Digimon Adventure ZeroTwo: Hinode

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Re: Digimon Adventure ZeroTwo: Hinode

Mensagem por Convidado em Ter Ago 23, 2011 7:56 pm






Após ter tido uma conversa amistosa com uma das subordinadas de Umbra, o desconhecido digimon parte em busca dos escolhidos, pensando no modo de fazê-los se dirigirem para o próximo continente e irem à cidade de Santa Geria.

Enquanto isso... Os dois grupos das crianças continuavam procurando um pelo outro.
Mas tinham algo em comum... Ambos falavam do tal gatuno.
Opiniões divididas entre ele ser ou não confiável, ser inimigo ou aliado...
Ou... Se ele saberia de alguma coisa sobre o goggle boy desaparecido.

As únicas que tinham alguma idéia das ações de Lightnimon eram Nina, Sora e Hikari.
Exatamente nesta ordem. E a que sabia de sua verdadeira intenção em ajudar os parceiros dos seis veteranos era a Geijutsushi.

Todos foram encontrados por ele. Todos foram salvos pelo mesmo indivíduo.
E inclusive ela tinha sido salva. E ele estava com V-mon para protegê-lo dos inimigos, que o deixaram vivo somente para dar a tal notícia trágica e depois eliminá-lo juntamente dos treze.

Isso intrigava três membros: Ken, Piyomon e Takeru.
Por quê?

Em relação ao Ichijouji era pelo fato das atitudes da menina. Ele sentia que Nina escondia algo a respeito do estranho que atacou Taichi, Koushiro e Carol.
Quanto à Piyomon, foi graças ao aviso “amistoso” do próprio “herói”, que soou mais como uma ameaça.
Já Takeru... Não gostou nem um pouco dele ter atacado aos seus amigos, ao seu irmão... E ter mandado que a Yagami fosse até ele, e apenas só para pedir que ela liberasse o poder da Luz. Não, não era por isso... Mas sim pelo fato de que o digimon mercenário os paralisou APENAS para isso. Não poderia ter sido direto? Ter falado normalmente com a escolhida SEM ter de atacar os demais?!

- Ele não pode ser de confiança. – cismavam os dois.
- O que ela sabe? – cismava Ken.

- O sinal está mais perto... – notificou Yamato aos outros.
- Estamos próximo deles – notificou Taichi aos demais.

- Espero que ele esteja bem... – pensou Hikari.
- ... Lightnimon... – o mesmo se dizia de Ni.


E então...
Os escolhidos se encontraram. Para a surpresa dos dois grupos...
Piyomon já estava com Sora, e Tentomon com Koushiro.

- O que?! Ele também o ajudou?! – exclamou uma Piyomon surpresa.
- Sim. – acenou positivamente Tentomon – E disse que quando nos encontrarmos das próximas vezes...

Explicaram o que tinha sido dito. Tanto Tentomon quanto Hikari.
Ah, eles também contaram sobre tais encontros com o tal digimon.

E isso confundiu a cabeça deles. Inclusive dos que ainda não tinham uma opinião formada. O líder nem se importava mais com o ataque, talvez tivesse alguma razão... Não faria tanto sentido ele ter ajudado seu parceiro e logo depois querer feri-lo.

- Então... Só falta o Gabumon... – concluiu um Yamato sério e preocupado.
- Só falta ele... – afirmou Jou – Mas parece que ele não está aqui.
- Talvez esteja em Santa Geria, como o Agumon disse. – supôs Sora.
- Melhor irmos pra lá então...? – falou uma Mimi inocentemente.
- Vai demorar pelo menos três dias se formos pelo mar. – reportou Koushiro, de olho num mapa em seu portátil.

- Até lá podem ter encontrado-o... – comentou Nina – Ao menos que ele saiba do perigo que está correndo e tenha se escondido a tempo.
- Sim... – concordou Carol – Temos que ir para lá o mais rápido possível!

- E... Eu não sei se conseguirei agüentar atravessar o mar por três dias na forma kanzentai... – falou a foquinha branca.

- Se ao menos o Motomiya-kun estivesse conosco... – começou Ken – Poderíamos ir para lá com o Imperialdramon...
- Mas ele ainda não está... – suspirou Miyako – E agora? O que iremos fazer?

- Pegar um trem? – falou Patamon, olhando por cima dar árvores.

Silêncio. Todos se voltaram ao pequenino voador:

- Trem?!


#24 - A Estação Ferroviária da ilha: Starlight!




Seguiram Patamon até uma ferrovia que ficava, ironicamente, na costa da ilha que dava para o outro continente. A reação de todas foi... Inesperada.

Ok, podiam já ter visto de TUDO antes na DW... Mas uma ferrovia?!
Não, não uma ferrovia qualquer, que tenha ponte para ligar as estações e etc...
Nem um túnel subaquático por onde passa o trem...

Mas sim... Uma linha de luz gigantesca no lugar de trilhos.
“Como raios um trem passa por ali?!” pensaram.

Não havia lógica ou sentido. Também os trens não tinham rodas.
Apenas carretéis por onde corria pela linha.

- Nunca vi algo assim... Antes... – exclamou o escolhido da Coragem.
- Já deveriamos estar acostumados... Com essas coisas – acrescentou o da Amizade.
- Será que é seguro? – perguntou o da Confiança.
- Como isso funciona? – falou o da Sabedoria, curioso como sempre foi.

Enquanto trocavam comentários, faziam-se perguntas e examinavam tal trem bizarro, uma silhueta aproximou-se e...

- BEM-VINDOS À ESTAÇÃO STARLIGHT, A FERROVIA DA PARADISE ISLAND!

- AAAAH! – gritou o grupo inteiro devido ao susto. Encararam-no – QUEM É VOCÊ?!

Pipocou ali um digimon do nível criança, fofo e adorável. Peludo, da cor alaranjada, parecia um lobinho. Era bípede, tinha cinco dedos nas mãos (ao invés de patas), olhos lilás, na testa um triângulo de cabeça pra baixo e dois pequenos nos dois lados deste. Em suas bochechas, abaixo dos olhos tinha um em cada lado, também invertido e com a ponta mais longa direcionada para seu nariz. Nos pulsos tinha braceletes, que possuía um corte no meio, dando a impressão que eram dois. E na lateral deles mais um na vertical, causando este mesmo efeito.

- Eu me chamo Hammermon! – apresentou-se – Sou o maquinário, ferreiro, comissário de bordo... Quase tudo desta estação!

- Quase? – falou Agumon – Mas o que você não faz?
- Eu só não sei cozinhar... Isso fica por conta do Burgamon.
- Esse trem vai para o outro continente, dagyaa? – Perguntou Armadimon.
- Aham! – acenou positivamente com a cabeça infinitamente – Nossos serviços levam a qualquer lugar que nossos passageiros desejarem!
- Poderia nos levar à Santa Geria?! – perguntou Palmon.
- Os embarques para Santa Geria acabaram, desculpem.

- Comissário de bordo não existe em trens... – disse a Yagami.
- Mas este trem não é um trem comum! – resmungou Hammermon.
- Este é o nosso único meio de irmos para Santa Geria? – perguntou-se Iori, fazendo um facepalm.
- Nossos passageiros nunca reclamaram antes dos nossos serviços – sentiu-se ofendido.
- N-Não fique assim! – Sora tentou confortá-lo – É que nós nunca vimos um trem assim antes... Nem mesmo cinco anos atrás...!
- Cinco anos atrás?! Espera... Vocês são os Escolhidos que salvaram a Digital World dos Mestres das Trevas, do Apocalymon, do Digimon Kaiser e do Vamdemon?!
- Sim...? – respondeu Miyako.
- A Digital World esteve segura por muito tempo! Estamos eternamente agradecidos! Por isso mesmo eu acho que posso mudar os planos de viagem do horário e ir para Santa Geria...
- Pode mesmo?! – Mimi abriu um enorme sorriso, com seus olhos brilhando. Os outros também ficaram contentes.
- Claro, claro! – acenou positivamente e sem parar – Tudo pelos defensores deste mundo!

- Se ele souber que eu era o Digimon Kaiser... Duvido que me deixe embarcar *gota* – comentou Ken aos demais e bem baixinho.
- É melhor não tocar neste assunto então... – sugeriu Carol.

- Ei você aí! – Hammermon apontou para o escolhido da Bondade – Você aí!
- Quem? Eu? – o moreno apontou para si mesmo, confuso.
- É! Você mesmo!

O grupo inteiro sentiu um arrepio ENORME.
Hammermon encarou Ken, como se suspeitasse dele.

- Você por acaso é uma menina?!
- HEIN?! – todos, com exceção de Ken, capotou com aquilo.
- M-Menina?! – a reação do Ichijouji foi tensa. Jamais o confundiram antes com uma guria.
- É... Você parece ser uma gatinha.
- E-eu... Sou um garoto... – continuava tenso. E desacreditado.
- Ah... É que seu cabelo parece de menina.
- E daí? – meteu-se a Inoue – O cabelo dele é lindo, tá? As garotas gostam de caras com cabelo comprido!
- Ah... Bom saber disso! Preciso arranjar uma namorada...
- Pode ou não nos levar à Santa Geria?! – gritou uma Nina impaciente com aquilo.
- Claro, claro! – sentiu medo da rapariga – Podemos ir agora, se quiserem...!
- Ótimo. Quanto é a passagem?
- De graça, os escolhidos não precisam pagar para isso.
- E quanto tempo irá demorar a viagem? – perguntou Yamato.
- Se sairmos agora... Podemos chegar lá pela madrugada de amanhã...
- Então vamos logo! – Taichi quis terminar aquele assunto de vez.
- Okie dokie! – bateu continência o lupino mirim – Todos a bordo!

As crianças embarcaram no primeiro vagão.
Logo atrás, um certo alguém tentava não rir por mais que quisesse...

- Que embaraçoso... – Vee deu um tapa na testa.
- Não ria... Não ria... Pff... – o gatuno simplesmente lacrimejava enquanto tentava segurar o riso.
- Vai ficar aí de bobeira e deixar o trem partir?! – reclamou o azulzinho.
- Posso rir antes? Aquilo foi tão... Hilário!
- Ria, mas não muito. *sigh* Você às vezes me lembra alguém...
- Saudades dele, huh? – riu – Não se preocupe. Eu te prometi e não vou faltar com a minha palavra.
- Ahn, Lightnimon... O trem já está saindo...
- E nós vamos pegar uma carona também – pegou-o no colo e saiu como um raio. Saltou e embarcou no último vagão.


E lá se foi o trem. Correndo pela linha luminosa. Hikari sacava a câmera fotográfica e tirava inúmeras fotos. Nina sentia-se inspirava e começou a desenhar. Carol fez o mesmo, porém a escrever. Miyako olhava pela janela, admirando a paisagem.
Os outros sentaram e passaram a conversar.

Boa parte do tempo foi gastado daquela forma. Salve pelos lanchinhos que tinha.
E das piadas, e das histórias (afinal, aquele tempo todo poderia render as histórias das primeiras aventuras de Taichi & cia., e as do grupo de Daisuke), e para se conhecerem melhor e... Várias coisas.

Claro que, eles não faziam idéia de tinha dois passageiros a mais, observando toda aquela festa. V-mon desejava poder entrar lá e se divertir, comer doces (ainda mais os chocolates!), contar piadas e etc.
Lightnimon por sua vez olhava em especial para uma pessoa. E como ela agia. E como ela parecia tão... Calada em algumas situações. Mas a viu sorrir umas duas a quatro vezes. Só que... Não era verdadeiramente um sorriso alguns deles. Era um “estou bem, não precisam se preocupar.” para que não se preocupassem.

E por que justo quando falavam “Daisuke”? Sim, ela sentia uma sensação tão estranha quando ouvia o nome do menino. Ainda estava mal pela forma que pensou dele. Pela forma com que evitava conversa com ele...

Agora... A sua maior vontade era encontrá-lo. Isso era visível no rosto dela.
Viu o Yagami se aproximar da Geijutsushi, colocar a mão em seu ombro e sorrir:

- Nina, não fica assim. Logo iremos encontrá-lo. Ânimo! Precisamos de você também. E ele também precisa que você confie nele.

Ouviu as palavras do líder do grupo. Taichi sempre soube consolar os outros, mesmo que às vezes parecesse que não tinha como. A coragem dele era passada aos demais, que começavam a se sentir melhor. E ela não seria exceção da regra.

A viu sorrir, mas desta vez... O sorriso era de alivio. Tinha um pequeno brilho esperançoso brotado. Esperança que as palavras daquela ave gélida fossem lorotas desalmadas ditas para que o grupo inteiro ficasse arrasado e confuso.

Esperança. Ah, sim! Isso que ele ainda não tinha feito. Falado com o escolhido da Esperança para que libertasse seu fragmento, o seu poder.

Só que agora não seria boa hora. Estavam TODOS reunidos ali, e se pipocasse um digimon mascarado que se veste todo de preto, com olhos vermelhos e um pompom prateado longo até as costas... Resultaria numa luta DENTRO do trem, e o jogariam pra fora.

Retirou-se da janela e sentou no chão. Suspirou e refletiu. Alguma coisa no fundo o incomodava. Só não queria dizer o que era.

- O que hou--
- Shh. – sussurrou ele – Nós não pagamos passagem. Eles irão ficar bem, vamos pro último vagão e repousar um pouco. Merecemos isso, já que conseguimos reunir Piyomon e Tentomon com seus respectivos parceiros.

Levantou-se e foi para o último vagão, que ficava depois de outros dois. Os escolhidos estavam no primeiro. O segundo e o terceiro vagos.

...
O sol se põe, a lua começa a ganhar destaque no céu. As crianças pegam no sono... Idem aos seus parceiros. Menos ela.
Outra vez não tinha conseguido dormir... E ficou admirando a janela.

- Motomiya... – murmurou, debruçando seus braços no vidro da janela.
- E... Espero que você esteja bem... – pensou, fechando os olhos por alguns momentos. Abriu-os quando o colar começou a brilhar.

O brilho lilás apontava para a porta que levava ao segundo vagão. Era onde Daisuke estava? Não.
A menina não pensou exatamente no rapaz. Sua outra preocupação ali era...
Com outro indivíduo.

Sua curiosidade a fez com que abrisse a porta. Não tinha ninguém ali.
A seta continuava a apontar para seguir adiante. Curiosa, prosseguiu.

Abriu a porta para o terceiro vagão. Estava vazio.
Mesmo assim entrou. Mesmo que estivesse escuro, a luz da lua já clareava um pouco.
E o colar insistia para que ela continuasse. A direção indicava... A última porta.

Aproximou dali e... Espiou pela janela. Para sua surpresa...
Estava vazio! Como?!

Aí que ela fez o que não se deve fazer. Abriu a porta.
Andou até o meio do quarto e último vagão. Olhou para os lados e nada.
Mas o colar cismava. Teimava com sua dona.

- Que estranho... – disse ela mentalmente – Você diz que tem alguém aqui, mas não há ninguém!

De repente... Sente algo atrás de si. Quando se vira encontra dois pares de olhos vermelhos vidrados nela. Só não gritou por causa do gatuno que tapou sua boca com sua mão antes mesmo que a garota fizesse isso. Mas levou um susto. Um grande susto.

- O que você está fazendo aqui?! – bronqueou ele – Quer que os seus amigos me encontrem e eu tenha que lutar contra eles?!

Diferente das duas últimas vezes... Conseguiu ver um pouco de seu rosto. Mas só sua boca e seu nariz... Já que rapidamente colocara o elmo assim que sentiu a presença da guria.

- Eu vim... Ver-te... – respondeu baixinho, dando um pequeno sorriso.
- Ok, já me viu, agora vá logo antes que percebam que não está lá!

- Eu estou sem sono... Os outros estão dormindo, sem preocupações alguma... Acho que até mesmo o Ishida, que estava meio nervoso e preocupado com o Gabumon, está mais calmo e descansado um pouco.

- E pelo jeito você não está, certo? – deduziu.
- Sim... Eu... Ainda estou... *sigh*
- Ainda está...?
- Preocupada com o Motomiya... – confessou.
- Percebi... Sempre que falavam o nome dele... Você ficava meio desanimada.
- É por causa daquelas histórias... Eu não sabia que estava tão errada quanto a ele...
- Como assim “errada”?

Sentou-se no banco da esquerda, abaixou a cabeça. E continuou:

- Quando me mudei em 2001, fui cursar o primário na mesma sala que ele. Pensava que o Motomiya era igual aos demais, que vieram me perguntar da onde eu vinha, como era a minha antiga escola, etc... E quando descobriram que eu desenhava, chovia pedidos. Mas... Muitas dessas pessoas não falavam tanto assim comigo. Bem, ele e eu nunca tínhamos nos falado antes... Exceto quando nos víamos. Eu sentia algo familiar nele... Só agora percebi... Nós estivemos juntos naquela mesma fila em agosto de 1999, quando Vamdemon estava atrás da oitava criança...! Mas... Não é isso... Não é isso que me incomodou...

- Não?

- Não... Em 2002 fiquei em outra turma. Com minha melhor amiga, a Carol. Aquela menina de olhos verdes e cabelo castanho claro. Passei boa parte do tempo com ela... E quase nunca o encontrava. Claro, eu tinha uma amiga bem parecida comigo, como se fossemos irmãs de alma. Em 2003 caímos na mesma turma. Ela, eu e o Motomiya. A Yagami tinha sido transferida para outra escola... Mas pelo que ouvi só mudou de turno devido ao curso de fotografia que ela ganhou pelas excelentes fotos do jornal da escola... Nesse ano... Carol e eu vimos, antes das aulas começarem, um gigantesco digimon. E mais tarde também vimos o Motomiya e um garoto de cabelos morenos até os ombros, chamado Ken, com duas criaturinhas voltando da Rainbow Bridge. O ano letivo começou e foi até normal... Vieram as férias de verão, passei bastante tempo com a Carol-neechan... E foi aí que aconteceu.

- O que aconteceu?

- A Yagami sumiu. Três semanas se passaram e o Motomiya some. E depois de quatorze dias fora de casa... Os amigos dele, Carol e eu, fomos enviados para um mundo estranho. Após aqueles eventos... Misteriosamente ele começou a falar mais comigo e com a neechan. Eu achei aquilo estranho... O que o fez querer isso?! Se apenas nos cumprimentávamos, e olhe lá... Não entendia. Não compreendia. E depois de passados dois anos?! É sério, não conseguia entender. Mas... Agora que os amigos dele falaram... E o que o Iori disse pra mim antes de uma reunião que ele organizou... O Motomiya queria ser meu amigo, queria me conhecer melhor. E eu pensava que ele era que nem os outros que estão no passado. As pessoas interesseiras que se aproveitavam dos meus dotes artísticos ou por ser uma boa aluna... Eu comecei a falar menos com as pessoas... Só por temer ser usada novamente, como uma máquina. Se eu não fazia nada que me pediam para desenhar... Desprezavam-me. Alguns nem ligavam pra isso, só pelo fato de ser quieta e sempre no meu cantinho, vinham me atormentar, me incomodar. Eu pensava que ia acontecer de novo... Que ele...!

- Ele não é assim. – interrompeu – Essa criança escolhida não é nem um pouco assim.

- Iori e Ken disseram o mesmo. A Miyako também... E os Yagami... Espera... – olhou-o – Como sabe que o Motomiya não é deste tipo de pessoa?! – interrogou-o.

- Eu sei sobre os doze escolhidos. Ele não é nem um pouco assim.

- Iori tinha dito que... Ele talvez quisesse se aproximar mais de mim por perceber este meu medo de interagir com as pessoas... E o Ken falou a mesma coisa...

- Se ele fosse deste tipo... Não seria o líder. Jamais escolheriam um líder que não tivesse boas intenções. Um líder que se preze é um sujeito que quer o bem dos demais, os une e os ajuda. E o grupo em conjunto ajuda uns aos outros, incluindo o líder. Se ele fosse uma pessoa assim, nunca o deixariam liderar. Eles falaram dos Digimentais que ele possui?

- Coragem e Amizade... E o Yagami também tinha explicado o porquê dele ter o presenteado com seus goggles... Ele disse que só daria os goggles a alguém que se importasse com os amigos. E disse que o Motomiya sempre se importou com todos eles. O Ken reforçou isso contando que ele foi o único que ficou ao lado dele depois de ter sido libertado do controle da Semente das Trevas, defendeu-o dos outros... E que quando ele tentou impedir a explosão da base, o Motomiya não deixou ir, e até deu um tapa nele com direito a um sermão depois... Terminou dizendo que foi depois deste tapa que ele e o Motomiya se tornaram grandes amigos.

- E ainda pensa o contrário dele depois disso tudo que te contaram?

- Iie. Por isso que preciso encontrá-lo e pedir desculpas por ter pensado tão errado dele. E eu espero encontrar o Motomiya logo!

- Claro que vai! – sorriu a ela – É só não desistir e fazer o que o Taichi-san disse. Você precisa confiar nele. Precisa acreditar com todas suas forças que ele está bem!

- Só uma coisa me preocupa... Por que ele ainda não se comunicou conosco?

- Aposto que ele deve ter uma boa razão para isto... Do jeito que ele é, não faria os outros ficarem preocupados com ele...

- Talvez... Ele estava sendo perseguido por uma ave de penas azuis, chamada Frostmon.

- Se ele estava sendo perseguido... Não deve ter dado notícias para que não usem vocês como isca.

- É, isso que pensamos... Que ele está vivo, mas não nos disse nada para que os nossos inimigos continuem pensando que ele está morto.

- Está se sentindo melhor agora?

- Ah! Estou sim, obrigada! E... Eu trouxe uma coisinha pra você pro Vee. – pegou a bolsa, abriu e tirou um pacotinho de chocolates que foram o lanche da tarde – Só não quero brigas. – riu. Entregou nas mãos dele.

- O-Obrigado p-pela g-gentileza... – corou.
- Eu gosto de conversar com você... Sinto-me bem, é como... Como se eu já te conhecesse...
- Acho melhor você voltar agora... Antes que eles percebam e venham te procurar...
- É, eu vou voltar para o primeiro vagão agora... – abraçou-o e em seguida por para a porta – Até alguma hora dessas... E oyasumi~

- O... Oyasumi... – continuou corado.

Ela sorriu, deu uma risadinha graciosa e saiu pela porta. Voltou para perto dos outros escolhidos e o deixou ali.
Ele mais uma vez olhou para a janela... Não para a rua, mas para seu reflexo. Ficou pensativo. Pensativo... Até sentar no banco e cair no sono. O mesmo se dizia dela.

Mas... Desta vez ambos sorriram, tendo uma boa noite de sono.








Iie (いいえ) = Não
Oyasumi (おやすみ) = Boa noite




Última edição por Nina Geijutsushi em Sab Ago 27, 2011 1:08 am, editado 1 vez(es)

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Re: Digimon Adventure ZeroTwo: Hinode

Mensagem por Convidado em Ter Ago 23, 2011 8:17 pm






Aquela noite foi agradável. Tão agradável que o primeiro raiar do dia despertou a menina. Os outros continuavam dormindo, tranqüilos. Pensou em ir dar bom dia ao “passageiro especial”, mas o grupo logo iria acordar e se não voltasse a tempo... Poderia dar em encrenca das grandes.

Ficou ali mesmo. Pegou o caderno pequeno que estava na bolsa e... Reparou em algo estranho dentro dela. Tirou tal objeto e reconheceu-o.

- Um D-Terminal?! – exclamou mentalmente – Quando que...

Não pensou uma vez sequer e pegou tal aparelho. Abriu-o e procurou pela lista de contatos um nome específico, selecionou-o e escreveu uma mensagem. E antes mesmo que alguém pudesse impedir, enviou-a.

Sua ansiedade em obter respostas foi o impulso para algo que veio a lembrar DEPOIS de já ter feito.

- Se... Se o Motomiya estiver mesmo vivo e se escondendo daqueles que tentaram matá-lo... Isso... Isso poderá causar em confusão!

Seus olhos arregalaram, sentiu um imenso arrepio nas costas. Um frio na barriga e...
Ouviu um cochicho em sua orelha.

- Geijutsushi-san?

Ela virou-se para trás e deu de cara com uma pessoa. Mas o susto foi tanto que a fez dar um berro a ponto de fazer todos acordarem. E num ato de defesa, meteu-lhe uma bofetada na cara. Sem antes ver QUEM era.

- O que aconteceu?! – perguntou um Taichi alarmado.
- Você está bem, Nina-san?! – perguntou Iori.
- Ken! – gritou uma Miyako assustada, abaixando-se e vendo que o garoto foi a nocaute.
- Alguém... Alguém... – ela não conseguia falar, apenas mirou o rapaz de cabelo moreno azulado no chão – Uh, eu gritei e o Ken não acordou?! E por que ele está com essa marca de tapa na cara?

- Neechan... Por acaso não se assustou com o Ichijouji-san?
- Eh? – desta vez olhou para a Carol – Bem que a voz era familiar...
- Você... Assustou-se com ele então? – deduziu Jou.
- ... Ah! Desculpe, Ken! – a menina rapidamente abaixou a cabeça, envergonhada.

Os demais apenas assistiam tal cena estúpida em total silêncio.
Bom, a culpa era dos dois. Mas foi apenas um estúpido mal-entendido.

O que fizera Ken acordar naquele silêncio todo? O barulho de um D-terminal apitando!
Pensou ser o seu, e por isso acordou para conferir. Mas não era. Aí viu a menina com um em mãos e pensou em perguntar a ela... Mas não queria acordar os outros, aí sussurrou e deu nisso.

Agora com todos acordados... O escolhido da Bondade voltou a si depois de 5 minutos nocauteado pela jovem.

- Pessoal... – chamou-os – Algum de vocês recebeu alguma mensagem...?
- Mensagem? – disse uma Mimi confusa.
- Eu acordei após ouvir o som de um D-terminal.
- D-terminal...? – Koushiro tirou o seu do bolso e checou – Não foi o meu.
- Nem o meu. – respondeu Taichi.
- O meu também não – negou Sora.
- Não recebi mensagem nova. – notificou Yamato.
- Sem mensagens novas. – negou Jou.
- Nada aqui. – checou Miyako.
- Também. – falou Takeru.
- Nada. – negou Hikari.
- O meu também. – disse Iori.

- E o de vocês? – direcionou-se para Carol e Ni.
- Nós? – entreolharam-se.
- Sim. Vocês também têm. Não têm?
- Eu achei isto na minha bolsa... – mostrou a desenhista.
- Você tem? Então eu também tenho um? – Choujutsushi abriu sua bolsa e começou a procurar, até encontrá-lo e também mostrá-lo ao grupo – Como que...
- Isso não importa agora. – interveio Ichijouji – Por favor, verifiquem se receberam uma mensagem nova.
- Ok. – disseram em conjunto, abriram e fizeram o que ele pediu – Nenhuma mensagem – responderam.

Todos acharam aquilo estranho. Se não era o terminal de nenhum dos treze ali...
Poderia significar que... Havia mais um aparelho daqueles no recinto?!

- Será que não foi sua imaginação? – supôs Wormmon.
- Eu não sei... Parecia bem real...
- Acho que deveríamos aproveitar essa viagem para relaxarmos um pouco – sugeriu Bunni – Ainda não chegamos à Santa Geria.
- O Hammermon disse que levaria quanto tempo mesmo? – uma Inoue tentou se lembrar.
- Chegaríamos pela madrugada de hoje. – disse um Ishida a olhar pela janela.
- Então... Já deveríamos ter chegado, certo? – comentou uma Tachikawa inocentemente.
- Acho que ele se referia a esta madrugada que está por vir... – supôs a Takenouchi.
- Ou não... – falou o Kido – Vejam, já estamos perto.

O grupo todo foi para a janela, quase esmagando Jou e Yamato. De longe avistaram a cidade, que estava bem diferente daquela de dois anos atrás. Agora parecia uma cidadezinha comum, com prédios não tão altos, estabelecimentos, calçadas, hotéis e... Bem, acho que já deu para ter uma noção.

O loiro mais velho sentia uma ansiedade por chegar. Não era saudade, mas sim a impressão que seu amigo Gabumon estaria em apuros. Nem era preciso dizer que quando o digivice azul da Amizade começou a reagir as suspeitas de Yamato aumentaram mais e mais. Começou a tensão.

- Gabumon... – soltou no ar, quebrando o silêncio que tinha se feito no momento que todos estavam a olhar para fora.

No vagão seguinte, uma criatura já citada anteriormente (nosso “passageiro especial”) vigiava-os da pequena janelinha da porta que ligava os vagões. Sentado à esquerda, estava V-mon, que esperava o trem chegar a Santa Geria.

O outro ouvira tudo e vira tudo que acontecera ali no primeiro vagão. Prestou atenção especialmente no escolhido da Amizade, no da Esperança, na orelhuda e na garota da noite anterior.

- Uh, já estamos chegando... – sussurrou Vee para o gatuno.
- E o sinal de Gabumon já está sendo detectado. – sussurrou de volta Lightnimon.
- A gente sai primeiro ou... Depois deles?
- Acho que... Agora. O sinal de Gabumon está perto da cidade, mas não exatamente dentro dela.
- Como que sabe? Ainda não senti muito bem a presença del--
- Viu?
- Vi. E estou sentindo que ele está... Perto daqui.
- Então vamos.

Dirigiram-se para o último vagão, abriram a porta que dava para fora, fecharam-na e saltaram na primeira árvore que apareceu pelo caminho. A linha de luz ficava acima do solo, passando diretamente por cima da floresta daquela região. Por isso, se alguém fosse louco de saltar fora, teria que ter pelo menos um pára-quedas ou um parceiro voador, ou um saltador, ou um quadrúpede.

Mas... No caso do Lightnimon... Ele tinha bons reflexos, e poderia contar com o V-mon de Daisuke caso não conseguisse o timing perfeito para descer.
E... É, foi preciso o Burning Fladramon ajuda-lo. Com isso saíram atrás do parceiro do Ishida.


#25 - O brasão da Amizade! Gabumon compreende suas ações.



O trem chegou acerca de trinta minutos na estação. Assim que saíram, o Ichijouji sentiu alguns olhares a encará-lo. Parecia que os digimons de lá sabiam quem ele tinha sido dois anos atrás. E isso o intimidava.

- Esse é... – falou um Elecmon.
- Não... Ele tinha cabelo de samambaia! – discordou um Gekomon.
- Os olhos dele parecem familiares! – comentou uma Floramon.
- Aquele nas costas dele é o mesmo Wormmon? – perguntou um Mushmon.
- Não sei...
- Será?
- Mas... Mas deveríamos fugir?

- Ei! – gritou Taichi, chamando a atenção destes pequeninos – Vocês estão com medo do Ken só por ele ter sido o Digimon Kaiser, não é?
- Então é ele?! – exclamaram, amedrontados.
- O que diabos você está fazendo?! – bronqueou Yamato – Desta forma eles não vão nos deixar ficar nesta cidade!
- Acho que você deveria dizer algo a eles – o Yagami voltou-se para o moreno, dando um olhar a ele.
- S-Sim... – engoliu a seco, pois temia que as criaturinhas não o perdoassem.

- Eu sei que não fui nem um pouco bonzinho antes, que... Que fui usado pelas Sementes das Trevas... Mas... Mas eu nunca fui daquele jeito antes... E não sou mais. Peço que... Peço que me perdoem por tudo que fiz dois anos atrás...! – reverenciou-os, ainda meio receoso das respostas dos pequenos.

- Ele não parece o mesmo de antes... – comentaram entre si.
- Não mesmo.
- O Digimon Kaiser nunca iria pedir perdão antigamente...
- Mas esse menino disse que se arrependeu do que fez...
- E ele está com os escolhidos, isso significa que ele foi para o lado da luz agora.
- É. Ele não merece ser tratado assim.
- Isso mesmo.

O grupinho olhou diretamente para Ichijouji, mas desta fez sorriram a ele.
Aquilo significava que haviam aceitado o pedido do rapaz. E isso aliviou um pouco aquelas más lembranças que teve. Ah, e também extinguiu o medo deles.

- Bom, já que isso está resolvido... Vocês viram o Gabumon? – o escolhido da Amizade desviou o assunto.

- Gabumon... – uma Floramon começou a pensar.
- Está falando do Gabumon que nos ajudou dois anos atrás? – uma voz veio do beco, fazendo com que os heróis virassem para a direita.

- Sim. – respondeu Iori – Estamos procurando pelo parceiro do Yamato-san.
- Você o viu?! – atropelou o Ishida qualquer um que quisesse falar depois do menino.

- Gabumon... Bem, houve um ataque na fronteira com outra cidade... Estavam atrás dele. Não sei quanto a isto, mas meus companheiros decidiram que seria melhor entregá-lo à Lekismon do que deixar que a cidade de Santa Geria sofresse outra vez, depois de dois anos sem caos.

- M-Mas o que?! – balbuciou o loiro enquanto Takeru tentava acalmá-lo.

- Mas eu e fui contra. Ele nos ajudou antes, e nem sabemos o que essa tal de Lekismon fará com ele. Entretanto, outro de meus companheiros saiu de Santa Geria muito tempo atrás. E fiquei sabendo pelos forasteiros que ele se uniu a outros dois digimons e criaram uma tríade. A Trinidad Leo.

- Se lembra da última vez que viu ele? – perguntou a Inoue.

- Meus companheiros o levaram para fora daqui, devem estar pela floresta... Não sei se eles têm em mente em entregá-lo ou... Desculpem, não pude fazer nada antes. O líder deles se uniu com outros Garurumons negros.

- Garurumons negros? – um Takaishi levantou uma sobrancelha – Mas... Se vocês eram os Gazimons que ajudamos dois anos atrás, por que trairiam o Gabumon?!

- Medo... Daquele que estava ao lado de Lekismon. Seus olhos eram mais escuros e sombrios que os do Digimon Kaiser... Nós todos temíamos que fossemos mortos, como alguns digimons da elite de segurança de Santa Geria.

- Temeram que... Eles destruíssem vocês? – a Hikari até entendia os sentimentos deles, e não os culpava. Diferente de Yamato, que ainda demonstrava um pouco de indignação.

- Eles foram destruídos. E seus dados tornaram-se negros e sugados por um vórtice estranho que se abriu ali. E foi este ser quem abriu tal buraco negro.

- Esse ser... – Bunni intrometeu-se – Só pode ser ele. Aquele que está atrás da Pandora. Só ele tinha magias desse tipo. Acredito que ele esteja sugando esses dados pra algum propósito. Não sei o que aconteceria se... Se um dos doze digimons dos doze escolhidos fosse sugado por isso. Os digimons também correspondem a um fragmento, assim como seus parceiros.

- Será que... O Daisuke não foi sugado por essa coisa?! – falou uma Sora meio nervosa com esta hipótese.

- Provável... – respondeu a coelha – mas não acho que tenha acontecido isso. Ele não desperdiçaria seu tempo tentando transformar o Daisuke-san e o Vee-san em dados para sugá-los...

- E o Daisuke também não deixaria ser derrotado tão fácil assim... – argumentou Taichi – Não depois de ter chegado até aqui.
- Certamente ele é teimoso, mas naquela reunião... – comentou o Hida – ele estava diferente. Ele não parecia agir mais como agia dois anos atrás. Teve postura que passava sua maturidade.

- Sim... Mas me pergunto o que aconteceu a ele... – suspirou Miyako.
- Todos nós queremos saber, Miyako-san – consolou Takeru.

A Geijutsushi também queria, mas no momento... Estava interessada em saber como estava um outro indivíduo:

- Lightnimon... – pensou, olhando para o céu – Você está bem?

---

Certamente... Estavam na trilha certa.
Mas tinha alguma coisa de errado...

- Não era aqui?
- Era, V-mon. Mas pelo jeito voltou a se mover.
- Ok. Eu vou procurá-lo.
- Hm... Não precisa.
- Hein?!
- Acho que entendi tudo. – apontou com o polegar direito para o rochedo da região onde estavam.
- Vai me dizer que...

Situavam-se em uma parte mais aberta da floresta. Poucas árvores de tamanho médio, a grama um pouso rasa, chão batido que predominava mais que o verde... Poucas leguminosas... E arbustos nas extremidades, como se fossem cercas-vivas. O guerreiro da noite fitava tal rochedo, que pertencia a uma cachoeira de alguns metros dali. Estavam atrás dela, onde tinha rochas em abundancia.

Aproximou dali e começou a tatear a parede rochosa. Procurava alguma entrada escondida, na qual tinha uma pequena impressão estar...

- Achei!
- Uma... Caverna secreta?!

... Bem ali, uns doze pés para a direita. O pequeno azulzinho ficou meio surpreso com a descoberta, para não dizer que ficou perplexo por não ter reparado em nada. Mas não teve nem tempo de comentar sobre a descoberta, pois o “chefe” já o ordenou que abrisse a “porta”. Realizou o mesmo movimento rápido e de significado desconhecido, e após isso V-mon evoluiu diretamente para Burning Fladramon.

Com suas garras fortes e poderosas, o dragão moveu a pedra indicada e destravou a caverna. Lightnimon saltou diretamente pra dentro, correu rapidamente pela trilha, usando para se guiar usou uma esfera de relâmpago para iluminar o trajeto...

E encontrou o que procurava.

- O que... Quem é você e por que...!
- Calado, sem perguntas. Se você pensa que esta caverna irá te proteger daquele cara e da tal Lekismon, pense outra vez.
- Como sabe que...!
- Eu posso ser teu guia e te levar até o Yamato-san, se desejar.
- Y-Yamato?! Ele está aqui?!
- Os treze escolhidos vieram para cumprir sua missão principal. A que você sabe muito bem.
- Treze...?
- Ah sim, há duas garotas cujo são “especiais”. E o escolhido do Milagre ainda está desaparecido.
- Espera... O Daisuke... Está...!
- Os inimigos pensam que ele está morto, mas a verdade é outra... Talvez esteja vivo sim, mas até agora ninguém tem idéia de onde ele pode estar.
- Você sabe onde está o Yamato?!
- Sei, e devemos ir depressa. Tem mais alguém na nossa cola... E acho que não é os escolhidos...

Era tarde, olhos amarelos cintilaram atrás do gatuno, fazendo com que ele percebesse uma expressão de horror na face do parceiro do Ishida. Virou-se para trás e viu presas e os tais olhos.
De fato... Era um Garurumon negro.

Do lado de fora, Vee tinha dificuldades para lidar com um ataque repentino de mais três Garurumons negros. Não podia fazer nada, pois não tinha como fazer... Eram rápidos demais, e suas chamas não davam conta, já que velocidade ganha de força... Certo?

Minutos depois, viu o “companheiro” ser arremessado contra suas costas. Sorte que não havia usado o Burning Rocket para gerar as asas flamejantes. Assim que ambos colidiram, o digimon azul voltou à forma criança... E o gatuno caiu no chão, de frente.
Só não bateu de cara no chão por ter se apoiado no solo com suas mãos. V-mon caiu de costas e logo se levantou, meio zonzo.

- O que você estava querendo fazer com ele, forasteiro? – rosnou o líder dos Garurumons pretos, um que tinha uma pequena cicatriz nos olhos, tal como um Gazimon.

- E-ei... Você não era um... Gazimon? – perguntou o dragãozinho, reparando naquele detalhe – Um dos Gazimons que ajudamos dois anos atrás?!
- Se vocês o ajudaram, o que raios ele está fazendo em nos atacar?! – balbuciou Lightnimon, indignado.
- É por causa de mim... – explicou Gabumon – Eles estão me mantendo confinado dos outros para que aquele estranho não ataque Santa Geria.
- Confinado?! Mas você não pode ficar se escondendo pra sempre! – vociferou V-mon, e de certo modo, olhou para o “cúmplice”.
- O que eu tenho a ver com isso?! – e este sentiu a indireta.

- Por que você quer levá-lo? – interrogou o Garurumon líder.

- Eu tenho minhas prioridades. – respondeu o mercenário – Se não deixar que ele venha conosco, terei de dar uma boa razão para nos deixarmos ir embora.

- Hahaha – riu, desprezando-o – E o que um digimon Aamaatai como você pode fazer?! Além do mais, estamos em maior número. Somos quatro, e você só um. Desista. Não iremos deixar que o Gabumon volte para Santa Geria. Se ele voltar, virão atrás dele. E com isso vários companheiros e amigos irão morrer, e terão seus dados convertidos a trevas e serão sugados por aquele indivíduo sombrio e que está causando caos na Digital World.

- Heh. E você pensa que irei levar isso em conta? Gabumon PRECISA estar com o Yamato-san. Portanto... Eu posso levá-lo até ele. Estando com os escolhidos, ele não irá ser destruído, muito menos a cidade!

- Pensa que não sabemos de seus planos, Lightnimon? – falou a fêmea do grupo – Nós vimos Frostmon e seus Were Garurumons vírus falando de seu planinho. É aliado deles! Como acha que poderemos confiar em você?!

- Espera... Plano?! – Gabumon olhou-o seriamente – Que plano?!
- Não é o que você está pensando... – Vee tentou explicar ao digimon besta.
- Que plano é esse?! V-mon, você está envolvido com ele?! E o que aconteceu ao Daisuke?!
- O plano de emboscar todos os escolhidos e eliminá-los após enfraquecê-los. – contou a Garurumon.
- Emboscá-los?! – Gabumon ficou mais sério ainda.

- Vocês não acham muito suspeito isso? – falou o digimon de pompom prateado, levantando-se do chão – É claro que... Os espiões estarão por perto para revelar isso... Mas, vocês podem ver completamente que minhas ações estão sendo feitas desse modo, para que possa me mover livremente e sem problemas. Minhas verdadeiras intenções só serão vistas somente se vocês analisarem bem elas, e minhas palavras. E se quiser, pode olhar no fundo dos meus olhos. Creio que alguma resposta vocês obterão de mim, talvez a verdade que está por trás de tudo isso. A única coisa que não muda é o olhar. Pode mudar tudo, menos isso. Se vocês acreditam que sou inimigo, vá em frente. Faça o que vocês querem fazer logo.

- Você... Não me parece estranho. – falou o líder dos lobos, olhando mais atentamente para ele.

- Não. Não sou... Isto é, se conseguirem ver além das aparências. O Gabumon precisa estar com os escolhidos. E eles mais cedo ou mais tarde irão encontrá-lo. E o Yamato não iria permitir que continuassem exilando-o dessa forma. Isso iria arrecadar numa batalha estúpida e insignificante. Não é possível impedir que eles ataquem a cidade, quando os treze destinados estão nela, à procura deste digimon. Você entende o que eu quero dizer codificadamente?

- Codificadamente? Está tentando... Dizer algo através de um código?

Subitamente Gabumon analisou todas as frases e as ações do misterioso digimon.
Tinha algo nele que parecia não estar muito certo, e isso o fez ver por outro lado após o mesmo disser que estava passando uma mensagem codificada.

“Vocês não acham suspeito isso”
“Minhas ações estão sendo feitas desse modo para que possa me mover livremente e sem problemas
“Minhas verdadeiras intenções só serão vistas somente se analisarem bem elas, e minhas palavras”
“Ver além das aparências”


Tinha algum sentido aquelas frases? Algum significado?
Algo do tipo “eu realmente não estou do lado deles, mas sim do dos escolhidos e para evitar que descubram tudo, estou agindo desta forma”?

Não... Era outro tipo de mensagem. Mas tinha quase o mesmo propósito.

- Deixe-me ir com ele, por favor. – pediu Gabumon, depois de refletir muito.
- Deixar?! – disseram os lupinos.
- Você não me ouviu, Gabu-san?! – falou a loba, incrédula – Ele irá te levar para uma armadilha! Você e o Yamato-san irão morrer se... Se ele conseguir o que quer!

- Não, ele não vai fazer uma coisa dessas. – contestou – Eu vejo nos olhos dele algo que me faz confiar. Ele não é inimigo. Nenhum digimon que use o brasão da Amizade pode ser nosso inimigo. Eu sinto isso. Eu sinto seu coração...! Eu sei quais são as verdadeiras intenções do Lightnimon!

- Então você entendeu tudo, Gabumon...? – o gatuno olhou-o, serenamente.
- Sim. E creio que você tenha razões para fazer isso, não te culpo. Também não posso dizer abertamente o significado que compreendi, certo?
- Exatamente. Se fizer isso... Poderá ser um risco e tanto.
- Entendo. – voltou-se aos lobos – Por favor, deixem-me ir com ele!

- Como podemos ter certeza que você, a cidade e os escolhidos ficarão bem? – perguntou o líder.

- É só você ver em seus olhos...! – respondeu – Suas verdadeiras intenções são nobres e benignas! E eu sinto... Que o brasão da Amizade reside nele também...!

- Mas... Mas o brasão da Amizade só pertence ao Yamato-san... E o digimental à...
- Ao meu parceiro que está desaparecido, Daisuke Motomiya. – completou V-mon.
- Então como que ele...!

- Não precisam ter medo e desconfiança de mim – falou Lightnimon – Apenas tenho o mesmo objetivo dos destinados. Posso ir agora antes que o inimigo surja na cidade e destrua tudo?

Acenou positivamente. O desconhecido digimon agradeceu, pegou V-mon e Gabumon, e sumiu de lá como um relâmpago.
A matilha olhou para o líder, querendo compreender sua decisão. Anteriormente eles pensaram em entregar Gabumon à Lekismon, para salvar os demais digimons. Mas as frases do pequeno os fizeram mudar de idéia:

“Por que vocês querem me entregar a eles?! Nós não éramos amigos?! Yamato, os outros e eu não os ajudaram anos atrás?! Por que nos trair, me entregando ao inimigo?! Mas eu não os culpo. Não consigo, porque vocês estão fazendo isso pelo bem de Santa Geria. Ok, mas... Saibam que se vocês estivessem no meu lugar...

Eu jamais entregaria vocês.”


E aquelas palavras os fez procurar um local seguro e longe da cidade, trancar o amigo ali e vigiar para que ninguém pudesse feri-lo.

Mas agora... O líder tinha certeza de que se Gabumon ficar com Yamato, eles serão capazes de derrotar aquilo que assombra a Digital World.

E aquilo... Ainda estava vagando por aí.
Mais exatamente... Naquele mesmo continente.

Um pouco mais longe dali, bem mais longe de Santa Geria...
Uma sombra sentava debaixo de uma árvore, em um imenso jardim vívido.

Tal ser olhava para o céu e como as nuvens andavam graciosamente pelo mesmo, desenhando formas e gravuras engraçadas.
O céu daquele mundo parecia um papel de parede com brushes de pingos brancos e azuis. E o azul do céu misturava-se com outras variantes desta cor, e com o branco das nuvens.

Era magnífico, belo, encantador.
Só que esta realidade era apenas para aquela criança.

Pois o céu verdadeiramente estava...
Negro.

- Wallace...! Você não deveria me deixar sozinho! – choramingou uma voz.
- Desculpe, Lopmon... Eu... Eu peguei no sono aqui... – sorriu para a criaturinha.
- E você sonhou com o quê...? Seu rosto mostrava um sorriso tão doce...
- Sonhei que... Nós três estávamos juntos, andando pelo campo de flores aonde íamos quando eu era pequeno... No mesmo lugar onde você desapareceu.
- Você, eu e o Umbra-san?
- Não. Nós e o Terriermon.

O coelho marrom chocolate não reagiu bem àquilo. Franziu a sobrancelha, com certo receio daquele tal sonho. Queria dizer algo, mas o menino não deixou:

- Onde será que ele está agora...?
- Terriermon...? Não lembro bem dele...
- Não se lembra?! Ele é seu irmão...! Ele e eu éramos sua família. E nós te amávamos muito, e eu te amo muito, Lopmon! E ele...
- Ele me matou, Wallace. Meu irmão me matou. Ele e aquele digimon azul daquela criança...!
- Mas o Terriermon disse que você...!
- Terriermon fez isso para ser o único parceiro. E ele também foi influenciado pelo digimon azul e por aquele parceiro dele.
- Isso é verdade...?!
- Wallace... Eu te mentiria? – olhou-o, com uma carinha chorosa – Eles me mataram só por estar infectado por um vírus... Por uma energia negra...!
- Então o que o Umbra disse...
- Os destinados querem impedir que o Umbra-san possa trazer a paz definitiva à Digital World...!

Olhou-o, o pequenino estava tremendo e chorando. Abraçou-o, como forma de consolo.
Em seguida olhou para o mesmo céu, agora pintado em vermelho-sangue, à sua vontade.

- Lopmon... Eu irei escrever o destino. Farei com que esses escolhidos não atrapalhem no equilíbrio deste mundo.
- Vai mesmo...? – enxugou suas lágrimas com seu braço, fitou o menino – Sabe como fazer isso...?
- Lux Fatum... É esse o nome que o Umbra me disse, não é?


Lopmon sorriu diabolicamente, sem que o garoto percebesse nada.


---

- Não tou gostando nem um pouquinho dessa mudança climática...
- Terriermon, você sentiu alguma coisa? – a Tachikawa olhou-o meio preocupada.
- Esse céu... Ele mudou de repente...
- Que sensação estranha é essa? – pressentiu Hikari e Ken.
- Essa energia é tão... Negra... – comentou Miyako.

- A Miyako-san agora que tem seu fragmento liberado – explicou Bunni – também consegue captar os tipos de energia que nos rondam. Não somente a Hikari-san por ser a escolhida da luz e o Ken-san por ter sido usado pelas trevas antes... Ela também pode pressentir.

- Miyako então se tornou uma... Uh... Pessoa parabólica? – perguntou Ni.
- Não é “psíquica”? – corrigiu Carol.
- Ahn... Isso, isso.
- Isso me fez lembrar do Daisuke-kun e aquele dia... – comentou Takeru com Iori.
- Confundir “telepatia” com “simpatia”... – lembrou o mais novo do grupo.

- Não estou gostando muito disso... Estou com medo que talvez isso seja obra da Lux Fatum... – a orelhuda tremeu um pouco, observando o céu se tornar vermelho.

- Lux Fatum?! – exclamaram todos.

...
Não muito longe dali, a dupla e o Gabumon também perceberam tal mudança no ambiente...

- Isso não pode significar coisa boa Vee... – reportou o gatuno.
- E... Então, o que faremos?
- Acho que está na hora de mudarmos um pouco os planos.
- O que vocês querem dizer com isso? – indagou Gabumon – Sabem por que o céu está assim?!
- Não... – falou Lightnimon – Mas tenho a leve impressão que isso é encrenca. Precisamos nos apressar! Entregar o Gabumon para o Yamato e descobrir quem é a Pandora!
- Pandora?!
- Gabu-chan, se você entende minhas ações... Preciso te pedir um favor.
- Favor...?

Olhou-o seriamente, e pediu:

"Quero que faça o Takeru Takaishi vir até a mim. Preciso falar com ele a sós."


O que seria tal Lux Fatum que a Bunni disse?
O que Gabumon descobriu sobre o misterioso mercenário digimon?!
E o que ele quer com o escolhido da Esperança?!






Última edição por Nina Geijutsushi em Sab Ago 27, 2011 1:12 am, editado 1 vez(es)

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Re: Digimon Adventure ZeroTwo: Hinode

Mensagem por Convidado em Ter Ago 23, 2011 8:45 pm






Os três apressavam-se para alcançar logo os escolhidos. Pelo caminho observavam o céu, que continuava a mudar seu aspecto assustadoramente. Lightnimon olhou rapidamente para Gabumon, que devolveu o olhar.

- Então... É isso que está acontecendo, não é mesmo? – concluiu o parceiro de Yamato.
- Sim... Se você percebeu tudo. – afirmou o guerreiro.
- Eu não entendi de primeira, pois no escuro não tinha como ver direito sua aparência.
- Espero que possa guardar segredo. Por isso que confiei em você, por ser o digimon do Yamato-san.
- Resolveu contar isso a mim sem levantar suspeitas por causa do brasão, certo?
- Isso. Saiba que a verdade não pode vir à tona agora, se vier... Eles irão me encontrar.
- Eu sei disso, e pelo visto só nós e o grupo temos esperanças de encontrar o Daisuke.

- Gabumon... Então você já sabe? – perguntou V-mon.
- O brasão do Yamato é o da Amizade – explicou – e o digimental da Amizade também carrega este símbolo. E eu acredito que digimons que usam este símbolo não são meus inimigos. Além do mais... “Olhar além das aparências”... Lightnimon me lembra uma evolução Aamaatai sua.

- Gabumon, não fique falando isso abertamente. As coisas poderiam complicar e aí sim... Tudo poderia ser em vão. – chamou a atenção ele.

- Sim... Desculpem. Eu irei cooperar com sua estratégia, e manterei isso como um segredo. Inclusive do Yamato... Mas não acho que ele não vá suspeitar de nada.

- Não precisa mentir a ele. Apenas... Diga metade da verdade. Menos a que se refere a mim.

- Ok. Como quiser, Lightnimon...!

---

- Já passaram três semanas desde que começamos esta busca e até agora nada. Onde estas duas pestes se esconderam?!
- Mestra Ranamon – pipocou um Mega Seadramon na janela da torre – O esquadrão 2D reportou que os escolhidos se moveram para a estação ferroviária da ilha.
- Como?! – virou-se em sua direção – Eles foram para lá?!
- Sim, mestra. Mas... Disseram também...
- Disseram o quê? – encarou-o.
- Que... O trem saiu... P-para o outro continente!
- Eles... Saíram da ilha?! – berrou furiosamente.
- Pelo que aparenta... Sim. – reprimiu-se, amedrontado.
- Como ousam deixar que eles escapem?!
-Os espiões do esquadrão 2B desapareceram, então não tínhamos noção de onde estavam! – justificou.
- Desapareceram?!

Aquilo deu um estalo nela. Um choque, um arrepio de que alguma coisa tenha passado despercebidamente. Será que poderia... Não, não poderia. Ele estava morto. Morto e não tem como ele fazer coisas assim do além.

Mas... Teve uma suspeita. Uma pequena suspeita.

- E os que estavam observando aquele gatuno? – perguntou a ele.
- Não sabemos. Eles também não deram notícias.
- Impossível! – gritou – Como que a minha elite pode sumir assim do nada?!
- Será que não foi o mesmo autor dos ataques aos demais esquadrões 2A, 2B e 2C?
- Então aquele Lightnimon está planejando alguma coisa...
- Um soldado sobrevivente do 2B disse que ele atacou um grupo de escolhidos na tarde anterior.
- Atacou?! – piscou os olhos, incrédula – Quer dizer que ele não é aliado dos destinados?!
- Acreditamos que não, que ele tenha outras intenções e que está agindo sigilosamente, independentemente de nós ou dos escolhidos.
- Estranho isso... O que ele deve ter em mente então?

Ranamon começou a desconfiar das atitudes do mercenário. Por sorte dele, ela também estava confusa pelo fato de que ele provavelmente não pertencia a ambos os lados.

Por enquanto, seus planos estavam seguros. Sem que ninguém mais soubesse...
Além de V-mon... E Gabumon, que parece ter compreendido tudo agora.


#26 - Clash! Takeru vs. Lightnimon!




A tríade de leões moveu-se para Santa Geria, com o intuito de proteger a cidade de qualquer ataque repentino dos inimigos. Com isso, as crianças receberam ajuda extra para procurarem pelo parceiro de Yamato.

- Então vocês evoluíram para Garurumons negros, e outros de vocês para Leomons. – reparou Takeru.

- Foram longos dias. Desde que Gabumon deixou Santa Geria para ficar reunidos com os outros cinco digimons de vocês, a cidade precisava de mais proteção. Alguns ladrões invadiam aqui, e algumas vezes isso resultava em confusões. Então nós, desde que ficamos perto do digivice do Yamato-san naquela vez em que o Digimon Kaiser apoderou-se deste lugar, nós tivemos a possibilidade de evoluir para Seijukuki e Kanzentai. Usamos este poder para proteger nossos amigos, e os cidadãos. Até o dia em que surgiu este estranho... Atacando os cidadãos e o nosso grupo de Black Garurumons e Leomons... Muitos deles morreram, inclusive alguns de nosso bando...

- Que horror... – comentou uma Tachikawa tristonha.

- Nosso bando dividiu-se, restando apenas o grupo de Garurumons negros, constituídos por quatro, enquanto o grupo de Leomons sobrou apenas dois. Agora sou o único na forma adulta, desde que meu irmão evoluiu para Panjyamon.

- E o que é a Trinidad Leo? – perguntou Choujutsushi.

- De acordo com meu irmão, são um trio de digimons leoninos justiceiros. Durante sua viagem para se tornar mais forte para proteger Santa Geria, ele encontrou dois oponentes poderosos, com os quais fez amizade e então... Esta aliança formada começou a combater os inimigos... Liderados por uma criança humana.

- Uma criança humana?! – espantou-se Terriermon – Seria o...
- Não, ele não é humano. – atravessou-se Bunni – Aquela não é sua verdadeira aparência.
- Não é?! – exclamou Jou – Então qual é a verdadeira aparência dele?
- Pessoal, deveríamos estar procurando pelo Gabumon e não falando nisso! – bronqueou Ni.
- Ela tem razão. Vamos falar disso depois, primeiro precisamos achar o Gabumon antes desses caras. – reforçou Taichi.

Todos concordaram.
Continuaram a procurar pelas ruas.

...
Nas sombras surgiu ele, V-mon e o misterioso digimon mascarado. A segurança tinha sido reforçada, depois que um dos garurumons negros reportou a informação antes de exilarem Gabumon em prol do mesmo e de Santa Geria. Logo, Lightnimon era conhecido como aliado de Frostmon, uma das responsáveis pelos ataques ao vilarejo do outro continente.
Aquelas informações foram descobertas quando a matilha de Were Garurumons negros se juntou com a ave próximo dos arredores da cidade.
Então era óbvio que o guerreiro da noite não poderia aparecer em público.

Agora... Como fazer para juntar Gabumon com o Yamato... E falar com o Takeru?


- Isso não é muito bom... *sigh* Será que ela não tem um cérebro?! – resmungou – Dessa forma é óbvio que o plano não daria certo, nem mesmo se eu o tramasse!

- Lightnimon... – Gabumon olhou-o – Se é o que eu acho, está tentando pensar num modo de me devolver ao Yamato... E como falar com o Takeru sem chamar atenção, não é?

- Exato. Mas com isso tudo... Creio que minha única alternativa é afastá-los de Santa Geria. E eu tenho que resolver umas coisas com a Frostmon depois.

- O que você está pensando em fazer? – V-mon sentiu um receiozinho daquela sentença.
- Está na hora, V-mon. – voltou-se a ele – Enquanto os escolhidos terminam com o restante do exército dela, nós vamos dar o golpe final.
- Nós... Mas isso não iria estragar tudo?!
- Não. Porque ela não terá tempo de reportar a eles.
- Ela é forte...! Não acha que está se precipitando demais?!
- Você mesmo sabe que temos de fazer isso. Ela quer isso. Está sendo forçada a fazer essas coisas! – contestou.
- Mesmo assim... Ela pode acabar fugindo! E você estará na mira deles por minha causa!
- Cale-se, eu já disse pra não questionar minhas ordens! – rosnou.

- O que aconteceu com ele afinal? – comentou consigo Gabumon.
- Estou tentando entender... – disse Vee.
- Não aconteceu nada. Essas são as minhas condições para cooperarmos. – respondeu o “chefe”.
- Se eu for até eles, irão contar sobre seu plano com a Frostmon – ponderou o digimon amarelo coberto por uma pele de lobo – Talvez assim possa atrair a atenção do Takeru.
- Também irá atrair os outros... E se...! Acho que... Tive uma idéia.
- Teve? – disseram os outros dois.

...
Passado alguns minutos, um vulto rápido passou pelos becos, esgueirando-se dos guardas e aproximando-se dos escolhidos com total cautela.

A Inoue olhou para trás, como se soubesse de sua presença. Encarou um ponto, enquanto a gata também fazia o mesmo. E em seguida todos os digimons se focaram num beco escuro. As crianças humanas também, pois foi como uma corrente: cada um chamando a atenção do outro.

O nervosismo vinha junto da tensão. Mas todos ali estavam atentos. MUITÍSSIMO atentos. Talvez tão atentos para não perceberem o sinal que marcava em seus digivices.

Olhos vermelhos brilhando na sombra. Estes começaram a se aproximar da claridade, até revelar sua verdadeira forma:

- Gabumon?! – um coro de crianças surpresas, apenas uma com um sorriso no rosto e tom feliz, ecoou pelo cenário.

- Gabumon! – o Ishida avançou e deu um forte abraço no companheiro – Você está bem?! Estive preocupado, muito preocupado!
- Yamato... Eu... Eu estou bem – disse, e se soltou do abraço – Vocês estão correndo perigo!

- Perigo?! – mais uma vez disseram unidos e pasmos.

- Perigo?! – repetiu o loiro mais velho – O que aconteceu?
- Frostmon... Pretende nos emboscar! E o mais... Um digimon chamado Lightnimon está com ela.

- Lightnimon?! – exclamaram outra vez, só que agora a expressão de uns era séria, de outros era confusa.

- E mais – continuou o digimon – Ele está interessado em você! E... Creio que em mim também...
- Como assim interessado em mim?!
- Não sei... Eu ouvi pouco. E esse pouco foi o bastante para que ele me percebesse e viesse atrás de mim! Mas eu fui salvo por alguém... E essa pessoa disse para encontrar vocês e pedir que saíssemos daqui o mais breve possível!

Trocaram olhares rápidos. E puseram-se a mover imediatamente, pois não queriam que a cidade sofresse nenhum dado caso ocorresse algum confronto ou algo do tipo.

Um pouco distante dali, outros olhos vermelhos assistiam a cena.
Um destes murmurou: Keikaku doori.

Seguiram os mocinhos, sem fazer qualquer ruído. E assim que todos estivessem longe da cidade... Colocaria a segunda parte do plano em ação.

Quando estavam fora de lá... mais para o campo...
Um flash passou por eles, pegou Gabumon. Parou metros deles e os olhou.

- Heh. Vocês então já sabem, certo? – lançou um olhar sereno – Ou melhor, vocês ainda não sabem?

- Cretino! – berrou Yamato, nervoso e petrificado. Não conseguiu ver os movimentos dele.
- Solte o Gabumon! – gritou uma Piyomon juntamente do loiro.

- Que isso... Tsc tsc... Se quiserem o Gabu-san, vai depender do quanto de esperança vocês tiverem.

- Qual é a tua?! – gritou o escolhido da Coragem – Salvou o Agumon e os outros... Mas nos ataca logo depois?!
- Bem que ele avisou que nossos próximos encontros seriam nada agradáveis – relembrou Tentomon.
- Estou farto disso. Estou FARTO. – berrou um Takeru, já indo pro lado Ishida do sangue.

- Loirinho... Takeru Takaishi, escolhido da Esperança. Aquele que cinco anos atrás presenciou seu parceiro dar sua vida para proteger às sete crianças escolhidas e aos seus companheiros digimons.

- V-Você...! Como sabe disso tudo?! – interrogou-o, sério.

- Eu sei sobre vocês. – respondeu, com um tom de superioridade – Do mais velho ao mais novo, dos treze que estão aqui até ao desaparecido Daisuke Motomiya!

- O que você sabe sobre o Daisuke?! – vociferou Miyako.

- Tudo. Eu estou sendo sincero com vocês, heheh... Aliás, não me interessa vocês... Apenas uma pessoa... E não quero que vocês ousem me interromper.

- Você... É nosso inimigo mesmo! – berrou Piyomon.
- O que você quer com o Yamato?! – perguntou Sora.
- Tem algo diferente... – murmurou Ni – Não acho que ele seja nosso inimigo...

- Estranho você falar em esperança e estar atrás do escolhido da Amizade – percebeu a coelha – Você veio aqui para falar com outra pessoa, certo?

- Você é muito esperta, Digimon do Desejo... – elogiou o gatuno – No entanto... Deveriam cuidar um pouco mais a retaguarda...

- Ora seu...! – o loiro tentou se mover, mas não conseguia. Yamato e os outros não conseguiam também – Mas... Mas o que...!
- Eu não consigo me mover! – avisou Mimi – De novo!
- Nós também! – responderam os demais.


Quando passou rapidamente pelo grupo, o digimon mascarado usou o Lightning Nail neles, porém com exceções de Takeru e Nina. Os demais estavam paralisados.
Ah, Gabumon também não foi afetado.


- Eu avisei. – riu Lightnimon – Não se preocupem. Isso tem curto efeito. Mas o suficiente para fazer o que venho fazer aqui...

Apontou para o irmão caçula de Yamato.

- Takeru Takaishi. Siga-me. E não faça nada... Ou você pagará pelas conseqüências.
- Solte o Gabumon e meus amigos antes! – exigiu.
- Não. Se eu fizer isso vocês virão me atacar! E eu não vim aqui pra isso. Vocês deveriam usar mais a cabeça. Analisar mais.
- Takeru, não vá! Pode ser uma armadilha – falou o irmão mais velho.
- Não é uma armadilha. Vocês ainda não perceberam...? – suspirou – Se isso fosse uma armadilha, Frostmon já teria aparecido, não acham?

Todos ficaram pensativos. Sim, se fosse... A ave já teria surgido e pego todos eles.

- Mas... Se isso não é uma armadilha – começou o escolhido da Esperança – Então qual o seu objetivo em paralisar os outros?
- Eu tenho minhas prioridades. E não pensem que sou amiguinho de vocês. Cooperem, e o Gabu-san não irá ser ferido.
- Quem você pensa que é para fazer isso?! – encarou-o – Acha que pode mesmo ferir meus amigos e depois sair ileso?! O que você quer de nós?! Aliás, quem é você?!
- Hmpf, tô vendo que vai ficar nervosinho... Melhor resolvermos isso longe dos seus amigos... Isso é em particular.
- Então solte o Gabumon. E eu irei.
- Gabumon até que foi uma presa fácil... Hm, digamos que foi a sorte que eu o encontrei. Se estivesse ainda naquela caverna, mais cedo ou mais tarde Frostmon-sama o encontraria.
- SOLTE O GABUMON! – gritou ele.
- Como desejas, ô escolhido da Esperança – ironizou, soltou Gabumon “delicadamente” no chão. O pequenino grunhiu de dor em seguida – Desculpe, Gabumon... – sussurrou bem baixinho a ele.
- Não foi nada – respondeu do mesmo jeito.
- Não se preocupem, eu prometo que ele voltará vivo... Yamato-san e Patamon. – disse em um tom sarcástico.

O menino andou até lá, mas se virou para o irmão e pro parceiro: - Não vai acontecer nada comigo, eu irei voltar.
- Por favor... Não o machuque... – pediu a Yagami.

Afastaram-se dali, indo para trás de algumas poucas árvores que tinha por ali.
Takeru ainda se perguntava por que 'anjos' estava fazendo aquilo. Sentia seu sangue ferver. Queria que Patamon pudesse evoluir e lutar contra aquele digimon! Mas seu parceiro estava paralisado! Não havia o que fazer contra esse inimigo.

Sim, Takeru não teve um primeiro encontro amistoso com aquele indivíduo. O primeiro já o fez ficar irritado. Já este segundo... Parecia que estava a ponto de explodir, como daquela vez em que viu Ken descendo e pegando do fundo do redemoinho negro o Devimon.

Pararam um longe do outro. Como se fosse uma luta. Talvez Lightnimon, por saber tanto sobre eles (e isso ainda era outra coisa que confundia os heróis), tinha uma pequena noção que o menino iria apelar para aquele lado mais sombrio.

- Takaishi, você sabe por que seu parceiro não conseguiu evoluir para Holy Angemon até agora?
- O que você sabe a respeito disso? – foi seco com o outro.
- Não sabe, não é mesmo? Então... Isso significa que você perdeu a noção do seu significado.
- Perdi....? – fez pouco caso – Eu sei o que representa meu brasão. E é o que estou fazendo agora mesmo! Tendo esperanças em que posso encontrar o Daisuke-kun, ajudar a Digital World e tudo isso ter um final feliz!

Cruzou os braços, abaixou a cabeça: - Takeru, você percebeu suas palavras de agora? Está entendendo o que digo quando falei... “Você perdeu a noção do que significa o seu brasão”?

- Como eu perdi?! – respondeu, indignado.

- Você se diz amigo das pessoas... Mas esse seu sorriso não é nem um pouco sincero às vezes. Tentar confortar os outros é uma coisa, agora mentir para os outros e pra si mesmo é outra.

- Mentir?! O que...

- TAKAISHI! – gritou, levantou a cabeça e descruzou os braços – Se não entender isso agora, a esperança jamais irá surtir efeito em suas palavras! Jamais irá ser esperançoso como você era antes! O Takeru de antes, de oito anos, tinha muito mais esperança e pureza que você! Será que você ENTENDEU agora?!

- Pureza... Está dizendo que eu não sou mais digno de usar o brasão da Esperança?
- Certamente, garoto humano. Até que me prove o contrário.
- Bem... E então por que você está agindo sozinho e se escondendo...?
- Não mude de assunto...!
- Você não olha diretamente nos olhos dos outros por medo? O que você está escondendo?

De fato, Lightnimon nunca olhava diretamente nos olhos dos escolhidos. Nem de seus parceiros. A única exceção foi Gabumon.

- Já disse para não mudar de assunto!
- Como quer que eu acredite em você se não pode fazer isso?!
- Tenho minhas prioridades! Meus objetivos são semelhantes aos de vocês!
- Semelhantes? O que tem de semelhante em nos ajudar e nos atacar depois?!
- Você não percebeu. Você não perceberá enquanto pensar errado sobre o seu poder.
- Eu não estou pensando errado! Você atacou o meu irmão, a Sora, a Miyako, o Jou, a Mimi e os nossos parceiros! Tudo só para... Falar para a Hikari liberar o poder dela?!

- Engraçado... – encarou-o, seriamente – Como que a escolhida da Luz conseguiu compreender tudo, uma menina que não vivenciou tudo que vocês sete vivenciaram antes na DW, pode ter tanta responsabilidade e atitude que você?! E ainda se diz “veterano”?! Por que você é o único que continua a choramingar e a fingir ter mudado, Takeru?! Perder o Angemon foi doloroso a você... Não foi? Claro que foi.

- Seu...! Quem você pensa que é para falar disso abertamente?! – aproximou-se dele, pegou-o pela roupa e encarou-o no fundo dos olhos – Me diga! Quem você é!

- Esse mesmo poder que foi concedido a você pode ser usado para destruir aqueles quem você ama caso perca o controle de suas emoções... – continuou – Ou melhor, se não houver esperança, não haverá vitória para vocês. E também... Patamon poderia ser destruído de novo, e nunca mais renascer--

Aquela última frase o fez socar o digimon, arremessando-o contra o chão. O elmo caiu, mas por extrema sorte o loiro não conseguiu ver seu rosto. Pegou-o do chão e o colocou, levantou-se.

- Não fale disso... Nem ouse citar. Patamon... Patamon se sacrificou naquela vez! Não fale disso como se fosse algo si--

Takeru mal pode terminar sua frase, pois recebeu um soco igual àquele que deu no gatuno. Quando Takaishi olhou para ele, percebeu que escorria algo de sua face. Também notou que ele havia tirado a máscara que cobria sua boca, podendo ver assim sua verdadeira pele.

- Você é um IDIOTA Takeru! Um IDIOTA! Como se eu estivesse brincando com isso! Você não sabe o quão difícil é falar com você! Não sabe o quão dói ser excluído!Nos dois sentidos... Nos sentidos. Não falo do sacrifício de Patamon como se fosse uma piada! Se eu fosse citar isso ao Ken Ichijouji, ele teria pelo menos noção de que estou alertando para que não aconteça outra vez!

- Você... Você está... Chorando? - percebeu o loiro

- Acha que me sentiria bem se... Se eu fosse humano e alguém viesse falar comigo, citando algo que aconteceu ao meu parceiro e fizesse um alerta... Eu iria ignorar isso? Arriscar perder meu parceiro, meus amigos e minha própria vida?! Você tem IDÉIA do que verdadeiramente estou fazendo?! Não sabe o quão árduo é ter de agir dessa forma, para que os inimigos não percebam?! Estou arriscando minha vida com tudo isso. Eu destruí os soldados de Frostmon e Ranamon. Eu procurei pelos seus parceiros e os levei até vocês! Estou fazendo isso não com segundas intenções... Mas pelo mesmo objetivo que vocês têm!

- Por que então você... O que você...

- Isso é um fardo pesado. É algo que não deveria fazer, mas estou fazendo... E você não percebe seu erro. Não percebe e quer continuar a agir feito o sabichão. Tão imaturo quanto era o Daisuke Motomiya dois anos atrás...! E talvez... Um pouco de imaturidade que ele tenha hoje... Um pouco...

- Eu não entendo aonde você quer chegar...!

- Takeru. Seu brasão é o da Esperança. – levantou o elmo, enxugou as lágrimas no braço, e depois o colocou de volta – Justiça pelas próprias mãos não é o certo. O jeito que você age agora é errado. Isso apaga seu brilho. Seu verdadeiro poder. Você não é a verdade, e Holy Angemon não deve ser usado para esse propósito. Você não deve condenar os outros. Você não é o Unmei. Você é o escolhido da Esperança.

- Unmei...?

- Takeru. Você deve usar seu brasão pra isso. E deve alimentar as esperanças do grupo. Você age como a determinação do Motomiya. Ele transpassa sua determinação aos demais, e você deve fazer os outros acreditarem, a terem esperanças.

- Você... Seus olhos são... Familiares...

- Se você compreendeu isso... Prove para mim. Prove com suas palavras que detectou seu erro! ... E pára de desviar do assunto!

- D-Desculpe... E pelo soco também... Não consegui controlar minhas emoções... Mas... Mas agora eu consigo perceber que... Eu agi de outra forma... Porque... Eu era o mais experiente dos cinco... Não conseguia entender as razões do Taichi-san ter dito naquele dia em que entregou os goggles ao Daisuke-kun que ele seria o seu sucessor... Mas, agora compreendo... Ele tem algo que eu não tenho... É aquela determinação dele, aquela coragem, e aqueles laços de amizade que nos uniu como um verdadeiro time. Graças a isso, ele conseguiu escapar da ilusão do Belial Vamdemon. Nunca pensei que... Talvez ele se sentisse excluído no começo, pelo fato dos restantes me darem mais ouvidos pela minha experiência... Acho que deveria... Falar com ele assim que nós o encontrarmos.

- Heh... Quais são seus objetivos? – perguntou novamente.
- Nós iremos encontrar o Daisuke-kun, e salvar a Digital World desses que estão perturbando a paz!
- Esse é o verdadeiro... Takeru Takaishi que fez seu brasão brilhar cinco anos atrás. – sorriu.

Aproximou-se dele, estendeu sua mão. O rapaz agarrou-a e o mercenário puxou-o, levantando-o do chão. Nesse instante seu D-3 brilhou, com uma luz amarela. No mesmo evento teve uma espécie de flash.

Ali viu exatamente uma pessoa familiar.
Só não a identificou, pois... Cessou rápido demais...
Assim que Lightnimon soltou a mão dele, e desapareceu num piscar de olhos.

Desta vez, só sentiu que ele não era tão mal assim... E que tinha alguma mensagem dita naquela conversa toda.
E ouviu algo vindo de algum canto:

“Desculpas aceitas.”

O menino sorriu e repetiu o mesmo, sabendo que a voz era dele:

- Desculpas aceitas...

Saiu em direção dos amigos, que já estavam livres do golpe.
Passado algumas horas, o grupo começou a se mover.

O céu continuava vermelho. Nina voltou a perguntar algo que eles tinham esquecido:

- Bunni, você sabe o que está causando isso?
- Não sei... Talvez seja a Lux Fatum...
- O que é essa Lux Fatum, Bunni? – perguntou Koushiro.

Ela olhou para todos, voou das mãos de Carol e se colocou a frente do grupo:

- Como vocês todos estão juntos agora... Eu posso dizer o que é isso.
- Mas... E o Daisuke? Ele ainda não está conosco! – discordou a Inoue.
- Procurar por ele agora para explicar depois não vai dar certo! Então ouçam bem o que irei explicar!
- Ok... – decidiu o Yagami – Melhor ouvirmos, e depois contarmos ao Daisuke.

- Você está por perto, não está? – pensou a orelhuda, olhando pelo canto do olho para uma árvore – Não me enganas. Sinto sua presença mesmo que tente se esconder.


Sentaram-se no chão (obvio que alguns arranjaram alguma coisa para sentar em cima, como Carol que tirou uma mantinha da bolsa, ou a Mimi que pegou uma folha de bananeira que encontrou solta para sentar em cima).

Tudo para ouvirem a pequenina. Aliás...
Nem perceberam um ponto piscando nos digivices outra vez.






Última edição por Nina Geijutsushi em Sab Ago 27, 2011 1:17 am, editado 1 vez(es)

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Re: Digimon Adventure ZeroTwo: Hinode

Mensagem por Convidado em Ter Ago 23, 2011 9:27 pm






- O que é essa Lux Fatum? – perguntou um Koushiro curioso.

- É algo que... Tem o mesmo significado que a Lux Miraculum... Enquanto a luz milagrosa foi dada ao Dragon Hu, e logo após sua morte para o Lance-kun, vulgo Daisuke-san agora... Pandora foi a portadora que os digimonianos pensaram ser capaz de usar a luz destinada para trazer paz para todas as raças. Era pra ser um poder usado para o bem... Porém...

- Pandora não fez isso, não é? – arriscou Taichi.

- Sim, Taichi-san. – afirmou positivamente com a cabeça – Mas não foi por escolha dela. Este indivíduo que está atrás da Pandora... Ele quem a corrompeu e a usou para fazer isso. Tudo a seu favor. Os digimonianos tentaram tirar a posse deste poder das mãos deles, mas foi em vão. E nem mesmos os deuses digimonianos conseguiram. Havia alguma coisa naquela jovem maga que a fazia corresponder com a Lux Fatum. Algo que o Dragon Hu acreditava ser a verdadeira essência dela. Uma parte que as trevas não a encostaram.

- Então... Ela foi usada assim como eu fui usado pela Semente das Trevas... – supôs o escolhido da Bondade.

- Sim. Kiseki-sama estava certo quanto a isso. Pandora foi usada. E creio que foi depois de ter recebi este poder. No entanto... O único que poderia impedir era aquele que possuía o poder sagrado... da Lux Miraculum. E foi o portador dela quem selou Pandora e as trevas bem antes. Mas o preço da batalha custou sua vida... E de seu companheiro digimoniano, Star V-mon. Eu... Eu tenho algo a revelar a vocês...

O grupo nada disse, apenas ouviu atentamente a pequena:

- Eu era a companheira digimoniana de Pandora-san! Assim como o Milagre tem dois fragmentos essenciais que um indivíduo deve possuir para nascer o terceiro... E poder usar a Lux Miraculum... O Destino deve possuir dois elementos essenciais para que possa nascer o terceiro fragmento... Totalizando quinze. Star V-mon e eu éramos conhecidos como o Digimoniano da Determinação e Digimoniana do Desejo.

- Espera... – interrompeu Sora – Digimoniano da Determinação?! Digimoniana do Desejo?!

- Sim. Dragon Hu possuía uma ardente determinação... Devido à coragem dele em seguir adiante, e em proteger aqueles a quem ama: Aqueles que tinham fortes laços de amizade com ele. Dessa chama... Conectou-se com a chama de um digimoniano conhecido por nunca desistir, nunca perder sua coragem, e nunca abandonar seus amigos. Esse era o Star V-mon, conhecido mais como “Star”.

- Um V-mon? – comentou Hikari.
- E ainda... Parceiro daquele que parecia com o Ryo-san?! – acrescentou uma Mimi incrédula.

- Pandora por outro lado... Possuía sonhos. Ela era uma jovem cheia de vida, feliz com tudo que tinha, com seus amigos, com o afeto dos que estavam ao seu redor... E possuía desejos, puros e graciosos... Uma vontade se realizar todos seus sonhos, e os dos demais. Essa conexão ligou-se a mim, que tenho essa mesma personalidade sonhadora, e que deseja ajudar os demais, para que todos possam ser felizes! Eu era Bunnymon, conhecida como “Bunni”.

- Desejo? Felicidade? – repetiram Ni e Carol.

- Mas... O Milagre também tinha dois elementos essenciais para ser gerado: Luz e Esperança. Dragon Hu tinha esperanças que algum dia tudo que digimonianos, humanos e híbridos pudessem caminhar lado a lado, como amigos. Sem discriminações, sem medo, sem ódio.
Quanto ao Destino, era preciso o Amor e a Inocência para gerar um futuro cheio de bons frutos, brotados pelas sementes dos desejos, eclodindo a felicidade nessas trilhas. Essa Inocência... Também é chamada de Pureza por vocês.

- Luz? Esperança? – disseram Hikari e Takeru.
- Amor? Pureza? – foi a vez de Sora e Mimi.

- Sim. Mas no entanto... Pandora foi para o lado das trevas, e transformou seus sonhos em pesadelos. Plantou o ódio e a impureza neles, trazendo a tristeza. Os céus daquela batalha final foram... Negros. Obscuros. Sombrios. O verdadeiro caos.
Dragon Hu era tutor de Pandora, e eles tinham idades próximas até... Lembro-me que ele sentia algum afeto por ela, como se fossem irmãos. Pandora-san esqueceu de mim, e do que tínhamos compartilhado. Nossa conexão foi cortada pela metade, mas tinha alguma coisa que ainda nos unia... Algo que deve ter sido esse último desejo da parte boa que tinha restado... E este era... De que pudesse se livrar das trevas que aquele indivíduo plantou nela.
Dragon Hu lutou contra ela, contra essa parte corrompida. E a venceu... Usando a magia que unia os fragmentos. Porém... Ele não poderia usar o quinto. Pois, este havia desaparecido com ela... Quando deixou ser levada pelas palavras deste nosso inimigo.
Eu fiquei com o Dragon-sama antes da batalha final... E foi quando recebi este pingente. Continha todos os fragmentos. E a chave para ser ativada está... No quinto fragmento.
Após isso, ele e Star partiram, me deixando sozinha. Eu residi na casa de Warlock-san em uma sala secreta, esperando o dia que a Pandora-san voltaria e usasse aquela magia.
Mas... Não aconteceu isso. Ela foi libertada, mas da forma incorreta... Mais uma vez caiu na escuridão profunda e deixou sua mente ser manipulada pelo mago das trevas. E usou suas sementes para gerar aquela discórdia que levou o fim de Gota Pura, e o fim do limitador de seus poderes... Lance-kun. Aquele que recebeu a Lux Miraculum, depois do Dragon-sama. Aquele que foi morto por Unmei, uma das vítimas dessas trevas. Um jovem que foi corrompido pela vontade de eliminar aquela quem causou dor ao seu reino, e à sua “irmã” Yaku: Yami Kuroboshi, a irmã gêmea do Lance-kun.

- Mas... Isso significa que o Daisuke é o único que pode parar a “Pandora”? – a Inoue tentou arriscar responder.

- Sim. Somente o poder da Lux Miraculum pode combater a Lux Fatum. Por isso temo que se o Daisuke-san tenha sido eliminado por este ser... Não teremos chance alguma de vencermos. Será outro caos, como aconteceu antes... Quando eliminaram o Lance-kun.

- Eu... Eu não acredito nisso! – disseram três vozes.
- Motomiya-kun não pode estar morto! – a primeira delas foi de Ken.
- Daisuke-san nunca deixaria que o matassem tão facilmente depois de tudo que ele passou! – a segunda foi Iori.
- Eu quero encontrá-lo logo. Não vou levar esta hipótese a sério! Não vou! – a terceira foi de Nina.

- Vocês não são os únicos. – respondeu o Yagami – Do modo que ele evoluiu, não é possível que tenha acontecido isso...!
- Daisuke-kun está vivo... – manifestou-se a escolhida da Luz – Eu mesma sinto isso! Ele está!
- Eu também penso assim! – completou Miyako – Ele está vivo! Eu acho que consigo pressentir sua energia... Aquela calorosa energia determinante que emana em seu corpo!

- Ah, Miyako-kun, poderia me emprestar seu D-3 depois? – pediu Koushiro – quero experimentar uma tese.
- Claro, Izumi-senpai!
- Obrigado, Miyako-kun.

O grupo todo saiu andando, menos a digimon rosada de olhos verdes. Esta olhou diretamente para a árvore:

- Você esteve o tempo todo aí, não é mesmo? Acredito que não tenha ido atrás de mim para me matar, mas sim para me proteger como o Kiseki-sama pensou que fizesse.

- V-Você... S-Sabe que eu estou aqui?!

- Kiseki-sama e eu tivemos uma pequena noção disso. Não se preocupe, Lightnimon. Eu não irei contar o que sei sobre você ou como sabe tanto sobre os destinados. Porque já compreendi suas atitudes. Posso ter forma de Younenki II, mas ainda tenho minha mente de Kyuukyokutai.

- Kyuukyokutai?! Você... já alcançou o nível extremo?!

- Muito tempo atrás. Agora se me der licença... preciso ir antes que notem que não estou lá. – saiu voando atrás do grupo.


#27 - O último confronto com Frostmon!




O grupo seguia adiante... Agora com o objetivo de procurar pelo escolhido.

Nesse período de buscas, alguns conversavam. Miyako e Nina, que antes apenas se tratavam meio que formalmente, conversavam mais. Parece que as histórias relatadas pelo grupo fizeram novos laços de amizade. Ambas tinham alguma coisa em comum: Eram bem alegres, cheias de energia e... Um pouco doidas. Mas às vezes a Inoue dava um olhar meio receoso à rapariga desenhista quando esta falava com o moço de cabelos morenos azulados. Claro, a paixão da jovem era Ken... E não dava pra mentir que sentia algum ciúme e medo de que aqueles dois ficassem juntos.

Contudo... A pequena garota de cabelos morenos acastanhados tinha outro em seus pensamentos. Por vezes ficava fora da realidade, voando em recordações. Não sabia por que, mas tinha a impressão de que queria muito encontrar o gatuno outra vez.
Outra vez... Mas da mesma forma com que ele se encontrou com ela antes.

Por um momento fitou o colar. A pedra poderia dizer onde ele estaria agora, e procurá-lo. Mas não faria aquilo, pois temia que os outros fossem atrás dela.
De fato, a Geijutsushi não ligava para tão difícil fosse falar com tal indivíduo. A forma seca, irônica, fria e um tanto temperamental a fazia lembrar a si mesma. Sim, esta jovem tem seu lado doce, mas também tem seu lado amargo. A amargura que servia como um escudo daqueles que pudessem vir a se aproveitar dela. Mas quem conseguisse superar o gosto amargo, conheceria o verdadeiro gosto dela. Uma jovem simpática, humilde e de coração mole. Aquela aparência meiga e fofa por trás de uma face calada e solitária.

O mesmo se dizia do tal digimon. Por fora era aquilo, um troglodita até. Mas por dentro... Era tão bondoso, tão prestativo... Tão amistoso! Queria tanto que o guerreiro da noite de unisse ao grupo, que pudessem até... Até... Se tornarem parceiros!

Parceiros! Tal como Miyako e Hawkmon eram! Tal como Iori e Armadimon eram!
Tal como Ken e Wormmon eram! Tal como todos os onze ali eram!

A Carol continuava a falar mais com Koushiro, e outras com Mimi. Não tinha noção de tal vontade de ficar com eles ali, pois era algo diferente! Gostava do ruivo e isso ficava bem claro! Também falava com a jovem de cabelos acastanhados e mechas rosa como se já a conhecesse faz anos! Não... Séculos!
Os olhos verdes volta e meia transitavam dos olhos negros dele para os cor-de-mel da outra. Nesses segundinhos vinha a mente tais imagens: Um moço semelhante ao escolhido da Sabedoria ao encontrar com os negros; e uma mulher semelhante à escolhida da Pureza, com o cabelo de mesma cor e trançado, ao encontrar com os cor-de-mel.

Às vezes ouvia ecoar nessas imagens: Nesshin-kun... Ai-chan...

Os outros... Bem, Taichi pensava por onde seu amigo serelepe estaria...
Enquanto ouvia Yamato reclamar dos comentários de Mimi, que reclamava de já não agüentar mais caminhar e se poderiam voltar para a cidade e descansar um pouco.
Sora falava com Piyomon, e esta com os outros digimons ali. Terriermon, que andava nas mãos da Tachikawa, permanecia em silêncio. Somente pensava no seu parceiro e no que poderiam estar fazendo com ele.
E Bunni estava no ombro de Taichi, já que Agumon nem se importava tanto assim.
O dino apenas dizia em pequenos períodos de tempo uma frase:

- Taichi... Estou com fome...
- Também estou...! – manifestou-se Gomamon.
- Todos nós estamos... – foi uma das coisas que Jou disse, enquanto tentava acalmar o louro e a Tachikawa.
- Poderíamos ter pegado alguns mantimentos na cidade antes de partirmos, dagyaa – suspirou Armadimon.
- Estávamos prestes a sofrer um ataque daquele digimon mascarado – explicou o Hida ao seu companheiro – Não lembramos disso, e nem teríamos muito tempo.
- Falando nele... – começou o escolhido da Bondade – Por que ele age dessa forma? Ele é nosso amigo ou nosso inimigo?
- Eu não tenho idéia, mas não gostei dessa atitude dele – resmungou o Ishida.
- Ele deixou claro que nos atacaria caso fosse preciso – falou a ave rosada.
- Mas também disse que éramos para vermos além das aparências e analisarmos suas ações – contestou Tentomon ingenuamente.

- Ele não é um digimon mau – discordaram Hikari e Gabumon.
- Não? – os olhares de Piyomon e Yamato focaram-se nestes dois.
- Também não acho isso... – Nina posicionou-se ao lado dos que o tachavam como bonzinho.
- Não penso assim! – Miyako estava do lado “contra” – Ele nos atacou duas vezes.
- Três. – acrescentou Carol – Primeiro veio atrás de nós, para atacar o Agumon, Taichi-san e Bunni.
- A nós atacou duas vezes, aquela em que ele disse quis falar com a Hikari, e esta em que ele queria falar com o Takeru – Patamon também fazia parte do partido “contra”.
- Ele deve ter suas razões para agir assim... – comentou o Izumi, mostrando-se neutro.

- Não sei quais razões seriam, mas deveríamos ficar atentos quanto a este estranho – ponderou Tailmon – Suas habilidades são rápidas, se ele for um inimigo... Será um oponente difícil. E pelo visto é um bom estrategista.

- Suas habilidades parecem como se fossem de um gatuno. – opinou Hawkmon – Mas acho que ele não deve ser um Kanzentai...
- Está mais para Aamaatai. – disse Wormmon – E ele lembra o Lighdramon...
- Lighdramon? – o pessoal meio que exclamou com aquilo.
- Lighdramon é uma das evoluções do V-mon, não é? – indagou Palmon.
- Sim, é a evolução Armor do V-mon com o Digimental da Amizade – confirmou o Yagami.
- Aquela vez... – lembrou-se a irmã caçula – Daisuke-kun não evoluiu com o Digimental do Milagre?
- Vocês não estão pensando que o Lightnimon é o Motomiya, não é?! – interveio Geijutsushi.
- Ué... não pode ser, neechan?
- Do jeito que ele é?! Lightnimon parece mais comigo do que com o Motomiya!

O grupo, após essa afirmativa, desviaram toda a atenção para a menina.

- O que?! Não estão pensando que eu seja o Lightnimon?! – exclamou ela, incrédula.
- E teria como? – Iori pôs-se a defendê-la – A Nina-san esteve o tempo todo conosco!
- É... É meio idiota pensar que eu seria o tal digimon, né?! – resmungou ela – Onde é que vocês estão com a cabeça?!
- Não pode ser a Geijutsushi-san – pronunciou-se Ken – Se fosse uma evolução semelhante àquela que o Motomiya-kun fez naquele confronto, ela precisaria ter o digimental, um digivice D-3 e um D-Terminal.

- E quem disse que estávamos alegando que ela é o Lightnimon?! – disse um Taichi confuso – Só estava me perguntando como que ela sabe que ele se parece com ela!
- Idem! – falou Sora.

E a resposta deles foi a mesma.

- C-como eu sei?! – ela suou a frio – Dá pra perceber isso! – mudou subitamente de expressão, tornando-se um pouco séria – Ele se esconde, age sozinho... Eu sou assim também... Ou era assim... É isso que estou dizendo!

- Não... Tem mais uma coisa que você sabe – pensou o Ichijouji.

- Ah, esse papo todo só vai resultar em pontos pro inimigo! Vamos falar dele depois que encontrarmos o Motomiya! E... Esqueci de mais alguma coisa?
- E o Wallace... – falou um Terriermon desanimado.
- E esse garoto aí também! – terminou a frase, saiu na frente dos outros.

- O que deu nela?! – um coro formado por Taichi, Carol, Miyako e Iori foi feito.
- E eu vou saber? – respondeu um Yamato ranzinza – Essa garota é maluca.

- Que estranho... – comentou consigo mesmo Ken – Quando falamos dele, ela desvia rapidamente do assunto, como se não quisesse falar a respeito disso.


O único calado que ficava de fora de toda aquela confusão era o Takaishi.
O louro caçula refletia sobre o que tinha sido dito pelo mercenário.
Mas não compreendia o que fez chorar. Talvez fosse o soco? Não.
Talvez fosse a forma com que lidou com ele? Não...

Depois lembrou vagamente... De um comentário em particular:

“Você não sabe o que é ser excluído. Nos dois sentidos... Nos dois sentidos.”

Excluído...? De que maneira?
‘Nos dois sentidos’... No sentido figurado e no literal?!

Aquilo o fez ter um estalo. Ele sabia sobre os escolhidos. Ele sabia sobre o Daisuke.
Sua forma lembrava a de Lighdramon, porém com alguns detalhes em outra coloração.
Seus olhos eram familiares... E o mais... Disse agir daquela forma para que os inimigos não percebessem de suas verdadeiras intenções.

Também lembrou de que quando a escolhida da Luz falou sobre o que tal criatura queria com ela, comentou ter visto por alguns segundos o goggle boy sumido!
E que... naquela conversa aconteceu algo semelhante. Mas não viu direito quem era.

Outra coisa que chamou sua atenção foi...

- “Você não é o Unmei.”... – pensou.

Esse nome... Foi citado pelo mago naquela batalha... E novamente pela Bunni horas atrás.

“Você não deve condenar os outros. Você não é o Unmei.”

Unmei... O nome daquele tal rapaz que matou Lance não era esse? Unmei não significava “condenação”?
Isso não seria... o contrário de seu brasão?

O mesmo nome citado por Lightnimon foi citado por Bunni.
Haveria alguma ligação nisso? Alguma pista?
Ou ele também sabia do que tinha se passado naquele outro mundo em que foram parar antes?

Estava prestes a concluir quando... Uma pessoa tocou em seu ombro.
Assustado, virou a cabeça para o rosto do autor da ação, vendo apenas olhos inocentes e um cabelo pouco grande, com uma franjinha parecida com a que tinha cinco anos atrás.

- Takeru?
- Hikari?
- Você está bem?
- Estou... Só um pouco pensativo. Não há nada com o que se preocupar.
- Ok... Qualquer coisa, nos diga. Por favor.
- Está certo.

Um pouco afastado dali, olhos vigiavam-nos. Num rápido salto passou dos mocinhos e posicionou-se uma árvore de onde teriam uma boa visualização dele.
Eis que iniciou tal plano:

- Ei, escolhidos! – gritou Lightnimon, olhando-os.

- Você de novo?! – Um Yamato enraivecido tentou avançar, mas foi segurado por Takeru e Taichi.
- O que você quer agora?! – falou uma ousada Miyako, cerrando os dentes e apontando para o digimon negro.

- Nada de mais... Só vim avisar que os lobos estão à solta, esperando para começar a grande caçada. – riu-se ironicamente. Estalando os dedos, o tal sinal que os soldados esperavam, pipocaram vários lupinos negros.

- SEU CAFAJESTE! – insultou uma Geijutsushi, mas fez aquilo para despistar. Sabia que no fundo deveria ter alguma artimanha do guerreiro, ao invés dele ser mesmo um traidor.
- O que está a fazer?! – sussurrou ela para o digimon.
- Cala a boca e não estraga meu plano! – respondeu no mesmo tom que a mocinha.

- Nina-san! Saia daí! – pediu o Hida, meio nervoso.

A garota recuou e voltou para lá. As pedras ovais brilharam e lançaram aquelas mesmas luzes nos digivices de Sora, Koushiro e Yamato.
Feito isso, surgiu nos ecrãs dos aparelhos vermelho, roxo e azul, os brasões do Amor, da Sabedoria e da Amizade.




Piyomon... Super evolui para...! Garudamon!

Tentomon... Super evolui para...! Atlur Kabuterimon!

Gabumon... Super evolui para...! Were Garurumon!

Os demais fizeram seus digimons evoluírem para as formas perfeitas.
Exceto Ken, Takeru e Hikari, que evoluíram seus parceiros para Stingmon, Angemon e Nefertimon.

Mas... O que impedia dos escolhidos da Luz e da Esperança evoluírem seus companheiros para Angewomon e Holy Angemon?!

Ainda era um mistério.

O misterioso guerreiro mascarado fugiu dali, e iniciou-se a batalha.
Executaram a mesma formação de antes. Os de nível perfeito atacavam, Drill Digmon servia como defensiva e ofensiva. Stingmon protegia os escolhidos. Angemon e Nefertimon usavam ataques a distância e reforçavam a segurança dos parceiros.


Longe dali... Lightnimon saltou de galho em galho, passando como um raio pelo bosque e parando numa clareira, na frente de uma ave azul, que vocês já sabem quem é e qual o seu nome.

- Frost-chan. Tudo está indo como eu planejei. – disse ele, se gabando.
- Ótimo! Ótimo! Bravo, Lightnimon. Você é mesmo esperto! Fiz bem em aliar a você.
- Contudo... Não me referia exatamente ao nosso plano.
- Ahn?! O que... O que você disse?!

Os olhos de seu “aliado” mudaram de cor. Tornaram-se tão familiares a ave que quase ela percebeu algo. Fez o tal movimento rápido e misterioso, no qual parecia sacar algo de seu bolso e murmurar alguma frase.

Em seguida... Frostmon sentiu uma respiração em seu ombro. Olhou pelo canto do olho e viu um focinho familiar. Logo recebeu um murro no elmo dourado que a atirou contra uma árvore.
Levantou-se e viu quem estava atrás de si. AGORA SIM. Ela reparou e disse, como uma gralha:

- VOCÊ?! VOCÊ?! O PARCEIRO DO GAROTO! BURNING FLADRAMON!

- Sim... É ele. – afirmou Lightnimon, ao pé do dragão gigantesco – Adivinha? Ele é meu cúmplice.
- E você está fora de ação agora, Frost-chan – disse o gatuno com um ar sarcástico.

- O... O quê?! O que você disse?!

- Parceiro, hora de por o fim naquela luta que você mesmo me falou.
- Sim, Lightnimon – respondeu Vee seriamente.



A dupla atacou em conjunto, A ave usava suas estacas de gelo, que eram derretidas pelos punhos ardentes do dragão de armadura rubra. Já o pequeno servia de distração, era ágil e conseguia escapar dos golpes físicos de Frostmon com precisão.

- Cretino! Não acredito que me traíste! – vociferou ela, avançando contra ele. Agarrou-o com sua pata, impedindo que ele saísse.

- Terá que fazer mais que isso para me impedir! – “sorriu” maliciosamente, enquanto seus olhos tornavam-se vermelhos de novo – Inazuma Tornado!

Rodopiou três vezes: Na primeira descarregou sua eletricidade na garra da inimiga.
Na segunda fez com que essas faíscas gerassem um tornado elétrico, fazendo com que a mão paralisada de Frostmon abrisse.
Na terceira desferiu um golpe com suas garrinhas, fazendo pouco dano à ela.

- Gh! S-Seu...! Usou a livre para lançar dardos de gelo, que poucos passaram de raspão pelo espertinho.

- Isso não é nada! Hahah! – ria, como se estivesse brincando com a criatura penosa.

O “parceiro” de Lightnimon desferiu um Fire Slash nas costas da ave, fazendo-a grunhir de dor. A mesma revidou um chute no estômago de Burning Fladramon. Fazendo colidir com as árvores que cercam a clareira, quebrando-as com seu peso.

Não esperou e partiu pra cima do outro, e desferiu um arranhão contra o ladrão, quando este estava de guarda baixa. Foi surpreendido e então... “slash”, cortou-lhe...

- Lightnimon!!

- Aaaah!

...
O elmo. Repartindo-o ao meio. E o golpe o atirou contra o chão, fazendo rolar alguns metros dela. O azulado criou suas asas com o Burning Rocket e alçou vôo, pousando atrás do pequeno.

- Você está bem?! – perguntou, olhando o corte.
- E-estou... Sorte minha que isto me protegeu. – falou, levantando-se um pouco zonzo.

- Seu... Seu...! Eu vou te... E-espera... você..! Você é...!

Parte do lado esquerdo do elmo rompeu-se e caiu no solo. A outra parte continuava a cobrir sua cara. Salvo o chifre em formato de raio, que continuava ali e só com alguns arranhões.

Mas agora ficou claro quem era.
Muito claro.

- Você... Você está... vivo?!
- Hehe... – o misterioso Lightnimon tirou o resto do elmo, seus olhos voltaram ao normal – Eu sou duro na queda, Frost-chan.
- Im... IMPOSSÍVEL! – arregalou os olhos, pasma.
- Agora, Vee! – ordenou ele, apontando para a penosa.

- Knuckle Heat! – mirou os punhos para Frostmon e lançou uma rajada flamejante contra ela.

Enquanto fazia isso, tal digimon misterioso subiu nas costas de Burning Fladramon, pegou o aparelho do bolso e apontou para a inimiga:

- REFRESH! – apertou o botão do centro e uma luz avermelhada saiu dali com um aspecto flamejante e penetrou no corpo de Frostmon.

A digimon azul começou a brilhar e logo regrediu, voltando à sua forma criança.
Era uma ave azulzinha, do tamanho de Hawkmon e Piyomon. Tinha uma pena fina em sua testa, um pouco parecida com aquela que Piyomon tem na cabeça, só que sem listras e na mesma cor azulada de suas penas. No canto de seus olhos havia um triângulo cujo a parte mais pontuda ficava ao oposto dos olhos, e seguia uma linha dali terminando num redemoinho. As penas eram longas, e mais para o pescoço essas penas eram maiores e presas com um anel parecido com o que Frostmon havia num de seus pés. Tinha o mesmo colar e penas brancas no peito. Seu bico, patas e garras nas asas eram da mesma cor que as da forma perfeita.

- Cessar. – disse o “chefe”. Imediatamente o “parceiro” parou o ataque. O outro desceu de suas costas e o digimon dragão voltou à forma V-mon.
- Não deveríamos... ter destruído-a?
- Não. – respondeu. Aproximou-se da pequenina, que caiu de joelhos, apoiando-se pelas asas no chão – Você está bem?

A tão poderosa inimiga abriu os olhos. Agora era sua verdadeira cor: Amarelos.
Viu o rosto dele e exclamou:

- Por que parou? E... E como que...
- Você está fraca... Não se esforce!
- Obrigada... Por me libertar dele! – agradeceu.
- Disponha. – sorriu.
- No entanto... Se tivesse me destruído, não correria riscos de revelar sua identidade.
- Preciso te perguntar uma coisa. Algo que você não me responderia antes.
- O que?
- Quem é a Pandora?
- ... Ela é um... Um garoto. Agora... Eu não posso continuar viva. Por favor, me destrua para que possa renascer como um digitama!
- Eu... Eu não consigo fazer isso...
- Você conseguiu com os outros...!
- Eu quem fiz... – Vee entrou na conversa – Ele apenas imobilizava os inimigos.
- Está bem... Eu farei isso por minha conta. Só que, me diga como você...
- Vai levar um tempo... – disse Lightnimon – Mas tentarei resumir.

A verdadeira identidade do gatuno foi revelada!
E agora... Quem seria o tal digimon?!






Última edição por Nina Geijutsushi em Sab Ago 27, 2011 1:20 am, editado 1 vez(es)

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Re: Digimon Adventure ZeroTwo: Hinode

Mensagem por Convidado em Ter Ago 23, 2011 10:06 pm






Lightnimon, tal digimon que não se tinha idéia de onde havia surgido e quais eram suas intenções, estava reunindo os seis digimons dos veteranos com seus respectivos parceiros. Após ter feito isso, partiu diretamente ao ataque. O alvo não era as crianças.
Era Frostmon.

Terminada luta, com uma revelação surpreendente, o mesmo respondeu a pergunta da pequena ave de nível infantil, regredida de sua forma Frostmon: Sapphmon.

- Só lamento não poder entrar em detalhes... Ainda acho que isso é um erro. Portanto preste atenção.
- Ok.

- Eu não tenho nenhuma ligação com o desaparecimento do escolhido do Milagre. Mas, tenho uma ligação com o V-mon e a Aamaatai do Digimental da Amizade. Sou aquilo que une estes dois. A amizade do digimon e de seu parceiro. Tenho a aparência semelhante ao garoto, e as habilidades do digimon. Por isso, ele consegue evoluir sem o Daisuke Motomiya. Mas, assim como ele... Eu sinto que o rapaz está vivo, em algum canto. Digamos que sou a união destes dois personificada pelo Digimental.

- Então...
- Eu pareço com o garoto, mas não sou ele. – resumiu.
- Ok... Espero então que ele esteja vivo...! – levantou-se do chão – Está na hora... De retribuir a vocês!
- Huh? O que vai fazer? – perguntou Vee.
- Preciso passar minha energia... para que possa voltar a forma digitama...! Portanto...

A ave começou a brilhar em azul, e seus raios saíram como duas estalactites que acertaram o peito dos dois digimons demais. Aquilo meio que começou agonizante, até derrubando-os de joelhos no chão.

- O... O q-que é i-isso?! – arriscou o dragãozinho perguntar, já que o “parceiro” não conseguia dizer palavra qualquer.
- Sei que parece doloroso, mas é só uma ilusão de suas mentes...! Tentem relaxar...! Isto também... irá proteger... vocês!
- P-proteger...?!
- Usarei a Aurora Light para proteger vocês...! Dos ataques de gelo negro...!

As feridas causadas naquela luta foram curadas com tal procedimento. Bizarro, pois sentiam serem perfurados por tal energia azulada. O evento durou cerca de 5 minutos, quando Sapphmon parou de brilhar e começou a se reverter em um pequeno ovo.

- A-Aquilo... foi... Kh... Horrível... – comentou o guerreiro da noite – Não... Não conseguia respirar... ghn!
- Mas... Mas era só relaxar... – falou V-mon – não conseguiu?
- Estou preocupado... com algumas coisas... Como agora... O fragmento do Ichijouji parece não ter sido ativado ainda.
- E... Como iremos prosseguir se o elmo está quebrado?
- Menor problema possível...

Levantou-se do chão, pegou as duas partes, uniu-as, colocou em cima de uma pedra e apontou o aparelho para elas, acionando o mesmo botão de antes. Emitiu uma luz, que reparou tal item quebrado, deixando-o novinho.
Colocou-o no rosto e olhou pro azulado:

- Problema resolvido. Agora vamos.
- Certo... Mas... Até quando vamos continuar com isso? – terminou com um suspiro.
- Ainda não, V-mon... Temos que investigar isso antes.
- Mas... E a promessa?
- A cumprirei. Prometi-te ajudar a encontrar o Daisuke-san, e irei cumpri-la.
- Até onde isso vai? – suspirou de novo.
- Está quase no final... Só preciso conferir uma coisa...
- Certo, certo... Mas... É só esta vez. A próxima irei procurá-lo sozinho!
- Aí eles te encontram, acabam contigo e depois fico me culpando por ter sido capaz de te deixar fazer essa idiotice...

Desapareceram dali em instantes.
Distante observavam outras figuras.

Que comentaram:

- Sinto que ele não suporta mais fazer isso...
- Claro que não – respondeu a outra – Mas continua por medo.
- Medo?
- Medo de que sua estratégia falhe e seja o fim de todos.
- É possível ele ter este medo?
- Não esqueça que tal criatura herda os sentimentos humanos do escolhido.
- Ele seria humano?
- Não.
- Ele seria um digimoniano?
- A palavra digimoniano caiu no esquecimento. Agora chamam a si mesmos por “digimon”.
- Ele seria um?
- Não.
- Então o que ele é?!
- A união dos dois. Dos sentimentos humanos e de um coração de digimon.
- Possível?
- Sim.
- Ainda existe estes tipos?
- Como na era antiga? Sim. Mas não sei é comum encontrá-los agora ou é raro este tipo.
- Lightnimon surgiu a partir disso?
- Pelo que o próprio contou, creio que sim.
- Será?
- Não deveríamos ficar só falando disso. Há mais três fragmentos precisando se manifestar.
- Mais três?
- Bondade. Desejo. Felicidade.
- Mas... estes dois últimos não...
- Aquilo foi o despertar. Não significa exatamente que eles estão ativados.
- Sério? Não sabia disso...

- Apenas espere para ver. Quando todos estiverem ativados... Será possível remover as trevas instaladas no coração desta pobre vítima... A reencarnação da Pandora. Eu acredito neles. Acredito no poder dos destinados.



#28 – “Quero ser sua Tamer!” O pedido inocente




- Eu nunca mais quero ver aquele digimon na minha frente! Se ele aparecer, eu juro que irei fazê-lo se arrepender de ter ousado cruzar o meu caminho e...

- Miyako, calma! Lembre-se do que o Tentomon disse! – interrompeu Ni.

- Mas o que ele quer dizer com isso?! – bufou a Inoue – Não dá para falar isso abertamente?!

- Eu não sei! Mas... Mas acho que ele tem alguma razão para fazer isso.


Passadas horas depois de uma luta contra os lupinos de nível perfeito, o grupo continuou sua jornada pela Digital World. Agora eles caminham por uma trilha que dava no final da floresta, movendo-se para outra região.

O caminho estava livre e sem qualquer sinal de inimigo. Também estavam cansados e precisariam parar logo, pois já estava anoitecendo.


- Que estranho... Ele parece com o Lighdramon... – comentou Taichi – Não sei se existem Lighdramons selvagens por aí, já que na nossa época nunca tínhamos visto digimons como estes, inclusive os parceiros dos novatos, mas não acham meio...?

- Eu entendo o que você quer dizer, Yagami-san. – respondeu Ken – Estou um pouco curioso quanto a este fator... Se ele fosse o Motomiya-kun...

- Por que ele faria isso? – uma Hikari terminou a frase – Por que ele se afastaria de nós? E por que está...

- Não acho que ele seja o Motomiya. – interveio a menina de cabelos negros acastanhados – Ele não me parece nem um pouco com ele. E outra: Ele disse que não é.

O grupo voltou-se para ela mais uma vez.
Como que a guria sabia daquilo? Se perguntassem, ela responderia uma mentira.
Ou não responderia. Mudaria o assunto.

Aliás, ficar falando dele e comparando-o com o Daisuke a fazia ficar maluca.
Não tinham nada em incomum! Não poderia ser!
Lightnimon era visto como inimigo por uns, e causava uma confusão na cabeça de outros.

Mas pra ela... Ele não a deixava brava, nem desencadeava nessa revolta toda que Miyako estava tendo neste exato momento, fazendo juras de que iria fazê-lo se arrepender de ter atacado ao grupo, e ao seu parceiro, e aos outros...

Só que... Uma parte em si ficava confusa. Se ele está do lado deles...
O que o motiva a atacá-los? O que o faz parecer mais um vilão do que um herói?
Se ele era mau a eles... O que o fazia ser tão bonzinho com ela?!

- Quem é você...?! – murmurou ela, ficando mais para trás do grupo.
- O que você quer...?! – continuou, segurou com força a pedra oval.
- Diga-me... A Verdade...! – o colar começou a brilhar intensamente.


O grupo nem percebeu que ela estava lá, parada no meio da trilha. Bunni ia às mãos da Yagami e refletia muito. Também ouvia tudo e todos. Diferente da garota cujo tinha o fragmento do Desejo, a orelhuda estava certa quanto ao misterioso digimon mascarado.

Hikari não compreendia, mas no fundo não sentia nenhuma aura negra no tal.
Takeru estava lembrando toda hora daquelas palavras. E também contou aos outros o que o guerreiro tinha lhe dito.
E isso fez com que Ken ficasse mais atento. “Não sabe o que é ser excluído.”, “nos dois sentidos”. Tais frases tinham alguma mensagem. Outra coisa era... As lágrimas relatadas pelo Takaishi.

Talvez ele fizesse aquilo por alguma razão, tal como Nina tinha tido?

Falando nela... Ichijouji olhou para onde deveria estar a companheira e...
Ela não estava lá. Isso o fez sentir um arrepio. Um imenso arrepio.


...
Ela continuava lá.
Esperava por obter alguma resposta. Algum esclarecimento...
Algo que desfizesse a confusão em sua mente.

A única coisa que conseguiu foi uma sombra de olhos vermelhos encarando-a.
E não era o gatuno. Era...

- Sua pestinha! Finalmente te encontrei!

Geijutsushi olhou diretamente para onde veio a tal voz e encontrou Ranamon.
A anfíbia tinha chegado ao continente, e estava a procura dos escolhidos. Foi muita sorte dela ter encontrado aquela que tinha estragado sua missão, quando ainda estavam atrás da Pandora, andando sozinha por aí.

Não tinha como fazer nada. Era tão fácil capturar uma humana assim. Nem precisaria esforço. Nem precisaria lutar. Nem precisaria...

- Afaste-se dela. Agora.

Uma segunda voz veio de sua direita. Ambas olharam para lá e viram algo assustador nas sombras. Olhos vermelhos mais aterrorizantes que os da guerreira da água. Daquela sombra surgiram dois pares de olhos, até sair dali e ficar visível pela luz do luar.

Sim, já anoitecera e o grupo estava mais longe dela agora.
Passaram-se aproximadamente uma hora e meia.

- Você...?! – exclamou Ranamon.
- Ouviu bem? – repetiu – Afaste-se dela.
- O que está fazendo aqui?! – perguntou a mocinha, olhando-o.
- O que você está fazendo aqui? – rebateu a pergunta, sério.
- Não importa, vocês dois vão pagar pelo que me fizeram! – balbuciou uma Ranamon nervosa.
- Quero ver você tentar! – desafiou-a, colocando-se a frente de Nina.

A digimá avançou contra ele, e este por sua vez esperou. No primeiro golpe desferido fisicamente pela oponente, desviou e agarrou pelo seu braço direito com uma mão, segurou-a com a livre... E finalmente atirou-a por cima de seu corpo contra o chão.

- N-Nossa...! N-Não sabia que você... – comentou a jovem, perplexa.
- Eu fazia judô. – contou – Você está bem?
- Sim, m-mas... Como você...

Pegou-a pelo braço e saiu na direção dos olhos vermelhos, que os protegeu até que encontrassem um lugar seguro.
Ranamon os seguiria, mas nem conseguiu se levantar. Não conseguia sequer mover um dedinho. E isso era muito confuso... Como um humano seria capaz se realizar um golpe daqueles e causar tanto dano assim?!
Ao menos que...

...

- Ken-chan, não deveríamos nos separar do grupo dessa forma...
- Ela ficou lá, Wormmon. Não podemos deixá-la sozinha!

Ken e Wormmon esperaram os outros pararem, montarem um pequeno acampamento, e finalmente descansarem um pouco. Durante aquela conversa toda, o moreno e seu parceiro retiraram-se sem serem percebidos e voltaram pelo caminho.

- Mas... Não seria melhor termos avisado aos outros?
- Geijutsushi-san sabe algo sobre o Lightnimon. E parece não querer nos contar.
- Acha que ela...
- Não foi bem isso que eu quis dizer...! Talvez ele esteja fazendo-a manter sigilo sobre o que sabe.
- Ah, entendi. Você acha que o Lightnimon é nosso inimigo?
- Não sei. Apenas suspeito de que...
- Ken-chan! – interrompeu-o, apontou para frente – Aquela lá...!

Os olhos do escolhido arregalaram ao vê-la.
O mesmo se diz de Wormmon.

- Ranamon?! – exclamaram, surpresos.

...
Enquanto isso...


- Obrigada por me salvar, Ken! – agradeceu Nina, meio tímida.
- Sem problemas. – respondeu – Sorte sua que te encontrei a tempo! – resmungou.
- É... Foi sorte... Mas... – parou, observou-o atentamente – Você não é o Ken...!
- Se eu aparecesse na minha verdadeira forma, Ranamon me mataria. E a você também.
- Então você é o... – piscou os olhos, meio ansiosa para obter uma confirmação.
- Bingo. – estalou os dedos, e num piscar voltou a sua forma verdadeira – Speculum Persona technique.
- Wow! – disse ela, incrédula – Consegue imitar a aparência dos outros?!
- Ehh... Não é bem uma habilidade que eu domine ainda... *gota* – colocou a mão atrás da cabeça.
- Mas... Conseguiu se passar pelo Ken!
- Sim, mas só por você e a Ranamon não o conhecerem bem. Se fosse um dos outros onze escolhidos, seria descoberto na hora.
- Entendi...
- O que você quer? Ainda não percebeu que se continuar fazendo isso--
- Quero saber quem você é! Quero entender o que está fazendo!
- Já nos apresentamos antes.
- Não... Quero saber se... Se você é nosso amigo ou nosso inimigo...!

- Nem um, nem outro. – explicou – Temos objetivos semelhantes, mas isso não significa que nossas missões são as mesmas. Não somos amigos, nem inimigos. A única coisa que temos em comum é o que nós queremos.

- Encontrar o Motomiya?

- Não, Ni-chan. Queremos Proteger a Digital World! Protegê-la destes que estão causando este caos todo!

- Eu... Eu vim para procurar pelo Motomiya.
- Só por isso?! – encarou-a por cima dos olhos.

- Se... Se o encontrarmos logo, poderemos impedir essa tal Lux Fatum! Pelo que a Bunni nos disse, somente o Motomiya pode derrotar essa coisa, pois ele tem uma tal de Lux Miraculum!

- Nina... Você está procurando por ele só por isso... Ou por ele ser seu amigo e estar preocupada?

- Bem... Eu... Inicialmente era só por preocupação. Queria apenas encontrá-lo e me certificar que ele estava bem. Assim ficaria mais tranqüila.

- Já previ essa resposta *sigh* – murmurou tão baixo que ela não poderia ouvi-lo.

- Mas... Agora... Agora quero encontrar o Motomiya e... Redimir-me com ele! Pela forma como eu o tratei, por não falar abertamente com ele... Quero ser amiga dele!

A resposta o fez olha-la um pouco surpreso: - Você... Você está procurando-o agora para fazer amizade com ele?

- Isso mesmo! – sorriu – E eu quero encontrá-lo logo!

Mostrou o colar para ele, e voltou a falar:

- Bunni me disse que se esse meu desejo puro reagir com o fragmento, posso até encontrá-lo usando essa pedra! E foi esse colar que me indicou onde você estava três vezes já!

- Então... Por que não o encontrou ainda? – perguntou.
- Porque eu queria te encontrar antes! Quero ser sua parceira!
- C-Como é?! – balbuciou, chocado.
- Queria que você fosse meu parceiro digimon! Só assim... Os outros não pensariam mal de você!
- Está maluca?! – continuou espantado – Eles... Você... Ahn... Não posso.
- Por quê?
- Não sou digimon que possa se tornar um parceiro de humanos...
- Mas...
- Eu entendo sua intenção... Mas não posso.
- Lightnimon, eu não quero que eles lutem contra você!
- H-Hein?! N-não quer...
- O grupo não acredita que você seja um digimon bom! Se cruzares o nosso caminho, temo que vocês lutem!
- Por isso que... Você quer que...
- Eu gosto de você! Por isso não quero que te firam!
- V-você gosta... D-De mim?! – corou, mas isso não foi percebido pelo fato de estar usando a máscara e o elmo.
- Sim... E... Isso... Isso me lembra... “The Beauty and the Beast.”
- O que... O que é isso? – perguntou ele, confuso.
- É um conto de fadas...

Encheu o pulmão de ar e desatou a falar:

- O conto relata a história da filha mais nova de um rico mercador, que tinha três filhas: Enquanto as filhas mais velhas gostavam de ostentar luxo, de festas e lindos vestidos, a mais nova, que todos chamavam Bela, era humilde, gentil, e generosa, gostava de leitura e tratava bem as pessoas. Um dia, o mercador perdeu toda a sua fortuna, com exceção de uma pequena casa distante da cidade. Bela aceitou a situação com dignidade, mas as duas filhas mais velhas não se conformavam em perder a fortuna e os admiradores, e descontavam suas frustrações sobre Bela, que humildemente não reclamava e ajudava seu pai como podia. Um dia, o mercador recebeu notícias de bons negócios na cidade, e resolveu partir. As duas filhas mais velhas, esperançosas em enriquecer novamente, encomendaram-lhe vestidos e futilidades, mas Bela, preocupada com o pai, pediu apenas que ele lhe trouxesse uma rosa. Quando o mercador voltava para casa, foi surpreendido por uma tempestade, e se abrigou em um castelo que avistou no caminho. O castelo era mágico, e o mercador pôde se alimentar e dormir confortavelmente, pois tudo o que precisava lhe era servido como por encanto. Ao partir, pela manhã, avistou um jardim de rosas e, lembrando do pedido de Bela, colheu uma delas para levar consigo. Foi surpreendido, porém, pelo dono, uma Fera pavorosa, que lhe impôs uma condição para viver: deveria trazer uma de suas filhas para se oferecer em seu lugar.
Ao chegar a casa, Bela, mediante a situação resolveu se oferecer para a Fera, imaginando que essa a devoraria. Ao invés de devorá-la, a Fera foi se mostrando aos poucos como um ser sensível e amável, fazendo todas as suas vontades e tratando-a como uma princesa. Apesar de achá-lo feio e pouco inteligente, Bela se apegou ao monstro que, sensibilizado a pedia constantemente em casamento, pedido que Bela gentilmente recusava. Um dia, Bela pediu que Fera a deixasse visitar sua família, pedido que a Fera, muito a contragosto, concedeu, com a promessa de ela retornar em uma semana. O monstro combinou com Bela que, para voltar, bastaria colocar seu anel sobre a mesa, e magicamente retornaria. Bela visitou alegremente sua família, mas as irmãs, ao vê-la feliz, rica e bem vestida, sentiram inveja, e a envolveram para que sua visita fosse se prolongando, na intenção de Fera ficar aborrecida com sua irmã e devorá-la. Bela foi prorrogando sua volta até ter um sonho em que via Fera morrendo. Arrependida, colocou o anel sobre a mesa e voltou imediatamente, mas encontrou Fera morrendo no jardim, pois essa não se alimentara mais, temendo que Bela não retornasse. Bela compreendeu que amava a Fera, que não podia mais viver sem ela, e confessou ao monstro sua resolução de aceitar o pedido de casamento. Mal pronunciou essas palavras, a Fera se transformou num lindo príncipe, pois seu amor colocara fim ao encanto que o condenara a viver sob a forma de uma fera até que uma donzela aceitasse se casar com ele. O príncipe casou com Bela e foram felizes para sempre.

- E é isso. – concluiu, respirando fundo.
- Lightnimon? – olhou-o, e teve uma pequena noção de que tinha dado “tilt” nele.

- O que... O que você disse? – não havia entendido uma palavra daquela narrativa toda. Além do mais, seus olhos estavam com duas espirais.

- Ah... Desculpe, desculpe! – repetiu várias vezes – Eu não queria te deixar confuso!

- D-deixa ver se entendi algo... – começou a refletir – Está associando esta nossa relação com tal conto... Dizendo que você é a Bela e eu a Fera... E que os seus amigos...

- Bem, essa parte me lembrei mais de uma outra versão, onde a população ataca o castelo para matar a Fera.

- Ah... E o que te fez pensar nisso...? – indagou, curioso.

- Você é legal comigo, mas... Só comigo. – concluiu – Enquanto ao resto do grupo... Você age diferente. Os ataca, fala com desprezo, e até os paralisa com suas garras...

- Então... V-você notou que...
- Você não tem coragem de me atacar. – respondeu – Mas por quê?
- Porque...

Não conseguiu terminar a frase, pois subitamente ele se virou para a direita e viu alguma coisa vindo naquela direção. Sem pensar duas vezes, estalou os dedos e pediu que Burning Fladramon (que esteve escondido ali, cuidando-os) tirasse a menina de lá e a levasse para onde estava os outros.
Os dois não gostaram da idéia. Não mesmo. Se fosse um inimigo poderoso, como ele os pararia?!

- Não se preocupem – confortou-os – Não vou ser suicida em enfrentar isso. Afinal... É um nível superior ao meu.
- Kanzentai? – perguntou Vee.
- Não. Seijukuki.
- Hein?! – Ni ficou confusa – Mas... Você não é...
- Eu sou do nível Aamaa Seichouki. Vee está no nível Aamaa Kanzentai.
- Eh? Pensei que a forma armor era aproximada do nível adulto...
- Anda logo! – resmungou – Tire-a daqui! Deixe-a perto dos escolhidos e volte imediatamente!
- Certo! – acenou positivamente com a cabeça o dragão, pegando Ni e levando-a pelos ares.

Virou-se diretamente para a direita, encarou e depois saiu correndo noutra direção, para despistar. Veio atrás dele... Uma matilha de Gaogamons negros. Obviamente, tropa de buscas de Lekismon.
Ter atacado Ranamon chamou a atenção. A companheira agora travava uma batalha contra Stingmon e Ken... Enquanto enviou o esquadrão 3C para procurar pela menina, pelo gatuno e pela suposta criatura de olhos vermelhos que estava com eles.

Os cães negros, que tinham uma pelugem dourada em volta do pescoço, luvas de boxe rasgadas e de onde saíam três garras afiadas, “braços” das costas na cor negra, patas traseiras com faixas brancas, olhos amarelados e presas afiadas, alcançaram-no e atacaram-no com o seu especial Dash Double Claw.

Tentou revidar, mas poucas faíscas paralisaram dois a três inimigos por vez.

Distanciados dali, Vee e Ni viram a matilha seguindo para lá. O “parceiro” pensou em deixá-la e ir ajudar Lightnimon, mas não podia arriscar que tais inimigos pegassem a jovem. Enquanto a Geijutsushi... Pegou o colar, apertou-o com suas mãos e fez um pedido. Um pedido puro, sincero e do fundo de seu coração:

“Por favor... Quero que o Lightnimon esteja bem! Proteja-o... Por favor!”

O fragmento reagiu. A pedra brilhou e um raio saiu dali, correu por todo o local e atingiu seu alvo. O corpo do guerreiro da noite foi envolvido por uma aura lilás, e em seguida modificou toda sua vestimenta.


Lightnimon...! Mode Change!

E então ela se tornou...

Lightnimon Armor Mode!

Uma armadura.






Última edição por Nina Geijutsushi em Sab Ago 27, 2011 1:22 am, editado 1 vez(es)

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Re: Digimon Adventure ZeroTwo: Hinode

Mensagem por Convidado em Ter Ago 23, 2011 10:31 pm






Um brilho lilás clareou o bosque. Um rugido bestial ecoou entre as árvores.
Tal grito não era de uma besta. Era de várias. Uma por uma foram retalhadas por...
...
...
Lâminas azuis geradas de faíscas elétricas. Algo tão semelhante à técnica especial de Lighdramon, Lightning Blade.

Movimentos ágeis, extremamente silenciosos. Os Black Gaogamons foram dissipando lentamente, sendo assassinados por algo em alta velocidade.
Alguns fugiram a tempo, temendo serem os próximos a fazer parte dos cadáveres digitais que iam se dissolvendo depois de caírem ao chão.

Minutos depois, o autor da chacina caiu de joelhos no chão, apoiando-se pelas mãos no solo.
Notou uma diferença em si. Percebeu estar mais rápido que antes, mais forte que antes.
E sua resistência parecia ter sido reforçada. Graças àquela armadura que vestia no instante.
Nem mesmo o mercenário entendeu o que tinha acontecido ali. Mas foi graças a tal luz lilás que o fez suas habilidades melhores, e até se safou dos cães negros que vinham atrás dele.

- O que... O que f-foi aquilo?!
- Sinto como se tivesse sido revitalizado outra vez... Porém... O poder não era o da Luz...
- Será que essa luz lilás era do...--

Interrompeu suas frases e ouviu o “slash” de garras colidindo com outras. Levantou num salto e, surpreendendo-se, moveu-se dali com o dobro de sua velocidade normal.

---

- Wallace...? Você não foi dormir ainda?

Lopmon, que estava deitado de barriga pra baixo na grandiosa cama do cômodo, olhava para o loirinho. O menino estava encostado na porta de vidro que dava para a varanda. Seus olhos fitavam o céu avermelhado, com estrelas brancas cintilando normalmente.
Como se aquele céu não fosse sinônimo de maldade. Como se aquele vermelho-sangue não significasse o fim daqueles que o garoto queria eliminar por estarem estragando os planos de seu amigo Umbra.

Estrelas. As pequeninas brilhavam fortemente e desviando sua atenção. Elas pareciam com luzes... Luzes de cores diferentes. Não tinha idéias do que aquilo poderia ser.
Mas tinha certeza que via onze brilhos.

Onze... De cada cor diferente.
Logo começou a associar a alguma coisa.
Seus olhos voltavam lentamente ao normal...
Quando vieram imagens borradas em sua mente...
Até que sentiu alguma coisa tocar em seu ombro.

Virou-se para a esquerda e viu uma figura familiar.

- Algum problema, Wallace-kun? – perguntou a tal.
- Ah?! Nada... Só estava admirando o céu, Umbra-san.
- Acho melhor poupar suas energias. – sorriu – Ou vai ficar sonolento demais pela manhã.
- Ah! Sim. Eu... Só queria olhar para a rua. Este lugar lembra o campo onde Chocomon, Gummymon e eu brincávamos.
- Oh, certo. Certo. Agora vá dormir.
- Sim, sensei.

O jovem moreno saiu do quarto, e o loirinho sentou-se no colchão. Voltou a admirar tais estrelas e pensou se... Elas não estariam relacionadas aos...
...


#29 – Atraído pelo gatuno! Ken prossegue investigando




- Vee. Não precisa mais. Estou a salva. Volte e ajude-o!
- Certeza?
- V-mon! Lightnimon é... É importante pra mim!
- Ele também é pra mim!
- Então por que fizeste o que ele mandou?!
- “Não conteste minhas ordens”. É uma ordem. Não posso desobedecer.
- Ele não é seu parceiro!
- Mas é “temporariamente”! Prometi ajudá-lo e ele prometeu me ajudar e me proteger!
- Por isso mesmo! Por ele ser seu “parceiro” temporário, deveria ir ajudá-lo!
- E quanto a você?!
- Eu sei me cuidar! Não sou mais uma menininha de cinco anos!
- Ok. Mas, espero que não se machuque.
- Não irei!

O dragão pousou, deixou a jovem no chão e partiu de volta para o local da luta.
Mas... Como o esperado, ela o seguiu. Sem deixar que o monstrengo azulado a percebesse.

Uma informação a parte sobre ela: Apesar de nunca gostar de praticar esportes, Nina era uma ótima corredora. E essa habilidade veio com a conseqüência dela sempre se atrapalhar, sempre chegar em cima da hora à escola. Ou sempre apressar-se para pegar o ônibus... Ou para conseguir lugar em uma fila numa loja ou supermercado...
E com isso a nossa jovem desenhista tinha o costume de dar passos mais apressados, e em certos casos sair correndo a toda.

E comparando o correr dela com o voar do Burning Fladramon...
Saibam que seria difícil segui-lo. Mas isso não importava...
Já que em suas mãos tinha uma “bússola” que indicava o caminho de seus desejos.

Seguiu-o. A pedra brilhava. Indicava a direção.

Enquanto isso, os Black Gaogamons fugiam espantados. Mas estes passaram por outra área, então nem perceberam a garotinha transitando por ali perto.
Sorte dela. Claro.

Passando entre os arbustos, viu de longe Ken e Stingmon a lutar.
E... A dupla parecia estar empatada com sua inimiga: Lekismon.


- Stingmon! – gritava Ichijouji, sério. O parceiro acabava de receber outro golpe da coelha da lua.
- Haha! Vais perder pra Lekismon! – zombava Ranamon.

Chutes, socos, pontapés, arranhões...
A luta estava tão... boba! Por que eles não usavam logo seus ataques especiais?!

Enfim, o inseto esverdeado levantou-se num salto, voou e tentou uma investida. A guerreia segurou-o com as mãos, entrelaçando as suas com as dele.
Naquele contato direto, algo passou pela mente do assassino verde. Os olhos dela não eram iguais aos de Frostmon ou de Ranamon. Tinham... Pureza neles. Ela não estava sendo controlada? Será que ela teria alguma razão própria para estar lutando contra ele e os escolhidos?!

Apenas ouviu um murmuro.
Uma voz doce, saindo de sua boca:

- Vocês. Devem continuar. Com ou sem o escolhido do Milagre, vocês devem continuar. Se forem mortos agora, não haverá mais equilíbrio. As trevas consumirão a luz, a Digital World se tornará obscura outra vez. E a terra dos humanos será invadida e tomada pelos digimons, que levados pela cobiça e pela tristeza, atacarão as outras terras, apossando-se delas em busca da luz.

- Continuar? – refletiu mentalmente Stingmon.

Aproveitou-se. Empurrou-o com um chute no tórax e o arremessou contra Ken, que por pouco não foi acertado, pois desviou a tempo.

- Stingmon! Você está bem? – perguntou o moreno, preocupado.
- Ghn...! Ken-chan... – levantou-se – Não vou... Não vou desistir!

- Tear... Arrow! – Lekismon ergueu uma mão, vários pingos negros surgiram ao redor dela. Apontou diretamente para Stingmon e os pingos transformaram-se em estalactites negras, que se atiraram contra o oponente.

O golpe foi rápido e acertou-o em cheio. Ele foi congelado pelo gelo negro. O escolhido da Bondade tentou se aproximar, mas lembrou-se do que os outros disseram a respeito daquilo: Se encostar na área ou no gelo negro, ficará preso também.

A mamífera rosada ignorou a chance de finalizar o inimigo, dando prioridade à companheira paralisada. Pegou-a pela cintura e fugiu de lá, sem que vissem a direção tomada.

- Perdoe-me, Ken-chan... – um Stingmon decepcionado olhou para o menino.
- Não foi sua culpa... – confortou-o com um sorriso tímido – Nós sabemos que elas são inimigas mais fortes...

- Exatamente, escolhido da Bondade.

Uma nova voz invadiu o cenário. A seriedade voltou a face do Ichijouji, que se virou imediatamente para as moitas.

- Quem está aí?!

Silêncio. Nenhuma resposta foi obtida. Apenas viu uma faísca azulada sair dali e acertar o gelo negro, destruindo-o. Porém, tal golpe fez com que o digimon verde voltasse à forma infantil.

- Você já deve saber. – finalmente respondeu – És um “detetive”, não é? Então o que achas de usar suas táticas para descobrires, hm?

- Ken-chan... Essa voz não te soa familiar? – comentou Wormmon, sendo pego no colo pelo garoto.
- Familiar...?
- Não se parece com aquele...
- Lightnimon?

Palmas são ouvidas. Mas não se via onde o mercenário estava.

- Oh, finalmente começou a usar a cabeça, não é mesmo? – riu ironicamente.

- O que você quer?! – vociferou Ken.
- Não gosto nem um pouco dele, Ken-chan! – Wormmon encarou o arbusto.

- O que eu quero? – falou de uma forma inocente – Sei que está pensando numa hipótese. Gostaria de procurar pela confirmação de suas teorias, grande detetive Ichijouji? – voltou ao tom sarcástico.

- Ou seja, quer que eu te siga. – ponderou.
- Isso pode ser perigoso! – contestou o digimon verdinho.
- Não acha nada disso estranho, Wormmon? – olhou para o pequeno – Mensagem codificada. Eu creio que... Lightnimon queira falar sobre alguma coisa, mas em código.

- Não é só por isso. – interveio o gatuno – Vocês estão longe do grupo. E aqueles Black Gaogamons devem ainda estar por perto. Se não quiserem virar comida deles, melhor falarmos disso em outro lugar.

- Só irei por uma condição – respondeu o rapaz.
- Qual? – o parceiro e o misterioso digimon mascarado perguntaram.
- Que responda às minhas perguntas, sem mentir. Está de acordo?

- Yosh... – concordou – Não teria como mentir a você... Não é mesmo?

- Se mentir... Saiba que não serei bonzinho com você.

- Irônico... Não acha? Seu brasão é da Bondade.

- Irônico... – repetiu – É o que você está fazendo. – rebateu a ironia.


Uma faísca azulada apareceu no ar, e segundos depois saiu correndo. Ken e Wormmon seguiram-na, antes que a mesma se perdesse de vista.

Afastada dali, viu aquilo sem ouvir o que conversavam. Tentou prosseguir e uma criatura gigante se colocou a sua frente.

- Hey! – resmungou Ni.
- Sabia que ia vir atrás de mim. – falou um Burning Fladramon meio bravo.
- Qual é, Vee! Você sabe que eu quero ficar com o Lightnimon!
- Mas ele não vai aceitar ser sua parceira. Ele não pode!
- Eu não quero que o machuquem! Entenda!
- Se você segui-lo, os outros pensarão o contrário! Vão achar que ele capturou você!
- Mas...
- Se eles pensarem assim, não haverá outra escolha além de lutarmos contra vocês.
- Conseguiria... Fazer isso?
- ... Não posso deixar que ele lute sozinho. Somos parceiros por enquanto.
- Você teria coragem de lutar contra todos os seus amigos só...
- Você também não faria isso? Se colocar contra eles só para defendê-lo?!
- Faria não. Eu faço isso.
- Hein?!
- Eu já estou fazendo isso! No momento em que abandono-os e venho atrás dele!
- Mas... Você não deveria fazer isso! E se...
- Vee...! Eu sinto que... Ele... Ele é importante demais pra mim!
- C-como é?!
- Algo me diz para ir atrás dele. Eu quero isso! Quero estar com o Lightnimon!
- Isso não vai dar certo... Não vai...
- Por que não?! Não estamos atrás dos mesmos objetivos?!
- Não entendeu ainda, Nina?! Ele não pode se unir a vocês. Não pode!
- Por quê?!
- Por que se ele fizer isso... Nós seremos mortos pelos inimigos.

Choque.
Ela calou-se instantaneamente e deixou que o digimon azulado continuasse:

- Vocês não sabem o que ele está passando... Está arriscando a própria vida em prol da Digital World, de vocês e de mim! Eu sei que a minha vontade era de estar contigo e com os outros de novo, agir em equipe... Fazer tudo isso como fazíamos antes! Mas não posso! E nem devo! Estou sem o Daisuke... E... Eu espero que ele esteja bem agora...

- Vee... Eu não sabia disso...

- Agora sabe. Então... Por favor, volte pros outros. E não diga nada do que sabe sobre nós dois a eles... Se acontecer de vocês virem atrás de nós... Pode ser que os planos do Lightnimon acabem dando errado. E isso resultaria no nosso fim, no de vocês... No de todos.

- Vee... Diga-me uma coisa, por favor?
- Depende do que for...
- Lightnimon... Sabe alguma coisa sobre o Motomiya?
- Ele nos conhece. Ele sabe muito sobre os escolhidos, inclusive sobre o Daisuke.
- Como... Onde ele poderia estar?
- Isso ele não sabe... Por isso que estamos procurando-o!
- Bem... Eu vou voltar, mas... Onde estão os outros agora?!
- B-boa pergunta... *gota*

---

Cansados e sem darem falta de três componentes do grupo, os nossos heróis dormiam em uma pequena tenda montada com folhas, galhos, troncos e até moitas. Tudo isso em uma parte mais fechada da trilha, que tinha o formato de um quarto se visto do alto.

Aqueles que poderiam notar que Ken, Wormmon e Nina não estavam ali, estavam descansando para restabelecer suas energias. Miyako, que é uma maluca pelo jovem de cabelos morenos azulados, passou o caminho INTEIRO a fazer promessas e juras de vingança ao gatuno. Iori tentava compreender porque raios Takeru ficava sussurrando a si mesmo as mesmas palavras ditas por Lightnimon...
Taichi se focava diretamente nos seus instintos de líder e procurava um lugar para passarem a noite, com o auxilio de Yamato e Jou...
Carol, que perceberia a ausência da melhor amiga ali, estava conversando e debatendo com Koushiro sobre diversos assuntos relacionados à Digital World; ao relato de Hikari, Takeru e Bunni; ao céu assombroso e os dois poderes (Lux Miraculum e Lux Fatum), etc etc etc...
As outras meninas do grupo conversavam entre si, tendo mais falas de Mimi e Sora do que da própria escolhida da Luz. Hikari também estava no mesmo estado de Takeru, porém esta não estava “fora de órbita”.
E os digimons continuavam os mesmos de sempre. Conversando, rindo, falando...
Alguns preocupados (Tailmon e Patamon com seus parceiros), outros cansados e famintos (Agumon e Armadimon), outros bem empenhados e atentos ao caminho.

Após os digimons e as crianças terem montado tal acampamento, o ruivo não se contentou e deu início a sua especialidade: Abrir o portátil e começar mais uma de suas pesquisas para desvendar os mistérios que os rondavam atualmente.

Ao seu lado estavam dois aparelhos: O digivice roxo da Sabedoria, pertencente a ele, e o D-3 vermelho, que era da rapariga de cabelos violeta.

Em seu colo localizava-se o portátil amarelo e grandioso companheiro (além de Tentomon, claro) que já viveu inúmeras aventuras antes. E aquilo que já salvou a pele do grupo várias vezes.

Então, vamos começar?
Ok!



Koushiro conectou primeiramente o seu digivice no notebook. Abriu um programa e começou a analisar o sistema. Mas são tantas funcionalidades atribuídas ao tal aparelho sagrado! Quais delas deveriam ser... Ah! Sim, sim! Basta olhar os arquivos do diretório “Communication & Search”.

Acessou tal diretório e encontrou alguma informação sobre o sistema de localização. Até descobriu algo interessante. Seus digivices podiam fazer algo semelhante ao D-terminal, comunicar-se com os outros digivices. Mas era um programa primitivo e que parece ter sido abandonado. Não tinha muita coisa sobre ele, apenas a função de que já sabiam existir: O sistema de SOS que se ativava quando os pequeninos parceiros corriam perigo e precisavam de reforços.

No final daquele diretório ali... Encontrou um pequeno arquivinho peculiar. Abriu-o e viu um número. Mas não parecia ser uma seqüência numérica qualquer.


Código:
19990801-03


Algo bem... Interessante, não?

Fez um backup daquele pequeno arquivo e o jogou no desktop. Nomeeou como “koushiro no dejibuuaisu” (Digivice do Koushiro), desconectou o digivice e pôs no lugar o D-3 de Miyako.

Realizou o mesmo procedimento. Viu que aquele modelo era mais complexo e cheio de novos recursos. Além do sistema que os ligava diretamente com o D-terminal, um misterioso “refresh”, "scan", "load", e outras funcionalidades. Ignorou tais programas e procurou pelo mesmo diretório, que também tinha o mesmo nome: “Communication & Search”.

Não foi nenhuma surpresa. Os arquivos já vistos no modelo antigo também existiam ali. Porém, o programa de comunicação com outros aparelhos não existia. Talvez isso significasse que o D-terminal era uma versão nova do tal projeto e foi removida dos digivices, tendo um aparelho próprio.

Havia também um arquivinho no final da pasta. E o mesmo chamou sua atenção.
Abriu e deu de cara numa seqüência numérica. Mas também não era algo comum.


Código:
20020401-02


Alto lá. Aquele número... Copiou o arquivo e jogou também no desktop. Nomeeou como “miyako no d-3” (D-3 da Miyako).

Tinha algo que o deixou um tanto curioso. Aqueles números tinham, de fato, uma data.
Lida na forma japonesa, sabemos que começa pelo ano, procedido do mês e finalmente pelo dia.

Ficando: 1999/08/01 e 2002/04/01.

Então, ficaria mais ou menos assim lido na forma ocidental: 1º de Agosto (08) de 1999.
E o do D-3: 1º de Abril (04) de 2002.

Mas... O que significava aqueles dois dígitos no final?

---

A fagulha azul ia muito depressa. Ken e Wormmon estavam quase perdendo-a.
Até que por um instante, o parceiro anelídeo teve a idéia de lançar uma teia contra o mercenário, para que tivessem uma linha como um guia extra.

Talvez devêssemos lembrar que o mascarado digimon tem seus truques. Deixou ser atingido pelo fio de teia, que grudou na ombreira da armadura. Sorriso no rosto, porém ninguém agora podia vê-lo e muito menos seus olhos devido à máscara que cobria toda sua face (negra, sem o chifre e com o losango no lugar e maior, com as duas listras também ampliadas).

Ah, a armadura do digimon desconhecido assemelhava-se a uma versão “metálica” da forma thief. Só que com alguns detalhezinhos a mais. As ombreiras não possuíam o detalhe índigo que corresponde ao que o Lighdramon possui, suas luvas ganharam uma falsa manga rasgada, cobrindo as costas das mãos (e nestas mangas tinham nas costas o mesmo desenho que se tem na máscara nova), com pulseiras divididas ao meio por uma linha em índigo. Também tinha botões azuis aço claro, e no canto pra fora, o detalhe que Lighdramon possui nas patas traseiras. Na parte mais pro abdômen, tinha o desenho de dois dentes, um em uma extremidade, e na mesma cor índigo.
Recebeu um cinto, cuja fivela tinha no canto inferior dois dentes, um em uma extremidade, imitando o detalhe da armadura. Nas laterais do mesmo, tinha o detalhe das patas traseiras do digimon que foi inspirado tal design. A armadura revestia-o até os tornozelos, repetindo as listas das laterais.
Nos pés... O mesmo par de tênis da forma thief. E tinha o lenço em seu pescoço.

Aliás, uma observação a parte: a máscara não o cobria totalmente a visão, pois esta parte onde deveria ter alguma abertura, tinha uma lente que só era reparada quando se via tal elmo bem perto. Também não dificultava sua respiração, pois tinha uma abertura bem discreta.

A dupla seguiu-o... Até que o mesmo desapareceu. E quanto a teia? Eles encontraram no final dela...

...
Absolutamente nada.

Ichijouji e seu companheiro estavam numa área bem fechada, rodeados de árvores e folhagens. O silêncio voltou a reinar, e estava tão calmo e quieto que ambos podiam ouvir a respiração um do outro. Mas não conseguiam ouvir a do terceiro indivíduo que estava escondido por ali.

Aliás... Por que ele se escondeu?! Isso não tinha sentido algum! Afinal, ele só queria falar algo com o menino, e ainda por cima em código!

- Ken-chan... Não tou gostando nada disso... – sussurrou Wormmon ao humano.
- Fica calmo... Vai ficar tudo bem... – Ken tirou a linha de teia da boca do digimon pequeno, enrolou toda ela e guardou-a em caso de algum ataque do “inimigo”.

O digi-verdinho passou para suas costas, enquanto o moreno esticava a teia, como se esticasse um chicote. Não era de usar aquilo mais depois de dois anos passados, e também por ter péssimas lembranças... Mas lembrou de algo que tinha acontecido alguns dias atrás (no tempo humano), um dia antes de tudo aquilo começar:
...

- Hey! Ken! Posso fazer uma pergunta?
- Claro, Motomiya-kun...

Os dois estavam no quarto do escolhido da Bondade, conversando. Depois que tinham se tornado grandes amigos, era possível encontrar em algum dia da semana ou o Ken na casa de Daisuke ou vice-versa.
Era possível também perceber como ambos se sentiam bem em estar um com o outro.
O moreno sorria mais, e tinha mais liberdade para conversar e/ou contar sobre alguma coisa ao outro rapaz de mesma idade, porém meses mais novo que si.

A Sra. Ichijouji tinha deixado alguns lanchinhos para os meninos no quarto, tão feliz pelas mudanças que vinham acontecendo desde o momento em que a amizade daqueles dois nasceu. Uns dias os digimons ali ouviram um chorinho, mas nada melancólico ou tristonho... Soava como um choro de alívio e felicidade.

- Eu sei que não gosta muito que falem do Kaiser, mas...
- Huh? Fiz alguma coisa que ainda não pedi perdão? – olhou-o, meio confuso.
- Não, não! – negou Daisuke – Só queria dizer que... Ahn...
- O que foi então?
- Onde aprendeu a usar aquilo? – falou num tom inocente.
- Aquilo...? – Ken ainda não tinha entendido a pergunta.
- É, aquela coisa... – o goggle boy então simulou com a mão direita: “chicoteou o ar” com um “chicote invisível” – Isso.
- Ah! O chicote?
- É! É esse o nome...! – deu um sorrisinho sem graça, sabendo que ter se esquecido do nome de tal arma fosse algo tão... Bem, é o Daisuke, né?

O menino olhou para o chão, lembrar do chicote fazia associar aos maus tratos que fez aos monstrinhos, e inclusive ao próprio parceiro anelídeo.

- Eu... Eu não sei bem. Eu... Eu não gosto de lembrar disso, por favor.
- Desculpe... É que... Se você não tivesse sido o Kaiser... Acho que... Usar o chicote seria uma boa para ajudar, sabe?
- H-Hein?
- Nunca viu... Indiana Jones antes?
- J-Já... Mas não lembro muito bem...

A aura aventureira do Motomiya tomou-o e o fez tagarelar como nunca fizera (pelo menos não nessa motivação toda) antes, levantando-se do chão e deixando a imaginação voar alto, “chicoteando o ar” de novo:

- Poderia usar aquilo para escapar do perigo, escalar lugares onde não conseguiria alcançar com suas mãos... Domar feras perigosas, pegar objetos que estão fora do seu alcance e--

- E-eu entendi...! – o outro tentou controla-lo, antes que se machucasse – Por favor, acalme-se antes que se machuque...!

- Eu concordo com o Daisuke! – opinou Chibimon, falando com Wormmon sobre a conversa dos garotos.
- Sim, ia ser legal se o Ken-chan pudesse usar essa habilidade do Digimon Kaiser para o bem!
- Wormmon, vocês poderiam usar sua teia para vencer os vilões!
- Sim! Nós poderíamos... – o pequenino criou uma linha de teia e começou a chicotear pros lado – Assim!
- Whee!

- Wormmon! – Ken voltou-se a ele – Pare com isso antes que...!

- EI! Wormmon! Isso dói! – falou uma voz meio chorosa, assoprando sua mão direita e lacrimejando devido à dor.

- Opa... D-Desculpe, Daisuke! – o pequenino encolheu-se todinho, culpando-se por aquilo.

- Você está bem?? – perguntou Vee, olhando pro parceiro.
- Desculpa... – choramingou Wormmon.
- Foi um acidente! – disseram Chibimon, Ken e Daisuke (este ultimo saiu tremida suas palavras)

Aquilo ficou feio, com uma pequena cicatriz. Puseram gelo, remédio e uma pequena faixa pra evitar que nada encostasse ali.
Tirando a dor, o goggle boy sorria. E ele devolvia com um sorriso também.


Esse simples flashback fez com que Ken desse um pequeno sorriso, lembrando daqueles elogios vindo de algo que não lhe fazia sentir bem devido às lembranças relacionadas.

Mas, pela primeira vez... Queria tentar usar algo do passado tenebroso no seu presente.

Prestou atenção ao seu redor, atento a qualquer barulho ou movimento suspeito. Enquanto fazia isso, esticava a teia. Correu os olhos pelo ambiente, esperando o momento certo de fazer seu movimento.

Ele sabia que o escolhido da Bondade iria encontrá-lo. E Ken sabia que ele estava aguardando sua próxima ação.
Um deles teria de ceder. Quem seria?

Ouviu segundos depois o som de um dos galhos, logo vidrou num arbusto que havia se movido em seguida. Lançou a teia contra lá e... Acertou-o no pulso direito.
Lightnimon saiu dali e revelou sua nova aparência ao jovem.

- Nice Catch. – elogiou-o, com aquele ar arrogante.
- Por que você quis que eu fizesse isso? – interrogou Ken.
- Queria ver se você era um ótimo observador, e se sabia manejar tal arma. – respondeu.
- Só isso...?
- Oh... Esqueci que você era o Digimon Kaiser.
- Não sou mais!
- Antes foi, não é mesmo?
- Por que...--

- O bom é que... – interrompeu-o outra vez – Depois daquela desgraça toda que te aconteceu e te levou a ser o Digimon Kaiser, você finalmente descobriu o seu brasão. Conseguiu vencer o passado que te assombrava, e por fim recebeu o perdão dos digimons, dos escolhidos e de si mesmo.

- O que está querendo dizer com isso? Pra que fazer um histórico da minha vida...?

- Seu brasão... – segurou a teia com as mãos – Ele nunca foi utilizado pra nada. Logo o seu fragmento também nunca irá reagir desta forma. Quem sabe... Ainda tenha algum receio em seu coração, huh?

- Receio?!
- O que você quer dizer?! – enfrentou Wormmon.

- I see. – riu – Sabia que os brasões são ativados quando seus portadores conseguem ativar sua “virtude”? Por que ainda sua bondade não ativou o seu brasão? Ou melhor... O seu fragmento, já que transformou o brasão no Digimental.

- E eu já usei o Digimental da Bondade. Então ele foi ativado já. – argumentou Ken.

- Claro... Mas o Fragmento da Bondade não. Estranho, não? Acho que tem alguma coisa te incomodando... Algum medo de acontecer uma catástrofe caso o ative... Talvez, que o Kaiser volte e transforme tudo que conquistou em ruínas?

- Ele... Ele não vai voltar! – gritou – Não deixarei! Nem o Wormmon, nem o Daisuke!

- Gritar não é uma boa forma de vencer seus obstáculos, Ichijouji. – olhou para a teia – Assim como chorar não vai adiantar. Eu disse isso pra ela, ok? Infelizmente, você veio querer saber qual minha relação com aquela humana, certo?

- Você...?!

- Então te afirmo... – voltou a olhá-lo – A garota não sabe de nada. Somente das coisas que vocês já sabem. Ela só sabe que quero o mesmo que vossos escolhidos; que ajudei vossos parceiros a encontrá-los... E o meu nome. Nada mais além disso.

- Não acha que está suspeitando demais dela, hm? – aproveitou o silêncio do moreno para perguntar.

- Suspeitando...?

- Não adianta mentir. Eu vejo isso. Quem sabe é pelo motivo dela não querer que vossos salvadores me matem por agir assim, hm? Não sou inimigo de vocês... Digamos que possamos ser chamados de “rivais”. Estou sendo bonzinho demais em deixá-la que me siga e a mantenha em segurança até que a leve para vocês.

- Ela... Ela está te seguindo?!

- Sim, Ichijouji. A menina é bem mais inteligente que todos vocês. Ela vê além das aparências, entende o que digo e sabe muito bem que não os ataco por ser o “vilão”. Estou meio decepcionado com suas skills de detetive. Uma lástima que também me veja como vilão... Saiba que não sou uma versão nova do Digimon Kaiser, e não me tornarei uma.

- O que você disse?! Que... Que os outros não entendem?! Você nos atacou antes! Tentou matar Taichi, Agumon e ChibiBunnymon! – vociferou Wormmon.

- Tentei? – fez-se de ingênuo – Tentei eliminar o líder de vocês e o parceiro dele, além da coelha que veio de outra dimensão? – riu outra vez, sarcasticamente agora – Não acham que estão se precipitando um pouco?

O pequeno não se segurou mais e pulou contra o digimon negro, que o acertou com um Lightning Nail veloz, que nem foi percebido por ele ou pelo companheiro. Wormmon caiu no chão, paralisado. Voltou-se diretamente ao Ichijouji, e baixou a mão esquerda.





- Desculpe, não posso deixar que seu vermezinho me atrapalhe.
- Ele não é verme...!
- Eu sei. Ele é um anelídeo. Ah, não há nada que você possa fazer...
- C-como assim?! – tentou-se mover, mas não conseguia – O que...!
- Só por precaução... No entanto, se for um ótimo detetive... Vai saber.
- Saber...? – olhou para a teia, e percebeu. A mão que a segurava não me movia, pois foi acertada pelo ataque paralisante.
- Heheh.
- Por que está fazendo isso?
- É o único modo de agir livremente, Ken. Tenho alguns probleminhas que me forçam a andar desta forma.
- Problemas...?
- Não posso falar isso diretamente... – puxou-o pela teia, segurou-o pelo ombro.
- O que exatamente você quer de mim?!
- Que não tenha medo. – murmurou em seu ouvido – Nem me veja como uma versão nova do Kaiser. Eu sei que você sabe, de que suspeita de mim.
- H-Hein?!
- Isso parece familiar, Ken? Talvez sim, mas no outro ponto de vista.
- Familiar?!
- Não guardo ressentimentos, hehe... Mas ainda lembro desta cena.
- C-Cena?!
- Creio que a você... posso lhe apresentar uma coisa. A resposta, talvez.
- Resposta?!
- Se prometer... que não irá falar nada disso a mais ninguém.
- P-Prometer?!

Afastou-se dele, estalou os dedos. Num piscar de olhos, tornou-se uma cópia idêntica de Ken.

- See? – sorriu – Posso fazer isso... E isso – estalou outra vez e transformou-se no Daisuke de dois anos atrás – Seria engraçado se eu aparecesse assim diante de vocês, não é?

- Quem você é?! – falou um Ichijouji sério – Está brincando comigo?!

- Ken... – voltou ao normal, aproximou-se dele – Lamento não poder lhe dizer mais nada. Ou falar isso de uma forma menos estranha possível. Ah, acho legal você resolver usar seu talento com o chicote em prol do bem. – Pegou Wormmon, entregou a ele e virou-se para a esquerda – Você devia deixar de ser tão xereta, menina.

Não deixou que ela respondesse, pegou os dois humanos e saiu como um raio pela floresta, encontrando em poucos segundos o acampamento dos escolhidos. Deixou-os ali e desapareceu sem deixar pistas.

Ken trocou olhares com Wormmon e Nina. Eles não sabiam como o tal digimon de pompom prateado os deixou ali.

De longe, Lightnimon os observava juntamente de Burning Fladramon e olhava para o pulso direito. Mas não se tinha noção se ele olhava diretamente para ele ou para outro ponto, graças àquela máscara.






Última edição por Daisuke Kaizaa em Sab Jan 05, 2013 10:26 pm, editado 3 vez(es)

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Re: Digimon Adventure ZeroTwo: Hinode

Mensagem por Convidado em Ter Ago 23, 2011 10:49 pm






TEXTO CO-ESCRITO PELA CAROL (CAROCHINHA). (vocês sabem quem escreveu qual parte do chap.)




Ambos ficaram ali, perto dos escolhidos. O gatuno olhou para a tenda e viu o rosto angelical de Hikari sorrindo, deveria estar tendo sonhos agradáveis no meio daquele ambiente tão sinistro e assustador.

Talvez fosse a hora de parar. De finalmente atender aos pedidos da garota de cabelos morenos acastanhados e do seu “cúmplice”. Talvez fosse a hora de revelar sua posição e seus planos aos escolhidos.

Não... Não poderia fazer isso ainda. Pensava desta forma teimosa. Tinha mais alguns assuntos a tratar antes mesmo que deixasse de fingir.
“Fingir”?

- Ainda quer levar isso adiante...? – perguntou Vee, já na forma infantil.
- Nem eu sei mais se iremos vencê-los ou não... – suspirou Lightnimon.
- Eu acho que você não quer mais continuar...
- Não tenho escolha. Se souberem...
- E se não souberem?
- Eles vão descobrir, V-mon... Agir assim é o único meio que...
- Não é verdade. Por que eles viriam agora se...
- Por causa disso. Eles estão contando com isso. Se descobrirem...
- Eu sei, eu sei! Você já me disse isso antes! Mas é uma questão de tempo!
- Até que eles finalmente descubram que você está comigo, que pode evoluir...
- E então conectar todos os fatos...?
- Isso. Até lá, temos que abrir caminho e continuar investigando.
- Será que não está óbvio demais, Lightnimon?

Calou-se, olhou diretamente pro pequeno.

- Aquele Terriermon que nós vimos... Ele não parece com o do Wallace?
- Sim, parece... Espera! – arregalou os olhos (porém só V-mon viu isso por estar ao lado dele) – Está querendo dizer que o Wallace é...?!
- Não sei! Mas... Pode ser, não pode?!
- Pode sim... Só... Só não pensei exatamente nisso...
- Típico seu – fez facepalm.
- Ei! Não percebi esse detalhe! – resmungou.
- Ta... O que vai fazer agora que notou esse detalhe?
- Por enquanto........ Nada.
- Nada?!
- Estou cansado... Ghn... Minhas habilidades podem estar aprimoradas, mas meu corpo ainda não se acostumou com elas. Preciso descansar um pouco.
- Mas... Como que você...
- Está vendo aquela dama adorável que fica me perseguindo como o rastro do mouse? – apontou para Nina – Foi graças a ela.
- Graças a... – não terminou, pois se lembrou do brilho que subitamente saiu da pedra oval do colar de Geijutsushi.
- Oyasumi... – atirou-se no arbusto dormindo instantaneamente.
- Ahn, oyasumi...? – Vee ficou olhando-o dormir feito um bebê. Achou engraçado até.

...
Depois de uma longa e agradável noite...
Os nossos heróis acordaram, se reuniram e deram início ao ritual matinal que todos nós conhecemos muito bem e que é sagrado pra todos nós:

O café da manhã.

- Uh... Eles já levantaram. Devemos nos mover?...
- ...Lightnimon?

Olhou para trás, diretamente para a mata. O gatuno ainda dormia tranquilamente ali, com o pompom prateado no rosto, cobrindo-o. Deixou a máscara ali no canto, segurando-a com a mão esquerda. Sorriso bobo na boca, sonhando com alguma coisa boa. Ah, e os roncos baixinhos ressonando dele...
Queria rir da cena e riu. Riu bem baixo e tapando o focinho com a mão.
Cutucou-o no ombro delicadamente, murmurando:

- Oi... Lightnimon... Acorda...!
- Acorda! Vamos, seu dorminhoco! Antes que nos descubram!
- Oi! Hey!

O “chefe” estava dormindo profundamente. Com a mão direita, tapeou de leve a mão do outro dizendo algo como “só mais alguns minutinhos, mãe”.
V-mon deu outro risinho, aproximou-se mais e suavemente murmurou:

- Está sonhando com ela?
- Ela... – repetiu sonolentamente.
- Com a Ni-chan? – riu.
-Ni...? – continuou.
- Você gosta dela? – brincou.

- Buimon... – abriu os olhos vermelhos subitamente e encarou o azulzinho – Eu não sinto nada por aquela humana! – rosnou, levantando-se, pondo a máscara e virando-se para o “cúmplice” – Isso não teve graça!

- Foi a única forma de te acordar... – se fez de ingênuo.
- Mentira!
- Mentira o quê?
- Que era o único modo! Não vale apelar pro mesmo truque de sempre!
- Estava sonhando com ela?
- Com ela...? – abaixou a cabeça em seguida, calado.
- Parece que sim... – riu.
- P-pára com isso!
- Você não consegue mentir seus sentimentos... – riu de novo – Eu sei disso.
- Aquela humana está me perseguindo!
- Porque ela gosta de você.
- Será mesmo...? – suspirou, desanimado.
- Por que pensas o contrário?
- Quando ela descobrir... Será que...?
- Ela usou o fragmento naquela hora – contou.
- Huh?

- Quando vimos a matilha de Black Gaogamons indo a sua direção, Ni-chan segurou firmemente o colar, pediu para que o fragmento te protegesse...

- Não é isso, V-mon... Digamos que o encontremos e os meus objetivos tenham sido alcançados... Acha que...

- Eu acho que nada irá mudar. Por que não tenta?
- T-Tentar?! Não está sugerindo--
- Precisa ser direto? Vá e faça como fizeste até agora!
- Por que está me aconselhando isso...?
- Seu sonho não é com a Luz. Percebe-se bem. Você deseja outra pessoa.
- Será mesmo...? – perguntou-se num sussurro.

---------------------------------------------------------------------------------------------------------

O café da manhã. Ritual sagrado e adorado por todos os humanos. A altura em que todo mundo se junta para comer e partilhar os sonhos da noite.

E claro que, onde há comida, haverá loiça suja.

E claro que, onde há loiça suja, alguém terá de a lavar.

No grupo dos escolhidos, esta árdua tarefa era rotativa entre todos e seus parceiros digimons. Quando calhava a uma das duas garotas sem parceiros, Terriermon ou Bunni ajudá-la-iam.

Neste dia, essa missão fora delegada na garota de olhos verdes e passo distraído. Enquanto lavava a louça num ribeiro próximo, conversava com a Bunni e com o Terriermon sobre assuntos menores.

- Vou levar esta loiça aqui para o acampamento de novo e já volto! - disse ela, pegando numa das panelas cheia de pratos e carregando-a até ao local, onde os escolhidos destribuiriam o seu conteúdo pelos seus respectivos donos.

Quando regressava ao ribeiro para ajudar os dois pequenos digimons, ouviu vozes conversando.

“Huh? Isto... isto não é do acampamento... O acampamento fica para trás e estas vozes parecem vir da minha esquerda... Será... será o inimigo a planear um ataque!?”

Encostando-se a uma árvore, a moça foi fazendo o seu caminho, até chegar a uma clareira. Espreitando por detrás de um tronco, ela observou a cena.

O escolhido do Conhecimento e a escolhida da Pureza estavam parados no meio da clareia, conversando... ou... discutindo? Carol não pode evitar ficar curiosa, não era surpresa para ninguém (excepto talvez para o próprio) os seus sentimentos pelo Koushirou, embora ainda não entendesse bem como tinha ficado a sentir tais coisas tão profundas em tão pouco tempo.

E a Mimi... Ela também gostava muito dela, embora, igualmente, não conseguisse entender a razão... Era quase como se com esses dois, ela já os conhecesse... Desde... Desde muito, muito antes de ter nascido...

Enquanto pensava nessas coisas e noutras, a garota observou enquanto os dois à sua frente, desconhecendo a sua presença, continuavam sua discussão.

E, daí, observou também quando a Mimi agarrou os ombros do Koushirou, puxando-o para a frente e causando o encontro de seus lábios.

Como descrever o que a observadora sentiu ao ver esta cena? Era como se todo o seu mundo se estivesse desmoronando à sua volta... De novo. Provavelmente isso era o pior, como tudo era tão familiar, como se ela já tivesse vivido isto, passado por isto...

Ver aquele que amava amar a sua melhor amiga.

Começou a correr, para qualquer lado, para lado nenhum, ela nem se importava para onde, desde que fosse para um lugar bem longe, bem distante...

Tropeçou numa raiz saliente e caiu de cara no chão, mas levantou-se de novo e continuou em fuga desesperada, seus olhos nem vendo com as lágrimas, seu coração doendo, partido, destroçado, destruído...

Melhor amiga? Desde quando que a Mimi era sua melhor amiga? Ela não sabia, e não estava em condições de questionar seus próprios pensamentos. Ela... Ela só queria correr, e nunca, nunca parar, nunca ter de pensar.

Mas ao contrário de sua irmã - quando começara a se referir à Nina assim até em seus pensamentos? - ela não fora feita para correr. Seu coração era fraco, e, em pouco tempo, suas pernas também já não aguentavam mais.

Agarrando-se a uma árvore, ela deixou-se escorregar para o chão, chorando ruidosas lágrimas que não conseguia mais suprimir. Encostando as costas ao tronco, ela abraçou os joelhos, chorando... Chorando, repetindo a cena vezes sem conta na sua mente...


#30 – Transforme as lágrimas de tristeza em felicidade!




Diferente das outras vezes, a dupla decidiu procurar por alguma árvore recheada de frutas do que vigiar os escolhidos. Claro, a fome impediria tudo: Desde a atenção até a força que precisariam caso surgisse algum inimigo pela frente.

Vee ia pelos galhos, Lightnimon pela terra mesmo. Se encontrassem o parceiro de Daisuke... Aconteceriam sérios problemas e resultaria em diversas falhas em seu plano. Para evitar, decidiram buscar assim mesmo, “um separado do outro” (mas por pouca diferença).

E nesse meio tempo... Ainda pensava naquela conversa. Será mesmo? Será que sentia algo pela garota que estava dando uma de “stalker” e que pediu para ser sua parceira? No fundo, algo respondia. Mas isso não vem ao caso. O que importava agora era... Era recarregar suas energias, já que a nova forma ainda era incompatível com seu corpo e por esse motivo gastava mais energia do que antes.

Enquanto refletia e procurava (tudo ao mesmo tempo...), alguma coisa o chamou a atenção.
Poderia até confundir com um espião de Lekismon ou de Ranamon... Se não fosse pelo fato de ser um choro. E não teria muito sentido um daqueles digimons gigantescos, ou fortes, ou habilidosos... chorarem.
Andou com cautela na direção do som, atento a tudo para que não fosse pego de surpresa. E quando chegou na fonte do choro... Encontrou uma daquelas duas jovens que estavam junto dos escolhidos. A mesma quem o atacou subitamente naquela noite...

- Aconteceu alguma coisa? - perguntou ele, sem fazer idéia se deveria começar assim ou não.

A moça levantou a cabeça, olhando para aquele que considerava seu inimigo.

- Nem quero saber. Pode-me atacar de novo, se quiser. I don’t care.

- Atacar? *sigh* Você também me vê como inimigo de vocês?! - outro desânimo bateu no gatuno.

Ela voltou a pousar a cabeça nos joelhos envoltos pelos braços.

- Sinceramente, já nem sei. E já nem quero saber. Como você me atacou no outro dia, pensei que tivesse vindo me atacar de novo. Veio? - ela parecia, de uma maneira estranha, quase esperançosa.

- Já disse que não sou inimigo, nem amigo. Não quero me envolver diretamente nisso. - respondeu, ainda num tom desanimado - Será que só a sua “neechan” percebe?

- Talvez. Mas... se você não veio me atacar, porque falou comigo? Bela maneira de “não se envolver”.

- Está tirando conclusões precipitadas. Não te ataquei, foi o contrário. Você quem me atacou. E nem deixaram... Que eu fizesse aquilo que tinha ido fazer. E antes que diga, eu não fui com o intuito de matar o escolhido da Coragem, nem o parceiro dele ou a Digimon do Desejo.

Sentou-se ao lado dela. Realmente não deveria fazer isso, mas não conseguiu resistir. Era suas intuições. Era algo que fervia dentro de si que o fizera sentar-se ali.

- Meio irônico uma garota que tem o Fragmento da Felicidade chorar de tristeza... Assim como é irônico o que estou fazendo agora. Nem mais sei que devo fazer, só sigo minhas intenções. Ataquei vocês antes por um motivo, e aos outros também. Não posso deixar que tudo isso seja em vão... Entende?

- Você... Você é um cara curioso. Num outro dia, provavelmente gostaria de investigar suas verdadeiras intenções... Mas hoje... É como se o meu mundo estivesse a acabar pela segunda vez. E, por alguma razão, sinto que você me pode explicar porque tudo isto me parece tão familiar.

- Lembra quando a Digimon do Desejo disse pela primeira vez sobre “vidas passadas” ou algo do tipo? A visão que teve está relacionada à uma jovem que você foi antes. Bem antes. Que gostou de uma pessoa que hoje seria aquele ruivo... Que gostava daquela que hoje é a escolhida da Pureza. E talvez sinta algum ódio ou... Vontade de evitar uma pessoa... Que assassinou a sua melhor amiga. Mas talvez essa menina, que você foi antes, não soubesse os sentimentos nutridos pelo assassino... Talvez por não terem se conhecido diretamente. Foi só uma troca de olhares, não foi?

- Hein? Agora não entendi nada... Você está dizendo que... Eu gosto do Koushirou-san... Porque já gostava dele numa outra vida? E que... Que me sinto tão à-vontade perto da Mimi-chan... porque já era amiga dela nessa outra vida? E que... Outra pessoa que eu conheço assassinou essa Mimi-chan do passado? Quem é essa outra pessoa?

- Você sabe. Sei que sabe. Não faria tanto sentido... Ter acordado subitamente naquela noite, não foi? Uma sensação de que algo semelhante poderia acontecer... Talvez agora com o Koushiro-san... Não que ele fosse vítima... Não que alguém o tentaria matá-lo... Ou qualquer outro naquela caverna...

Olhou para o chão, refletiu outra vez. Estava certo em dizer tudo aquilo? Não estava sendo talvez... Direto demais? Ou criando alguma conversa para chegar logo no que queria dizer a ela?

- Por isso que você me considera um inimigo, talvez? Não pareço nada simpático mesmo... Nem agora... *sigh*

Ela olhou para ele, contemplando aqueles olhos vermelhos, que traziam com eles a sensação que ela agora achava a mais frustante de sempre: uma sensação... familiar.

- *sigh* Isso nem interessa mais, neh? Isso é passado. E parece que se está a repetir. O Koushirou escolheu a Mimi. De novo. Eu não posso fazer nada. Talvez... Talvez o meu destino não seja ser feliz mesmo...

- E desistir? Desistir de tentar alcançar essa felicidade? - resmungou - Ahn... Isso não é certo. Desistir tão rápido assim. Não acha que é cedo demais pra “não vai dar nada certo”? Nem acredito que estou colocando minha vida em risco por tudo isso... *sigh*



- Colocando sua vida em risco?

- Não é óbvio? Claro que não... Porque vocês não conseguem perceber ainda. E tiram conclusões precipitadas. Acreditam em algo, mas estão deixando essa crença acabar? Querem o fim de tudo? O Caos mais uma vez? Se desistirem agora, talvez nunca mais retornem. Talvez nem encontrem o escolhido desaparecido. Talvez nem consigam felicidade. Deveria desistir disso tudo, voltar a viver como antes e... Esperar o meu destino. Mas não, eu não quero isso. Não quero que tudo se acabe. Já percebeu como o céu está diferente a cada segundo? Isso significa que se continuarem assim, nessa fraqueza toda, vão ser alvos fáceis. Irão morrer no primeiro confronto com ele.

- Quem sabe aquele idiota do Daisuke Motomiya não tenha morrido achando que era forte o suficiente? - ironizou ele - Pelo menos ele tinha algo que vocês ainda não têm. Ou não vi até agora... Com a exceção daquela humana “stalker”. Sabe o que é, Choujutsushi-san? - olhou-a, mas não diretamente no fundo dos olhos.

- Vendo o rumo que esta conversa está a tomar, suponho que seja algo como “coragem”, “determinação”, “burrice”... Sei lá...

- … Persistência. - encurtou logo - É isso que tanto o Motomiya-san quanto a Geijutsushi-san têm. Eles acreditam profundamente no que querem. Eles têm essa força que os motiva a continuar, a tentar... A desejar mudar o destino, seja lá o que estiver escrito nele. Isso que os faz ser mais capacitados em certas situações. Se bem que aquela garota chora demais, e ele... reclama demais. Não vai desistir de encontrar sua felicidade tão cedo assim, ou vai?

Ela olhou-o, pensando nas palavras dele e naquilo que sentia no fundo do coração pelo escolhido do Conhecimento. Mais lágrimas começaram a formar-se nos seus olhos - tal como a “irmã”, ela também chorava bastante - e, surpreendendo-se a si e ao Lightnimon, ela abraçou-se a ele, chorando com mais força do que chorara até então.

- Não acho que a Mimi-san goste do Koushiro - sussurrou uma voz. Mas era diferente - Talvez de outro... Não deveria desistir agora. Lute até o fim, e se falhar... Pelo menos tentou. Se vencer... Ah, isso você sabe... Não sabe, Carol-chan?

- … Oi... Poderia me soltar agora? Preciso continuar procurando por comida... - balbuciou o mercenário, ainda morto de fome.

Relutantemente, ela largou o digimon, limpando as lágrimas com as costas da mão.

- C-certo. Eu... Eu... Mesmo que a Mimi-chan goste do Koushirou-san... Mesmo que o K-Koushirou goste da Mimi-chan... E-Eu não vou desistir. Não posso desistir. Sinto que... Sinto que mesmo em minha outra vida não desisti! E... Eu realmente gosto do Koushirou-san. Obrigada, Lightnimon - ela sorriu para o gatuno.

- Disponha... - respondeu, meio tímido - Ahn... Antes que me esqueça... - apontou para a pedra oval do colar - Faça o fragmento reagir com suas emoções, faça a Felicidade despertar e transforme essas lágrimas de tristeza em lágrimas de felicidade. E... Por favor, caso encontre com a pessoa que matou a Mimi-chan noutra vida... Não a mate. Ela pode não se lembrar disso... E essa pessoa no passado, nesta outra vida, sofreu e muito depois da morte da Ai-chan.

- Claro... Eu... Eu farei isso... E... E agora vou voltar para junto dos outros. Eles devem já estar preocupados comigo...


Afastou dali, mais rápido possível. Não queria que, em hipótese alguma, que os escolhidos a encontrassem com Carol. E também, sua barriga roncava como um Tiranossauro Rex.

Mas tinha certeza que... Ela entendeu a mensagem.

---

Barriguinhas já cheias e bagunça arrumada, o grupo segue na busca. Com um Koushiro empenhado em um projeto novo, pedindo auxilio de uma Miyako para conseguir terminar tal programa mais rápido...
Um Taichi cheio de empolgação, força e crença que encontrariam os dois rapazes...
Uma Nina determinada em insistir na defesa de Lightnimon contra os demais...
Um Yamato meio preocupado com o seu irmão...
Uma Hikari renovada e que lembrava a pequena Yagami de cinco anos atrás...
Um Takeru ainda confuso...
Uma Carol mais motivada a continuar a lutar até o fim...
Uma Mimi preocupada com o Wallace...
Um Jou tentando confortar o pessoal...
Um Iori a observar os outros e ajudar o máximo que puder...
Uma Sora que também se mostrava meio confusa...
E um Ken investigando todos os ocorridos, juntando pistas e formulando hipóteses.

Todos eles... Determinados em alcançar a primeira meta de outras duas:

Encontrar Daisuke, para depois encontrem Wallace...

E a mais importante de todas: Salvar a Digital World.

...

- Essas luzes no céu não são bom sinal... Isso significa que eles estão começando a reacender a chama dos fragmentos...

- Isso não é bom, mestre? – perguntou uma Ranamon preocupada.
- Isso não é bom... – afirmou Lekismon – O que devemos fazer...?

- Para que essas chamas estejam se fortificando aos poucos... Isso só pode significar...

- Significar...? – repetiu a guerreira da água.

- ... A Frostmon falhou em capturar os digimons e destruí-los. – completou Umbra.

- Isso era previsto. Ela não pensava direito mesmo... – debochou.
- No entanto ela é nossa companheira, não deveria tirar sarro dela – bronqueou a outra.

- Sim... E isso pode ser uma má notícia...

..........................
.......

- Yosh... Está tudo saindo como o planejado. Heheh.
- Não deveria ficar se gabando antes do tempo... *sigh*
- V-mon, eles querendo ou não... Estão com seus dias contados.
- Ahn... Isso é bom?
- Claro que é! Se continuar assim... Nem saberão o que os atingiu!


Suspirou, olhou-o e atreveu-se a perguntar:

- Ok, e agora? Vamos fazer...?

- A próxima etapa... É tirar Ranamon e Lekismon de ação. – explicou – Sem aquelas três, o único obstáculo será “Pandora” e aquele cara. Até lá... Ele deve ter mais alguma carta na manga ou coisa do tipo. Não acha estranho só ter três subordinadas?

- Hmm... Não?

- Está guardando o melhor pro final... Bem, acho que podemos averiguar se minhas suspeitas estão certas, claro?

- H-Hein?! Você...?!
- É, Vee. Vamos. Daijoubu. Está tudo indo conforme o planejado.
- Não acha que...?!
- Meu verdadeiro objetivo é esse, lembra?
- Sim...
- So...

“Keikaku doori.”






Última edição por Nina Geijutsushi em Sab Ago 27, 2011 1:32 am, editado 1 vez(es)

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Re: Digimon Adventure ZeroTwo: Hinode

Mensagem por Convidado em Ter Ago 23, 2011 11:02 pm






Conversas feitas. Fragmentos quase ativados. O despertar da Luz, Esperança e Bondade foram um sucesso. Bem, o de Ken viria a acontecer logo. E os fragmentos do Desejo e Felicidade pareciam brilhar agora. Mas o poder destes cinco demorariam para atingir seu potencial.

Isso o fazia andar um pouco nervoso, já que seu verdadeiro objetivo era esse:

Ativar todos os fragmentos restantes.

Após essa conclusão, os quatorze jovens poderiam confrontar contra Umbra e “Pandora”.
...
“Quatorze”?!

Sim, isso incluía alguém que, para a surpresa de muitos, estava em algum lugar daquele mundo...
Mas... Onde ele estaria?


- Estamos andando por horas e dias! – reclamou Mimi, já na sétima semana que o grupo se movia – Quando poderemos parar? Onde estão estes dois?!

- Calma, Mimi-kun! – Jou tentou confortá-la – Koushiro-kun disse que estava trabalhando num modo de detectarmos os sinais dos digivices com mais precisão.

- E por que ainda não terminou?!
- O projeto é complexo – explicou Miyako – A análise mostrou duas seqüências peculiares.
- Parecem datas – comentou o ruivo – O do meu digivice possuía a data em que fomos à Digital World pela primeira vez. E o da Miyako-kun...
- ... A data em que Daisuke, Iori e eu recebemos os nossos D-3. – acrescentou.

- No final dessas datas, há dois dígitos estranhos. – olhou para o grupo – Pessoal, poderia pedir para examinar os digivices de vocês?

- Agora? – balbuciou Yamato.
- Sei o que queres fazer – riu um Yagami, prevendo aquela pergunta.

Pararam em um canto, numa cabana abandonada que estava um quilometro de uma cidadezinha. De acordo com o escolhido da Sabedoria, aquilo não demoraria muito. Acessou o mesmo diretório em todos os nove aparelhos sagrados. E encontrou o mesmo arquivo com uma data e dois números no final. Anotou-os em um arquivinho de textos separado, organizando tais seqüências por digivice e por seu portador.

No final, analisou tudo e chegou a uma conclusão:

- Já sei o que pode significar essas seqüências numéricas! – sorriu, contente com tamanha descoberta.

- Sabe?! – e essa notícia brotou um raio de esperança no sorriso de todo o grupo.

---

Enquanto isso...
A dupla já conhecida devido às suas polêmicas e seus mistérios, seguida com seus planos.
Isto significa...

- V-você?!
- Heheh... Já deveria saber que daria o troco, não é?

A mesma cena. Os mesmos indivíduos. A única coisa que mudava era que desta vez quem fora imobilizado antes...

- K-kh!
- Acho que passei a me chamar de “Cavaleiro Silencioso”, huh?

...agora a imobilizava. E mantinha em seu pescoço uma lâmina criada pelas faíscas azuis.

- C-como?! – gritava, incrédula.
- Se for boazinha e responder minhas perguntas, talvez possamos terminar logo com isso.
- Acha que irá retirar informações de mim?! N-Nunca! S-Seu...!
- Frost-chan foi tão legal comigo... Por que quer pelo modo mais difícil?
- Você está no lado daqueles vermes! Não é mesmo?!
- Ore? Eu do lado dos escolhidos?! – riu ironicamente – Só por ajudá-los? E eu não as ajudei antes? É divertido confundir a cabecinha de vocês.
- O que pretende fazer?!
- Se me ajudar, talvez possa te contar. Temos um trato?
- A-Ajudar?! Ajudar no que?!
- Dei as condições. Vai aceitar ou não? À sua escolha, Rana-chan.

Vontade de saber. Mas temia. Temia ter o mesmo fim que os Black Gaogamons, e o mesmo que levou Frostmon.
Só não sabia ainda que sua “amiga” cedeu ao mercenário, concedeu a ele a imunidade ao gelo negro, e voltou ao estágio digitama para proteger as informações trocadas entre eles.

- Se aceitar, posso te contar qual o pedido que a Frost-chan me fez...

Aproximou-se, sussurrou o resto de sua frase em seu ouvido:

- ... antes dela mesma retornar ao nível digitama por vontade própria.


#31 – Movimentos.




Arregalou os olhos, petrificada. Sua amiga fez aquilo por escolha própria?!
Se pudessem ver, o digimon mascarado sorriu com tal reação da guerreia da água.
O seu plano corria bem. E como corria bem!

- Frostmon fez isso mesmo?! – indagou.
- Fez. E estou dando uma escolha. Faça-a logo.
- Irá me matar depois, não vai?!
- Você ouviu bem, não ouviu? Ela mesma regrediu. Não fiz nada.
- O que fizeste à Frost-chan?! Diga-me!
- Nada... Só conversamos. Nada de mais...
- S-Só?! Só isso?!
- Vamos... Não dificulte as coisas.
- Dizer o que sei?! “Pandora” é um menino.
- Isso eu já sei. Fale tudo. Agora.
- O mestre está treinando-o para usar a Lux Fatum. E está concedendo a ele tudo o que desejar!
- Hm... E onde está o garoto?
- No castelo do mestre.
- Onde fica?
- Acha que vou dizer?
- Se não disser... – assobiou, e da copula das árvores surgiu um par de olhos vermelhos assustadores.

Um rugido alto e furioso ecoou pela região. Isso fez com que Ranamon ficasse pálida e mais apavorada. Engoliu a seco, e pensando primeiramente em sua vida do que na fidelidade à Umbra, respondeu:

- Está localizado em uma região montanhosa, leva cerca de dois a quatro dias, dependendo do meio que utilizar.

- Mas você tem outro método... Não é mesmo? Afinal, demorar esse tempo todo para ir até lá quando seu mestre lhe ordena deve irritá-lo, não é? – encostou a sua face mascarada ao lado do rosto de Ranamon – Não é?

- Sim... Existe uma forma de ir até lá... Porém... O que você quer com esse garoto?!
- Assuntos pessoais... Não lhe interessam. – respondeu direto.
- Disse que iria contar--
- Ah sim, meu plano? Não inclui essa criança. Só quero falar com ela por mera curiosidade...
- E quais são os seus planos?!
- Meus objetivos são o mesmo que o de vocês – riu sarcasticamente – Devo dizer que até somos “rivais” nisso.
- Rivais?!
- Vamos, vamos...! Mostre-me. Não quero perder tempo. A menos que deseja conversar com meu amiguinho ali... Ou perder o pescoço...


Hesitou por alguns momentos... Mas cedeu ao perceber que a lâmina ficava mais e mais perto de seu pescoço. Os dois então saíram andando em direção oeste. Vee seguiu-os secretamente pelas sombras.

Aparentava estar meio preocupado. Lightnimon podia ser um gênio e cuidar imensamente de tudo que possa fazer com que algo não saia errado (ou se sair, já deve ter uma solução rápida que deve ser aplicada imediatamente e ter efeito)...

Mas temia algo lá no fundo. É como se afastasse de si. Temia que chegasse um ponto em que o mercenário misterioso...

Perdesse o controle da situação.

Ou...

Fosse levado pela loucura e insanidade.

---

- Esses números no final são como um ID que serve para identificar o digivice pelo sistema de localização e comunicação. Portanto, essas datas e esses dois dígitos são um número de série. É o registro deles.

Explicou o escolhido da Sabedoria, mostrando a lista de seqüências encontradas em todos os aparelhos sagrados do grupo. Os olhinhos dos restantes observaram a tela, ouvindo-o atentamente.

- Então, estes números são o registro? – perguntou um Jou surpreso.

- Sim. – afirmou Koushiro – Eles possuem uma chave que está incluído a data em que nós os recebemos. Com isso, posso deduzir que, se usarmos o mapa e procurarmos por sinais de digivices, esta numeração irá aparecer. E para encontrarmos o Daisuke-kun, deveríamos procurar por este serial.



Mudou a tela para outro arquivo de texto, onde continha um outro serial.
A seqüência tinha a mesma data do D-3 de Miya e Iori. Mas, os dígitos finais eram...


Código:
20020401-01


- 01? – Taichi quebrou o silêncio.

- 20020401-01. – corrigiu o ruivo – Essa é a data encontrada nos digivices de Miyako-kun e Iori-kun. Os que você libertou naquele dia, Taichi-san. Logo, o digivice do Daisuke-kun deve ter a mesma data e este numeral, já que o final da seqüência do deles é 02 e 03.

- O da Hikari e o do Takeru são antigos, porém apresentam a data 3 de abril de 2002, que foi quando eles se tornaram D-3. – percebeu Miyako.

- E o meu é de 2000... – comentou Ichijouji – E o update dele é...
- O digivice do Motomiya então terá este registro? – indagou Ni.
- Provavelmente – respondeu o Izumi.
- Mas... Será que ele está bem? – mostrou-se uma Sora preocupada.
- Se pudéssemos nos contatar com o D-terminal dele, deveríamos alertá-lo sobre o Lightnimon. – falou um Yamato sério.

- Se o Lightnimon encontrar o Daisuke... Não acho que ele o faria mal – opinou o Yagami – Ele ajudou o Agumon, e está na cara que foi ele quem nos ajudou até agora. Lembram? Aquela floresta estava repleta de Bakemons, e no dia seguinte... Não encontramos mais nenhum! Também, até agora ele não nos feriu, nem aos nossos parceiros.

- Mas... Ele não tentou matar você, Agumon e a Bunni? – contestou Miyako.

- Dias atrás... – começou a Choujutsushi – Lightnimon me encontrou enquanto ia ajudar os outros com a loiça... E ele me disse:

- Já disse que não sou inimigo, nem amigo. Não quero me envolver diretamente nisso. - respondeu, ainda num tom desanimado - Será que só a sua “neechan” percebe?

- Talvez. Mas... se você não veio me atacar, porque falou comigo? Bela maneira de “não se envolver”.

- Está tirando conclusões precipitadas. Não te ataquei, foi o contrário. Você quem me atacou. E nem deixaram... Que eu fizesse aquilo que tinha ido fazer. E antes que diga, eu não fui com o intuito de matar o escolhido da Coragem, nem o parceiro dele ou a Digimon do Desejo.


- Não sei bem quais eram suas intenções... Mas ele não me parece mais um inimigo. – concluiu ela.
- Ele não é, Carol! – argumentou a Geijutsushi – Lightnimon não é nosso inimigo!
- Eu também sinto isso. – foi a vez da escolhida da Luz opinar – Sinto que ele está... Está carregando um fardo pesado.
- Fardo pesado? – Mimi não entendeu muito bem a frase da menina.

- Naquela vez que ele quis falar comigo – Takeru começou a contar – ele falou algo assim...

- Acha que me sentiria bem se... Se eu fosse humano e alguém viesse falar comigo, citando algo que aconteceu ao meu parceiro e fizesse um alerta... Eu iria ignorar isso? Arriscar perder meu parceiro, meus amigos e minha própria vida?! Você tem IDÉIA do queverdadeiramente estou fazendo?! Não sabe o quão árduo é ter de agir dessa forma, para que os inimigos não percebam?! Estou arriscando minha vida com tudo isso. Eu destruí os soldados de Frostmon e Ranamon. Eu procurei pelos seus parceiros e os levei até vocês! Estou fazendo isso não com segundas intenções... Mas pelo mesmo objetivo que vocês têm!

- Por que então você... O que você...

- Isso é um fardo pesado. É algo que não deveria fazer, mas estou fazendo... E você não percebe seu erro. Não percebe e quer continuar a agir feito o sabichão. Tão imaturo quanto era o Daisuke Motomiya dois anos atrás...! E talvez... Um pouco de imaturidade que ele tenha hoje... Um pouco...


- Ele está agindo dessa forma para despistar nossos inimigos... – supôs o loiro mais jovem.
- Se ele está fazendo isso... Por que ele não diz que está do nosso lado? – perguntou-se a Tachikawa.
- Para que não descubram suas verdadeiras intenções...? – arriscou Nina, lembrando-se do que V-mon tinha lhe dito.

Novo silêncio. Agora todos os treze puseram a pensar nessas informações. Ken repetiu apenas a mesma coisa que tinha sido explicada pelo Tentomon:

“Mensagem codificada”

A essa altura, os escolhidos começavam a se esquecer de um pequeno detalhe.
E deixavam-se levar pelas hipóteses, impressões e até opiniões sobre o tal digimon.

O primeiro a acordar do transe foi aquele que quase nunca agia primeiramente, talvez por não ter impulso e pensar mais antes de dizer ou fazer algo. Mas, lá dentro sentiu que deveria. E essa era a hora para realizar aquilo que nunca tivera coragem:

- Pessoal, deveríamos estar procurando pelo Daisuke-san e pelo Wallace-san. Deixemos o Lightnimon agir naturalmente. Ele, pelo que vocês disseram... Não é como o Digimon Kaiser. Taichi-san tem toda razão, ele não nos feriu até agora, somente nos paralisou. Nos ajudou mais do que nos atrapalhou. Então, devemos nos focar na nossa busca e também em deter aqueles que estão tentando causar desordem na Digital World.

- I-Iori?! – surpreendeu-se Armadimon.

- Ele está certo. – disseram em conjunto Taichi, Ken e Nina.
- Primeiro temos de encontrar estes dois! – reforçou o líder.
- Motomiya estava sendo alvo daqueles monstros, ele pode estar correndo perigo! – acrescentou a menina de cabelo moreno acastanhado.
- Temos de encontrá-los e rápido! – completou a garota dos olhos verdes.
- Wallace... – sussurrou um Terriermon tristonho.

- Okay! – gritou Miyako – ESCOLHIDOS, AQUI VAMOS NÓS! – apontou para o alto.

Com esse evento encerrado, os heróis voltam a se mover.

Enquanto andavam...

Distante dali, próximo de um rochedo... Estavam duas figuras já vistas na cena anterior.
E uma terceira, escondida na copula das árvores daquela região.


- Então é aqui? Hmm... Um portal secreto, huh? – falou o gatuno, ainda fazendo Ranamon de refém.

- Sim... – confirmou ela – Este é o portal que existe aqui... E em outros cantos da Digital World. O mestre os criou para que possamos nos dirigir para o castelo mais rápido e sem problemas. Nós três sabemos a localização de todos os portais.

- Quantos são? – prosseguiu com o interrogatório.
- Cerca de doze portais.
- Hm... E como se ativa?
- O que você quer com isso?
- Olha... – colocou a lâmina mais perto de seu pescoço – Não quer perder a cabeça, né, Rana-chan? Literalmente...
- S-seu...!
- Quer...?
- Está bem... Está bem...! Solte-me e eu te mostrarei como ativar.
- Nada disso, esse truquezinho não funciona comigo. Vamos, você só precisa dizer como se ativa.
- Há um código. Este código está guardado.
- Pare de enrolar... Qual é o código?
- Está ali... No meu bolso...

Ela sorriu. Talvez ter dito aquilo o fizesse abaixar a lâmina. Assim teria como resistir e até escapar dali, sem ter revelado a password.

Porém, ela não esperava que... A lâmina elétrica ficasse a flutuar ali logo após dele ter largado-a. Ou seja... Uma “linha” elétrica seguiu de sua mão, ainda manipulando-a. Pegou uma espécie de cartão do tamanho de uma placa de brasão e olhou-a.

- Hm, então isso é o “código”? Uma placa que mais lembra um brasão?

- Esta placa é a única forma de você ativar o portal. – explicou – Ela é como um “brasão falso”...

- Brasão falso? – pensou ele – Isso significa que esses portais abrem apenas com os brasões?

- ... Sendo que os brasões dos escolhidos foram utilizados anteriormente para restaurar a barreira após a luta contra Apocalymon. – explicou – Seus parceiros perderam a habilidade de atingir o nível perfeito... Porém... Os brasões eram apenas uma forma de canalizar os sentimentos humanos e transformar em energia pelos digivices.

- Eu sei disso... – disse Lightnimon, mostrando interesse no assunto.
- No entanto, eles descobriram a forma para terem este poder outra vez. E esse poder...
- Vem dos fragmentos, certo?
- Sim. E isso também significa que eles estão se fortalecendo.
- Como sabe disso?
- Olhe para o céu. Segundo o mestre, aquelas “estrelas” são luzes que refletem o status de cada um destes fragmentos. Isso faz parte da profecia...
- Eh? Que profecia? – perguntou, voltando-se a ela depois de ter visto tais luzes naquele céu macabro.
- Você não acha que irei contar isto a você, ou acha?!
- Vai, ou você vai perder o pescoço.
- Tens o que quer aí. Vai logo fazer o que queres fazer. Se perder seu tempo comigo, logo Lekismon aparecerá e me salvará outra vez.

Encerrou a conversa, a fez andar e então colocou tal réplica de brasão num pedestal de pedra com o aspecto medieval. Logo, no meio da rocha, abriu-se uma espécie de portal. Dentro do mesmo mostrava tal região e o castelo.

Se pudessem ver, viriam seu sorriso. O gatuno estava satisfeito com aquilo.
Logo atrás, escondido e pensando como iria segui-los, estava um dragão com armadura escarlate e olhos que pareciam dizer “O que você está pensando em fazer?!”.

Discretamente, olhou para trás e direto pra onde estava o seu “cúmplice”. Este percebeu que o olhava, por uma razão que não será explicada agora. A troca de olhares tinha um sentido de que conversavam apenas por pensamento. Telepatia? Não se sabe muito sobre os poderes de Lightnimon. Talvez tivesse. Talvez.

Ele e Ranamon adentraram no portal. O digimon draconiano voltou ao estágio criança e mergulhou mais que depressa no mesmo, antes que se fechasse. Lightnimon não devolveu tal brasão falso, apenas guardou-o em seu bolso sem que a inimiga percebesse.

E assim foi dado início a segunda parte de seus planos.
E quais seriam?

---

O relógio na sala marcava exatas sete horas da noite.

Ela continuava sentada no sofá, depois de ter voltado de uma caminhada no shopping com suas amigas. Pensou em ligar pra ele, mas lembrou-se que estava tudo bem. Estava com seus amigos, e um telefonema seu poderia até interromper alguma coisa.

Assistiu uns dois ou três filmes, até a gravação de seu Dorama favorito. Espreguiçou um pouco e, por uma estranha vontade, levantou-se e foi para seu quarto. E sua intuição feminina a fez ligar o computador e checar seus e-mails.

Enquanto ouvia o último single dos Teenage Wolves, a garota deixou carregando a caixa de mensagens e deslocou-se para a cozinha. Voltou com uma caneca de chocolate quente com alguns biscoitos e sentou-se na cadeira. Então começou a ler.

Minutos depois… Deparou-se com um e-mail estranho. Não, não era o remetente.
Mas sim receber um mail desta pessoa… Assim, tão rápido:

Jun-neechan. Poderia fazer um favor?
O senpai e o Jou-san organizaram uma viagem surpresa para nós. Então iremos acampar. Não se preocupe, assim que estivermos de volta, irei ligar.

Meu cellular está com problemas. E assim que chegarmos lá, pedirei para ligarem.
Ah, avise aos nossos pais sobre isso, ok?

E gostaria de pedir um favor.
Poderia ligar para os pais ou parentes, destas pessoas e avisá-las?

Valeu.


Definitivamente…
A Motomiya ficou confusa. Sim, confusa. Mas, realizou o pedido do irmão.
Pegou a lista de nomes anexados na mensagem, o telefone...

E começou a discar.

- Alô? Sra. Yagami? Aqui é a Jun, irmã do Daisuke... Ele pediu pra avisar...
- Ah sim, meu irmão pediu para avisar, Sr. Inoue.
- Huh? Claro, Sra. Takaishi!
- Ele disse que ligarão quando chegarem, Sra. Hida!
- Sim, ele pediu para ligar, Sr. Ishida.
- Meu irmão mandou um e-mail pedindo que avisasse, Sra. Takenouchi.
- É. Eles foram acampar, Shuu. O Jou-san foi junto.
- Espero que não tenha problemas, Sra. Geijutsushi. Meu irmão avisa em cima da hora quase sempre!
- Foi uma viagem surpresa, Sra. Izumi.
- Quando eles chegarem, irão ligar. Foi isso que ele me disse, Sra. Ichijouji.

Olhou para outros dois nomes na lista.
Este só tinha uma pequena nota:

- “Ela não mora mais no Japão, e está vindo com um amigo. Quando nos falamos, ela disse que tinha decidido vir nos visitar e fazer uma surpresa”...?
- Daisuke... Você quer que eu ligue para a América?!

Primeiro resmungou. Ligação internacional nunca foi barata.
E estava usando o seu celular para fazer esse pedido.

Segundo checou os créditos.
Teria como fazer apenas mais uma ligação.

Terceiro... O horário de lá era diferente.
Se lá eram sete da noite, nos EUA seria... uma da madrugada?

Questionou-se. E então decidiu ligar pela manhã.


Isto é, se os escolhidos não voltarem antes.
Contudo... O horário de envio da mensagem estava normal. No tempo humano.

E marcava... 5:15 da tarde.

Ou seja...






Última edição por Daisuke Kaizaa em Sab Jan 05, 2013 10:39 pm, editado 2 vez(es)

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Re: Digimon Adventure ZeroTwo: Hinode

Mensagem por Convidado em Ter Ago 23, 2011 11:26 pm






Ficaram diante de uma trilha que ligava à montanha. Soltou-a, pisou em seu pé com força, a fez gritar de dor e... Paralisou a língua da guerreira da água, fazendo com que atingisse suas cordas vocais rapidamente, tornando-a muda.

Encostou sua face coberta pela máscara no canto do rosto dela, e serenamente disse:

- Faremos assim, você fica de boca fechada sobre isso e poderá voltar a falar. Caso contrário terá de acostumar a ser muda. Sabe? Não gosto de linguarudos.

Ali atirado atrás de algumas rochas e moitas, tinha um V-mon meio incrédulo.
Não se sabia o que o espantava tanto, mas era justamente a cena que via.

- Você enlouqueceu agora...? – murmurou extremamente baixo o azulzinho.

No fundo de sua mente lembrou-se de inúmeras coisas:


- É o único modo agora, V-mon. Ou iremos perder.
- Não acha perigoso demais?!
- Não queria fazer isso dessa maneira! Mas não há outro jeito!

Parou, olhou-o nos olhos.

- Vee, só te peço que me ajude. Não quero que nada disso piore! O que irá acontecer se aquele cara conseguir completar esse plano maléfico?!

- Mas... Isso é arriscado! Acho que deveríamos repensar nisso...!

- Não há mais tempo pra pensar! Essa é a única forma agora. Isso talvez possa aliviar a tensão que será a batalha dos seus amigos.

- ... E se eles me encontrarem? Aquele digimon maligno disse que só me deixou vivo para contar aos escolhidos que o Daisuke está morto! Temo que depois desta notícia, ele matará a todos eles... Inclusive a mim.

Aproximou-se do dragão criança e colocou a mão em seu ombro.
Deu um sorriso e confortou-o:

- Eu irei te proteger em troca de sua fidelidade a mim. Também prometo que iremos encontrar seu parceiro, já que você acredita que ele esteja vivo. Por favor, V-mon. Esse é o único caminho que restou por agora.

- Caminho... – sussurrou, lembrando-se de toda aquela jornada maluca que teve com o goggle boy no ano passado.

- Não quer que eles morram, certo? Não quer que eles sofram se descobrirem o que aconteceu ao seu parceiro? Digo, o que pensam ter acontecido a ele? Por favor, Vee! Eu te peço! Você sabe o que eu quero fazer. Sabe muito bem.

- S-sei... Mas... Mas... Esta bem, eu vou te ajudar no que puder. Só prometa que iremos nos concentrar em encontrar os outros digimons do grupo! Depois disso...

- Certo. Mas meus verdadeiros objetivos aqui são os fragmentos. E também, descobrir mais sobre este estranho que matou o escolhido do Milagre. E essa tal “Pandora” que você citou...

- Será que... Isso não vai causar problemas? – perguntou o pequeno.
- Sei que vai... *sigh* Mas é a única forma de me mover livremente... – respondeu ele, cabisbaixo.
- Entendo...
- Desculpe se isso se tornar difícil pra você... Também será para mim. – deixou escorrer algumas lágrimas, pingando na cabeça de Vee.
- Nós podemos... Fazer isso juntos. – segurou as mãos do outro – Enquanto o Daisuke estiver desaparecido, serei seu parceiro.
- Arigatou... Buimon... – sorriu.

...


- Prometi a ele... Mas... Mas será que ele esqueceu-se disso? – questionou-se mentalmente – Estou com medo... O que você quer fazer? Por que está sendo tão... Diferente agora?


- Ah, outra coisa... – falou o mercenário à Ranamon – Não adianta vir me atacar. Seus movimentos são tão previsíveis e lerdos que não são páreo para a minha velocidade. E atualmente, nesta nova forma, estou mais ágil que antes.

Ela nada pode falar. Nem reagir. Talvez fosse uma boa idéia ficar quieta e evitar ser eliminada pelo tal “rival”.

Isso estava começando a deixar o pequenino preocupado.


#32 – Face Off!!




- Ok. O que temos de fazer agora?

Alguém se lembra daqueles três guerreiros felinos citados anteriormente?
O grupo continuava batalhando contra os lacaios de Umbra, libertando vários digimons, salvando inocentes, protegendo os fracos e os feridos...

E arquitetando num modo de invadir o covil do maléfico mago das trevas.

- Os escolhidos parecem estar procurando por um humano desaparecido. – reportou Spadamon – Foi o que eles estavam conversando naquele dia em Santa Geria.

- Um escolhido está desaparecido pela Digital World? – questionou Iustimon – Desde quando?!

- Não sei ao certo, mas parece que há sete semanas. – respondeu Panjyamon – as crianças estavam falando disso. E parece que os inimigos disseram a eles que o haviam matado.

- Mas não existem pistas que confirmem os fatos – acrescentava o pequeno – Porém não se tem noção de onde ele pode estar. Talvez perdido em algum lugar ou se escondendo para que não seja morto.

- Então, essa criança é alvo deles? – perguntou o individuo da armadura creme.

- Pelo que diziam, ele estava sendo perseguido no mundo humano pela Frostmon. No entanto, não a vimos mais. Alguns acreditam que ela foi eliminada. – explicou o de armadura azul.

- Eliminada? – exclamaram os outros dois – Como?! Por quem?!


Pediu silêncio e tempo para relembrar do que tinha visto.
Sim, Spadamon suspeitava das atitudes daquele estranho digimon negro...

E passou a recolher informações sobre o mesmo.
De sua investigação particular, encontrou pontos interessantes:

Ele estava atrás dos digimons parceiros pertencentes ao grupo dos escolhidos;
Segundo alguns aldeões, este individuo os ajudou e levou consigo tais digimons do grupo das crianças;
Uniu-os aos seus respectivos parceiros, sem deixar claro suas metas;
Que ele criou aliança com Frostmon e Ranamon por interesses desconhecidos;
Atacou tanto os destinados quanto às tropas das duas inimigas;
E agora viu o mesmo trair Frostmon e eliminá-la com a ajuda de um digimon dragão.

Espera... Digimon dragão?!
Seria possível que...

- Não acredito! – gritou ele, incrédulo – Isso não é possível! Ou... Ou será possível?!
- O que foi, Spadamon? – perguntou um Iustimon curioso.
- É, o que é “impossível”? – idem a Panjyamon.
- Que... Que o misterioso Lightnimon... Ele... Ahh... Isso parece tão... Tão...
- Diz logo! – berraram os outros dois leões.

- Talvez ele esteja vivo. E... Cooperando com o tal Lightnimon ou... Ou outra explicação. Mas esta hipótese seria um tanto absurda. Afinal, isso era apenas boatos que surgiram sobre o começo da Digital World.

- Boatos? – aquilo começava a chamar mais e mais a atenção dos leoninos.

- Existe um livro, escrito por um autor desconhecido, que fala sobre como a Digital World foi criada. E nele há indícios que antigamente o mundo humano e o mundo dos digimons eram um só. E...

Prosseguiu contando, e a cada parágrafo da explicação... Os olhos dos companheiros arregalavam, e passavam a ter a mesma reação do pequenino.

---

Ranamon seguiu direto pela escadaria que levava ao portão majestoso e sombrio do castelo, ainda como refém do mercenário. Atrás dela, pelas sombras, movimentava-se V-mon.

- Ah, você adoraria perguntar... O que irei fazer se deparar com seu mestre ou com a Lekismon, certo? – falou ele, ainda com aquele tom sarcástico – Não se preocupe, Rana-chan... Eu não sou bobo de ficar parado. Também não se esqueça que sou um astuto mercenário. Ou seja, consigo me ocultar perfeitamente e passar despercebido.

Colocou a mão em seu ombro direito, e ela olhou-o. Por dentro sentia raiva, mas também estava domada pelo medo. Aquele digimon de antes se tornou sombrio, algo que ela não tinha percebido da primeira vez.
A nova forma de Lightnimon a assustava mais. Não via mais seus olhos e aquela máscara realmente completava o visual mais arrepiante, fora a armadura que já fazia o favor de pôr calafrios nos que cruzassem seu caminho.

Aquela forma também tinha outro nome.
Se a antiga era chamada de “forma gatuna” ou “Night Thief”...
A “Armor Mode” possuía a denominação de “Silent Knight” ou “forma assassina”.

Esse codinome deixava Vee mais nervoso ainda. Não se tinha muita idéia do motivo dele se preocupar tanto com o seu “chefe”, mas tudo indicava que era porque ele teria adquirido alguma amizade com o gatuno.

“Espero que ele... Que ele não tenha perdido o juízo.”
“Não quero... Não quero que isso tudo acabe em outro caos...!”
“Não sei se você pode ouvir meus pensamentos...”
“Mas...! Por favor! Não se transforme em algo pior que ele...!”
“Lightnimon... Você está fazendo isso tudo em prol da Digital World!”
“Em prol do bem! Não se esqueça disso! Não se esqueça da sua missão!”



Minutos depois estavam dentro do deslumbrante castelo sombrio. O digimon de tufo prateado zarpou assim que as portas de entrada se abriram para que Ranamon pudesse entrar. V-mon permaneceu do lado de fora, como foi lhe designado.
Se entrasse, haveria confusões.

---

- Então é isso. Já procuramos por esta região toda e nada. – suspirou uma voz meio desanimada, porém disposta a continuar.
- Koushiro, como vai indo o seu projeto? – e esta direcionou seus olhos para o ruivo, metros atrás e com um portátil em mãos.

- Nada ainda, Taichi-san... – respondeu – Mas... Acho que consegui alguma coisa.
- O que? – perguntou o escolhido da Coragem, indo espiar o que o Izumi fazia.

- Tem uma coisa que estive analisando dias atrás. – começou sua explicação – Enquanto parávamos naquela pequena aldeia, percebi que tinha um portal por ali e resolvi testar. Conectei meu notebook a ele e fiz uma análise no sistema, para descobrir o que nos impede de voltar para casa...

- E descobriu algo? – Um jou intrometeu-se no assunto, curioso.

- Nada a respeito disso, mas... Encontrei um link que me deu acesso ao histórico de todos os portais. E todos os registros estavam... Zerados! Não encontrei dados de dois anos atrás no sistema!

- Hein?! É possível terem deletado?! – exclamou uma Inoue.

- Porém... – continuou – Havia registros recentes... Daquele dia que o portal se abriu e nos permitiu vir para cá! Havia uma seqüência numérica no registro... Algo que supus desde a descoberta dos IDs de cada digivice.

Chamou todo o grupo para si. Seguiu para o leste e conectou o portátil no aparelho que se assemelhava a uma televisão antiga. Pediu que olhassem para o ecrã enquanto digitava alguns códigos. Logo havia acessado a fonte e seus registros, seguindo direto para o falado registro recente e abriu-o.

Estava lá. Um ID. Os olhinhos dos onze arregalaram, surpresos com o que viam.

Não sabiam como reagir. Não sabiam se deveriam reagir.
Mas a expressão facial deles indicava que a descoberta do escolhido da Sabedoria...
Significava que era uma boa notícia.

- Esse... Esse é o mesmo ID que você supôs! – falou Mimi.
- Exato! – confirmou Yamato – E a data...
- Indica que ele quem abriu o portal para nós! – completou Sora.

- Mas... Não querendo tirar a alegria de vocês, isso não significa que ele esteja vivo. – falou Iori.
- É. Isso não significa muita coisa... – falou a Geijutsushi, amuada – Mas eu não acredito que ele esteja morto!
- N-Não foi essa a minha intenção! – o Hida ficou meio nervoso com alguns olhares feitos depois de seu comentário – Ele pode ter feito isso antes!

- Ele está certo, não o reprimam – defendeu Bunni – Mesmo assim... Eles não o deixariam fazer isso. Então isso significa que aconteceu depois. Ou seja...

- Ele está vivo?! – Miyako, Ken, Taichi e Nina olharam para a coelha. Cada olhar transmitia aquela sensação de esperança em que o goggle boy estivesse mesmo vivo.

- Então deveríamos encontrá-lo e rápido! – falou o mais jovem dos escolhidos.
- Exato! – pronunciou-se um Takeru sério – Se demorarmos pode ser que eles descubram e tentem eliminá-lo.
- Koushiro-san, tem alguma informação a mais? – perguntou Hikari – Algo que possa nos sugerir onde deveríamos procurá-lo?

Acenou negativamente a cabeça. Hikari ficou um pouco triste. Os outros também.
Mas o Yagami, o líder deles, levantou o rosto, estufou o peito e falou aquilo que dizia sempre nessas horas:

- Pessoal, não vamos desistir! Ergam-se! Ânimo! O Daisuke está vivo! E nós sabemos disso! E ele deve estar esperando que nos encontremos logo!

- Aqueles olhos... – murmurou Carol, que parecia não estar ouvindo a reação dos demais depois de receber o consolo do escolhido da Coragem – Eles são tão familiares... É como se já os tivesse visto antes... Mas onde?...

Num flash... Teve a mesma visão. A mesma que teve antes. Porém...
Um rápido grito veio a interromper. O grito vinha da escolhida da Luz.

Ela colocou as mãos na cabeça, e gritou um nome totalmente desconhecido pelos demais. Menos pra orelhuda. Menos pra Takeru.

- HIKARI!? – Taichi segurou-a, envolveu-a em seus braços. A irmã suava a frio e tremia. – Hikari! O que foi?! O que aconteceu?!

- Tem uma aura estranha... Se movendo em lugar distante – falou Miyako, mas de uma forma que não parecesse a alegre Inoue – Uma outra está prestes a encontrá-la.

- Miyako-san? – Takeru exclamou ao ouvir sua frase.

- Auras? Eu só... Só sinto um imenso arrepio... – manifestou-se Ken – É como se as trevas fossem envolver a tudo e a todos... M-Mais uma vez...

Calaram-se.
Olharam-se.
Estranharam-se.

Hikari não falou como Hikari. Nem Miyako como Miyako.
E agora o “Mais uma vez” do Ken soou como outra pessoa.

- Vocês estão bem? – perguntou Sora, olhando-os meio confusa.
- Isso faz parte. – explicou ChibiBunnymon – Hikari-san, poderia contar o que te levou a gritar?

Ela acalmou-se e soltou-se dos braços do mais velho. Com um olhar meio perturbado, falou:

- Vi duas pessoas enfrentando-se. Uma delas usava uma armadura e possuía luz... Enquanto a outra usava trajes negros e emanava uma aura negra. Vi o sangue escorrer do guerreiro iluminado... E ele era meu irmão naquela visão. Enquanto a outra... era uma incógnita.

- Seu irmão? E-eu? – interrompeu Taichi.
- Não... Ele não parecia com você, oniichan. E sim com o Daisuke-kun.
- Daisuke?

- Certo. Vocês estão conectados, como eles também eram. – voltou a falar a coelha – Isso significa que o Daisuke-san pode estar em apuros.

- Como é que é?! – gritou uma Geijutsushi seguida de um Ichijouji – Em apuros?!
- Devemos nos apressar... – sugeriu Iori seriamente.
- Se não encontrarmos o Daisuke-kun, ele irá morrer... Não é isso? – falou um Jou meio receoso, preocupado com o serelepe menino desaparecido.

- E... Eu... – Carol tentava dizer algo, mas foi abafada pela voz da “irmã”.

- FRAGMENTO DO DESEJO, POR FAVOR! POR FAVOR! MOSTRE-NOS O CAMINHO! – apertou a pedra outra vez em suas mãos, lacrimejou um pouco e tentou ativá-lo.

Mas nada. Nada aconteceu.
Ela ficou pasma. Como?! Como que não funcionou?!

---

Correu pelas sombras, até encontrar uma biblioteca.
Seus instintos diziam que poderia reunir mais informações sobre os planos do inimigo.

Na saleta recheada de livros, estantes, mesas de biblioteca, papiros, papéis, etc., tinha uma janela no canto. Saltou direto pra lá e abriu-a, dando de cara com seu “ajudante”.

- Alguma coisa? – perguntou Vee, debruçando-se no parapeito da janela.
- Nada ainda. Mas pelo que vi... Tem um Lopmon. E ouvi várias vezes chamarem alguém por “Wallace”.
- Então... Estávamos procurando...
- Shh! – deu um soco na cabeça do pequeno, mas sem força – Cale a boca! Nem pense alto sobre a busca de vocês dois! Podem interpretar de outra forma!
- D-desculpe...!
- Enfim, entra aqui e me ajuda. Duas cabeças procuram melhor do que uma.
- Procurar...?
- Deve ter alguma coisa sobre os planos dele aqui.
- Deve sim... Então... – saltou para dentro, e já saiu correndo a averiguar os papéis e derivados de uma mesa.

Prosseguiram com a busca, que demorou cerca de trinta minutos.
Ou menos. A agilidade de Lightnimon o permitiu encontrar um arquivo peculiar em cima de uma mesa afastava, nas extremidades da sala.

Abriu-o com cuidado e encontrou uma escrita meio antiga. Chamou o dragãozinho e ambos deram uma pesquisada ali.

- O que está escrito...? – comentou ele.
- Vee... Isso... Isso é...!
- O que, o que?!
- S-Sobre... Os fragmentos?! Espera, aquelas luzes no céu...
- O que tem a ver?

- Aqui diz “As trevas se apossarão de um indivíduo e o forçarão a mudar o Destino. Mas se todos os fragmentos forem reunidos, o Milagre irá abençoa-los e os salvará do caos. Assim a Escuridão e a Luz voltarão a ter seu equilíbrio natural, conforme o que o Destino escreve e conforme o Milagre atua.”

- Eh?! O que isso significa?! – ficou tonto – E-espera... Você consegue ler isso?!

- Consigo... – suspirou – Está dizendo que só poderemos combater as trevas, ou seja, esse cara, se os fragmentos estiverem unidos. Isso significa que todos devem libertar seu poder. “A chave está na união”, lembra? Não foi isso que Dragon Hu disse ao seu parceiro?

- Lembro...
- Então é isso. – olhou-o, e seus olhos estavam diferentes outra vez – V-mon, precisamos dizer isso aos escolhidos.
- E quanto ao Daisuke...?
- Já disse que iremos encontrá-lo. Antes temos de sair daqui!
- Certo, te encontro lá fora. Se precisar de mim, eu irei aparecer em instantes!
- Yosh.

Dispersaram-se. V-mon voltou para o lado de fora enquanto o gatuno saiu correndo para a porta.
No entanto... Seus olhos (já vermelhos outra vez) avistaram um loiro de olhos azuis e cabelo mediano ao de Takeru.

E... por força do Destino, correu atrás dele. O garoto só foi parar de andar quando chegou a um enorme salão. Lightnimon entrou lá e a porta de fechou num estalar dos dedos da criança.

- Você me seguiu até aqui? – disse Wallace, sem se virar para o outro.

O Silêncio manteve-se.

- Não estava a minha procura? – virou-se para ele – Não é mesmo?
- O que foi? O Lighdramon comeu sua língua? – debochou.
- Ou você está pensando em como falar comigo sem que descubram sua identidade? – provocou-o.
- Hein, Lightnimon? Ou deveria te chamar...

- Se você sabe o que vim fazer aqui, deveria estar ciente que não posso te deixar ser uma marionete dele. – pronunciou-se o cavaleiro silencioso.

- Marionete? – riu ironicamente, rindo cada vez mais alto – Umbra-sensei só me deu aquilo que vocês me tiraram. – encarou-o com seus olhos sombrios – Além de fazerem lavagem na cabeça do Terriermon!

- O que você está insinuado?! – devolveu o olhar – Que eles mataram Chocomon por vontade própria?! V-mon e Terriermon disseram que foi o pedido dele! O vírus estava se alastrando no seu parceiro! Ele iria matar a você e aos escolhidos!

- Por que continua a esconder-se? Não precisa mais falar em terceira pessoa... Hahahahah...

- Você não está me ouvindo? Eles não eliminaram o Chocomon por frieza e crueldade!

- Cale-se. Está nos meus domínios. Eu não te dei autorização para contra-argumentar ainda. Responda minha pergunta.

- Quem disse que estou me escondendo? Estou fazendo o que preciso fazer, para protegê-los e trazer o equilíbrio aos dois mundos.

- Está fugindo do sensei. Fazendo-o pensar desta maneira. Mas não tem problema... –aproximou-se dele, colocou a mão em seu ombro – Pelo menos sua forma de despistar também nos ajudou e muito. Eles não te vêem com bons olhos, e o que acontecerá quando sua máscara cair e todos eles descobrirem que você é um covarde e ficou atuando sozinho nas sombras? Hein...?

- Acho que está se enganando, Wallace. Nem todos me vêem assim. Nem todos. – negou, pegando-o pelo pulso e encarando-o cara-a-cara (porém não removeu a máscara).

- Tem certeza? Talvez até mesmo aquele vermezinho azul pense que você esteja pirando. Deixando que a insanidade e o seu lado sombrio tomem conta do seu ser. Logo vai se tornar mais uma vítima. Assim como aquele tal garoto que é seu amiguinho...

- Eu me tornar o próximo Digimon Kaiser? Isso não vai acontecer, já que o próximo ao cargo é você. E antes mesmo que eu enlouqueça, eles viriam atrás de mim e me curariam disso. Tal como o Motomiya fez com o Ichijouji.

- Até quando vai continuar a falar dessa forma, hein? Não adianta mais se esconder.

Agarrou o braço do mercenário e jogou-o contra a parede do outro lado da sala. (Nota: A sala é bem espaçosa). Avançou antes mesmo que o misterioso Lightnimon se levantasse e desferiu um chute nele. O mascarado esquivou e partiu pra cima com suas garras, mas não surtiu muito efeito.

Logo recebeu um soco que o levou ao chão, um segundo chute bem mais rápido que o arremessou para o outro canto da sala... E um terceiro golpe, um pontapé, no tórax da armadura.

As forças de Lightnimon não eram suficientes para combatê-lo. E também seu corpo ainda não havia se adaptado à forma assassina. Outra coisa que o incomodava era...


- Não sei o que te deu na cabeça em vir me procurar... Mas saiba que teria sido melhor que você não tivesse vindo. – o loiro aproximou-se dele, pegou-o pelo pescoço com uma mão e ergueu-o do chão – Também... Antes de te entregar ao sensei, quero ver essa sua cara que não vejo desde o ano passado.

- Vá em frente... – retrucou, com uma voz meio enfraquecida – Se tiver coragem para entregar uma pessoa...

- Vocês tiraram meus dois parceiros de mim! O Terriermon nunca mais foi o mesmo! Nunca mais!

- Só por ele também achar que você é filhinho da mamãe? – provocou-o.

- S-Seu...!

Só não o matou, pois algo interveio e os apartou, jogando-os a cada um dos cantos.
A silhueta parou no meio da sala, sacou uma bomba e atirou para o lado do loiro, fazendo-o dormir em segundos.
No chão estava a máscara do digimon enigmático, perdida com o empurrão poderoso que levava.
A sombra pegou-a do chão e saltou diretamente para o guerreiro, pegando-o pela cintura e desaparecendo em seguida de lá.

Levou-o para o lado de fora, passando pelo caminho e pegando V-mon também.
Logo afastou-se de lá usando o portal. Largou-os numa floresta, devolvendo ao Lightnimon aquilo que cobria sua face.


- Você não deveria estar agindo sozinho. – bronqueou a criatura.
- Eu... Espera, você é... – falou ele, olhando-a.
- Lekismon, a guerreira da Lua. E você não deveria estar fazendo isso.
- E tive escolha? – resmungou, colocou a máscara de novo.
- Está deixando isso esvair de seu corpo. Principalmente numa forma cujo seu corpo não suporta no momento.
- O que estou deixando esvair?

- Aquilo que o Wallace disse... – respondeu V-mon – seu lado sombrio. Não percebeu o que fizeste desde que adquiriu essa forma?!
- Eu... Eu tenho isso? – parou, fitou o chão em silêncio.
- Tem... Foi o que fizeste aos escolhidos, aos nossos inimigos... E está deixando que isso te faça mudar seus planos.
- M-Mudar...? M-Mas eu...

- Eles precisam de você. E você precisa deles – continuou Lekismon – Não adianta mais fugir. Se continuar agindo dessa forma, será dominado pelas sombras. Não quer que isso aconteça, não é?

- Ore...

- Lightnimon, você sabe o que significa. – suspirou o digimon pequeno, pegou em suas mãos e o fez olhar dentro dos seus olhos – Eles precisam saber da verdade agora.

- A verdade...? – repetiu baixinho.
- É. A verdade. – afirmou Vee.
- A verdade que... Vai ser dura demais pra eles...?
- É. Ela mesma.

Soltou-se dele, voltou-se para a coelha da lua:

- E quanto ao Wallace? Ele sabe quem eu sou! E...
- Vai parecer que foi um sonho. Deixarei isso bem claro a ele – anunciou ela.
- Ok... Então... – virou-se para o azulzinho – Vamos atrás do seu parceiro.
- Obrigado... Lekismon... – sorriu V-mon, pegando na mão do “chefe” e eles saíram correndo de lá.


A digimon apenas assistiu a partida deles, olhando para trás e vendo uma outra sombra ali. Esta perguntou algo à ela, mas não se pode ouvir nada.

Logo ela voltou-se para o caminho seguido pela dupla.
E deixou o vento levar suas palavras:

”Hora de revelar a sua verdadeira identidade...”






Última edição por Nina Geijutsushi em Sab Ago 27, 2011 1:52 am, editado 1 vez(es)

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Re: Digimon Adventure ZeroTwo: Hinode

Mensagem por Convidado em Qua Ago 24, 2011 1:23 am






Ela olhou para o colar. Atônita, não sabia o que tinha acontecido. Ele não tinha feito aquilo antes.

- Impossível... – balbuciou Geijutsushi a segurar o pingente oval.
- O que aconteceu? – perguntou Carol ao perceber a expressão facial da “irmã”.
- O fragmento não funciona. – foi direta.
- Não funciona?! – um Taichi repetiu, surpreso.

- Daisuke-kun está correndo risco e... E continuaremos parados aqui?! – protestou uma Sora.
- Não vamos depender disso aí agora, ou vamos? – a voz de Yamato entrou na discussão, com aquele tradicional ar sério dele.
- Tenham calma. Ele não irá ser morto tão facilmente. – interveio Iori – Mas não arrisquemos, vamos procurar por ele imediatamente.
- Iori-kun tem razão – concordou Koushiro – Enquanto o programa não está pronto, temos de continuar a busca pelo modo tradicional.

Os outros ficaram em silêncio.

Miyako procurou tentar entender tudo que estava acontecendo ali... Como as frases ditas por Hikari, Ken e até mesmo a dela. Já estes dois calaram-se, apenas observando os demais.

Takeru continuava a ouvir em sua mente a mesma coisa dita pelo gatuno. “Você não é o Unmei”, “Não sabe o que é ser excluído, nos dois sentidos...”.

- Fardo pesado... – a voz do loiro mais jovem ecoou mentalmente.


#33 - O último ato!




- Você sabe como explicar o que aconteceu? – perguntou Vee.
- Não muito bem... *sigh* Queria ter evitado de isso ter acontecido.
- Lightnimon... Seja o que for, eles entenderão seus motivos.
- Será...? – sussurrou baixinho, lembrando das palavras de Wallace.


- Eles não te vêem com bons olhos, e o que acontecerá quando sua máscara cair e todos eles descobrirem que você é um covarde e ficou atuando sozinho nas sombras? Hein...?

- Acho que está se enganando, Wallace. Nem todos me vêem assim. Nem todos.

- Tem certeza? Talvez até mesmo aquele vermezinho azul pense que você esteja pirando. Deixando que a insanidade e o seu lado sombrio tomem conta do seu ser. Logo vai se tornar mais uma vítima. Assim como aquele tal garoto que é seu amiguinho...


- Não deixe que ele te confunda a mente. – acordou-o, olhando para o ser mascarado.
- Mesmo que tenha causado dor aos escolhidos, incluindo ao Daisuke, saiba que eles entenderão quando explicar. – V-mon estendeu sua mão, sorriu para o gatuno.

- Estou com medo... De ter feito algo que não faria... Por um lado o escolhido do Destino tem razão... Eu sou um covarde que quis agir sozinho.

- O que te deu na cabeça pra pensar assim?! – vociferou o azulzinho – Agora está se esquecendo de quem você é?! De tudo que fez até agora?!

- V-mon... Seu parceiro foi um idiota por muito tempo. Tão idiota que deixou que levassem “Pandora”, que as duas garotas que mais amou na vida fossem reféns dos inimigos... E deixou ser morto pelo seu inimigo. Ele foi um IDIOTA.

- Mas é esse idiota que eles estão procurando. E é esse idiota que EU estou procurando. Se ele é estúpido ou não, isso não me importa! O que me importa é ELE ESTAR VIVO. – gritou enquanto escorria lágrimas de sua face.


Nada mais disse, apenas abaixou a cabeça. O silêncio tomou conta da cena e só se via sombras perante a luz do luar.
Poderia pedir pra desistir agora. Era o que mais queria fazer. Nada mais tinha sentido.
Nem mesmo agir ali, nem mesmo correr dali.


- Não faz sentido você carregar o brasão da Amizade se esqueceu o que te fez merecê-lo. – abaixou a voz, colocou as mãos nas goggles em sua cabeça azulada – E nem se lembrará do símbolo deste acessório.

- Eu sei... Eu sei... Mas... Ao mesmo tempo em que tenho certeza que eles irão entender... também tenho certeza que será difícil de provar a eles isso. Por um lado o escolhido do Destino tem razão. Eu fiz com que eles pensassem que sou inimigo. E também os feri, não fisicamente... Mas... Psicologicamente.

- Só está inseguro. Não era assim... Você mudou... D...
- Mudei? – olhou-o.
- D... Demais... Mudaste. – respondeu o azulzinho.
- Eu tenho a impressão que, se eu aparecer... Eles não irão me ouvir sem antes...
- Está errado. Esqueceu quem eles são?
- Não. Mas antes que eu possa explicar, não hesitarão em me atacar.


Voltou a caminhar, ficou pensativo. V-mon o seguiu em silêncio, ao lado direito dele.
Durante o percurso, olhava para sua mão direita. Era como se nem mais soubesse de mais nada. Na verdade, não se tinha idéia alguma de quem ou o que ele era.

Lightnimon ainda não esclarecia nada. Talvez pelo fato do próprio estar confuso por dentro.
Se ele fosse o tal escolhido desaparecido... O que aconteceria se todos descobrissem isso?

Aliás... Seria mesmo que...


- V-mon...
- O que foi, Lightnimon?
- ... Esquece... *sigh*
- Eh? Qual o problema?
- Eu não sei mais... Não sei mais.
- N-Não sabe...
- ... – olhou-o – Não sei mais quem eu sou.
- M-mas...!

O dragãozinho parou imediatamente, agarrando-o pelo braço direito. Em seguida olhou dentro dos olhos do misterioso “chefe”. Uma cara séria e que poderia ser traduzida para um “não me faça te dar um tapa como o que a Miyako deu no Daisuke”.

- Lightnimon... Você não pode deixar de acreditar em si mesmo. – começou o pequeno – É isso que te move e te faz realizar essas ‘missões’ em prol do bem. Essa coragem de enfrentar tudo e todos, incluindo os escolhidos... Você se importa com eles. Você sabe quem é. Sabe e sei que tomará o caminho certo. E que não deixará as trevas ocultas, dentro de você, se libertem e tomem aquele que eu confio e acredito cegamente.

O outro nada disse. Apenas o ouvia.

- Você não sabe quem é mais?
- Não... – murmurou desanimadamente.
- Ouça seu coração.
- Ouvir meu coração... – ecoou em sua mente.
- Só ele te dirá. Já que não posso dizer isso abertamente por ordens suas.

Lightnimon olhou para os goggles na cabeça do pequenino. Em seguida suspirou e voltou a refletir. Enquanto refletia, algo pelas redondezas começava a se mover. Os dois não perceberam nada, e a guarda deles também estava baixa. Ou seja, seja lá o que fosse os atacasse, seriam pegos de surpresa.

O gatuno colocou a mão no acessório que o digimon azulado usava, desviou o olhar para o chão, ou melhor, para seu peito. Por baixo do lenço que usava em seu pescoço, tapando o peito da armadura, viu a cor metálica de um símbolo forjado ali. Por trás da máscara, veio-se um sorriso pequeno, demonstrando mais conforto e segurança. O digimon de pompom prateado voltou sua atenção ao pequeno.

- Eu... Eu acho que não deveria mais te proibir de falar abertamente...

Aquela frase soou mais familiar a V-mon. Seus olhos encontraram com os do gatuno, emitindo uma sensação de alívio. Este, por sua vez, pensou em pegar os goggles da cabeça do companheiro, mas alguma coisa chamou sua atenção. Ao invés disso, Lightnimon empurrou Vee ao chão, e realizou um ataque rápido. Carregou em suas mãos a eletricidade e disparou contra as árvores. O ataque era similar ao...

- Blue Thunder...? – respondeu uma voz, aparecendo do seu esconderijo.

- Quem é você? – rosnou o mercenário – O que está fazendo aqui?!
- É da sua conta...?
- Quando está a seguir-me... Sim. Eu não permito que os outros me sigam sem a minha aprovação!
- Aprovação? Quem disse que preciso de sua conscientização para andar por aí?
- Vamos, diga logo quem é e o que está fazendo em nos seguir!

A silhueta revelou-se feminina. Aproximou deles. Era um digimon raposa, amarelo com olhos azuis. Suas luvas eram até os cotovelos e tinha o desenho de yinyang na altura das costas das mãos. Nos joelhos tinha um desenho similar ao símbolo. Ela apontou diretamente para o seu oponente, respondendo sua pergunta:

- Renamon. E estarei de olho em suas ações...

- Em minhas ações?! – debochou Lightnimon – Não tenho tempo para brincar com um digimon seichouki. Tenho mais o que fazer.

- Koyousetsu!! – a digimon ergueu suas patas, criando vários pontinhos de luz, logo arremessou-as como dardos contra Lightnimon.

- Lightning Blade!! – este optou em fazer algo semelhante. Diferente do golpe tradicional de Lighdramon, o mascarado gerou várias fagulhas azuis e as arremessou como agulhas contra o ataque de Renamon.

Os golpes se chocaram e foram neutralizados. Mas se o ataque à distância falhou, era óbvio que usaria uma nova estratégia. A raposa trocou instantaneamente de lugar com V-mon, e antes mesmo que Lightnimon pudesse realizar alguma nova agulha, este levou um pontapé no rosto, arremessando-o para o ar.

- Lightnimon! – gritou um dragãozinho preocupado.
- P-parece que encontrei uma oponente rápida... – disse ele, levantando-se do chão. A máscara recebeu um arranhão no losango.

- Modéstia parte, guerreiro. – respondeu ao elogio, porém continuava séria.

- Renamon... Você é aliada daquele cara...? – perguntou V-mon.
- Para estar me atacando... Suponho que sim – intrometeu-se o gatuno.

- Eu não sou aliada do indivíduo cujo se denomina Umbra. – respondeu ao digimon azul – Só venho a interferir para que não aconteça outra vez.

- Outra vez?! – os dois exclamaram.

- Você sabe muito bem do que estou falando... – apontou novamente para Lightnimon – Os riscos disso podem levar a um novo desastre, a um novo ser tomado pelo poder. Essa transformação forçada poderá vir a ser a salvação... Mas poderá ser também a destruição da Digital World e do mundo humano.


Vee arregalou os olhos. Lightnimon manteve-se calado e petrificado. O que os deixou assim? Afinal, do que a tal digimon raposa estava se referindo?!


- Eu não permitirei que você continue com isso. Ou não terei escolha a não ser te eliminar antes que aconteça. A escolha é sua. Siga seu plano idiota e morra aqui mesmo... Ou pare imediatamente antes que isso te corrompa e não tenha mais como reverter a transformação.

- Não posso. – balançou negativamente a cabeça – Eu estou sendo obrigado a agir assim, para que possa sobreviver. Não percebe? Se eu fizer isso, eles todos vão... Nós vamos... E eu não quero isso! Não posso deixar que esses caras...

- Basta. Sua escolha foi feita. Nada mais tenho a ouvir, e justificativas não me farão mudar de idéia. – realizou o mesmo movimento e vários pontinhos surgiram à sua frente.

- ESPERE! – gritou V-mon, colocando-se entre os dois – Lightnimon está comigo. Ele é meu parceiro temporário. Até que possamos encontrar o Daisuke, eu estou a serviço dele. E se quiser fazer algo com ele, terá de passar por mim antes!

- Não... Não faça isso, Vee. – gaguejou o outro – Não quero que se machuque por minha causa!

- É o preço. Nos tornamos amigos, e eu ainda quero muito que você se una aos escolhidos logo. Com ou sem o Daisuke, nós podemos ajudá-los. Não importo de passar mais tempo com você e seguir suas ordens antes mesmo de encontrarmos meu parceiro.

- Idiota... Não deveria fazer isso! – bronqueou ele, um pouco nervoso – Que graça terá se...

- Você sabe que graça tem! – não o deixou terminar – Pois eu sei de tudo sobre você! E não quero ter de me separar de você...! Eu fui idiota antes com o Daisuke e o deixei... Não posso deixar o mesmo erro se repetir!

- Você então sabe dos riscos. – supôs Renamon – Diga-me, azulzinho. Acredita mesmo que este indivíduo seja capaz de controlar esse poder e usá-lo com sabedoria?

- Conheço tão bem que posso até ler seus pensamentos – Vee olhou-a seriamente – E acredito nele. Lightnimon e eu temos uma grande ligação um com o outro. Se acontecer de ele demonstrar sinais que este poder possa ameaçar a todos, inclusive a mim e a ele, irei impedir isso antes que se agrave.

Renamon ficou pensativa por um momento. Passou uns cinco segundos, as esferas sumiram. Ela sorriu aos dois e foi embora. Ouviram sua voz ecoar pelo ambiente, dando alívio a eles:

“A corrente da amizade que os une é mais forte do que pensava. Sejam sábios e usem tal poder híbrido em nome do bem. Confiarei em vocês dois, portanto não me façam arrepender-me de ter mudado minha decisão.”

---

- Nada ainda... Acha que conseguiremos encontrá-lo antes que... Antes que...
- Tenha calma, Hikari. Nós vamos encontrá-lo. Eu tenho certeza que vamos!
- Mas... Mas oniichan...
- Eu acredito nele, Hikari. Por isso que lhe dei meus goggles.

- Uma pergunta besta, mas... O que os goggles têm de especial, Yagami? – perguntou uma Nina curiosa.

- Eles pertenceram a um amigo do meu avô. Aqueles goggles são o símbolo da coragem e da amizade. Eu só os daria a alguém que se importasse com seus amigos, e vice-versa. No dia em que descobri que o Daisuke se tornou um dos escolhidos, e os seus goggles se quebraram durante a batalha contra o Monochromon, eu tomei a decisão de dá-los a ele. Porque, desde que nos conhecemos, eu sentia que ele deveria usá-los. A missão do Daisuke era guiar os novos escolhidos, com a ajuda de Takeru e Hikari, que já estiveram na Digital World antes e sabiam como agir e auxilia-lo.

- Aqueles... goggles...? – ela olhou-o.

- Eles têm um grande significado para mim, e para o Daisuke também. Quando os passei, não só depositei minha crença nele, mas também lhe compartilhei minha coragem. Aqueles goggles me davam coragem para seguir adiante e proteger meus amigos. E é o mesmo para ele.

- Agora entendo... Quando ele quis agir sozinho... – comentou Miyako – Ele queria nos proteger, e sofrer as conseqüências sem que nós fossemos feridos...

- E por ter nos reunido naquela sala para falar a respeito disso... – completou Carol.

- Quanto mais falam dele... Mais me sinto mal por tê-lo tratado daquela forma... – pensou ela.

- Nós temos que achá-lo antes que aconteça algo a ele... – reforçou Sora.
- Koushiro-san, algum progresso no seu projeto?? – perguntou Iori.

O grupo todo se voltou ao ruivo, que trabalhava naquilo enquanto ouvia a conversa dos companheiros. O jovem parou de digitar códigos e de falar consigo mesmo, dando atenção aos demais. No entanto, acenou negativamente com a cabeça. Retomou ao portátil e a tentar mais uma vez.

- Acho que isso foi um “não” – suspirou Yamato.
- Bom, por enquanto iremos continuar a procurá-lo a moda antiga – ponderou Jou.
- Se ao menos tivéssemos uma idéia de onde poderíamos procurá-lo... – falou uma Mimi meio desanimada.

- Eu prometi não falar nada deles... Nem que o V-mon está com ele... – Nina dizia mentalmente a si – Mas... E se eu procurar pelo Lightnimon e perguntar... Onde ele encontrou o V-mon? Poderíamos assim encontrar alguma pista por lá!

- Não temos, infelizmente. Mas isso não irá nos desanimar, certo? – Taichi animava-os.

- Temos de ter esperança... – finalmente Takeru voltou do estranho transe em que se encontrava. Relembrando do que o gatuno tinha dito. “alimentar as esperanças dos demais, fazê-los acreditar nela.”

- Isso mesmo. Se demorarmos demais, pode ser tarde. – completou Ken, mais sério do que antes – Tanto para a Digital World quanto para o Motomiya-kun.


Todos olharam para o céu. Não se sabia mais se era dia ou noite. Apenas que estava se tornando cada vez mais tenso. O vermelho tentava afogar as estrelas que pouco a pouco brilhavam. Alguns continuavam com um brilho enfraquecido, outras com um brilho mais forte. Mas nenhuma com um brilho intenso e incandescente.

O mesmo céu era observado por outros dois seres. Estes corriam contra o tempo agora.
De alguma forma, Lightnimon sabia sobre aquelas luzes. E sabia que esse céu sombrio era sinal de que os poderes da Lux Fatum estavam aumentando. Logo...

Se não encontrasse um jeito de fazer com que as quatorze luzes brilhassem constantemente e com toda suas forças... Tudo estaria perdido.
Tudo. Seja Digital World. Seja o mundo humano.

Seja todos os universos, seja o passado, presente e futuro.


- Eu não gosto nada disso. Não gosto. Ugh... Também temo se... Se não conseguir controlar isso... É meio difícil.

- Antigamente você teria mais confiança em si mesmo. O que está te assombrando dessa maneira?

- Se... Se tem um risco... E se... Acontecer de eu deixar que isso me controle? Perder o controle disso e... Será que haveria um modo de me impedir...? Não sinto mais ser o mesmo de antes. Não sinto mais aquela sensação de que posso fazer isso sem ter de me preocupar em me controlar. Sinto-me como... Como se aos poucos estivesse cara-a-cara com algo que pensei não ter...

- Algo que você pensou não ter? Fala daquilo que... Ahn, as trevas ocultas? – o pequeno olhou-o, meio preocupado – Todo ser tem luz e trevas. E você sempre soube equilibrar isso dentro de si. O que te faz imaginar que se tornaria alguém cruel e que tente matar a todos ou dominar a Digital World?

- O que eu ando fazendo ultimamente não é cruel...? O que fiz com os escolhidos não é cruel? O que eu fiz com a Frostmon e com a Ranamon não é cruel? – olhou para suas mãos. Elas estavam trêmulas – V-mon... Estou com medo de deixar de ser quem eu sou. Ou melhor... Quem eu fui.

- Você não está morto. E essa forma... Ela pode ser assustadora, mas... Mas ela não me dá medo! E... E eu sei que em neles também não. Por favor... Lightnimon... Não fica assim...! É isso que o ele quer! Ele está controlando o Wallace, que por sua vez está sendo obrigado a tentar te confundir! Vai deixar que ele vença?!

- Eu não sei... Talvez eu devesse ter agido de outra forma... Talvez não devesse ter fugido... Talvez não devesse ter...

- ... Chega...! O que raios deu em você agora?! – gritou outra vez.

- Nem eu sei. Só sei que estou confuso... Dividido e confuso... Como se tivesse de lidar com essa divisão... Sinto que um lado quer se apossar por completo, e o outro também. S-será que é isso... Que a Renamon disse...?

- Eu estou aqui...! Não vou deixar que isso se aposse de você! Acho que está na hora de encontrarmos os escolhidos e dizer a verdade a eles... Tenho certeza que vai ser um choque, mas... Mas vão compreender seus motivos. Inclusive o Ken, o Iori, a Miyako, a Hikari, o Taichi... E a Ni-chan...

- E não acha que eles vão nos ouvir? Primeiro vão nos atacar, por mais que você apareça em cena. Depois vão se questionar o que você está fazendo comigo. Talvez... Depois disso, eles permitam uma explicação. E nesse meio tempo estaremos revelando-nos aos inimigos, pois eles saberão. Ah se vão... *sigh*

- Mas já estaremos em grupo! Não precisará se preocupar com isso, Lightnimon! Não deixaremos que nada te aconteça!

- Não acha que está falando um pouco mais... aberto? Qualquer um que ouvisse nossa conversa iria pensar que--!!

Calou-se por alguns segundos, ao ouvir vozes. Mas não eram as vozes que o preocupava, mas sim o que estava diante de seus olhos. Um vulto estava no horizonte, em um ponto específico. Esperava justo que o encontrassem.

- Lightnimon? – V-mon chamou-o, percebendo que estava “em transe”.
- V-mon... Mantenha-se em silêncio. E fique alerta – ordenou o mascarado.


Misteriosamente, o grupo caminhava pelo local, procurando às pressas pelo Motomiya. Hikari continuava preocupada, idem à Miyako e Sora. Os demais tentavam manter a calma... E uma certa garota “tsundere” ficava a olhar para a tal pedra oval e brigando com esta.

- Neechan, poderia nos ajudar...?

- Carol, estou tentando fazer essa droga funcionar! – berrou Nina, ainda de olhos fixos no pingente – BRILHA VAI! MOSTRE-NOS O CAMINHO PARA O MOTOMIYA!!

- Agora ela pirou de vez – exclamou um Ishida provocativo – E pensar que ela estava a dar sermão nele lá no parque.

- ISHIDA, CALE-SE E MANTENHA-SE O PROCURANDO! – retrucou a garota – EU QUERO QUE ESSE FRAGMENTO BRILHE LOGO! – continuou brigando com o colar.

- Oi, queres fazer a gentileza de vir procurar ao invés de ficar fitando essa pedra e esperar que num passe de mágica ela te conte onde está o idiota do Daisuke?! – resmungou o loiro.

- Ah, Yamato... – falou o Yagami – Deixa ela, vai. Uma hora ela cansa e decide procurar.
- Sei, talvez quando alguém o encontrar... Não é? – encarou-o.
- Estou concentrado em achar o nosso amigo, então não vamos começar discussões idiotas agora.

O grupo dividia-se pela região, contatando entre si através dos D-Terminals. Eis que Mimi, que andava um pouco mais distante do grupo, e junto de Palmon, percebe algo por ali.

Mas não era exatamente ela quem tinha ido até lá. Aliás, não foi nenhuma das moças que alguém ali poderia esperar tal atitude.

- EU VI ALGUÉM ALI! – berrou ela ao longe – TALVEZ SEJA ELE!

- O que você está fazendo, Carol?! – gritou a Geijutsushi, olhando pra amiga desaparecendo pela selva – Não vá tão longe!!

O resto foi atrás dela, com receios do que poderia acontecer. E para piorar muito mais a situação, o colar de Chibi Bunnymon começou a piscar freneticamente.

Então, a Choujutsushi parou... Diante de um castelo. A sombra movimentou-se mais um pouco e a fez segui-la, adentrando pelo jardim e em seguida no castelo. Os outros fizeram o mesmo, chamando-a de volta.

A jovem parou em um corredor enorme, com uma arquitetura bem nobre. Dava o ar de ser uma residência monarca. Paredes brancas, com pilares ao estilo romano, carpete vermelho e as janelas com desenhos de anjos e com sua vidraçaria colorida.

- Droga, não me faça correr tanto, Daisuke-kun! – disse ela, ofegante, apoiando as mãos nos joelhos e olhando para o carpete – Sabe que eu não sou uma atleta que nem--

Ao levantar sua cabeça e ver quem estava metros à distância, notou um estranho jovem que...
Não era nem um pouco parecido com o tal citado.

- Huh? Você não é o Motomiya-kun...! – gaguejou Carol, afastando-se dois passos daquele indivíduo.

- Claro que não sou, Yorokobi-chan – respondeu este – E mais, como você é tão burra e ingênua de sair correndo atrás de algo ou alguém suspeito. O que te levou a fazer isso, huh? Será porque... Você queria fazer a Negai-chan sorrir outra vez?

- Não é mesmo? - ele continuava a se aproveitar daquele silêncio - De qualquer forma, seu fragmento não demonstrou nenhuma reação, mesmo depois de anos, não foi...? Então não deveria ter saído atrás de mim.

- Q-que...?! - ela balbuciou - E-então...! Quem eu vi na floresta era...!!

Ele sorriu, e começou a aproximar-se dela. Era óbvio que, como a menina estava sozinha... Ia ser tão fácil tirá-la de cena antes que conseguisse libertar seu poder. Mas, pra sorte dela...

- EI, NÃO SE META COM A CAROL!!

O grupo inteiro apareceu dentre alguns minutos. Carol olhou para eles e viu Nina ao lado de Taichi, que já fazia Agumon evoluir para Metal Greymon, e os outros a esperar caso precisassem de reforços.

- Oh? Então os destinados e a Negai-chan vieram salvar a Yorokobi-chan?

- OI! O NOME DELA NÃO É ESSE!! - gritou a Geijutsushi - E DEIXA A MINHA AMIGA EM PAZ!! - logo voltou-se para Taichi - Yagami, por favor! Não deixe que ele faça nada de mal à ela! Por favor!

- E não vamos. - respondeu-a seriamente - Ela faz parte do grupo agora. Nós não vamos deixar que tirem mais alguém de nós!

- Engraçado... Esqueceram que, vocês não podem me derrotar? - provocou o misterioso garoto - Por isso mesmo, que vocês serão testemunhas disso. E depois acabo com vocês um por um.

- N-não faça nada à ela! - e a outra tentava fazer algo, mas o Yamato segurou-a, com a ajuda de Ken - ME SOLTEM! ESSE IDIOTA QUER MATÁ-LA!

- Não vai adiantar em nada se for até lá! - respondeu Ken - Nina-san, por favor controle-se! Se for até lá... Ele irá matar vocês duas!

- Taichi! - Yamato voltou-se para o líder - Apresse logo e tire aquela louca de lá!

- Nada disso! - retrucou Iori - Se fizermos algum movimento, ele poderá usá-la como escudo! Precisamos de outra estratégia!

- Mas... Mas como poderemos salvá-la...? - choramingou a menina de cabelos negros acastanhados - O Daisuke já morreu... Agora... Agora eu vou perder minha melhor amiga?!

- Mas, se ficarmos só na defensiva, ele irá matá-la! - contestou Mimi - E... E eu não quero que a Carol-chan morra!

- Ninguém quer! - gritou Miyako - M-Mas...! O que faremos?! O Iori está certo... Mas o Yamato-san também...

- É tão engraçado ver vocês desesperados - riu o garoto - Mas, chega de conversa... Tirando a Felicidade, vocês não terão chances algumas, mesmo que ele esteja vivo.

Aquilo deu um estalo na mente de Ken. Se, aquele “garoto” tinha dito aquilo... Significava que havia sim uma chance do Daisuke estar vivo. E, junto com todas aquelas pistas... Não havia mais dúvidas.

O escolhido do Milagre estava vivo. Ao menos era o que eles queriam.

Umbra aproximou-se a Choujitsushi, criando aquela mesma lâmina do Duskmon com sua mão direita. Ela não tinha digimon algum, e nem como defender-se. Os olhos dela vidraram-se naquela espada e pensou justo no que estava prestes a acontecer. Ela fechou os olhos e desejou não ter sido tão idiota de sair correndo atrás daquela sombra sozinha.

Segurou o pingente com força, e sussurrou: - Perdoem-me...!

- Kh... NEECHAN! - gritou a outra com toda a sua força, e tentando-se soltar.

E, o que aconteceu foi...

- DEIXE-A EM PAZ, SEU IDIOTA SEM-CORAÇÃO!!

O estranho jovem não conseguia mover-se. Diante da lâmina e à frente da mocinha, pipocou alguém que todos ou odiavam, ou achavam que era inimigo...

- V-Você?! - exclamou Carol, a abrir os olhos e deparar-se com aquele tufo prateado ali na sua frente.

- Então resolveu aparecer?! - falou o mago - Interessante... Mas o seu poder não é páreo para o meu!

A paralisia passou em poucos instantes. Umbra avançou com sua arma contra os dois, mas o gatuno abaixou-se, pegou a Choujutsushi rapidamente, e a única coisa que atingiu o digimon foi aquele pompom todo. Cortou-lhe, e foi a única coisa que restou e... A vidraçaria quebrada.

- C-COMO?! - exclamou Taichi, e o resto dos escolhidos.
- Eu sabia que ele... Ele iria aparecer - suspirou Ni - Ou... desejei isso e...

- Mas...! - Ichijouji soltou Ni e pegou seu digivice do bolso, ao ouvir este bipando. Olhou o ecrã e saiu correndo atrás do que tinha percebido.
- Ken?! - Miyako o viu, e correu atrás dele e de Wormmon.
- Miyako-san!! - E Iori e Armadimon fizeram o mesmo, seguindo Miyako e Hawkmon.

- Bom, não há mais nada a impedir... - disse Yamato.
- E ESSE CARA MERECE UMA! - disse uma Geijutsushi cheia de raiva.

- Esse cara é o Umbra-san - sussurrou Bunni ao Yagami - Não deveríamos lutar contra ele JUSTO agora.

- E o que devemos fazer...? - perguntou Taichi - Ele não vai nos deixar sair daqui...

Mas, ninguém percebeu que Ken havia soltado Ni e corrido atrás do estranho. Idem Iori e Miyako. Estava naquela sala, somente os oito escolhidos, Terriermon, Bunni e a Geijutsushi.

E os oito decidiram: Lutariam ao menos para continuarem vivos.


- Vocês duas são teimosas, não?! - resmungou, colocando Carol no chão. Estavam de novo na floresta, pouco longe do castelo - Será que poderiam parar de serem tão suicidas?! Vocês não têm parceiros! Se afastar do grupo sozinhas é pedir pra serem mortas pelo verdadeiro inimigo!

- V-Você me salvou...?! - ela ainda estava incrédula - M-Mas...! Você... Você não...

- Licença? Preciso voltar e tirar os outros de lá... - disse o mercenário, dando as costas à ela.
- S-seu cabelo...! - E agora a menina reparava em algo - V-Você... Você é...!
- Eh? - ele virou-se para ela - O que?
- Aquele garoto estranho cortou-lhe o cabelo! E... E ele mudou!
- Uhum... E qual o problema disso?
- F-Ficou... Parecido com o do...!

Ele riu, a expressão da menina mostrava espanto, como se estivesse olhando pra um fantasma.
Ora? A cabeça de Carol estava numa confusão e aquilo a deixava mais confusa ainda.

- Explico depois, serei obrigado depois disso, né? - riu de novo - Carol-chan.

- Ca... “Carol-chan”?! - exclamou, ao ouvir aquele tom tão familiar - Então você é mesmo o...--

- Choujutsushi-san!! - gritava Ken, aproximando-se deles, juntamente de Miyako, Iori e de seus parceiros.

Os dois olharam para o escolhido mais novo, e aos outros dois. Os digimons ficaram petrificados com o que viam. E o mesmo se dizia das crianças.

- É, eu sei que pareço um dos inimigos, dei a entender isso... Mas deixem de perguntas e... Ichijouji, preciso do Stingmon agora. Iori, Miyako... Preciso da ajuda de vocês também.

- M-Mas?! - estes gaguejaram - C-como...?! Você...!

- *Ahem* Não temos tempo pra conversar, o grupo está diante daquele cara que... Ah, depois eu conto!


Enquanto isso, os oito escolhidos lutavam, sem chance alguma, contra Umbra. E o mago ia usando todos seus truques. Já estava mirando na menina do pingente e na coelha rosada. Os outros faziam questão de proteger seus parceiros humanos, e reforçar a defesa destas duas citadas, e de Terriermon também.

- Deveriam desistir - dizia o mago - Afinal, o Lance-kun tentou e falhou. Que tal pararem de tentar e renderem-se logo...?

- Nós não desistimos até agora - falou Taichi - Então, pra quê fazermos isso? Você tem algo a ver com o que aconteceu ao Daisuke?! - interrogou-o agora.

- Ah sim... - sorriu o garoto - Eu o matei, acho que a Frost-chan tinha os avisado antes, não foi?

- S-seu...! - vociferou Yamato - Como ousa?!
- Yamato! - Sora agarrou-o pelo braço - Por favor, não faça nada! Nossos parceiros já estão feridos o suficiente...!

- Imperdoável... - Takeru também estava nervoso - Como ousa dizer isso tão alegremente?!
- Takeru-kun... - Hikari olhou-o, repassando a sensação de medo. Este percebeu que a menina não estava com medo do inimigo, mas sim daquele “Takeru” que assumia ali.

- O gatuno disse - gargalhou em seguida o mago - Eu não tenho piedade. E vocês logo terão o mesmo fim que ele.

- Quero ver você tentar! - desafiou a Geijutsushi, e os escolhidos deram um olhar atravessado para ela.
- Não o provoque! - criticou Jyou, Mimi e Sora.
- D-desculpem! - grunhiu a mocinha.

De repente, a estrutura começou a balançar. Os escolhidos olharam ao redor e viram sombras a aproximar-se. Uma delas revelou ser Drill Digmon. A outras duas eram Fäuermon e...

- SILVER MISSILES!!
- RED SUNBURST!!

- DESPERADO BLASTER!!


- C-como?! - exclamou um Koushiro de olhos arregalados - Pa-Paildramon?!

A estrutura recebia ataques dos três digimons e ameaçava desabar. Na frente dos escolhidos saltou um outro indivíduo, que fitou Taichi e o restante.

- Taichi-san - dirigiu-se ao líder do grupo - Recuem! Use o Metal Greymon para bloquear a passagem!
- H-hein?! - Tai ergueu uma sobrancelha, até reparar na voz do estranho - R-Recuar?!
- Andem logo! Carol-chan está com Ken e Miyako! Iori e eu viemos tirá-los daqui!
- Iori...? - repetiu Ni - Onde?
- Na saída...! Rápido, saiam daqui depressa! - ordenou-os - Não temos forças ainda para controntá-lo de frente!!

Desta vez, o escolhido da Coragem reconheceu. Aliás, todos ali reconheceram. Não sabiam o que dizer, mas também não podiam ficar ali e perguntarem tudo que queriam. Ouviram-no e saíram de lá às pressas.

- Metal Greymon! - gritou Taichi, sendo ele, Yamato, Were Garurumon, Lightnimon, Paildramon, Bunni e Nina a serem os últimos a sair dali - A casa caiu! Manda esse corredor vir abaixo!

- Ok, Taichi! - o gigantesco dragão laranja mirou no teto do ambiente - GIGA DESTROYER!

Os mísseis atingiram em cheio e fizeram o cenário desmoronar. Os escolhidos saíram correndo de lá. Os digimons os tiraram o mais rápido possível, e a outra garota estava nas mãos de Paildramon, junto com Bunni e Lightnimon nas costas do digimon mutante.

Ela olhou-o, agora notando o mesmo que Carol. Digamos que ela corou e olhou para o pingente, que agora estava brilhando e apontava para o indivíduo.

Longe de lá, e junto dos outros três restantes, os escolhidos encararam o tal Lightnimon e Paildramon. Claro, eles queriam saber IMEDIATAMENTE sobre o misterioso gatuno.

E este ficava a ser encarado por vários olhares. Até que Paildramon voltou à forma criança, revelando um V-mon usando as goggles de Taichi na cabeça. Wormmon foi direto para o ombro de Ken.

- Acho que... Vocês querem uma explicação quanto a isso, certo? - Lightnimon quebrou o silêncio, ainda sendo fuzilado pelos olhares incrédulos do grupo inteiro.

- Agora não tem mais como esconder - comentou Vee ao “digimon” - Afinal, eles me viram como Paildramon e... O ataque do Umbra cortou seu “pompom”... Seu cabelo voltou à sua cor original.

- Sério...? - ele olhou pra Vee - Bom, não percebi que mudou de cor.
- Não deveríamos explicar a eles o que aconteceu? - agora o azulzinho encarou-o, meio bravo.
- É, acho que sim... - riu - Afinal, chega desse mistério todo.

Ninguém ainda tinha acreditado naquilo. Ou tinham... Mas era confuso demais. Ainda não conseguiam dizer NADA a respeito. Até queriam dizer, mas como dizer? Aliás, queriam era ouvir uma explicação para aquilo.

- Hey... Sou tão assustador assim? - disse ele - Ou vocês querem dizer ou preferem que eu diga e explique como que me tornei... Essa... Uh... coisa?

- Ow ow, não ofenda! - criticou V-mon - Não esqueça que parte sua é parte da minha evolução Armor com o Digimental da Amizade! - cruzou os braços e virou a cara.

- Se continuar de cara amarrada eu não te deixo mais usar minhas goggles! - resmungou o outro.

É, eles... Os escolhidos e as duas meninas já tinham em mente o que dizer. Mesmo assim, todos continuavam em choque. Ou melhor, continuavam perguntando-se o que havia acontecido e como e os motivos e...

- Tá, chega de silêncio - reclamou o Lightnimon - Vocês sabem o que dizer. É, sou eu. Estive o tempo todo com vocês, de uma forma diferente e... O que aquele cara disse é verdade. Mas, não totalmente verdade.

- Você... - balbuciou Sora - Você é... Espera... Aquele garoto disse que...! E você disse que ele falou a verdade?!

- Chega de brincadeiras! - brigou V-mon - Diga logo a eles o que aconteceu! - suspirou - Não acredito que deixei você fazer isso por mais tempo do que deveríamos.

- Então...! - Mimi arregalou os olhos - O digimon que ajudou Agumon, Palmon, Gomamon, Tentomon era...!!

- Hehe... Como a Miyako diz... Bingo! - ele sorriu, retirou a máscara e olhou para todos aqueles rostos espantados - Foi mal aí por ficar confundindo a cabeça de vocês. Mas não podia dar pistas mais óbvias para não levantar suspeitas.

- Espera aí!! - Taichi quebrou todo o silêncio vindo do restante - Então o Lightnimon é o...

- Isso mesmo, senpai. O Lightnimon era eu o tempo inteiro. E, por mais que não tenham percebido, estive o tempo todo com vocês.

Outro estalo deu na cabeça de Ken, e aí TODAS as pistas que encontrou, desde as queimaduras nas folhagens na praia, o fato do gatuno saber sobre eles, dele proteger a Nina dos Bakemons, dele reunir os digimons dos veteranos... Até os sinais misteriosos e enfraquecidos captados pelos digivices, o ID suposto pelo Koushirou ser o mesmo ID nos registros de quem havia aberto o portal. INCLUSIVE o misterioso som de um supsto D-Terminal durante a viagem de trem.

- Então o que te motivou a brincar? - interrogou o Ichijouji - Estávamos te procurando o tempo todo... E você estava ao nosso lado?!

- É, eu sei que “perdi a cabeça” e fiz coisas cruéis com vocês - o indivíduo abaixou a cabeça - Mas não tinha outra escolha. Umbra me matou, mas por um milagre eu consegui me safar. Digo, eu fui parar num lugar cheio de códigos binários... Aquele “limbo digital” que o Taichi-san nos contou.

- Se me permitirem - o “digimon” prosseguiu a fala antes que mais alguém comentasse - Posso explicar, mas espero que compreendam. E o tempo está contra nós.

- Ok... - disse Koushirou - Espero que possamos ter tempo para ouvir sua explicação, já que está preocupado com o “tempo”.

- É, eu sei disso... E... Hey, vocês ainda não acreditam que sou eu?! - exclamou ele - Pessoal, é loucura, mas sim... Eu sou quem vocês pensam! Precisam ouvir isso de mim?

- Gente - V-mon chamou-os - É o Daisuke. E ele não está mentindo. Podemos provar, caso ainda estejam duvidando.

- Se isso puder comprovar... - retirou do bolso o D-3 e o D-Terminal, e mostrou ao grupo - V-mon e eu estávamos usando essa... Identidade temporária para descobrirmos quem era a tal “Pandora”. Também descobrimos que as comparsas de Umbra estavam atrás dos digimons de vocês e aí tivemos que inventar toda essa história e... Trazer vocês aqui, salvá-los e entregá-los aos seus respectivos parceiros.

- Como assim? - perguntou Hikari - Eles estavam tentando eliminar o Agumon e os outros... Durante esse tempo?!

- Sim. - afirmou Agumon - Os vilarejos estavam sob ataque, nós tivemos que nos separar para ajudar a combater esses exércitos...

- Porém, quando soubemos que éramos os alvos - continuou Gomamon - Os digimons decidiram que iriam nos ajudar e redobrar nossa proteção.

- E tentamos alertá-vos diversas vezes - emendou Tentomon - Mas nossas mensagens de S.O.S. foram bloqueadas devido ao fechamento do portal.

- Por isso que... Nós tivemos que lutar sozinhos até que conseguíssemos contatar vocês - completou Piyomon.

- Então... Como eu estava aqui, e acabei por descobrir sobre esses ataques - o goggle boy prosseguiu a explicação - Não tive outra alternativa a não ser fingir ser outra pessoa e sabotar os planos deles. Vee e eu estivemos o tempo todo procurando pelos parceiros de vocês e também... Graças ao D-3, consegui reabrir o portal.

- Mas nós não podíamos nos juntar a vocês naquele momento - disse o dragãozinho azul - Se Umbra descobrisse que o Daisuke ainda estava vivo... E que era o Lightnimon...

- É, talvez ele me encontrasse cedo e me matasse definitivamente. - finalizou a explicação.

- Espera aí! - interrompeu Miyako - Deixa eu ver se entendi... Você estava se difarçado o tempo inteiro?!

- Miyako... - Daisuke negou com a cabeça - Isso não é disfarce... Eu fui “deletado”. Mas... Antes que digam, não foi da mesma maneira que vocês.

- “Você não sabe o que é ser excluído, nos dois sentidos”... - repetiu Takeru - Agora entendo... Você quis dizer que, o Umbra te enviou para aquele mesmo lugar onde Taichi-san e nós fomos enviados pelo Apocalymon!

- Mas, e o outro sentido? - questionou-se Patamon - Ainda não decifrei isso...

- Ah...? - e o escolhido do Milagre piscou os olhos um tanto confuso - É que... Uh, eu precisava confessar... Ahn... Ah, não foi nada.

- Diz logo que você sentia-se excluído do grupo dois anos atrás - cutucou Vee - Por mais exagero que seja, era isso que você queria dizer, não é...?

- H-Hey! Eu precisava dar uma pista ao Takeru do que estava querendo avisá-lo! E... E eu não queria que ele continuasse naquele lance de “badass”. Gosto do Takeru que compartilha esperanças, que auxilia o “líder” a movimentar o grupo.

- Mas - e a Inoue interrompeu outra vez -Se você foi “excluído”, e de forma literal, como que você ficou assim?! Daisuke, pare de enrolar e nos explique logo!!

Ele suspirou, olhou para o parceiro, que lhe devolveu o olhar, e depois voltou sua atenção nos seus companheiros.

- Não é tão fácil explicar - e finalmente respondeu-a - Mas acho que consigo simplificar o que me aconteceu.






Última edição por Daisuke Kaizaa em Ter Set 11, 2012 6:57 pm, editado 6 vez(es)

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