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[FANFIC] Crônicas de um louco

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[FANFIC] Crônicas de um louco

Mensagem por Rayana em Seg Dez 19, 2011 8:25 pm

Muuuito bem! xDD
Também terminei; eu ia postar só depois, mas não vejo por que não agora lol

Crónicas de um louco...
(e, sim Yamato, eu vou mandar-te isto por mail!!)

Antes de começar esta crónica, acho que devo umas explicações. Juro pela saúde da minha irmã que o que vou relatar aqui NÃO foi um sonho, como vou provar no final! Tenho as marcas no tornozelo para quem quiser confirmar! O senhor Yamato acha que bati com a cabeça. Ele é teimoso, e depois sou EU que levo a fama de doido!? Ok... desculpa... é que ainda estou zangado e... bom, mas eu já lá chego.

Pedi ajuda ao Koushirou para provar a minha inocência, mas acho que ele não me ligou nenhuma. Explicou-me que... como era? “Taichi-san, mesmo que haja um digimon à solta, como é que ele desaparecia sem um portal?” ou qualquer coisa assim...

Pronto, desisti de tentar convencer os meus dois melhores amigos. Fui ainda falar com o Daisuke. Ele foi o único que acreditou em mim à primeira. Mas depois ele perguntou-me “Taichi-san, achas que a culpa foi do Dragão?”. Fiquei com cara de parvo a olhar para ele. Acho que tive vontade de lhe bater, porque tudo isto começou por culpa dele. Mas tudo bem, ele já pediu desculpa, não foi? Não disse nada. Talvez o Dai seja simplesmente o verdadeiro doido desta história...

Anyway, como estava eu a dizer... Estávamos na segunda semana de Dezembro. O Ichijouji apareceu cá em casa para dar um convite à Hikari. Faltava uma semana para o Natal e ele quis convidar o Daisuke e o grupo da minha irmã para lanchar na casa dele, em Tamachi, na véspera de Natal. Já se tornou hábito, sabem? Só que, no dia seguinte, recebi um telefonema da Mimi-chan que veio mudar os planos de toda a gente. Ela veio passar o Natal ao Japão, mas disse que não podia ir a Tóquio. Perguntou-nos a todos se podíamos ir nós ter com ela. Vocês sabem aonde? Quioto! Ao princípio pensei que o pessoal ia recusar, mas tanto o Ichijouji como o Yamato concordaram (acho que o Yamato disse qualquer coisa sobre “ser uma boa oportunidade para ir ver a cidade do pai da Sora”). E pronto, como a Mimi-chan ficou toda contente, disse que pagava as despesas e convidou-nos também a passar a noite no hotel. Acordámos todos de manhã, no dia 23, e o shinkansen levou-nos a Quioto em menos de três horas.

- MINNAAA!!!

Já vos disse que a voz da Mimi dá-me cabo dos tímpanos? Mas como todo o pessoal da estação ficou especado a olhar para nós, também me ri.

- MIMI-SAMA!!! - Miyako exclamou em tom feliz. Eu, o Daisuke e até o Yamato gritámos de volta e encenámos ali um teatro de quem já não se via há décadas. O grupo ficou a rir-se e as pessoas a olhar.

Sim, eu gosto de chamar a atenção em público. Problems?

- Está tudo bem? - a Hikari também estava radiante, talvez por estarmos todos juntos (e quando digo “todos”, incluo também aqui a Tailmon. Por que acham que a minha irmã levou aquela mochila extra às costas?).

- Mas afinal por que é que não podias ir a Tóquio? - Koushirou não era o único curioso. Mas... a resposta que recebemos não foi nada que o meu ilustre brilhantismo já não previsse.

- Por nada! - Mimi riu-se e cantarolou – Só achei que seria booooa ideia passarmos todos juntos a véspera da véspera de Natal num sítio diferente!!

Eu sorri. Troquei um olhar com o Yamato que se traduzia por “Eu não disse?”.

- O quê?! - sim, até o Jou foi connosco, também fiquei espantado quando o vi de manhã. Mas naquele instante, pareceu incrédulo por ter caído no lema Tachikawa nas-férias-não-se-estuda.

- E qual é o problema? - ela atirou o cachecol rosa por cima do ombro, com ar provocador, – Sempre que venho a Odaiba visitar-vos é raro estarmos todos juntos!

- Por mim não é problema nenhum! – Miyako exclamou – E vocês?

- Claro que não! – Hikari sorriu – A senhora Ichijouji também precisa de férias, não é?

- Férias? - Daisuke piscou os olhos – Porquê?

- Porque tu comes demais – Takeru provocou-o.

- Tu e o Chibimon acabaram com o stock de bolachas do Ichijouji-san da última vez que lá fomos, a senhora Ichijouji teve que ir comprar mais... - Iori disse isto como se tivesse decorado um texto.

Daisuke deitou-lhes um olhar assassino e Ken riu-se com vontade.

- Está bem, Mimi-kun, mas... como é que vamos ter ao hotel com isto tudo atrás? - Jou estava a tentar desembaciar os óculos. Tinha ido agasalhado até às orelhas como se estivéssemos no pólo norte. Apostei cem ienes com o Yamato em como aquelas duas grandes malas pretas levavam uma pilha de livros. O Daisuke apostou que também trazia uma mesa desmontável, porque o Chibimon jurava ter visto um pedaço de metal a espreitar daquele grande embrulho.

- Não se preocupem! – a Mimi-chan sorriu. Tinha eu acabado de trocar um olhar de dúvida com a Sora, já estava a outra na paragem dos táxis a conversar com quatro condutores. O de bigode olhou na nossa direcção e fez “sim” com a cabeça.

Já visitei Quioto várias vezes, até mesmo em visitas de estudo, mas aquele dia foi diferente. Os táxis levaram-nos para fora da cidade e passámos por uma estrada numa zona cheia de árvores. Vi um templo budista na zona e o hotel, esse, ergueu-se à nossa frente. Tive mais ou menos o mesmo tipo de arquitectura – telhados altos e curvos nas pontas, com um par de Tengus esculpidos da base. Fica no meio da natureza, mesmo ao lado de um grande lago. As margens rochosas estão cobertas de musgo e o reflexo da água duplica o cenário cheio de árvores coloridas. A Hikari adorou, principalmente o grande dragão esculpido no topo do edifício principal.

- Este ano quis tomar ar puro e sair da cidade, para variar – a Mimi explicou.

- Olhem só!! Dá para tomar banho aqui! – Daisuke meteu-se a cobiçar a prancha de saltos do lago; aparentemente, aquela era uma zona balnear que devia ser muito frequentada no Verão - Deve ser o máximo saltar daqui e dar uns mergulhos!

- Oh... - eu sorri com ar ardiloso para o lago. Comecei a ponderar mil possibilidades de atirar alguém lá para dentro.

- Se não te queres arrepender, não fiques com ideias – Yamato ameaçou para o ar. Confesso que me perguntei se ele estava a falar com o Daisuke ou comigo.

Enquanto dois funcionários do hotel levavam as malas para dentro (o Takeru recusou-se a separar-se da mochila que tinha às costas), fomos os doze esticar as pernas para explorar o parque e as margens daquele lago, antes de ir ver aquilo por dentro. Foi mais ou menos por aí que tudo aconteceu...

- Daisuke, ouviste o Yamato-san! Queres fazer o favor de sair daí de cima!? - ouvimos a voz da Miyako.

Eu e o Yamato olhámos para trás e piscámos os olhos. Fomos dar com o Daisuke em cima da prancha de cinco metros, com um Chibimon feliz ao ombro, os dois a cantar. “Cantar” nem é bem o termo, eles estavam mais a berrar um refrão de “Merry Christmas!!” numa melodia super desafinada. Descobri logo por que o Yamato o expulsou do apartamento, no dia em que o meu ilustre kouhai lhe pediu para ensinar a ser cantor.

- Deixa de ser chata! - Daisuke agarrou-se a um dos varões e mostrou-lhe a língua – Hikari-chan! Vem cá acima! A sério, daqui vê-se melhor o dragão que está em cima do telhado!

- É verdade – Chibimon estava a apontar para o cimo do hotel – Parece o Quinglomon, com menos barba no queixo! - exclamou com ar divertido.

A julgar pela cara da minha irmã, acho que ela só aceitou subir as escadas para fazê-lo acalmar-se e sair dali.

- Não era óptimo se ela o atirasse dali abaixo? - ouvi o Takeru perguntar ao Iori, ao vê-la subir. Eu e o Yamato entreolhámos-nos e desatámos a rir. Sora revirou os olhos e atalhou.

- Pessoal, venham mas é para dentro! É melhor descerem, antes que alguém se mag...

- HIKARI-CHAN!!!

Sora nem tinha acabado a frase, ouvi um grito estridente e um “splash” que atirou água por todos os lados. Sobressaltei-me, alarmado. Daisuke ainda estava em cima da prancha, horrorizado, e eu tive que olhar para baixo, para perceber: a minha irmã tinha caído para dentro da água gelada! Aquela maldita prancha de madeira tinha-se partido em duas! (Acho que disse um palavrão quando a vi a boiar)

- DAISUKE, SEU ESTÚPIDO!!! - ouvi Miyako ralhar.

Não pensei muito bem no que estava a fazer, nem sequer fiquei a ouvir o Takeru a gritar, ou o que o Yamato disse ao Ichijouji. Só sei que ouvi tossir e percebi imediatamente que a minha irmã não estava bem. Ela estava aflita, porque o peso de muita roupa molhada puxava-a para baixo. Nem sequer me passou pela cabeça outra solução: só sei que disparei a correr como uma bala, tirei o meu blusão para o ar, sustive a respiração, atirei-me e mergulhei imediatamente de cabeça no lago.

Lá dentro, senti o gelo da água atacar-me a carne como alfinetadas... mas eu não quis saber. O lago era muito mais fundo do que imaginava. Dei algumas braçadas e cheguei ao meu alvo. Abracei a minha irmã e senti os braços dela agarrarem-se a mim com toda a força. Com uma braçada mais forte, ajudei-a a manter-se à superfície.

- Hikari! Estás bem? - chamei-a, e ouvi-a tossir ao meu lado. Acho que considerei aquilo um “mais ou menos”. Ela tremia como varas verdes!

- Taichi, aqui!!

Olhei para cima, ofegante. Fiquei perplexo, porque vi a figura esfíngica da Nefertimon a sobrevoar-nos, para ajudar a minha irmã. Só então é que eu me lembrei: os digimons! Senti-me um perfeito idiota! Nem me tinha lembrado que tínhamos os digimons connosco... Mas acho que o gelo não me permitiu corar muito. Tailmon não gostava de se molhar, portanto, acho que ela não se importou. Em vez disso, ajudei a Hikari a despir o enorme blusão branco que a atrapalhava. Ela tremia ainda mais, mais branca do que a cal, ofegante... mas quando a ajudei a subir, ela ainda tinha força nos braços para se agarrar ao dorso do felino, com força.

- Leva-a! - exclamei. Também eu tremia, mas pelo menos podia nadar até à margem sozinho. Nefertimon obedeceu-me e sobrevoou o lago, mas só quando aterrou a seis metros, socorrida pela preocupação do grupo em peso, é que eu suspirei de alívio. Ouvi a voz de Daisuke exclamar tantos pedidos de desculpa, que acho que a minha vontade de matá-lo arrefeceu junto a minha ansiedade. Além disso, Jou começou a observá-la (O Deus Capilar abençoa a tua profissão, ó grande Jou...).

- Estás bem?!

- Hikari-chan!!

- Levem-na para dentro! Lá há aquecimento central!

- Taichi!

Olhei para o outro lado. Yamato parecia impaciente comigo (ou preocupado?).

- Sai daí de uma vez! Vais congelar!

Na ansiedade de mergulhar no lago, nem sequer me tinha apercebido de como as rochas eram altas demais para um homem subir no braço. Além disso, estavam cobertas de musgo.

- Vai por aquele lado! – vi-o apontar, mas eu já tinha visto. Comecei a nadar na direcção oposta, onde a margem estava ao meu alcance. E... foi aqui que as coisas começaram a ficar estranhas. Foi como se toda a gravidade caísse em cima de mim e me empurrasse para baixo. Uma vez debaixo de água, eu deixei de ouvir as vozes. Perdido no silêncio do fundo do lago, olhei em volta, aflito, para descobrir o que tinha acontecido. A visão turva fez-me perceber a vegetação subaquática... mas não foi isso que eu vi. Talvez fosse a falta de ar, talvez fosse as tonturas, talvez fosse o cansaço dos braços... mas à minha frente, vi um par de olhos vermelhos e luzidios, muito grandes, a olhar para mim.

A cabeça do monstro tinha um par de chifres, como os de uma rena... e o corpo era mesmo muito comprido, porque vi-o mover-se até perder de vista... na escuridão. Eu podia jurar que era um dragão... um digimon, que me sorriu. Mas a escuridão ficou maior, senti o torpor e o cansaço embeberem-me os sentidos, e... deixei de conseguir ver fosse o que fosse. Depois disso, não me lembro do que aconteceu...

Acho que me lembro vagamente de vomitar água, quando me tiraram do lago, mas só fui recuperar a consciência depois. Acordei, sabe-se lá porquê, num sofá com pele de chita.

- Taichi-senpai!!

Pisquei os olhos. Fui dar com o Daisuke em cima de mim... e... mais um pouco e beijava-me.
- Sai de cima dele! - Yamato puxou-o pelo capuz do casaco (thank you, louro!).

- Hei, eu só queria ajudar!

Olhei em volta. Estava dentro do hotel, nalguma espécie de sala comum com vários sofás e uma TV desligada; havia uma lareira mesmo ali ao lado. Eu estava sem frio, mas ainda tinha o fato de treino todo molhado e colado ao corpo.

- Os quartos do hospital estão em falta? - balbuciei e sentei-me, um bocado contra-feito. Então era assim que se tratava um herói? Atiravam-no para um sofá perto de uma lareira e pronto?

Podia jurar que tinha visto o Yamato reprimir uma gargalhada.

- Se tens forças para reclamar, então estás bem – mas o sorriso dele esbateu um pouco – O dono do hotel fartou-se de pedir desculpas. Mas o que raio te deu? Só te vi afundar, deixaste-nos doidos de preocupação!

Só depois é que percebi, tanto ele como Daisuke estavam encharcados até aos ossos, com o cabelo ainda a pingar água. Não devia ter passado mais do que uns minutos.

- Eu... - hesitei.

De repente, entrou um homem de barba, com um semblante preocupado. Sem saber quem era, eu levantei-me imediatamente, atrapalhado. Eu devia ter encharcado o sofá...

- Oh, que alívio! Vejo que já acordou! (A sério?) - o senhor tinha um sotaque americano – Por favor, queira aceitar as minhas humildes desculpas! - fez uma vénia exagerada; senti-me envergonhado. Eu mal o conhecia, já o tinha aos meus pés?

- Ah... não se preocupe com isso! Acabou tudo bem!

- De modo algum! - o homem endireitou-se, aflito – Faço questão de vos compensar! Fui eu que convidei a menina Tachikawa, não pode ser! Por favor, aceitem um almoço de honra na sala VIP! Temo-la completamente preparada para suas excelências! Se for do vosso agrado, claro!

Estávamos os três em pé, sem saber o que fazer. Aceitei, mais por embaraço do que por outra razão, e o homem pareceu felicíssimo, como se o Natal tivesse chegado mais cedo. Vi-o afastar-se, para começar imediatamente o seu trabalho.

E então, ouvi um coro de vozes vindo do corredor. Apercebi-me da voz de Sora a rir-se de alguma piada. A Miyako e a Mimi entraram por ali a dentro, abraçadas à Hikari, que tinha um sorriso ruborizado nos lábios, embrulhada agora num cobertor do hotel; Tailmon trotava aos pés dela.

- Onii-chan!! - assim que a vi entrar pela porta, ela sorriu-me. Tinha o cabelo molhado, mas as faces dela já tinham mais cor. Percebi logo que estava bem.

- Yamato! - Sora ficou perplexa – Por que raio estás todo molhado?!

- ...e o Daisuke também! - Miyako ergueu uma sobrancelha.

Eu e “os escolhidos da amizade” entre-olhámo-nos. Comecei a rir-me e levantei-me, como se não tivesse acontecido nada.

- Ele ficaram com inveja e decidiram juntar-se mim! Água fria faz bem!

Koushirou e Jou olharam para mim fixamente.

- Vocês estiveram a divertir-se, com a Hikari-chan neste estado?! - Miyako começou a bater no Daisuke – Tu não tens vergonha?!

- Au, pára! Pára com isso, eu já disse que não foi de propósito!

- Ela podia ter-se magoado!!

- E eu também! Não sabia que a madeira daquilo estava podre, eu só queria mostrar o...

- PODRE está o teu CÉREBRO! Podias enfiar o teu dragão num sítio que eu cá sei!!

Por esta altura, estavam todos estavam a rir-se à gargalhada. Mas eu não consegui acompanhar o ritmo, ao ouvir a Miyako falar de “dragão”, fiquei confuso. Só depois me lembrei, havia de facto um dragão, no cimo daquele telhado. Hikari tranquilizou Daisuke com um beijo (Takeru desviou o olhar) e eu recebi outro em cada face.

- Vocês os três, vão tomar banho! - Sora ordenou – E aproveitem, fiquem no vosso quarto a arrumar a roupa, não deixem para a última hora!

- Sim, mãe! – respondemos em coro.

Só as raparigas ficaram para trás, para descobrir o que havia para o almoço; quanto a nós, saímos todos da sala. Descobri que o nosso quatro ficava no andar de cima e também que havia uma sala comum com lareira, praticamente igual àquela em que acordei.

- O hotel está por nossa conta... acho que a Mimi-kun pagou pelo hotel todo para termos privacidade – Jou não pôde deixar de observar o mesmo que eu. Mas nenhum dos outros entrou na conversa dele; em vez disso, o Koushirou observou-me com ar curioso.

- Podes explicar-me que história foi aquela de “Água fria faz bem”?

- Hã? - olhei para ele espantado.

- Nós não estivemos exactamente a ajudar a Hikari-san a tomar banho e a mudar de roupa, enquanto estavas inconsciente – ergueu uma sobrancelha – E agradece ao Upamon, foi ele que te ajudou.

Bom, e lá se foi a minha dignidade. É claro que agradeci ao Iori, embora o rapaz tenha ficado todo vermelho.

- Não fiz mais do que a minha obrigação... - murmurou ele, com os olhos verdes no chão.

Mas como outra coisa estava a remoer-me na cabeça, decidi contar o resto. Claro, arrependi-me depois, porque o Jou olhava para mim como se eu estivesse doido.

- Um dragão?

- ...um dragão igual ao deste hotel? - Takeru repetiu.

Já tínhamos tomado banho. Ao voltar para o quarto, não pude deixar de reparar que havia desenhos de dragões por todo o lado, mas nenhum era exactamente igual àquele do telhado em questão.

- Oh... - Daisuke ficou interessadíssimo – Deve ser um digimon! Só pode ser!

- Aqui, no meio de Quioto? – Takeru franziu o sobrolho.

Já o Koushirou, pareceu mais impaciente.

- Mas aqui não há computadores... nem sequer há Internet – e pareceu muito desagradado com este simples facto – A menos que haja algum portal por perto, como é que um digimon tão grande podia aparecer no fundo do lago?

- Não sei... tu és o génio daqui, explica-nos! – provoquei-o. Acho que lhe mexi com o orgulho, porque ele parou de digitar no laptop e olhou para mim, sem brilho no olhar. Fiz um ar de cachorrinho inocente, e ele revirou os olhos. Deus Capilar 1 – 0 Geek!

- Ok, está bem... Eu sei que existem lendas de dragões que... bom, há uma espécie de dragões que, diz-se, controlam o fluxo dos rios.

- Então é isso!!! - exclamei vitorioso.

- RIOS, Taichi-san. Rios! - ele repetiu com ar ofendido – Aquilo é um lago! E também não é exactamente o Loch Ness!

Ok, Deus Capilar 1 – 1 Geek. Infelizmente, foi também quando ouvi passos atrás de nós.

- Pessoal, eu estou cheio de fome e o Upamon também... - olhei para trás e vi que era o Iori tinha-se levantado para abrir a porta e ir embora – Vamos lá para baixo, está bem?

- Bom, nesse caso, eu também vou! - o Ichijouji seguiu-o.

- Ah, esperem por mim! Estou esfomeado!
A porta fechou-se e, na sala... só ficaram: eu, o Daisuke, o Koushirou e o Yamato. Senti-se furioso. A minha experiência misteriosa era assim tão insignificante?! E sinceramente acho que o Yamato e Koushirou também teriam ido, se não fosse por alguma réstia de respeito pela minha pessoa, que pelos vistos, estava agora a ir pelo ralo. Encarei-os de frente, como a desafiá-los para se levantarem. Os dois entre-olharam-se e suspiraram, impacientes.

- Taichi, o que precisas é que comida. Não há nada de mal em admitires que és maluco, não é nada que já não soubéssemos - foi o que aquele parvo que disse. Sim, o louro.

- Mas havia um dragão!! - insisti, indignado – Estou a dizer-vos!

Escusado será dizer que fizeram ouvidos moucos. Mas até eu sei os limites de uma conversa, por isso, não toquei mais no assunto depois daquilo. Decidi amuar e não falar com mais ninguém, mas não sei se consegui... O almoço foi MUITO bom e a tarde consistiu num tour fantástico com a Mimi-chan aos lugares mais interessantes da cidade. Daisuke foi o único que realmente pareceu acreditar em mim, ao ponto de sugerir investigar comigo se havia de facto alguma coisa suspeita no fundo do lago.

Durante a noite, levantámo-nos os dois para ir explorar os arredores. Desde onze da noite até às duas da madrugada, mais ou menos, estivemos à procura. Mas o único dragão que vimos foi realmente... aquele que continuava ali, em cima do telhado, completamente indiferente às nossas buscas. Por várias vezes, imaginei a maldita estátua a rir-se diante da figura de parvos que nós dois estávamos a fazer, cheios de frio, de lanternas na mão, apontadas ao fundo de um lago turvo e sujo. Até que Daisuke começou a ficar com sono. Sem saber exactamente o que ele tinha na cabeça (talvez ao pensar no seu “louco senpai”, talvez simplesmente “imbecil”), aceitei a sugestão dele e fomos dormir...

No dia seguinte, 24, era véspera de Natal. Passei a manhã cheio de sono, mas aceitei acompanhar o pessoal até ao centro comercial no coração de Quioto. Acabei por comprar ali algumas prendas de Natal para os meus pais, sob sugestão da Hikari. Ao princípio, protestei por causa do maldito consumismo natalício. Mas, depois das compras, até que valeu a pena. Fomos ainda ao cinema e passámos todos um bom bocado num arcade. Até que, claro, a Mimi-chan disse que tinha que regressar.

- Pessoal, foi um dia fantástico! - riu-se, abraçando um enorme peluche rosa que tinha conseguido no salão – Mas é pena que já esteja a acabar. Eu vou ter que ir para o aeroporto esta noite ainda. Quero voltar para Nova Iorque e passar a consoada com os meus pais!

- A consoada? - Daisuke olhou para ela – Mas já não vais tarde para isso?

Também fiquei confuso.

- Daisuke, na América tens que contar catorze horas a menos – Iori explicou – Com três horas de viagem, ela ainda vai dormir a casa e acorda no dia 24.

Eu sorri com ar superior.

- Sim Daisuke, francamente! Como é que não te lembras que na América ainda estão no dia 23? (Maldito fuso horário, mal vejo os seus movimentos...!)

- Taichi... - Yamato veio por detrás de mim, ao ver-se sorrir – Cuidado com o dragão.

E eles riram-se! Já disse o quanto eu ODEIO aquele filho da mãe? Deviam premiar-me pelo esforço que eu fiz por não lhe dar um murro ali mesmo!

Até que... bom. Ontem, a Mimi-chan telefonou-me para casa toda contente. Contou-me muitas coisas, mas a última, foi a cereja em cima do bolo. Ela disse que tinha ido passar férias naquele hotel, porque era o negócio de um dos primos dela. Sim, aquele sujeito que me pediu desculpa e fez as vénias por causa do lago. E sabem que mais? Ao que parece, o filho dele é um grande amigo da Mimi-chan. Vive em Nova Iorque, e também é um escolhido.

O digimon dele é um belo Majiramon travesso que adora apanhar sol no telhado dos edifícios...

Fim.

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Última edição por Rayana_Wolfer em Sex Dez 23, 2011 9:05 pm, editado 1 vez(es)
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