Digimon Synthesis

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Mensagem por LANGLEY002 em Dom Out 22, 2017 4:35 am

Capítulo 2: Da batalha floresce a flor.

Mako acabou cochilando. Por sorte não havia nenhum professor na sala, pois esse fora discutir os detalhes de uma excursão planejada para a sala antes do início das férias de verão. Acordou com Sachi, uma menina de óculos que sempre prendia o cabelo num rabo de cavalo, contando, toda animada, uma história. Algo que aconteceu com ela naquela semana.
Levantou o rosto do caderno e olhou diretamente para a outra menina e o grupinho que se juntava em torno dela. Daiki também a ouvia. De repente Sachi parou e começou a encarar Mako com um riso bobo, algumas gargalhadas se seguiram e então a menina percebeu que tinha a folha do caderno colada ao rosto. Soltou-a tão devagar e riu também.
– Está com sono? – Perguntou Daiki.
– Fiquei acordada a noite toda. – Soltou um longo bocejo em seguida.
– A Sachi estava...
– Enfim! – Sachi tomou a vez. – Quando eu estava no Parque de Shinjuku e fugi da chuva, eu juro que vi uma planta andando! Era como uma criança! Uma criança flor. Ela tinha uns olhos tão grandes.
Todos pareciam duvidar do que a garota acabava de contar. O grupinho caiu no riso. Mako, contudo, não conseguiu se distrair de Sachi de modo que a mesma começou a ficar nervosa. Estava prestes a perguntar qual era o problema quando a outra desviou-se para Daiki. O menino se encostou em uma mesa e parecia bastante sério. Encarava o chão, pensativo. Aquilo fez com que o coração de Mako disparasse junto de um frio na espinha.
Abriu a boca, um tanto hesitante e perguntou:
– Você viu algo parecido, Daiki?
E Daiki, antes preso numa divagação, arregalou os olhos e, empalidecendo, fitou os olhos de Mako. Se atrapalhou com a carteira escolar, escorregara os pés, assim a empurrando e caindo de costas ali no chão. A menina logo se levantou e foi em seu socorro enquanto muitos seguravam o riso. Ao olhar para cima, quando se abaixou perto dele, viu Sachi tampando a boca com a mão, abafando uma risada. A primeira franziu a sobrancelha e então esta cessou o riso e deixou as mãos caírem juntas atrás do corpo.
– Não precisa. – Daiki se sentou, respirou fundo e se levantou. Por conta do quanto ele era alto em comparação à média da sala, era um tanto cômico vê-lo caindo ou tentando se levantar num impulso. Se tentava, caía de bunda e tinha de tentar novamente. – Tá tudo bem.
Ele colocou a mesa no lugar pouco antes da professora entrar, então foi até ela e murmurou algo. Logo estava saindo da sala. Kenzou foi o primeiro a vir perguntar para Mako e Sachi se as meninas sabiam o motivo de ele sair daquele jeito. Ninguém o viu durante o intervalo, mas souberam que ele estava na enfermaria.
Depois da aula, Mako perguntou se Sachi poderia lhe mostrar o caminho para a enfermaria. A japonesa a levou até lá. Entraram, olharam em todas as camas, mas não havia ninguém. Apesar de consentirem em dizer que os pais dele deviam tê-lo buscado por estar passando muito mal, havia uma ideia impertinente e insistente na mente de Mako. A de que Daiki sabia bem sobre as coisas que vira naquela semana, como a criatura que vira abaixo de sua janela e o monstrinho rosa e redondo que a fizera ficar acordada até tarde nos últimos dias.
Correu para a casa do avô. Tirou os sapatos na entrada como de costume e, de meias, subiu apressadamente até o quarto. A bicho se escondia debaixo da cama, como ela dissera para fazer. Já duvidava que ele poderia ser algum animal. Era esperto demais, e entendia muito as palavras ditas pela garota para ser apenas um animal.
– Você quer ir passear depois do almoço?
Ela fechou a porta e a bola de pelos rosa veio pulando até ela. Num salto maior chegou a altura do peito de Mako, assim a menina o agarrou e caiu de costas na cama rindo. Ele fez um som estranho que ela atribuiu a felicidade. Estava feliz em vê-la. Também concordava em ir passear.
Então, depois de ela dividir o almoço com ele, além de preencher o espaço inacabável do estômago dele com pães que não saíram muito bonitos, tomaram um banho. Mako se trocou, pôs uma camiseta larga, calça jeans de pernas curtas e tênis. Pediu que ele se escondesse dentro da mochila que tirou do guarda-roupas.
No longo caminho até o parque, ele pôde pensar muito a respeito do que seriam aqueles monstros, qual seria sua reação se visse um dos maiores de perto e o que exatamente Daiki sabia. Talvez Daiki, inclusive, conhecesse o menino moreno que estava no meio da chuva. De repente já imaginava milhões de possíveis motivos para ele estar lá. Talvez ele seja um deles. Ou talvez seja possuído por eles. É possível a possessão? Como ocorre a possessão. Não seria aquilo o que os japoneses chamavam de youkais? Espíritos?
Mas o rosa era tangível e passava a sensação de ser igual a ela. Como poderia algo que passasse aquela sensação ser um espírito? Não. Ele era algo vivo e mortal. Ele tinha até mesmo uma cicatriz. Uma cicatriz tocável e verdadeira, com diferenças de relevo e tudo mais. Mal pôde perceber que já estava chegando. Foi pega de surpresa pelas árvores.
Caminhou pelas trilhas do parque. Vasculhou o máximo que podia antes de ficar cansada. Se abrigou num pavilhão, sentou num banco e deixou que a criaturinha ficasse solta, pois não havia ninguém para vê-lo. Depois pensou no que havia feito, deixando-o dentro da bolsa. A todo momento alguém a tentava avisar de que a bolsa estava aberta. Se fechasse ele poderia ficar sem ar ou algo do tipo, mas aberta, qualquer um poderia ver que o conteúdo era cheio de pelos e tinha olhos estranhamente vermelhos.
Uma sensação de pânico se apossou dela. E se Daiki não tivesse nada a ver com aquelas coisas todas, mas estivesse desconfiando dela depois da pergunta que fez? O que Daiki faria? Até onde sabia, ele poderia ter ido até alguém para contar sobre aquilo e dizer que ela era a culpada por pessoas se assustando com plantas que andavam pelo parque. Mas era loucura. Como alguém poderia acreditar nisso?
Olhou para a direita, não havia ninguém no banco. Nada. Não soube o que pensar. Saltou do banco em pânico. Em torno dela, ali no pavilhão, não o encontrou. Uma fina chuva começava a cair, mas ela teve de sair da proteção. Gritou inúmeros adjetivos que dava ao monstrinho na tentativa de chamar a atenção dele, fazer com que desse um sinal.
Correu pelo parque. Já começava a entrar em pânico. Onde ele estava? Como pôde desaparecer daquele jeito? Tão rápido, tão repentino quanto como chegou. Mas Mako já não conseguiria se desprender dele com facilidade. Não poderia ir embora e deixa-la, não ele. Já estava cansada de se sentir daquela forma. Não conseguia conter a vontade de chorar. Aquilo apenas saiu, escorreu junto da água da chuva, salgou a sua bochecha, inchou o nariz e as pálpebras.
“Localizando Koromon”
– O que? – Buscou pela voz artificial e fria que acabava de ouvir.
“Especificações. Variação incomum, atributo vírus. Cerca de dez quilos, vinte e duas libras, dezesseis gin. Coloração, rosa avermelhado. Número de série: inexistente. Registros: inexistentes.”
Notou que o som vinha dela. Não, não dela, mas do celular em seu bolso. Ao toma-lo, percebeu que a tela de bloqueio fora substituída por uma interface escura onde um pontinho azul piscava. A voz sempre saia acompanhada do movimento no desenho branco de ondas no canto superior esquerdo.
“Localização: dez metros à noroeste. Status: ativo, inerte.”
Um novo pontinho então surgiu. Era vermelho e estava distante do ponto central azul. O primeiro ponto se referia a ela. Enxugou o rosto, limpou os olhos já avermelhados e se precipitou guiada pelo celular. Arfava, as costelas doíam e os pulmões queimavam, mas não pararia agora. Jamais faria algo assim. Precisava alcança-lo enquanto ele, o Koromon, estava parado.
“Atualização. Status: ativo, atordoado, inerte.”
Finalmente o conseguia ver. Estava no meio de algumas árvores, caído. Sabia que respirava: o corpo se expandia e contraia. Mako escolheu ir devagar, passando silenciosamente por detrás de algumas árvores, até que viu a criatura que Sachi lhe descrevera. Seu corpo era pequeno como o de uma criança de seis ou sete anos, com uma barriga arredondada. A boca era larga e os dentinhos pontudos se projetavam para fora, não tinha nariz, apenas olhos enormes e uma flor lilás no lugar de cabelo.
Os braços, que pareciam grandes e grossas folhas com garras, estavam estendidos. Um objeto flutuava. Era azul-prateado e brilhava, mudava de forma sem parar, sempre passando por pirâmides, octaedros e prismas. A planta falava com ele.
“Forma de vida digital hostil detectada. Aruraumon. Classificação: Digimon. Nível: Criança. Atributo: Data. Variação: nobreza, Palmon. Cerca de trinta quilos, sessenta e seis libras ponto um, cinquenta gin ponto quatro. Status: ativa, inerte. Número de série: 1.090.09808. Registros: informações confidenciais, membro oficial da ZSC.”
O Aruraumon começou a se virar. Mako deduziu que havia escutado, mesmo que pouco, a voz que vinha do celular. Como não encontrou nada, decidiu ignorar. Andou até o Koromon, uma das mãos ainda estendida, como se controlasse o objeto flutuante. Apontou a mão na direção do monstrinho inerte, a cor da coisa então mudou de azul para vermelho-rubi. Um laser de scan foi emitido do aparelho. Depois daquela análise, um círculo luminoso apareceu embaixo do rosa e construtos de luz em forma de corda começaram a se enrolar nele.
Mako não pode mais esperar. Pegou a primeira coisa que achou no chão, uma pedra. Ignorou o medo e avançou contra a criança planta, saltou sobre ela e a derrubou. Aproveitando a surpresa, se afastou para que conseguisse jogar a pedra que acertou em cheio o rosto daquele Digimon.
– O que está fazendo com o Koromon? O que está fazendo com o meu amigo!
– Amigo? – Aruraumon se levantou. O objeto flutuante, já azul novamente, rodeava os seus ombros enquanto ela limpava a boca com as mãos. – Mas que droga você está dizendo?
Ela estendeu a mão e o objeto retornou. Antes de aproximá-lo da boca e começar a falar, olhou para o Koromon. As luzes todas sumiram. Franziu o rosto de um jeito horrível. Fez menção de atirar o aparelho ao chão.
– Atualização. Missão comprometida. Forma de vida consciente no local de extração. Especificação: humana em início de fase pubescente.
“Permissão para eliminação.”
– Entendido. – Encarou Mako. A menina sentiu um gelo na espinha. – Considere feito.
O aparelho foi para trás e ficou por ali na forma de um octaedro, não parava de girar.
– Koromon! – Ele não respondia. – Koromon!
“Status: ativo.”
– Koromon!
“Em movimento.”
Koromon saltou até Aruraumon. Pulou em cima da flor no topo de sua cabeça, a fazendo cambalear. Então começou a morder a ponta da pétala. O Digimon ficou profundamente irritado, começou a balançar e tentar acertar o Koromon com as garras. A cada mordida, um espasmo de dor percorria a face dele.
– Não, Koromon! Foge! Foge!
Mas ele continuava mordendo, como se fizesse aquilo por Mako, para que ela ficasse segura. Se eles apenas fugissem, que motivo haveria para acreditar que não seriam pegos de surpresa pelo Digimon num outro dia, num outro lugar? Koromon mordeu mais forte, ainda mais, muito mais forte.
A planta estava em seu limite. Esbravejou com toda a raiva que tinha e as palavras foram ininteligíveis. Conseguiu tocar as garras púrpuras no monstrinho rosa, o apertou. Os braços se esticaram metros acima do corpo, suspendendo-o. Com um movimento para trás e para frente, lançou o pequeno Digimon numa árvore.
Os braços, se esticando ainda mais, fizeram um movimento de meio círculo tentando acertar a menina, que pulou no chão e procurou por outra pedra. Quando a jogou, porém, a flor agarrou com precisão e a fez rachar entre as garras.
Um cansaço incomum se apossava do corpo de Mako. Pela primeira vez ela deu atenção ao cheiro adocicado com ambiente. Como não notara antes que aquele monstro estava a atordoando com a flor que tinha na ponta da cabeça.
– Não... Koromon... Koro...koromon. – Os braços escorregaram e ela caiu sobre a grama. Tentou se arrastar até o monstrinho rosa. Ele gemia de dor depois da pancada contra a árvore.
“Atualização de status: evolução desbloqueada.”
A voz a fez lembrar do celular. A tela escura havia sumido e um outro aplicativo se iniciava sozinho, nele havia uma barra de carregamento. Numa extremidade havia a forma redonda e de orelhas longas do Koromon, na outra, a silhueta de um estranho réptil.
O Koromon se rasgava como um tecido e, de dentro dele, como se escapasse de um buraco, uma fera se impulsionava com as garras. Inicialmente era totalmente negra com incontáveis linhas azuis a envolvendo. Aos poucos uma textura de escamas surgiu, uma pele amarela forte cheia de rajadas prateadas, olhos verdes profundos, um focinho arredondado, uma calda longa. A cicatriz continuou a brilhar e, como se sentisse dor, o réptil virou a cabeça para cima e abrindo a bocarra soltou um rugido.
“Variação incomum: SlashAgumon. Atributo: Desconhecido. Nível: Criança (carece de fontes).”
Apesar de assustador, ele não era grande. Era mais baixo que Mako, mesmo que o corpo fosse um tanto mais longo, mais forte e robusto. Ele correu com o corpo inclinado, se jogou contra Aruraumon. A planta gritou de dor quando a boca cheia de dentes afiados atingiu o seu pescoço. Os braços se esticavam e se enrolavam no réptil, mas toda a sua força não parecia ser suficiente para imobilizá-lo ou esmaga-lo.
– Maldito selvagem! – Agora que saía em grande quantidade, o pólen era visível.
– Slash... – Não tinha certeza se deveria apoiá-lo. Não sabia até onde aquele monstro era o mesmo Koromon que carregou durante a semana. Da criaturinha rosa e peluda, sobrara apenas a cicatriz. A pele dele desaparecera numa poeira luminosa multicolorida. – SlashAgumon!
A fera reagiu. Com uma forte contração fez com que os braços de Aruraumon se rompessem. No mesmo movimento se impulsionara num salto bastante alto. A boca se abriu e um brilho vermelho se expeliu de sua garganta e explodiu contra a criança plante, sendo expandido pelo pólen que cercava a mesma.
Ele caiu próximo a Mako. Quando a fumaça se dissipou, a planta sem braços e cheia de marcas de queimadura e escoriações se arrastava. O aparelho azul estava intacto e este se aproximou da testa dela.
– Isso não termina aqui. Guarde essas palavras, abominação.
O objeto tocou-a na testa e uma luz a envolveu e a fez se reduzir e desaparecer imediatamente. Quando isso aconteceu, Mako só pode cair de joelhos e abraçar a nova forma do amigo. Quando menos esperava, o ouviu dizer.
– Está tudo bem, Mako. – Ela se apertou contra o corpo dele e chorou. – Você não precisa mais ter medo de nada. Eu cresci e não vou deixar ninguém te machucar, tá entendendo.
– Estou. – Gaguejou em meio aos soluços.
Algum tempo passado, a menina se levantou. Secou o rosto mais uma vez e se lembrou de ter abandonado a bolsa para procurar por Koromon. Os dois se apressaram até o pavilhão, mas ao chegar, não havia mais nada. Aquilo parecia inconcebível no cenário em que estavam. Um lugar com quase nenhum movimento e ainda mais no Japão onde os roubos eram quase improváveis.



Era a silhueta de um menino. Caminhava devagar ao lado de outra sombra disforme. Pararam de imediato. A chuva acabava de aumentar. A gotas batiam violentamente contra o guarda-chuva. Apesar de o Sol ainda não ter se posto, as nuvens escureciam o dia a ponto de parecer noite.
O garoto olhou para cima, depois para os carros que pareciam escassos naquela rua. Por fim para a água que enchia as ruas e se escorria pelo meio fio.
– Você tem ideia de quem eram?
– Não. – Respondeu a outra sombra. – Mas isso é um avanço e tanto.
– Como assim?
– Agora sabemos qual é a missão deles. É capturar o SlashAgumon. – Deu uma pausa. Não algo dramático, apenas tentava encontrar algo no meio do turbilhão de pensamentos. – Jurávamos que estavam aqui pela princesa desaparecida. Se ao menos eu pudesse falar com a minha equipe.
– Vamos resolver isso. Você tem o cheiro do Aruraumon e eu sei como encontrar a garota. Iremos vigiá-los até que ele apareça e tomaremos o equipamento dele. Deve ser o suficiente, não?
– Eu não sei como calibrar a frequência, preciso de alguém que faça isso por mim.
– Eu achei que você tinha vindo da rede. – Riu. – Deveria saber que dá pra encontrar de tudo na internet.



A noite chegou chuvosa. Mako tinha uma xícara de chá de gengibre bem quente nas mãos enquanto olhava para a rua lá de cima. Tivera de pegar caixas de papelão no beco para disfarçar SlashAgumon. É claro que elas chamariam a atenção do avô, mas ela poderia logo dizer que fazia parte de um projeto da aula de artes e ele provavelmente não voltaria a perguntar. Era um homem calmo, simples e de idade avançada que o fizera não se importar tanto com besteiras como a neta arrastando caixas de papelão.
Haviam coisas muito mais importantes acontecendo naquele momento. A filha dele, por exemplo, era um problema muito maior. Não sabia quando ela viria ou se viria. Não sabia também como lidaria com o estado emocional de Mako no meio de tudo aquilo que vinha acontecendo. Falara com o diretor da escola e tentava não exigir muito da menina, mas ela parecia sempre se envolver com tudo. O ajudava na padaria, limpava os quartos, cozinhava, lavava roupas e muito mais coisas.
– Agu. – Chamou.
– Mako? – O Digimon dinossauro tinha uma voz bastante infantil. O jeito calmo com que falava agradava muito a menina. Ele logo chegou junto da janela, olhou para fora e depois para Mako. Repetiu isso até a menina falar.
– Não é nada. É melhor ir dormir.
– Mas e a Mako?
– Eu também já vou dormir.
– Você está preocupada?
– Só estou pensando na minha... mãe.
– O que é mãe?
– É uma pessoa que cuida da gente... Eu acho.
– Mako?
– Sim? – Bebericou o chá. Encarou o Digimon, pois ele ficou por muito tempo em silêncio.
– Posso ser a sua mãe?
Ela deu um risinho desajeitado e o abraçou.
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Mensagem por LANGLEY002 em Dom Out 22, 2017 8:38 am

É. Eu gostaria de inserir a Sachi exatamente como um alívio cômico e que as situações com ela sempre trouxessem algo de engraçado ou ao menos algo que amenizasse as demais situações da fanfic. Só que eu não poderei utilizá-la o tempo todo, por isso tenho uma segunda opção para isso que apresentarei logo mais.
O SlashAgumon eu penso que seria bastante parecido com o Agumon X ou ainda uma mistura entre Agumon e Guilmon. Ele não é tão baixinho e "gordinho" quanto um Agumon comum e tem uma cauda bastante longa. Além da cicatriz no rosto, outra marca importante são as linhas prateadas pelo corpo (semelhantes às marcas azuis presentes no Greymon, para dar uma ideia).
Aruraumon é uma referência a uma personagem de cartoon que eu gosto muito, apesar de haver algumas mudanças. Digamos que existam sociedades de Digimon Planta e Fada. Numa dessas socieade a Aruraumon seria uma nobre, enquanto a Palmon seria uma cidadã comum. Aqui a variação seria como uma herança de sangue azul. E Aruraumon foi escolhida para ser o principal inimigo de um dos membros da equipe de protagonistas... ao menos entre o primeiro e segundo arco.
O Daiki não tem nenhuma confirmação sobre ser um tamer ou sobre ser a pessoa que esteve no parque enquanto Mako e SlashAgumon estavam em confronto com Aruraumon. Mas já adianto que não planejo usar um Gabumon como parceiro de nenhum personagem humano. Talvez eu mude de ideia no futuro. Eu me lembro de ter um lugar especial para um Psychemon logo mais. Eu adoro a variação Psychemon e gostaria muito de usar algo relacionado a ele.
Enfim a princesa desaparecida. É uma trama que terá grande importância na trama principal. Afinal, como não poderia ser? Ela é supostamente um tipo de líder ou símbolo político dentro do Mundo Digital. A presença dela na Terra será logo explicada.
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Mensagem por LANGLEY002 em Sex Out 27, 2017 12:45 am

Capítulo 3: Homem Primata.


A cabeça amarela emergiu da água. As árvores do parque que o cercavam o impediam de ver muito longe e a água o impedia de sentir os cheiros com tanta precisão. Não bastasse isso, aquelas coisinhas que vieram se achegando tinham o mesmo tipo de cheiro que se encontra no meio da vegetação. Eram eles como a vegetação deveria ser. Se surpreendeu quando, ao sair da água, deu de cara com meia dúzia deles. Todos iguaizinhos.
Rosnou e eles se encolheram. Não passavam de bolinhas verdes, observou o réptil. O rosto era branco, os olhos num tom rosa avermelhado, quatro patas que de tão pequenas eram quase inexistentes. Do dominante verde de seus corpos, bem no alto, saia um broto todo enrolado com duas grandes folhas, grande para eles que eram incrivelmente pequenos. Tão pequenos quanto ele quando não passava de um Koromon.
Qualquer um, mesmo um tão inocente e inexperiente quanto ele, teria ideia do que se passava. Eles todos vinham de Aruraumon. O observaram durante todo o tempo em que estivera ali. Botou-os para correr ao avançar em direção a um deles. Fugiram como pudera, saltando e rolando e rodando o broto que tinham nas costas.
Logo era hora da Mako vir e ela veio. Saiu da escola direto para o parque. Depois pegaram becos até a porta dos fundos da padaria do avô. E já ia ela subindo com as caixas que ela fingia arrastar. Disse ao avô que fazia parte de um projeto do clube de cinema. Agora ela mesmo usava o clube de cinema, que há muito nada produzia, como escapatória para algo. Igualzinho ao aluno que não vinha a semana toda para a escola.
– E então? – Perguntou ela, pousando a tigela de miso sobre a cama para o SlashAgumon que logo ergueu com as duas garras e começou a engolir a sopa. – Foi bom?
– Gosto do parque. – E devolveu a tigela totalmente vazia. Arrotou. Arrotou alto. Mako temeu que o avô tivesse escutado. Pensaria que foi ela e talvez implicasse. Isso não era coisa para uma menina fazer. Já tinha treze anos, quase catorze. Era uma mocinha. Na época dele as moças pensavam, pensavam no tipo de coisa que pensavam. Ela riu ao pensar nisso. – Mako?
– Estava só pensando numas coisas... engraçadas.
– Mas Aruraumon sabe que eu estava no parque.
– Como? – O olhar descontraído da menina perdeu lugar para um espasmo.
– Haviam umas coisinhas lá. Eram de folha igual a ela.
E então o celular de Mako apitou. Ao abrir, vinha uma notificação do aplicativo estranho que surgira no dia em que Koromon se transformou. Ela não conseguia ler o nome, nem mesmo seu celular conseguia. Os retângulos mostravam que eram algarismos desconhecidos pelo sistema.
Ao abrir, uma imagem surgiu. O réptil apontou surpreso e disse que eram iguais àquilo. Tanemon. Uma voz artificial começou a dizer pequenos detalhes técnicos sobre eles, terminando com uma informação sobre as Palmon operárias e as Aruraumon guerreiras que nasciam numa das cidade-estado de Ellada. Mako ficou lendo e relendo o nome, muito curiosa. Pensou em perguntar ao celular, digitar, qualquer coisa. Mas ele não respondia e ela não tinha ideia de como funcionava.
SlashAgumon também demonstrou muita dúvida sobre o que era quando ela perguntou.
– O que é Ellada?
– Hm... – Primeiro, parecia que algo ali lhe chamava a atenção. Como se puxasse algo de sua memória. Então levou uma das unhas prateadas ao queixo numa clássica expressão de confusão e disse: – Eu não sei. Mas me dá uma fome.
A menina suspirou, depois o encarou nos olhos verdes. Vendo a expressão, tão natural, tão pura, não conteve o riso. Ela sabia que deveria se tratar de uma região ou algo do tipo, o que explicaria o termo cidade-estado aparecer. Tivera aulas sobre essas coisas. Vira muito sobre o nascimento da sociedade ocidental quando morava junto dos pais nos Estados Unidos. Até visitara museus.
Lembrar dos pais a deixou um pouco triste. Saber que não estavam ali com ela. Deveriam estar. Ela era a filha deles e era o dever dos mesmos cuidar dela, ao menos até que ela pudesse andar sozinha. Metaforicamente, é claro, pensava. Já sabia andar há muito tempo. Julgava andar muito bem. Não tinha o que reclamar das pernas, mesmo que quisesse que fossem mais compridas, como da Cara, que tão nova já tirava fotos como uma modelo de verdade. Mas não para fazer aquilo, mas sim para correr. Correr muito e se esconder e então ir para outro mundo onde tudo era colorido e vivo e saboroso, muito bom e feliz.
Se jogou de costas na cama. Fitou o teto. O queixo de SlashAgumon não demorou a aparecer. Inclinou o rosto para ver o rosto de Mako. Queria perguntar se havia algo errado, mas ao ver a garota forçar um sorriso, deitou sobre ela. O seu corpo era quente, diferente de qualquer réptil que Mako tinha visto, e suas escamas não eram ásperas. Eram macias como a pele de uma pessoa boa de se abraçar. Ela apertou os braços nele e não soltou até adormecer. Então ele se sentou atrás da porta, para que o avô não o visse caso abrisse.


Mako imediatamente constatou: os cabelos de Noriko cheiravam a shampoo e cigarros. Mais que isso. Noriko tinha um agradável cheiro de uma fragrância amadeirada e ao mesmo tempo floral misturado ao cheiro de cigarros. Os cabelos da professora tocavam no pescoço de Mako enquanto ela olhava para o caderno. A menina queria dizer que estava prestando atenção, não só desenhando, mas acabara presa na sensação de ter os cabelos de Noriko roçando nela.
A sensação de ter a mãe a observando de muito perto.
– Mako.
– Sim, professora. – Espantou-se. O tom da professora nunca revelava sua real intenção. Não dava pista de seus sentimentos.
– Interessantes os desenhos. – A professora agachou e na verdade tinha uma expressão amigável. – Mas, duas coisas. Você precisa aperfeiçoar e a aula de gramática é tão interessante quanto e lhe dará muitas ideias sobre o que desenhar.
Para a garota, aqueles desenhos não eram bons ou bonitos. Eram rabiscos estranhos que fizera do Digimon. Haviam vários de SlashAgumon, mas também um de traço muito forte do Aruraumon que ela fizera questão de cercar com uma sombra e dar olhos assustadores. Ela não sabia o que exatamente a professora via ali.
– Prometo que estou ouvindo, professora.
A professora concordou. Então se levantou e foi até outra mesa.
Mako percebeu pela primeira vez o menino. Ele não estivera em nenhum outro dia daquela semana. Era magro e moreno. Começou a pensar se não era o menino que viu na janela naquele dia, mas já era uma coisa tão distante que pouco a amedrontou. Não sabia o quanto daquilo fora real e não poderia dizer que qualquer imigrante ou intercambiário latino fosse alguém acompanhado de um assustador Digimon roxo que andava nas madrugadas chuvosas de Toquio caçando sabe-se lá o que.
Mas quando viu Daiki o olhando, teve uma sensação estranha. Também concluiu que fosse ele o menino do clube de cinema. Ela mal conversara com Daiki naquele dia, o menino parecia estranhamente distante. Fora para o refeitório com a Sachi e outras meninas.
A menina de óculos comentou algo que deixou Mako muito encabulada.
– Acho que o Daiki gosta de você. – Ela disse.
– Como? O que? – Os olhos cansados se abriram para encarar o grupinho de meninas em meio aos risinhos.
– Sim. Desde que você chegou os meninos começaram a falar sobre quem seria o primeiro a chamar você para sair.
– Mas... Sair? Eu? Por quê?
– Acharam você bonitinha. – Levou o dedo ao queixo, os olhos para cima. – Mas aí o Kenzou, sabe ele?, que é amigo do Daiki, disse que esse ano conseguiria ajudar o Daiki com as meninas. Que o Daiki precisava de confiança. Falou que ninguém deveria tentar chamar você, porque o Daiki gostou de você. Você é bonita, inteligente e gentil. O Daiki que pensa.
– Mas eu nunca dei nenhum motivo pra ele gostar de mim! – Encostou na cadeira, toda vermelha.
– Preferia que odiassem você? – Sachi se inclinou sobre a mesa, acompanhando o movimento de Mako e assim mantendo a proximidade.
– Nunca dei motivo para... para isso também! – Começava a gaguejar. As bochechas ferviam. Tinha percebido que o Kenzou e os outros meninos amigos de Daiki estavam sempre observando nos corredores sempre que ela conversava com ele. Mas queria afastar como podia aquela ideia. Não tinha ideia de como lidar com aquele tipo de situação.
Quando voltou para a escola durante a tarde, estava pensando nisso. Subiu até o clube de cinema para ficar sozinha por um momento antes de procurar pelos amigos, mas ao abrir a porta de correr, levou um susto. Lá estava o menino moreno de costas para ela. Ele olhava o jardim e o pátio da escola pela janela que se voltava ao centro entre os dois prédios. Não era muito alto. Era mais baixo que Kenzou. Mas não podia dizer que fosse pequeno demais para a média dos meninos no Japão.
Tinha a altura dela. Notou.
Ele estava distraído demais para perceber que ela chegou. Mas ela já se arrependia de vir. Não bastasse a discussão com Sachi sobre Daiki, agora encontrava um menino ali dentro. Ela que vivera tanto tempo na América e não se acostumava de forma alguma a usar aquelas saias do uniforme nipônico.
O menino tirou os braços do parapeito. Espreguiçou e então se virou. A camisa branca estava em contraste com a pele, o paletó cinzento estava sobre uma mesa, não podendo quebrar o efeito como faria se vestido. O cabeço dele era levemente ondulado, mas estava médio, com um pouco de franja bagunçada. Nas laterais era muito menor, quase raspado.
Ela percebeu que havia um machucado abaixo do olho direito e no canto dos lábios. O nariz tinha sangue seco. Quando o moreno a viu, levou a mão ao nariz para tentar esconder, como que com vergonha daquilo. Mas ela logo se preocupava, mesmo que ele fosse desconhecido. Se derretia naquela situação. Olhar para ele era como olhar para Koromon. Olhar para ele também era como olhar para um gato. Um gato de rua, maltratado. Os olhos dele tinham aquele formato e ela o comparou com um gato assim como fizera com Koromon. Olhos assustados, não vermelhos como os do monstrinho rosa.
– Hamasaki-san, não é? – Ele ainda tapava o nariz.
– O que aconteceu?
– Isso? – Ele apontou para os machucados. – Isso não é nada.
Só depois de ver os machucados é que ela percebia. O paletó estava todo sujo e amassado, as calças tinham algumas manchas de sujeira também. A camisa estava tão desalinhada quanto a franja rebelde do menino.
– Alguém brigou com você?
– Olha, não precisa, mesmo. – Desviou o rosto. Olhou para cima. Agora pensava que era ele o culpado. O culpado de tudo. Não deveria ter respondido quando Daiki veio lhe dar um sermão sobre as faltas. Ele era o representante da sala e todos gostavam dele. E todos buscavam sempre um motivo para brigar com pessoas como ele. Kenzou parecia ter sempre alguma coisa contra ele.
– Eu vou chamar alguém...
– Não. Não. – Pensou bem e decidiu agradecer. – Obrigado, Hamasaki-san. Depois desviou o olhar de novo. Ela fez o mesmo, pois nunca recebera um agradecimento como aquele. Não de uma pessoa. Poderia ser apenas imaginação da garota, mas o modo como o menino encarou, tão fundo nos olhos, não era como as outras pessoas.
– Você é estranho... – Murmurou. Percebendo o que dissera, metera as duas mãos sobre a boca e torcera para que ele não tivesse escutado.
– Disse algo, Hamasaki-san? – A voz saiu firme, mesmo que ele se retraísse debruçado sobre a mesa.
Mako chegou mais perto para ver o que ele fazia. Sentiu inveja de imediato. Ele desenhava infinitamente melhor que ela. Apesar de não ser exato, ele tinha um esboço muito bonito do rosto de Noriko (mesmo que pensasse ela que qualquer coisa envolvendo o rosto de Noriko seria algo bonito).
– Noriko?
O menino a encarou.
– Ela me pediu. – Fechou o caderno de imediato. Enfiou todo o material que usava na maleta que se ocultava quase completamente sob a blusa. Puxou a blusa amassada e suja também e foi em direção à porta. Mako tentou chama-lo, mas foi interrompida. – Tenho que ir.
Depois disso ela desceu até o jardim. Encontrou Sachi junto das amigas e um grupo de meninos que envolvia Daiki e Kenzou. O menino alto parecia muito menor agora que se encolhia num canto, distante do restante, muito preocupado e triste. Percebeu que Sachi estava muito nervosa e apontava o dedo para Kenzou.
Juntando todas aquelas informações, concluiu que era Kenzou o autor dos machucados do menino moreno. Uma força a impulsionou. Viu Aruraumon em Kenzou e em si própria enxergava SlashAgumon. Lhe daria um tapa no rosto se não fosse o celular começando a vibrar. Ao puxar, lá estava o aplicativo dando um alerta. Uma interface diferente lhe mostrou a localização de SlashAgumon. Ele estava um pouco longe de casa. Ela começava a se perguntar o que havia acontecido quando a tela se modificou para o já conhecido radar. Um ponto vermelho surgira identificando um outro Digimon.
Mako saiu da escola apressada, nem mesmo tomando o cuidado para que não chamasse atenção. Correu por ruas e calçadas checando as informações do visor. Esbarrava em algumas pessoas e pedia desculpas, outras vezes desviava. Adiantava-se sobre faixas de pedestres para ter certeza que conseguiria antes de o sinal abrir. Logo estava num enorme espaço entre prédios. Olho para os degraus e corrimãos, para a parte plana. Notou que havia uma estranha névoa surgindo próxima do chão e começando a subir.
Ao respirar, contudo, mudou de ideia. Não era névoa. Era poeira. Avistou SlashAgumon arfando. Haviam algumas escoriações. Um dos joelhos tocava o chão, o outro se curvava. Para encontrar apoio, usou uma das garras. O outro braço na frente do rosto. Seus olhos eram sempre diferentes quando enfrentava alguma coisa. A íris mudava de forma. Eram verdadeiros olhos de réptil, ou então de dragão.
– SlashAgumon!
O Digimon a olhou por um breve momento. Teve de se voltar para o outro lado quando a grande figura humanoide e amarela veio em sua direção. Era como um primata. A pele sob os pelos ásperos era preta. Quando decidiu atacar, as mãos, desproporcionalmente grandes, portavam um enorme osso.
A criança dragão por pouco conseguiu desviar. Saltara sobre o golpe e demonstrara agilidade ao, caindo sobre o braço do outro, revidar com um golpe com a cauda. Depois caiu para trás do monstro humanoide. Este lhe acertou um chute. O enorme pé cinzento apertou o rosto SlashAgumon contra o chão.
Mako escutou os estralos e começou a correr na direção deles. O chão se rachava sob a força bruta daquele Digimon. O réptil rosnava de forma assustadora, como quando se tenta segurar fechada a boca de um cão enraivecido. A menina tinha visto prova da força de seu parceiro quando os braços da menina flor foram arrancados por ele, mas não esperava que as suas garras, que se esforçavam para erguê-lo contra a opressão daquele pé, fossem fortes ao ponto de abrir mais rachaduras no chão de concreto.
A cabeça se erguia oscilante e lentamente, as unhas prateadas cravavam em sulcos na pedra. Num impulso, no tempo de um rugido, ele se jogou para cima. A perna do outro Digimon, elevada por aquele golpe, o fizera desequilibrar e logo fora abocanhada por SlashAgumon. Com aqueles olhos assustadores, com aqueles dentes afiados, ele apertava ainda rosnando. Viu os músculos de seu pescoço saltarem e então ele jogou o homem macaco para o outro lado. O osso escapou de suas mãos.
Chutou o réptil com o pé que estava livre. Ele rodopiou no ar e caiu agachado, exatamente como Mako o encontrara ao chegar ali. A menina ficava nervosa com a situação. Apesar de saber a força de SlashAgumon, o outro parecia tão maior, além de mais velho. Agora, ferido, alternando entre olhar para o tornozelo dilacerado e o osso que usava de arma, se arrastava para recuperar o objeto.
Chegou no celular.
“Forma de vida digital hostil detectada: Hanumon. Classificação: Digimon. Nível: Adulto. Atributo: Vacina. Cerca de cento e quarenta quilos, trezentas e oito libras. Status: ativo. Número de série: indisponível (pós-ruptura). Registros: Informações confidenciais, membro oficial da ZSC.”
O aparecimento da sigla ZSC lhe era a maior preocupação. O parceiro já lhe dissera que Aruraumon o observava por meio dos pequenos Tanemons. Agora via aquela mesma sigla, qual antes designou o grupo ao qual a criança planta pertencia. Mas não entendia como Aruraumon poderia ser mais velho ou superior àquele monstro, quando esse era dito como adulto. Apenas entendia isso quando o aplicativo se recusava a informar um número de série, alegando que ele vinha da pós-ruptura.
Tantas perguntas vinham e eram suprimidas pela adrenalina. Queria gritar para o seu parceiro, queria o apoiar e então ela mesma saltar sobre aquele outro, aquele mal que o tentava ferir. Não o queria ver ferido. E naquele momento pensou em Kenzou e em tudo o que vira na escola naquele dia. Quando ela gritou, o seu peito esquentou e sentiu que aquilo também tivera algum efeito no dragão.
– Agu!
SlashAgumon se levantou para avançar contra o Hanumon que acabava de levantar. Passou por debaixo do bastão de osso e o atingiu no tórax com uma cabeçada. Então veio novamente o bastão, o acertou em cheio na nuca. O fez se desorientar por alguns segundos. Balançou em campo de batalha para se equilibrar bem quando o macaco se aproximava correndo, os braços sobre o corpo para descer-lhe o bastão. Se esquivou para o lado e o golpe abriu uma cratera no chão. Levantou mais poeira.
– Olha aqui seu verme! – Hanumon parecia muito irritado com a maneira como o outro lhe escapava. Jogou o bastão de osso para trás e numa posição de boxe, mirou os punhos em SlashAgumon. As mãos começaram a brilhar em brasa. Acertou um jeb com a mão esquerda, um direto com a direita. O rosto do outro se virando de acordo com a direção em que era acertado. Veio mais um gancho. O dragão explodiu para cima. Caiu longe, colou barriga e queixo no chão. – Isso acaba aqui.
Mako fechou os olhos com força. Abriu e percebeu que o homem besta de pelos espetados e amarelos não saíra do lugar. Não atacara novamente. Estendia a mão e o aparelhinho azul e flutuante, oscilando entre formas geométricas perfeitas, vinha até perto da sua boca. Disse algo baixinho. Olhou para a garota e ela gelou novamente. Alternou entre ele e o Digimon caído. Tinha de fazer alguma coisa. Sabia que Hanumon levaria SlashAgumon se não fizesse e sabia que ele iria feri-la mesmo que não agisse para impedi-lo.
Mas diferente do que acontecera antes, ali não haviam pedras de bom tamanho para ela jogar, apenas os resultados dos golpes de Hanumon contra o chão.
O primata deixou o aparelho se esconder no meio dos pelos. Ao olhar para SlashAgumon, disse:
– Esse já não é um problema. – Riu. Tinha uma voz grave. Para Mako, paralisada ali, tremendo, não era apenas assustadora. Era asquerosa. O tipo de coisa grotesca que nos faz arder o estômago. – Vai voltar para o lugar de onde nunca deveria ter saído. Mas você... – Apontou um dos dedos escuros para ela. As unhas eram como unhas humanas em formato, embora mais espessas. As dele estavam grandes ao ponto de se curvarem levemente. – Isso me enoja tanto que não tenho palavras. Maldita raça. Relação impura. Por sorte o mestre de Ellada já não aceita isso. Humanos e Digimons juntos. – Fez uma careta. – Ainda mais uma humana que aceita uma aberração como aquela! Você deve...
Irá dizer que ela dever morrer. Perecer. Apodrecer. Algo do tipo. Fecha os olhos, fecha muito forte. Imagina SlashAgumon levantar. Imagina ter pernas compridas e braços fortes. Imagina correr com ele nos braços, para um mundo colorido onde tudo é bom, onde tudo é saboroso, onde tudo é feliz. Tem certeza que assim que abrir verá as mãos grandes do outro Digimon prontas para fechar em torno de seu pescoço que será como um graveto para ele.
Mas escuta o som de metal batendo. Depois um baque surdo. Ao abrir os olhos, Hapemon está caído, tentando se levantar. A visão turva a impede de ver claramente as duas figuras que se aproximam.
– É impressionante, não é? – Disse uma voz familiar. – Como mesmo sem tentar eu sempre acabo no meio de uma dessas brigas.
Mako esfrega os olhos. Ao adaptar a visão, percebe o menino moreno. Quer gritar: é ele! É ele! E ele se aproxima mais. O outro Digimon, um dragão coberto de pelos púrpura, corre em torno de Hanumon e SlashAgumon vem junto dele. Cada um avança por um dos francos. Não acertam o outro naquela primeira tentativa, mas ele rodopia desorientado.
Aproveitando a distração que aquele novo Digimon causava, SlashAgumon consegue acertar a garra nas costas de Hanumon. Ao urrar de dor, os braços se abrem. A guarda de defesa se desmancha. O réptil dispara quatro bolas de fogo ao circular o oponente. Este último derruba as duas mãos sobre o chão.
Numa última tentativa, anda de quatro num empurrão. Joga o roxo ao chão, mas SlashAgumon o encara de frente. Põe as garras contra ele. Os pés firmes no chão derrapam de início, mas por fim se fixam abrindo sulcos no concreto.
– Maldita aberração! – Salta para traz para buscar uma forma mais eficiente de revidar. Ao se ver cercado pelos dois dragões, ambos com as bocarras abertas, as gargantas brilhando, puxa o aparelho azul rápido. O aperta sobre a mão. O corpo começa a se desmanchar envolto em luz azul. Os répteis tentam acertá-lo inutilmente.
Mako se sente aliviada ao perceber que ele, o Digimon adulto, se foi. Mas ela não quer chorar como quando SlashAgumon enfrentou Aruraumon. Ela não pode ser tão fraca. Não pode ser sempre assim. Não pode ser sempre assim. Nãopodesersempreassim!
Uma mão toca em seu ombro. Ela o retesa espantada. O menino moreno a encara. O olhar em si é um pedido de desculpas. Por deixa-la falando sozinha talvez.
– Está bem, Hamasaki-san? – Ele tenta forçar um sorriso. Ela pensa que ele não está acostumado a sorrir.
Ela não chora. Mas também não responde de imediato. Suspira e vê o SlashAgumon chegando. O abraça cheia de preocupação. Nunca tivera um irmão, se tivesse, o abraçaria a todo momento. O abraçaria daquela forma, para se sentir quente.
– Tudo bem, Mako. Aquele macaquinho não era nada para mim. Eu acabei com ele.
– É claro que acabou. – E, se voltando para o menino. – Obrigada.
– Eu estava te devendo essa, imagino. – Ele dá de ombros. – De qualquer forma, sou Daniel Castellanos. Acho que está acostumada a essa ordem. – Abaixa os olhos, suspira. É como se buscasse um modo de falar, de falar sobre um assunto complicado. Talvez até mesmo chato. – Acho que precisamos conversar. É uma coisa bem importante.
Ela mal escuta quando o celular fala sobre o outro Dragão, o roxo de focinho branco. Dorumon, diz a voz artificial. Forma de vida digital neutra.
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Mensagem por LANGLEY002 em Sex Out 27, 2017 12:53 am

Nota

Bem, o que posso dizer? Eu avisei sobre Daiki. Tenho certeza de que avisei.

No próximo capítulo, finalmente a reunião dos nossos protagonistas e o aparecimento da princesa perdida.
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Mensagem por LANGLEY002 em Sex Out 27, 2017 8:41 am

KaiserLeomon escreveu:Interessante o capitulo Kyu . Quer dizer que Aruraumon veio acompanhada de algumas pequenas Tanemon ? A reação de SlashAgumon contra eles foi quase igual a que os Digimon de Digimon Tamers tinham quando estavam na próximidade uns dos outros , uma fúria natural que os compelia a quererem lutar . SlashAgumon parece um Digimon tremendamente selvagem com comportamento folgado e cheio de maus modos . O que tem a mãe da Mako para ela se sentir tão preocupada toda vez que pensa nela ? E o que exatamente é Ellada ? Tem haver com a palavra "Hélade" que designa todos os povos do mundo grego antigo que receberam um nome, Hélade. O primeiro registro deste termo se remonta ao período homérico e foi usado para se referir à região de Tessália, a pátria dos helenos. No entanto, o termo Hélade não era usado simplesmente num um sentido geográfico, mas sim ao conjunto de valores e ideais que conformavam a civilização grega.A civilização grega se estabeleceu nos territórios da Ática e do Peloponeso, na costa do Mar Egeu e das ilhas da região. Os diversos povos gregos não formavam uma nação como entendemos hoje em dia, mas tinham uma língua que os reuniam: o grego, assim como as tradições que os mantém unidos culturalmente. Isso significa que você pretende usar o Digital World: Iliad e Homeros ? Legal se por acaso for assim eu sei que gostaria muito de ver os 12 Olimpianos . Gostei muito da professora Nuriko ela pareceu ser daquele tipo de Professora amavel , gentil e atenciosa que todos os alunos gostam . E novamente Sachi roubando a cena da Mako desse jeito ela vai se tornar mais popular para os leitores do que a própria protagonista da fanfic . Poxa Kyu não vai me dizer que o Daiki bateu no Kenzou até tirar sangue dele e feri-lo ? Ele por acaso é daqueles tipos de personagens que por sob a fachada inocente escondem alguém muito perigoso ? E SlashAgumon já tem que lutar de cara com um Digimon Champion Level igual aquele canalha do Hanumon sem nem ao menos ocorrer o " milagre " dele evoluir durante a luta por causa de sua preocupação com Mako . Deu raiva de Hanumon quando ele começou a chamar o ser humano de " criatura inferiora " ao se dirigir a Mako e dizer que felizmente o " Mestre de Ellada " não permitia mais a união de Digimon com " criaturas repugnantes " iguais a ela . Uma coisa que eu não perguntei no comentario anterior : O Que é essa tal de "ZSC" ? O momento de desespero que Mako sentiu quando se viu totalmente a merce de Hanumon sem poder contar com a ajuda de SlashAgumon quase chorando de desespero quando é salva por Dorumon . Adorei você ter incluido esse Digimon na fanfic significa que poderemos ter Alphamon no futuro . Quem é o misterioso Daniel Castellanos ? Enfim otimo capitulo Kyu aguardo mais ?  

Vamos começar por Daiki. Daiki é sim um menino gentil e bastante calmo. Quando disse que avisei sobre ele era sobre ele não ser o menino que observava Mako durante a luta com Aruraumon. E não foi ele quem brigou. Foi Kenzou, amigo de infância dele e capitão do time de badminton da escola. Daniel é o menino que estava machucado quando Mako chegou à sala do clube de cinema. Ele tinha faltado durante alguns dias e quando apareceu, Daiki o procurou para lhe dar um sermão sobre as faltas, ele respondeu e isso bastou de motivo para Kenzou o atacar. Não é uma situação que eu queria deixar totalmente explícita, mas as meninas, incluindo Sachi, e Daiki, tentaram impedir. Quando Mako chega ao pátio, Sachi está discutindo com Kenzou por conta do que ele fez com o outro.

Daniel também é o menino que Mako viu pela janela e aquele que a observou durante o confronto com Aruraumon. Ele só não esperava que seria tão fácil encontrá-la, mas isso é coisa para o próximo capítulo.

E exatamente. Ellada é mesmo uma referência ao termo que designava os povos de língua e cultura grega. Mas não posso ir muito além no que exatamente é a Ellada. O mesmo para a ZSC, que só posso adiantar que funciona de uma forma parecida com as agências de inteligência e segurança nacional que vemos nos filmes e séries de espionagem. O título da ZSC tem muito a ver com o lugar onde foi criada.

A preocupação de Mako com os pais e a relação entre Noriko e Daniel serão explicadas em breve.
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Mensagem por LANGLEY002 em Sex Out 27, 2017 8:43 am

KaiserLeomon escreveu:
Mr. Pines escreveu:Nota

Bem, o que posso dizer? Eu avisei sobre Daiki. Tenho certeza de que avisei.

No próximo capítulo, finalmente a reunião dos nossos protagonistas e o aparecimento da princesa perdida.

Eu honestamente pensava que ele ia fazer alguma coisa como surgir de surpresa ao final do episódio acompanhado de seu Digimon atacar e deixar seriamente ferido SlashAgumon e roubar o Digivice de Mako ...

Não. Não imagino Daiki fazendo algo assim. O problema de Daiki é outro e os problemas de Daniel com ele são claramente explicados com isso. Há uma oposição entre esse ponto que existe em Daiki e a personalidade de Daniel.

E Mako nem mesmo tem um Digivice. Talvez por isso o SlashAgumon nem tenha conseguido evoluir. Que belo spoiler.
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