Digimon Synthesis

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Re: Digimon Synthesis

Mensagem por Mr. Pines em Sex Nov 03, 2017 3:51 pm

Ah, bem... Achei que era perfeito que Mako manifestasse o amor como sua fonte de força. Afinal, o motivo pelo qual ela sofre tanto com os problemas dos pais ou qualquer outra coisa é o fato de sentir muito esse amor.

O SlashAgumon acabou de "nascer" tecnicamente. Também é algo que parece se encaixar, a inocência dele em contraste com a agressividade de quando luta.

E Sgarfirdramon é originário da palavra "sgarfr" da língua galesa e significa cicatriz. Eu tinha muita dúvida sobre como iria nomeá-lo, mas me pareceu uma boa utilizar essa palavra.

E o tiro que Mako disse ter ouvido veio exatamente do meio da mata onde estava aquela silhueta. Ela nem se deu conta que aquilo atingiu Sgarfirdramon. Só percebeu quando, ao olhar para o lado, viu um SlashAgumon exausto. O que aconteceu foi que a evolução foi desestabilizada. Já o objeto azul, é o multifuncional da ZSC que está sempre mudando de forma, alternando entre formas geométricas espaciais. Ele não matou Birdramon, mas a transportou segundo o comando do usuário.

Sobre o ENEM, estou tentando me esquecer um pouco disso durante essa semana. A minha sorte é que é possível responder o ENEM com base em lógica. A escola em que estudo, uma ETEC, cobra muito dos alunos. Mas ao mesmo tempo que nosso tempo de estudo é tomado pelos montes de trabalhos, a qualidade de ensino não tem sido das melhores. Tenho muito a reclamar de meus atuais professores. Seja como for, não é meu objetivo entrar imediatamente na universidade, apenas não quero uma pontuação que decepcione a mim mesmo.
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Re: Digimon Synthesis

Mensagem por KaiserLeomon em Sex Nov 03, 2017 3:59 pm

Ok Pines eu compreendo . Espero sinceramente que tenha uma boa sorte na prova do ENEM e que consiga uma boa nota . Enquanto isso acompanharei a fanfic e seu novo arco de historias . Abraços .
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Re: Digimon Synthesis

Mensagem por Mr. Pines em Sab Nov 04, 2017 7:16 pm

Capítulo 4 editado. Apenas umas duas ou três palavrinhas que levariam a um enorme furo na história.
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Re: Digimon Synthesis

Mensagem por KaiserLeomon em Dom Nov 05, 2017 3:33 am

Ok Pines . Sem problemas quanto a isso .
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Re: Digimon Synthesis

Mensagem por Mr. Pines em Seg Nov 06, 2017 6:35 pm

Capítulo 7: Noite de Perigosa Aventura.

Já passava das nove horas quando Daniel acordou. Ainda na mesa de Noriko. Levantou o rosto dormente e amassado. Ajeitou a jaqueta e fez menção de se levantar. O som da TV estava consideravelmente alto e as falas e sons de um jornal eram entrecortados por um chiado, como se a cada minuto o sinal recebesse uma interferência.
Dorumon ergueu as orelhas. Daniel perguntaria sobre Noriko, mas escutou logo os sons no banheiro. Frascos de plástico batendo contra o chão. Balançou a cabeça, tentou voltar ao que falavam antes de a mulher se levantar e demorar tanto para voltar que acabou pegando no sono.
“Você tem uma irmã?”
“O que?”
“Aquela foto.”
– Você recebeu umas mensagens. – Dorumon empurrou o celular através da mesa. O menino tomou o objeto para checar.
– É só a Sachi. – Colocou novamente sobre a mesa, a tela virada para baixo. Bocejou e se espreguiçou. Apalpou o bule para ver se o chá ainda estava quente e então encheu uma xícara. Bebeu um gole.
– E se for algo importante?
– Vindo da Sachi...? – Suspirou. – Não quero me aborrecer.
O Digimon esticou o pescoço, olhou o aparelho prateado de cima. Era de alguma marca chinesa e o menino o comprou pela fotografia. Fotografara por Tokyo enquanto andava com o parceiro lutando contra a ZSC. Gostava do efeito pálido que a chuva dava às fotos sem a necessidade de edição. Era melancólico, era melancólico como ele.
Onde há água, há ácido, aprendeu cedo. A acidez corrói, é assim que é. As reações são tão fortes. Se sentia como água, onde estava acontecia a corrosão. Aqueles a sua volta... Era assim que se sentia.
– Ela parece gostar muito de você.
– É por isso que... – Parou. Era estranho falar sobre isso. Não era comum ver as pessoas falando sobre isso, então falar sobre isso só poderia ser estranho. – É por isso que não entendo o que se passa na cabeça dela.
Noriko voltou. Tinha o telefone numa mão, um frasco na outra. Pousou o frasco sobre o balcão, foi até a TV. Não parava de falar, mas falava baixo, como se não quisesse que o menino soubesse do que se tratava. Quando desligou o celular e o jogou no sofá, fez sinal para que o garoto fosse até ela. Como ele não atendeu, não imediatamente, ela disse:
– Você tem que ver isso.
Andou despreocupado. Parou bem ao lado da mulher, depois, visualizou o aparelho. Os helicópteros, sob a chuva forte, mostravam um clarão avermelhado descendo do céu e atingindo um prédio. As teorias pipocavam em textos, as imagens eram substituídas por policiais tentando manter a calma e vídeos do prédio atingido.
Terrorismo foi a primeira coisa a ser colocada no topo das possibilidades. Um ataque da Coréia, disseram. Coréia? Não pensou ter escutado bem, mas então se lembrou da situação política do Norte. Seu pai falava daquilo o tempo todo.
Depois surgiram prints de páginas da internet. As redes sociais faziam muitos comentários em tempo real. Alguns vídeos feitos por cinegrafistas amadores também foram expostos. Um americano parecia discordar da teoria, gritava algo sobre extraterrestres. A adolescente japonesa também. Ela dizia ter visto um pássaro gigante pela janela.
O celular de Daniel não parava de apitar. Correu até a mesa, virou o aparelho. Sachi o enchia de mensagens. Infinitas mensagens. Ela sabia. Eles estavam em toda a parte. Queria que Daniel contasse o que estava acontecendo. Tinha certeza de que o menino sabia. Queria fazer parte da gangue também.
Se encheu dela. Não queria mais ver aquelas mensagens, nem escutar o som repetitivo do celular. Queria sair pelas ruas com Dorumon e perseguir o pássaro. Acabar com a ZSC que perturbava tanto o Dorumon. Começou a apertar um dos botões, estava prestes a desligar quando recebeu uma ligação. Uma foto de Daiki tomou a tela.
Atendeu rápido. O menino estava ofegante. Havia um ruído forte e o moreno deduziu que fosse pela chuva. Um chiado da TV. Uma ventania muito forte. Viu o brilho vermelho através da porta de vidro da varanda.
“Lazulitemon em perigo. Digimon na TV. Daniel, tá me escutando? Precisamos segui-lo. A Mako... A Mako está indo pra lá.”
Balbuciou uma afirmação. Desligou.
– Dorumon, se esconde. – Noriko abria a porta da varanda. – Rápido!
O dragão cruzou a sala sem entender, se ocultou na varanda. Alguém bateu na porta. Os olhos castanhos do garoto seguiram os pés descalços de Noriko. A porta se abriu. Um homem muito alto e forte entrou. A figura deu uma sensação estranha nele. Os pensamentos desorganizados e rápidos, o rosto angular do homem de terno, os incidentes que os repórteres narravam, os conhecimentos de Noriko sobre os Digimon.
Um calafrio.
– Esse é o garoto? Não é? É ele. Onde está o monstro;
– Deixe-o em paz, Liam. Isso...
Não via mais nada. Gritou por Dorumon. Um vulto roxo saltou pelo sofá. O homem sacou uma pistola, disparou. O tiro ricocheteou no teto e caiu brilhante sobre o tapete. A cauda peluda roçou o rosto do homem que espirrou, os pés de Dorumon bateram contra as costas dele e ele caiu. Correram os dois para fora do apartamento.
Daniel sentiu a mão de Noriko. Ela se fechou em seu pulso. Segurou firme.
– Lute como um homem.
Soltou. Os dois desceram acelerados pela escada. Daniel pegou o celular e ligou para Daiki. Perguntou onde o menino estava, seguiria para lá. O encontraria. Desde aquela tarde, quando confrontaram Lazulitemon, tinha medo do quanto alguns Digimon podiam ser fortes. Se aquele pássaro era motivo para a bruxa da água estar em apuros, ele não poderia vencer sozinho.
Se esquivara das grandes aglomerações. Ao encontrar Daiki, estava sem fôlego e a chuva o encharcara. Dorumon rosnou. Sentia o cheiro a quilômetros de distância. Suas narinas arredondadas contraíam e se expandiam, sua pupila mudava. O corpo ficou tenso.
– Lazulitemon. Sinto o seu cheiro. – Olhou para cima. – Tem algo mais. Aruraumon e Yasyamon estão por perto.
– Em que direção a Lazulitemon foi?
– Naquela? – Olhou para o beco. – Não. Naquela. – Apontou para a rua. Sabiam que aquilo ia em direção ao templo em que Terriermon se abrigava. – Ela conhece Terriermon?
– Talvez. Não são os dois ex membros da ZSC?
– O que? – Daiki os interrompeu. – Terriermon também?
– Sim. – A princesa se colocou no meio dos três. – Mas foi ele quem me ajudou a entrar no mundo de vocês.
– Daiki, você deve ir. – Daniel puxou o Digivice do bolso, o aparelho era branco, mas, ao refletir a luz dos postes, se dourava. O contorno azul meia-noite chamou a atenção de Daiki. O dele, pensou, era prateado. – Agora. – Apertou o aparelho. O visor se acendeu e o holograma de um círculo purpura surgiu, como um neon. Era possível ver pelas quatro linhas que ele estava girando. Dentro do círculo apareciam as ruas escuras, as casas, a chuva, as sombras que saltavam de um lado para o outro.
– Mas... – O japonês ainda não dera um passo. – Você disse... Aruraumon e Yasyamon. São dois. Não posso...
– Você não pode enfrentar alguém como Yasyamon se não puder evoluir. Vá.
O menino atendeu ao pedido. Correu na direção que fora apontada por Dorumon. Lunamon o seguiu, mas ele parou de repente e ela demorou a perceber, se virou assustada. Ele, Daiki, também apertava o Digivice entre os dedos. Olhava para o chão, para o seu reflexo distorcido pelas gotas que caíam na poça.
Talvez quisesse dizer algo, mas mudou de ideia. Correu. Os pés batendo com força sobre as poças, a água se espirrando, novas gotas, mais gotas. Agarrou Lunamon pelo meio do corpo. Sabia que seria mais rápido para chegar com as suas pernas compridas.
Daniel o esperou sair. A casca trincou e caiu. O seu medo foi exposto. Conhecia Yasyamon, vencera Yasyamon antes. Fora uma batalha difícil, mas venceram. Agora eram muito mais fortes. Lutaram tantas vezes. O que temia de verdade era Aruraumon. Dorumon lhe disse sobre a famosa Aruraumon, uma guerreira sem igual que estava subindo muito rápido dentro do exército da Ellada. Decidiram coloca-la então em sua força secreta, a ZSC. Agora, não via como uma daquelas sombras poderia ser uma Aruraumon. Ela evoluíra. Estava pronta para derrota-lo junto de Yasyamon e depois ir atrás de Mako e Slashagumon.
Não poderia deixar que aquele monstro fosse até Mako. Não queria ver Mako se ferir. A garota tinha coragem, era certo, mas isso não significa necessariamente força. Também não queria ver Daiki se machucar, mesmo que ainda guardasse ódio pelo garoto, um ódio vindo do sentimento de abandono e traição. Mandou Daiki para longe, temia a força dessa nova Aruraumon.
Um barulho chamou atenção de Dorumon. Suas orelhas quase se projetaram para frente, a cabeça girou instantaneamente para seguir o som. Daniel cerrou os dentes, os dedos tão fortes no Digivice, o outro punho tão apertado que os nós das mãos se tornavam brancos. Mais um barulho. O som de pés em água os circulava.
– Yasyamon. – Dorumon rosnou tentando rastrear o oponente pelo cheiro.
Algo pousou entre os dois. Deram um salto para se afastar. Observaram um homem forte, esguio e muito alto, mais de dois metros de altura. As calças cinza estavam danificadas e se apertavam numa cintura muito magra por meio de cinturões de couro pretos. Vinhas muito verdes cruzavam o seu tronco branco em X. Os protetores de madeira ocultando as mãos grandes e cheias de calos, o sinal da mordida de Dorumon ainda presente em um deles. As espadas balançaram e ele, antes ereto, esticava as pernas, seu corpo se abaixava.
Girou. Quase atingiu Daniel. Já o Dragão, esquivara-se de uma das espadas e já se jogara contra o corpo de Yasyamon para impedir que ele continuasse na direção do parceiro humano. Foi surpreendido pela velocidade com a qual as espadas dançaram no ar formando um bloqueio. As lâminas de madeira então balançavam mais uma vez, atingiam as pernas de Dorumon. Ele caía de queixo.
As pernas compridas lhe davam impulso para levantar. Correu em torno do Digimon, olhou para a o rosto estranho e triangular dele, branco, os olhos vermelhos e brilhantes, a cabeleira ruiva e espetada os chifres projetados para cima que brotavam da testa lisa. Não conseguia encontrar brecha. Para a direção que corria, o outro acompanhava fazendo as espadas de madeira bailarem.
– Evolua. Agora. – Levantou o Digivice. Dorumon brilhou.
“Dorumon digivolve para...”
Quando tomou uma nova forma, avançou de asas abertas na direção de Yasyamon.
“Dorugrowlmon.”
O seu novo corpo, azul meia-noite, se chocou com as espadas. Tocou os pés brancos no chão, um ruído veio de dentro do assustador capacete de metal que cobria sua cabeça. Uma cabeleira preta esvoaçava e suas pontas pareciam se desmanchar em formas geométricas que brilhavam em tons de roxo. Os músculos das coxas se contraíram. Continuou empurrando as espadas.
Yasyamon se atrapalhou. As espadas em X na frente do corpo escaparam para trás. Seus braços se abriram e os ombros estralaram. Dorugrowlmon entrou na direção do tronco. As garras vermelhas desceram contra o Digimon que pendia para trás, uma lâmina retrátil se erguia das manoplas de metal que envolviam as mãos e antebraço do Dragão. Faíscas de eletricidade eram visíveis.
Yasyamon sentia o calor daquele golpe antes que qualquer uma das lâminas o acertasse. Se estabilizou, ergueu uma perna e tentou dar um chute frontal contra o parceiro de Daniel. Não esperava, contudo, que uma das lâminas entrasse em sua perna. Gritou de dor quando Dorugrowlmon subiu a lâmina, a torceu dentro de sua carne e o puxou. As lâminas se retraíram no momento que a boca metálica e laminosa da máscara se abriu, os dentes prontos para abocanhar qualquer investida, a garganta brilhando para um disparo.
As espadas o acertaram na face. Yasyamon sentiu a tenção na madeira ao jogar o oponente ao chão. Se continuasse a golpeá-lo onde houvesse metal, as espadas se quebrariam. Nunca vira nada igual àquele inimigo, tinha de admitir. Por isso não deixara que Aruraumon viesse junto dele. Queria vencer sozinho. Meteu o pé no tronco do Dragão e ele foi se arrastando pelo chão.
Aquele símbolo na máscara metálica. O a pedra triangular vermelha era contornada pelo desenho de um círculo. Outros três triângulos se juntavam a ele. O Digital Hazard. Os dados que Dorumon herdou de outro Digimon, ouvira dizer, se manifestariam um dia. E ali estava a sua manifestação. O corpo do guerreiro ferveu.
– Mesmo evoluindo, não podem me vencer. – Estendeu as espadas. Saltou. Seus movimentos aparentavam ser tão precisos. – Eu sou Yasyamon o tempo todo e há muito tempo. Você por vezes é Dorugrowlmon, mas há tão pouco tempo.
– E mesmo assim já lhe vencemos antes. – A vós distorcida vinha do interior da máscara.
– Admito ter sido surpreendido por aquela evolução repentina.
– E vai se surpreender ainda mais com o quanto ficamos mais fortes. – O moreno, apesar do medo, permanecia firme ali. A expressão impassível. – Depois de você, derrotamos muitos outros.
– Também admito que tenham se fortificado ao lutar tantas vezes com meus parceiros mais fracos. – Um riso surgiu. Assim como a voz, era um mistério, não havia boca. Por mais que procurassem, não havia boca. – Mas eu, ao contrário deles, sou especialista em combate e sei de todos os vícios de seu “amigo”. Sei toda a estratégia de vocês.
– Talvez devesse ter passado pela sua cabeça... – Um riso de lado surgiu no rosto de Daniel.
– O que?
Os pés de Yasyamon pousaram sobre o solo. Demorou a ver a ponta da cauda de Dorugrowlmon se abrir em enormes fios desencapados. Linhas roxas, brilhantes como neon, partiram na direção de Yasyamon se manifestando em padrões retos. A água acelerou a transmissão daquela energia. Ouviu-se um estralo. Faíscas cobriram o guerreiro numa explosão de luz, calor e fumaça.
Por um momento aquela rua se iluminou.
– Que tínhamos muito mais estratégias. – Disse Dorugrowlmon com sua voz artificial.
Yasyamon caiu imóvel. O aparelho azul de transporte da ZSC saiu de suas costas, mesmo lugar onde um ursinho azul estava dependurado. Flutuou em torno dele em meio a gemidos de dor. Uma das mãos dele se abriu, os dedos a ergueram como se tentasse apanhar o próprio chão com toda a força que lhe sobrara.
– Os Digimon da Ellada repudiam humanos. – A mão então foi erguida. Agarrou o aparelho oscilante, apertou. Os cacos caíram ao chão. – Mas eu lhe respeito, Daniel da Terra. E lhe respeito, Dorumon ou Dorugrowlmon o Libertador. Minha vida é de vocês e suplico que a tire.
– Não tiramos vidas. – Daniel andou lentamente até Yasyamon. Se agachou, bateu a palma devagar no ombro dolorido dele. – Você vive. Volta para o seu lugar... Quando puder.
Ainda faltava vencer a nova forma de Aruraumon.
– Aruraumon deixou de existir. – Yasyamon levantou a voz. – Quem procuram é Ignifatumon. Ele localizou a feiticeira da água.
O menino balançou a cabeça. Soprou um ruído que significava o entendimento. Correu até Dorugrowlmon, que era muito maior que o Dorumon com quem se acostumara a andar. Subiu nas costas macias do Digimon. Levantaram voo. A chuva ainda aumentando. No alto eles sentiam isso com mais intensidade. E Daniel sentia frio. Se perguntou se os outros também sentiam frio.
Como se o Digimon entendesse a preocupação do garoto, começou a bater as asas com mais força. Mergulhou rápido em direção ao templo. Terriermon vinha em sua direção batendo as enormes orelhas, se agarrou ao seu pescoço, o pediu para saltar de Dorugrowlmon, o que fez. As orelhas do pequeno se abriram como paraquedas enquanto o Dragão avistava um corpo muito musculoso, mas feminino. Uma mulher planta de corpo avermelhado e cabelos prateados.
Tocou as patas no asfalto. As árvores se balançaram com a ventania que vinha junto de suas asas. Derrapou por causa da água, as unhas vermelhas deixaram marcas profundas na pedra. Abriu a boca metálica. Iria atirar quando as mãos grandes apertaram seu pescoço. Ficou confuso sobre o que fazer. Suas pernas patinavam ao tentar empurrar Ignisfatumon. A força bruta do outro era muito maior.
As lâminas de seu braço se abriram. As passou nos braços do oponente que foi obrigado a soltá-lo. Começou a andar em torno da mulher, os braços muito grossos, um tronco enorme e muito definido sob uma roupa colante e futurista, as pernas fortes, as pétalas que se projetavam para trás junto dos cabelos arrepiados e brancos. Um rosto que parecia humano, mas num tom amarelado de âmbar.
Abriu a boca mais uma vez. Do meio dos dentes saíram incontáveis bolas de metal quebradas, delas saíam aquele mesmo brilho, aquelas mesmas partículas que emanavam de seu cabelo. Explodiram contra o corpo musculoso do oponente. Uma onda de calor fez os galhos se balançarem de novo e afetou a própria chuva. As orelhas de Terriermon protegeram o rosto de Daniel dos pedaços de galho e pedra e do calor.
Uma nuvem de poeira e fumaça ocultou o outro. De repente estava saltando por cima, os punhos grandes mergulhando num forte soco contra o capacete de metal. Aquilo não parecia ser suficiente para parar as suas mãos. O estralo poderia ser ouvido a metros e Daniel teve certeza de ter escutado o estralo.
Daniel apertou o aparelho. Seu medo estava prestes a dominá-lo.
Dorugrowlmon caiu num baque surdo.
Apenas a chuva arriscava falar.
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Re: Digimon Synthesis

Mensagem por Mr. Pines em Seg Nov 06, 2017 9:21 pm

Capítulo 8: Noite de Esperança.

Birdramon deitava-se ali. Não havia outro espaço em que poderia ficar por conta das proporções de seu corpo. Próximo dela se sentava Yasyamon e ao lado dele estava Flarerizamon ardendo em chamas. O calor deixava o guerreiro bastante irritado.
Um homem macaco se pendurava nas estruturas do teto. Dois robôs enferrujados digitavam coisas nos painéis ali do centro. Um mapa holográfico mostrava que estavam acima do Oceano Pacífico, muito próximos da região costeira de Kanto, no Japão.
Aruraumon vestia um capacete metálico. Os braços, que demoravam a se recuperar, foram reforçados por próteses mecânicas que, assim como o capacete, brilhavam em dourado e âmbar. Um holograma maior se abriu defronte a eles e aos robôs que digitavam nos painéis. Repentinamente todos voltaram a atenção para a figura que fez aparição.
O capacete prateado, os olhos verdes, a cabeleira ruiva. Wargreymon, um dos protetores das fortificações da Ellada. Era gigante, e só a sua cabeça, pescoço, ombros e uma pequena parte do peito apareciam. Parecia se apoiar num plano mais baixo. Um Digimon menor, vestido num jaleco, óculos escondendo o rosto, tomou a dianteira.
– Senhor. – Disse Aruraumon.
– Quem disse que ela é quem fala com o chefe? – A voz veio de Flamerizamon.
– Vocês tiveram tempo suficiente para enviar suas reclamações. – Um riso insano se seguiu.
– Sim. Tiveram tempo. – Aruraumon se virou para os outros. – Acontece que, aparentemente, suas explicações sobre a forma como foram derrotados não foram recebidas muito bem, o que impediu que suas reclamações fossem atendidas pelos comandantes da equipe.
– É claro que há exceções. – O Digimon de óculos se inclinou. Parecia que ia saltar do ecrã. – Yasyamon não teve reclamações.
O guerreiro permaneceu em silêncio. Apenas acenou com a cabeça em sinal de respeito para com o superior.
– Com base nos últimos acontecimentos, os confrontos com os humanos em autoridades locais, peço reforço. – Disse Aruraumon.
– Isso será um problema. O rei diz que estamos perdendo tempo com essa operação. Quantos já não foram enviados?
– O reforço que peço, senhor, não é o envio de novas unidades. – Um sorriso se abriu. A planta tinha pouquíssimos dentes em sua longa boca. – Peço apenas o direito de evoluir.
O Digimon do outro lado da tela balbuciou. Pegou um tipo de tablete transparente e passou os dedos por ele. Era possível ver as letras e os gráficos embora com dificuldade. A criança flor continuou encarando com aquele olhar confiante.
– Nos tem servido bem, Aruraumon. – A voz veio de Wargreymon. – Tem representado os interesses da Ellada, da ZSC e do laboratório.
– Também não encontro objeções. – Riu mais uma vez. Apesar da obrigação de respeitá-lo, Yasyamon sentia aquela voz e aquele riso nos nervos, um misto de pavor e nojo. – Só será necessário que compareça a um dos terminais do cruzador. Todos os limitadores serão retirados e poderá evoluir. É uma forma linda que criei para você.
– Há mais uma coisa.
–  Estou ouvindo.
–  Encontramos uma Lazulitemon por aqui.
 
 
Daiki não entendeu o motivo de ter saído de casa naquela chuva. Só pensava nas implicações de seus atos. Tudo que o acalmou foi o fato de já terem jantado em família. Disse que dormiria mais cedo por conta de uma prova. Há quanto tempo não mentia? A mãe era bastante respeitosa quanto ao sono. Sabia que ela jamais entraria em seu quarto durante a noite.
Agora se separou de Daniel. Conseguia ver a silhueta do outro, cada vez menos nítida, sempre perdendo cor e forma, sendo coberta pelo esbranquiçado da chuva, o azul escuro e o negro da noite. Lunamon pesava em seus braços, mas pesava muito pouco. Demoraria muito tempo para chegar até o templo. Torcia para que Mako estivesse bem e pudesse ir também na direção de Lazulitemon.
Queria poder voar. Voar como Lazulitemon fizera. Chegaria rapidamente e poderia impedir que qualquer coisa ruim acontecesse. Aquele Digimon era importante para Natsui como Lunamon era importante para ele. Não queria mais o choro da criança.
Depois de metros e metros, parou ofegante. Havia uma máquina escondida sob a varanda de um pequeno prédio. A loja estava fechada, mas poderia adquirir qualquer um dos produtos da máquina a hora que quisesse. Deixou Lunamon num banco e tirou dois refrigerantes, entregou um deles para a princesa. Ela não sabia bem o que fazer, mas ficou observando quando o menino abriu a lata e levou à boca.
Ela também abriu, virou o cilindro de metal na boca. Assustou-se quando o líquido gelado se espalhou pela língua e desceu pela garganta. As bolhas faziam a sua boca arder. Ardia de um jeito muito gostoso, mas mesmo assim afastou o objeto, os olhos fecharam na mesma expressão de quem chupou um limão.
– O que é isso, Daiki?
– Refrigerante.
Lunamon olhou apreensiva para a lata. Girou-a nas mãos. Analisou os amassados, as cores, os desenhos e as letras. Aprendera a ler aquilo pesquisando sobre a escrita japonesa na internet e com ajuda dos cadernos de Daiki. Bebida gaseificada, era o que dizia. Se lembrou da água com gás que era servida no palácio. A sensação de amargor na boca, algo de que nunca gostara muito. Aquela bebida tinha algo daquilo, mas ao mesmo tempo, era totalmente diferente.
Bebeu de novo. Percebeu que era doce e então não queria mais parar. Bebeu até que se acabasse. Daiki já colocava a lata dele numa lixeira. Estendeu a mão para pegar a outra que estava com Lunamon.
– Precisamos ir. – Os calafrios fizeram com que as palavras saíssem aos saltos.
– Daiki, você está todo molhado. – Tocou na perna do garoto.
– Não... não tem problema. – Se inclinou, abriu os braços para Lunamon subir. – Temos que ajudar a Lazulitemon e a Mako.
– A Mako está bem. – Não disse para confortá-lo, apenas acreditava nisso. Acreditou que seria impossível ferir a garota desde que vira SlashAgumon agindo. Nunca vira um Digimon criança ter tanta força bruta e ainda uma agilidade que se equiparava a de Dorumon.
Lunamon subiu. O menino olhou para o céu, tentou encontrar algo, mas só havia chuva e mais chuva. As nuvens tapavam qualquer estrela e impediam de enxergar a lua. As luzes dos postes, dos prédios e dos helicópteros que buscavam por Birdramon eram tudo o que havia além da chuva. Suspirou.
– Será mesmo?
– É claro que sim. SlashAgumon é muito forte. – Fitou o rosto do menino, empalidecido pelo frio que sentia nas roupas molhadas. – Por que se preocupa tanto com ela?
– É que... – Tentou encarar a parceira. Os olhos dela, mesmo que cheios de ternura, lhe deixaram encabulado. A vergonha o fez olhar para o chão para a água que pingava, que se juntava em poças, que distorcia os reflexos. – É como se nunca tivesse conhecido uma menina como ela.
A princesa franziu a testa.
– Uma menina humana... como ela... – Viu a expressão da outra. – Mas ela e você são diferentes. O que quero dizer é que...
– Daiki, eu também me apaixonei uma vez.
Os olhos do menino se arregalaram. Por pouco não deixou que Lunamon caísse de seus braços, tamanho o choque que aquele comentário lhe deu.
– Eu não... eu não estou...
– Daiki, quando a chuva de hoje passar, é melhor que diga o que sente.
Sabia que a chuva de que ela falava não era literalmente a chuva. Era uma metáfora para o que estavam enfrentando naquela noite. Não conseguiu responder, Lunamon estava provavelmente certa e ele deveria falar com Mako sobre o que sentia. Sobre como o rosto arredondado da menina era bonito, sobre como gostava daquele sotaque que ganhara na América, dos perfumes ocidentais que sentia ao se achegar, daqueles cabelos castanhos e ondulados que tocavam levemente os ombros, as franjas a cobrir as sobrancelhas e os olhos grandes.
Apertou Lunamon. A princesa o apertou como pôde, os braços eram pequenos demais para envolve-lo por inteiro. Se lembrou da vez em que se apaixonara. Se lembrou do modo como conheceu o seu amor. Uma revolta que estourara contra a Ellada. Seu coração se agitou apenas para fazer com que uma dor a invadisse. Mas o amor de Daiki por Mako a alegrava e dava esperança.
Lutaria com todas as forças naquela noite para que a ZSC fosse embora e Daiki pudesse ser um menino apaixonado que só precisa se preocupar com a escola.
Continuaram o caminho até os templos. Daiki se perguntava se Daniel ainda estava lá atrás, se ele realmente enfrentava dois Digimon.
 
 
Dorugrowlmon se ergueu novamente. Era fato que se sentia cansado como nunca e o corpo todo doía, mas manteve em mente que poderia vencer. Assim, com essa determinação, podia contrair os músculos além do limite, acima daquilo que os fazia queimar, arder.
Daniel corria acompanhando a batalha entre o parceiro e Ignifatumon. Terriermon voava ao redor. De sua boca atirava aqueles projéteis verdes e luminosos que irritavam a mulher planta e a distraíam para um novo ataque do dragão.
Lazulitemon, que surgira pouco antes jogando os disfarces para o chão, tentava ajudar no combate, mesmo que com todo o corpo debilitado. Sempre que corria, os puxões e pontadas a de sua carne e músculos a lembravam do quanto o grupo de Digimon da ZSC a tinham ferido.
Uma sombra surge no estremo da rua. Uma menina vem cansada, ela tosse. É Mako. SlashAgumon vem junto dela, ainda mais abatido. Daniel começa a imaginar o que pode ter ocorrido. Ela encontrou Birdramon, deduz. O pássaro parecia extremamente forte e a única forma de tê-lo vencido é a evolução. Mas mesmo com a evolução, ele estava tão cansado.
Dorugrowlmon, vendo a situação dos dois, decidiu que deveria segurar a batalha um pouco mais. Se surpreendeu quando SlashAgumon avançou contra Ignifatumon, retornando logo ao chão com as sequências de socos do oponente. Mako gritou, correu até ele e se debruçou ali. A guerreira da ZSC saltou para pegá-la, mas o dragão azul meia noite abriu asas e se atirou contra ela. A desviou no ar. Caíram os dois juntos.
Conseguiu lhe dar um choque com a ponta da cauda antes de ser atirado por um chute duplo. Agora não conseguia se levantar. Sentia a água fria e a aspereza do asfalto. Escutava com perfeição as vibrações do solo agora que suas orelhas se colavam a ele. Viu as pernas grossas se movendo em sua direção. Punhos se fechando em torno de seu capacete e o erguendo, os gritos abafados do desespero de Daniel e Mako.
Nesse momento, Terriermon irrompeu. Brilhou. Ganhara um corpo magro e comprido. Não havia Digivice. Haviam enormes armas no lugar de suas mãos. Mas não havia nenhum humano portando um Digivice. Deu uma joelhada contra o rosto de Ignifatumon, ela decolou. Mas não havia como explicar a evolução de Terriermon. Podia ele evoluir quando bem quisesse.
As armas se levantaram. Os disparos eram tão rápidos que só era possível ver as faíscas da saída das balas. A evolução de Aruraumon se defendia ponto os antebraços na frente do corpo. Andava lentamente contra a força exercida pelos projéteis.
Estava tão perto de acertar aquilo que Terriermon havia se tornado, mas Lazulitemon saltou. Era como uma bailarina. Dançava apenas com os pés e a água o seguia como um acompanhante. Um enorme pé feito de água chutou Ignifatumon. Resistente como era, caiu de joelhos sendo arrastada até as árvores.
A bruxa da água continuou avançando. A cada passo ou salto, um espasmo de dor. Ela resistia soltando o ar de seus pulmões a cada vez que surgiam. A outra, vendo aquilo como um desafio, correm em sua direção. Se desviou por pouco pela lateral. Um chicote de água desceu cortando as costas rígidas.
Os tiros então recomeçavam e Ignifatumon se via pela primeira vez encurralada. Ela então urrou, todo o seu ódio se transmitiu por aquela voz grave. Bateu os punhos e o impacto deles fez com que Lazulitemon e a nova forma de Terriermon se desequilibrassem. Foi então que vinhas grossas começaram a se espalhar pelo chão a partir de seus pés. Envolveram as armas de um, as pernas finas e brancas da outra.
Terriermon atirou, conseguiu destruir alguns dos cipós, mas logo outros surgiam para imobilizá-lo. A feiticeira, na mesma luta, cortava as vinhas com golpes rápidos de água, até se ver completamente tomada por eles. Queria gritar com todas as suas forças e do seu grito surgiu uma onda, quando a onda passou, a mulher planta continuava em pé. Estava com as costas curvadas, os cabelos, agora molhados, caíam sobre o rosto raivoso. Os olhos amarelos cruzaram com os azuis de Lazulitemon.
– Você. – Apontou. – Vocês traidores da Ellada. Desertores malditos, serão punidos pelas nossas leis. Serão massacrados pelos meus punhos.
Lazulitemon engoliu em seco. O chão se rachou sob os pés de Ignifatumon que pulou. Mergulhou contra a bruxa que não teve tempo para se defender. Estava indefesa sob o corpo pesado da outra.
– Daiki! – É a voz de Mako. A menina se levanta com dificuldade. Começa a tossir. Perde todo o fôlego tossindo.
Daiki não consegue entender. Todos aqueles caídos pela ação de um só Digimon. Lunamon avança até Mako, depois olha para trás, seus olhos encontram os do menino.
– Ora se não é a nossa princesa. – Um sorriso se abre sob os cabelos prateados e molhados de Ignifatumon. – Pois virá também.
– Sim. Isso acaba aqui.
Daiki aperta o Digivice. Lunamon se ilumina.
“Lunamon evolui para...”
– Pois saiba que terá o mesmo destino daquele maldito Coronamon! – Se levanta jogando Lazulitemon para o lado. – Aquele com que fez uma união indecente.
Ainda mudando, Lunamon sentiu aquelas palavras. Seus dentes se apertavam com força, os punhos crescentes tremiam. Quando parou de brilhar, avançou com uma velocidade incomparável. Tinha coxas muito grossas e pernas altas ligadas a um tronco fino, assim como os braços que acabavam em manoplas desproporcionalmente grandes. Uma viseira caía sobre os olhos e atrás do capacete azul saíam as suas orelhas rosadas e longas de coelho.
“Dynalepmon.”
As manoplas azul-prateadas se expandem antes que a guerreira coelho atinja Ignifatumon com uma sequência muito rápida de socos. Os olhos dos presentes não conseguem acompanhar a movimentação dela, mas os estalos ecoam por quilômetros e as ondas de impacto fazem com que todos e tudo estremeça.
– É como quando eu e Coronamon.
Ela sente o corpo quente do amado como se esse se contrapusesse ao dela e aos poucos se unisse ao dela. Então a mente de um era a mente do outro, as moléculas de um eram as moléculas do outro, a vontade de um era a do outro.
Estourou num gancho que atirou Ignifatumon para cima. Então se atirou envolta em luz, como um cometa. Atingiu a oponente no abdômen e o capacete dela se quebrou. A boca e olhos se abriam, a saliva voava, barriga e costas se distorcendo sob pressão dos punhos de Dynalepmon.
A princesa junta as duas mãos e as manoplas se transformam num martelo. Atinge as costas da mulher planta e ela retorna ao chão abrindo uma cratera no asfalto.
– Se pensa que... – Se esforça para reerguer o corpo pesado após aquela sequência de golpes. – ...vou deixar que uma criminosa como você vença e se salve... – Tosse. – Está muito enganada. Você não tem a moral para nos vencer.
– A moral? – Os pés dela tocam o chão. Sua voz de mulher forte reconforta todos os que se feriram naquela noite. – Isso não me importa. O que me importa está ao meu lado. O que me importa são meus amigos e o amor que eles têm por mim. É por isso que eu sou... – Se adianta, as manoplas novamente se tornam um martelo, mas agora se separam de suas mãos por um longo cabo. Ela gira a arma e atinge Ignigatumon concentrando todas as energias de seu corpo. Seu corpo, como um projétil, derruba as árvores em seu caminho. – que sou mais forte que você!
O corpo sinuoso de Dynalepmon se desmancha em cubos transparentes e luminosos. Lunamon caí exausta. Daiki corre para acolhe-la. Mako, SlashAgumon, Daniel e Dorumon (que há pouco havia regredido) se juntam aos dois no meio da rua. Terriermon também volta ao normal e, batendo suas orelhas, vai até eles. Lazulitemon se coloca de pé com a força dos pés. Todos ficam entre a admiração pela linda evolução da princesa (Dorumon admitindo finalmente o poder da mesma) e a forma como, mesmo debilitada, a feiticeira da água resistia.
– Isso... é um absurdo! – A silhueta da mulher ressurgia. Lentamente vai crescendo, conforme se aproxima. É finalmente iluminada de novo. O capacete foi perdido e as rachaduras se espalham por todo o corpo, como se todo ele fosse como uma espessa casca de árvore. – Isso... não... acaba... assim!
A Digimon fecha o punho num dos braços de Lazulitemon.
– Solte... ela! – Lunamon toma a dianteira.
– Deixe-a em paz! – Daniel também avança, aperta muito as mãos fechadas.
Lazulitemon estremece ao som do riso de Ignifatumon.
– Você diz que... diz que Coronamon lhe deu poder? – Continua rindo. Sua voz dá calafrios em todos. – Que isso a torna forte? – A boca se arreganha num riso histérico. Lazulitemon não consegue se soltar por mais que se esforce. – Pois bem... Usarei desse... desse poder! Usarei dele para defender o nosso mundo de traidores como vocês!
Ninguém consegue acreditar no que vê. O corpo de Lazulitemon começa a ser consumido pelo de Ignifatumon. As duas se iluminam como ocorre durante a evolução de um Digimon. Várias vinhas começam a brotar de um corpo disforme que mistura o verde, o âmbar e o azul. Como se ainda lutasse, um rosto, como o de Lazulitemon, porém distorcido, surge em um dos lados da criatura e grita.
Lunamon é tomada por ódio e desespero. As lágrimas rolam e ela se joga na direção daquela coisa, mas, antes que consiga fazer qualquer coisa, o aparelho responsável pelo transporte da ZSC envolve a criatura numa esfera azul. Elas se encolhem até desaparecer.
– Não. – Lunamon caí. Ela bate no chão. – Não. – Todos se juntam em torno dela, Daiki a tenta confortar, mas a princesa não para de se debater. – Isso está errado! Errado!
Mako tem um espasmo. É como se toda a dor de Lunamon viesse também para si. Ela sentia o amor de Lunamon por alguém e o quanto aquilo que viram era uma afronta a esse amor. Sentiu algo vindo de Daiki também. Não sabia o que fazer quanto a confusão de sentimentos que a atingiam. SlashAgumon se encostou nas costas dela e a abraçou, como se soubesse exatamente o que se passava. Ela relaxou.
– Nós vamos resolver isso. – Disse Daniel. – Mas...
Olhou para todos. Todos encharcados pela chuva. Manteve o olhar por mais tempo em Mako. Ela parecia ferida de alguma forma.
– Mas a gente tem que ir, não é? – Daiki se levantou com Lunamon nos braços.
– Sim. – Continuava a olhar para a expressão perdida de Mako.
 
 

Continua em “Chamando Todas as Unidades”.
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Re: Digimon Synthesis

Mensagem por KaiserLeomon em Ter Nov 07, 2017 6:12 am

Olá Pines fico muito feliz em ver que você postou dois novos capitulos da sua fanfic . E eis que temos um breve vislumbre da base da ZSC e dos outros agentes Digimon que tem a missão de capturar os rebeldes . Fiquei nitidamente surpreso em ver um WarGreymon como um dos líderes pois eu não consigo imaginar um WarGreymon como sendo um Digimon " maligno " eu sempre imaginei todos os WarGreymons como sendo Digimon super honrados , heroicos e justos simplesmente não consigo imaginar um WarGreymon " vilão " . Fico só imaginando como será quando ele e SlashAgumon lutarem ( depois que SlashAgumon obviamente atingir o nível Mega ). E de quem era a voz do Digimon que estava rindo ao falar  ? Pines se me permite a imensa ousadia eu tenho uma sugestão para a linha evolutiva de Flarerizamon ( um Digimon muito legal e terrivelmente desperdiçado nas fanfics ) que eu gostaria de lhe sugerir .Esta . Obviamente você já tem suas próprias ideias e Flarerizamon nem deve chegar a atingir o nível Mega na fanfic porem não custa nada registrar a ideia certo ? E eis que Birdramon provocou um incidente que foi erroneamente encarado como um " atentado " da Coréia . Isso demonstra que os Digimon da ZSC podem ser terrivelmente perigosos para o mundo . Mudando um pouco de assunto eu achei engraçado o fato de que a Sachi ficava enchendo o saco do Daniel e entupindo a caixa de mensagens de seu celular porque queria que ele lhe dissesse o que ele sabia sobre Birdramon . A Sachi esta virando a grande bisbilhoteira da fanfic que não vai descançar enquanto não conseguir provar a existência dos Digimon . E ela parece ter algum tipo de interesse em Daniel kkkkkkkkk . Cara deu medo na hora que Liam apareceu no apartamento da Professora Noriko ela mandou Daniel se esconder mas não deu tempo Liam os encontrou mesmo assim e pela maneira como ele agiu eu achei que ele poderia ter matado Dorumon e " desaparecido " com Daniel . Percebi porque você disse que ele não é um " Agente do Governo " é muito mais como " Frank Castle O Justiceiro " só que em vez de bandidos ele caça Digimon e seus parceiros humanos ( embora como é o caso de Frank Castle eu acredite que ele tem um codigo de honra de não matar inocentes se puder evitar isso ) . Se a Professora Noriko não tivesse interferido e segurado Liam permitindo a Daniel e Dorumon escaparem eu nem quero pensar no que teria acontecido . Bem de qualquer forma Aruraumon  conseguiu o poder para evoluir e agora ira dar um imenso trabalho para nossos heróis da fanfic . Achei muito impressionante a luta entre Daniel e Dorumon contra Yasyamon  e a maneira como eles fizeram uma interessante disputa de inteligencia não se valendo apenas do " poder " . Yasyamon dizer que embora os Digimon de Ellada repudiassem os humanos ele ainda sim adimirava Daniel e Dorugrowlmon e lhe implorar que lhe tirasse a vida por ter perdido a luta foi interessante deu um aspecto de " Honra dos Samurai " . Gostei quando Daniel lhe respondeu que eles não tiravam vidas pois mostrou que Daniel e seu Digimon são pessoas muito boas e nem com seus inimigos recorrem ao extremo de matar se tiverem outra opção além desta . A evolução de Dorumon para Dorugrowlmon foi simplesmente imponente acho interessante o fato de que nesta fanfic existem Digimon cientistas que podem dar aos Digimon qualquer evolução nova que desejarem como foi o caso de Aruraumon que ganhou a evolução anormalmente poderosa de Ignifatumon . Cara sinistro esse Digimon conseguiu enfrentar sem dificuldades a evolução de Dorumon para Dorugrowlmon mesmo o Digimon de Daniel sendo auxiliado por Lazulitemon e SlashAgumon . Achei interessante que a virtude de Daiki seja " a Esperança " e que com ela ele tenha feito Lunamon evoluir para a forma completamente inesperada de Dynalepmon achei muito legal você dar uma evolução própria para Lunamon para diferencia-la das outras Lunamons .Fico imaginando qual deverá ser o Mega level dela ? " Selenemon " ? E Terriermon finalmente evoluiu para Gargomon para participar da luta . A batalha entre Dynalepmon  e  Ignifatumon foi empolgante mas no final a coitada da Lazulitemon foi absorvida por Ignifatumon ( que eu imagino que foi uma fusão tão grotesca quanto aquela que ocorreu entre Rasielmon e Ophanimon Falldown Mode para um horror organico estilo "Unidade  E.V.A." de Neon Genesis Evangelion ) e este se teleportou de volta para a base da ZSC o que deixou a pobre Digimon de Daiki transtornada por não ter conseguido salvar a amiga . Agora resta saber como os herois resgatarão Lazulitemon . Excelente capitulos Pines aguardo mais =) .


Última edição por KaiserLeomon em Ter Nov 07, 2017 1:09 pm, editado 2 vez(es)
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Re: Digimon Synthesis

Mensagem por Mr. Pines em Ter Nov 07, 2017 12:30 pm

O Wargreymon não é necessariamente mal. Na verdade o ponto é que os guerreiros da Ellada, o que inclui a ZSC, lutam pelos seus líderes e acreditam na Ellada como muitas pessoas acreditam em sua nações. Dentro de seu contexto, posso dizer que Wargreymon é justo, mesmo que compartilhe alguns dos problemas dos Digimon da Ellada, como o repúdio aos humanos. 
A voz era do Digimon cientista, mas darei uma descrição mais específica dele mais tarde... Digo, num arco que se aproxima.

Existem muitos outros Flarerizamon no Digital World, mas não irei acompanhar nenhum deles como um personagem fixo. Por outro lado, Dorbickmon já era de meu interesse. Demorará a fazer uma aparição, mas é algo praticamente confirmado.

O que parou Liam não foi Noriko, mas o golpe de Dorumon. Algo sobre o Dorumon dessa fanfic é a sua agilidade. Noriko o pediu para se esconder, mas foi Daniel que temeu a presença de Liam e pediu para que o parceiro retornasse. O disparo de Liam se seguiu e Dorumon conseguiu desviar com alguma facilidade, acertou o homem nas costas e ele caiu. Quem Noriko realmente segura é Daniel, ela pega em seu pulso e o encoraja para a luta.

O Liam é mesmo um tipo de Frank Castle. Sua perseguição é especificamente com os Digimon. Os tamers para ele são vítimas disso tudo, geralmente jovens e inocentes demais para entenderem com o que exatamente estão lidando. Ele não faria nada com Daniel, faria apenas com Dorumon. Já os armamentos dele eu imagino que são como os do Soldier 76 de Overwatch.

A evolução de Dorumon é como uma mistura entre Dorugreymon, a versão Death-X e alguns pontos do Growlmon. Os detalhes dele que fazem alusão ao Death-X estão ali justamente por ele ser uma evolução de atributo vírus para o Digimon. Yasyamon eu enxerguei como o menos idealistas dos Digimon da Ellada até o momento. Ele se preocupa mais com a própria visão de honra do que com defender o império a qualquer custo. Talvez por isso tenha respeitado Daniel e Dorumon como guerreiros.

E Aruraumon é certamente a maior representação do desejo de proteger a Ellada. Toda a sua busca por poder esta pautada em se tornar forte o suficiente para impedir que qualquer um possa destruir aquilo que ela tem como nação. Mesmo que a fusão de Digimon (eu explico melhor depois) seja algo malvisto dentro da Ellada, ela faz o uso do "mal necessário" ao forçar que Lazulitemon se funda a ela.

O resultado foi mesmo grotesco. Isso acontece pela falta de sincronia entre as duas. Tudo o que as mantem juntas naquele corpo é a força de Ignifatumon. Se Ignifatumon se deixar levar por um momento, Lazulitemon pode escapar.

Agora, muita coisa para o próximo capítulo. "Chamando Todas as Unidades" é o início de nosso terceiro arco. O fim da noite em que lutaram para salvar Lazulitemon terá grandes repercussões.
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Re: Digimon Synthesis

Mensagem por KaiserLeomon em Ter Nov 07, 2017 1:06 pm

Entendo Pines . ^^ Bem eu estarei aguardando com muita atenção quando você postar o próximo capitulo da fanfic . Abraços .
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Re: Digimon Synthesis

Mensagem por Mr. Pines em Qua Nov 08, 2017 2:50 pm

Capítulo 9: Chamando Todas as Unidades.

Uma menina descia na estação de Shinjuku. As roupas certamente não estavam de acordo com o clima quente. A chuva havia parado e o sol brilhava intensamente. Tirou o casaco e amarrou na cintura. Vários meninos e jovens passavam olhando para ela, com interesse especial no rosto estrangeiro e nos longos e acobreados. Na mão apertava o aparelho azul, sentia as suas pontas se encolhendo antes que tomasse uma nova forma.
Uma fuinha branca farejava dali do pescoço onde se enrolava. Seu corpo era todo branco e coberto de tatuagens roxas. Um anel metálico refletia entre a cabeça e as patas dianteiras. Os olhos grandes e amarelos encontraram com os olhos da garota. Ela sussurrou algo em russo e ele confirmou que ela não precisaria temer a comunicação, o Digivice poderia facilmente liga-la aos outros.
Então saiu para as ruas. Eram muito movimentadas. Totalmente diferente da cidadezinha de que viera. Também pensou que o povo japonês se comportava de alguma forma diferente do povo russo. Mas não sabia dizer qual era exatamente a diferença. Ficou paralisada enquanto todas aquelas pessoas em trajes formais passavam balançando suas maletas. Ao longe, helicópteros militares sondavam os prédios atingidos pelo ataque de ontem à noite.
– ZSC. – Disse o Digimon em seu pescoço.
 
 
Liam se levantou. As costas doíam como se fosse um velho. Se espreguiçou empurrando a lombar com as mãos. Começou a recapitular os acontecimentos da noite passada. A forma como perseguira aqueles Digimon, a bagunça deixada por um deles, a TV alertando sobre os incidentes, indo a público a possibilidade de terrorismo e fenômenos naturais. Ligara para Noriko enquanto corria para o apartamento, quando abriu a porta, encontrou um garoto. O menino parecia muito assustado.
Foi então que aconteceu. O Digimon saltou pelo sofá, ele atirou em vão. Os pés da criatura o acertaram nas costas. Mas não tinha chance de ter ficado desacordado toda a noite por um chute nas costas. Passou as mãos pelo pescoço em busca de alguma coisa, qualquer coisa. Uma marca, um furo, um inchaço, o que for.
A TV estava ligada. As escolas de Shinjuku estavam paralisadas até segunda ordem. As empresas, contudo, não pareciam querer parar. Homens usavam roupas de proteção bioquímica. A câmera pegava os macacões amarelos por detrás de furgões pretos. Eles coletavam amostras. Ao olhar pela varanda, avistou os helicópteros militares sobrevoando a cidade.
Depois, mirou o prédio governamental. As duas torres que se erguiam dele, as antenas rodeando as estruturas do topo. Sentiu um calafrio. Em tempos assim, aquele edifício se agitava. Lembrou da Orpheus, das vezes que foram levados até aquele mesmo prédio, do interrogatório feito pelos agentes do governo antes de as Nações Unidas dissolverem a organização que mantinha sede também em Shinjuku.
A chuva parou e a luz forte do Sol, além de irritar aos seus olhos, mostravam todo o estrago que se escondera nas sombras.
“Não há confirmação de mortes. Há pelo menos quinze feridos e dois desaparecidos. Os prédios atingidos foram evacuados até segunda ordem. As autoridades afirmam que encontraram vestígios nos arredores, incluindo duas escolas da região e a estação de Shinjuku. Apesar disso, a estação não deve parar e está em funcionamento. Moradores de Shibuya se depararam essa manhã com árvores derrubadas e crateras próximas aos templos. Ainda não há confirmação de ligação entre os incidentes.”
 
– Quinze feridos... Dois desaparecidos?
Sentiu o cheiro de café. Noriko colocou uma garrafa sobre a mesa, voltou para a cozinha para pegar um prato com a sua refeição. Liam arrastou os pés até a mesa. A ficou encarando, sem se sentar. A mulher já se cansava daquilo. Totalmente irritada com a expressão dele, estava pronta para bater os punhos contra a superfície da mesa. Não importava a sujeira que poderia fazer na possibilidade de virar o prato ou a xícara de café.
Liam se vira. Encara o céu azul. Noriko acompanha o caminhar dele até o vidro que separa a sala da varanda. Os olhos dela também se prendem no céu, conta os helicópteros que aparecem como pontinhos, vai descendo até encontrar o prédio governamental.
– As férias de verão estão tão perto. – Diz. – Que alívio.
O homem nada responde.
– O que fez comigo? – Apalpou o pescoço. Não encontrava nenhum ponto sobressalente ou dolorido.
– Ontem? – Encostou a xícara nos lábios. Pressionou a louça. – Só te botei para dormir?
– Como?
– Acho que está se esquecendo, Liam. Não sou só uma professora do ginásio.
– O que você usou em mim?
– Que importância isso tem? – O rosto dele surge acima dos ombros. Os olhos marcados pela sombra das sobrancelhas franzidas. Ela o encara no fundo, sem medo de fazê-lo e continua: –Você não tem nem uma especialidade em medicina ou farmacologia.
Os pés dele batiam com força no chão. Por onde andou, derrubou coisas. Foi pegando todas as caixas de medicamento que via pela frente, lia o rótulo por um instante e já a atirava contra a pia ou a lixeira. Noriko se levantou. Avançou contra ele.
– Ei! Ei! Ei!
Não atendeu. Ela deu um soco contra as costas dele. Os músculos eram grandes e rígidos, mas isso não o impediu de sentir dor, ainda mais quando havia sido derrubado por um monstro de outra dimensão. Liam se controlou para não soltar algum grito relacionado a dor. Virou-se tentando acertá-la com as mãos. As pernas esguias e compridas dela chutaram um dos punhos e num salto se prenderam aos dois ombros.
Há quanto tempo não fazia nada assim? Tinha medo de o abdômen ou as coxas já não serem fortes o suficiente. Deum um impulso, torceu as pernas. Sentiu o baque. A dor se alastrando pelo corpo. A perna presa sob o corpo pesado do outro. Mas ele foi quem recebeu o maior dano pela queda.
Noriko conseguiu se levantar com facilidade. Mancava com a perna que recebera o impacto. Agachava-se para pegar as caixas que foram jogadas. Olhou para Liam. Ele estava observando o teto, ainda no lugar em que caíra.
– A propósito, essa é minha casa. Se você tenta ferir um dos amigos daquelas crianças, ainda mais aqui dentro, você não é bem-vindo.
Ela aponta para a porta. Ele se encostou numa parede, depois se levantou. Foi pisando todo desajeitado, a roupa toda amassada. Parou na porta para arrumar as golas. Arriscou encontrar o rosto de Noriko mais uma vez. Estava vermelha e ofegante. Bateu a porta.
Voltou a se sentar. Tomou o café e comeu. Depois lavou a louça. Não sabia muito o que fazer durante aquele dia, então pensou em ligar para Daniel para saber se as crianças estavam bem após os eventos da noite passada, mas, desencorajada, ficou presa na lista de contatos por muito tempo. Desistindo dos alunos, baixou a lista. Encontrou um nome, Sana, e pressionou o dedo sobre a tela.
Estava chamando. Colocou na orelha. Minutos e ninguém atendeu.
“Mas é claro. O que você esperava? Deve ter ficado a madrugada toda...”
Mesmo o seu pensamento foi interrompido. Um helicóptero passou muito próximo, o viu nitidamente em sua janela. O som. As antenas no prédio governamental refletiam a luz forte do céu de verão. Teve a impressão de enxergar algum entranho brilho nas duas torres. Pressionou o tecido da roupa.
 
 
Mako ainda tossia muito. O avô trazia a sopa e o remédio de febre. A menina não sabia o que fazer. Precisava saber dos amigos, mas nunca despistaria o avô. Quando chegou em casa, foi logo parada por ele. Queria saber o que uma menina da idade dela fazia naquela hora na rua embaixo de chuva. Ela não soube o que dizer, não poderia explicar sobre os Digimon o a ZSC. Isso tudo seria uma loucura.
Viu a expressão de decepção e o seu estômago se contorceu. Sabia que ele iria telefonar para a sua mãe ou pai contando sobre o que ocorrera. E ela, estava de castigo, disse. Tudo que poderia fazer era ir até a escola. Não poderia mais ir ao parque e mesmo dos clubes teria de faltar nas próximas semanas. Temeu que ele lhe deixasse naquela situação durante todo o verão. Ainda mais agora que aguardavam uma resposta e que os Digimon iriam embora, SlashAgumon iria embora.
Não conseguia aceitar que corria o risco de não se despedir dele.
Uma TV estava ligada em algum lugar. Daniel deixara uma mensagem em seu celular falando sobre a escola. Tirara Dorumon e SlashAgumon de lá antes que as autoridades chegassem. Não sabiam que tipo de vestígio de ataque poderia existir lá, mas não queria arriscar a ter os parceiros descobertos. O menino também contou sobre os quinze feridos. Na TV, o número de feridos crescia aos poucos.
Quando perceberam que a febre não passaria e as tonturas começaram a atingir a menina, o avô temeu que os hospitais estivessem demasiadamente cheios por conta do que ele pensava ser um atentado.
– Eu não preciso... de... hospital. – Levava a sopa à boca, não com hashis, mas com colher. E aquilo até lhe deu conforto, pois era assim que comia em Seattle.
O velho continuava andando em círculos.
– Você vai contar... para a mamãe?
O avô queria dizer nada. Continuou sua trajetória repetitiva até o horário de retornar à padaria. Assim que ele saiu, Mako foi checar as mensagens. Recebera algumas de Sachi, alegre por terem paralisado a escola, das amigas americanas, mas nenhuma de Daniel ou Daiki. Começou a se preocupar.
Puxou o Digivice. Estava escondido sob o travesseiro. Girou o aparelho nas mãos procurando por todos os botões. Ao encontrar todos, queria saber se, de alguma forma, um deles poderia ajudá-la a falar ou ver SlashAgumon. Desistiu do aparelho.
 
 
Daniel andava pela estação de Shibuya. Parou no terminal e aguardou. Era raro vê-lo de bermuda, mas era um desses dias muito quentes. As cigarras anunciavam suas trocas de pele por toda a cidade e os asfaltos estalavam junto delas. O calor era como uma sinfonia também, uma sinfonia de cigarras, se suspiros e de estalos.
Daiki acenou para ele. Apenas levantou a mão para o outro. O alto se aproximou todo desajeitado, esbarrando nas pessoas que via pela frente. Parou ao lado do moreno. Também usava bermudas dessa vez. As pernas estavam muito pálidas e o outro teve vontade de rir disso, mas se segurou. Lunamon vinha com ele, apenas a cabeça aparecendo para fora da bolsa.
Daniel sentiu pena da princesa, por ter de se submeter àquela situação num dia quente como aquele. Iria sofrer muito por esconder o corpo dentro de uma mochila, pensou. Mas ela, se sentia, não deixava isso transparecer em irritação ou inquietação. Nem mesmo parecia suar. Era exatamente como um bichinho de pelúcia deveria ser.
– Para onde vamos? – Perguntou Daiki.
– Akihabara. – Coçou a parte detrás da cabeça. – Tenho de comprar algumas coisas para o meu computador. O Dorumon disse que seria bom se eu levasse uns equipamentos para ele também. Ele acha que pode conseguir localizar a Ignifatumon usando o aparelho quebrado do Yasyamon.
– Como era esse Yasiamon? – Daiki levou a mão ao queixo.
– Os Yasyamons são guerreiros com espadas de madeira.
– Se a Mako estivesse aqui, ela poderia lhe mostrar um com aquele aplicativo no celular. – Parou de coçar a cabeça. Teve uma sensação bastante estranha. Olhou em torno, mas não havia nada de diferente além dos helicópteros sobrevoando os prédios atingidos. Mas de alguma forma, a silhueta do prédio governamental, muito ao longe, em Shinjuko, lhe atraiu. Um calafrio.
– Ela não vem? – Daniel deu um salto ao escutar a voz de Daiki. – Ei, o que foi?
– N-nada. – Teve a impressão de que alguma luz saía das torres do edifício. Esfregou os olhos. Devia ser o calor. Tinha visto algo na internet sob a temperatura modificar o índice de refração do ar o que poderia causar muitas ilusões, até mesmo a de ver o céu em partes do asfalto. – A Mako não viria. Ela parece ter pego um resfriado e está de castigo.
– De castigo? – Lunamon tentou virar a cabeça de dentro da bolsa.
– Por quê? – O moreno achava estranho o fato de a voz do outro sair tão trêmula quando o assunto era Mako.
– Parece que o avô percebeu que ela não estava de casa durante a noite.
Um trem parou. As portas se abriram e as pessoas começaram a sair. Os dois caminharam para entrar o quanto antes. Daniel sentiu um novo calafrio. Olhou para a esquerda e viu uma menina ruiva. Iria se virar, mas quando o fez, ela já havia sumido no meio da multidão. Daiki o puxou para dentro do trem. Se acomodaram nos bancos que já não estavam tão lotados naquele horário.
– Está bem? – Perguntou Lunamon, a bolsa no colo de Daiki. Várias pessoas olharam em volta procurando pela voz infantil. Jamais imaginariam que aquele coelho rosado e fofinho estava falando.
– Estou, mas é que... – Apontou para as janelas do trem. Depois voltou o dedo até a boca, não conseguia encontrar a menina. – Tinha uma menina ruiva e... – Se virou para Lunamon, a expressão insinuativa dela fez suas bochechas incandescerem. – Ei, não é isso! Eu só tive a sensação de que ela é como nós.
– Uma menina ruiva, hum? – Daiki colou o rosto contra a janela. – Eu acho que vi uma garota assim.
A menina, que saía de mais uma estação, levantava o Digivice para o alto. O círculo holográfico tinha uma seta azul nas bordas. Ela girava. Apontou para baixo e assim que o trem começou a se mover, foi mudando de direção.
– Eles estavam aqui. – A fuinha se levantou por detrás do pescoço da ruiva. Olhou para o trem que partia.
– Droga. – Bateu o pé. – Tenho que descobrir pra onde foram.
Os olhos do Digimon se expandiram. Ele se enrolou novamente e a encarou.
– Um Digimon.
– O que? Onde? – Um pequeno corpo esverdeado passou planando sobre a cabeça dela. Conseguiu avistá-lo indo na direção do trem, mas haviam muitas pessoas. Chamaria atenção demais. – Ele? Esse lugar está cheio, Kudamon. Vai chamar muita atenção.
– Não ele. Tem outro. Na rua.
Terriermon pousou sobre o trem em movimento. Abaixou as orelhas e agarrou as estruturas de metal com as mãos para que não fosse arremessado. O trem já estava distante da estação quando uma tampa de bueiro estourou e o que parecia ser vapor começou a vazar com muita intensidade. As pessoas correram se afastando.
– Ele acabou de atingir este plano. – Abaixou o Digivice. Esperou que todo mundo corresse para mandar que Kudamon saltasse.
O Digimon saiu rápido com um relâmpago. Batia contra as superfícies e ricocheteava como se seu corpo fosse uma mola. Assim ficou rodeando o bueiro até que um inseto gigante e vermelho rachasse o asfalto para sair.
– Kuwagamon, Digimon adulto do tipo inseto, atributo vírus. – Leu no holograma de seu Digivice. – Cuidado com os braços dele, Kudamon.
Mas era impossível para o inseto agarrar o outro com as suas mãos cortantes. Além de se esquivar com tamanha facilidade, sempre ricocheteava contra o chão e acertava o outro como uma bala envolta em eletricidade. O besouro tombou.
– Aproveite que ele ainda está instável.
Naquele último golpe, começou a ficar borrado, como uma imagem digital formada por pixels, até estourar em partículas multicoloridas.
– Ele não tem ligação com a ZSC. – Kudamon se atirou contra o pescoço da menina. Ela sentiu alguma dor quando ele bateu e se enrolou. – Era muito fraco.
 
 
O trem fazia sua parada. Daniel e Daiki desceram esticando braços e pernas. Foram até uma máquina de refrigerantes. O japonês comprou duas, pois uma delas era para Lunamon, que dessa vez bebeu tudo sem nenhuma reação negativa. Seria fácil se acostumar com aquela bebida, pensou, deveria ter saído mais da casa de Daiki onde só se viam os sucos naturais.
A estação de Akihabara era toda branca e iluminada em seu interior. Saíram direto para uma ampla calçada de paralelepípedos muito limpos. Já ao lado estavam algumas entradas para lojas. Os olhos de Daniel brilharam ao avistar todos aqueles painéis coloridos anunciando tecnologia.
Algumas meninas andavam pelas ruas com roupas de empregada e orelhas de gato para entregar panfletos e atrair clientes para os maid-cafés em que trabalhavam. Daniel conseguia se tornar impassível, mas Daiki realmente não sabia o que fazer sempre que uma delas se aproximava dele. Começava logo a ficar vermelho.
Acabaram indo em um dos cafés. Daiki jurava que nunca tinha entrado em um daqueles. Ficou o tempo todo com as mãos escondendo o rosto. A garçonete da mesa dos dois não parava de falar sobre isso numa voz fina, imitando alguma personagem de anime moe. A cada uso de sufixos, o menino ficava mais vermelho, já se via a hora em que soltaria fumaça pelo nariz.
Lunamon encarava tudo aquilo com a testa franzida, muito irritada com a voz que a moça forçava. Ao saírem dali, foram em direção a uma loja de tecnologia que Daniel visitara uma vez. Passaram por uma mulher muito jovem que parecia tentar esconder o rosto com um capuz.
– Oh.
– O que foi? – Daiki e Lunamon disseram em uníssono.
– Tenho certeza de que já vi aquela menina antes.
– Hoje é o dia do Daniel falar sobre meninas! – Gritou Lunamon. Um grupo de garotas que passava se aglomerou em torno de Daiki para dizer o quanto o coelho de pelúcia era bonitinho.
O moreno suspirou e continuou quando o grupo se foi:
– Ela é uma streamer de jogos. Pink LopLop.
– Por que ela está tentando se esconder?
 
 
As paredes em forma de cúpula eram cobertas por telas. O lugar estava consideravelmente escuro e as telas eram multicoloridas. Alguns homens de terno adentraram e então as telas começaram a transmitir imagens da cidade toda. Muitas delas mostravam o que acontecia ao vivo na cidade e outras mostravam imagens de Digimon que haviam sido capturadas anteriormente.
Conseguiram captar quando Kuwagamon estourou um dos bueiros para sair e uma menina junto de Kudamon o derrotou. Não conseguiam captar com precisão a imagem da fuinha. Os homens começaram a discutir sobre as cenas, sobre o risco que aquelas crianças estavam correndo ao se juntar àqueles monstros.
Um deles tomou a dianteira. Focou nas imagens de homens em roupas de proteção bioquímica retirando amostras dos edifícios atingidos por Birdramon e das crateras, resultados da luta contra Ignifatumon.
– O que a mídia sabe sobre isso?
– Conseguimos contorna-los com as teorias de terrorismo.
– Veem? Precisam de nosso projeto em funcionamento o quanto antes. – Disse firme aquele que tomou a dianteira. – Quanto mais adiarem, mais difícil será de conter os incidentes. Assim que eles tomarem proporções, será impossível esconder do público o que está ocorrendo e então todos entrarão em pânico. Imagino que não é isso que o senhor secretário deseja para o nosso país.
– E como exatamente ele funciona?
– Apesar de os testes de campo terem sido impedidos anteriormente, temos a ideia de que ele consegue agir sob as cadeias moleculares artificiais dos Digimon, que apresentam ligações muito frágeis, e, assim, transforma-los novamente em dados que são sugados em direção aos nossos receptores e enviados de volta à rede. Com o avanço do projeto, poderemos não só empurrar aqueles que estão em plano físico de volta para o seu mundo, mas também tapar todas as fendas que permitem a sua entrada e aos poucos dissolver a própria rede.
– Dissolver a rede? Isso teria implicações em nosso mundo?
– Sim. Sempre que executado, poderemos ter uma queda no rendimento da internet e alguma interferência em aparelhos eletrônicos. Isso acontece num piscar de olhos e, de qualquer forma, os usuários estão acostumados a problemas de rede e nem chegariam a perceber uma queda tão insignificante.
 
 
Alguém bate à porta de Noriko. A mulher teme que possa ser Liam, mas ao sondar pelo olho mágico percebe uma jovem. Abre a porta e o cabelo castanho balança sobre o rosto e ombros no momento da entrada. As duas se abraçam. Ao se separar, olham uma para a outra como se não acreditassem que estavam mesmo se encontrando.
– Você demorou. Achei que nunca viria. – Noriko sorriu de cima, pois a outra era um tanto mais baixo que ela, como a média das mulheres. – Faz quanto tempo que está em Tokyo, Sana?
– Três dias? Não sei. – Vai até as portas de vidro da varanda. Olha para as luzes piscando no prédio governamental de Shinjuku. – Você tem um lugar legal aqui. – Noriko balança a cabeça afirmativamente. – Eu tinha me enjoado de Seoul.
– Sana, eu tinha que falar com você... – Vai arrastando os dedos pela beirada da mesa. Para. Os olhos das duas se encontram. Sana tem uma expressão preocupada. – É sobre os Digimon e a Orpheus.
– Queria que isso fosse uma surpresa. – Tirou o casaco e a mochila. – Mas eu estou em Tokyo exatamente por isso. Eu sabia que você entenderia.
– Faremos isso?
 
 
Os meninos desceram do trem em Shibuya. Começava a escurecer.
Ao chegarem à rua, se assustaram com os furgões que estavam mais uma vez checando o local. Daiki empurrou a cabeça de Lunamon para dentro da bolsa, ela esbravejando e tentando impedi-lo, e fechou o zíper. Os homens passavam um aparelho muito semelhante a um detector de metais. Uma luz vermelha próxima das pontas, ficava oscilando.
Os dois se desviaram daquele caminho e correram em direção a um beco para pegar um atalho para longe daqueles carros. Embora a mídia apresentasse o tempo todo a possibilidade de um atentado, eles desconfiavam que o governo sabia muito bem o que estava acontecendo. Sabiam sobre os Digimon.
Daniel chegara a ligar a professora Noriko ao pensamento. Ela sabia de muito mais coisas sobre os Digimon do que ele próprio que tinha um parceiro junto dele. Quando chegaram a um lugar aberto, olharam em volta. Não havia sinal dos homens do governo. Daiki deixou que Lunamon tirasse a cabeça para fora novamente e a princesa se aliviou.
Naquele momento a menina ruiva parou de frente com eles, o Digivice estendido, pois o usara para encontra-los. Abaixou o braço. Kudamon se esticou e ficou em pé no ombro dela. Daniel sabia que era ela quem ele viu no trem mais cedo.
– Ela não parece ser daqui. – Daiki olhava para as roupas e o rosto da menina.
– Eu não sou. –  Chegou mais perto. – Sou da Rússia. E, na verdade, o único motivo de conseguir entender você é por também terem Digivices.
– Não sabia que ele tinha esse tipo de função. – O moreno pegara o Digivice dele também. O círculo holográfico se abriu e ele leu sobre Kudamon. – O que fazem aqui?
– Estávamos procurando por vocês. – Os olhos verdes dela se levantaram. – Tem algo que nós temos que mostrar. – Tirou o objeto azul do bolso, estava em forma de cubo. Assim que pressionou o dedo indicador contra ele, começou a brilhar e oscilar o formato. Flutuou. – Nós sabemos onde a ZSC está se escondendo na Terra.
– Como assim? – O alto olhou com estranheza. – Achei que eles estavam vindo direto do Mundo Digital.
– Não. – Disse Lunamon.
– Não mesmo. – Disse Kudamon. – Isso seria arriscado demais. Talvez tivessem esse descuido se não fosse o cientista que tem coordenado a equipe.
– Me lembro de quando cheguei ao mundo humano. Meu corpo parecia que se desmancharia por um simples toque.
– Além do gasto de energia, os corpos dos Digimon são muito instáveis quando acabam de atingir o plano físico. – Explicou Kudamon. – A Ellada tem utilizado da tecnologia para controlar a evolução de seus Digimon e tornar mais seguro o transporte para esse mundo.
– Então... – Daniel ergueu uma das sobrancelhas. Olhava para o chão enquanto refletia.
– Poderemos resgatar Lazulitemon. – Lunamon terminou.
 
 
Sana retirara toda a aparelhagem de dentro da mochila. Um dos objetos, em forma de prisma retangular, ligava todos os outros. A menina o plugou no laptop de Noriko por meio de vários cabos. Uma esfera metálica flutuava em torno delas. Era uma cabeça com grandes olhos vermelhos. Uma engrenagem dourada envolvia essa cabeça e outras duas flutuavam como se fossem os seus braços.
– Me ajuda aqui, Hagurumon. – Ele se aproximou do prisma, brilhou e desapareceu. O objeto cresceu, como se tivessem se fundido. A tela do laptop mudou. Sana digitou alguns códigos. – Está pronto.
Noriko balançou a cabeça. Se sentou, puxou o microfone. Uma câmera posta sobre a mesa começou a focalizar o seu rosto. Sana se sentou atrás dela.
– A todos os agentes da Orpheus... – Balançou a cabeça. Apertou uma tecla e reiniciou a transmissão. – Vamos, vamos... – Sibilava. As mãos tremiam muito e Sana puxou uma delas para si. Apertou. Queria encorajar a amiga. – Aos ex-agentes da Orpheus... – Abaixou a cabeça. Respirou fundo. Olhou para a câmera, tinha apreensão nos olhos e a nostalgia fazia o peito arder com o coração batendo muito forte. Reiniciou a transmissão mais uma vez. – Chamando todas as unidades da Orpheus. Todas as unidades da Orpheus...
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Re: Digimon Synthesis

Mensagem por KaiserLeomon em Qua Nov 08, 2017 4:41 pm

Poxa , puxa , recontra puxa Pines deste jeito eu quase não consigo respirar ! Você praticamente posta três capitulos da sua fanfic num intervalo muito curto de tempo . Não que eu não goste disso ... é super legal ter uma fanfic de novo com tantos episódios sendo submetidos tão rapidamente ! Me alegra muito poder ver de novo alguém fervilhando em ideias e as submetendo para todos lerem numa fanfic de Digimon . Desde os velhos tempos da Digimon Forever eu não via um trabalho ser tão entusiasticamente feito por um escritor de fanfics e isso me alegra imensamente . Sobre o episodio . Vixe a casa caiu ! Virou tragedia a ação dos Digimon da ZSC ! 15 pessoas feridas ! Sempre pensei que se por acaso as batalhas entre os escolhidos e os Digimaus ocorressem mesmo no mundo real acabariam inevitavelmente afetando os civis inocentes ao redor que não tinham nada haver com isso mas que seriam de algum modo feridos nos confrontos em alguma fatalidade ! E eis que surge uma " recem chegada " . Uma garota russa e seu Digimon um Kudamon . Adoro esse Digimon . Pena que você provavelmente planejou uma outra linha de evolução para ele que não Sleipmon . E eles logo sentiram a presença de Daiki e Lunamon . Mudando de assunto . Putz ! A Professora Noriko na realidade é a Elektra do Demolidor o Liam nem bem acordou ainda baqueado de ter tomado um golpe de Dorumon nas costas no capitulo anterior e ela não só lhe disse após preparar um café da manhã que o tinha posto para dormir e quando este lhe perguntou " como " respondeu " Acho que está se esquecendo, Liam. Não sou só uma professora do ginásio. " e acertou uns belos golpes nele e lhe disse " A propósito, essa é minha casa. Se você tenta ferir um dos amigos daquelas crianças, ainda mais aqui dentro, você não é bem-vindo." e após uma breve luta Liam saiu praticamente chutado para fora do apartamento pela Professora Noriko.Cara quero morrer amigo dela . Nem quero imaginar como deve ser quando ela fica P* da vida com alguém . E coitada da Mako posta de castigo pelo Avô justo num momento critico em que ela é mais necessaria . Fico imaginando como ela irá fazer para ir as famosas ferias de verão dos escolhidos e se juntar a SlashAgumon . Bem Kudamon deu conta do Kuwagamon que não era da ZSC com uma facilidade ridicula e sem ter que evoluir . Fico imaginando quais evoluções você deve ter imaginado para ele ? Adoro o fato de você ter imaginado uma fanfic com Digimon fã mades . Cara rachei de rir quando o Daniel se empolgou quando viu uma streamer de jogos a tal Pink LopLop. E o primeiro vislumbre da misteriosa Orpheus que não tem planos nada agradaveis para os escolhidos e seus Digimon . Fiquei curioso com a amiga da Professora Noriko a tal da Sana e seu Hagurumon . O que elas planejam ao tentar entrar em contato com todos os ex-agentes da Orpheus ? E a menina ruiva russa e Kudamon acabaram encontrando os garotos e Lunamon . Não sabia que o Digivice tinha uma função de tradutor de linguas que permitia a Kudamon e Lunamon se comunicarem . E interessante ele falar que os " além do gasto de energia, os corpos dos Digimon são muito instáveis quando acabam de atingir o plano físico e que a Ellada tinha utilizado da tecnologia para controlar a evolução de seus Digimon e tornar mais seguro o transporte para nosso mundo." revelando que eles poderiam resgatar Lazulitemon. Agora é esperar pelo próximo capitulo e o desenrolar dos acontecimentos . Boa historia Pines aguardo mais .
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Re: Digimon Synthesis

Mensagem por Mr. Pines em Qua Nov 08, 2017 6:01 pm

Acho que Digimon Tamers foi o primeiro anime que assisti em que lembravam que haviam pessoas se ferindo por causa das batalhas mais difíceis. O cavalo e o porco fizeram um estrago enorme e a Hypnos, mesmo que considerada ainda como vilã, estava lá pra nos jogar isso na cara.
De qualquer forma, não foi tão significativo. Eles foram feridos e passam bem, posso garantir. O corpo de Birdramon não causou danos tão graves nos edifícios apesar de tudo. Mas aquela organização que está vasculhando a cidade, sendo ela parte do governo japonês, não é a Orpheus. Digamos que durante um tempo as duas organizações coexistiram, o que pode ser deixado para a Noriko explicar mais tarde.
E aliás, a Noriko, como todo membro da Orpheus, sabe se defender muito bem. O Liam pode ser um especialista em combate, mas com a função que ela exercia lá dentro, imagino que não fosse uma opção deixá-la descuidada, mas isso também é assunto para outro momento. 
O Kudamon e a menina russa são bastante experientes, principalmente se comparados aos nossos protagonistas, é por isso que ele teve essa facilidade absurda para vencer o Kuwagamon. Ele é a Renamon que no meio de Tamers conseguia descer o cacete em Digimon de nível adulto numa boa e ainda segurar por um tempo considerável um Digimon de nível perfeito. 

E espero que não seja um problema... Eu já tinha outro capítulo pronto para postar.
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Re: Digimon Synthesis

Mensagem por Mr. Pines em Qua Nov 08, 2017 7:46 pm

Capítulo 10: Trailmon: Batalha em Alta Velocidade.
 
Mako caminhou devagar até a janela. As pernas estavam bambas e mal se aguentavam. Segurou no parapeito e com a mão livre separou as cortinas para ver o que acontecia lá embaixo, na rua. Queria estar com SlashAgumon agora, com ele e com os outros. Ou ao menos queria vê-lo e escutar sua voz. Era o seu melhor amigo. Mas nem para utilizar as funções do Digivice e do celular ela se sentia útil.
Terriermon bateu contra a janela e ela quase caiu para trás com o susto. Ele acenou com uma das orelhas e ela tentou abrir a cortina e a janela para que ele entrasse. O Digimon pulou para dentro e olhou para a cama de que Mako saíra. Iria perguntar sobre como era estar no hospital, mas repensou. A menina parecia bastante triste por estar doente e não poder estar junto dos amigos.
– Oi. – Balançou as orelhas, girou num pé só. Ela deu um risinho abafado.
– Oi, Terriermon.
– O Daniel e o Daiki estão chegando. O Dorumon não vem, mas a Lunamon sim e eles estão tentando colocar o SlashAgumon aqui.
– Como eles irão fazer isso? – Se sentindo cansada, se afastou até a cama e sentou. Puxou os pés para cima do colchão.
– Com muito barulho. – O Digimon abriu a boca e juntou os dentes num riso muito cômico. Mako começou a rir da expressão dele, mas com isso também veio a dor e a tosse. Demorou para conseguir parar. Terriermon a olhava preocupado. – Você vai ficar boa logo.
– Não precisa tentar me animar assim.
– É a ver-da-de! – Girou mais uma vez. – A Mako é forte. É sim. – Abriu as orelhas. – Ela vai se levantar e vai chutar a bunda de Ignifatumon! Isso ela vai!
Mako segurou o riso.
 
 
Daniel apontou o rosto no corredor. Correu para checar se não havia ninguém em casa. A mãe já havia ido para a escola em que lecionava em Minato. Curiosamente, ela e Noriko se conheciam. Por isso o menino podia ir até a casa de Noriko sem levantar nenhuma preocupação. A mãe sempre disse que apesar de Noriko ser muito mais velha que ele, ela ainda era muito jovem. Pensou que por isso se entendiam tão bem.
O pai saíra muito cedo. Um carro o veio pegar dessa vez. Daniel se perguntou o que exatamente estava acontecendo para virem até a casa dele às três da manhã para buscarem o seu pai. Sabia que ele havia trabalhado por um bom tempo com análise de sistemas, mas parecia ter sido promovido de alguma forma e por isso se mudaram da América para o Japão há dez anos. Foi quando conheceu Daiki e Sachi. Infelizmente nem todos os relacionamentos que fizera naquela época continuaram intactos. Às vezes desejava ter todos aqueles amigos de novo.
Voltou para o quarto, abriu a porta. A menina ruiva foi saindo, mas ele estava no caminho e ela roçou o corpo no dele. Ele olhou para cima mordendo o interior da boca, seu rosto pegava fogo. Quando ela se virou, porém, tentou disfarçar.
– Você vai continuar em Tokyo? – Perguntou.
– Bem. Acho que vou ficar aqui por mais uns dois dias.
– Sim. Entendo. – Não tinha mesmo ideia do que falar com a garota, então disse: – Deveria ter ficado na casa de Daiki, é muito maior. – Ela o encarou. – Eu sei que ele ficou todo... Quero dizer... – Ela inclinou a cabeça na direção dele, as sobrancelhas franzidas. Isso que as meninas fazem, pensou, é assustador. – Não que eu não quisesse você aqui. Não é isso. Juro que não é isso.
– Hum... – Ela o encarava muito de perto.
– Eu vou... vou... vou fazer o chá e... alguma coisa pra comer. – Desviou o rosto. – Se quiser tomar um banho... Não que eu tenha algo pra reclamar do seu cheiro, na verdade você tem um cheiro muito... Chega.
Se desviou dela e avançou pelo corredor. Estava descalço e o piso de madeira envernizada ficava bastante fresco mesmo no verão. Chegou até a cozinha e botou a água para ferver. No tempo em que viveu ali, aprendeu a comer e beber como os japoneses. Usava hashi em todas as refeições que utilizavam o hashi e nunca molhava o arroz em shoyo, nem mesmo devolvia um sushi mordido ao prato. Também deixara de colocar açúcar no chá.
Os pais sempre trabalharam, e mesmo que se fizessem presentes, Daniel tivera que aprender a cozinhar sozinho. Hoje fazia isso sem muita dificuldade e na verdade preferia a própria comida que a da mãe, talvez pela sensação de independência, liberdade.
Quando colocou a comida sobre a mesa, sentiu falta de Dorumon. Sempre esperava os pais saírem para chama-lo para a mesa, mas agora tinha arrumado um esconderijo para o seu parceiro e o de Mako. Sabia do risco de manter uma criatura tão grande quanto ele sob o teto de seus pais. Não conseguia imaginar o que aconteceria caso descobrissem.
– Quero conhecer essa amiga de vocês. – A ruiva esticou o pescoço pelo arco de entrada da cozinha. O cabelo acobreado estava molhado. Ela voltou ao corredor. – Essa Mako.
Quando voltou, estava vestida em uma longa camiseta sem mangas e uma calça apertada e rasgada. O menino logo fez uma comparação entre ela e um punk. Ela se sentou perto dele e esticou os dois braços em diagonal. Kudamon correu do braço apontado para baixo para o braço que estava acima e saltou sobre a mesa. A menina colocou um dos cotovelos ali e usou de apoio para a cabeça.
– Essa Mako é tipo... a líder da gangue? – Se entreolharam. Ela riu. Tinha a pele muito dourada, ele notou. – Você e esse Daiki... Vocês não se sincronizam. Fico imaginando se essa Mako é quem equilibra as coisas, como uma líder deve ser.
– Não sei bem. Faz pouco tempo que a gente... está fazendo isso.
 
 
Daiki se deixou acordar tarde naquele dia. Sabia que Daniel e Masha, a garota russa, deveriam estar indo para o hospital e tinha de se apressar. Lunamon, ao contrário dele, já parecia pronta. Havia aproveitado o silêncio do início da manhã para comer e se banhar num dos banheiros dos fundos.
Por causa de Lunamon, a mãe de Daiki já falara algumas vezes sobre haver uma assombração andando pela casa. Se a avó estivesse viva, provavelmente diria que é um espírito antigo, um youkai que protege a casa e a família dos espíritos malignos. Em um determinado ponto de vista, acontecia exatamente dessa forma. Os punhos fortes de Dynalepmon protegeu a todos contra Ignifatumon. Os protegeu contra um Digimon maligno.
Quando pronto, lembrou-se de acender os incensos para os avós. Depois saiu com Lunamon na mochila. Desceu a rua e foi na direção do hospital em que Mako estava. Quando chegou, procurou pelos outros, avistou-os por causa da cabeleira avermelhada de Masha que era muito chamativa.
Se aproximou deles. Os olhos verdes de SlashAgumon brilhavam através de um corte na caixa de papelão onde se escondia. Eles se juntaram muito próximos para discutir como aquilo deveria ser feito. Decidiram que a distração ficaria por conta de Kudamon, pois ele era muito pequeno e ao mesmo tempo muito rápido. O dever dele era derrubar os guardas, e ir batendo as portas na direção oposta ao quarto em que Mako estava. Assim que todos se voltassem ao barulho dele, poderiam atravessar com SlashAgumon dentro da caixa sem que ninguém notasse realmente que havia algo de errado com aquele objeto.
Botaram em prática. Adentraram o hospital e Kudamon saltou do pescoço de Masha. Saiu ricocheteando pelas paredes do hospital. Algumas enfermeiras se assustaram e se esconderam no banheiro, gritando que haviam fantasmas no prédio. Começaram então as portas. Foram estralando uma a uma e de repente haviam pessoas se juntando naquela direção do corredor para ver o que estava acontecendo.
Nesse meio tempo, Daniel, Daiki e Masha subiram as escadas guiando a caixa de papelão. Correram até o final do corredor, sempre olhando se não vinha alguém que não fora atraído na direção de Kudamon. Não demorou muito a encontrarem o quarto, saltaram lá para dentro e fecharam a porta. Viram Terriermon que fingia ser um brinquedo sempre que alguém se aproximava.
Logo Kudamon também retornou. Caiu sobre o parapeito da janela e dali se atirou ao peito da parceira, pois ele julgava ser o lugar mais macio para atingir. Masha quase foi jogada para trás, arfou e assim que o Digimon saiu dali, escalando para o seu pescoço, ficou apertando os seios e fazendo uma cara de dor.
– Ah... – Mako encostou na cabeceira. Os olhos viajaram pela sala observando cada um dos presentes. Parou um tempo em Masha e o Digimon fuinha que se enrolava nela como um cachecol. – Oi... gente.
– Mako! – Acenou Daiki.
– Oi! – Lunamon escalou as costas do menino para acenar.
Daniel só balançou a cabeça.
– Hey! – Masha se aproximou. – Eu sou Masha. Eu estou passando um tempo aqui em Tokyo.
– Masha? – Mako se inclinou para observar a outra menina. – Eu sou Mako.
– É. Eu sei. – Se afastou com as mãos nas costas. – Bem, a gente conseguiu trazer o seu amigo.
SlashAgumon jogou a caixa para cima e se adiantou na direção da cama de Mako. Num sobressalto a garota envolveu o réptil amarelo num abraço apertado, ou ao menos tão apertado quanto ela conseguia. Era como se aquele ato a fizesse recuperar as forças.
Kudamon fez um ruído.
– O que foi, Kudamon? – A ruiva estendeu a mão para que ele se enrolasse, depois o levantou próximo do rosto para que ele falasse.
– Ela não está doente.
– Como assim? – Mako desceu da cama com dificuldade. Ninguém tinha percebido antes o quanto ela emagreceu naqueles poucos dias. Viam nitidamente os ossos dos joelhos e cotovelos dela. Se apoiando no ombro de SlashAgumon, ela chegou até Masha e Kudamon.
– Se ela não está doente, o que é? – Daniel semicerrou os olhos. Tentava se lembrar dos eventos da noite em que lutaram contra Ignifatumon. Se perguntou se tinha algo a ver com ela.
– Isso pode parecer estranho, mas eu, como besta sagrada sempre pude enxergar através da alma dos Digimon. Só não sabia que poderia enxergar isso em humanos também. – Ele se vira para Mako, fita os olhos castanhos da garota, as olheiras que deixam aquele rosto tão triste mesmo sob um sorriso. – Mako foi amaldiçoada por um Digimon sombrio. É uma maldição do tipo que nunca vi antes. Se aproveita da virtude dela para feri-la.
– Da minha... virtude?
– A virtude que os parceiros humanos e Digimon dividem. – Lunamon pulou no chão. – É uma velha lenda que a Ellada tenta apagar. Uma característica que é forte numa pessoa e que pode ser utilizada como potencializador de uma evolução.
– Esse Digimon transformou a sua virtude num fardo.
– Você consegue ver quem fez isso? – Daiki apertava os punhos. Daniel o olhou de lado, nunca o viu dando um sinal de agressividade antes.
– Diz quem foi e SlashAgumon irá acabar com ele. SlashAgumon irá salvar a Mako.
– Desculpe, mas acho que estão exigindo demais do Kudamon. – Masha levou a mão ao pescoço. A fuinha desceu e se enrolou ali.
– Espere, Masha. – Ele olhou para cima. – Posso não saber quem é, mas saber onde encontra-lo. – Saltou ao chão e ricocheteou até o parapeito da janela. – Se me lembro bem, existe um Trailmon no Mundo Real. Ele é o principal meio de troca entre os Digimon que se escondem nesse mundo. Você pode encontra-lo depois da meia-noite cruzando as estações em direção ao norte.
– Você já esteve no Japão? – O moreno se juntou a ele na janela.
– Sim. Não é a primeira vez que venho ao mundo de vocês. – Se atirou aos seios de Masha de novo. Ela sufocou um gritinho de dor e todos olharam para ela. – De qualquer forma, esse Trailmon, ele sabe exatamente onde encontrar cada Digimon que está em solo japonês. No transporte de mercadorias e Digimon, ele escuta e vê muita coisa.
– Em que estação ele começa a jornada?
– Provavelmente o encontrarão em Shinjuku.
 
 
SlashAgumon ficou com Mako no quarto. Era apenas por isso que não se sentira sozinha. O avô não pode vir vê-la. O relógio não parava de avançar e logo seria meia-noite. E isso a deixava muito ansiosa. Queria poder lutar por si própria ao invés de depender dos amigos, mas mal conseguia parar em pé.
SlashAgumon começou a roncar e ela torceu para que nenhum médio entrasse, pois mesmo que ele estivesse escondido, seria descoberto por causa do barulho. Sem sono ela se apoiou nas paredes para chegar até a janela, onde se debruçou. Estava quente e a lua brilhava muito. A Tsuyu parecia ter realmente ido embora e logo estariam de férias.
Terriermon pousou no parapeito. Acenou com a orelha e entrou, depois ficou ali no canto, encostado, como se esperasse por algo. Então o dragão escuro passou rasgando o céu e mergulhou na direção do hospital. Daniel balançou a cabeça, tinha no rosto uma determinação e ela confiou que ele e Daiki encontrariam o Digimon que a amaldiçoou ainda naquela noite. Só esperava que isso não significasse encontrar também Ignifatumon. Temia profundamente o que aquela Digimon poderia se tornar ao forçar uma fusão com Lazulitemon.
Daiki seguia em chão em direção à estação. Os dois esperaram a concentração de pessoas diminuir para descer e quando fizeram, uma neblina branca cobriu o lugar. Agora viam aquele trem, muito diferente daqueles que viajavam pelos metrôs e cidades do Japão. Tinha vagões muito grandes, além de olhos e boca.
Ele apitou quando os viu, não por dois deles serem humanos, mas para anunciar que estava abrindo suas portas. Antes que eles entrassem, lendo num painel que havia no interior o primeiro destino, um ponto de troca com os Digimon de Tokyo, Masha surgiu. Kudamon se atirou para dentro de Trailmon e ela o seguiu correndo. Entraram todos.
– Não achei que viessem. – Disse Daniel sentado ao lado da russa.
– Nem eu, mas...
– Vamos viajar com o Trailmon para outra parte do Japão antes de voltarmos para a Rússia. – Kudamon se arrastava atrás deles, nas laterais dos bancos.
– É tão estranho. – Daiki não conseguia conceber aquilo. Estavam mesmo viajando dentro de uma criatura viva, um trem vivo.
– Primeira vez? – A ruiva se inclinou. O menino corou.
– S-sim.
– Também.
Alguns Digimon entraram no trem. O japonês estremeceu, então a ruiva pulou do banco e sentou ao lado dele, deixando Dorumon e Daniel sozinhos.
– Olha, só procurem o Digimon que amaldiçoou a Mako. Eu e Kudamon damos conta do resto se eles tentarem interferir.
– Dão conta do resto? – Virou o rosto na direção dela. – Mas eles são muitos.
– E nós podemos evoluir até o nível perfeito. Nenhum deles é tão forte.
– Nível perfeito? – Os olhos de Lunamon brilharam ao olhar para Masha.
– Há quanto tempo você e Kudamon são parceiros? – O moreno se apoiou nas pernas e se inclinou para falar mais baixo.
– Bem, já devem ser uns quatro anos.
Trailmon começou a balançar. Isso indicava que estava começando a se mover. Assim que pegou velocidade, porém, os socos desapareceram. Daiki se apavorou quando, olhando para fora, percebeu que o trem tinha levantado voo. É claro, pensou o outro menino, só isso pode explicar a velocidade com que ele faz essa rota numa única noite. Trailmon podia voar.
– Tem alguém olhando pra cá. – Dorumon sussurrou.
Daniel mais uma vez se inclinou para frente, agora sentando na ponta do banco para ver melhor até o fim do vagão. Percebeu que volta e meia um Digimon vestido num capuz olhava na direção deles. Ao lado estava um Digimon muito maior, vestia uma máscara horripilante onde quatro olhos desciam tortuosamente pela direita. Luzes vermelhas vazavam pela escuridão da máscara e uma capa cor de sangue caía sobre a armadura preta.
– Nunca vi um Digimon assim. – Balbuciou Kudamon.
– Nem o Digivice. – A ruiva alternava entre observar sobre o ombro e tentar ler as informações no aparelho. Mas não havia nada sobre ele, apenas uma imagem de seu corpo em pé aparecia. – Suspeito é pouco para esse cara.
Quando Trailmon fez sua primeira parada, os dois que estavam no fim do vagão apertaram o passo para fora. Daiki e Daniel logo saltaram também com os seus Digivices em mãos, os parceiros Digimon logo atrás deles prontos para batalhar.
– Parados aí! – Gritou o moreno.
Os dois pararam. O mais baixo, num espasmo, liberou todo o ar. Era como se o tivessem assustado. O outro, se virou lentamente. A capa balançava. Uma mão se estendeu e portava um sabre fino tão vermelho e brilhante que parecia ser feito de rubi. Esperaram para ver se ele atacaria e então com a segunda mão ele puxou ainda outra espada. Dorumon e Lunamon evoluíram imediatamente.
Dynalepmon avançou com a velocidade incrível com que era esperada, mas quando suas manoplas, já muito expandidas, atingiram o oponente, foi como acertar tecido. Ela olhou para as mãos com estranhamento e percebeu que ali só estava a capa cor de sangue daquele Digimon.
– Fiquem dentro do Trailmon! – Gritou Masha. Mas era tarde, os outros Digimon já saíam.
Apenas para demonstrar seu poder, o cavaleiro mascarado se materializou num brilho vermelho e rasgou o corpo de um dos Digimon ao meio, partiu para o outro e o apunhalou pelas costas. Saltou, caiu em pé sobre a cabeça doutro, este muito semelhante a um boneco de neve, mas com orelhas de urso. Enterrou as duas espadas e o grandalhão estourou em partículas luminosas. A cada Digimon que ele destruía sem nenhuma hesitação, absorvia as partículas.
– Droga. Ele é muito forte. – Masha apertou o Digivice. – Kudamon!
Mas antes que Kudamon pudesse se atirar para fora, o guerreiro estava sobre o Trailmon. Abandonou uma das espadas e tocou a cabeça da máquina. Um padrão vermelho começou a se espalhar dali ao que o trem começou a urrar e os seus olhos se avermelharam. As rodas começaram a se movimentar, as portas se trancaram e ele levantou voo.
– Não! – A ruiva batia contra a porta. – Não dá pra abrir... não dá...!
– Evolua o Kudamon! – Gritou Daiki.
– Não posso. Ele ficaria muito grande e iria ferir o Trailmon!
– Precisamos pegá-lo sozinhos. – Disse Dynalepmon.
– Sim. – Daniel olhou para o outro, ainda parado. Não tinha como aquele ser um Digimon forte de forma alguma. – Dorugrowlmon, Daiki, Dynalepmon. Vão atrás dele!
– Mas... E você? – O garoto já estava no ombro de Dynalepmon, pronto para saltar sobre o Digimon trem junto da parceira.
– Eu vou parar aquele outro.
– Você está louco? – A princesa se virou para Daniel, mas ele já corria em direção ao encapuzado.
– Confiem nele. – A voz artificial assustou o japonês, mas ele logo percebeu que era Dorugrowlmon e então se acalmou. – Ele treina combate. Se for um Digimon criança, ele não terá nenhum problema.
A guerreira ainda hesitou um pouco, mas, vendo que Trailmon se afastava com o Digimon sombrio, saltou sendo acompanhada por Dorugrowlmon que abriu voo. Os dois chegaram juntos ao teto de Trailmon.
– Vocês não entenderam minha mensagem quando os matei? – Tinha uma voz fria, era como se ouvissem a própria morte sussurrando em seus ouvidos. – O que serão dois Digimon de nível adulto para mim?
Daiki desceu dos ombros da princesa. Ela apertou os punhos. Ela tinha que derrotar aquele Digimon, não só por Mako, mas por ela mesma. Havia mentalizado que era a sua missão salvar Lazulitemon, pois ninguém deveria ser submetido a uma fusão onde não existe amor, respeito e amizade entre os que se unem. Só de pensar naquilo, seu sangue fervia.
– Você vai pagar por ter matado esses Digimon que não buscavam por luta. – Bateu as manoplas. – E vai pagar por ferir a Mako.
– Mako? – Algo se moveu por detrás da máscara. – Entendo...
Ele desapareceu novamente. Dynalepmon esperava que ele fizesse isso, então, com as pernas se flexionando, se preparou para ir em qualquer direção que ele escolhesse para atacar. Ele surgiu acima dela, girou as espadas e um golpe de raspão riscou a viseira do capacete. Ela logo retornou com um soco. Ao ser lançado para cima, porém, ele desapareceu.
A princesa sentiu um frio, então percebeu as lâminas prontas para cortar o seu pescoço, mas Dorugrowlmon o surpreendeu ao transmitir uma descarga de energia através de Trailmon ao tocar o chão de metal. Ele foi forçado a desaparecer novamente. Ressurgiu no meio dos dois, as espadas numa perigosa dança tentavam acertar os seus estômagos.
– The Bowel Destroyer... – O dragão se jogou de cima do Digimon trem e abriu suas asas. A coelha, porém, não conseguiu reagir a tempo de escapar. Um enorme corte se abriu em sua barriga, dali vazavam aquelas partículas luminosas, os seus dados.
– Tão preciso... – Dorugrowlmon atirou as esferas de metal que explodiram acima do oponente. Mais uma vez ele desapareceu. – Tão preciso quanto Yasyamon. Tão forte quanto Yasyamon... – Repensou. – Não. Tem a mesma habilidade com as espadas, mas seu nível de poder é outro.
A coelha saltou para trás. Sentiu a presença do inimigo, girou o corpo preparando um chute, mas ele se abaixou e passou uma rasteira. Tocou as manoplas no chão, se recuperou impulsionando o corpo para cima.
– Mas e se... – Dorugrowlmon abriu as lâminas em seus braços. – Dynalepmon! Se abaixa!
E atravessou todos os vagões num voo rasante. Dynalepmon se abaixou no último momento e pode ver as faíscas do dragão encontrarem o oponente onde aparentemente não havia nada. Uma distorção no seu campo visual a fez perceber que ele, de alguma forma, não havia saído daquele trem.
– Eu estava errado. Não é invisibilidade também.
– Não. Não é. – Saltou para o último vagão. – Mas eu já sei como ele faz isso.
O dragão se aproximou noutro rasante.
– Ilumine o Trailmon.
Dorugrolwmon compreendeu. Para evitar os golpes daquele inimigo tão complicado, sobrevoou abaixo de Trailmon e, abrindo a cauda, fez com que uma forte luz de neon se espalhasse por todo o corpo metálico do Digimon. Aquilo o fez se cansar muito, mas se Dynalepmon estivesse certa, seria decisivo em sua batalha. Sentiu nas distorções do campo em que criou que o inimigo havia reaparecido. Fez com que uma descarga atingisse os seus pés, mas continuou iluminando o trem.
– Entendo. – O guerreiro mascarado não conseguia esconder o seu corpo para fugir do choque. – Ele só pode fazer isso se houver sombra na superfície.
Se vendo encurralado, ele se lançou na direção de Daiki. Os braços se cruzaram prontos para se abrirem num golpe mortal com os sabres, mas Dynalepmon foi ainda mais rápida. Impulsionando se com os pés, voou brilhante como um cometa, empurrou o parceiro para fora do trem e atingiu o outro com as duas manoplas.
Aproveitando aquele momento de falta de fôlego, juntou as manoplas que se transformaram num martelo. O girou, mas, agora que Dorugrowlmon deixou o Trailmon para segurar Daiki, o espadachim poderia se esconder nas sombras mais uma vez.
– Minha esperança é a luz que estingue toda a sombra. – Levantou o martelo. – Judge’s Hammer!
E o Trailmon se acendeu ao ser atingido por aquele golpe. O mascarado foi lançado para cima. Deu um mortal e retornou ao trem em pé. Mais uma vez algo se moveu por detrás de sua máscara.
– Eu não sou o autor da maldição. – Afundou se transformando em sombra. Se impulsionou para fora da mesma já próximo de Dynalepmon. – E só ela mesma pode quebrar a maldição. – Cruzou os braços e os abriu num golpe rápido, o corpo inclinado para frente, os braços agora se projetando com a lâminas de rubi para trás. – Fufufu...! Será que ela será capaz de se livrar a tempo?
Dynalepmon se afastou rápido, mas já tinha novos cortes em seu corpo.
– Se vocês pensam que Ignifatumon é um inimigo difícil, estão longe de poderem me enfrentar.
– Ainda bem que nós não somos os únicos por aqui. – Abriu um sorriso de lado.
Masha saltou pela abertura superior do vagão. Kudamon se jogou como uma bala e atingiu as costas daquele Digimon. Brilhou e expandiu numa evolução.
– Quando foi que...?
– Esse é o poder do meu martelo, querido. – Chutou-o contra a máscara.
– Então, aceito o desafio. – Após o golpe, girou no ar e caiu mais uma vez em pé.
“Kudamon evolui para... Chirinmon!”
– Strike back! – Gritou Masha do outro extremo de Trailmon.
A criatura quadrupede saltou, suas asas brancas brilhavam e seu corpo sob proteção de uma resistente escama verde estava envolto em faísca. Os pés tocaram o corpo metálico do trem, uma luz fortíssima surgiu ao que seu corpo se multiplicou. Um riso gélido atravessou a máscara, ele dançava entre os clones de Chirinmon os atravessando com sua espada enquanto procurava pelo verdadeiro.
– Isso é... Um inimigo.
O chifre vermelho de Chirinmon o atravessou o tronco e ele riu e, transformando-se em sombra, se ocultou. Chirinmon fez ainda mais clones para confundir o oponente enquanto saltava pelo Trailmon se misturando a eles e garantindo a segurança de sua parceira.
Lá embaixo, Daniel confrontara o Digimon misterioso. A capa girou revelando os braços, um portando um bastão metálico e o outro com uma arma. Apontou para o moreno, mas hesitou em atirar. Um chute fez com que a arma fosse jogada para longe do alcance. Foi obrigado a usar o bastão para afastar o garoto.
– Espera aí...
Avançou contra o corpo do oponente, envolveu as pernas do mesmo com os braços e conseguiu jogá-lo para trás. Caiu de costas, ouviu um grito de dor abafado. Foi para cima dele, os braços tentaram se mover, mas ele segurou e eram finos e mais fracos que o dele.
– Você não é um Digimon.
– É claro que sou.
– Não. Você não é.
Enfiou a mão através do capuz e sentiu um rosto humano. Uma máscara de pano escondia a metade debaixo do rosto que Daniel foi incapaz de ver por conta do escuro.
– Sai de cima de mim! – Dizia a voz. Não uma voz natural, mas uma voz para qual aquele que estava abaixo tinha de se esforçar para fazer.
– Quem é você?
– Chega. – As pernas dele certamente eram ágeis. Conseguiu escorrega-las para mobilizar uma joelhada. A dor se espalhou pelas costelas de Daniel e ele se levantou apertando o lugar atingido.
– Você... – Conseguiu ver os olhos escuros através do capuz. – O que?
– Lute pela sua vida, humano! – Se impulsionou na direção de Daniel. Acertou o primeiro soco, depois um chute lateral contra o mesmo ponto em que direcionara a joelhada. O menino escapou pela lateral e segurou o segundo chute. Empurrou o capuz e o cabelo se esvoaçou.
– Eu sabia.
– Twilimon! – Gritou, já puxando o capuz novamente para cobrir o rosto.
Twilimon, o guerreiro mascarado, parou de súbito. Chirinmon, Dorugrowlmon e Dynalepmon o encaravam confusos enquanto sua cabeça se virava para cima. Balançou as lâminas e as guardou nas bainhas. Seu corpo começou a se escurecer e afundar nas sombras que tomavam o corpo de Trailmon.
– Isso é o seu momento de sorte.
Ele desapareceu dali.
De súbito alto saltou do chão, puxou a capa vermelha e se aproximou do encapuzado. O envolveu antes que Daniel pudesse reagir. Os dois se escureceram e afundaram no chão, desaparecendo na sombra daquela noite. As sobrancelhas do menino quase se encontraram, tamanha a força com que ele as franzia, tamanha a força com que apertava os dentes e pressionava o peito com a mão. O coração muito acelerado.
Dynalepmon caiu alguns metros atrás e uma cratera se formou. Dorugrowlmon foi o próximo a chegar e Daiki desceu de suas costas. O último foi Chirinmon, que desmanchou aquela forma em cubos luminosos assim que a menina ruiva desceu de suas costas. Kudamon se enrolou no pescoço da ruiva, como de costume. Ela respirou aliviada, embora estivesse marcada pela cena que assistira, Twilimon rasgando todos aqueles Digimon. Todos aqueles Digimon que não procuravam por luta. Talvez fosse um pouco hipócrita, pensou, mas nunca atacara, junto de Kudamon, um Digimon que não estivesse procurando por uma batalha.
Trailmon veio arfando, suas rodas foram tocando o chão aos poucos, muitas faíscas saindo do atrito com o solo. Quando conseguiu parar, tombou metade de seu corpo. Sibilou um obrigado para eles por terem o livrado do domínio de Twilimon. Endireitou o corpo pronto para retomar a rota que fora atrasada por aquela batalha.
– Algum de vocês precisa de carona para fora de Tokyo?
Os meninos balançaram a cabeça negativamente. Masha, porém, se aproximou do trem, se segurou na barra para se jogar para dentro da porta. Olhou para trás, os dois garotos a encarando, soltou da barra e correu até eles.
– Obrigado pela estadia. – Abraçou Daniel, este que ainda se paralisava pelo confronto com a pessoa encapuzada. Depois encarou Daiki debaixo. – Você é um pouco alto, né? – Ergueu-se na ponta dos pés e o deu um beijo rápido. – Hoje foi a primeira vez que você entrou num Trailmon, voou num trem, lutou sobre um trem. Isso é só para fechar a noite.
Daiki ficou muito vermelho. Seu rosto era como o carvão em brasa, estava quente e dele saía toda a fumaça possível. Tocou na boca e a menina riu antes de se afastar deles e pular para dentro do trem.
– Adeus! – Ela acenou.
– Até mais! – Gritou Kudamon.
Os meninos também acenaram. Daniel quebrou a barreira entre eles dando um soquinho no ombro de Daiki, um riso insinuativo no rosto. Depois montou em Dorugrowlmon.
– Temos de voltar rápido. – Disse Dynalepmon. – É possível que Mako esteja em perigo.
Aquilo quebrou o transe em que os dois meninos estavam. Daiki correu até Dynalepmon que o ergueu até os ombros. Tiraram os pés do chão e foram em direção ao hospital.
 

Contínua em “Mako: Resista aos Kaijus de Shinjuku!
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Re: Digimon Synthesis

Mensagem por Mr. Pines em Qua Nov 08, 2017 9:51 pm

Uma pequena edição que estou fazendo na fanfic. A organização Orpheus é um problema de memória. O nome será corrigido nos capítulos já postados e aparecerá corretamente, e sem confusão, espero, nos próximos capítulos.
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Re: Digimon Synthesis

Mensagem por KaiserLeomon em Qui Nov 09, 2017 6:06 am

Entendo Pines . Pode deixar vou dar uma respirada e ler o próximo capitulo . É muito legal acordar com uma historia para ler logo de manhã .
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Re: Digimon Synthesis

Mensagem por KaiserLeomon em Qui Nov 09, 2017 6:57 am

Interessante a Masha a Escolhida Russa ela pareceu pelo menos a primeira vista uma pessoa agradavel facil de se enturmar com os outros . Achei interessante ela dizer que queria conhecer Mako e perguntar para Daniel se Mako era a líder do grupo deles e com o fato dela ser uma " Escolhida Veterana " que já estava ao lado de Kudamon a mais de quatro anos que podia evoluir até o nível Ultimate / Perfect  . Puxa coitada da Mako . Ela foi amaldiçoada por um Digimon das Trevas que usou justamente sua virtude " O Amor " para deixa-la " doente " . Foi interessante que Kudamon pudesse perceber isso por ser um Digimon Sagrado e ele explicar que os membros da Ellada tentavam desacreditar a historia das Virtudes que uniam humanos e Digimon . Kkkkkkkkkk hilaria a maneira como Daiki , Daniel , Masha utilizaram Kudamon para entrar com SlashAgumon no interior do Hospital e reunir Mako novamente com seu Digimon provocando um fuzue com o Digimon Doninha para servir de distração . E interessante saber que existiam Trailmons cruzando as barreiras dos mundos e parando nas estações de trens da Terra com Digimon e que eles encontrarian-se com o suposto autor da maldição que tinha sido rogada em Mako num Trailmon que chegaria em Tokio a meia-noite daquele dia . Achei vertiginosa a batalha com o Digimon das sombras Twilimon no Trailmon voando no ar para outra parte do Japão . Nossa ! Twilimon é o maior sanguinario ele matou dezenas de Digimon no interior do Trailmon enquanto enfrentava os Tamers que não tinham absolutamente nada haver com isso e que só tinham tido a imensa infelicidade de estar dentro do Trailmon . Imagino que Twilimon deva ser um Digimon assassino dos mais sanguinarios e que os Escolhidos e seus Digimon tiveram uma bruta sorte porque ele somente " brincou " com eles e não lutou " a sério " senão os teria feito em pedaços igual fez com os infelizes passagueiros Digimon do Trailmon . E surpresa Twilimon é um Digimon de aparência humana . Imagino que Daniel nunca deva ter visto Digimon de aparência " humanizada " igual Angemon , Angewomon , Mervamon , Vênusmon , Bagramon etc correto ? Ou ele era um "BioDigimon" igual os hibridos criados por Kurata em Digimon Savers ? O fato de Twilimon conhecer Yasyamon mostra que ele pelo menos conhece os adversarios dos escolhidos embora eu não esteja certo de que seja um dos membros da Ellada nem da ZSC ele tem mais cara de ser um tipo de " Digimon Assassino de Aluguel " que vende seus serviços a quem lhe pagar melhor . Achei uma habilidade interessante a dele de conseguir desaparecer nas sombras é uma habilidade " estilo Batman " . E no final nem com todos os Digimon dos Escolhidos lutando tenazmente e Kudamon evoluindo para sua forma perfeita de Chirinmon conseguiram derrota-lo e ele escapou . Mas se como ele disse não tinha sido ele quem rogou a maldição em Mako então quem foi ? Ignifatumon ? E no final Masha e Kudamon acabaram se despedindo e indo embora junto com o Trailmon . Os Escolhidos vão ter uma senhora viagem de volta para Tokio . Bom capitulo Pines aguardo mais .


Última edição por KaiserLeomon em Qui Nov 09, 2017 7:29 am, editado 1 vez(es)
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Re: Digimon Synthesis

Mensagem por KaiserLeomon em Qui Nov 09, 2017 6:58 am

Mr. Pines escreveu:Uma pequena edição que estou fazendo na fanfic. A organização Orpheus é um problema de memória. O nome será corrigido nos capítulos já postados e aparecerá corretamente, e sem confusão, espero, nos próximos capítulos.

Tudo bem Pines sem problemas ^^ .
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Re: Digimon Synthesis

Mensagem por KaiserLeomon em Qui Nov 09, 2017 7:03 am

Um ultimo comentario Pines sobre o nível máximo de evolução que os Digimon podem atingir na sua fanfic . Se me permite dar uma opinião bem sincera eu acho que você não deveria tentar inventar um " nível de evolução onipotente " para os Digimon da sua fanfiction igual o " Nível Divino " do Collector em " Digimon Priests " . Para mim eu penso que seria mais do que suficiente simplesmente o " Nível Super Mega / Chou Kyuukyokutai " que é um nível de evolução dos Digimon que realmente existe porem que pouquissimos contados Digimon conseguem chegar a atingir e que só possui muito poucos Digimon registrados . Não existe necessidade de inventar coisas absurdamente acima disso o nível de evolução Super Mega / Chou Kyuukyokutai já seria mais do que o bastante para algumas evoluções burlescamente poderosas . Então na minha opinião você poderia ao invés de inventar níveis de evolução " absurdamente maiores " simplesmente seguir o canone original de Digimon e utilizar o nível Super Mega / Chou Kyuukyokutai que é um nível de evolução dos Digimon que muito poucos , contados mesmo , escritores de fanfics utilizam em suas fanfictions preferindo ao invés disso inventar níveis imaginarios de poder absurdamente maior para a evolução final de seus Digimon . Nada contra você querer narrar na sua historia como o poder absoluto pode ser perigoso quando possuido por seres que não estão consciêntes das responsabilidades que vem com o poder mas se é assim você poderia perfeitamente seguir o canone oficial de Digimon e ao invés de " Níveis Divinos " usar o bom e velho porém eternamente subestimado nas fanfictions de Digimon pela grande maioria dos autores nível Super Mega / Chou Kyuukyokutai . Que acha da sugestão ?
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Re: Digimon Synthesis

Mensagem por Mr. Pines em Qui Nov 09, 2017 8:13 am

Primeiramente, nunca tive intenção de dar poderes absolutos a estes protagonistas. Eles podem sim, em algum momento, enfrentarem algo que beire ao poder absoluto, mas não serão eles os portadores desse tipo de poder. Na verdade, até o momento, só planejei as evoluções até o nível mega. Não tenho certeza sobre isso, mas penso que o máximo que poderá acontecer é um power up para a Mako e SlashAgumon ao estilo Arc em Tamers.

Masha é uma menina bastante agitada e que não costuma guardar seus pensamentos presos, faz o que achar melhor e sempre diz o que quer que seja dito. Kudamon é bastante diferente dela, está sempre quieto em seu pescoço e pode facilmente passar despercebido. Acho que o tipo de dupla que eles formam é aquele em que um se completa nas características do outro.

Agora, Twilimon. Acontece que o Digimon mascarado não estava sozinho no trem. No início eu descrevi que havia um encapuzado e ao lado estava Twilimon, que era muitíssimo mais alto e vestia uma máscara assustadora e uma capa vermelha. Os Digimon que viajavam no Trailmon foram um improviso dele para demonstrar aos seus oponentes o quão forte ele era e só o fez depois que eles saíram de dentro do Digimon trem. Por isso Masha gritou para que eles ficassem, com medo do que poderia acontecer se saíssem. Foi tarde, eles já estavam fora e foram facilmente rasgados pelas espadas de rubi.

Twilimon em nenhum momento deu a entender que conhecia Yasyamon. Esta foi uma comparação feita do Dorugrowlmon enquanto o enfrentava. Em esgrima, Twilimon era tão bom quanto Yasyamon, embora a natureza de seus poderes o torne extremamente mais perigoso e mesmo as suas armas sejam especiais, o elevando a um outro nível.

Quando Daniel retira o capuz, não é o rosto de Twilimon que ele está vendo, pois, como disse, Twilimon estava acompanhado de outro alguém. O menino já havia se convencido de que aquilo não era um Digimon, pois lhe parecia fraco demais para ser um. De fato ele nunca viu nenhum Digimon com características humanas, mas ao tocar naquele rosto e ao jogar o capuz para trás, teve certeza de que era humano.

Pois bem, vendo o outro em perigo, Twilimon interrompe a sua batalha para ir buscá-lo em solo e desaparece assim que o enrola em sua capa vermelha. Esse tipo de movimento para desaparecer veio do Metaknight de Kirby, só uma curiosidade.

E achei que se lembraria do que Masha fez antes de se despedir e partir em viagem. Espero mesmo que Daiki ganhe confiança o suficiente para falar de seus sentimentos em relação à Mako.
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Re: Digimon Synthesis

Mensagem por KaiserLeomon em Qui Nov 09, 2017 9:19 am

Tudo bem Pines . A respeito do comentario que eu fiz sobre você utilizar o nível Super Mega / Chou Kyuukyokutai na verdade eu estava lhe fazendo a sugestão de que os Digimon de Mako , Daiki , e Daniel pudessem chegar a atingir o nível Super Mega / Chou Kyuukyokutai porque temos pouquissimos personagens de fanfics que atinguem esse nível de poder então eu pensei que você poderia tentar dar aos Digimon deles esse estagio de evolução porque seria inovador numa fanfic alguém dar aos Digimon dos personagens protagonistas o nível Super Mega / Chou Kyuukyokutai que é um nível de poder dos Digimon que eu praticamente não vi absolutamente nenhum autor usar nos Digimon dos protagonistas . Além de Taichi e Zeromaru o Veedramon de Digimon V-Tamers não vi mais ninguém usar o nível de evolução Super Mega / Chou Kyuukyokutai numa historia . Logico ... Não seriam só Mako , Daiki e Daniel que o alcançariam ... haveriam Digimon da Ellada e inimigos que já estariam nesse nível de poder que os heróis só alcançariam num momento super critico para enfrentar esses inimigos ... mas esta é somente minha ideia ... você provavelmente já deve ter a trama da fanfic toda delineada em sua mente então não precisa se preocupar eu entenderei se não puder usar .

Sobre o beijo que Masha deu em Daiki que é isso Pines foi só uma bituquinha de nada um jesto de carinho de uma amiga não foi um beijo ardente e apaixonado desses que a gente vê nos filmes no cinema . A Masha só fez para demonstrar carinho nada mais . Se ela quisesse mesmo poderia ter beijado Daiki sem rodeios mas ela respeita o Tamer da Esperança e espera que ele seja capaz de falar de seus sentimentos em relação à Mako. Enfim excelente capitulo . Um Abraço .
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Re: Digimon Synthesis

Mensagem por Mr. Pines em Qui Nov 09, 2017 9:47 am

Isso porque não estou me rendendo aos exageros da maior parte do cinema. Ainda mais por conta da idade dos personagens (13). Uma abordagem um pouco mais Stranger Things, Mike e Eleven. Acontece que isso pode sim ser significativo para eles. 

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Re: Digimon Synthesis

Mensagem por KaiserLeomon em Qui Nov 09, 2017 10:23 am

Ah sim . Entendo . Mas não vejo nada de assim tão errado . As crianças hoje em dia aprendem muito cedo sobre amor . Não é mais como antigamente em que elas eram totalmente ingenuas e desinformadas . Mas no caso eu imagino algo um pouco mais inocente tipo a cena do beijo de Thomas J. Senett ( Macaulay Culkin ) e Vada Sultenfuss ( Ana Chlumsky ) do filme   " Meu Primeiro Amor " ( " My Girl " ) . Tipo assim :

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Re: Digimon Synthesis

Mensagem por Mr. Pines em Qui Nov 09, 2017 10:48 am

Sobre a ingenuidade, eu tenho de discordar. Me parece mais uma visão saudosista do que a realidade. Algumas crianças são mais inocentes, outras são menos, isso em qualquer tempo. O que mais mudou foram os padrões de comportamento. Hoje meninos e meninas tem muito mais liberdade de escolha, quando ontem era fixo que os meninos deveriam crescer para serem homens que sustentam a casa e meninas para se tornarem mulheres que cuidem da casa. 

Tenho mesmo amigos que aos 14 já tinham feito muito mais do que beijar, mas, embora isso aconteça com alguma frequência, tem muito a ver também com o perfil de cada um e, nesse caso, com o perfil dos personagens (o que é moldado em parte pelo lugar em que vivem, as influências que recebem e esse tipo de coisa). Eles podem saber o que é esse tipo de amor sem que façam coisas relacionadas a ele. Acho que levando isso em conta, a cena de Stranger Things se encaixa mais com o que pode aparecer na fanfic.
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Re: Digimon Synthesis

Mensagem por KaiserLeomon em Qui Nov 09, 2017 11:53 am

Ok tudo bem eu concordo com você Pines . Não estou discutindo é apenas minha opinião particular de que eu preferia uma relação um pouco mais pura e inocênte . É que eu sou meio conservador demais quando o assunto são relações romanticas entre os personagens das historias que eu leio porem não nego que você esta completamente certo e hoje em dia as crianças conhecem o amor muito mais cedo e estão muito mais preparadas e aptas a relações romanticas que as crianças de antigamente . Então tudo bem para mim quanto a relação entre os personagens da fanfic ser no estilo da relação de Mike e Eleven de Stranger Things . Não vejo nada de errado nem tenho nada contra isso .
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Re: Digimon Synthesis

Mensagem por Mr. Pines em Sex Nov 10, 2017 10:42 am

Capítulo 11: Mako, Resista Contra os Kaijus de Shinjuku!
 
Um alarme começa a soar. O som agudo leva todas aquelas pessoas aos corredores. A luzes vermelhas inspiram um certo desespero em cada um deles. Os jalecos balançam juntos, os passos desorganizados ecoam por todo o andar. Empurram as portas duplas. Todos observam as telas que cobrem o local. No chão transparente é possível enxergar o servidor, uma quantidade absurda de computadores unidos para fazer com que aquele prédio funcionasse.
Algo estava vindo. As telas mostram um grande ponto vermelho. Nos painéis, onde muitas pessoas em macacões cinzentos se juntam para digitar, o leitor aponta para a quantidade de informações que está atravessando a rede em direção ao plano físico. Os cálculos são feitos para descobrir a quantidade de energia que é liberada.
Lá fora nuvens se condensam em cima de Shinjuku. É como se um vortex sugasse tudo naquela direção. Das nuvens escuras vinham as descargas elétricas que fizeram com que Mako acordasse no meio da noite. Acordou e estava sozinha, só poderia estar sozinha. Mas SlashAgumon a escutou, seus olhos verdes se abriram e a encararam. Se acalmou. Tivera um pesadelo horrível, contou a ele.
No edifício governamental de Shinjuku, a correria continuava. Pessoas em jaleco carregavam pastas e papéis para todos os lados levando informações novas retiradas das máquinas para a discussão. Três homens de terno adentraram o local, observaram os dados nos telões. Pessoas vestidas em macacões colocavam proteções extras e máscaras. Outros ligavam enormes cabos a estes.
Com câmeras especiais, eram suspendidos e levados a um tanque. Ali, mergulhavam num líquido estranho e viscoso. Deu-se o comando. O líquido começa a ferver, eles conseguem atravessar para o limbo entre o plano físico e a rede. A câmera capita uma silhueta. Um contador apita, a pulsação está acima dos limites.
Os cabos são puxados e os homens de macacão são levados a uma sala para a esterilização de suas roupas antes de as poderem retirar e avançar. Enquanto isso, o líquido para de borbulhar, mas, sob um som estridente, uma faísca se materializa dele. A estrutura começa a rachar. Uma equipe é chamada às pressas para conter o vazamento daquele líquido e impedir que a máquina se quebrasse.
– Essa é a maior quantidade de dados atravessando a rede desde... – Compara os históricos. – Dez anos atrás? O que houve...?
– Preparem o AISA. – Um dos homens de terno se aproximou dos painéis. – Se necessário, desviem o poder dos processadores para acelerar o carregamento.
Se virou para os outros dois. Um sorriso se abriu em seu rosto.
– É o momento perfeito para demonstrar o que conseguimos criar aqui. – Seus pés se moveram lentamente. O bater dos sapatos se repetia em eco pela cúpula. Levantou as mãos. – Os Digimon saberão qual é o seu destino agora.
 
 
Dorugrowlmon se cansou de voar. Pousou sobre um dos prédios. Dynalepmon ressurgiu no horizonte saltando, parou ao lado do dragão. Os dois meninos desceram. Havia algo de errado com Daniel, pensaram. O garoto estava distante desde que enfrentaram os dois Digimon na rota do Trailmon. Mas vendo a forma estranha como as nuvens estavam se movendo em direção ao centro de Shinjuku não os permitiu perguntar qual era o problema.
– Temos de ir logo. – Daiki sinalizou para que Dynalepmon o erguesse novamente para continuarem em direção ao hospital onde Mako estava internada. – Ou não vamos conseguir chegar a tempo.
– Não vamos. – Dorugrowlmon balançou a cabeça concordando. Logo depois aquele corpo se desmanchou e um Dorumon caiu exausto.
– Nossa batalha foi cansativa demais. – Agora era Lunamon que caia. O japonês conseguiu agarrá-la antes que batesse contra o chão.
– Mas... Nós vamos ficar presos aqui.
– Desculpe, Daiki.
– Tudo bem. – E percebeu que Daniel ainda estava preso nos próprios pensamentos. – Você não vai dizer nada?
Não obteve resposta. Balançou o ombro do outro. Ele olhou de lado, as sobrancelhas quase se encontraram. Daiki se afastou rápido e Daniel esfregou uma das mãos na testa.
– O que há com você? – Dorumon levantou a cabeça.
– Não era um Digimon. – Ainda os encarava por cima do ombro. – Era uma pessoa.
– Na verdade existem muitos Digimon que se assemelham a humanos. – Explicou a princesa. – Quando estava na Ellada, vi muitos destes. Os anjos que compõe a nobreza são geralmente dessa forma.
– Eu sei diferenciar uma pessoa e um Digimon. – O pescoço oscilou, ergueu a cabeça. – Existem pessoas como nós do lado deles? Como isso é possível? A Ellada não repudia humanos?
 
 
Houve um tremor. Todas as partes de Tokyo acordaram com o susto. Logo mais uma descarga elétrica acompanhou o surgimento de uma forte névoa nas principais estradas de Shinjuku. Uma criatura se materializou, virou a cabeça para cima e abriu a sua boca. Os dentes afiados foram revelados pela luz vermelha no fundo de sua garganta. Soltou um rugido.
Outro tremor. O homem de terno não entendia o que o impedia de desmanchar aquela criatura ou mesmo impedir a passagem para o plano físico. O AISA já estava pronto e em funcionamento, mas o monstro continuava a estabilizar o seu corpo.
– Falha na segurança! – Gritou alguém.
– Falha na segurança? – Correu até o computador em que o dono da voz digitava.
– O Aisa não está respondendo.
Um forte barulho agudo irrompeu a sala. Todos tamparam os ouvidos, os seus rostos se contorciam ao tentar apertar mais e mais no intuito de não escutar nada. Sessou. As telas da cúpula começaram a ser preenchidas por números zero e um.
– O que é isso?
Uma equipe tentou descriptografar o código binário, mas não encontraram nada senão uma enorme bagunça de letras ou palavras que não tinham o menor sentido.
– Estamos recebendo mais!
– Não param de chegar.
– Isso é... – Uma mulher se levantou. – Eles estão usando um DoS contra nós.
– Um DoS?
– Sim. Estão tentando sobrecarregar os nossos processadores.
– Isso eu entendo, mas... – Checou os monitores novamente. A quantidade de dados a chegar ao plano físico não parava de se expandir. – Mas como poderiam os Digimon fazerem isso? – Esfregou as mãos na cabeça. Tinha de pensar numa solução imediatamente ou estariam acabados. Um monstro daquele tamanho seria impossível de acobertar. – Os arquivos da Morpheus. Procurem nos arquivos da Morpheus!
 
 
 
 
– Uhm...
Do alto de um viaduto, Liam observava a incomum formação no céu. Um círculo negro se abria, era um furo na própria realidade. Tal pensamento era o suficiente para fazer a sua cabeça doer. A quântica nunca pareceu fazer sentido para a mente humana, mas, por mais que explodisse cabeças, estava certa sobre como as coisas ocorriam.
Lembrou-se dos cientistas que trabalhavam dentro da Morpheus, sempre colando aqueles eletrodos em suas cabeças na tentativa de entender o efeito que o contato entre humanos e Digimon tinha, o que a exposição às partículas que cobriam o aparecimento de um monstro digital poderia causar em corpos orgânicos e na vida.
Longe dali Noriko também observava os acontecimentos. Ninguém saberia o motivo de a professora estar dirigindo numa hora daquelas. Já chegava a Akihabara. Tinha certeza de que encontraria Sana acordada. A moça tinha hábitos noturnos incomuns para as pessoas equilibradas, hábitos que apenas os mais obscuros fãs de jogos e animações conseguiam suportar, passando, às vezes, mais de setenta horas acordada.
Quando Noriko bateu na porta, ela logo se abriu. Vinha uma figura horrível da menina, as olheiras roxeando o rosto, os cabelos desarrumados, uma camiseta toda amarrotada e branca. Noriko teve certeza de que a roupa debaixo era rosa e a peça inferior aparecendo sempre que a camiseta era balançada confirmou para a mulher.
– Sana, pelo amor de deus. – Um pacote vermelho de salgadinhos pendia das mãos da outra. Os dedos alaranjados pelos farelos, um cheiro forte de queijo nacho. Sana mal conseguiu segurar um arroto, e lá vinha novamente o cheiro de nacho misturado ao de tortilhas de milho e refrigerante de cola.
– O que foi?
– Você deveria cuidar da... Sua privacidade! – Apontou para a roupa debaixo aparecendo sob a camiseta.
– Ah, o que foi, Nori-chan?! – Puxou a camiseta para cima, mostrando não só a peça como a barriga e o umbigo. – Eu estou na minha casa. Se eu quisesse ficar nua o tempo todo eu ficaria!
– Sana, você abriu a porta assim! Alguém poderia ver você de... De...
– O que foi Nori? – Se inclinou na direção da outra e ela conseguiu confirmar também a cor do sutiã quando a gola se estendeu para baixo. Sana tinha um sorriso insinuador. – Não acha que está velha demais para ter medo de dizer calcinha? Ou nova demais para julgar os hábitos dos outros? – Depois, ereta, olhou as roupas de Noriko dos pés ao tronco. – Nem todos gostam de ficar nessas roupas metidas e desconfortáveis.
– Tudo bem, Sana. – Noriko desviou o rosto. A outra teve certeza de que o rosto dela estava ficando vermelho.
– Somos amigas há tanto tempo e você ainda tem vergonha de mim? – Se aproximou. – Guarde o vermelho para... – Se ergueu nas pontas dos pés, tocou a orelha de Noriko com os lábios, sussurrou, a outra já se arrepiando. – ...para o Liam.
Noriko quase saltou para trás. Mas respirou fundo e apenas afastou a amiga com as mãos. Olhando, ali daquela varanda que conectava os apartamentos, se lembrou do que a levou ali. Estavam numa situação de emergência. O céu girava em torno do furo que surgiu no centro de Shinjuku.
– Estamos com problemas.
Entrou. Bateram a porta e correram para o quarto. Havia uma quantidade incontável de gabinetes de computador, além da enorme cadeira, a mesa e o computador que Sana usava para jogar. Haviam três telas, mas só a central transmitia o jogo no momento, as outras passavam slides de imagens agradáveis. O mouse e teclado tinham luzes muito fortes e mudavam de cor a cada minuto que se passava. Na tela central, Noriko pôde ler, acima de vários cubos com miniaturas de personagens, um “Escolha o seu herói” enquanto uma menina fofa vestida em colante azul posava na frente de um enorme robô rosa.
– Ela parece com você.
– Não é? – Sana se animou. Começou a dar pulinhos de alegria. – Eu sempre faço cosplay de D.Va quando estou no Twitch.
– Ela realmente se parece com você. – Esticou-se sobre a mesa e ficou olhando o mecha.
– Ah. Entendo. Tempos de Morpheus. – Pulou na cadeira, deu dois giros antes de tocar o teclado e fechar o jogo. Agora uma tela mostrava duas fotos, eram dois garotos muito pálidos.
– Eles estão nos escutando?
– Nah, eu mutei o meu microfone.
– Mutou?
– É, eu estava fazendo coisas. – Pegou no mouse. Deu duplo clique num ícone estranho, como um dinossauro de dentes enormes, a boca aberta, um estilo minimalista e geométrico. Era azul prateado. A interface mudou completamente.
– Coisas?
– Sim. Coisas. – A coreana franziu as sobrancelhas. – Vai me dizer que você nunca faz coisas.
– C-coisas?
– Tanto faz, Nori. Eu só estava vendo uns vídeos sobre um herói novo que estão lançando.
– Mesmo?
– Escolha a sua versão da história. – Começou a digitar. – Ainda consigo acessar os satélites da Morpheus. Nós adoramos lotar o nosso espaço de lixo. Nunca retiraram os satélites de uma organização morta.
– E o que você vê?
– Eu vejo tudo que está por detrás das cortinas, Nori. – Seus olhos castanhos se arregalaram. – O governo realmente deu continuidade ao AISA. Estão o rodando agora. – Se virou para trás. – Hey! Hagurumon, Lopmon!
O Digimon engrenagem flutuo até as duas. Um outro, muito pequeno, bateu as orelhas, muito parecido com Terriermon e pousou o seu corpo no escuro, só o seu rosto iluminado pela luz do computador.
– Reconhecem isso?
Nas telas laterais, Sana conseguiu transmitir imagens das câmeras de Shinjuko em diferentes ângulos. Um Dinossauro de escamas pretas estava agachado. Duas garras pousaram sobre carros e os quebraram, apertou-os contra o concreto que começava a rachar.
– Dark...
– Tyrannomon!
– Então temos um godzilla. – Sana puxou um Digivice. – DarkTyrannomon, Digimon dinossauro do tipo vírus. Nível adulto.
– Isso é mesmo um Digimon adulto? – Noriko olhou para os números que apareciam em tela. – O fluxo de dados é incomum para um Digimon desse nível.
“Pink, você está aí.”
“Não vai jogar?”
– Ah! Você disse que eles não estavam escutando!
– Eles não estão. Mas isso não os impede de falarem comigo. – A menina voltou para a área de trabalho, abriu o programa que usava para se comunicar com os colegas de jogo. Apertou sobre um ícone de microfone que estava cortado. – Ei, não vou poder agora. Minha amiga Noriko está aqui.
“Noriko?”
“É aquela que você falou pra gente?”
“Mostra ela pra gente!”
“Você não disse que queria...”
Sana ficou vermelha. Apertou logo um ícone em forma de telefone e encerrou a chamada.
– Eles sabem sobre mim?
– Eles sabem tudo sobre você.
– SANA!
 
 
 
 
– Ghhhhrrrrr! – SlashAgumon olhava para o furo no céu de Shinjuko. A névoa começava a atingir a rua do hospital também. – Mako! Um Digimon muito forte!
Mako parou ao lado dele. Tinha dificuldade para ficar em pé, suas pernas estavam demasiadamente bambas, seus pulmões ardiam sob qualquer esforço, mas sabia que os garotos estavam longe. Mentalizou que deveria fazer algo, que deveria lutar ao lado de seu parceiro.
– Nós damos conta.
– Eu vou saltar! – SlashAgumon subiu no parapeito e saltou para a rua. Mako não teve tempo de tentar segurá-lo, mal tocou na ponta de sua garra. Um estralo se seguiu e poeira e detrito se levantou. Ao se dissipar, lá estava o réptil. Suportara uma altura que Mako julgou que o poderia machucar muito. Acenou para a garota.
– Deixa comigo! – Terriermon abriu as orelhas e se agarrou nas costas da menina. À medida que ele batia as orelhas, ela sentia seu corpo ficando mais leve. Subiu no parapeito também e pulou.
Desceu devagar com o pequeno servindo como paraquedas. Quando na rua, ele continuou a apoiando ao bater as orelhas. Assim, mesmo com toda a fraqueza ela foi capaz de andar. Como cada impulso dos pés a levava metros à frente antes de ter de tocar o chão novamente, sentiu-se remando um skate. Lembrou-se dos amigos em Seattle cruzando a cidade em longboards. Se imaginou fazendo aquilo.
SlashAgumon corria ao lado deles. Logo puderam avistar uma silhueta assustadora, um dinossauro que rugia. Uma luz desceu em direção a ele e uma voz inexpressiva se espalhou, era ouvida aos que estavam próximos e transmitidas por todos os aparelhos eletrônicos ligados.
“Humanos, aqueles que um dia nos deram vida. Talvez esqueçam a capacidade da evolução e da consciência de matar aos deuses. Para nós, os humanos já não têm essa função. Não. É arrogância de vocês pensar que podem determinar o nosso destino.”
Os homens de terno estremeceram. O prédio governamental tremeu enquanto aquela voz tomava em eco a cúpula que utilizavam para observar e analisar os incidentes.
“AISA, deusa grega, simbolização do destino. Mas o único que pode nos dizer o nosso destino é nosso rei, e o único deus de que precisamos é nosso rei.”
– ZSC? – Mako parou observando a criatura. Todas as estruturas ringiam ao mínimo movimento de seu corpo.
– Não. – A voz de Terriermon expôs todo o seu nervosismo. – A ZSC trabalha nas sombras. Isso é uma declaração de guerra. Ele é do exército real da Ellada.
“Digimon que atingiram o plano físico, se ergam. Não há mais a necessidade de se esconder. Eu não sou a ZSC, eu não preciso das sombras. Eu sou a voz da Ellada, a mensagem de nosso rei, a mensagem do supremo, a declaração última. Um arauto de guerra.”
A luz pousou sobre a cabeça de DarkTyrannomon. Parou de brilhar.
“Medusamon, Digimon homem deus do tipo vírus. Nível mega.”
– Não. Ela não pode... – Terriermon gemeu. Abandonou Mako no asfalto e começou a voar em direção ao topo da cabeça de DarkTyrannomon. – Cuidem dele. Vocês não serão páreos para Medusamon.
“Terriermon evolui para...”
Terriermon iluminou o céu. Quando a luz dourada se dissipou, uma máquina banhada em ouro voava em alta velocidade.
“Rapidmon!”
– Ele consegue mesmo evoluir sozinho? – Mako puxou o Digivice.
“Rapidmon. Digimon cavaleiro sagrado do tipo vacina. Nível armadura/perfeito.”
– Quantos níveis de evolução existem?
O dinossauro negro começou a se mover. Suas garras se moveram tentando agarrar Rapidmon, mas o corpo dourado se desviou desenhando o céu com a sua luz. Mako conseguiu ver, com dificuldade, quando ele encontrou Medusamon. Um estrondo surgiu do impacto de seu corpo metálico com o da Digimon deusa. Sob uma enorme faísca, os dois corpos se levantaram cruzando o céu. As luzes mais fortes indicavam um confronto direto. Fizeram isso até atingir o buraco no céu de Shinjuku.
– Terriermon! – Gritou Mako.
– Mako. – O réptil amarelo ainda rugia. – Temos de lutar, temos de lutar pelo Terriermon. SlashAgumon quer proteger esse mundo.
– A-Agu... – O rosto da menina oscilou. Parou, os olhos refletiam a imagem determinada e agressiva do parceiro. Piscou e eles ficaram úmidos. – Sim!
O dragão logo foi envolvido pela luz da evolução. O seu corpo se expandiu para a forma de Sgarfirdramon. Suas asas se abriram cortantes e ele se atirou na direção do oponente, se chocou contra ele. Agora as duas garras disputavam forças.
O problema era que o coração de Mako não suportava aquela dor, como se todo o amor que sentia por SlashAgumon e pelos outros estivesse prestes a se agitar tanto que romperia o seu peito. A menina caiu de joelhos.
– MAKO! – A voz grave de Sgarfirdramon chegou até ela. – MAKO!
O dragão olhava para trás, onde a parceira sofria. A distração fez com que DarkTyrannomon vencesse naquela disputa de forças e jogasse o parceiro dela contra um viaduto. Assim que seu corpo caiu, o dragão revidou com um jato de fogo em espiral. O golpe engoliu o dinossauro de escamas pretas e pintou as ruas com sua luz vermelha. Crianças e adultos se juntavam nas janelas e varandas dos prédios para ver o que acontecia.
Sachi teve certeza de que a menina que via sofrer na rua era a sua amiga. Apertou as mãos no peito. Ela não tinha tempo para se alegrar por saber que estava certa sobre os monstros que estavam na cidade de Tokyo e o envolvimento deles, Mako, Daniel e Daiki, com isso. Ela só tinha tempo para pensar na amiga e pedir para que ela resistisse.
– MAKO! – Sachi bateu contra o parapeito da varanda. – MAKO!
Os seus pais não entendiam o motivo de a menina gritar aquele nome.
– RESISTA, MAKO!
DarkTyrannomon pulou, caiu sobre o corpo de Sgarfirdramon. Nos seus braços haviam cintos de couro enrolados. O Digimon não entendeu qual era a serventia daquilo, mas tentou atacar por imaginar um ponto fraco. Falhou. O outro bateu em seu braço impedindo o avanço do golpe e depois começou a pressionar o seu rosto com uma das mãos enquanto dispendia um jato de chamas contra ele.
“Mako.”
A menina ouvia a voz de SlashAgumon, não de Sgarfirdramon. Ouvia também o batimento de um coração.
“Resista, Mako!”
Agora ouvia também a voz de Sachi. Com o rosto se contorcendo em dor, olhou para cima, buscou pela menina. Teve certeza de que ela estava naquele prédio, de que a assistia. Tinha de ser mais forte que aquilo. Se levantou, gritou. Junto dela, Sgarfirdramon superou a pressão de DarkTyrannomon, atirou aquele corpo para trás e levantou rugindo.
– AAAAAAAHHH! – Pisou firme no chão, como se andasse a algum lugar resistindo a uma grande força contrária. Fez o movimento de um empurrão.
O dinossauro, que se levantara, começava a medir forças novamente com o Dragão, mas desta vez, o segundo levou vantagem. O empurrou de volta para o chão. Levantou o pescoço, sua boca se abriu emitindo um intenso brilho vermelho, ao abaixar, o fogo saiu em espiral e atingiu a rua e o seu oponente. DarkTyrannomon explodiu em dados.
Mako arfou e caiu de joelhos novamente. O corpo de Sgarfirdramon se desmanchou e o pequeno SlashAgumon cruzou todo o espaço para encontrar a parceira.
– Mako!
– Eu estou bem... – Era como se algo a prendesse antes, como se houvessem correntes em seus pulsos. Ela quebrou as correntes e se sentia livre, mas demoraria a parar de sentir a dor dos ferimentos das algemas. Mas o pior havia passado. Ela abraçou o parceiro.
Helicópteros militares começavam a entrar no espaço aéreo de Shinjuku. Ao ver aquilo, Mako puxou SlashAgumon. Os dois se esconderam num beco. Logo mais vinham as vans pretas com suas antenas girando.
–  Por aqui! –  Ouviu uma voz familiar.
–  Sachi?
A menina ajeitou os óculos. Abria a saída dos fundos de um prédio de poucos andares. Mako correu até ela e o réptil a acompanhou. Sachi ficou entre o medo e a excitação de finalmente ver algo assim de perto, mas se ele não era perigoso para Mako, confiou que fosse bom.
–  Rápido.
Os dois entraram. A menina de óculos fechou a porta.
–  Obrigado. –  Mako segurou o braço da amiga. –  Eu escutei a sua voz. Você me deu forças.
–  Ah, Mako... Não faz isso. –  As lágrimas começavam a escorrer por debaixo da armação dos óculos. –  Que eu... sniff... fico toda... sentimental. –  Tirou os óculos para esfregar os olhos. Mako o pegou das mãos da outra e a abraçou.
 
 
 
 
– Mako.
Liam ainda observava o céu. O furo começava a se fechar. A neblina se dissipou.
– Aquela criança. – Se lembrou do encontro que teve com a garota e o réptil no estacionamento quando perseguiu Flarerizamon. – Ela salvou essa cidade?
Começou a caminhar pela passarela. Esfregou as mãos no rosto.

– Era esse o objetivo da Morpheus?
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