uma onda de pânico crescer ao ver o amigo inconsciente… ou talvez pior…

WereGarurumon murmurou qualquer coisa que não foi capaz de ouvir, e Yamato levantou uma vez mais o olhar assustado. Viu no lugar do Digimon uma luz brilhante que diminuiu de tamanho, antes de Tsunomon cair, inconsciente, junto aos seus pés.

- ONII-CHAN! [1]

A voz de Hikari ecoou por todo o espaço. Como se acordasse de um transe, Yamato reagiu. Viu a silhueta dela que corria desesperadamente no meio dos escombros, tropeçando e desbravando caminho pelo meio de arame e betão destruído. Já não havia templo. Ela vinha na direcção dele e do irmão... e gritava embora ainda estivesse muito longe. Yamato virou a cabeça para ver como estava Sora, que ainda devia estar ali perto.

Viu-a. Não estava menos chocada do que ele. Sora abanava a cabeça lentamente, sentindo um nó sufocante na garganta e o olhar obscuro toldado por lágrimas… como se quisesse recusar o que os seus olhos estavam a ver.

Yamato esqueceu-se por completo da razão porque ali estava, imóvel, e com uma perna ferida. Ofegante pelo medo, baixou a cabeça e voltou a olhar para Taichi. Concentrou toda a sua atenção no corpo pesado dele, enquanto tentou erguer-se com esforço e, usando todo o tempo que precisava, fê-lo rebolar sobre si para deitá-lo no chão… com todo o cuidado que conseguiu. Só então apercebeu-se da dimensão do seu pânico, ainda sem controlo sobre a sua respiração, ficando com os olhos assustados pregados nele. Taichi não abrira os olhos ainda. Continuava imóvel…

- …Taichi… - balbuciou isto, numa voz que não parecia a sua. Tentou repetir, tomando controle sobre as cordas vocais e aumentando o tom agressivo – Taichi, vá lá, abre os olhos!

No momento em que pensava que tinha de fugir, arrastando-o dali para fora, ouviu passos pesados aproximarem-se numa correria frenética: olhou para cima imediatamente e viu Hikari, ofegante. Tinha as faces coradas e o cabelo desalinhado... Mal chegou ali ela atirou-se de joelhos para o lado do irmão.

- TAI! Onii-chan! – gritou ela muito depressa e quase fraquejou diante da determinação por verificar se ele estava bem. Yamato viu-a tentar controlar-se com um esforço surpreendente para uma mulher como ela: viu-a tomar ar duas vezes, olhando em volta como se procurasse desesperadamente por algo que a pudesse ajudar… até que o insucesso desta busca a fez regressar ao irmão. Optou rapidamente por lhe dar algumas palmadinhas no rosto.

- Taichi – a voz tremia-lhe – Onii-chan…!

A sua percepção estava confusa... não soube quando Takeru e Koushiro tinham chegado, para ajudá-lo. Viu a silhueta de Joe surgir do nada e tomar a vanguarda, pondo-se imediatamente ao seu lado.

- Yamato, estás bem? – a voz dele pareceu distante. Desejou sinceramente poder responder positivamente, mas sentia-se completamente absorvido pelo que Hikari estava a fazer… não conseguia pensar em mais nada, talvez por causa da perda de sangue, o mesmo sangue que lhe cobria a perna. Mas naquele momento tudo parecia-lhe completamente insignificante, diante da figura inconsciente do amigo. Não ponderou sequer que estava a ponto de desmaiar… sentiu o suporte de alguém que lhe manteve os ombros erguidos do solo. Talvez Sora…? Não importava. Só sentia a ansiedade e os nervos.

Numa realidade paralela a este cenário e ignorando completamente as vozes desconhecidas que o chamavam… Ishida Yamato só conseguiu desviar os olhos em uma única direcção: levantou lentamente a cabeça para os céus, sentindo uma mistura de medo e de revolta vibrantes. Viu ali... no mesmo lugar em que o tinham atacado... o vulto majestoso de Anubitamon. Viu os olhos vermelhos dele, que brilhavam no meio das sombras, como duas gotas de sangue luzidias, mostrando toda a expressão assassina e perigosa do seu ser…

Não sorria. Não falava. Cultivava um silêncio que prenunciava o descanso eterno das suas almas. Aquela silhueta negra de anubis tinha uma forma absolutamente demoníaca. E naquele momento, com aquela criatura a olhar para ele... sem saber como, toda a coragem abandonou-o.

Pela mente de Yamato, só passou um pensamento tão claro e assustador como o medo…

Aquela criatura estava ali para matar.



Glossário japonês:
[1] Onii-chan - significa "irmãozinho", "maninho".



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Re: Digimon Adventure: 30 Memórias Perdidas

Mensagem por dmem4e em Ter Set 06, 2011 9:01 pm

(sobre a tua resposta... eu tenho pontaria pro que interessa! auahuahaauha jk xD mas sim foi sem querer que a encontrei! lol)

EPIC EPIC EPIC! *.* voltando a ler todas de novo e great!
a segunda memoria e mt tensa, e este tipo de cenas que eu mais gosto de ler! *.* mesmo nao tendo a certeza do que aconteceu para eles estarem assim, da pra imaginar o quao grave que foi para todo aquele atrito no grupo... especialmente com o baka do taichi... tadinho T.T

a terceira ta mt win a caracterizaçao do taichi e os amigos preocupados... e o que eu digo: parece que estamos dentro da personagem e sentimos o mesmo que ela e isso e mt, mt, mt win!

quarta... VIVE LA FRANCE! o que me fez rir mt foi o inicio do dialogo entre o taichi e a mae dele ao telefone... "o que fazes ai em casa?!" "mae, eu moro aqui." eu ri litros x'DD a cena no aviao tb ficou mt win com o daisuke e a miyako xDD tive pena do jyou conitado... e... o avo do yamato e do takeru e FTW auahuahauah e o momento de taiorato ali... sorato irrita-me D: a sora fez uma chantagem ou ameaça qualquer com o yamato so pode! ela so fica bem mesmo e com o taichi! >.<
esta memoria tem continuaçao? onde se ecomenda? pode mandar vir! auhauahhua

QUINTA *.* (ou "12ª memoria, primeira parte" loool) esta e das minhas favoritas sem duvida alguma! como ja disse, adoro ler estas cenas mt tensas! ainda mais se vem com taito a mistura! epic epic epic! *.*
(ah e so agr e que reparei de onde veio o nome "aliança" auauahuah eu tinha-me lembrado da segunda guerra mundial mas nao pensei que tb tinhas ido buscar o nome dai xDDD pk nao triplice entente? TEM LA A URSS LOL jk xD)

CONTINUAAAAA *.*
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Re: Digimon Adventure: 30 Memórias Perdidas

Mensagem por Rayana em Qua Set 07, 2011 5:31 pm

Sei lá, sempre que eu relieo algumas memórias, eu fico com uma vontade maluca de alterar algumas coisas e continuar a história. xD É preciso autro-controle, porque acho que não devo mexer e textos velhos... LOL!

Maf, obrigada pelo comment *w*
Ya, eu era uma gaja maluca por História, por estranho que pareça, as guerras mundiais faziam-me pensar em Digimon e como seria se uma 3ª temporada explorasse uma 3ª guerra mundial, mas tipo, uma guerra com a tecnologia digital... o.0" (e esta ideia ainda me agrada xDD) Acho que por aqui, já dá para ver, eu nunca bati bem da bola... xD

Segue!



6ª Memória

Invasão

Um grito apavorado sobressaltou a manhã de Odaiba. Logo depois várias pessoas gritavam em pânico, no meio da avenida principal.

- Oh meu Deus!

- Chamem a polícia!

- Uma ambulância, rápido!

Havia fumo por todo o lado. No chão brilhavam vários pedacinhos de vidro estilhaçado, misturado com metal queimado. Todos se tinham esquecido dos telemóveis dentro dos bolsos, que podiam chamar facilmente as autoridades; mas em vez disso continuavam a gritar em pânico, esperando que os carros da polícia surgissem por milagre.

O cenário era assustador. Havia vários automóveis completamente destruídos, amontoados uns em cima dos outros, como pilhas de sucata. Na estrada mais adiante havia uma grande mancha de sangue. Alguém estava ferido. No ar exalava um forte cheiro a gasolina e borracha queimada…

- Daisuke!

Um garoto surgiu no meio da multidão, assustado. Vestia uma T-shirt azul e calções desportivos. Ele parou no meio do caos e começou a procurar em volta para encontrar quem o chamava.

- Motomiya-kun, aqui!

Daisuke olhou para trás e descobriu o dono da voz. Para sua surpresa, viu Ken Ichijouchi que corria a toda a velocidade na sua direção. Tinha o cabelo escuro todo desalinhado e olhos que espelhavam ansiedade. Assim que o viu, Daisuke reparou no corte profundo que sangrava no ombro.

- Ken? O que estás aqui a fazer...? O que aconteceu?

Ken parou a seu lado, arquejante e aflito.

- Um Digimon! – exclamou em voz rouca, fazendo-se ouvir acima dos gritos – Apareceu de repente e começou a atacar tudo o que via pela frente!

Ao ouvir estas palavras, Daisuke encarou-o estupidamente. Ken só podia estar a brincar. Não havia qualquer razão para um Digimon aparecer do nada e começar a atacar as pessoas. Mas Ken parecia com dificuldades em respirar e falar ao mesmo tempo. Articulava as palavras muito depressa:

- …apareceu há minutos frente a minha casa! Apareceu do nada, não faço ideia como…

Daisuke simplesmente piscou os olhos, abismado ao perceber o que estava a ouvir. Não deu tempo a Ken para terminar a frase e interrompeu-o bruscamente:

- Onde está ele?

- Não faço ideia… – Ken engoliu alguma saliva – Tentei abrir o portal para chamar o Wormmon, mas o portal…

Não teve oportunidade para acabar a frase. Uma sombra aproximou-se lentamente e cobriu-os aos dois. Daisuke olhou para cima e só teve tempo de descobrir um braço gigante que caía na direcção deles.

- CUIDADO!

BOUM!

Uma fortíssima explosão atirou-os violentamente para o lado. Daisuke rebolou no chão e rosnou de dor ao sentir os joelhos esfolados pelo alcatrão e vários pedacinhos de vidro. Sentiu o corpo de Ken cair a seu lado desajeitadamente com um gemido abafado, mas não pôde confirmar se ele estava bem: vários pedaços de metal foram projetados no ar juntamente com areia e muito vento, que quase lhe cegaram a vista. Fechou os olhos com força, enquanto ouvia outras explosões e gritos vindos de todos os lados. Quando a onda de choque desfaleceu, tentou descobrir o que se passava e espreitou, assustado.

Os gritos histéricos aumentavam de volume…

- Fujam!

- É um monstro!


Ao som da palavra "monstro", Daisuke e Ken levantaram as cabeças.

Um rugido poderoso fez tremer o solo debaixo deles, mas ninguém teve coragem para se mexer - ficaram ambos congelados pelo medo e pregados ao chão. Uma sombra gigantesca cobriu-os por completo, novamente. Os dois escolhidos olharam lentamente para cima, aterrados…

Um enorme Dark Tyrannomon estava a meros metros de distância, com seis metros de altura e um ar feroz, pronto a esmagá-los. As enormes patas musculadas rachavam o solo de alcatrão com o peso do seu corpo. A saliva escorria das enormes mandíbulas que abocanhavam o ar com ferocidade. Eles eram duas formigas pequenas no seu caminho, que ele ia esmagar…

Daisuke balbuciou numa voz fraca, sem tirar os olhos do monstro que os encarava ameaçadoramente:

- O que estavas a dizer... sobre o Portal…?

Ken pareceu tentar tomar coragem para falar, mas saiu-lhe da garganta uma voz muito fina…

- O Portal não abre… N-não podemos... chamar os nossos Digimons…

Por frações de segundo, Daisuke esqueceu-se completamente do Digimon para olhar para Ken, perplexo. Ele só podia estar a brincar!

Foi um segundo fatal. Alguém gritou em plenos pulmões o nome dele. Os dentes afiados do Digimon precipitaram-se na sua direcção: houve um rugido e um fio de saliva foi sacudida no ar…

- DAISUKE!




N/A.: Eu e a minha panca pelo Dark Tyrannomon... Lembro-me que até fiz um desenho dele a invadir a aldeia Koromon.


Última edição por Rayana_Wolfer em Qui Nov 24, 2011 8:33 pm, editado 1 vez(es)
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Re: Digimon Adventure: 30 Memórias Perdidas

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