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O movimento anti-escola e a educação domiciliar

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O movimento anti-escola e a educação domiciliar

Mensagem por Takuya em Qui Abr 19, 2012 1:39 pm

Algo que eu achei durante minhas pesquisas na internet, achei bastante interessante. Pra quem quiser ler, está aqui:




Discurso de John Taylor Gatto ao receber o prêmio de professor do ano (1990) de Nova Iorque. Temos aqui a opinião de quem, por esforço e mérito próprios, conseguiu o impensável: formar excelentes alunos nas piores escolas. Mas o sistema acabou levando a melhor sobre ele, forçando-o, no fim das contas, a se aposentar do sistema público.

Neste discurso, Gatto nos dá o que os anos de experiência lhe ensinaram: o modelo da educação pública (que é, afinal, também o modelo da educação privada, seja por cópia ou imposição) é intrinsecamente falho, muitas vezes destruindo o potencial do aluno ao invés de estimulá-lo. Em matéria de despreparar e alienar os jovens da realidade do trabalho e da vida social, a escola só perde para um outro fator: a televisão. E adivinhe em que duas atividades os jovens americanos passavam a maior parte de seu tempo?



Por quê as escolas não educam
John Taylor Gatto

Spoiler:
Eu aceito este prêmio em nome de todos os ótimos professores que conheci através dos anos que lutaram pra fazer com que suas experiências com crianças fossem honradas, homens e mulheres que nunca foram complacentes, sempre questionando, sempre brigando pra definir e redefinir o que a palavra "educação" deveria significar. Um "Professor do Ano" não é o melhor professor que temos por aí, essas pessoas são muito reservadas para serem descobertas de maneira simplista, mas é um estandarte, símbolo dessas pessoas que passam a vida com boa vontade à serviço das crianças. Este prêmio é deles assim como é meu.

Nós vivemos num tempo de grande crise escolar. Nossas crianças estão lá embaixo no ranking de 19 nações industriais em leitura, escrita e aritmética. Lá embaixo mesmo. A economia entorpecente deste mundo é baseada no nosso próprio consumo de mercadorias, se não compramos tantos "sonhos em pó" o mundo dos negócios entraria em colapso - e escolas são importantes pontos de venda. Nossa taxa de suicídio entre jovens é uma das maiores do mundo e crianças suicidas são crianças ricas na maior parte, não as pobres. Em Manhattan 50% de todos os novos casamentos duram menos de 5 anos. Então algo está errado, com certeza.

Nossa crise escolar é um reflexo desta grande crise social. Parece que perdemos nossa identidade. Crianças e idosos são encerrados e trancados longe do mundo dos negócios a um nível sem precedentes - ninguém fala mais com elas e sem crianças e idosos se misturando no cotidiano uma comunidade não tem mais futuro e passado, somente um presente contínuo.

Na verdade, o nome "comunidade" dificilmente se aplica ao modo que interagimos uns com os outros. Vivemos em redes, não comunidades, e todo mundo que eu conheço está solitário por conta disso. De maneira estranha a escola é protagonista nesta tragédia da mesma forma que é o astro principal na ampliação da culpa entre as classes sociais.

Utilizando a escola como um mecanismo de triagem parecemos estar no caminho de criar um sistema de castas, completo com intocáveis que vagueiam através de metrôs mendigando e dormindo nas ruas.

Eu notei que esse é um fenômeno fascinante em meus 25 anos de ensino - que escolas e educação escolar são cada vez mais irrelevantes para as grandes corporações deste planeta. Ninguém mais acredita que cientistas são treinados em aulas de ciências ou políticos em aulas de educação cívica ou poetas em aulas de Inglês.

A verdade é que escolas realmente não ensinam nada, exceto a obedecer ordens. Este é um grande mistério pra mim porque milhares de pessoas, preocupadas e que trabalham em escolas como professores e assistentes e administradores, exceto pela lógica abstrata desta instituição oprime suas contribuições individuais. Embora professores se preocupem e trabalhem duro, a instituição é psicopática - não tem consciência. Toca uma campainha e um jovem no meio da escrita de um poema deve fechar o caderno e passar para um sala diferente onde ele deve memorizar que o homem e os macacos derivam de um ancestral comum.

A nossa forma de ensino obrigatório é uma invenção do estado de Massachusetts por volta de 1850. Resistiu - às vezes com armas de fogo - estima-se que por 80% da população de Massachusetts, o último posto avançado em Barnstable em Cape Cod, sem entregar suas crianças até os anos 1880 quando a área foi tomada pela milícia e as crianças marcharam para a escola sob guarda.

Agora temos aqui uma ideia curiosa para ponderar. O gabinete do senador Ted Kennedy divulgou um documento não muito tempo atrás, alegando que antes da escolaridade obrigatória, a taxa de alfabetização do estado era de 98% e depois dela nunca voltaram a atingir o valor acima de 91% onde permanece no ano de 1990. Espero que esse dado lhe interesse.

Aqui vai outra curiosidade a se pensar. O movimento de educação escolar em casa, discretamente, cresceu para uma dimensão onde um milhão e meio de jovens estão sendo educados inteiramente por seus próprios pais. No mês passado, a imprensa do ministério de educação deu a notícia surpreendente que as crianças escolarizadas em casa parecem estar cinco ou mesmo dez anos à frente de seus colegas formalmente treinados em sua capacidade de pensar.

Eu não acho que vamos nos livrar tão cedo da escola, certamente não no meu tempo de vida, mas se vamos mudar o que está rapidamente se tornando um desastre de ignorância, precisamos entender que a instituição escolar, "ensina" muito bem, mas não "educa" - que é inerente à concepção da coisa. Não é culpa dos maus professores, ou muito pouco dinheiro gasto, é simplesmente impossível para a educação e escolaridade serem a mesma coisa.

As escolas foram concebidas por Horace Mann e Barnard Sears e Harper, da Universidade de Chicago e Thorndyke da Columbia Teachers College e alguns outros homens a serem instrumentos da gestão científica de uma população em massa. As escolas são destinadas à produção através da aplicação de fórmulas, seres humanos "formulados" cujo comportamento pode ser previsto e controlado.

À uma enorme extensão, as escolas conseguem fazer isso. Mas a nossa sociedade está se desintegrando, e em tal sociedade, as únicas pessoas de sucesso são auto-suficientes, confiantes e individualistas - porque a vida da comunidade que protege os dependentes e os fracos está morta.

Os produtos de escolaridade são, como eu disse, irrelevantes. Pessoas bem escolarizadas são irrelevantes. Elas podem vender filmes e lâminas de barbear, empurrar o papel e falar no telefone, ou sentar-se irracionalmente perante um terminal de computador piscando, mas como seres humanos elas são inúteis. Inúteis para os outros e inúteis para si mesmas.

A miséria diária em torno de nós é, penso eu, em grande parte causada pelo fato de que - como Paul Goodman observou 30 anos atrás - nós forçamos as crianças a crescerem absurdas. Qualquer reforma na educação tem de lidar com os seus absurdos.

É um absurdo e algo anti-vida fazer parte de um sistema que te obriga a sentar-se em confinamento com pessoas de exatamente a mesma idade e classe social. Esse sistema consegue alienar-nos da imensa diversidade da vida e da sinergia de vários, na verdade ele o corta fora de seu próprio passado e futuro, escalando você a um presente contínuo da mesma forma que a televisão faz.

É um absurdo e contra-a-vida fazer parte de um sistema que te obriga a ouvir a leitura de uma poesia por um estranho quando você quer aprender a construir edifícios, ou sentar-se com um estranho discutindo a construção de edifícios, quando você quer ler poesia.

É um absurdo e anti-vida passar de uma salinha para outra, ao som de um gongo em todos os dias da sua juventude natural em uma instituição que não permite privacidade e que mesmo te segue no santuário da sua casa exigindo que você faça o seu "dever de casa".

"Como eles vão aprender a ler?" alguém irá perguntar e a minha resposta é "Lembre das aulas de Massachusetts." Quando damos às crianças a vida inteira ao invés de graduações de acordo com a idade em "celas escolares", elas aprendem a ler, escrever, e fazer contas com facilidade se essas coisas fazem sentido no tipo de vida que se desenrola ao seu redor.

Mas lembre-se que nos Estados Unidos quase ninguém que lê, escreve ou faz contas é bem respeitado. Somos uma terra de falantes, pagamos muito aos locutores e admiramos muito todos eles, então nossas crianças falam constantemente, seguindo modelos públicos da televisão e professores da escola. É muito difícil ensinar o "básico" agora, porque essas coisas não são mais fundamentais para a sociedade que nós fizemos.

Duas instituições neste momento controlam a vida das nossas crianças - a televisão e a educação, nessa ordem. Ambos reduzem o mundo real da sabedoria, coragem, moderação e justiça a uma interminável e ininterrupta abstração.

Em séculos passados, o tempo da criança e do adolescente seria ocupado no trabalho real, verdadeiras caridades, aventuras reais, e a busca realista por mentores que possam te ensinar o que você quer realmente aprender. Uma grande parte do tempo era gasto em atividades da comunidade, praticando o afeto, se encontrando e estudando cada nível da comunidade, aprendendo como fazer uma casa, e várias outras tarefas necessárias pra se tornar um homem ou mulher completos.

Mas aqui vai o cálculo de tempo que as crianças que ensino devem lidar:

Fora das 168 horas em cada semana, meus filhos dormem 56. Isso deixa 112 horas por semana, dos quais devem "se construir".

Meus filhos assistem 55 horas de televisão por semana de acordo com relatórios recentes. Isso os deixa 57 horas por semana livres para "crescer".

Os meus filhos frequentam a escola 30 horas por semana, usam cerca de 6 horas se aprontando, indo e voltando para casa, e gastam uma média de 7 horas por semana em deveres de casa - um total de 45 horas.

Durante esse tempo, eles estão sob constante vigilância, não têm tempo ou espaço reservados, e são disciplinados, se tentarem fazer valer a individualidade no uso do tempo ou espaço.

Isso deixa 12 horas por semana pra se criar uma consciência única. Claro, meus filhos comem, o que leva algum tempo - não muito, porque eles perderam a tradição de jantar reunidos com a família, mas se colocamos 3 horas por semana para jantas, chegamos a um valor líquido de cada momento particular por criança de 9 horas.

Não é o suficiente. Não é suficiente, né? O quanto mais rico é o garoto, claro, menos ele assiste televisão, mas o tempo dele também é igualmente restrito, devido a uma série de opções de entretenimentos comerciais assim como suas inevitáveis tarefas de uma série de lições privadas em áreas onde raramente ele teve uma escolha própria.

E estas coisas são estranhamente apenas uma forma mais estética para criar seres humanos dependentes, incapazes de preencher as suas próprias horas, incapazes de iniciar linhas de sentido para dar substância e prazer à sua existência.

É uma doença nacional, esta dependência e falta de rumo, e eu acho que a escola e a televisão e as lições - a idéia de Chautauqua inteira - tem muito a ver com isso.

Pense nas coisas que estão nos matando como uma nação - drogas, a concorrência sem cérebro, sexo recreativo, a pornografia da violência, jogatina, álcool, e a pior pornografia de todas - a vida dedicada a comprar as coisas, a acumulação como uma filosofia - todas eles são vícios de personalidades dependentes, e é isso que a nossa insígnia de "escolaridade" deve inevitavelmente produzir.

Eu quero dizer a vocês qual o efeito sobre as crianças ao se tirar todo o tempo delas - tempo que precisam pra crescer - e as forçar a perder tempo com abstrações. Vocês precisam ouvir isso, porque qualquer reforma que não ataque essas patologias específicas será nada mais que uma fachada.

1. As crianças que eu ensino são indiferentes ao mundo adulto. Isso vai contra a experiência de milhares de anos. Um estudo minucioso do que as pessoas grandes foram sempre foi a ocupação mais excitante dos jovens, mas ninguém quer crescer esses dias e quem pode culpá-los? Os brinquedos somos nós.

2. As crianças que eu ensino não têm quase nenhuma curiosidade e a que eles têm é transitória, pois eles não conseguem se concentrar por muito tempo, mesmo em coisas que escolhem fazer. Você consegue perceber uma ligação entre os sinos tocando de novo e de novo pra que se troque de classe e este fenômeno de atenção evanescente/efêmero?

3. As crianças que eu ensino têm um sentido pobre do futuro, de como o amanhã está indissoluvelmente ligada ao hoje. Como eu disse antes, eles têm um presente contínuo, o momento exato em que eles estão é o limite da sua própria consciência.

4. As crianças que eu ensino são não-históricas, elas não têm noção de como seu passado predestinou seu próprio presente, limitando suas escolhas, moldando seus valores e vidas.

5. As crianças que eu ensino são cruéis umas às outras, falta-lhes compaixão para com o infortúnio, elas riem de fraquezas, e tem desprezo pelas pessoas cuja necessidade de ajuda é demonstrada muito claramente.


6. As crianças que eu ensino estão inquietas com a intimidade e franqueza. Meu palpite é que elas são como muitas pessoas adotadas que eu conheço a esse respeito - não podem lidar com a intimidade verdadeira por conta do hábito ao longo da vida de preservar um segredo íntimo dentro de uma grande personalidade exterior feita de bits e peças artificiais de comportamentos emprestados da televisão ou adquiridos para manipular os professores.

Devido a eles não serem quem representam ser o disfarce é estreito na presença da intimidade, então relacionamentos íntimos devem ser evitados.

7. As crianças que eu ensino são materialistas, seguindo o exemplo dos professores que de maneira também materialista dão "notas" à tudo - e mentores da televisão que oferecem tudo no mundo de forma gratuita.

8. As crianças que eu ensino são dependentes, passivas e tímidas na presença de novos desafios. Isto é freqüentemente mascarado por uma bravata superficial, ou por raiva ou agressividade, mas por baixo de tudo há um vácuo sem coragem.


Eu poderia citar algumas outras condições que a reforma escolar teria de enfrentar se o nosso declínio nacional está para ser encarcerado, mas se chegou até aqui você terá entendido a minha tese, independente de concordar com ela ou não.

Ou escolas causaram essas patologias, ou a televisão, ou ambos. É uma simples questão [de] aritmética, entre a escola e a televisão, todo o tempo que as crianças tem de sobra é devorado. Isso é o que tem destruído a família americana, não é mais um fator na formação de seus próprios filhos. Televisão e escolaridade, em uma dessas duas coisas é que o problema reside.

O que pode ser feito? Primeiro precisamos de um debate feroz nacional que não seja tirado de pauta, dia após dia, ano após ano. Precisamos gritar e discutir sobre esse negócio da escola até que seja corrigido ou quebrado além de qualquer conserto, um ou outro.

Se pudermos corrigí-lo, tudo bem, se não podemos, então, o sucesso da educação em casa mostra um caminho diferente e que realmente promete. Investindo os recursos que agora investimos em educação familiar pode matar dois pássaros com uma mesma pedra, reparar as famílias, uma vez que reparamos as crianças.

Uma reforma genuína é possível, mas não deve custar nada. Precisamos repensar as premissas fundamentais da escolaridade e decidir o que é que queremos todas as crianças a aprender e por quê.

Por 140 anos, esta nação tem tentado impor objetivos para baixo do centro de comando compostos por "especialistas", uma elite central de engenheiros sociais. Não funcionou. Não vai funcionar.

E isso é uma traição bruta da promessa democrática que uma vez fez dessa nação um experimento nobre. A tentativa da Rússia em criar a república de Platão na Europa Oriental explodiu ante os [nossos] olhos, a nossa própria tentativa de impor o mesmo tipo de ortodoxia central, utilizando as escolas como um instrumento também está vindo a arrebentar pelas costuras, embora mais lenta e dolorosamente.

Isso não funciona porque as suas premissas fundamentais são mecânicas, anti-humanas, e hostis à vida familiar. Vidas podem ser controladas pela educação automática, mas elas sempre irão lutar com armas de patologia social - drogas, violência, auto-destruição, indiferença, e os sintomas que eu vejo nas crianças que eu ensino.

É hora de nós olhamos para trás para recuperar uma filosofia educacional que funcione. Uma que eu gosto particularmente bem foi uma favorita das classes dominantes da Europa há milhares de anos. Eu uso tanto dela como eu pude ao gerenciar minhas aulas, tanto quanto, ou seja, o quanto eu posso fugir da presente instituição da escolaridade obrigatória. Eu acho que funciona tão bem para as crianças pobres como para as ricas.

No centro deste sistema de elite da educação reside a crença de que o auto-conhecimento é a única base do verdadeiro conhecimento. Em todo este sistema, em cada idade, você vai encontrar formas de colocar a criança sozinha em um ambiente descontrolado com um problema para resolver.

Às vezes o problema está repleto de grandes riscos, como o problema do galope de um cavalo ou fazê-lo saltar, mas que, naturalmente, é um problema resolvido com sucesso por milhares de crianças da elite antes da idade de dez anos.

Você pode imaginar alguém que tinha vencido este tipo de desafio ter falta de confiança em sua capacidade de fazer alguma coisa? Às vezes o problema é o problema de dominar a solidão, como fez Thoreau no lago Walden, ou Einstein fez na alfândega suíça.

Um dos meus ex-alunos, Roland Legiardi-Lura, embora ambos os seus pais foram mortos e ele não tivesse herança, andou de bicicleta pelos Estados Unidos quando ele estava quase além da infância. É de admirar então que, na idade adulta, quando ele decidiu fazer um filme sobre a Nicarágua, embora ele não tivesse dinheiro e nenhuma experiência prévia com cinema, que foi premiado internacionalmente - mesmo que seu trabalho regular era o de um carpinteiro.

Agora nós estamos tomando todo o tempo dos nossos filhos que eles precisam para desenvolver o auto-conhecimento. Isso tem que parar. Temos de inventar experiências escolares que dão um monte desse tempo em retorno, temos de confiar em crianças de uma idade muito precoce com estudo independente, talvez organizados na escola, mas que acontece fora do ambiente institucional. Precisamos inventar um currículo, onde cada criança tem a oportunidade de desenvolver habilidades únicas e auto-confiança.

Pouco tempo atrás, eu peguei 70 dólares e enviei a uma menina de 12 anos de minha sala com a mãe dela que não fala Inglês em um ônibus ao longo da costa de Nova Jersey para levar o chefe de polícia de Sea Bright para almoçar e pedir desculpas por poluir [ sua praia] com uma garrafa de Gatorade descartável.

Em troca desse pedido público de desculpas eu tinha combinado com o chefe de polícia para que a menina tivesse um dia de aprendizado em uma pequena cidade de procedimentos policiais. Poucos dias depois, mais dois dos meus filhos de 12 anos viajaram sozinhos para o West First Street do Harlem, onde começaram um período de aprendizagem com um editor de jornal. Na semana seguinte, três dos meus filhos irão encontrar-se no meio dos pântanos de Jersey às 6 da manhã, estudar a mente de um presidente da empresa de caminhões à medida que ele despacha alguns para Dallas, Chicago e Los Angeles.

São essas crianças "especiais" em um programa "especial"? Bem, em certo sentido, sim, mas ninguém sabe sobre este programa, além das crianças e eu. Elas são apenas crianças agradáveis do Central Harlem, brilhantes e alertas, mas tão mal "escolarizadas" quando vieram para mim que a maioria deles não sabia adicionar ou subtrair com qualquer fluência. E nenhum sabia a população de Nova York ou o quão distante é de NY para a Califórnia.

Isso me preocupa? Claro, mas estou confiante de que, à medida que eles ganham auto-conhecimento também vão se tornar auto-professores - e só o auto-aprendizado tem qualquer valor duradouro.

Nós temos que dar às crianças tempo independente de imediato, porque essa é a chave para o auto-conhecimento, e devemos voltar a envolvê-las com o mundo real o mais rápido possível para que o tempo independente possa ser gasto em outra coisa além de abstração. Esta é uma emergência, que exige medidas drásticas para ser corrigida - nossos filhos estão morrendo como moscas na escola, bom nível de escolaridade ou escolaridade ruim, é tudo a mesma coisa. Irrelevante.

O que mais precisa um sistema reestruturado escolar? Ele precisa parar de ser um parasita da comunidade de trabalho. De todas as páginas do livro de feitos humanos, somente nossa parte sobre torturas contém crianças mantidas em casa e nada é solicitado à elas à serviço do interesse geral.

Por um tempo eu acho que nós precisamos fazer com que serviços comunitários sejam algo obrigatório do aprendizado. Além da experiência em atuar de maneira altruísta que isso vai ensinar, é o caminho mais rápido para dar a crianças a responsabilidade real na corrente da vida.

Por cinco anos eu gerenciei um programa de guerrilha onde eu tinha todas as crianças, ricas e pobres, inteligentes e entorpecidas, dedicadas a 320 horas por ano de serviço comunitário rígido.

Dezenas dessas crianças voltaram para mim anos mais tarde, crescidas, e me disseram que uma experiência de ajudar alguém mudou suas vidas. Ela os ensinou a ver tudo de novas maneiras, a repensar objetivos e valores.

Foi o que aconteceu quando eles eram 13, no meu programa Laboratorial na escola - só foi possível porque o meu distrito escolar, favorecido financeiramente, estava em caos. Quando a "estabilidade" se fez presente mais uma vez, o laboratório foi fechado. Foi muito bem sucedido com um grupo muito misturado de crianças, a um custo muito pequeno, para ser autorizado a continuar. Fizemos os programas mais caros parecerem ruins.

Não há falta de problemas reais na cidade. Crianças podem ser feitas para ajudar a resolvê-los em troca de respeito e atenção do mundo adulto total. Bom para as crianças, bom para todo o resto de nós. Isso é currículo que ensina Justiça, uma das quatro virtudes cardinais em cada sistema de ensino de elite.

O que é o tempero para ricos e poderosos é certamente tempero para o resto de nós - e mais, a idéia é absolutamente gratuita assim como todas as outras reformas genuínas na educação. Dinheiro extra e pessoal extra colocado nesta instituição doente só a tornará ainda mais doente.

Independente de estudo, serviço à comunidade, aventuras em experiências, grandes doses de privacidade e solidão, mil estágios diferentes, a variedade de um dia ou mais - estas são todas as formas poderosas, baratas e eficazes para iniciar uma verdadeira reforma do ensino.

Mas nenhuma reforma em grande escala irá funcionar para reparar nossas crianças e sociedade danificadas até que seja forçada a idéia de "escola" aberta - para a inclusão da família como o principal motor da educação.

Os suecos perceberam que, em 1976, quando efetivamente abandonaram o sistema de adoção de crianças não desejadas e em vez disso dedicaram o tempo e tesouro nacionais em reforçar a família de origem, para que as crianças suecas fossem mais queridas.

Eles não conseguiram totalmente, mas tiveram sucesso em reduzir o número de crianças indesejadas suecas de 6000, em 1976, para 15 em 1986. Assim pode ser feito. Os suecos só tem cansado de pagar os destroços sociais causados por crianças que não são cobradas por seus pais naturais que eles fizeram alguma coisa. Nós podemos, também.

A família é o principal motor da educação. Se usarmos a escolaridade para afastar as crianças dos pais - e não se enganem, esta tem sido a função central das escolas desde que John Cotton anunciou como propósito da Colônia Bay de escolas em 1650 e Horace Mann anunciou o objetivo das escolas de Massachusetts em 1850 - vamos continuar a ter o show de horror que temos agora.

O currículo da família está no coração de qualquer vida boa, e nos distanciamos desse currículo, então é hora de voltar à ele. O caminho para a sanidade em educação é para as nossas escolas assumirem a liderança em liberar o estrangulamento das instituições na vida familiar, para promover durante o período escolar confluências de pais e filhos que irão fortalecer os laços familiares.

Esse era o meu verdadeiro propósito de enviar a menina e sua mãe na costa de Jersey para encontrar o chefe da polícia. Eu tenho muitas idéias para fazer um currículo familiar e meu palpite é que muitos de vocês têm muitas idéias, também, uma vez que vocês começaram a pensar nisto.

Nosso maior problema em conseguir o tipo de pensamento de base que poderia ir em frente e reformar o ensino é que temos grandes interesses no pré-esvaziamento de todo o tempo no ar e lucrando com a escolaridade exatamente como ela é, apesar da retórica em contrário.

Temos de exigir que novas vozes e novas idéias consigam uma audiência, as minhas idéias e as suas. Nós todos tínhamos a barriga cheia de vozes autorizadas mediadas pela televisão e pela imprensa - uma longa década livre para debater é o que chamamos agora, não mais opiniões de "experts". Especialistas em educação nunca tem sido corretos, suas "soluções" são caras, auto-servientes, e sempre envolvem uma maior centralização. Já chega. É hora para que voltemos à democracia, individualidade e à família. Eu disse o que tinha pra dizer. Obrigado.

Spoiler:
"As crianças não são animais de estimação para serem domesticadas; não são barro para moldar, não são computadores para programar e, acima de tudo, não são vasos para se encher." - Alfie Khon

"As nossas escolas transformaram-se em fábricas enormes para a produção de robôs. Nós já não mandamos os nossos filhos para a escola para serem ensinados e para que lhes sejam dadas ferramentas para pensar; nem sequer para serem informados ou adquirirem conhecimentos, mas para serem "socializados" - o que, na semântica atual significa serem submetidos ao sistema e forçados a se conformar." - Robert Lindner, (1956)

"Digo-vos, antes de mais, não deixem que as vossas casas se tornem cópias em miniatura das escolas. Não façam planos de aulas nem testes, não façam avaliações nem relatórios! Até deixarem os vossos filhos em paz e sossego seria melhor; pelo menos descobririam algumas coisas eles mesmos. Vivam juntos tão bem quanto puderem, e gozem a vida tanto quanto puderem." - John Holt

"Não acredito no currículo, não acredito em notas, não acredito em avaliações feitas por professores. Acredito em crianças aprendendo, com o nosso apoio e encorajamento, as coisas que elas querem aprender, quando as querem aprender, da forma como as querem aprender e porque as querem aprender." - John Holt

"A universidade ideal não teria formalizado sistemas de créditos nem disciplinas obrigatórias. Seria uma espécie de retiro educacional onde as pessoas poderiam explorar várias disciplinas, descobrir quem são, os seus verdadeiros interesses, e apreciar o prazer de aprender e a preciosidade da vida." - Abraham Maslow

"Aprendemos para obter uma recompensa ou para evitar um castigo. Aprendemos a fazer qualquer coisa para ganhar a vida. Mas agora pergunto: há outro tipo de aprendizagem? Vocês têm de ir trabalhar para a fábrica ou para o escritório todos os dias das vossas vidas. Levantem-se às 6 horas, vão para o trabalho e depois trabalham, trabalham, um trabalho rotineiro, durante cinquenta anos, dão chutes e pontapés, são insultados, mas continuam devotos ao sucesso. Essa é uma vida monstruosa. E é para isto que estamos educando os nossos filhos?" - Krishnamurti


Tradução livre do texto original, disponível aqui: http://www.lewrockwell.com/orig11/gatto3.1.1.html
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Re: O movimento anti-escola e a educação domiciliar

Mensagem por Rayana em Qui Abr 19, 2012 2:52 pm

Texto fantástico e muito oportuno também. Curioso, porque ainda ontem eu estava a conversar com o meu pai, durante o jantar, sobre o desempenho escolar do meu irmão mais novo, e uma coisa que ele afirmou (e eu subscrevo) é que "Por vontade dele, ele jamais obrigaria o filho dele fazer os trabalhos de casa, simplesmente porque o sistema é falho". Eu e ele concordámos numa coisa: uma sociedade onde só se consideram "bons alunos" aqueles que são bons a português e matemática não pode resultar algo de bom.

E na minha opinião, nunca deixo de achar nojento com áreas ricas como as artes (que são a parte mais criativa, e onde os alunos recebem 100% de liberdade para fazer algo como eles querem) nem sequer são levadas em consideração por essas escolas. A verdadeira criatividade simplesmente não é valorizada. Pelo contrário, tende só a ser estrangulada pelo sistema.

E esse sistema é esmagador. É uma realidade sufocante! Olhem um exemplo: no mês passado, recebemos aqui em casa uma nota da escola, da professora de inglês, a dizer que todos os alunos teriam obrigatoriamente de pagar 2 euros para mandar vir uma companhia de teatro. Sim, estava escrito no papel "obrigatoriamente". Não foi um pedido de autorização sequer. Foi uma ordem! Pqp!

Mas como o meu pai sabe como funciona a lei aqui em Portugal, ele rasgou o papel e escreveu um recado, como retaliação, a "educar" a professora de inglês e os seus estratagemas para conseguir dinheiro que lhe satisfaça os caprichos. O meu irmão não estava interessado, e ele não ia participar naquele evento, porque preferia estar em casa com a família naquele fim de semana (e sim, o evento foi num Sábado).

Então, sim, é verdade que as escolas tomaram conta das nossas vidas. Muitos pais pagaram, com certeza, e nem sequer pensaram duas vezes. Eles obedeceram porque "era o melhor para os seus filhos" e nem sequer questionaram isso. Então, esse "torpor" não vem apenas do sistema de ensino, mas também da própria forma como os pais encaram esse sistema.


Sei lá, eu considero-me um caso especial em relação ao meu irmão. Mudei de casa várias vezes durante a minha vida, então frequentei sete escolas diferentes até aos meus 14 anos. Em algumas das escolas eu só estudei por poucos meses, mas em todas eu fui obrigada a adaptar-me, e percebi com isto que havia vários tipos de regras, vários tipos de estudante, e vários tipos de sistema. Pode ser curioso, mas este tipo de coisa beneficiou - e muito - a minha visão sobre as escolas no geral. Não me apeguei a nenhuma, e no final, eu gostava de estudar por interesse pelas matérias mesmo, não pela instituição, já que ela nunca se enraizou completamente. Eu gostava de participar nas actividades, eu gostava do que fazia.

Mas as crianças de hoje... sei lá, eu olho para o meu irmão, ele odeia a escola. (e diferente de mim, ele só estudou numa escola até agora, é a mesma desde que ele "começou" a estudar) Ele sai de casa desmotivado e chega a casa desmotivado. Só que a diferença é que, quando ele tinha 5 anos, reclamava que não queria ir à escola. Agora, com 12 anos, ele já está conformado que tem que estudar até ao 12º ano.

Infelizmente a sociedade é esmagadora. Enquanto "o todo" não começar a mudar, é difícil para as famílias começarem a agir. O apelo desse professor aí é muito bonito, mas só mesmo como proposta para reflectir. Porque na hora da verdade, na prática, ponderem bem naquilo que vocês podem fazer, e verão que não podem fazer muito. Aquilo que há para fazer deve ser feito em casa mesmo. Não deixar que o sistema vos controle tudo.
Talvez pequenos gestos como os do meu pai, enfim. E neste aspecto, acho-o um modelo a seguir ^^;


Última edição por Rayana Wolfer em Qui Abr 19, 2012 3:12 pm, editado 1 vez(es)
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Re: O movimento anti-escola e a educação domiciliar

Mensagem por Takuya em Qui Abr 19, 2012 3:06 pm

Bom, eu já fui um "aluno exemplar", do tipo que sempre entregava os exercícios em dia e tirava notas boas nas provas, participava ativamente das aulas, enfim, tudo o que isso inclui. Foi assim até a 3ª série, quando eu mudei de escola, e passei a estudar num colégio público. Com o tempo, eu fui crescendo, me interessando por coisas diferentes, que muitas vezes sequer eram discutidas na escola, e isso foi diminuindo o meu entusiasmo com os conteúdos passados por ela.

Claro, sempre houve aquelas matérias que eu gostava mais, outras que eu estudava só pra passar de ano. Mas nunca gostei de ser obrigado a prestar contas do que eu aprendo, seja através de provas ou testes, enfim. E no Ensino Médio então, a minha decepção foi ainda maior. Ensino Médio é basicamente uma disputa pra quem vai se sair melhor no vestibular, quem vai conseguir vaga naquela faculdade super valorizada, quem vai passar nos cursos mais concorridos, enfim. Eu acho isso detestável, transforma o aprendizado numa competição, em algo que só existe em função da conquista de status/dinheiro. Óbvio que eu gosto de dinheiro e sei que ele é necessário, mas é preciso viver em função dele? Tudo precisa ser feito com o objetivo de ganhar dinheiro, conquistar status na sociedade?

Não recrimino as escolas, elas tem seu papel, mas é triste ver que o aprendizado não é realmente o protagonista nessa história, tudo é em função de conquistar dinheiro, posição social, ou simplesmente "ser alguém na vida". Eu gosto de aprender, não porque isso pode me ajudar a ganhar dinheiro, ou pelos outros motivos já mencionados, mas simplesmente porque é algo que eu sinto necessidade, como ser humano. Acho que o nosso sistema precisa ser reformulado, a sociedade está passando por mudanças, precisamos nos adequar as novas necessidades que estão surgindo. E a educação faz parte disso.
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Re: O movimento anti-escola e a educação domiciliar

Mensagem por Seiryuumon em Qui Abr 19, 2012 11:54 pm

É fácil resumir isso: as escolas preparam para o vestibular. O vestibular permite entrar na faculdade e fazer graduação.

Antigamente uma pessoa graduada praticamente já estava com a vida estabilizada. Hoje em dia, só alguns cursos ainda valem a pena. A maioria das tarefas podem ser realizadas por técnicos. Ou seja, a idéia, o motivo da escola tornou-se velho, mas ela continua exercendo-o.

Eu defendo a manutenção da escola quantizadora. Quantizar a capacidade do aluno não é a forma mais justa de tratá-lo mas é a melhor forma de dar segurança para um empresário que quiser contratar esse aluno, em termos de avaliação.
Ou seja, apesar de ineficaz, o modelo ainda é útil. Precisa de modificações, por exemplo, permitir ao aluno se especializar em um assunto somente, em vez de estudar tudo (pra que um jornalista vai ter q saber calcular o limite de f(x) quando x tende ao infinito? Ou pq um engenheiro tem que saber a composição básica de uma célula?).

Então pra mim, aplicar escola domiciliar é uma utopia tiro-no-pé. Vai dar muito mais trabalho pra conseguir emprego a longo prazo. O melhor mesmo é aumentar a QoS das escolas em geral.
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Re: O movimento anti-escola e a educação domiciliar

Mensagem por Hikari no Hana em Qua Maio 02, 2012 3:29 pm

Não sei se tem a ver com o assunto (aliás, brilhante!), mas achei esse texto que acabou me lembrando o tópico...

http://www.rac.com.br/noticias/campinas-e-rmc/127148/2012/04/30/tarefa-obrigatoria-divide-a-opiniao-de-educadores.html

Trata de como encarar o dever de casa. E tem um trecho BEM interessante que me lembrou o que o Rafa falou...

Acredito que muitas vezes o colégio se preocupa menos com o bem-estar e aprendizado correto da criança e mais em o quanto aquele aluno poderá fazer pelo nome da escola. Eles querem ganhar Olimpíadas de matemática, física, querem bons índices no Enem

Isso foi uma terapeuta falando, e de como as escolas hoje estão mais preocupadas com resultados que lhe garantam mais alunos do que com aprendizado em si.

(agora, momento desabafo pessoal que me ajuda a ilustrar minha opinião sobre o assunto... mas apesar disso, ninguém é obrigado a ler)

Spoiler:
Eu, particularmente, fui "vítima" desse tipo de modelo. Sempre fui do tipo que gostava de estudar, fazia os deveres, lia os livros paradidáticos, tudo conforme o pedido e combinado. Isso enquanto estudei na escola pública. E ok, o sistema público do Brasil precisa melhorar URGENTEMENTE, mas tive sorte de pegar boas escolas. No primário (antiga 1ª a 4ª série), estudei em uma escola que ao menos uma vez por semestre nos levava para um picnic na praça, onde a professora nos ensinava brincadeiras com matemática, português e ciências; uma vez por semana íamos a sala de leitura ou para a sala de vídeo, dentro da escola, onde escolhíamos um livro/víamos um filme, líamos e depois fazíamos uma atividade de acordo com o que aprendemos (eu adorava ambas... e diversas vezes pude eu levar um desenho que gostava porque tinha algo que tinha aprendido em sala de aula)... tínhamos feiras de ciências para desenvolver projetos, tínhamos festas em que tínhamos que aprender a organizar as coisas... sabe, tudo muito lúdico e que me ensinou diversas coisas que os deveres (que eles também passavam) realmente não faziam. Lembro que apenas uma vez, nessa escola, tive um dever que não pude cumprir: tive que copiar umas boas páginas do livro de História (que era da escola, e não nosso, e a professora queria que tivéssemos os textos) e fiquei até umas três da manhã copiando (caderno até acabou, e eu fiquei grampeando folhas para mostrar que tinha copiado todo o texto). No final, já cansada, fui dormir e tive que levar bilhete da minha mãe dizendo que eu fiquei mais de sete horas escrevendo, e que ainda assim não tinha conseguido terminar, e ela me mandou descansar. Não fui a única. Nunca mais a professora passou desse tipo de coisa, ela preferia tirar xerox, ou selecionar os trechos para leitura em sala mesmo.

Enfim, nessa escola, eu nem tinha tanta coisa a fazer. Tinha provas e trabalhos sim, mas minha nota era complementada com "participação" (tudo que fiz em sala de aula e nas atividades extra-classe), e muitas vezes essa participação valia mais do que os próprios trabalhos. Era divertido.

Aí fui pra quinta série, numa escola particular, que seguia mais ou menos o mesmo modelo. Só tinha uma diferença: usávamos apostilas. E as apostilas tinham deveres definidos. MILHARES deles, a serem passados pelos professores. Lembro que, assim que cheguei e ainda não estava acostumada com o ritmo, esqueci de anotar um dos deveres de português e não fiz. Quando cheguei e percebi, minha agenda foi levada para a secretária e eu só poderia entrar na sala no dia seguinte se minha mãe assinasse o temido "carimbo". Eu só tinha 11 anos, e comecei a chorar porque ia levar uma bronca da minha mãe porque não fiz um dever que nem lembrei, sendo que fiz tantos outros. Pior: se ela não assinasse, eu ia ficar SEM AULA. Privar uma criança de ir à aula porque ela está ainda se adaptando ao ritmo? Sério mesmo?

Esqueci o dever algumas vezes depois disso, mas aí foi por eu simplesmente estar estafada, cansada. E em todos foi a mesma situação. E meu pai passou a se fazer a pergunta "Mas espera aí... minha filha faz SEMPRE o dever dela, sempre fez... ela está esquecendo por quê? Preguiça que não pode ser, porque ela continua fazendo" e foi quando ele parou de brigar cada vez que o carimbo chegava. Minha mãe continuou ralhando, mas ele pediu para parar. Além disso, eles viam que minhas notas continuavam as mesmas, e minha participação nas atividades extra-classes continuaram perfeitas, com um aproveitamento que se notava até em casa. Nunca aprendi História como no dia que me levaram para um estudo do meio no centro antigo de São Paulo. Ele notou isso e passou a questionar se eu precisava mesmo daqueles deveres TODOS.

Quando voltei para a escola pública, na sexta série (por razões financeiras), o dever diminuiu bastante e somente uma vez esqueci, em três anos que se seguiram, quando cheguei tarde em casa. E sabe de uma? Nem por isso deixei de aprender ou saber menos que minhas colegas da escola particular. Quando marcávamos de estudar juntas (vira e mexe fazíamos isso, para manter o contato), conseguia me manter em nível de estudo com elas, fazendo bem menos dever (fazendo, óbvio, mas acho que tive sorte de ter professores que sabiam ponderar quando o assunto merecia ser fixado em casa, e quanto passar) e tendo bem mais tempo livre para outras atividades. Minhas notas continuaram boas. E sempre que tentei provas de bolsa de estudo em outros colégios, tinha bons resultados (o único problema é que os descontos nem sempre eram bons, e né... ser a primeira colocada também era bem complicado). Eu não era A MELHOR... mas estava em níveis muito bons. Sem muitas provas e trabalhos, e sem muitos deveres.

Aí veio o colégio...

Eu fui aluna de um sistema chamado Anglo, creio que alguns aqui conhecem. Com as apostilas, eu tinha dever TODO DIA, prova TODA SEMANA e ao menos DOIS TRABALHOS de cada matéria por BIMESTRE. No começo, tentei fazer tudo. NÃO DAVA! Eu cheguei a ficar, sem brincadeiras, QUATRO HORAS resolvendo UM ÚNICO EXERCÍCIO DE QUÍMICA, cujo itens iam de A a R (eu acho), e que todos eram exatamente iguais, de um mesmo fundamento, mudavam-se apenas as contas matemáticas. Sério, PRA QUÊ? Eu tinha ao menos mais 5 exercícios para fazer, e perdi QUATRO HORAS em um que, quando cheguei no item E, eu já tinha aprendido qual era a do fundamento.

Por não ser obrigatório (tirando quando os professores faziam da apresentação dos exercícios o trabalho do bimestre), eu desisti de fazer. A escola sempre me dizia que, se eu não fizesse, não saberia se eu tinha entendido direito o conceito, não teria dúvidas, portanto não aprenderia. E eu percebi que, se eu não tivesse entendido, eu já saberia NA AULA, onde TAMBÉM FAZÍAMOS EXERCÍCIOS. Ou seja, para quê vou gastar meu tempo com isso? Eu mais me cansava do que fixava conteúdo, ou então ficava apenas mais frustrada. Quando parei de fazer, e me dediquei apenas aos trabalhos e provas (que por si só já eram bem cansativos... provas do último bimestre eram as mais tristes, porque eram as que eu estava mais cansada, e muitas vezes minha nota nem era tão boa exatamente por causa disso), percebi que meu rendimento ainda era bem aceitável. Fui uma das alunas que figuraram na "aprovada em pública" (embora não na que eu queria, mas ok), e bla bla bla. Sabe para quê?

Eu passei na faculdade pública, fui estudar lá e percebi que nada, absolutamente NADA do que eu tinha me matado no colégio para aprender (tirando, óbvio, as aulas de História e algumas coisas de Geopolítica) me serviriam. Se não me senti uma completa analfabeta, foi porque pude usar coisas que aprendi NAS OUTRAS ESCOLAS, ou então nas poucas atividades que tive no colégio. E ainda por cima, descobri que a faculdade pública nem faz tanta diferença assim em quesito de carreira, e nem tinha o que eu queria para mim (fato, ela é ótima para quem quer seguir na área de Ensino, Academia e Pesquisa, mas não era esse o meu foco!). Me matei TANTO, me estressei, chorei, me senti culpada porque não passei em X, achando que deveria ter feito dever tal, me dedicado para prova tal, ou feito lista de exercício tal... pra isso? Ou será que eu fui vítima de um sistema que está realmente preocupado em enaltecer nomes do que, de fato, educar suas crianças e adolescentes para as aptidões que de fato lhe serão necessárias e educá-los de forma a saber lidar com conflitos cotidianos e situações rotineiras? Acreditei que tudo isso deveria ser feito para eu entrar numa faculdade pública (que também me fizeram acreditar que era o melhor caminho) e que cidadã eu me tornei? Não no sentido de comportamento, crenças, nem nada disso. Mas de uma pessoa que teve de aprender a duras penas como se virar no mundo adulto que jamais vai me exigir exímio conhecimento sobre funções bijetoras (não eu sendo jornalista!), mas me exige saber por que diabos eu tenho que prestar atenção no ramo imobiliário porque a taxa de crescimento de empregos aumenta ou diminuiu conforme a crise nos EUA, influenciando a economia e no quanto meu dinheiro vai valer para eu poder comprar meu pãozinho de cada dia, pra não dizer quanto minha casa está valendo, já que quero vender pra me mudar pra um lugar mais perto do meu serviço!

Sabe... o mundo mudou, e precisamos cada vez menos de conteúdo pasteurizado e fórmulas. Precisamos saber ler, interpretar e usar todo esse conhecimento de forma prática, de acordo com o que queremos e objetivamos. O sistema não acompanha o modo de vida, e isso frustra as pessoas, incluindo a mim mesma, que fiz todo esse texto desabafo sobre minha própria vida para chegar a essa conclusão! Essa é uma das razões que a escola está se tornando um fardo, difícil de captar a atenção dos estudantes. Eu, que sempre fui a nerd-mor da turma, não consegui uma hora! E não é porque sou mais ou menos inteligente não... é que me ESTAFOU! Não corresponde ao estilo de vida e aos objetivos e metas traçados pelos jovens.

E como hoje em dia o modelo de educação no Brasil vem por resultados (notas no ENEM, número de aprovados, Olimpíadas de whatever, primeiros colocados, tudo que possa chamar aluno), seguido por um país que pouco investe em outras profissões que não as Engenharias-Medicinas-Direito-Administração da vida (nada contra quem quer ou faça, mas poxa, o mundo não é feito só desses profissionais, e mesmo nas instituições de ponta são apenas essas profissões as valorizadas e bem remuneradas)... ah, aí a gente já viu!
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Re: O movimento anti-escola e a educação domiciliar

Mensagem por izumi em Qua Maio 02, 2012 4:01 pm

Seiryuumon escreveu:

Eu defendo a manutenção da escola quantizadora. Quantizar a capacidade do aluno não é a forma mais justa de tratá-lo mas é a melhor forma de dar segurança para um empresário que quiser contratar esse aluno, em termos de avaliação.
Ou seja, apesar de ineficaz, o modelo ainda é útil. Precisa de modificações, por exemplo, permitir ao aluno se especializar em um assunto somente, em vez de estudar tudo (pra que um jornalista vai ter q saber calcular o limite de f(x) quando x tende ao infinito? Ou pq um engenheiro tem que saber a composição básica de uma célula?).

Não acho que essa especialização tenha que ser feita na escola. O que aprendemos na escola é apenas O BÁSICO de uma gama de conhecimento infinitamente maior que encontramos por aí.
Eu sinceramente me irrito quando em alguma aula algum aluno diz "mas para que eu vou usar isso? é completamente inútil"
Apenas imagine um jovem de 17 anos sair da escola sem saber como funciona um movimento de queda livre ou como funciona um processo de oxidação?

ora... Nenhum conhecimento é inútil! Quando você menos espera, ele pode ser usado por você mesmo numa situação super inusitada, mesmo que seja uma conversa de bar.

Muita gente que quer seguir o caminho das humanas, reclama que tem que aprender muita coisa de exatas que considera inútil. O conteúdo em si pode não ser útil para a profissão no momento, mas todos aqueles exercícios e problemas que devem ser resolvidos em aula e em provas treinam nosso raciocínio e pensamento lógico.
Da mesma forma que os conhecimentos de humanas e ciências naturais podem servir algum dia para um estudante de exatas como embasamento teórico.

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Re: O movimento anti-escola e a educação domiciliar

Mensagem por Rayana em Qua Maio 02, 2012 4:19 pm

Na minha opinião, receber cultura e treinar o cérebro é importante. Não acredito que isso de "especializar-nos numa só área" seja a resposta. Bem pelo contrário, só te torna um robot, mais uma peça do sistema.

Já viram Os Tempos Modernos do Charlie Chaplin? Vocês querem aquilo para vocês?
Para não falar que uma criança saudável não sabe ainda o que quer da vida. Já é tenso chegar aos 16 anos e ter que decidir se vai escolher um curso de ciências exactas, ou línguas, ou artes, numa idade tão jovem(!!!!). Não sei quanto a vocês, mas eu se fosse hoje eu teria escolhido outra área.

A questão não é deixar de estudar as coisas que estudamos nas escolas.
A questão é os métodos que usam para dar esse conhecimento, e o tratamento personalizado. Não tratar a criança como um número. Tratar cada criança como um indivíduo único, e não como mais uma ovelha do rebanho. É suposto uma escola instruir, não alienar.

É por isso que eu acredito mais na gramática do Mestre-Aprendiz. Uma pessoa devotada ao crescimento de outra pessoa mais nova, de igual para igual. Onde um aluno não é deixado na sombra daquele aluno brilhante, porque ganhou fama de burro. Esse aluno pode ser um matemático ou um intérprete horrível, mas pode ter um talento incrível para a mecânica (motos, carros, etc) ou pode ser um excelente pintor. Então, ele ganha fama de idiota e rebela-se contra a escola, e é taxado de mau-aluno. Simplesmente porque a escola não foi feita para ele.

Aqui, trata-se de um movimento anti-escola e anti-educação, do ponto de vista institucional.
Não do ponto de vista do conhecimento em si. Conhecimento não ocupa lugar.

Mas não se pode sufocar e alienar uma mente em nome do "conhecimento", que na hora da verdade não passa de uma mistela empapada de informação que entorpece mais o indivíduo do que desperta, porque consiste apenas naquilo que outras pessoas decidiram que é importante aprender.
São coisas distintas.

O sistema fala muito do Q.I.
Mas praticamente ninguém fala do Q.E. ou do Q.S, que são formas de inteligência também. A capacidade de empatia, a capacidade de perdoar um colega, a capacidade de questionar por que o Homem existe, de onde ele vem e para onde vai. Isso são formas de inteligência também, que o sistema não valoriza.


Última edição por Rayana Wolfer em Qua Maio 02, 2012 4:26 pm, editado 1 vez(es)
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Re: O movimento anti-escola e a educação domiciliar

Mensagem por Hikari no Hana em Qua Maio 02, 2012 4:25 pm

izumi escreveu:Eu sinceramente me irrito quando em alguma aula algum aluno diz "mas para que eu vou usar isso? é completamente inútil"
Apenas imagine um jovem de 17 anos sair da escola sem saber como funciona um movimento de queda livre ou como funciona um processo de oxidação?

A questão não é aprender o que é isso, Izumi, mas a forma como muitas escolas passam esse conteúdo. Eu adorava química, adorava mesmo (sobretudo orgânica, mas tirando soluções, o resto me era bem atraente)! Nunca me serviu pra nada na faculdade ou qualquer coisa do tipo, mas eu lembro que quando me explicaram que água e óleo não se misturavam (portanto, era impossível limpar óleo com água somente) porque eles eram substâncias polar e apolar, a coisa me fez SENTIDO. A mesma coisa acontecia quando, nas detestáveis aulas de física, eu aprendi como funcionavam os óculos e que tipo de lente se usa para cada tipo de problema. Coisas que me pareciam realmente PRÁTICAS. Agora, eu ainda me pergunto para que diabos resolver trinta mil funções de segundo grau vai me ajudar no que preciso fazer na minha vida. Não é só a carreira, entende? Eu aos 15 anos não tinha total certeza do que queria, mas não me decidi porque me ensinaram que (a+b)²=a²+2ab+b². Aliás, até hoje eu jamais usei essa fórmula a não ser nas minhas listas e provas. Ela deve ter uma utilidade, mas não para jovens de 15 anos.

E isso não é particularidade somente das matérias exatas. O ano passado inteiro dei aulas de Gramática em um cursinho voluntário da faculdade. A pior parte era tentar fazer os alunos entenderem por que diabos "ideia" não se acentua mais, mas antes se acentuava, ou qualquer coisa do tipo. Eles só passaram a demonstrar um mínimo de atenção quando eu expliquei que convenções existem para tornar mais fácil a comunicação entre as pessoas, e com isso podemos estabelecer vínculos e passar mensagens. Até o momento em que eu entreguei a eles um texto de um livro escrito na regra ortográfica de 1920 (sim, porque achei um) e eles não entenderam muito, eles estavam pouco se lixando em aprender esse tipo de coisa, e perceberam como saber as normas e acordos SÃO sim importantes até para pequenas coisas. Como uma vírgula errada pode mudar todo o sentido da frase. Como sua imagem é afetada pelo modo como você escreve e domina a norma culta.

Eles vão usar isso o tempo todo? Não! Muito aluno meu foi para Engenharia e me disse que lá, se escrever errado, dane-se! Mas o "escrever certo" fez diferença para eles. Não no vestibular, porque eles ganharam mais pontos. Mas porque levam a sério um texto que eles escrevem ou algo que eles dizem. Porque eles conseguem explicar um fundamento teórico de cálculo, quando eles entendem, sem tem que usar abreviações e sei lá mais o quê, em diagramas que ninguém entende. Porque eles usaram isso na vida deles.

O que quero dizer é: concordo que, em idades tão jovens, a criança tem que ter contato com tudo, e conhecimento básico nunca é demais. Mas o problema não é o que se ensina, mas COMO se ensina. Qual o objetivo a ser atingido por todo esse "conhecimento básico". Até porque não adianta dar a fórmula, tem que saber usar (como e QUANDO). Tive um ano inteiro de Física Elétrica, e até pouco tempo atrás (antes de eu invadir a aula dos meus colegas de Física lá no cursinho), eu não conseguia associar tudo que aprendi com, sei lá, a rede elétrica da minha casa e como todos esses conhecimentos poderiam me ajudar com ela. Apesar de saber que nos circuitos em série a gente soma os valores para achar o total, e no em paralelo, primeiro tira a média dos pontos paralelos e depois soma. Foi o que boa parte dos vestibulares e provas me cobraram, tirando uma exceção e outra que exigia que eu soubesse que tinha que fazer um paralelo, ou que meu problema se resolveria com uma equação do segundo grau que, olha, eu não tinha a capacidade de montar, porque me atolaram de exercícios de equação do segundo grau, mas nunca me mostraram para que ela servia, ou então problemas nos quais eu poderia aplicá-las.
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Re: O movimento anti-escola e a educação domiciliar

Mensagem por aswq em Qui Maio 03, 2012 6:41 pm

O problema é mais como substituir do que pelo que substituir. Este sistema de ensino já esta demasiado entranhado na sociedade pra se mudar assim tão radicalmente, só montando de novo a sociedade é que a coisa vai lá então rezam pra que aconteça alguma coisa em 2012 kk

Mas só a favor que uma criança/pessoa busca aprender aquilo que necessita por si mesmo, com a internet isso fica bem mais fácil, então a escola é meio desnecessária a não ser pra conseguir um emprego...
Também acredito que já não falte muito,uns 10/20 anos, pra escola ser completamente desnecessária face as inovações tecnológicas (tipo a la Matrix)
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Re: O movimento anti-escola e a educação domiciliar

Mensagem por Seiryuumon em Qui Maio 03, 2012 7:08 pm

O problema de home schooling é o aluno realmente provar que sabe o conteúdo. Acho muito difícil a escola ser substituída, pois como eu disse, ela é quantizador (hoje não confiável) para pessoas. Talvez uma solução pra isso seja cursos online, mas nem isso garante alguma coisa (pra falar a verdade o ensino hj tá tão ruim pq nem a escola garante -q)

Tipo, as pessoas são números para o estado. A não ser no meio social, o ser humano é tratado como número. É mais fácil e eficaz pra todo o setor empregador trabalhar assim. Incluir conceitos subjetivos atrapalha bastante.

Eu gostaria que o home schooling fosse algo real. Tão ensinando muita porcaria nas escolas. Mas eu não vejo onde o home schooling possa ser realmente eficaz nos campos onde é necessária, por isso acho difícil ela se tornar padrão de qualquer coisa.
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Re: O movimento anti-escola e a educação domiciliar

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