Digimon Truth

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Digimon Truth - Página 2 Empty Re: Digimon Truth

Mensagem por Dragon em Seg Nov 07, 2011 6:58 pm

@Maf: Eu inventei o digivice dourado antes de Xros Wars e você está de prova HAUAHUAHUAH Anyway, que bom que gostou xDD

@Ray: É uma versão mais inteligente do Masaru HAUHAUAHUAAH E que bom que gostou Ray, estou me esforçando para fazer algo que seja realmente novo e criativo xD E a Angel virou minha preferida dos personagens que eu já criei xD

@TK: Esse capítulo tem menos luta, acho que vai dar para respirar xD E tomare que eu continue melhorando @_@

Bem, aqui está o capítulo depois de mais de um mês o/ Eu pessoalmente achei que a escrita dele ficou meio inconsistente, por que eu escrevi ele num espaço de tempo muito longo. No meio ele fica extremamente formal, e pro final ele perde toda formalidade xD Mas vamos ver o que vocês acham o/ Qualquer referência a memes não é mera coincidência.

Capítulo 3 – Live free or try hard

Draco carregou a moto e os dois humanos enquanto sobrevoava a fronteira com o estado do Novo México, só parando ao chegar na fronteira com o Texas. O digimon voltou a sua forma pequena e se recolheu dentro do dispositivo digital que Dante carregava no bolso. A organização não tinha a capacidade de rastrear Draco especificamente, mas um digimon atravessando três estados em alta velocidade chamaria atenção. Agora eles precisavam ser discretos.

Deitado numa cama de um pequeno hotel a beira da estrada, no interior do Texas, Dante repassava mentalmente os fatos. Ele não pretendia fugir das instalações subterrâneas tão de repente, mas a situação agora era irremediável. Os rostos dele e de Angel a esta altura estavam em todos os bancos de procurados do país. Draco, que havia ficado cansado depois de tanta diversão descansava dentro do digivice preto e dourado, onde não poderia ser rastreado. Angel estava no quarto ao lado, provavelmente dormindo também. Pela primeira vez depois de muito tempo, Dante sentia a desolação de estar sozinho e perdido no mundo. A vida daqui para frente não seria nada fácil, a luta pela sobrevivência estava apenas começando.

As divagações do ruivo foram interrompidas por algumas batidas rápidas na parede fina, vindas do outro quarto. Dante achou que estava ouvindo coisas, mas quando elas se repetiram ele rapidamente se levantou para prestar atenção.

-Você está acordado? - Soou a voz doce de Angel, abafada pelas paredes finas de material pouco confiável. - Não consigo dormir.
-Nem eu – Respondeu Dante. - Imagino que pelo mesmo motivo. Quer conversar?
-Claro. - Dante saiu de seu quarto como se não quisesse acordar uma criança. Que idiotice pensou ele, era óbvio que Draco não ia se incomodar pelo barulho da porta. Ele foi até a porta do quarto de Angel e deu três batidas rápidas. A aparência da garota era cansada quando ela o atendeu, ela claramente não estava acostumada a esse tipo de ação. Os dois se sentaram na cama com espaço para uma pessoa, um de frente para o outro. - O que vamos fazer agora Dante?
-Vamos fugir do país. Aqui nós entramos na lista dos mais procurados da américa, em outros países nós sequer existimos. - Respondeu Dante sem exitar. - Eu tenho um contato na Flórida que trabalha com imigração ilegal, ele vai nos ajudar.
-Parece que você tinha tudo preparado com antecedência. Quer dizer, aquela moto não se materializou sozinha.
-Eu sempre soube que um dia eu teria que fugir daquele lugar, só não imaginava que ia entrar outra pessoa no plano. - Respondeu Dante sorrindo. - Um dia eles iriam querer transformar Draco na cobaia de laboratório numero um deles.
-Depois que eles terminassem de brincar com a garota demônio né. - Disse Angel em tom sarcástico. - Você nunca me contou sua história com Draco. Por que ele é especial?

Dante se esticou na cama, colocando as mãos atrás da cabeça e se acomodando, como se fosse começar uma história muito longa.

-Acho que agora podemos conversar em paz. Bem, o Draco é o que se pode chamar “puro sangue”. Ele é um digimon nascido no mundo digital, que viveu naquele mundo antes de me conhecer. - Dante passou a falar em tom sério, fazendo questão que Angel entendesse a gravidade da situação. - É hora de você entender com quem estamos lidando. O local onde estávamos e que eu trabalhava é uma organização sem nome, sem registros, sem rastros e sem evidências que apenas os altos escalões do governo tomam conhecimento. Nosso trabalho era controlar incidentes envolvendo digimons por todo EUA. Tecnicamente, eramos os bonzinhos. Agora, o pessoal do qual eu te salvei, aqueles são os loucos de verdade. São uma facção terrorista chamada Digital Hazard, que encaram os digimons como a maior ameaça já sofrida pela humanidade. Os planos deles incluem a total erradicação dos digimons e de seu mundo. Um dia interceptamos uma comunicação codificada dizendo que estariam transportando uma nova arma, e foi aí que nos conhecemos. Nesse exato momento, os dois estão atrás de nossas cabeças.
-Aventura para uma vida toda! - Respondeu Angel tentando demonstrar excitação. - Pelo menos temos a esperança que os dois se batam até a morte e nos deixem em paz.
-Não é uma hipótese que eu descartaria. Mas voltando ao assunto de como eu conheci Draco, os meus pais faziam parte da Digital Hazard. Eram um casal de cientistas trabalhando em uma forma de abrir um portal para o mundo dos digimons, com o objetivo que você já deve imaginar. O que eles não sabem, é que meus pais conseguiram abrir o portal. - Dante fez uma pequena pausa e respirou profundamente. - Eu passei toda minha infância dentro das instalações da Digital Hazard, brincando entre experimentos e vendo digimons sendo usados como cobaias. Uma noite, enquanto eu esperava meus pais terminarem o novo projeto deles, uma especie de portal se abriu bem na minha frente. De dentro dele, saiu um pequeno ser parecido com um dragão que não tinha braços nem pernas. O portal dos meus pais tinha funcionado, e aquele pequeno digimon passou por ele. O dragãozinho se identificou como Petitmon. Ele disse que estava fugindo de um digimon extremamente forte e perigoso que estava atacando o local onde ele vivia e no meio do caos entrou no portal.
-Quer dizer então que você só encontrou o Draco por causa dos seus pais?
-Exatamente. Se eles não tivessem conseguido abrir o portal naquela noite provavelmente Draco teria morrido em seu mundo e eu provavelmente estaria até hoje na Digital Hazard.
-E depois disso? Draco apareceu no meio de uma organização terrorista e..? - Angel expressava extrema curiosidade na voz.
-Calma calma, o contador de histórias aqui sou eu. Com muito choro e muita pirraça eu convenci meus pais a não entregar Draco, na época Petitmon. Para mim digimons eram bichos de estimação. Mas o inocente Petitmon mudou a forma como meus pais viam os digimons. Ele não era uma ameaça, de forma alguma, e meus pais começaram a questionar a ideologia da facção. Mas havia um problema, Petitmon ficava cada vez maior e mais forte graças ao meu espirito e em pouco tempo não daria mais para escondê-lo. Meus pais então criaram o digivice preto e dourado que você viu, que é capaz de ocultar completamente a presença do Draco. Mas já era tarde demais, meus pais foram intimados a comparecer numa audiência com a alta cúpula da DH, eles sabiam que daquela reunião eles não retornariam. Na noite anterior eles destruíram cada pequeno pedaço da pesquisa deles, incendiaram o laboratório e me esconderam num caminhão de lixo para fugir dali. Depois desse dia eu nunca mais os vi. - Uma lágrima furtiva rolou pelo rosto do ruivo. Era a primeira vez que Angel escutava a história de Dante e também se sentiu emocionada. A garota enxugou a pequena lágrima teimosa com a ponta dos dedos e sorriu docemente para o rapaz.
-Não se preocupe, eu sei como é.
-Petitmon evolui para Dracomon poucos dias depois. Eu comecei a chamá-lo de Draco quando ele me disse que cada vez que evoluísse ele mudaria de nome. Seriam muitos nomes para se lembrar. O resto, é história. - Dante endireitou o corpo e sentou na beirada da cama, preparando para se levantar. - Acho que depois dessa bela história você consegue dormir e sonhar com pôneis cor de rosa.
-Obrigado por ter vindo me fazer companhia. - Disse Angel passando o dedo pelos cabelos vermelhos do rapaz. Ela deu um beijo na bochecha de Dante. - Agora volta pro seu quarto, antes que comecem a falar sobre a gente.

O rapaz voltou para o seu quarto caminhando sobre as nuvens, e dormiu tranquilo como um bebê.

–//////--

Em uma loja de roupas um rapaz de cabelo preto e olhos verdes sentava impaciente numa poltrona de frente a um provador. Ele parecia estar cansado de esperar quem quer que seja sair da cabine de roupas.

-Ei, você vai demorar muito ainda? - Disse ele apoiando o cotovelo no braço da cadeira e deixando o queixo cair sobre a palma da mão aberta.
-Quase saindo já! - De dentro do provador saiu Angel em trajes completamente novos. Ela estava vestindo calças de couro, botas de cano alto, camiseta vermelha e jaqueta jeans de cor escura. - E então, o que acha?
-Agora sim você vai passar despercebida! - Respondeu o rapaz com certo sarcasmo.
-Fala sério Dante, você só queria me ver usando calça de couro. Era realmente necessária essa produção toda? E por que você mudou a cor do seu cabelo? Eu gostava tanto.
-Se você estiver procurando por um motoqueiro ruivo, você tem uma descrição bem exata. Agora, se você está procurando por um homem de cabelo preto, alto e de pele branca, você está procurando por metade da população dos estados unidos. Você usando essas roupas, nós parecemos um casal qualquer em viagem. Antes parecia que eu tinha ajudado uma adolescente maluca a fugir de casa.
-Meus pais nunca vão te perdoar!
-Eles vão quando souberem que eu salvei sua vida. - Brincou Dante enquanto se levantava e seguia para o caixa. Ele tirou um maço de dinheiro do bolso e entregou para o dono, logo após indo embora com Angel.
-Eu não sabia que você tinha tanto dinheiro assim.
-Eu tenho muito mais dinheiro do que você pode colocar numa única conta de banco. - Disse Dante com um leve sorriso.
-Dá pra você falar sério por um minuto?
-Eu já disse, eu estava me preparando para esse dia há anos! Tenho pilhas de dinheiro guardadas em vários bancos ao redor do mundo, em várias contas diferentes. Não podemos nem sequer sonhar em usar outra coisa que não seja dinheiro vivo, então eu fiz um bom estoque.
-Me sinto andando com um criminoso profissional.
-Criminoso não, profissional sim. Agora veja bem Angel, nos temos que chamar o mínimo de atenção possível. Isso significa que se virmos um lugar que parece ter dinheiro para ter câmeras de segurança, vamos passar direto. E também que você precisa controlar suas emoções.
-Quer dizer que o pobre Megy não vai poder sair pra respirar ar fresco? - Brincou Angel.
-Megy? - Perguntou Dante, levantando uma sobrancelha.
-O que, não posso dar nome pro meu digimon?
-Se isso te deixa feliz garota demônio, o que eu posso fazer?
-E te catar, você vai?
-Depois, vamos almoçar agora. - Dante e Angel entraram num pequeno restaurante. Por um instante Dante imaginou como seria ter uma vida normal. Conhecer Angel em circunstâncias menos drásticas, viajar por aí apenas por diversão e não para salvar suas vidas. Após algum tempo, o rapaz concluiu que seria um tédio.

–//////--


Dois dias após, evitando os grandes centros urbanos, os fugitivos se aproximavam da fronteira com a Louisiana. Os dois entraram em uma cidade de porte médio, onde poderiam comer e descansar. Angel queria tomar banho, e Draco reclamava a cada cinco minutos que estava morrendo de fome. O grupo então se separou para buscar os objetivos. Angel iria tentar encontrar um hotel para repousarem, enquanto Dante procuraria um restaurante discreto para que eles pudessem fazer uma refeição.

A garota andou a esmo por alguns minutos pelas ruas da cidade. Angel estava atordoada, era a primeira vez em muito tempo que ela experimentava a sensação plena de liberdade, ou pelo menos a impressão dela. Enquanto ela caminhava distraidamente, pensamentos começaram a inundar sua cabeça, coisas que ela nunca tinha pensado antes. Será que ela teria que fugir pelo resto da vida? Mais importante, será que ela ficaria para sempre junto de Dante e Draco? Ela com certeza apreciava a companhia dos dois, mas aquele questionamento fazia com que ela pensasse em Dante de outra forma. O ex-ruivo mexia com os sentimentos dela, quando estava ao lado dele era sempre como se ela estivesse voltando a vida depois de experimentar até onde a crueldade e devassidão humana poderiam chegar. Mas ao imaginar o seu corpo indo de encontro ao do rapaz, os seus lábios tocando os dele, um arrepio percorria a espinha de Angel. Ela ainda tinha cicatrizes muito profundas de tudo aquilo que vivenciou. Aos poucos ela tentava quebrar essas barreiras, com um abraço, um pequeno beijo na lateral do rosto, pequenos gestos de carinho. Confortava seu coração pensar que Dante a enxergava com os mesmos sentimentos, e não a olhava como um pedaço de carne.
Será que todo o carinho que o rapaz já demonstrara anteriormente por ela era a forma que Deus encontrara para pagar por tudo que ela já havia sofrido?

De repente as divagações de Angel foram interrompidas por algo que chamava sua atenção. Em uma esquina, num pequeno estacionamento de carros, um barulho estranho e insistente destoava com os sons da cidade. Um chiado estranho, como de um bater de asas insistente, do tipo de insetos fazer ao ficarem presos em um vidro ou uma porta.
A garota atravessou a rua e se aproximou do lugar, tentando identificar a origem do som. Estranhamento, o barulho parecia estar vindo do nada. Angel caminhou até o centro do espaço, onde parecia ter ficado logo abaixo da fonte do barulho. Repentinamente, um buraco se abriu no ar, grande o bastante para um ônibus passar por ele. Assustada, a jovem correu e se escondeu atrás de um carro, poucos instantes antes de dois insetos de proporções monstruosas serem arremessados do portal.

-É o cúmulo da falta de sorte! - Pensou Angel tentando não fazer nenhum movimento que pudesse denunciar sua localização. Os dois digimons, um parecendo uma abelha gigante, e o outro um besouro vermelho com grandes presas, se encaravam ferozmente. Angel sentiu uma gota de suor frio escorrer pelo seu rosto, enquanto seu coração começava a bater tão forte que parecia querer saltar do peito. - Se controla! Se controla! Megidramon não pode causar o caos aqui! Lembre-se do que Dante disse!

Enquanto Angel repetia mentalmente estas palavras, ela escutou os pedestres horrorizados com as aparições. Alguns saíram correndo imediatamente, outros pareciam querer ver o desfecho do embate.

-Que tipo de bruxaria é essa?!? - Perguntou um homem parado na calçada.
-Santa mãe de Deus! - Exclamou uma mulher enquanto tirava os óculos escuros, para poder enxergar melhor.

A tensão no ar foi cortada quando a abelha avançou ferozmente contra o besouro. O digimon abelha lançou seu ferrão na direção do besouro como se fosse um arpão. O besouro vermelho desviou, e o arpão acertou um táxi que passava pela rua, destruindo o assento traseiro.
Quando o motorista finalmente conseguiu sair do carro, todos os pedestres em volta já haviam corrido, gritando desesperador. Alguns gritavam que eram as bestas do apocalipse, outros que eram aliens assassinos. Mas nenhum deles quis esperar para descobrir.

Quando os dois insetos levantaram voo trocando golpes e ferroadas, Angel achou seguro sair de seu esconderijo. Do meio da rua, ela teve uma visão clara dos dois digimons lutando no céu, voando desengonçadamente como duas mariposas tentando alcançar uma lampada. Angel simplesmente não sabia como reagir a aquela situação.


–//////--


Dante estava acostumado a chamar a atenção por onde quer que andasse, com seu chamativo cabelo vermelho. Era engraçado passar despercebido no meio de tantas pessoas atarefadas com seus afazeres, ele tinha certeza de que se um policial perguntasse por ele naquela cidade todos iriam responder que nunca tinham visto seu rosto antes. No final do que parecia ser uma avenida, o rapaz localizou o que parecia ser uma lanchonete, perfeita para o seu propósito de comprar comida sem ser flagrado em alguma câmera indiscreta.

Ele caminhou tranquilamente em direção ao seu objetivo, até que começou a perceber uma movimentação estranha. As pessoas que passavam por ele não pareciam mais distraídas por suas preocupações, elas estavam assustadas e tentando fugir de alguma coisa.

-É um monstro! - Exclamou uma mulher que passou correndo por ele.
-Oh Deus, será que Angel arrumou confusão? - Ele falou se voltando para tentar entender de onde vinha o fluxo de pessoas.
-Me deixe sair, posso seguir o cheiro dela! - Disse Draco de dentro do digivice. Nesse momento, dois enormes insetos passaram voando sobre as cabeças deles, fazendo barulho como se fossem dois helicópteros.
-Acho que não será necessário. - O rapaz começou a perseguir os dois alegres insetos barulhentos. Talvez não fosse a atitude mais sensata, mas Dante estava cansado de monotonia.


–//////--


Os digimons voavam mais rápido do que Angel conseguia acompanhar. O fato de não seguirem um traçado exato só deixava a perseguição mais divertida ainda. Por um momento a garota se perguntou que tipo de idiota ela era, para estar correndo sem rumo atrás de dois monstros voadores. Decidiu pensar nisso depois.

Os dois digimons seguiram para uma pequena área residencial com casas feitas de madeira. Logo que começaram a sobrevoar o local, as pessoas se dispersaram. Agora eram apenas os digimons disputando seja lá o que for que digimons precisem disputar, e a pequena intrusa observando a batalha.

Quando o digimon abelha voou por sobre a cabeça de Angel, o besouro vermelho notou sua presença e começou um rasante em direção da moça. O monstro se aproximava mais e mais, e Angel sentiu como se Megidramon estivesse enfurecido, lutando para ser liberado. E talvez essa fosse a única opção... Angel estava a ponto de relaxar e deixar o réptil voador fazer o trabalho, quando um borrão azul agarrou o besouro vermelho e o arremessou em direção ao céu.

-São apenas um Kuwagamon e um Flymon, você não deve ter problemas com eles em sua forma de Coredramon. - Soou a voz familiar. - Mas não use nenhum ataque especial, não vamos arriscar colocar fogo nas casas.
-Roger! - Respondeu Draco, avançando contra o Kuwagamon.
-O que você está fazendo aqui? Tentando se suicidar em grande estilo? - Perguntou Dante se aproximando rapidamente de Angel.
-Tive o pressentimento que te encontraria por aqui. - Respondeu ela, ainda tentando controlar suas emoções. - Achei que você os seguiria também. O que aconteceu com “nada de digimons enquanto estivermos fugindo”?
-Se tem uma coisa que eu aprendi no meu trabalho, é que humanos morrem muito mais facilmente que digimons. - Dante respondeu com seriedade, eram raros esses momentos. - eu não me perdoaria se esses digimons machucassem alguém, sendo que eu poderia impedi-los facilmente. Não sei quanto tempo vai demorar para agentes da organização chegarem até aqui.
-A honra de um soldado. - Brincou Angel. A presença de Dante de certa forma a trazia conforto. Aquela era a primeira batalha real contra digimons selvagens que ela presenciava.

Draco estava voando por cima de Kuwagamon. O dragão azul investiu contra o besouro vermelho em grande velocidade, acertando a cauda no corpo do inimigo. Kuwagamon perdeu altitude até chegar ao chão, e ao mesmo tempo Draco aterrisou com força nas costas da barata mutante. O digimon dragão agarrou as duas pinças em forma de tesoura de Kuwagamon e as arrancou, usando-as como espadas e as enfiando na cabeça do inimigo. Kuwagamon deu um guinchado estridente e se desfez em dados, deixando um pequeno ovo no lugar.

-Dante cuidado! - Ao se virar para seu parceiro, Draco percebeu que Flymon avançava contra os dois humanos pelas costas, aproveitando a distração de todos os envolvidos na batalha. Draco começou a voar com toda velocidade que tinha na direção de Dante e Angel, tentando interceptar o digimon que os atacava, mas era tarde demais. Flymon estava a poucos metros dos dois.

Pouco antes de Flymon poder atingir qualquer um dos dois humanos, Megidramon apareceu como um relâmpago, acertou o que pareceu ser o tapa mais forte do mundo no digimon abelha e desapareceu imediatamente como um fantasma. Flymon voou como um meteoro, provocando um enorme estrondo ao atingir um carro estacionado no meio fio e explodindo em dados com o impacto, deixando outro ovo no lugar.

-Wow o que foi isso?!? - Perguntou Dante assustado olhando para trás.
-Er... Acho que Megy usou um mata moscas gigante naquele ali. - Disse Angel atônita, apontando na direção do carro que agora estava totalmente destruído.
-Caramba, já estou devendo duas para esse cara! - Disse Draco se aproximando dos humanos, enquanto voltava a ser Dracomon.
-Angel, você sabe o que essa nossa pequena aventura significa não é? - Perguntou Dante a garota que ainda estava meio assustada.
-Hmm... Que nós temos que correr para as colinas. - Respondeu Angel. - Caramba, um tiro de bazooka teria sido mais delicado.
-Eu acredito que nesse exato momento a organização está mandando cada agente disponível para este lugar, precisamos sair rápido daqui. A partir de agora eles vão estar tão na nossa cola que vamos sentir a respiração deles nos nosso ouvidos.
-Bem, vamos fazer com que isso aconteça apenas na sua imaginação e vamos sair daqui logo então?
-Dante, eu ainda não comi nada!! - Disse Draco deitando no chão, fingindo desmaiar de fome.

E assim os três fugitivos se puseram na estrada de novo, embalados pela trilha sonora dos roncos da barriga de Draco.

Continua...

É isso aê galerë comenta aí o/ A participação do Megidramon foi reduzida por que o Atacama estava cobrando um cachê muito caro
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Mensagem por Takuya em Ter Nov 08, 2011 2:00 pm

Ahh, gostei, e não achei inconsistente. Continuou bem a história dos 2 primeiros capítulos, tá tendo um desenvolvimento bacana, e a história tá ficando mais e mais interessante :D . E sem contar os trechos impagavelmente engraçados, como esses aqui:

Alguns gritavam que eram as bestas do apocalipse, outros que eram aliens assassinos. Mas nenhum deles quis esperar para descobrir.


Agora eram apenas os digimons disputando seja lá o que for que digimons precisem disputar, e a pequena intrusa observando a batalha.


Draco estava voando por cima de Kuwagamon. O dragão azul investiu contra o besouro vermelho em grande velocidade, acertando a cauda no corpo do inimigo. Kuwagamon perdeu altitude até chegar ao chão, e ao mesmo tempo Draco aterrisou com força nas costas da barata mutante. O digimon dragão agarrou as duas pinças em forma de tesoura de Kuwagamon e as arrancou, usando-as como espadas e as enfiando na cabeça do inimigo. Kuwagamon deu um guinchado estridente e se desfez em dados, deixando um pequeno ovo no lugar.


Pouco antes de Flymon poder atingir qualquer um dos dois humanos, Megidramon apareceu como um relâmpago, acertou o que pareceu ser o tapa mais forte do mundo no digimon abelha e desapareceu imediatamente como um fantasma.


-Wow o que foi isso?!? - Perguntou Dante assustado olhando para trás.
-Er... Acho que Megy usou um mata moscas gigante naquele ali. - Disse Angel atônita, apontando na direção do carro que agora estava totalmente destruído.

E como assim, o A7ac4ma tá cobrando tão caro assim pra liberar o Megidramon? Que presepada é essa? Faz um desconto aí, ou parcela ao menos :suspect: -q

Esperando pelo próximo capítulo, espero que saia antes do Natal :P .
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Mensagem por Rayana em Qua Nov 09, 2011 3:35 pm

AWESOME!!! Meu, não sei se já disse isto, mas eu nunca dei a mínima para fics originais de digimon. Declaro oficialmente que esta é a minha única excepção, até ao momento. xDD Carisma da escrita e dos personagens no geral = WIN!

Não aconteceu muita coisa aqui, ou se calhar o texto flui tão bem que pareceu pouco; foi um capítulo bom para contextualizar os personagens. A forma como o Draco apareceu, e a forma como planejaste a existência do Digivice preto, e por que ele convenientemente oculta a presença do Draco... acho que isto bem planeado!

Now, fiquei um bocado curiosa com o nome do projecto Digital Hazard. O Megidramon tem esse símbolo, não é? E de certo modo dá pistas para todo o protagonismo da Angel e o seu dragãozinho vermelho de estimação... (ou seja, Megid, segura os cavalos que isto promete; cobra para depois que acho que vai valer a pena xDD) Engraçado é que os pensamentos da Angel ao pensar no Dante seguiram uma trilha bem típica de mulher (LOL), e menos de digimon, portanto ela não é só um monstro não!

-Se você estiver procurando por um motoqueiro ruivo, você tem uma descrição bem exata. Agora, se você está procurando por um homem de cabelo preto, alto e de pele branca, você está procurando por metade da população dos estados unidos.

Ri-me aqui por alguma razão. Talvez seja a forma como o Dante fala, não sei, ele tem sentido de oportunidade (tal como o escritor, porque né... LOL). Assim como me ri dos memes. xDDDD Nice!

Now, sobre a luta dos digimons e a chegada da organização a qualquer momento, deu um feeling muito similar a Savers (o que é bom xD). Não acho que o discurso do capítulo tenha mudado a meio; acho que ficou fluído, tanto quanto a conversa entre o Angel e o Dante, que continuo a apreciar!

Draco... so, ele foi enviado por acaso, ou será que não foi bem assim?
Isto tem aqui pano para mangas. o.o Dragon, continua e impressiona-nos!! xDD
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Mensagem por dmem4e em Sex Nov 11, 2011 8:45 pm

estou a adorar esta fic, nem mais auahuauahau
curto imenso o dante (ainda mais agr que ta de cabelo preto xD) e a dupla dante e draco sao FTW juntos!
curti a explicaçao do dante sobre o seu passado, pra ajudar a situar e pra ficar a conheçe-lo melhor!
qnt a luta... a luta foi AWESOME!!! ainda mais pk teve o bichinho de estimaçao da angel, o megy fodao! LOOOL
EPIC! qnd voltares da viagem! maos a obra ok? e uma ordem! ò.ó (jk xD)
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Mensagem por Dragon em Sab Nov 19, 2011 8:05 pm

@TK, eu costumo ser super exigente comigo mesmo huahauhah E esses atores que querem explorar no cachê, vou te contar viu u_u

@Ray, a gente já conversou bastante no twitter, mas mais uma vez obrigado por gastar seu tempo fazendo essa análise, eu gostei muito e achei muito especial *-* Só respondendo a duvida sobre a Digital Hazard, eu achei que o nome seria perfeito já que ele indica "Perigo Elevado" no contexto da Digital World. Vou seguir tranquilo minhas idéias e não deixar pontas soltas xD

@Maf, escrevi esse cap em TEMPO RECORD xDD A gente já conversou também então não tem muito o que comentar.

Esse cap veio com bônus, leiam até o final pra descobrir o/

Capítulo 4 – Prelúdio da tempestade

Parados em um pequeno posto de gasolina, Dante e Angel pareciam mudos pelo silêncio da noite. O rapaz abastecia a moto na bomba, enquanto a moça permanecia encostada no assento da moto, com os braços cruzados.

-Acha que nós agimos errado? - Angel rompeu o silêncio com a voz fraca. Ela sentia que se não tivesse se colocado em uma situação arriscada talvez as coisas tivessem sido diferentes.
-E deixar aqueles projetos de feira de ciências super crescidos matarem sei lá quantas pessoas?
-Então... por que estamos parecendo que acabamos de sair de um velório? - Dante precisou pensar por alguns segundos antes de responder. Afinal, por que ele estava se sentindo mal?
-Sabe Angel, você já se sentiu mal por fazer a coisa certa?
-Tipo denunciar o colega depois que a professora voltou do banheiro? - Dante sorriu com o canto dos lábios.
-É, tipo isso. Eu sei que era o certo a se fazer, mas acho que não é o que eu deveria ter feito. - Dante colocou a mangueira de gasolina de volta no suporte, pagou a quantia e voltou para perto da moto.
-Dante... - A voz de Angel era fraca, quase um sussurro. - Você acha que nós vamos morrer?
-Nós vamos conseguir. - Angel tinha um dom latente de atravessar o coração de Dante com suas palavras como se fossem navalhas. Ele não queria expor a ela suas próprias inseguranças, nem queria que ela se preocupasse. Era ele que devia defendê-la, não o contrário. - Um passo de cada vez.

Os dois subiram na motocicleta e voltaram para a estrada, envoltos pelo silêncio esmagador da noite, apenas quebrado pelo ronco do motor. - Nós vamos conseguir Angel, eu te prometo.


–//////--


O casal de fugitivos agora se aproximavam do rio Mississípi, que separa o estado de mesmo nome do estado da Louisiana. Uma vez que conseguissem sair da região central do país, seria muito mais difícil seguir seus rastros, mas agora era uma corrida contra o tempo. Angel e Dante se encontravam numa das muitas cidades que se estabeleceram nas margens no rio, numa das poucas paradas que fizeram desde o incidente na Louisiana.

-Ande com a cabeça abaixada Angel. Vamos tentar não chamar atenção, estou com um mau pressentimento.
-Não acha que se nos separássemos de novo conseguiríamos agir mais rápido e sair daqui mais rápido também?
-Não, vamos ficar juntos pelo menos por enquanto, para evitar que algo dê terrivelmente errado. - O medo de Dante era como Angel reagiria se fosse cercada de capangas com digimons. Claro, ela poderia matar todos eles com a força do Megidramon, mas não seria muito difícil sedá-la com alguns calmantes enquanto ela estivesse distraída em meio a carnificina.

O pensamento fez Dante voltar ao dia em que se conheceram, onde Angel explodiu o compartimento de carga de um caminhão blindado. No momento em que a viu, ainda frágil e assustada ele percebeu que a garota não era uma ameaça, mas era uma vítima das circunstâncias.
As coisas pelas quais Angel passou ainda davam calafrios em Dante mesmo após mais de seis meses de convivência diária, e ele sentia que sua experiência de perder os pais era infinitamente menos traumática. De certa forma ele admirava a garota pela capacidade de continuar de pé e seguindo em frente. Mas Angel fazia com que seus sentimentos balançassem. A forma com que ela olhou para ele, praticamente uma súplica, enquanto era levada numa maca no primeiro dia em que se conheceram, e a forma doce com que ela falava na primeira vez que se encontraram contrastando com a besta assassina dentro dela ficaram marcados na cabeça do rapaz.

Mas com o passar do tempo essa pequena semente plantada num dia extremamente estranho brotou e criou raízes. Com o tempo ele passou a reparar na forma com que ela falava, andava, na entonação de sua voz, na forma como os olhos dela brilhavam quando estavam juntos, na serenidade de seu rosto enquanto dormia, e agora estava ele atravessando o país com essa garota que tentou matá-lo meia hora depois de se conhecerem. “Que tipo de idiota eu sou?” Pensou o rapaz enquanto apertava o passo.

Mas um veículo de vidros escuros estava chamando a atenção de Dante. Ele tinha a certeza que tinha visto o mesmo veículo algumas esquinas atrás, e lá estava ele de novo. Quando o carro de quatro portas acelerou, Dante empurrou Angel contra a parede e aproximou seu corpo do dela.

O rosto de Dante estava tão próximo do de Angel que ela podia sentir a respiração do rapaz batendo no seu rosto. Os lábios dos dois estavam assustadoramente próximos um do outro, e a garota sentiu um arrepio descer a espinha enquanto suas mãos começavam a suar e a pulsação acelerava. Tão repentinamente quanto havia feito isso, o rapaz a soltou e voltou para seu lado.

-O-o que foi isso tão de re-repente? - Disse a garota gaguejando sem querer.
-O carro de vidros pretos que acabou de passar pela gente, você viu?
-Vi... - Ela não havia visto nada, estava muito ocupada para isso.
-Eles estavam nos seguindo. Acho que são da organização.
-Isso significa que...
-Que temos que sair daqui AGORA. - Os dois tentaram andar num passo rápido, sem chamar atenção, mas em pouco tempo já estavam correndo. Eles se dirigiram para a viela onde tinham deixado a moto e saíram em disparada.
-Acha que eles nos reconheceram? - Disse Draco de dentro do digivice, depois que eles já haviam se afastado das pessoas. Incomodava o pequeno dragão o fato de não poder se manifestar nem agir mais durante a empreitada pelo país. Ele entendia que se ficasse falando as pessoas poderiam desconfiar, e que se saísse ao ar livre seria capturado por um radar eventual. Mas a impotência de estar confinado dentro do digivice era vergonhosa.
-Não sei. - Respondeu Dante, a voz abafada pelo capacete. - Eles aceleraram para tentar passar a nossa frente e enxergar nossos rostos, não sei se conseguiram.
-O que vamos fazer agora? - Perguntou Angel.
-Mudar nossas cores de cabelo e nos vestir como hippies.
-Não teve graça! - Angel deu um tapa na parte de trás do capacete de Dante.
-Ai! Desculpa Angel, estou pensando ainda! Não posso te por em risco!
-Nós vamos continuar juntos não é mesmo?
-Nós vamos continuar juntos? – Perguntou Dante a si mesmo. - Eu te prometi que nunca te abandonaria não é?

Naquele momento Dante não sentiu confiança em suas palavras. Ele sentiu um aperto no peito quando Angel encostou o rosto coberto pelo capacete em suas costas, e o abraçou. “Deus, como eu vim parar no meio disso?


–//////--


Enquanto se dirigia por estradas praticamente desertas, o piloto de fuga mais procurado da América começou a pensar como seria se ele não estivesse com peso extra na bagagem. Provavelmente ele seria bem mais rápido, pararia menos, chegaria a Flórida na metade do tempo ou menos.

Afastou rapidamente estes pensamentos, ele não devia culpar a garota. Salvar Angel foi uma decisão, não um acaso do destino, e agora ele tinha que arcar com as consequências. Se ele não a tivesse tirado das instalações subterrâneas, a essa hora o corpo da garota estaria apodrecendo no deserto.

-Dante, tem alguém parado no meio da pista ou é uma miragem por causa desse capacete apertado?
-Se é uma miragem, ela é coletiva por que eu também estou vendo. - Seria isso, teriam sido encontrados? Acabaria ali a grande escapada?
-Eu estou pronto, é só dar a ordem! - Falou Draco, em tom sério.
-É bom ficar preparado. - A medida que se aproximavam, Dante viu que era uma mulher de cabelos loiros, usando roupas escuras sem nenhum detalhe especial. O cabelo estava preso atrás da cabeça e ela estava encostada no mesmo carro que tinham visto antes. Ela aparentava ter trinta e poucos anos.

A moto parou a cerca de 5 metros da desconhecida. Ela parecia relaxada e tranquila em estar ali. Ela retirou um digivice azul do bolso e sem pensar duas vezes invocou uma digimon que usava roupa de latex vermelha e tinha metade do rosto coberta por uma rosa. Ela usava botas de cano alto pretas e tinha um chicote de espinhos nas mãos, com as costas cobertas por uma capa.

-Forbidden Temptation! – A digimon ganhou um brilho rosa e disparou um raio de energia em direção a Dante e Angel, que foi defendido por um par de enormes asas vermelhas colocadas ao redor deles como escudos.
-Examon continua magnífico como sempre! - Exclamou a mulher com uma voz firme e confiante.
-Você nem imagina o quanto! - Disse Dante descendo da moto e tirando o capacete. Angel estava perdida naquela situação.
-Ouvi dizer que ele arrombou uma porta de ferro, é verdade? - perguntou a mulher.
-A porta do hangar de aviões. Demorou um tempo, mas eles tiveram que comprar outra. - Respondeu Dante, orgulhoso pelo feito de seu digimon. A digimon adversária atacou com o chicote de espinhos, mas Draco colocou sua lança gigante na frente, então o chicote se enrolou e se prendeu nela.
-Rosemon! - Disse Draco, segurando o chicote de Rosemon. - Não vai ser dessa vez que você vai conseguir usar isso em mim.
-Ah, que pena! Você está tão forte e musculoso, adoraria me divertir um pouco com você... Ou com seu parceiro. - Disse Rosemon colocando o indicador sobre os lábios, dando um sorriso indiscreto.
-Vadia! – Pensou Angel sem sair do lugar, tirando o capacete. Estava nítido que aqueles quatro se conheciam.
-Então essa é a garota que você está jogando a vida fora para salvar! - Disse a mulher, quando Angel tirou o capacete. - Achei que você fosse mais esperto Dante!
-Angel tem... Um grande potencial dentro de si. - Brincou o rapaz. Aquela parecia até uma reunião casual.
-Ah Draco, garanto que com o incentivo certo você vai se curvar para mim! Thorn Whip! – A lança de Draco se desmaterializou antes que a onda elétrica o atingisse.
-Ambrosius! – A lança retornou enquanto o dragão avançava contra a dominatrix. Rosemon pareceu usar um chicote igual a um florete para contra atacar.
-Não se preocupe Draco, eu vou cuidar muito bem de você! Roses Rapier!

Os dois digimons se enfrentavam numa batalha ferrenha, mas aparentemente não estavam levando a sério. Aquilo estava dando um nó na cabeça já confusa de Angel.

-Você não veio aqui só para me oferecer um café com biscoitos não é mesmo?
-Claro que não. Eu vim te convencer a parar com essa insanidade Dante. Você tem consciência que tanto você quanto essa garota vão morrer não é?
-É um risco que eu estou disposto a correr Sam.
-E será que vale a pena?
-Qual é Sam! Você está lá a mais tempo que eu. Se você tivesse uma chance de ter uma vida normal, o que preferiria? Ser um cão do governo o resto da vida ou ter uma casa, uma família, coisas do tipo?
-E você pretende construir uma família com ela? - Disse Sam sem pensar duas vezes, apontando para Angel. O rosto da moça corou imediatamente. Dante tentou encontrar as palavras certas, mas sua mente estava limpa como o céu do meio dia.
-Er.. Não é sobre isso que estamos conversando. - Tentou conversar o rapaz.
-Então você só a tirou da organização para levar ela até o Disney World?
-Dá para gente se concentrar no que é realmente importante aqui?
-Claro que sim, o importante é que você recobre o juízo e veja que está desperdiçando sua vida. Você não é mais um garoto Dante, sabe que seus atos vão ter consequências! Eles estão dispostos a deixar que você retorne como um agente de nível inferior, desde que prometa manter distância dessa garota.
-Eu não trocaria um fio de cabelo dela por uma chance de voltar para aquele ninho de cobras! - Respondeu o jovem, levantando a voz. - E essa garota tem um nome! Parem de tratá-la como se ela fosse um objeto!
-Então tudo é por causa dela não é mesmo? Rosemon! - Sam usou um tom autoritário para chamar sua digimon. Rosemon investiu contra Angel com seu “chicote-espada” apontado para ela, mas Draco rapidamente se colocou no caminho da digimon com uma flor na cabeça.
-Acredite, você não vai querer fazer isso. - Disse ele, agarrando o florete e o arrancando da mão de Rosemon. - A coisa que tem dentro dessa menina pode arrancar as pétalas da sua cabeça uma por uma.

Rosemon recuou e se colocou atrás de sua parceira. Dante recuou também, se colocando ao lado de Angel. Ambos estavam em posição defensiva agora.

-Samantha! - Dante falava com seriedade. - Você sabe que Rosemon não é páreo para o Draco, e que se eu quisesse já teria te derrotado. Você sabe que não vai conseguir me fazer voltar atrás. Ou me deixa passar, ou eu passo a força.
-Não seja tão dramático. - Samantha falava em tom de descaso. - Eu só não quero que meu melhor pupilo se torne um criminoso.
-Você sabe que eu não fiz mal a uma mosca desde que fugi. Pelo menos até agora.
-Ok, ok, já que não vou conseguir te arrastar de volta pra lá, vou pelo menos impedir que sua burrice te assassine. A central de inteligência traçou um padrão para a sua fuga, tomando a trajetória que você fez voando assim que fugiu, o ponto em que foi registrado uma atividade de digimons em Louisiana e as poucas câmeras que te flagraram até aqui. Foi seguindo esse padrão que eu te achei.
-Já entendi, tenho que seguir por outros caminhos agora.
-Dante, tem mais uma coisa. - Sam agora tinha um olhar sério e sombrio. - Os Cavaleiros Reais foram convocados.
-Vou estar preparado quando eles chegarem. - Respondeu Dante dando partida na moto e colocando o capacete.
-E vê se não morre ok, pirralho.
-Tente me acompanhar, vovó. - Dante recolheu Draco para o digivice, pronto para partir.
-Até mais bonitinho, tomara que possamos fazer coisas mais... divertidas da próxima vez. - Disse Rosemon dando um beijo no ar em direção ao rapaz.
-Vadia. - Sussurrou Angel no ouvido de Dante, colocando o capacete. O rapaz acelerou, e em pouco tempo haviam perdido Samantha de vista.


–//////--


-Então, quem era a loira prepotente com a digimon oferecida? - Indagou Angel. Ela tinha permanecido calada durante a viagem, tentando entender que diabos tinha acontecido, mas quando eles pararam para abastecer mais uma vez ela não conseguiu se conter.
-Samantha é uma amiga de longa data. - Respondeu Dante.
-Só isso? - Insistiu a garota.
-Foi ela que me treinou quando eu era criança, me ensinou a ser um agente.
-E não ensinou mais nada?...
-Angel, ela estaria mais interessada em você do que em mim.
-Como assim?
-Ela é lésbica. - Disse Dante sorrindo. Angel sentiu o rosto ficar vermelho de vergonha.
-Desculpa. - Angel queria se enfiar no chão de vergonha. Ela não conseguia se desculpar por ter sentido ciúmes de Dante e ainda mais por ter expressado isso tão claramente.
-Sem problemas. - Respondeu o rapaz, colocando a mangueira no lugar. - Você fica bonita quando está com ciúmes.

O comentário quase provocou uma parada cardíaca em Angel. Dante caminhava tranquilamente olhando ao redor. Aquele posto de gasolina era um pouco melhor que o outro e tinha um pequeno hotel anexado, com alguns veículos no estacionamento. Ele precisava bolar algo para tirar Angel da linha de fogo, mas a única ideia que ele tinha não o agradava.

-Mas... quem são esses “Cavaleiros Reais”? - Perguntou a garota, assim que Dante voltou para perto dela.
-Eles são três agentes da Inglaterra com digimons extremamente poderosos. Costumam ser chamados pelas outras agências do mundo para resolver situações caóticas ou problemas muito graves. Nem preciso dizer como ganharam esse nome né.
-Quer dizer que estamos encrencados?
-Eu diria que sim.
-E como vamos resolver isso?
-Vou cuidar disso agora. - Disse Dante andando em direção a pequena loja de conveniências do posto. Ele voltou um tempo depois com um cabide de roupas feito de arame em mãos.

O rapaz foi em direção a um utilitário estacionado que parecia ter cambio automático. Abriu o capô do veículo e arrancou o pequeno auto falante do alarme que iria disparar quando ele arrombasse a porta. Depois, mostrando toda sua habilidade como meliante, Dante entortou o cabide de arame e abriu a porta do carro com ele. As luzes piscaram, mas nenhum som foi emitido.

-Você está ficando louco?!? O dono do posto vai ver! - Disse Angel tentando não gritar, enquanto corria para perto do veículo.
-A única coisa que o dono do posto está vendo agora são dois mil dólares em cima do balcão dele.
-E o que você pretende fazer com esse carro?
-Você vai dirigir ele.
-Mas Dante, eu não sei dirigir!
-Eu sei disso! Foi por isso que arrombei um com câmbio automático! É só acelerar e freiar, não tem segredo! - Respondeu o rapaz sorrindo. - Olha, o plano é esse. Você vai seguir pelo sul do Alabama direto para a Flórida, e eu vou dar a volta pela Geórgia servindo de isca para que você possa passar. Vá em direção a Miami pela estrada secundária, a uns trinta minutos do perímetro urbano você vai ver uma estrada de chão que sai da estrada de asfalto, siga por ela. Depois vá para a direita, direita, esquerda, direita de novo e siga reto, você vai chegar numa cabana no meio de uma floresta. Se você chegar primeiro, me espere lá, se não, vou estar te esperando.
-Mas... - Angel deu a volta no carro e ficou perto de Dante. - Você prometeu que não ia me abandonar.

Eram aquelas palavras que ele temia. A voz de Angel era baixa e fraca, desanimada, embargada. O rapaz jurou que viu pequenas lágrimas se formando nos cantos dos olhos dela mesmo na escuridão da noite. Ele a abraçou, envolvendo completamente o corpo da garota em seus braços. Angel apertou o rosto contra o peito do rapaz e abraçou o abraçou com força.

-Mas eu não vou! Eu prometo!
-Eu não consigo sem você Dante.
-Nós vamos conseguir, juntos. Mas temos que fazer alguns sacrifícios. Olha, eu prometo que quando você chegar na cabana eu vou estar lá te esperando para que a gente possa sair desse inferno. - Sem dizer mais nada, Angel o soltou e sentou no banco do motorista. Dante deu algumas instruções básicas sobre direção e sobre estradas, e a garota se pôs a caminho. - Desculpa...

Ali, em pé, vendo o carro se distanciar e as luzes sumirem na noite, Dante pensou nas coisas que tinha feito nos últimos seis meses. Agora ele estava prestes a se fazer de isca e correr direto para a boca do lobo, para que aquela garota pudesse ficar em segurança. Naquele instante, Dante descobriu que estava apaixonado.

Continua...


Bônus: Achei por bem compartilhar com vocês a história original da fic, para que possam entender melhor o processo de criação da idéia e dos personagens xD
Pois bem, a idéia original era um pouco diferente do resultado que está saindo hoje. Era a história sobre um Beelzebumon caçador de recompensas, um mercenário que fazia trabalhos por dinheiro. Ele é contratado por ninguem mais ninguem menos que Lucemon para capturar um digimon e levá-lo como prisioneiro até a Dark Area.
Beelzebumon então descobre que o seu alvo era uma Angewomon e que os anjos também estavam atrás dela. Angewomon carregava dentro de si tanto o atributo vírus quanto o atributo vacina, e por isso era considerada ua abominação. Lucemon teve seus dados vírus selados por Seraphimon, e por isso queria a Angewomon para voltar a ser Lucemon Falldown Mode e se vingar dos três arcanjos. Beelzebumon então passaria a proteger Angewomon. O plano para o final da fic era os dois fugirem para o mundo humano e passarem a viver como humanos xD Mas garanto que o final da Digimon Truth não tem nada haver com isso o/

A partir daí é só pensar um pouco. Dante foi inspirado em Devil May Cry onde o protagonista é um demônio, além da óbvia referência a divina comédia. Foi pra mim o nome mais interessante que remetesse a um demônio. A personalidade foi inspirada mesmo em um Beelzebumon que leva a vida como um caçador de recompensas, o protagonista original. Draco só foi surgir muito depois xD

Angel é uma referência a Angewomon, e Megidramon foi pra mim a escolha perfeita para representar a escuridão interior que era representada pela digimon Angelical com atributo vírus. Também teve influência da Kisara de Yu-Gi-Oh! Duel Monsters, que era uma menina que tinha dentro dela o espirito do Dragão Branco de Olhos Azuis. Além claro que eu achei que ia ficar interessante a combinação Dante/Angel xD

E claro, Lucemon virou a organização, Digital Hazard seriam os anjos. E assim uma fanfic despretensiosa virou algo muito mais grandioso \õ/
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Mensagem por dmem4e em Sab Nov 19, 2011 8:33 pm

OMG o.O nada a ver a ideia inicial com o que apareceu agr mas, por outro lado, tem tudo a ver! o.o que analogia WIN! mt bem! =D
alsoooo... once again, capitulo mt foda! *.* essa rosemon sabe muito! digifilia FTW e... a tia maf nao gosta so de yaoi, ela apoia a 100% casais heteros ta? tipo dante x angel! o dante apaixonado e tao querido! *.* rafa... qnd e que escreves uma cena bem romantica entre os dois numa noite de lua cheia? auhauhauahahua #RUNZ

MT BOOOM! WELL DONE! \o/
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Mensagem por Rayana em Sab Nov 19, 2011 9:02 pm

Nada como umas referências hipertextuais para apimentar uma narrativa; eu tinha encucado com o "anjo/demónio" e "dante", mas não tinha feito a associação com os digimons correspondentes LOL! Gostei!

Meu, eu achei divertida a parte em que o Dante vai e comenta que a Sam é Lesbian. xDDD E ela lembrou-me muito a Mai de YGO, por alguma razão (Rosemon seria a Harpy Lady do cenário) #random Talvez pela pose de durona, mas no fundo, bondosa.... (bom, digo bondosa porque ela apareceu mais para ajudar o casal do que exactamente para o capturar... a menos que seja uma armadilha, o que seria tenso - dado que ela foi tutora do protagonista)

A insegurança do Dante passou-me a sensação de mau presságio, aquele em que eles vão falhar quase de certeza. o.o" Tipo, é que não dá mesmo para imaginar o que diabo vem a seguir na fic; o Dante parece do tipo que faz o que é certo no momento, consegue até ser fodão e planear uns recursos convenientes para a fuga, mas sem nada estipulado a longo prazo. Quem consegue viver assim? Deixa uma sensação meio tensa...

Bom, vamos ver como corre agora; o medo da Angel confunde-me. Ela parece acreditar nele, mas ao mesmo tempo, imagino-a facilmente ludibriada pela primeira pessoa que tentar desacreditá-lo aos olhos dela. Basta que ele não compareça no local como prometido...

Dragon, UPDATE! xDD
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Mensagem por Takuya em Dom Nov 27, 2011 9:48 am

Humm, que vadia essa Rosemon 8) -q

Enfim, mais um ótimo capítulo, e a fic cada vez melhorando mais :D . E cheio de momentos românticos nesse capitulo, quem diria... A parte da Sam e Rosemon foi a mais engraçada, principalmente pela Rosemon bitch, haha :P . E a Angel com ciúme é muito engraçado, kkkkkkkkk.

Sobre o bônus, foi bom você ter explicado, porque nunca nessa vida eu iria imaginar que a fic originalmente seria sobre Beelzebumons, Angewomons e Lucemons -q. E pela descrição da proposta original, nem achei tão despretensiosa assim, haha :) .

Anyway, aguardando o proxímo capítulo. Espero continue com bastante ação e que tenha cenas "calientes" -q.
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Mensagem por Dragon em Seg Nov 28, 2011 4:56 pm

@Maf Esse capítulo tem menos romance e mais PORRADA, pra equilibrar sabe huahauhauh E eu até lembrei de quando a gente dizia que o Dark Knightmon tinha intenções sinistras com a Nene na primeira temporada de xros xDD

@Ray, nem tinha como eu esperar que alguém chegasse a essa conclusão sozinho xD Mas sim, tudo foi mudado para apimentar a narrativa e deixar mais interessante *w* Foi uma tirada muito bem sacada não é? E seria uma ironia incrível se eles eles fossem pegos justamente por essa conversa não acha? HAUHAUAHAUHAUHA Como eu disse tento deixar o Dante mais Masaru com cérebro do que Taiki rebelde, acho que é o tipo que vai improvisando pelo caminho xD E aqui está o update \õ/

@TK, Você gostou da Rosemon né? xDd E que bom que estou melhorando *w* Eu quis dizer despretenciosa por que a narrativa original envolve menos elementos, menos história, etc etc. E aqui está ele o/

Pra vocês se localizarem melhor, esse capítulo começa no exato momento do término do outro ^^ E ele ficou gigante huahahauah é o maior até agora. E por isso fiquei com preguiça de reler para achar os erros xD A Maf teve uma participação muito importante, já que foi ela que escolheu os nomes dos personagens que aparecem nesse capítulo, estou quase colocando ela como co-autora.




Capítulo 5 – God Save the Queen, God Bless America and God help us all

-E então, o que nós fazemos agora? - Perguntou Draco de dentro do digivice.
-Agora meu amigo, nós temos uma promessa para cumprir. - Dante deu um sorriso quase malicioso. - Vamos mostrar para o mundo do que nós somos capazes.
-hahaha é assim que se fala! - Draco parecia não se conter de empolgação. - Vamos botar pra quebrar e passar por cima de qualquer um que fique em nosso caminho!
-Sabe Draco, se isso aqui fosse um filme ou um anime... - Disse Dante colocando o capacete e dando partida na moto. - Seria o momento perfeito para começar a tocar Highway to Hell.

Ele acelerou tanto a moto que ela empinou, deixando um rastro de pneu queimado para trás, e rapidamente se misturando com a paisagem noturna. Naquele momento Dante sentiu um súbito sentimento de liberdade enquanto o vento frio da noite fazia suas roupas tremularem. “Peguem-me se puderem, malditos!”


–//////--


De repente tudo parecia vazio e o silêncio da noite era sólido e esmagador como uma rocha colocada sobre os ombros de Angel. A garota não pode se conter quando as lágrimas começaram a escapar de seus olhos e escorrer pelo seu rosto. Ela queria enxugá-las, mas tinha medo de tirar as mãos do volante. Seria engraçado morrer num acidente automobilístico depois de tudo que ela já havia passado.
Não havia nem dez minutos que eles tinham se afastado mas Angel já sentia falta dos comentários sarcásticos de Dante e da bagunça de Draco. “Que idiota emotiva eu sou!” Pensou ela, dando um sorriso em meio as lágrimas. Ela começou a perceber um ronco forte, alto, se aproximando em alta velocidade. Ronco este que Angel reconheceu instintivamente, e olhou para o lado a tempo de ver a tão conhecida motocicleta ficar lado a lado com o carro que ela estava dirigindo. O motoqueiro apontou na direção da garota e então colocou a mão fechada sobre o peito, logo após acelerou a motocicleta e se distanciou facilmente do carro.

-Te encontro lá. - Sussurrou a garota. Os dois agora estavam separados, mas unidos por um mesmo objetivo.


–//////--


Agora era tudo ou nada, Dante estava apostando a própria vida nesse plano portanto era bom que não falhasse. Enquanto Angel seguiria discretamente por uma rota alternativa, Dante iria causar quanta confusão fosse possível e chamar o máximo de atenção que conseguisse. Era basicamente uma reedição do plano que ele usou para fugir da base subterrânea, mas agora em larga escala.

Dante descartou o plano original de passar por pequenas cidades e se dirigiu diretamente para os centros urbanos de maior movimento, voando como um míssil por eles. Em pouco tempo ele começou a notar pequenas movimentações pelas cidades, pessoas reparando nele e observando atentamente enquanto ele cruzava ruas e esquinas.

O plano deu certo e como abelhas enfurecidas os membros da organização passaram a segui-lo. Ao passar por uma autoestrada, Dante foi cercado por quatro carros, cada um de um lado de sua motocicleta. Eles pretendiam desacelerar aos poucos, para forçá-lo a parar e dizer onde Angel estava se escondendo.

-Draco, tá na hora do pau! - Disse ele levantando o digivice. O enorme dragão vermelho se materializou no ar.
-Estive esperando por isso! - Respondeu Draco, transbordando excitação. O réptil alado se colocou na frente do carro que bloqueava a passagem de Dante, segurou no para-choque do veículo e o arremessou por cima do motoqueiro. O carro girou no ar passando a poucos centímetros da cabeça do rapaz e caiu em cima do carro que vinha logo atrás, tirando os dois da perseguição.

O jovem motoqueiro acelerou, saindo do meio dos outros dois carros e então Draco golpeou a lateral de um deles com toda a força de sua cauda, fazendo com que o veículo fosse a toda velocidade em direção ao outro. Os dois carros se chocaram com força, e o carro que recebeu todo o impacto se descontrolou, bateu na mureta de proteção e caiu fora da rodovia.
O último veículo havia se recuperado da pancada e tentava se aproximar da moto por trás, para fazer com que Dante caísse dela. Draco lançou uma pequena bola de fogo no chão, que fez com que os pneus do automóvel derretessem e este perdesse o controle.
O digimon voltou a sua forma de Dracomon e pousou no banco do carona de Dante.

-Você quase acertou a minha cabeça com aquele carro seu retardado! - Esbravejou o motoqueiro, sem conseguir parecer muito sério.
-Eu confio nos seus reflexos! - Respondeu Draco, enquanto olhava para o estrago atrás de si. - Estranho eles não terem mandando nenhum digimon para nos enfrentar.
-Isso é por que eles não querem assustar as pessoas com monstros assassinos! Nós somos os alvos dos Cavaleiros Reais, eles confiam cegamente nesses caras.
-E isso é bom?
-É o que nós vamos descobrir! - Respondeu Dante soltando uma gargalhada e acelerando ainda mais. - Olhe lá, é o bloqueio que eles fizeram! Use aquele ataque supersônico do Wingdramon para abrir o caminho.
-Roger! - Draco se transformou num dragão azul com grandes asas e uma lança presa a suas costas. O réptil acelerou assustadoramente rápido deixando rapidamente a moto que estava em alta velocidade para trás. - Wing Blast!

Draco passou voando pelo bloqueio composto por alguns carros e alguns trilhos colocados na estrada para furar os pneus da motocicleta. A velocidade com que ele voava era tão grande que criou uma onda de choque que arrastou junto com ela os elementos do bloqueio, permitindo assim que Dante passasse no meio dos escombros.

-Strike! - Gritou o rapaz levantando um braço para o alto.
-Ei, eu preciso voltar para o Digivice? Está tão bom o clima aqui fora.
-Sei lá... Acho que agora isso não faz diferença...


–//////--


Devagar se vai ao longe, era esse o lema da Angel nesse momento. Enfrentando todos os contratempos de uma novata na direção ela atravessava o Alabama como uma tartaruga destemida. Aqui e ali ela escutava notícias sobre grandes engavetamentos e acidentes de grande porte em autoestradas, tendo assim certeza de que Dante estava agindo.
Ela também viu um jornal relatando o “Misterioso caso dos aliens da Louisiana” e o nascimento de uma nova lenda urbana, “A mulher com uma flor na cabeça”. Mas todos eram pequenos jornais sensacionalistas buscando um pouco de atenção, qualquer luz dos holofotes que os casos isolados de digimons podiam receber da grande mídia parecia censurado e abafado pelo poder do governo. Angel imaginava como eles faziam para que todas as pessoas que presenciavam tais fatos continuassem caladas, mas preferiu não perder muito tempo com isso afinal tinha muita estrada pela frente.


–//////--


A cena se repetiu algumas vezes, mudando poucos elementos. Um caminhão bloqueado as duas pistas da estrada que foi partido ao meio pela lança de Draco, ou motoqueiros que tentavam impedir Dante de continuar mas que eram facilmente derrubados com um soco bem colocado ou um pequeno empurrão de um certo lagarto voador.
A situação da organização era difícil, mesmo eles estando atrás de um único homem. Eles não podiam contar com a ajuda de autoridades locais na captura por que para isso teria que esclarecer quem era o fugitivo e por que ele estava sendo procurado.
Nem poderiam provocar uma grande confusão envolvendo digimons e outros agentes, por que não teriam como abafar o caso posteriormente. Se matassem Dante, nunca saberiam onde Angel estava escondida, e com certeza não conseguiriam derrotar Draco sem usar uma legião de outros digimons.
O único recurso que possuíam era mandar onda após onda de agentes motorizados para tentar parar ou pelo menos atrasar a fuga do rapaz. Eles nunca imaginaram que um agente seria capaz de fugir das instalações, quanto mais estender a fuga por todo país. Não havia protocolo para lidar com esse tipo de situação e era por isso que Dante tinha a vantagem.

O cenário começou a mudar quando ele atravessou uma cidade do área mais habitada da Geórgia. Desta vez não havia centenas de veículos, não havia perseguição, era quase como se estivessem desistindo. Depois de certo tempo Dante percebeu que estava sendo seguido de longe por uma moto de corrida customizada vermelha, mas a motocicleta não se aproximava, apenas mantinha uma distância constante. A espinha de Dante gelou quando ele entendeu do que se tratava.

-Quer que eu ataque? - Perguntou Draco.
-Não... era por isso que estávamos esperando. - Eles saíram das estradas principais e se dirigiram por uma antiga estrada de terra batida quase deserta. Depois que os sinais de civilização não podiam ser mais vistos, a moto misteriosa repentinamente acelerou até ficar poucos metros atrás de Dante e Draco. O rapaz pode ver pelo retrovisor quando o desconhecido levantou um digivice amarelo, que materializou um grande ser meio homem meio dragão que usava armadura branca e tinha asas roxas. De súbito, uma grande aura que parecia ser feita de fogo branco envolveu o digimon e logo após se disparou contra os fugitivos. - Draco agora!!

Draco automaticamente se transformou em Examon e saiu voando com Dante nos braços, pouco antes da moto ser consumida pela estranha aura com formato de dragão e cair inutilizada no chão. Draco voou para o meio das árvores e pousou numa grande clareira. O motoqueiro desconhecido chegou logo após, seguido de perto pelo digimon que era seu parceiro. Ele estacionou a moto e retirou o capacete, revelando ser um homem de cabelos castanhos e traços tipicamente britânicos.

-Cara, eu amava aquela moto! - Gritou Dante.
-Você deve ser louco não é garoto? - disse o homem balançando os cabelos castanhos que caíam sobre a face. - Tem ideia do caos que está provocando?
-Olha, eu não sei como são as coisas lá na Inglaterra, mas aqui é um país livre.
-Não me provoque, por que eu não vou exitar em mandar Dynasmon acabar com você.
-Esquentado e com um Dynasmon, você deve ser o Bryan não é?
-Quem eu sou não importa pra você. O que importa é que a sua aventura termina aqui e agora. Vai Dynasmon! - O cavaleiro dragão avançou contra Dante, mas foi interceptado por Draco. Os dois digimons agarram um os punhos do outro com ferocidade enquanto se encaravam.
-Não tão rápido branca de neve, você vai ter de passar por mim primeiro.
-É o que eu estava pretendendo fazer. Dragon's Roar! – Uma grande rajada de energia foi disparada das duas esferas vermelhas nas mãos de Dynasmon, pegando Draco desprevenido e sem ter como reagir. Após ser atingido em cheio o dragão vermelho conseguiu se soltar.
-Então é assim que você quer fazer não é? Eu vou abrir uma peneira nessas suas asas de dragão metrossexual! Avalon's Gate! – Draco materializou sua lança e começou a fazer disparos consecutivos. Com impressionante velocidade, Dynasmon esquivava dos ataques sem nenhum ferimento.
-Olha quem fala! Você tem mais enfeites que uma odalisca! - Dynasmon parou perto de Draco e se preparou para usar novamente seu Dragon's Roar, mas Draco acertou um forte golpe com a sua lança no peito do digimon, que o mandou voando de encontro as árvores.
-Dante, não importa o quanto você lute, você nunca ira vencer! Acha mesmo que um único homem consegue derrotar sozinho todas as organizações de controle a digimons do mundo?
-Ah, meu plano não é derrotar, é só me tornar invisível mesmo.
-E dá pra ver que vai dar certo não é mesmo? Afinal ninguém percebeu a bagunça que você está fazendo. - Os digimons continuavam a lutar enquanto Dante e Bryan conversavam. Os tiros disparados pela grande lança de Draco faziam o solo tremer, enquanto o Breath of Wyvern de Dynasmon passava zunindo por cima da cabeça dos dois humanos.
-Você nunca entenderia Bryan. Eu tenho uma razão para lutar. - Respondeu Dante, calmamente.
-Ah, então tudo é por causa daquela garota? - Disse Bryan com um sorriso irônico. - Não se preocupe, logo não vai mais ter razão nenhuma.
-Como assim?
-Noah, nosso rastreador estava seguindo vocês desde antes de se separarem. A essa altura sua namorada já deve estar acorrentada e a caminho do quartel general mais próximo.


–//////--


Longe dali, em algum lugar do estado do Alabama o cenário era completamente diferente. Um caminhão havia bloqueado a estrada e impedido um utilitário de seguir viagem. Haviam algumas pessoas caídas no chão, aparentemente desmaiadas, e algumas outras escondidas atrás do caminhão, todas usando um mesmo uniforme cinza.

O chão estava salpicado de fogo e com sinais de explosões por todo lado, e algumas árvores estavam em chamas. Uma garota permanecia de pé, com o rosto sério, enquanto um imenso dragão vermelho com corpo de serpente pairava sobre sua cabeça.
Alguns metros a diante, um homem alto e de cabelos escuros também de pé com um semblante perplexo, parecia estar sendo protegido por um cavaleiro de armadura cor de rosa, que carregava um escudo amarelo. O escudo era enfeitado com uma cruz rosada e tinha uma esfera azul no centro. O cavaleiro estava em posição de guarda, protegendo seu parceiro com o escudo.
-Crusademon, tome cuidado, esse não é um digimon normal. - Disse o homem. - Ele fez com que todos aqueles agentes caíssem inconscientes apenas com um rugido.
-Seu meu amo. - Respondeu Crusademon. - Eu o derrotarei, pela honra dos cavaleiros reais. Urgent Fear!

O cavaleiro rosado investiu contra Megidramon usando seu escudo como arma. Uma pequena ponta do escudo se projetou para frente como um gatilho e Crusademon parecia que ia usá-lo para acertar Megidramon.
O dragão parou o ataque com suas grandes garras, segurando firmemente na ponta do escudo. A poderosa onda de choque disparada pelo impacto não fez com que ele recuasse. Crusademon parecia estar fazendo força para prosseguir com o ataque. Megidramon apertava cada vez mais o escudo, até que provocou uma rachadura nele e Crusademon tentou recuar, mas estava preso pelas garras de Megidramon. As garras do outro braço do digimon dragão foram envoltas em uma chama cintilante, e ele acertou um poderoso golpe no peito de Crusademon que o arremessou para longe.

-Crusademon! - Gritou Noah, assustado com o ataque que seu digimon acabara de receber.
-Eu estou bem amo... - Respondeu Crusademon, se levantando com certa dificuldade. Angel permanecia séria, sem mover um único músculo.
-Se você está esperando Megidramon se afastar para me atacar diretamente, vai ficar desapontado. - Finalmente ela disse, com confiança. - E aqueles medrosos atrás do caminhão também não vão conseguir fazer nada. Eu já fui capturada assim uma vez, não caio na mesma armadilha de novo.
-Você parece bem confiante senhorita. - Disse Noah, cordialmente.
-Apenas tenho um motivo pelo qual lutar.
-Vamos ver quem de nós tem o motivo mais forte então. - Crusademon mais uma vez investiu contra Megidramon, e foi recebido com uma rajada de fogo poderosa.


–//////--


-Vocês subestimam Angel, só por que ela parece frágil. Não sabem do que ela é capaz. - Disse Dante. Draco atacava Dynasmon com uma sequência rápida de estocadas com a lança, que o digimon inimigo esquivava rapidamente. Dynasmon segurou a lança de Draco e o arremessou contra o solo. Pouco antes de atingir o chão, Draco abriu suas poderosas asas e provocou uma forte rajada de poeira. Ele voou em alta velocidade de volta na direção de Dynasmon, que o atacou com suas garras. As garras de Dynasmon acertaram a lança de Draco fazendo um ruído metálico.
-Não sei quem está subestimando quem aqui garoto. Nós somos os cavaleiros reais! Vocês não podem com a gente!
-Então você vai se surpreender com o que Angel pode fazer... Com o que NÓS podemos fazer. Nós iremos ser livres, nem que eu tenha que provocar uma revolução no mundo inteiro para isso.
-Livres?!? - Bryan deu uma risada debochada, achando graça da colocação de Dante. - Você não sabe mesmo o seu lugar no mundo não é mesmo? Liberdade não é um conceito que se aplique a nós, pessoas ligadas a esses monstros.
-Pode ser, se nós lutarmos por isso!
-O lugar de aberrações como aquela garota é num laboratório, servindo como material de testes e sendo dissecada. - Bryan parecia apresentar repulsa por Angel na voz. - Aberrações como ela não merecem nem mesmo ser enterradas depois que a vida miserável que elas tem acabe. Ela nunca deveria ter nem nascido!
-Não fale de Angel como se ela fosse um objeto!
-Não fale você dela como se ela fosse um ser humano, por que ela está longe disso! Todos nós estamos! - As palavras daquele homem provocaram um ódio intenso em Dante. Ele sentia repulsa pela voz dele. Dante nunca tinha conhecido alguém tão frio e tão baixo. A onda quente de ira inundou todo o corpo do rapaz, e ele tirou o digivice do bolso, o segurando com força na altura do rosto.
-Você parece não gostar nem um pouco do seu digimon. - Uma aura azul começava a emanar do corpo de Dante. Começou fraca, mas logo reluzia num azul sublime, como se envolvesse todo o corpo do rapaz. Aos poucos a aura começou a ser direcionada para o digivice, e a pequena tela do aparelho começou a brilhar. - Então eu vou te livrar da sua maldição. Draco, acabe com isso AGORA!

Como se fosse um raio, Draco apareceu atrás de Dynasmon que não percebeu a presença do digimon. Dynasmon foi atravessado no peito pela lança de Draco, que começou a subir cada vez mais alto no céu com o digimon dragão preso a ponta de sua lança, até que sumiram da vista dos dois humanos.
Quando reapareceram, Draco estava indo a toda velocidade em direção ao solo enquanto disparava freneticamente toda a munição que possuía dentro de sua imensa lança. Os dois desciam como um meteoro e os tiros de Draco atravessavam Dynasmon impiedosamente.

-Pendragon's Execution!! – Ecoou o grito do digimon dragão. Bryan observou perplexo enquanto os dois digimons batiam no solo com um impacto tão grande que fez a terra tremer e provocou uma imensa nuvem de poeira que cobriu completamente sua visão. Ele não pode perceber quando Dante cruzou a cortina de poeira e acertou um potente soco bem no nariz do britânico, que o atirou ao chão com o rosto coberto de sangue.
-Nunca.... Mais... Fale... Sobre... A Angel! - Dante tinha se ajoelhado sobre o corpo caído de Bryan e intercalava um grito cheio de ira e ódio com um poderoso soco na cara do pobre coitado que havia despertado sua ira.

O rapaz deixou sei adversário com o rosto recém-deformado caído no chão inconsciente e se afastou. Draco voltou trazendo na mão um pequeno ovo, presumidamente pertencente a Dynasmon. Dante flexionava os dedos, que haviam ficado doloridos após os socos que ele havia dado.

-Você tem razão. - Disse Draco com a voz ofegante. - Eu não consigo fazer isso duas vezes num dia.
-Nem eu. - Respondeu Dante também ofegante. - Acho que toda minha energia foi embora só nesse ataque. Imagina a quantidade de jornais que irão noticiar o “Terremoto da Geórgia”.
-Seria um bom nome se eu fosse um lutador de luta livre. - Draco tentou rir, mas estava cansado demais pra isso. - E aquele dorminhoco ali?
-Pela quantidade de vezes que eu soquei ele, só amanhã ele acorda. - Dante deu um sorriso com o canto dos lábios, satisfeito por ter descarregado sua raiva no homem.
-Não se preocupe, Bryan é resistente. - A voz desconhecida colocou Dante e Draco automaticamente em estado de alerta. Do meio das árvores surgiu um rapaz alto, loiro, de olhos azuis e expressão calma. Ele vestia roupas casuais e parecia tranquilo de estar ali. O tom de sua voz era respeitoso e ele tinha um forte sotaque britânico. - Prazer, eu sou Andrew. Finalmente estou conhecendo o famoso Dante, e o infame Draco.
-Eu vou acabar com esse palhaço agora! - Bradou Draco atirando para longe o ovo de Dynasmon e apontando a lança para Andrew.
-Não tão rápido grandão, eu sei como me defender. - Andrew tirou um digivice branco do bolso da calça. Do digivice saiu um imponente digimon de armadura branca que vestia capa vermelha. Um braço dele era laranja e a mão parecia ser a cabeça de um dragão, e o outro braço era azul e parecia ser a cabeça de um lobo. Uma espada saia da “boca” do dragão e estava apontada para Draco da mesma forma que ele ameaçava Andrew. - Esse é meu parceiro, Lancelot.

A visão do cavaleiro tomou Dante de súbito. Lancelot tinha a fama de ser o mais forte digimon parceiro que se tem notícia, nascido da fusão plena de dois outros digimons. Lancelot era imponente, poderoso e grandioso, apesar disso Draco não parecia intimidado.

-Parece que estamos num Impasse Mexicano aqui. - Comentou o lagarto. Lancelot permaneceu calado.
-Vocês lutam bem Dante, e também Draco. Eu estive observando sua luta com Bryan. Você parece ser alguém bem determinado e com um idealismo bem forte. Admiro isso. - Andrew permanecia calmo e cordial como sempre.
-Obrigado Sir Andrew, é uma honra ouvir isso de um dos poucos homens que realmente receberam o título de cavaleiro concedido pela rainha.
-Títulos são apenas palavras Dante, não podem fazer muito além de enfeitar seu nome. Mas você parece conhecer muito sobre nós, os cavaleiros reais.
-Eu fiz meu dever de casa. - Disse ele com um sorriso. - Sabia que um dia ou outro nos encontraríamos.
-Bem, você parece ser um homem inteligente e que não volta atrás em suas escolhas. Que tal um pequeno duelo?
-E o que exatamente eu ganharia com isso? - Dante estava desconfiado da atitude de Andrew.
-Noah já cercou Angel e impediu que ela continuasse a viajar. Eu estou aqui com você. Bem, se você ganhar, vocês poderão seguir em frente e nós nunca nos encontramos. Se você perder, os dois serão levados como prisioneiros.
-Hmm... Parece sensato. Acha que aguenta mais um round parceiro? - Ele olhava para Draco, que continuava a apontar sua lança para Andrew.
-Nós temos uma promessa para cumprir. - Respondeu Draco. Lancelot saiu da posição de guarda, e os dois digimons subiram ao céu acima das cabeças dos dois humanos. Quando os digimons se colocaram de costas um para o outro, uma luz piscou na cabeça de Dante: Nem sequer passava pela cabeça de Andrew a ideia de perder, ele tinha certeza que ia vencer. Uma tensão tão poderosa se instalou no ar que era possível tocá-la, enquanto os dois digimons permaneciam de costas uma para o outro. A perfeição do primeiro movimento seria crucial.
-Ambrosius! – Draco rompeu o silêncio investindo contra Lancelot em velocidade.
-Grey Sword! – O cavaleiro branco reagiu imediatamente com a espada que saía de sua mão. A lança e a espada colidiram provocando uma onda de choque que fez o topo das árvores balançarem.

Lancelot apontou seu outro braço, o que tinha o formato da cabeça de um lobo, na direção de Draco, e dele saiu um grande canhão. Pouco antes do canhão disparar uma ameaçadora rajada de energia Draco deu um backflip por cima da cabeça de Lancelot e se posicionou atrás dele.

Lancelot tentou acertar um golpe com a espada na altura do pescoço de Draco, mas o dragão saltou para trás e interceptou com a lança. Os dois combatentes começaram então a trocar uma rápida sequência de golpes com a espada e a lança, intercalados por tiros de canhão e pelos disparos que a grande lança Ambrosius era capaz de fazer. Nenhum dos dois cedia nem um centímetro enquanto os estrondos da batalha ecoavam.

-Você não pretende nos deixar ir não é mesmo Andrew? - Perguntou Dante, com seriedade.
-Apenas não creio que seu digimon possa derrotar Lancelot. - Respondeu Andrew, mantendo a compostura.
-Você mais do que ninguém deveria entender por que eu estou fazendo isso.
-O que quer dizer Dante?
-A história sobre Lancelot, é verdade não é?
-Se é verdade ou não, isso não te interessa. - Agora Andrew apresentava frieza.
-O Metal Garurumon que está fundido com o seu War Greymon pertence a sua esposa Helena, você só continua lutando por ela não é mesmo?!? - Andrew agora contraía os punhos com força e tinha as sobrancelhas franzidas. - Você sabe o que é lutar por amor a alguém!
-Não pense que você sabe pelo que eu estou passando, não mesmo. - O homem britânico tentava manter a calma. - Se você sabe tanto sobre nós, sabe que Helena está em coma e não tem chance de acordar. Eu luto para honrar a memória dela.
-E eu luto para poder viver ao lado de Angel, não é tão diferente assim! O que nós estamos fazendo aqui não tem sentido, nós estamos do mesmo lado Andrew, não somos inimigos! Nós queremos as mesmas coisas!
-O mundo não é tão simples assim Dante. Antes de tudo acontecer... Antes que Helena entrasse em coma permanente por causa de um atentado da Digital Hazard eu pensava como você, em viver com liberdade. Mas meus sonhos de liberdade morreram junto com a esperança de ver minha Helena de pé novamente.
-Nós ainda podemos conseguir Andrew, juntos! Veja tudo o que eu sozinho consegui! Imagine aquilo que nós, unidos, podemos realizar! Podemos até mesmo acabar com a Digital Hazard, coisa que a organização tem medo de fazer! - Lancelot disparou um ataque certeiro com seu canhão, mas as asas de Draco se colocaram como um escudo na frente do digimon. O estrondo soou como um forte trovão. Draco estava ofegante, e suas asas soltavam fumaça e fumegavam após o ataque. A situação fez com que o dragão investisse com ainda mais vontade e mais força contra Lancelot, que foi pego de surpresa pela ferocidade dos ataques de Draco. O cavaleiro estava tendo dificultades para manter sua posição.
-Liberdade é um conceito que foi roubado de nós Dante, no dia em que nascemos.
-Não seja covarde! - O grito de Dante ecoou por toda floresta. Os digimons pararam momentaneamente seu embate e passaram a olhar para o rapaz. - Chega de ser um cão do governo! Chega de viver por baixo de mentiras e mais mentiras! Eu disso isso para o seu amigo e vou repetir quantas vezes forem necessárias, eu vou ser livre nem que eu tenha que mudar o mundo inteiro para isso! Eu vou dar a Angel a vida que ela nunca pôde ter!
-Se você a ama tanto... Vamos ver se vai poder protegê-la. - Andrew agora tinha o rosto sombrio, como se Dante tivesse levado a memória dele lembranças que há muito tempo ele guardava. Seu corpo começou a emanar uma aura branca, da mesma forma que Dante tinha feito contra Bryan. A aura de Andrew era tão intensa que fazia suas roupas tremularem. Ele segurou ao digivice branco na altura do rosto. - Estou vendo que vou ter que mudar seu pensamento a força rapaz.
-Vai ter de se esforçar muito para isso. - A aura brilhante azul envolvia mais uma vez o corpo de Dante. Ele não sabia se conseguiria resistir por muito tempo, mas agora era tudo ou nada.

Subitamente os dois digimons pareciam ter suas forças renovadas, apesar de Draco ainda ofegar levemente. Lancelot balançou a espada no ar e uma onda de energia no formato de uma lâmina foi em direção a Draco. O digimon dragão se lançou a toda velocidade aos céus, enquanto a lâmina passava direto por ele e derrubava algumas árvores a alguns metros do local onde os dois humanos estavam. Draco havia mais uma vez sumido no azul do céu.

-DRACOOO!!! - Dante gritou com toda força dos pulmões, como que ordenando o momento certo para o ataque.
-Pendragon's Glory!! – Draco descia em alta velocidade logo acima de Lancelot como um foguete indo em direção ao solo. A lança do digimon disparava uma sequência de raios de energia que vista de longe parecia ser uma imensa chuva de meteoros.
-LANCELOT!! - Da mesma forma que Dante, Andrew parecia dar o sinal que seu digimon precisava para agir.
-Omega in Force! – O digimon cavaleiro começou a se mover tão rápido que provocava uma ilusão de ótica, como se houvessem vários dele no campo de batalha. Todas as réplicas deslizavam por entre a chuva estrelas cadente provocada por Draco e atiravam de volta no digimon dragão com seu canhão.

Os dois digimons continuaram trocando ataques furiosamente, até que Draco se aproximou de Lancelot. As réplicas fizeram um movimento tão rápido que foi praticamente imperceptível, mas as asas do dragão haviam sido cortadas fora, e agora ele estava em queda livre.
Draco bateu no chão como uma rocha a poucos metros de Dante e Andrew. A grande cauda do digimon dragão se movimentou com a força do impacto e atingiu Dante, que foi jogado de costas contra uma árvore. Ambos estavam no chão agora, digimon e humano.

O rapaz escutou os passos de Andrew se aproximando. Ele queria reagir, mas se sentia sem forças para levantar. Parecia que ele tinha sido drenado, e agora estava machucado. Andrew ficou em pé bem ao lado de Dante.

-Eles lutaram bem. - Soou a voz de Lancelot. - Não sei qual seria o resultado se eles estivessem com cem por cento da força.
-Eu me vejo mais novo nele Lancelot. Toda essa vontade e idealismo.
-Iremos leva-los como prisioneiros?
-Não, o mundo ira se encarregar de quebrar esse idealismo. Ou não... Quem sabe ele realmente possa provocar uma revolução mundial. Dante, eu sei como você se sente, e irei te dar a chance de proteger Angel. Não a desperdice. - Foram as últimas palavras que Dante ouviu, antes de ficar inconsciente.

Andrew se afastou e recolheu Lancelot, Draco havia ficado inconsciente e voltado a forma de Dracomon. O rapaz loiro pegou um celular do bolso e discou rapidamente um número.

-Noah, você está com a garota aí?
-Sim. - Respondeu a voz de Noah em meio a ruidos e barulhos.
-Deixe-a ir Noah, nós não temos nada haver com esses dois.
-Com todo respeito Andrew, eu acho mais fácil ELA nos deixar ir embora.
-Como assim Noah?!?


–//////--


Megidramon segurou Crusademon pelos armamentos amarelos que se prendiam as cosas do digimon, o rodopiou no ar e o atirou na direção de Noah. O digimon rosado bate com as costas no chão, quicou, voou por cima de Noah e se colocou em pé de novo. Ele era determinado, voltou a ofensiva logo após se recuperar. Mas a paciência de Megidramon parecia ter acabado, o digimon dragão segurou a cabeça de Crusademon com as grandes garras. Crusademon tentou se soltar, realizando golpes com o escudo amarelo, mas o efeito era quase nulo. Quanto mais o cavaleiro rosado tetava se soltar atacando Megidramon de todas as formas possíveis, mais megidramon apertava a cabeça do indefeso digimon.

-Recolha Crusademon, se quiser usar ele em outra batalha. - Disse Angel com seriedade. - Megidramon não vai parar até esmagar a cabeça dele. E você sabe, eu não tenho controle sobre ele.
-Tudo bem tudo bem. - Noah desligou o celular e estendeu o digivice roxo para seu digimon. - Eu nunca enfrentei um adversário tão demoníaco como esse seu digimon.
-É o que dizem, Garota Demônio – Disse Angel apontando para o próprio rosto. Crusademon desapareceu no ar, mas Noah permanecia pasmo com a cena. - O que te fez mudar de opinião?
-Parece que o seu amigo derrotou um de meus companheiros e só Deus sabe o que ele fez com o outro. Só sei que eu recebi ordens do nosso chefe para deixar você ir. Só não sei como vou fazer para esses agentes calarem a boca sobre isso.
-Quer dizer, esses que fugiram de medo a meia hora atrás? - Disse Angel com um sorrisinho apontando para o caminhão. - Acho que não vai ter muito trabalho além de colocar os belos adormecidos dentro do caminhão.
-Você não é uma pessoa perigosa não é mesmo? Por que estão dando tanta enfase na sua captura? - Perguntou Noah.
-Acho que é meu charme.


–//////--


Dante acordou recostado a uma árvore com Draco ao seu lado. As costelas doíam, ele parecia ter quebrado uma ou duas. Na verdade todo corpo doía. O corpo de Bryan no chão havia sumido, e não havia o menor sinal de Andrew ou Lancelot. O rapaz se lembrou então das palavras de Andrew.

Dante se levantou com alguma dificuldade. O peso da jaqueta de couro deixava sua respiração pesada então ele a tirou e deixou jogada no chão. Ao longe viu a moto de Bryan, no mesmo lugar que ele tinha deixado. Se aproximou com alguma dificuldade dela, imaginando por que ela estaria ali. Tinha um bilhete colado ao assento, onde estava escrito “Não gosto de motos, fique com essa para você -Andrew”

-Aquele loiro do sotaque esquesito, era um cara legal no final das contas. - Dante tentou rir, mas a dor lembrou das suas costelas. - Draco, está acordado?
-Mais ou menos... - Respondeu o dragãozinho.
-Temos estrada pela frente. - Dante recolheu o dragão e se pôs à estrada novamente.

Seu corpo doía a cada curva, e quando gotas de chuva começaram a bater sobre a pele dos braços do rapaz parecia que navalhas estavam sendo jogadas contra ele. Dante sentia que nem ele nem Draco poderiam levantar um único dedo para lutar contra mais alguém, então ele viajou o tempo todo por estradas semi-desertas, de terra batida. A chuva as tornavam estradas lamacentas, onde a moto poderia facilmente capotar. Agora Dante estava quase chegando a seu destino.

Ele subiu a estrada inclinada que levava até a pequena cabana no meio do nada e parou a moto perto da varanda. Não havia nenhum sinal de Angel... Era de se esperar de alguém que nunca havia pegado num volante.
Ele atravessou espaço que separava a cabana de um moinho, a chuva fria caindo sobre o corpo. A sensação era boa, apesar de todos os ferimentos. Um raio cortou o céu iluminando todo local. Duas silhuetas observavam ao longe.

-Não não não não! Agora não – Ele pensou em desespero enquanto as duas silhuetas se aproximavam. Eram dois homens, um negro e um asiático, vestindo roupas completamente pretas e iguais. - O que vocês querem aqui?
-Nós queremos exterminar uma parte importante da infestação que assola nossa mundo. - Disse o homem negro.
-Digital Hazard... Então vocês são urubus que pegam carniça dos outros.
-Nós somos oportunistas Dante. Tem muito tempo que nós estamos te vigiando, esperando o momento certo. O momento chegou. - Disse ele, com um sorriso maldoso.
-Eu não vou deixar! - Coredramon saiu de dentro do digivice rosnando. O dragão azul parecia machucado e estava sem uma das asas. - Desculpe Dante, é o máximo que eu consigo nesse estado.
-Eu sei que você se esforçou muito parceiro. - Disse Dante colocando a mão em seu digimon.
-Nós viemos preparado para você. Foi difícil, mas conseguimos esses dois parar usarmos como armas. - Os dois homens de preto levantaram dois dispositivos que pareciam digivices, mas eram muito diferentes do digivice de Dante. - Saiam de suas prisões, suas bestas desmioladas.

Um digimon parecido com um lobisomen, mas possuindo braços metálicos e aparentemente um óculos de sol foi materializado ao lado de um monte de ossos que tinha a forma de um mamute.
Draco tentou lutar contra eles, mas estava fraco e lento. O lobisomem imobilizou o dragão passando os braços robóticos ao redo dos ombros de Draco. O esqueleto de mamute começou a acertar o corpo do dragão com a tromba. Draco gritava de dor, enquanto Dante via seu parceiro sendo torturado. Ele pensou em atacar os dois homens, mas mal podia andar quanto mais lutar. Aquele era o final.

-Diga boa noite rapaz. - O homem negro apontou uma pistola para Dante. - Entre nós, não existe coisa parecida com honra.


–//////--


O carro de Angel deslizava e derrapava na lama, e ela dirigia ainda mais devagar e com mais cuidado. “Direita, direita, esquerda, direita de novo e siga reto” repetia ela mentalmente. Angel estava animada por finalmente se encontrar com Draco e Dante. Haviam poucos dias que eles se separaram, mas pareciam meses. Um raio seguido de um trovão a assustou, fazendo ela dar um pulo.

Angel já podia ver a parte de trás da cabana ao longe, começou a andar um pouco mais rápido para chegar lá. De repente mais dois barulhos, os trovões pareciam estar fortes naquela noite.
Quando ela ficou de frente para o terreno ao redor da cabana não conseguiu acreditar no que estava vendo. Draco estava sendo espancado, dois homens de preto em pé na frente de Dante, e o rapaz caia aos poucos.

Angel freiou com força, o carro espalhou lama por todo lado. Desesperada ela abriu a porta, arrancou o cinto e correu na direção de Dante que estava caído no chão. O sangue se espalhava ao redor dele. Tudo tinha acabado ali, naquele instante.

Continua?

Peço humildemente agora um minuto de silêncio pelo personagem extremamente importante que infelizmente faleceu.
Spoiler:
Digimon Truth - Página 2 Harley-davidson

Notas do autor: Pendragon's Execution foi um ataque criado por mim combinando dois ataques já existentes de Examon (Avalon's Gate e Draconic Impact) quem tiver curiosidade de ver o perfil dele na Wikimon ou na Digimon Wiki vai ver que o ataque tem elementos dos dois "pais" xD E deixo aqui meu protesto: Por que diabos o ataque Dragon's ROAR do Dynasmon é lançado pelas MÃOS???

É isso aí galerë, comentem o/
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Mensagem por Rayana em Ter Nov 29, 2011 1:14 pm

DANE-SE O MINUTO DE SILÊNCIO (apesar de ser fã da linha Harley Davidson aeuhaeuhae) OUTRO FUCKING CLIFFHANGER?!!PORRAAAAA!!
Dragon, isto está WIN!! As lutas, os diálogos, e agora este final! Parece que a Angel afinal era a menor das preocupações aqui, ela ownou vidas AUHEAUHAEUHE mas em compensação fiquei super ansiosa para saber o que aconteceu ao Dante!

Este capítulo passou-me várias sensações familiares, que misturam Fullmetal Alchemist e Digimon V-Tamer (por causa do Lancelot, lembrou-me um bocado o Hideto vs Taichi, e a conversa sobre o ideal do Neo sobre reconstruir a DW, mas neste caso, num contexto vagamente diferente).

Eu desta vez não tenho nada mirabolante para dizer, I want a freaking update, NOW! Os cavaleiros reais parece que deram o benefício da dúvida aos fugitivos (sei lá, não parecem tão corrompidos quanto e dizia), mas estes dois personagens MIB pipocarem do nada, não estava nada a contar com eles!

Dragon!!! òwó Update!!
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