O movimento anti-escola e a educação domiciliar

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Re: O movimento anti-escola e a educação domiciliar

Mensagem por Takuya em Qui Maio 03, 2012 9:11 pm

aswq escreveu:O problema é mais como substituir do que pelo que substituir. Este sistema de ensino já esta demasiado entranhado na sociedade pra se mudar assim tão radicalmente, só montando de novo a sociedade é que a coisa vai lá então rezam pra que aconteça alguma coisa em 2012 kk

Mas só a favor que uma criança/pessoa busca aprender aquilo que necessita por si mesmo, com a internet isso fica bem mais fácil, então a escola é meio desnecessária a não ser pra conseguir um emprego...
Também acredito que já não falte muito,uns 10/20 anos, pra escola ser completamente desnecessária face as inovações tecnológicas (tipo a la Matrix)

↑ THIS


Sobre o homeschooling, é uma alternativa que tem dado certo com algumas pessoas, mas também não acredito que funcionaria como regra. De qualquer modo, penso que o sistema educacional como um todo deve ser reavaliado e reformulado, afinal vivemos num mundo completamente diferente daquele de 1 século atrás, a informação está ao alcance dos dedos, nunca foi tão fácil aprender e buscar conhecimento. O sistema educacional deve ser capaz de aproveitar isso, já vimos que remendar o sistema antigo e falido já não surte efeito...
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Re: O movimento anti-escola e a educação domiciliar

Mensagem por Hikari no Hana em Sex Maio 04, 2012 9:19 am

Takuya escreveu:Sobre o homeschooling, é uma alternativa que tem dado certo com algumas pessoas, mas também não acredito que funcionaria como regra. De qualquer modo, penso que o sistema educacional como um todo deve ser reavaliado e reformulado, afinal vivemos num mundo completamente diferente daquele de 1 século atrás, a informação está ao alcance dos dedos, nunca foi tão fácil aprender e buscar conhecimento. O sistema educacional deve ser capaz de aproveitar isso, já vimos que remendar o sistema antigo e falido já não surte efeito...

Acho que é como o moço do texto diz: o professor hoje não pode servir para fornecer o conhecimento, porque este já pode ser alcançado de forma MUITO rápida e interativa, com modelos e exercícios disponíveis a qualquer um. O professor precisa ser o instigador, aquele que estimula a pessoa a querer este conhecimento (porque não adianta estar lá, a pessoa tem que se interessar por ir atrás), estimular que as pessoas desejem e vejam o quanto precisamos disto. E mais: ele precisa ser aquele que estimula o pensar, o filosofar, aquele que ensine não o conteúdo, mas a interpretar e usar o conteúdo.
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Re: O movimento anti-escola e a educação domiciliar

Mensagem por Rayana em Sex Maio 04, 2012 9:46 am

Eu não sei se vejo isso como um problema; é mais um facto: mudar um sistema inteiro é impossível.

O mais que vocês podem fazer é mudar a vós próprios e ser audazes dentro daquilo que é a vossa vida. Não sucumbirem ao sistema e não desanimar diante dele.

Por que eu hei-de me incomodar com uma sociedade inteira, se nem consigo gerir o meu interesse individual? A resposta não está em "mudar os outros", mas sim, começar a mudar nós mesmos.

Eu não sou um número, e vá se foder quem disser o contrário, simples assim.
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Re: O movimento anti-escola e a educação domiciliar

Mensagem por Takuya em Sex Maio 04, 2012 10:46 am

Hikari no Hana escreveu:
Acho que é como o moço do texto diz: o professor hoje não pode servir para fornecer o conhecimento, porque este já pode ser alcançado de forma MUITO rápida e interativa, com modelos e exercícios disponíveis a qualquer um. O professor precisa ser o instigador, aquele que estimula a pessoa a querer este conhecimento (porque não adianta estar lá, a pessoa tem que se interessar por ir atrás), estimular que as pessoas desejem e vejam o quanto precisamos disto. E mais: ele precisa ser aquele que estimula o pensar, o filosofar, aquele que ensine não o conteúdo, mas a interpretar e usar o conteúdo.

↑ THIS

Não sei se é só comigo, mas essa pressão por resultados me desanima um bocado na hora de estudar. Sempre gostei de estudar, pelo simples prazer de aprender mesmo, mas eu detesto ter que prestar contas do que eu sei ou não, ou ter que simplesmente absorver conteúdo sem qualquer critério, simplesmente porque alguém diz que eu tenho que fazer isso. Onde fica a minha liberdade de escolha? Ao menos me dê motivos pra me focar em algo que a principio não me chama a atenção. Pelo que eu vejo, os próprios professores parecem já não acreditar no que fazem, tanto que simplesmente despejam conteúdo em cima dos alunos e estes que se virem pra aproveitar algo. Pra mim é totalmente desestimulante =/
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Re: O movimento anti-escola e a educação domiciliar

Mensagem por Hikari no Hana em Sex Maio 04, 2012 11:11 am

Não é só com você, Rafa... eu tive uma considerável queda de "rendimento" depois que entrei no colégio, e que só recuperei depois que entrei na faculdade (e ainda nem foi tanto). Eu jamais me incomodei com trabalhos, até porque eu poderia dispensar um tempo neles que seria de acordo com o meu ritmo e vontade (ok que isso me levou algumas vezes a fazer tudo na última hora, mas ainda assim considerava bem mais justo), e as provas nunca me foram pesadelo durante o primário + ginásio, porque geralmente era algo combinado, feito em acordo com meus professores e os alunos. Mas no colégio? Eu tinha calendário fixo de provas, que eram aplicados no colégio inteiro, e no qual eu nem tinha poder de decisão sobre. Lembro que no primeiro ano, tínhamos prova toda semana, e minha segunda prova (na terceira semana de aula) foi de Matemática. Lembro que uns bons 70% foram MUITO mal, porque 90% dos alunos eram alunos novos (não estudavam lá antes) e boa parte não estava acostumada com o ritmo e o conteúdo que a gente tinha que acompanhar para poder ir bem no vestibular dali a 3 anos (e lembro que eu mesma SÓ não me ferrei porque Geometria me salvou. Se eu fosse depender de Álgebra... nota vermelha não digo que teria, mas seria BEM na média). Quer dizer, você faz o aluno passar por um stress porque ele tem que apresentar resultados imediatamente, pra uma coisa que só vai acontecer DALI A 3 ANOS. E meu, era a TERCEIRA SEMANA DE AULA. A professora de álgebra nos disse "gente, ferraram vocês, certeza que será um mar de sangue essa prova", porque ela própria sabia que não tinha dado tempo da gente entrar sequer no ritmo, quem dirá dar conta de um conteúdo tão extenso e que dependia de um ensinamento que nem todos os alunos tinham?

Aliás, provas por si só são injustas, e o vestibular é a mais injusta delas. Um dia, algumas horinhas, e algumas questões, definem o que você sabe, ou que você é maduro o suficiente pra alguma coisa. Onde isso tem lógica? Compreendo que é um modo que atende ao modelo atual, que precisa avaliar de modo rápido e quantitativo, já que nosso estilo de vida não permite nos atentarmos a gastar tempo, por assim dizer, e prestar atenção nas individualidades. Mas sei lá... eu ainda invejo o modelo norte-americano, que avalia não somente notas, mas leva em consideração todo o histórico do aluno em outros tipos de atividades e no que isso pode ajudá-lo a se tornar, ao menos, um profissional melhor.

Sei lá... eu broxo imensamente quando me deparo com esse tipo de coisa. E dei graças a Deus que na faculdade eu pude contar nos dedos as vezes que tive prova. Meu alívio eterno que consegui fazer um curso que me deixou pelo menos com trabalhos somente. Também dou graças a dois professores que tive, no famigerado colégio (um era de História, claro... mas não posso deixar de agradecer à minha professora de álgebra, que mesmo me ensinando algo que eu não tinha o menor interesse, fez de tudo para me fazer ter vontade e entender para que eu aprendia aquilo, afinal, sempre propondo problemas DO CÃO, mas realmente práticos e que me estimulassem a pensar até eu me irritar e querer tacar o foda-se -Q), que jamais se importaram se o conteúdo estava atrasado ou não (apesar dele sempre conseguir passar tudo O.O), que sempre me estimularam a ter uma visão crítica daquilo que estava aprendendo e que, dias antes de eu mesma prestar vestibular, disseram a coisa mais bonita que eu já ouvi de professores:

Isso é só uma prova. Cinco, seis horas que você vai sentar, provavelmente estressado, provavelmente nervoso, e definitivamente num dia que NÃO SERÁ O SEU MELHOR. Cinco horas que definem os seus três anos de estudo. Isso faz sentido pra vocês? Porque não faz pra mim. Porque eu sei que vocês, em situações normais, se sairiam muito melhor do que se sairão. Porque eu sei o que vocês aprenderam, e sei que vocês vão esquecer o dia do vestibular, mas vão se lembrar do que aprenderam aqui, e vão usar isso na vida de vocês em algum momento. Porque eu sei que vocês podem até não passar esse ano, mas vamos ser francos? Vocês tem 17, 18 anos no máximo! Numa época em que a média de vida dos brasileiros é de 70 anos. Me digam, por que vocês aceitam que imponham, então, essa pressa em vocês? Vocês NÃO precisam começar carreira agora, provavelmente nem estão prontos pra isso. Vocês precisam VIVER. Então, vão. Com a cabeça de que vocês darão o seu melhor, e se não for o bastante, não tem problema, a gente tenta de novo. Temos muito tempo pra isso, e definitivamente somos muito melhores do que 90 questões que podemos acertar.

(sim, eu lembro desse discurso do meu professor de História. Porque qualquer pessoa que, mesmo trabalhando em um sistema que me obrigava a absorver o máximo de conteúdo que eu podia, me diz uma coisa dessas e me ensina algo assim, merece que eu me lembre de cada palavra)
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Re: O movimento anti-escola e a educação domiciliar

Mensagem por Jyunirii em Sex Maio 04, 2012 11:45 am

Takuya escreveu:
Hikari no Hana escreveu:
Acho que é como o moço do texto diz: o professor hoje não pode servir para fornecer o conhecimento, porque este já pode ser alcançado de forma MUITO rápida e interativa, com modelos e exercícios disponíveis a qualquer um. O professor precisa ser o instigador, aquele que estimula a pessoa a querer este conhecimento (porque não adianta estar lá, a pessoa tem que se interessar por ir atrás), estimular que as pessoas desejem e vejam o quanto precisamos disto. E mais: ele precisa ser aquele que estimula o pensar, o filosofar, aquele que ensine não o conteúdo, mas a interpretar e usar o conteúdo.

↑ THIS

Não sei se é só comigo, mas essa pressão por resultados me desanima um bocado na hora de estudar. Sempre gostei de estudar, pelo simples prazer de aprender mesmo, mas eu detesto ter que prestar contas do que eu sei ou não, ou ter que simplesmente absorver conteúdo sem qualquer critério, simplesmente porque alguém diz que eu tenho que fazer isso. Onde fica a minha liberdade de escolha? Ao menos me dê motivos pra me focar em algo que a principio não me chama a atenção. Pelo que eu vejo, os próprios professores parecem já não acreditar no que fazem, tanto que simplesmente despejam conteúdo em cima dos alunos e estes que se virem pra aproveitar algo. Pra mim é totalmente desestimulante =/

Rafa disse muita coisa do que eu queria.
Me incluo nisso. Meu rendimento escolar desceu drasticamente depois que fui promovida para os anos do ensino medio. Tenho a mesma impressāo que o Rafa, que os stores simplesmente falam 'copiem e resolvam' e a gente que se lasque pra resolver e aprender. Minhas aulas de exatas são assim, e eu que ja nao entendo muito, acabo me ferrando.

So comentando o discurso da Hana-chan... Seu stor parece ser excelente, porque todos os stores que eu tive, desde a sexta serie, falam "Se forçem a aprender, porque vocês vão começar a carreira durante o ensino medio, e sera mais complicado de entrar na faculdade." Cresci com essa pressāo, me forçando a fazer tudo o mais cedo possivel.
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Re: O movimento anti-escola e a educação domiciliar

Mensagem por Marcy em Sex Maio 04, 2012 11:56 am

Coincidência, o assunto deste bimestre em Filosofia, no meu colégio, é justamente isso: Educação.

Foi assim: o professor selecionou aleatoriamente alguns alunos da sala e perguntou-lhes o que era Educação. Ele perguntou para uns cinco alunos, e o último respondeu algo similar a: "Educação é o que é ensinado nas escolas".

Esse aluno respondeu algo que a maioria pensa que é. Mas não é. Se a Educação fosse transmitida apenas nas escolas, eu e mais milhões de estudantes no Brasil estaríamos todos drogados, prostituindo, desrespeitando o próximo e furtando, por que é ISSO que ocorre não apenas no meu colégio, mas também nas escolas e colégios da região e, sem sombras de dúvidas, em todo o mundo.

Os pais de 99% dos alunos do meu colégio não estão nem aí com o que está acontecendo dentro dele. Se um aluno foi desrespeitoso com um professor e agrediu violentamente um colega, por exemplo, a direção chama um responsável e, quando ele aparece no colégio, adivinha? Ele culpa os professores e inocenta a todo custo o seu pobre filhinho, que está até traumatizado por ter sido apontado.

Os alunos aqui não gostam de estudar. No colégio todo, os interessados se resumem a poucas unidades. Mas eles são forçados a ficarem sentados 4 horas, escutando e fazendo lição. Opa, errei: eles não fazem lição, apenas ficam conversando com os colegas e namorando escondido. Isso atrapalha os dois da minha sala que querem realmente estudar, como eu.

Fiquei com raiva da estupidez da resposta do colega que respondeu aquilo na aula de Filosofia, que levantei a mão e expressei o que eu achava o que realmente é a educação: "Educação é o conhecimento moral, social, étnico e cultural passado de geração em geração, ao longo da História".

O professor não respondeu nada. Ele apenas continuou a matéria, e absorvi o seguinte: a escola é responsável apenas por uma fração do conhecimento social. Ela nos ensina a decorar, decorar, decorar e respeitar leis. Não é função da escola, por exemplo, a ensinar a não xingar os colegas. Somos um monte de criaturas criadas para fazerem parte de um sistema que vai gerar mais dinheiro ao Governo. Enfim, o professor realçou que a Educação de verdade deveria ser privilegiada apenas aos que a buscam, e o resto deve fazer o que o ser humano está designado: serem ignorantes, que trabalhem na roça!

Nesse ponto, eu discordo. Cada indivíduo tem um talento, uma habilidade diferente, mas muitas vezes ele próprio não sabe qual talento. A escola deveria auxiliar as crianças a encontrarem o talento de cada um. E quando elas descobrem do que são capazes de fazer, estas deveriam partir para um outro estágio, que deveria ser uma preparação individual ou em grupos pequenos de pessoas que são capazes de fazer determinada coisa.

Por exemplo: o meu forte são as áreas de linguagem e artes. Portanto, tenho uma facilidade enorme em estudar Artes, História, Idiomas, Filosofia e Geografia, que são áreas que envolvem mais leitura, interpretação e reflexão do que qualquer outra coisa. Porém, em áreas que exigem muito cálculos e experimentos, eu sou muito ruim, por isso não consigo compreender Matemática Avançada, Física e Química. As outras matérias eu sou medíocre, nem tão boa, mas também não sou ruim.

Então, se eu me especializo em apenas algumas matérias... por que eu preciso estudar as outras, das quais tenho dificuldade? Não seria melhor eu estudar apenas as matérias que eu sou boa, para me desenvolver e preparar melhor somente nelas? É assim que as coisas deveriam ser. Mas não; todo mundo é obrigado a estudar um pouco de tudo, mesmo aquelas áreas que não é muito desenvolvido, para serem iguais a todo mundo e fazerem parte de um sistema burro desenvolvido pelas autoridades. E é neste sistema que as crianças possuem dificuldades de descobrir qual é o seu talento, e geralmente só o encontra quando já está entrando na adolescência.

E também há a questão do currículo. Fala sério, a sociedade pressiona tanto que os estudantes tenham um currículo bonitinho, com vários cursos concluídos, que ele com certeza não fará esses cursos com interesse. E outra coisa: de que adianta alguém fazer um curso de alguma coisa do qual ele não é habilidoso? Por exemplo, um curso de desenho de mangá: tenho muitos colegas que fizeram curso de desenho, mas eles só conseguem é copiar os módulos passados por seus professores, e não fazem nada que vem deles. Ou seja, um desenhista nunca será um desenhista se ele não tiver já uma aptidão em desenhar, com ou sem curso. Do mesmo modo ocorre em outros empregos.

Só para concluir esse post, a média de estudantes que saem despreparados da escola no Brasil é de apenas 90%. Não vai demorar para subir para 99,9%.


Última edição por Marcy em Qua Jul 30, 2014 1:36 pm, editado 1 vez(es) (Razão : Tinha um parágrafo meio nonsense no meio =p)
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Re: O movimento anti-escola e a educação domiciliar

Mensagem por Hikari no Hana em Sex Maio 04, 2012 12:59 pm

Eu concordo na parte em que diz que a escola, hoje, é encarada mais como uma prisão do que, de fato, um espaço de direito. A pessoa é obrigada a ir, ficar quatro horas (ou mais) vendo algo do qual não faz a menor ideia do que se fala (e não se faz mesmo, e isso muitas vezes acontece porque lá no Ensino Básico, quando a criança está entrando na escola, ela é obrigada a ver um monte de coisa das quais ela nem sabe do que se trata e do POR QUÊ ela está vendo, e isso vai se perpetuando e agravando conforme o tempo passa), em ambientes muitas vezes superlotado (não sei quanto aí em Portugal, mas nossas escolas públicas - e mesmo algumas particulares - chegam a ter média de 50 alunos POR SALA. Deus do céu, como uma pessoa só, que é o professor, pode controlar CINQUENTA PESSOAS? É um desafio considerável) e fazendo esse mesmo adolescente ou criança pensar nas coisas "úteis" que ele poderia estar fazendo (quando não o faz em paralelo) ao invés de ouvir aquilo tudo (que é útil... o sistema só não aprendeu a dizer como).

Mas discordo de que deveríamos ver apenas o que nos interessa, pelo menos em quesito de "ensino elementar" (acho que é assim que chamam... o que a brasileirada tem "obrigação" de ter ao mínimo, ou seja, Fundamental Ciclo I, Ciclo II e Médio). Até porque, para saber com o quê você tem maior afinidade, você deve experimentar tudo um pouquinho. Digo porque eu também era terrível nas áreas Exatas e apesar de não ser exatamente um desastre nas Biológicas, também não era um exemplo. Eu não tinha paciência NENHUMA para aprender, por exemplo, misturas e soluções, mas eu tinha que saber isso se eu quisesse fazer um bendito suco Laranjal, Morangal ou qualquer um desses da vida! Ok, é um exemplo tosco, mas minha vida TEM dessas coisas. E mesmo quando fiz Jornalismo, tive uma dificuldade TREMENDA na matéria de Jornalismo Radiofônico por um tempo porque eu não conseguia entender como diabos uma frequência AM pode diferenciar o conteúdo de minha mensagem só porque ela é diferente da frequência FM. Pelo simples fato de que não consegui entender frequências e ondas direito no colégio, nas aulas de Física. E eu estava no curso de JORNALISMO.

O que eu acho: do modo como as escolas se montam hoje em dia, de fato é um SACO você ter de aturar quatro ou mais horas de aula somente para aprender um conteúdo que não faz sentido na sua cabeça. Nesse caso, realmente aumentar o número de horas de aula não vai fazer muita diferença, você só não vai ter que correr que nem um louco com todo o conteúdo que precisa passar. Lembro de uma vez ter ouvido num debate do curso de Pedagogia da faculdade (explico: o cursinho onde eu trabalhava era um projeto desenvolvido pelo curso de Pedago, portanto participei de alguns debates em questão, mesmo não sendo da área) que o conteúdo transmitido em três anos de Ensino Médio, para ser transmitido corretamente e com calma, num ritmo aceitável, exigiria cinco a seis anos de Ensino Médio, e não três. Mas aí pensemos: já são, agora, nove anos de Fundamental (que pra mim ainda são oito, a diferença é que mudaram o nome do antigo pré pra 1ª série ¬¬ Porque o conteúdo e o programa de ensino são os mesmos). Mais cinco anos de Ensino Médio, são catorze anos, contra os doze que passamos. Dois anos a mais que o governo terá que investir não somente nos alunos (que dão seus custos), mas também em professores, material, preparo e segurança para estes alunos. Para quê? Condense em três anos, o cidadão entra cedo na faculdade, temos "profissionais" cada vez mais jovens e que topam ganhar cada vez menos (afinal, conforme se vai envelhecendo e responsabilidades aumentando, exigem salários maiores) e no fim temos um monte de gente com menos de 60 anos se aposentando e gerando uma crise no sistema previdenciário do país.

Resumo: você economizou aqui para "gastar" lá na frente! Parabéns, companheiro, você acabou de formar um cidadão que não rendeu metade do que ele poderia profissionalmente, por ter sido mal-preparado, e ainda o tirou do mercado de trabalho quando ele poderia continuar um tempo trabalhando. Vai fazer o quê agora, aumentar a idade da previdência e o cidadão trabalhar mais? Ele já trabalhou muito, mas não com o rendimento que poderia porque você não quis investir na educação dele.

Enfim, divagações... onde eu estava? Ah sim! As matérias desnecessárias. Eu ainda sou da opinião de que estamos lidando de maneira errônea com o conteúdo, mas como a Ray disse, é um sistema. Ele não vai mudar agora. Ele não vai mudar tão cedo. Sobretudo se a gente esperar que as esferas acima de nós quem comece a mudança. Mudanças não são feitas de cima para baixo, mas o inverso. E sou bem favorável da ideia de que podemos fazer a diferença individualmente, ao invés de tentar um coletivo. Você é estudante? Tenha um pouco de paciência com o seu professor provavelmente mal pago e se pergunte se você pode usar aquilo de forma útil, qualquer que seja (nem que seja pra você descobrir que sabão em pedra é mais útil do que detergente algumas vezes pra limpeza porque ela tem mais polaridade compatível com a gordura, por exemplo). Entenda que ele está lá para fazer a parte dele. Ele não tem culpa de você estar sentado quatro horas e de saco cheio, então não desconte nele.

Você é professor? Tente entender que se o seu aluno não está prestando atenção, talvez seja o seu método que não funciona com ele. Tente pôr exemplos práticos que possam ilustrar. Faça o seu melhor, e não sucumba!

Você não é nada disso? Se um dia você tiver filhos, tente estimulá-lo com coisas que vão além do que está na escola, e passar a ele o que você aprendeu de útil. Você não tem filhos e nem quer? Tem problema não, faça isso com o seu priminho ou com o filho do vizinho (se ele deixar). Faça A SUA DIFERENÇA.

E só pra terminar... se você gosta de algo e quer se desenvolver, não é nenhuma habilidade nata que vai fazer a diferença. Agatha Christie era disléxica e tinha dificuldade para ler e escrever. E ela foi uma autora reconhecida mundialmente. Beethoven era surdo e olha o compositor que ele foi. A falta da "habilidade nata" pode deixar a coisa mais difícil... mas não impossível. Se você quiser, não. Assim como não adianta nada você ter talento e não trabalhá-lo.
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Re: O movimento anti-escola e a educação domiciliar

Mensagem por Marcy em Qua Jul 30, 2014 1:34 pm

Posso desenterrar o assunto? ^^;

Vi esses dias um vídeo que me despertou muita a atenção:



Curioso é que relendo este tópico comecei a entender de fato a situação. Acho que é porque saí do colégio, não sei.
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Re: O movimento anti-escola e a educação domiciliar

Mensagem por Rayana em Qua Jul 30, 2014 5:50 pm

Meu, ri-me imenso! Mas a exposição desse Ken Robinson é espectacular.

Muito do que ele diz aí foi mencionado neste tópico e tenho discutido em conversas entusiasmadas com amigos e família. Não sei se a premissa dele me chegou por via indirecta (alguma leitura ou assim), mas se não for o caso, parece-me positivo porque significa que cada vez mais pessoas estão a aperceber-se que o modelo de ensino tem que ser repensado.

Uma vez argumentaram comigo que a existência de cursos de artes na faculdade já é um sintoma da mudança de padrões do que se considera intelectual ou que vale a pena aprender. Oxalá eu tivesse tido acesso a este video, porque fala do ponto mais fundamental que é a educação que se tem desde criança - depois de adulto já é um pouco tarde porque o cérebro tem uma configuração diferente.

Mas adorei em particular a observação dele a respeito da maneira como os seres humanos lidam com o medo,  e de como a sociedade nos ensina a ter medo de errar, sendo isto que sufoca a criatividade. Nunca tinha pensado no assunto desta maneira!
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Re: O movimento anti-escola e a educação domiciliar

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